A Voz do Brasil: História
No ar há 70 anos, A Voz do Brasil faz parte da história do rádio brasileiro. A despeito de sua origem autoritária e de sua veiculação, ainda hoje, compulsória, se mantém como fonte de informação de grande parcela da população. Pesquisa do Instituto DataFolha (1995) informa que 88% dos entrevistados com idade acima de 16 anos conheciam o programa. Sua maior audiência está nas regiões Nordeste e Centro-Oeste, onde dois terços dos pesquisados afirmaram ouvir A Voz do Brasil regularmente.
Criada no Estado Novo, A Voz do Brasil teve papel central na popularização da ditadura Vargas e seguiu durante décadas servindo como instrumento de propaganda governamental.
A partir de 1985, com o processo de redemocratização, vieram à tona os sinais de desgaste do programa. Crescia o número de aparelhos de rádio desligados aos primeiros acordes de “O Guarani”. Mas nem assim, a Voz deixou de ser ouvida por um número expressivo de brasileiros graças à veiculação obrigatória e simultânea, que até hoje garante ao programa a mais larga abrangência e a maior audiência do rádio nacional.
Em 1998, o formato de A Voz do Brasil
foi reformulado. O Guarani permaneceu, mas novas vinhetas foram
introduzidas com o objetivo de atualizar sua identidade sonora. O texto
sisudo deu lugar a uma linguagem mais leve. O tom grave e solene foi
suavizado com a entrada de uma mulher na locução. A pauta do
radiojornal, no entanto, permanecia focada na promoção de autoridades e
na divulgação de suas ações.
Em 2003, como parte do novo conceito de comunicação pública do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a Radiobrás promoveu a mais profunda reforma editorial realizada no programa. A parte destinada ao Poder Executivo adquiriu enfoque jornalístico e formato atual. A reportagem deixou os gabinetes para sair às ruas em busca da relação entre as políticas públicas implementadas e as necessidades da sociedade. Pela primeira vez, A Voz do Brasil abria seus microfones para a população perguntar, comentar e avaliar os projetos e ações do governo abordados no programa.
“O Guarani” foi remixado ao ritmo de forró, samba, choro, bossa-nova, capoeira, moda de viola e até techno. E o tradicional “Em Brasília, dezenove horas” foi substituído por “Sete da noite, em Brasília”, sinal da opção pela linguagem mais simples, usual e em tom de diálogo.
Desde então, A Voz do Brasil acumula três prêmios de jornalismo e é reconhecida como canal de acesso a informações precisas e objetivas sobre governo, Estado e Cidadania.