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Arquivos: 02/02/2012 - Transcrição

APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Olá, amigos em todo o Brasil. Eu sou Kátia Sartório e começa agora mais uma edição do programa Bom Dia, Ministro. O programa é coordenado e produzido pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, em parceria com a EBC Serviços. Hoje, aqui nos estúdios da EBC Serviços, o Ministro Gilberto Carvalho, da Secretaria-Geral da Presidência da República. Bom dia, Ministro. Seja bem-vindo.

MINISTRO GILBERTO CARVALHO: Bom dia, Kátia. Um grande abraço a você, aos funcionários, aqui, da EBC e a todas as emissoras que entraram em rede conosco nessa manhã.

APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Obrigada, Ministro. E na pauta do programa de hoje, um balanço do Fórum Social Temático, realizado na última semana, no Rio Grande do Sul. O Ministro Gilberto Carvalho vai explicar a participação social no governo federal e o papel da Secretaria-Geral nesse processo. O Ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, já está aqui, no estúdio, pronto para conversar com âncoras de emissoras de rádio de todo o país, neste programa que é multimídia; estamos no rádio e na televisão. Ministro, vamos conversar, primeiro, com a Rádio Verdes Mares, de Fortaleza, no Ceará. Quem está lá e faz a pergunta é Nilton Sales. Bom dia, Nilton.

REPÓRTER NILTON SALES (Rádio Verdes Mares / Fortaleza - CE): Bom dia, Kátia. Bom dia, Sr. Ministro Gilberto Carvalho.

MINISTRO GILBERTO CARVALHO: Bom dia, Nilton. Bom dia a você e aos ouvintes da querida Rádio Verdes Mares aí de Fortaleza.

REPÓRTER NILTON SALES (Rádio Verdes Mares / Fortaleza - CE): Muito obrigado. Eu vou pegar logo um gancho aí no tema da entrevista. O senhor pode nos fazer um balanço do que foi o Fórum Social, em Porto Alegre?

MINISTRO GILBERTO CARVALHO: Pois não, Nilton e ouvintes. Este Fórum de Porto Alegre, diferentemente dos anteriores, que eram chamados e eram constituídos como Fórum Social Mundial, foi chamado do Fórum Social Temático. Ele não era... Ele não tinha uma convocatória mundial, e, sim, latino-americana. Portanto, aqui não se esperava a presença de europeus, asiáticos e, sim, latino-americanos. E ele tinha um tema específico, que era justamente a preparação da conferência Rio+20. Como todos sabemos, é uma conferência extremamente importante para a vida do planeta. Não será a Rio+20 uma conferência climática, como foram algumas outras, e nem apenas ambiental; vai ser uma grande conferência sobre a questão do desenvolvimento sustentável. Então o Fórum de Porto Alegre, na verdade, preparava a sociedade civil para sua intervenção na Rio+20, já que nós entendemos que hoje, tão importante quanto a participação dos governos, é a pressão e a participação da sociedade na discussão do tipo de desenvolvimento que nós vamos ter no mundo; se é um desenvolvimento consumista, que acaba com a natureza, que explora, e que não prepara o amanhã, o futuro, ou um desenvolvimento que cuida da natureza e que também faz inclusão social, que combate as desigualdades. Enfim, são modelos que serão discutidos na Rio+20 e que se discutiu intensamente nesta grande reunião de Porto Alegre.

APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Você tem outra pergunta, Nilton Sales?

REPÓRTER NILTON SALES (Rádio Verdes Mares / Fortaleza - CE): Somente agradecer. Muito obrigado.

APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Nós agradecemos, também, a participação de Nilton Sales, da Rádio Verdes Mares, de Fortaleza, no Ceará, que está fazendo parte com a gente dessa rede de emissoras do Bom Dia, Ministro. Ministro Gilberto Carvalho, vamos, agora, à Belém do Pará, conversar com a Rádio Belém FM, onde está Antonio Carlos. Bom dia, Antônio Carlos.

REPÓRTER ANTÔNIO CARLOS (Rádio Belém FM / Belém - PA): Bom dia a todos. Bom dia, Ministro Gilberto Carvalho, é uma satisfação falar com o senhor na Belém FM. Antônio Carlos. A minha pergunta, Ministro, é sobre o Fórum Social Temático. Ele abrange somente a região Sul e Sudeste ou o Brasil todo? E vai haver alguma melhoria aí, em relação ao Brasil, com relação ao Fórum? Bom dia.

MINISTRO GILBERTO CARVALHO: Bom dia, Antônio Carlos e ouvintes da Rádio Belém FM. Na verdade, não. O Fórum Social Temático, ele tinha militantes e ativistas sociais de todo o país e ainda de muitos países da América Latina, porque, como eu já disse, ele foi uma preparação da intervenção da sociedade nesta conferência Rio+20. E a grande discussão que se colocava no Fórum era a polêmica em torno da proposta que, provavelmente, os países do primeiro mundo trarão para a Rio+20, que é a história da chamada “economia verde” e a conceituação dessa “economia verde”, porque se todos nós concordamos que o desenvolvimento deve ser sustentável, nós entendemos que não é possível que os países desenvolvidos queiram impor aos países em desenvolvimento um padrão de desenvolvimento que pague o preço da exploração da natureza que eles já fizeram lá no norte do mundo. Muitas vezes, a tendência dos países desenvolvidos é pagar, dar um crédito financeiro, obrigando e constrangendo os países do sul do mundo, do chamado terceiro mundo, dos países em desenvolvimento, a que eles apenas façam a preservação da natureza. E lá no Fórum se discutiu intensamente a ideia de que o desenvolvimento sustentável é uma responsabilidade do mundo todo. E, na Rio+20, sem dúvida, haverá uma pressão para que todos os países adotem normas, adotem regras e perspectivas de um desenvolvimento sustentável, que seja um novo modelo, não tão consumista, porque se continuarmos nesse consumismo o mundo não tem futuro, e, ao mesmo tempo, que seja um mundo socialmente justo, onde o desenvolvimento contemple a inclusão de todos aqueles que foram mantidos à margem da economia e da sociedade até os dias de hoje.

APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Você tem outra pergunta, Antônio Carlos.

REPÓRTER ANTÔNIO CARLOS (Rádio Belém FM / Belém - PA): O próximo Fórum vai ser quando e em qual cidade, Ministro?

MINISTRO GILBERTO CARVALHO: Não foi tomada ainda uma decisão clara, Antônio Carlos, sobre a próxima reunião do Fórum. Ele será possivelmente no continente africano ou asiático, já que tivemos esse último Fórum aqui, no Brasil, e todo o esforço, toda a concentração, como eu já disse, foi em termos da preparação dessa conferência que será no Rio de Janeiro, como todos sabemos, a Rio+20, no próximo mês de junho.

APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Este é o programa Bom Dia, Ministro. Eu sou Kátia Sartório e estamos, hoje, com o Ministro Gilberto Carvalho, da Secretaria-Geral da Presidência da República. O Ministro conversa com âncoras de emissoras de rádio de todo o país. Lembrando que as emissoras de rádio pegam o sinal dessa entrevista no satélite, no mesmo canal da Voz do Brasil. Ministro, vamos, agora, conversar com a Rádio Nacional AM, do Rio de Janeiro. Marco Antônio Monteiro, bom dia.

REPÓRTER MARCO ANTÔNIO MONTEIRO (Rádio Nacional do Rio de Janeiro AM / Rio de Janeiro - RJ): Muito bom dia, Kátia. Bom dia, ouvintes e um bom dia especial ao Ministro Gilberto Carvalho. Ministro, o senhor participou ainda agora do Fórum Social, em Porto Alegre, num momento em que o mundo passa, nos seus países mais desenvolvidos, por uma crise muito grande, por uma crise para se saber que tipo de ação, que tipo de economia vai sair na próxima década ou nestes próximos anos dessa crise toda. E aqui, no Brasil, um dos temas, além da economia, é um tema que foi desenvolvido ao longo da história brasileira de maneira, por exemplo, muito diferente da Europa. Na Europa, os meios de comunicação começaram basicamente como meios de comunicação estatais. A gente tem a RAI, a BBC de Londres, a rádio e televisão espanhola, rádio e televisão portuguesa. E depois, muitos anos depois, se começou com a iniciativa privada nesse setor. Aqui, no Brasil, o desenvolvimento, a gente sabe, foi inteiramente diferente. A gente tem um setor estatal e um setor público muito pequenos em termos de comunicação e, ao mesmo tempo, uma legislação, no caso do rádio e da televisão, que vem de 1962, ainda do governo João Goulart. Ministro, há uma série de debates, o senhor mesmo conversou sobre isso no Fórum Social. O que fazer com a comunicação no Brasil, nos dias de hoje, tendo em vista que vários setores da sociedade pedem uma amplitude maior em termos de ideias na comunicação?

MINISTRO GILBERTO CARVALHO: Bom dia, Marco Antônio, ouvintes da Rádio Nacional do Rio. Marco Antônio, você toca num tema, de fato, muito importante e, de fato, na minha fala, lá em Porto Alegre, no Fórum, eu procurei abordar essa questão. A abordagem que eu fazia era exatamente a respeito do modelo de sociedade que nós queremos construir no Brasil e, sobretudo, em relação a esses quarenta e tantos milhões de brasileiros que estavam na exclusão e que, graças às políticas muito corretas do governo do presidente Lula e da presidenta Dilma, dando sequência, começam a se incorporar ao consumo, começam a ter direitos que antes lhes eram negados. E a pergunta que eu fazia era a seguinte: qual é o destino dessas pessoas do ponto de vista da sua maneira de viver, da sua maneira de ser cidadão? Serão apenas novos consumistas, novas pessoas que vão predar a natureza, pessoas que não vão levar em conta a vida em sociedade, ou serão pessoas que serão desafiadas e convidadas a ter uma vida em solidariedade, em fraternidade, pensando na construção de um novo modelo de sociedade no Brasil? E eu ressaltava que tudo isso tem muito a ver com os meios de comunicação, porque se nós não tivermos meios de comunicação que sejam democráticos, onde haja uma ampla participação e os meios de comunicação preocupados com essa educação cidadã, fica muito difícil você pensar num projeto para o Brasil. Não há partido, não há movimento social que seja capaz de fazer uma proposta ampla de um novo tipo de sociedade ética e solidária, no Brasil, sem uma participação, sem uma influência positiva dos meios de comunicação. E, de fato, você tem razão. No Brasil, já no governo do presidente Lula, se começou a discussão de um novo marco regulatório para a comunicação no país. Esse tema, você sabe, ele é muito polêmico porque há setores que quando ouvem falar de um novo marco regulatório, já pensam em autoritarismo, já pensam em ditadura nos meios de comunicação, já pensam em restrição à liberdade de imprensa. Não tem nada a ver com isso. O que o Brasil precisa, de fato, é uma discussão serena, democrática, insisto, democrática, com forte participação da sociedade, dos proprietários dos meios de comunicação, de toda a categoria de jornalistas, radialistas, fotógrafos, cinegrafistas, enfim, todo o pessoal que trabalha nos meios de comunicação, sobre um modelo de comunicação que permita a preservação da liberdade de imprensa, que permita, naturalmente, a participação do estado, do governo, no processo, como há no Brasil, através dos nossos meios de comunicação, que permita a existência de veículos como a EBC, que são veículos que, na verdade, são da sociedade e não do governo. Enfim, é uma discussão que tem que ser feita com muita serenidade, sem precipitação e sem, ao mesmo tempo, esse preconceito de achar que o simples fato de discutir significa a gente fazer um gesto de autoritarismo. O Brasil precisa ter a coragem de fazer essa discussão. Você já mencionou muito bem, todos os países desenvolvidos têm um marco regulatório muito adequado e que foi discutido pela sociedade. Eu espero que a gente, num próximo período, consiga realizar, de fato, essa discussão e cheguemos a um modelo de comunicação e, sobretudo, a uma atuação dos meios de comunicação, que sejam decisivos para a construção de um Brasil que nós sonhamos. Insisto: o Brasil que nós sonhamos não é apenas um Brasil desenvolvido economicamente; ele é muito importante, o desenvolvimento econômico, nós estamos felizes pela inclusão de tantas pessoas na vida de consumo, na qualidade de vida, mas é um Brasil que tem que pensar no seu desenvolvimento sustentável, na maneira de vivermos com a natureza, na maneira de viver com o nosso próximo, sem tanta violência, sem esse egoísmo consolidado e essa competição que torna tantas pessoas infelizes, sem esse, eu chamaria quase que de um materialismo exclusivo, que reduz a vida meramente ao consumo e à competição. Esse é o desenho básico de um tipo de sociedade fraterna e solidária que nós queremos construir e que, insisto, não conseguiremos sem a grande participação dos meios de comunicação, porque são os meios de comunicação que difundem massivamente os valores, o tipo de cultura que a gente sonha para o país.

APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Marco Antônio, você tem outra pergunta?

REPÓRTER MARCO ANTÔNIO MONTEIRO (Rádio Nacional do Rio de Janeiro AM / Rio de Janeiro - RJ): Não, só para complementar, Kátia. Ministro, é possível que esse debate consiga se aprofundar, apesar, como o senhor disse, ser... Muitas vezes, os meios de comunicação levantam uma polêmica de censura que não é o objetivo. Mas é possível que isso seja levantado ainda no governo da presidenta Dilma?

MINISTRO GILBERTO CARVALHO: Eu tenho certeza que sim, Marco Antônio, porque já há uma discussão dentro do governo, e só insisto numa coisa: tudo será feito ao modo da presidenta Dilma, assim como era do presidente Lula também, com muito cuidado e com forte participação. O governo tomará sempre cuidado para não ser impositor, para não fazer determinações, e, sim, organizar um debate no conjunto da sociedade. Eu tenho confiança que nós o faremos, sim, antes de 2014.

APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Este é o programa Bom Dia, Ministro. Você está ouvindo e assistindo o Ministro Gilberto Carvalho, da Secretaria-Geral da Presidência da República, o nosso convidado de hoje neste programa, que é coordenado e produzido pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, em parceria com a EBC Serviços. Ministro Gilberto Carvalho, vamos continuar viajando pelo país. Vamos agora conversar, aqui mesmo em Brasília, com a Rádio CBN. Nara Lacerda, bom dia. Nara Lacerda, da Rádio CBN, daqui a pouco a gente tenta mais uma vez o contato com a Rádio CBN Brasília. Ministro, eu queria aproveitar e conversar um pouquinho com o senhor também. Como é que a Secretaria-Geral desempenha o seu papel de articulação entre os movimentos sociais e o governo federal, principalmente no caso, agora, do Fórum Temático, que aconteceu?

MINISTRO GILBERTO CARVALHO: Por determinação da presidenta Dilma, a Secretaria-Geral, eu diria, é uma espécie de porta aberta do governo para todas as organizações sociais e movimentos que nós temos no país. Graças a Deus, eles são muitos. Nós procuramos desenvolver o nosso trabalho exatamente organizando um diálogo sistemático com os movimentos. Nós não esperamos apenas que tragam as pautas de reivindicação, mas nós vamos aos movimentos, organizamos com eles rodadas de conversa, para que eles apresentem para o governo não apenas as suas reivindicações setoriais, mas também a sua contribuição para o governo, para o modelo de país que nós estamos construindo. E os movimentos são muito ativos. Eles são muito combativos. Esse diálogo sempre é muito difícil, porque, enquanto o governo tem limites para realizar aquilo que até o próprio governo gostaria de fazer, mas, dada a uma série de circunstâncias, nós não conseguimos implementar, a pauta dos movimentos é uma pauta de um sonho de transformar o país, de conseguir a felicidade, a liberdade, enfim, a justiça para todos. Então é sempre uma discussão difícil. Nós fazemos questão absoluta de respeitar a autonomia dos movimentos. Não tem essa história de querer cooptar ou de transformar os movimentos apenas em apoiadores do governo, porque, se eles fizerem isso, eles perdem o sentido e perdem a representatividade na sua base. De todo modo, eu penso que o ano de 2011 foi um ano muito fecundo, em que a gente abriu muitas frentes de trabalho. Tivemos uma vitória muito importante, Kátia, que foi a realização de uma mesa de negociação na área da construção civil. Depois daquele conflito ocorrido em Santo Antônio e Jirau, juntamos a área patronal da construção civil, a área sindical e o governo e realizamos uma grande discussão e, agora, no final de fevereiro, lançaremos o Pacto Nacional da Construção Civil, onde...

APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Agora em fevereiro?

MINISTRO GILBERTO CARVALHO: Agora em fevereiro, no final do mês. Onde empresários, trabalhadores e governo se põem de acordo com condições decentes do trabalho na construção civil, e um avanço muito importante: admitindo a presença de uma organização sindical em cada uma das obras acima de 200 trabalhadores, o que é uma novidade muito grande no país e que nós temos certeza, vai diminuir os conflitos que há dentro, hoje, das grandes obras da construção civil e que trabalhe... As empresas que aderem a esse pacto se comprometem ao trabalho decente dentro da construção civil, a evitar qualquer tipo de trabalho que seja um trabalho constrangedor, um trabalho na linha da escravidão e assim por diante. Então, é uma conquista importante que nós tivemos, estamos muitos felizes. Já o fizemos também na área da cana-de-açúcar. Ainda hoje, tive um depoimento de uma das auditorias que estão sendo realizadas nos canaviais das grandes usinas, onde também as condições de trabalho estão se mudando, a partir desse tipo de pacto. Enfim, é um trabalho que faz esse diálogo necessário de um governo que é democrático, que sabe que não pode governar sozinho, que precisa ouvir a sociedade, que precisa ouvir a cidadania, para poder acertar e encontrar os melhores caminhos.

APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Está certo. Ministro, então, agora, vamos conseguir falar com a Rádio CBN, aqui de Brasília. Nara Lacerda, bom dia.

REPÓRTER NARA LACERDA (Rádio CBN - Brasília / Brasília - DF): Bom dia, Kátia. Bom dia, Ministro. Ministro, o senhor participa das reuniões no Palácio do Planalto e, também, das decisões de articulação política, é muito próximo da presidenta Dilma. Nós estamos encarando essa semana a possibilidade de saída do Ministro das Cidades, Mário Negromonte. O senhor considera que isso marca o início da reforma ministerial ou das mudanças pontuais, como a presidente Dilma prefere chamar essas mudanças, Ministro?

MINISTRO GILBERTO CARVALHO: Bom dia, Nara. Bom dia, ouvintes da CBN. Nara, na verdade, a respeito do Ministro Negromonte, houve, ontem, uma notícia de que ele entregaria a sua carta de demissão à presidenta. Eu te confesso que a presidenta, estando fora do Brasil... Ela estava ontem no Haiti. Nós fomos informados apenas pela imprensa desta questão. O Ministro não entrou em contato diretamente conosco. Pode ser que, de fato, hoje, ocorra... Hoje ou amanhã, ele procure o Planalto... Não consta da agenda da presidenta, hoje, nenhuma reunião com o Ministro Mário Negromonte, até porque a presidenta chegou na alta madrugada, e eu não sei como é que será o dia dela ainda. De todo modo, Nara, nós entendemos que é natural que haja mudanças no Ministério. Já começou a mudança com a saída do Ministro Fernando Haddad, a nomeação do Ministro Aloizio, o novo Ministro da Ciência e Tecnologia, e agora é provável, sim, que a presidenta realize algumas mudanças no Ministério, dentro de um padrão normal, em que a gente procura... em que ela procura sempre buscar o melhor em cada uma das áreas do governo. Agora, ela não adiantou, sinceramente, para nenhum de nós, qual é a sua intenção de outras eventuais mudanças. Ela tem feito muita questão de manter todo esse trabalho, toda essa questão da mudança ministerial, muito aos cuidados dela própria. Portanto, não nos é cabido fazer novas especulações sobre o que vem pela frente, salvo essa questão aí já pública da questão do Ministro Mário Negromonte.

APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Nara Lacerda.

REPÓRTER NARA LACERDA (Rádio CBN - Brasília / Brasília - DF): Kátia, eu queria perguntar também para o Ministro se ele acha que essas mudanças vão atender critérios técnicos, que parece seguir bastante o perfil da presidente Dilma a preferência pelos critérios técnicos.

MINISTRO GILBERTO CARVALHO: Olha, Nara, a presidenta tem, de fato, primado por um rigor muito grande na escolha dos seus auxiliares, e é evidente que o critério técnico é uma questão fundamental e necessária, o que não significa - é preciso deixar muito claro isso - que o critério técnico exclui também o critério político. Um governo é feito de participação partidária, os partidos são legítimos, nós não podemos aceitar essa pecha de que ser político é um defeito. Ser político, na verdade, é consagrar a sua vida ao país e ao seu povo. Portanto, não se pode querer que um governo seja montado, deixando de levar em conta a participação legítima dos partidos que formam a base do governo na gestão do país, e que os Ministros, portanto, para além de condições necessariamente técnicas, eu concordo plenamente, também não sejam ativistas políticos, porque um governo tem que pensar a política, ele tem que dar um destino para o país, e o Ministro é um agente político, ele é um participante da política. Portanto, eu acho que a presidenta vai levar em conta os dois aspectos e tenho certeza que ela vai acertar no sentido de escolher a pessoa que possa conduzir... ajudá-la a conduzir o governo com essa seriedade, com esse cuidado, com essa dedicação e entrega das quais ela é um exemplo.

APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Este é o programa Bom Dia, Ministro. Eu sou Kátia Sartório e estamos, hoje, com o Ministro Gilberto Carvalho, da Secretaria-Geral da Presidência da República. Lembrando que o áudio e a transcrição dessa entrevista vão estar disponíveis ainda hoje, pela manhã, na página da EBC Serviços na internet. Anote o endereço: www.ebcservicos.ebc.com.br. Ministro Gilberto Carvalho, vamos agora ao Rio Grande do Norte, à Mossoró, conversar com a Rádio Difusora de Mossoró. Jota Nobre, muito bom-dia.

REPÓRTER JOTA NOBRE (Rádio Difusora de Mossoró / Mossoró - RN): Bom dia, Kátia. Bom dia, Ministro. Está se falando muito aí em relação à preservação do meio ambiente. E empresário, ele tem como objetivo sempre o lucro, qualquer que seja a empresa que venha para qualquer cidade, para qualquer estado ou país, no caso o Brasil, vai sempre pensar no lucro. Mas a pergunta que eu faço é justamente voltada para o entendimento. Como é que está o comportamento do empresário justamente em relação à preservação do meio ambiente? Quando chega aqui a uma cidade, principalmente ao interior, como é que está esse comportamento, essa aceitação de mudança de comportamento em relação à preservação do meio ambiente, mesmo, evidente, também visando lucro?

MINISTRO GILBERTO CARVALHO: Bom dia, Jota. Bom dia, ouvintes da Difusora Mossoró. Sabe, Jota, essa questão do modo de comportamento do empresário ou dos trabalhadores, dos cidadãos, você sabe que tem muito a ver com uma questão... que é uma questão cultural, tem muito a ver com a visão de mundo, tem muito a ver com a própria mentalidade que vai se difundindo na nossa sociedade. Eu diria para você que é verdade que, infelizmente, há muitos setores empresariais que não se deram conta, ainda, que a exploração da natureza, a exploração dos recursos naturais, sem um cuidado com a sua preservação, além de não ser legítimo, é de uma grande burrice, no sentido de que nós estamos matando a galinha dos ovos de ouro, nós estamos matando a fonte de recursos para os nossos filhos, para os nossos netos, para as gerações futuras e para nós mesmos, porque nós sabemos que, também, uma exploração inadequada da natureza produz um tipo de alimento, produz um tipo de material de consumo que nos mata, que nos cria doenças e assim por diante. Eu vejo com muita satisfação hoje, no Brasil, o crescimento de uma nova mentalidade, tanto que, na Rio+20, uma parte importante do Comitê Organizador é constituído de empresários. Há um setor empresarial crescente que se dá conta da necessidade, até por razões de lucro, até por razões de melhor qualificação dos seus produtos, e porque, também, na sociedade, crescem os nichos de mercado de uma exigência de produtos que são... que respeitam a natureza, que fazem bem à saúde, que são, por exemplo, isentos de agrotóxicos e assim por diante. Então, esse grupo cresce e começa a atuar de maneira muito interessante, fazendo não só uma propaganda, mas campanhas, e dando um exemplo de como é possível você ser investidor, você ter lucros importantes, preservando e respeitando a natureza. Portanto, eu acho, Jota, que a Rio+20 vai ser exatamente um momento de divulgação, de amplificação desse debate e, esperamos, de um novo tipo de padrão de desenvolvimento no país. E nós não estamos apenas preocupados, Jota, quando a gente fala em desenvolvimento sustentável, com a questão ambiental. A questão humana é que precede a tudo isso. É a saúde das pessoas, é a inclusão das pessoas, é o rompimento das injustiças. Você que mora aí no Rio Grande do Norte sabe o quanto o Nordeste foi marginalizado historicamente e como foi importante... foram importantes as medidas que passaram a privilegiar o Nordeste com novos e grandes investimentos. Esse equilíbrio regional é importante no país, e a inclusão de milhões de irmãos nossos, que eram mantidos efetivamente à margem de qualquer desenvolvimento, de qualquer bem econômico, ele se torna, hoje, uma nova realidade, em que essa inclusão cresce, e isso também é falar em desenvolvimento sustentável e ambientalmente correto.

APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Jota Nobre, da Rádio Difusora de Mossoró, você tem outra pergunta?

REPÓRTER JOTA NOBRE (Rádio Difusora / Mossoró - RN): Só mais uma pergunta, Ministro. Kátia, é em relação, agora, à política. Essa mudança... Tem aquele ditado no futebol de que time que se ganha não se mexe, mas, no governo, algumas mudanças, elas vêm ocorrendo. Eu pergunto: essas mudanças, algumas por candidaturas, como é o caso do Ministro da Educação, que é candidato, mas isso, em relação à equipe, ela, com a sequência de um planejamento, pode afetar o governo, Ministro?

MINISTRO GILBERTO CARVALHO: Sempre afeta, né, Jota? Você sabe que, no ano passado, quando nós tivemos, infelizmente, a perda de seis ministros, ao longo do ano, é evidente que, cada vez que você troca um coordenador de uma área, a área padece, do ponto... Há uma dissolução de continuidade, é natural. Agora, ao mesmo tempo, fazendo a famosa comparação com o futebol, é natural que o técnico, ao longo de um jogo, procure escalar aqueles que são os melhores e, muitas vezes, em algumas posições, é preciso trocar. Então, a presidenta Dilma não fará agora - ninguém espere - uma grande mudança no Ministério. É uma ou outra posição que algum ou outro ajuste que ela fará, tendo em conta o respeito que ela tem pela sua própria equipe - ela já disse isso publicamente muitas vezes - e tendo em conta, exatamente, essa questão de que é preciso ter uma continuidade. Então, uma ou outra mudança pontual ocorrerá, mas, de um modo geral, o time continuará esse. Esse time está jogando bem, está dando certo, graças a Deus. O país continua numa rota muito boa. O reconhecimento está vindo de maneira muito nítida, através das pesquisas de opinião e, sobretudo, da convicção da presidenta que esse é o caminho adequado para o nosso desenvolvimento.

APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Este é o programa Bom Dia, Ministro. Nós estamos, hoje, com o Ministro Gilberto Carvalho, da Secretaria-Geral da Presidência da República. Ele conversa com âncoras de emissoras de rádio de todo o país, neste programa que é multimídia: estamos no rádio e na televisão. Ministro, vamos agora a São Paulo conversar com a Rádio Tupi. A Super Rádio Tupi de São Paulo. José Maria Scachetti, bom dia.

REPÓRTER JOSÉ MARIA SCACHETTI (Rádio Tupi AM / São Paulo - SP): Bom dia, Kátia. Bom dia, Ministro. Ministro Gilberto Carvalho.

APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Zé Maria, você pode aumentar o seu retorno, por favor?

REPÓRTER JOSÉ MARIA SCACHETTI (Rádio Tupi AM / São Paulo - SP): Vamos lá, então. Aumentando. Ok, agora, perfeito?

APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Melhorou, obrigada.

REPÓRTER JOSÉ MARIA SCACHETTI (Rádio Tupi AM / São Paulo - SP): Ok. Bom dia, Kátia. Bom dia, Ministro.

APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Bom dia.

REPÓRTER JOSÉ MARIA SCACHETTI (Rádio Tupi AM / São Paulo - SP): Duas questões, Ministro, levantam polêmica, quando são abordadas: a construção da hidrelétrica de Belo Monte, no estado do Pará, e a reforma do Código Florestal. Eu pergunto ao senhor: quais os principais benefícios da Belo Monte para a população brasileira e por que ambientalistas são contrários à sua construção? Muitos dizem que não foram feitos estudos de impacto para a construção da hidrelétrica de Belo Monte. Qual é a palavra oficial do governo? Bom dia, Ministro.

MINISTRO GILBERTO CARVALHO: Bom dia, Zé Maria; bom dia, ouvintes da nossa tradicional Super Rádio Tupi. É muito importante a tua questão, Zé Maria, porque, de fato, Belo Monte se transformou em um objeto de uma grande polêmica nacional. Na verdade, você sabe que o projeto de Belo Monte é um projeto muito antigo, remonta há mais de 15 anos. O Brasil tem uma grande vantagem, e todos nós sabemos, uma vantagem comparativa em relação ao restante do mundo: nós temos uma reserva de energia hídrica extraordinária. Nós temos, graças a Deus, grandes rios e a possibilidade de gerarmos uma energia renovável e que é a mais limpa sempre, que é a energia hídrica. E, portanto, Belo Monte se enquadra nessa perspectiva. O crescimento econômico do país, o crescimento de toda... Graças a Deus, todas as regiões, hoje, demandam, cada vez mais, a produção de energia. Nós não podemos ser irresponsáveis e deixar de planejar para o futuro, assegurar que esse crescimento que nós estamos tendo não sofra uma solução (sic) de continuidade, um ‘apagão’, por falta de energia. E é nessa perspectiva que Belo Monte foi construída, está sendo construída. Belo Monte é uma usina muito importante para o equilíbrio, para o conjunto da nossa produção energética. E uma coisa muito importante, Zé Maria: exatamente a pressão da sociedade, ao longo do tempo, determinou um aperfeiçoamento da técnica, da tecnologia e das medidas conservacionistas e preservacionistas na construção de Belo Monte. O modelo de Belo Monte... Muita gente critica Belo Monte por não saber o tipo de usina que se coloca lá. Hoje é uma usina onde o lago é, no mínimo, 1/3 menor do que o plano original, o tipo de geração de energia das geradoras é diferente, são as chamadas “usinas bulbo”, em que os geradores estão no fio da água, não é mais pela questão da queda, e, portanto, você tem a construção de uma energia com uma tecnologia nova e que diminui em grande parte o impacto ambiental. Nós, naturalmente, temos que respeitar a posição dos ambientalistas e temos que levar em conta que é bom que haja essa militância ambientalista contra Belo Monte, contra outras usinas. Por quê? Porque, deste debate, dessa polêmica, surge um avanço. O projeto de Belo Monte foi aperfeiçoado exatamente porque a militância ambientalista fez um combate, e o governo foi se dando conta de que era preciso avançar nas medidas de preservação ambiental, de restringir os danos ao meio ambiente. É evidente, Zé Maria, que, quando você constrói uma usina, você causa um impacto grande numa cidade, numa região. Altamira, que é uma cidade de 70 mil habitantes, ela sofre, nesse momento, um grande impacto, porque são cerca de 20 mil trabalhadores que vêm do país todo, de repente, para uma região. O que nós estamos fazendo? O governo está tomando todo o cuidado para que a cidade de Altamira e as cidades que serão atingidas por Belo Monte, elas sejam preservadas, ou melhor, sejam melhoradas as condições de saúde, educação, de meio ambiente, de saneamento básico, para que a cidade não sofra um impacto tal que ela seja destruída por essa avalanche de gente que chega lá. Da mesma forma, nós estamos cuidando das populações indígenas. Não é verdade que Belo Monte vai inundar aldeias, porque se criaram muitos mitos também em relação a Belo Monte. Não é verdade. Nós estamos... Pelo contrário, entre as determinações para a construção de Belo Monte, nós estamos demarcando áreas indígenas, preservando áreas, desintrusando áreas que haviam sido invadidas. Enfim, toma-se hoje uma série de cuidados para que Belo Monte seja um novo exemplo de um tipo de construção adequada de usina. E não é verdade... Rigorosamente não é verdade que não foram percorridos todos os caminhos necessários para a questão da licença ambiental. O governo não é maluco de ir para cima da lei; o governo tomou todos os cuidados e todo o processo das consultas públicas, todo o processo do licenciamento ambiental foi realizado e, agora, graças a Deus, apesar da polêmica, a usina está em plena construção e, em breve, o país poderá contar com mais esse grande arsenal de energia elétrica.

APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: José Maria Scachetti, da Super Rádio Tupi, de São Paulo, você tem outra pergunta?

REPÓRTER JOSÉ MARIA SCACHETTI (Super Rádio Tupi AM / São Paulo - SP): Tenho, sim. Mais uma questãozinha, Kátia.

APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: O retorno, por favor, José Maria.

REPÓRTER JOSÉ MARIA SCACHETTI (Super Rádio Tupi AM / São Paulo - SP): Alô? Mais uma questãozinha, só, Kátia, ao Ministro.

APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Pois não.

REPÓRTER JOSÉ MARIA SCACHETTI (Super Rádio Tupi AM / São Paulo - SP): É polêmica, também, e chama a atenção o novo Código Florestal. Ambientalistas dizem que este novo código representa um retrocesso na legislação ambiental, com restrições em diversos pontos. Um deles diz sobre a penalização para os desmatadores. A sua posição, Ministro Gilberto Carvalho.

MINISTRO GILBERTO CARVALHO: José Maria e ouvintes, a presidenta tem dito que o Código Florestal, como um debate democrático, será um ponto de equilíbrio. Ele, certamente, não vai representar a posição que é defendida pelos ruralistas, assim chamados ruralistas mais radicais, e nem pelos ambientalistas mais radicais. Busca-se um ponto de equilíbrio. Ele ainda está no Congresso, portanto, nós não temos a condição de falar dele já com toda a propriedade, uma vez que não sabemos qual será o resultado, agora, do debate que se dará na Câmara. Ele acabou de ser aprovado no Senado, ele volta para a Câmara e, depois, ele será enviado à sanção da presidenta. De todo modo, há alguns pontos de honra para nós, para o governo. Nós não podemos imaginar em pensar em um Código Florestal que seja uma liberdade total de exploração. O governo, cada vez mais, tem consciência da importância do que nós estamos chamando de um desenvolvimento sustentável, portanto, de um desenvolvimento que contemple a preservação da natureza, o uso responsável dos recursos naturais e, ao mesmo tempo, o governo sabe que o país precisa crescer. O país precisa de energia, o país precisa de infraestrutura, portanto, nós estamos buscando, José Maria, um ponto de equilíbrio e nós entendemos que o projeto, tal qual foi modificado no Senado e volta para a Câmara, se aproxima bastante desse ponto de equilíbrio. Um ou outro ajuste, ainda deverão ser feitos; agora, uma coisa eu posso te dizer: não se pensa, de maneira alguma, em anistia para desmatador. Isso é uma questão de honra para a presidenta. Ela tem dito e reiterado que não há perspectiva de ela sancionar um Código Florestal que contemple qualquer tipo de anistia àqueles que fazem crimes contra a natureza. Portanto, ao lado do rigor necessário, haverá, também, naturalmente, a contemplação das adaptações necessárias, regionais, e dependendo da pequena, da média ou da grande propriedade, porque nós não podemos, também, por uma excessiva exigência preservacionista, inviabilizar a pequena propriedade da agricultura familiar que gera o alimento, ou grande parte do alimento, para todos os brasileiros. Então, nós temos a expectativa de que a Câmara faça um debate adequado e envie, para a sanção, um projeto equilibrado. E, nesse caso, a presidenta vai sancionar.

APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Este é o Programa Bom Dia, Ministro. Eu sou Kátia Sartório, e estamos, hoje, com o Ministro Gilberto Carvalho, da Secretaria-Geral da Presidência da República. Ele conversa com âncoras de emissoras de rádio de todo o país. Lembrando que a NBR, a TV do governo federal, reapresenta a gravação dessa entrevista, ainda hoje, e, também, no domingo, às sete horas da manhã. Ministro, vamos, agora, a Vitória, no Espírito Santo, conversar com a Rádio Redesim Sat, de Vitória. José Roberto, bom dia.

REPÓRTER JOSÉ ROBERTO (Rádio Redesim Sat / Vitória - ES): Bom dia a todos. Ministro, o governo está dando ênfase às questões temáticas, como foi visto no recente Fórum Social de Porto Alegre, e vem aí a Cúpula dos Povos, no evento Rio+20. Esse interesse de aproximação às organizações sociais fortalece o governo nos seus planos prioritários, como erradicar a pobreza, combater o trabalho escravo e trazer as centrais sindicais como parceiras, Ministro?

MINISTRO GILBERTO CARVALHO: Bom dia, José Roberto, ouvintes da Rádio Redesim. Muito oportuna, a tua pergunta. Eu agradeço muito, José Roberto. Realmente, você lembra que, juntamente com a Rio+20, haverá a chamada Cúpula dos Povos, ou seja, as entidades sociais do mundo inteiro organizam, no Aterro do Flamengo, paralela à realização da Rio+20, essa Cúpula dos Povos, que é exatamente um grande congresso, uma grande reunião, uma grande assembleia de militantes sociais do mundo todo, que, assim como na Rio 92, farão as suas propostas, farão as suas intervenções, tentando influir os governos que discutem, os chefes de estado que discutem os destinos do mundo na Rio+20. Nós estamos dando grande importância, sim, José Roberto, para a realização dessa Cúpula dos Povos, assim como, também, para a participação de representantes da sociedade no próprio debate lá dentro da Rio+20. Por quê? Porque nós temos a convicção de que a participação social não é uma cereja do bolo, não é a lantejoula, ela é a essência da democracia. O método de governo de consultar a sociedade, de levar em conta a opinião da sociedade, de permitir uma participação efetiva da sociedade nas tomadas de decisão é uma questão de inteligência, é uma questão de entender que a democracia passa, exatamente, pela coragem de ouvir - porque nem sempre é fácil ouvir -, pela coragem de aceitar a opinião do outro e porque nós temos convicção de que a gente só pode construir democracia praticando a democracia no ato de governo. Foi essa convicção que levou o presidente Lula, e leva a presidenta Dilma, a ir ao encontro desse debate. A ida da presidenta Dilma, agora, em Porto Alegre, José Roberto, foi muito significativa, porque ela foi, sentou com toda a coordenação do Fórum, mais de 90 pessoas, ouviu deles as perguntas mais incômodas, mais difíceis para um governante ouvir, e não só perguntas, como críticas. Depois, ela foi no estádio do Gigantinho falar, mas também ouvir cerca de sete mil militantes, e havia, lá, uns 200 que, o tempo todo, protestavam contra, justamente, o Código Florestal, contra a questão lá de Pinheirinho, em São José dos Campos, e ela teve, pacientemente, que ouvir, que levar em conta aquela manifestação, porque a vida é assim, a democracia é assim. A democracia dá trabalho. Exige muito desprendimento, mas é a única saída para a gente não ir para a violência, para a gente não ir para o autoritarismo e para um tipo de falsa postura governamental, que fala que é democrata, mas que, no fim, é profundamente autoritária.

APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Este é o Programa Bom Dia, Ministro. Estamos, hoje, com o Ministro Gilberto Carvalho, da Secretaria-Geral da Presidência da República. Ministro, vamos, agora, a Minas Gerais, Belo Horizonte. Rádio Itatiaia, Carlos Viana, bom dia.

REPÓRTER CARLOS VIANA (Rádio Itatiaia / Belo Horizonte - MG): Bom dia, Kátia. Bom dia ao Ministro. Eu vou fazer, primeiro, uma rápida colocação; depois, apenas uma pergunta. Ministro, é praticamente um consenso entre nós da imprensa, aqui em Minas Gerais, eu não digo todos os jornalistas, naturalmente que não há essa unanimidade, mas que o Fórum Social tem se esvaziado, nos últimos anos, por conta da não resposta aos problemas do país e da população. O que se propõe lá, em termos de visão de esquerda, não representa mais as soluções que o país precisa, muito menos a posição que o Brasil ocupa, hoje, na economia contemporânea, não é? E, aqui no nosso estado, nós temos observado um distanciamento muito grande das ações da presidente Dilma em relação, inclusive, a promessas de campanha. Nós temos uma BR-381, que é a BR da morte, aqui, dezenas de acidentes, não duplicada, um processo parado desde a troca do Ministro dos Transportes; temos um anel rodoviário que mata todos os dias, aqui, que tem indignado a população, e nenhuma resposta, por parte do governo federal, para essa solução ou mesmo para um planejamento. O senhor, que é um dos ministros mais próximo da presidente, nós não estamos preocupados com questões distantes da vida dos brasileiros? E, no caso de Minas Gerais, especificamente, o que é que está acontecendo? A presidente está distante dos mineiros, aí, no que ela prometeu na campanha?

MINISTRO GILBERTO CARVALHO: Obrigado, Carlos Viana, ouvintes da Rádio Itatiaia, de Belo Horizonte. Eu agradeço muito, Carlos, inclusive, a tua crítica. E anotei, aqui, inclusive, esses dois pontos que você citou e vou levá-los à presidenta. A presidenta Dilma tem uma característica, viu, Carlos, você e todo o Brasil já conhece, de muita seriedade e de muita responsabilidade em relação ao que ela fala. É muito provável que, de fato, uma série de ações que nós gostaríamos de ter levado a cabo nesse ano, não o fizemos, em função dos incidentes que nós tivemos, em função da crise econômica, evidentemente, mas, também, em função dos problemas que nós tivemos, no caso, no Ministério do Trabalho. Eu acabei de me referir ao fato dizendo que toda vez que você tem um incidente com um ministro, você tem um prejuízo à dinâmica de ação naquela área ministerial, no caso, o Ministério dos Transportes. Coincidentemente, os dois pontos a que você se refere estão vinculados a essa área. Eu quero lembrar, também, evidentemente, que quando você faz um programa de governo, um compromisso, é um compromisso para quatro anos. Você não vai dizer que, no primeiro ano, você vai realizar aquilo. A presidenta Dilma tem apenas um ano de governo, temos três pela frente. O primeiro ano foi muito, você sabe, um tempo de se arrumar a casa frente a esses problemas que foram surgindo, apesar de uma herança muito boa que ela recebeu do presidente Lula, mas sempre você tem troca de postos e, no caso dos incidentes do ano passado... Mas eu quero dizer a você, tranquilizar você e aos nossos queridos mineiros, que a presidenta Dilma, não porque nasceu em Minas Gerais, mas porque é brasileira e porque tem responsabilidade, vai, sim, honrar os compromissos assumidos, todos, em sua campanha e muito mais, porque, justamente através da participação social, nós estamos recebendo novas demandas, novas sugestões e vamos fazê-lo. Agora, Carlos, eu te digo o seguinte: tão importante quanto a preocupação com o presente é você olhar o futuro, é você discutir o modelo de desenvolvimento, é você pensar... Você falou do... Pensar o futuro. Você falou do novo posto de responsabilidade, de papel que o Brasil tem no mundo, e é real, é verdade. O Brasil, hoje, tem que pensar muito em cada passo que ele dá, porque ele passa a ser um ator fundamental no cenário internacional. E, portanto, essas questões do desenvolvimento, essas questões do padrão de mundo que nós queremos construir é muito importante. Você veja a situação que se inverteu. A Europa, que sempre foi o grande paraíso do desenvolvimento econômico, hoje, patina em uma crise enorme, e, no Brasil, apesar de todos os problemas, graças às medidas que foram tomadas pelo presidente Lula e pela presidenta Dilma, e por mérito da sociedade brasileira, que trabalha, que produz, que constrói, nós estamos, hoje, em uma situação bastante boa, bastante positiva. Sofremos, evidentemente, efeitos diários da crise, mas continuamos crescendo, continuamos incluindo, continuamos distribuindo renda. Portanto, esse padrão de desenvolvimento, ele está sendo implementado e é importante discuti-lo. E, para finalizar, eu concordo com você que o Fórum de Porto Alegre foi muito menor do que os anteriores, até porque, é preciso esclarecer, ele não foi uma sessão do Fórum Social Mundial, ele foi apenas uma sessão de um Fórum Social Temático, e não era um convite a todo o mundo, era apenas um convite ao Brasil e a países da América Latina. E também concordo que, muitas vezes, muitas propostas da esquerda carecem de renovação, carecem de um processo de debate. E a nós que estamos no governo e que estamos permitindo, graças a Deus, com o apoio do povo brasileiro, fazer o país mudar, cabe, também, tencionar com essa esquerda, tencionar com esses movimentos para novos desafios. Por exemplo, nós colocamos a questão lá: a esquerda dialoga, de fato, com esses novos setores que estão emergindo, esses novos setores que foram incluídos na sociedade brasileira, ou continua com os seus mesmos grupinhos de sempre? Se a esquerda não se renovar, não conseguir ampliar suas bases, de fato, ela terá problema na sua capacidade de contribuir para esse grande debate do novo protejo brasileiro. Então, são questões da dinâmica, mas eu acho que muito oportuna a tua questão. E quero te agradecer, inclusive, a crítica. Estou levando, aqui, esse clamor dos mineiros para a nossa presidenta.

APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Este é o Programa Bom Dia, Ministro. Estamos, hoje, com o Ministro Gilberto Carvalho, da Secretaria-Geral da Presidência da República. Ministro, vamos, agora, à Bahia, a Porto Seguro, conversar com a Rádio 88 FM, de Porto Seguro, onde está Tarcizo Porto. Bom dia, Tarcizo.

REPÓRTER TARCIZO PORTO (Rádio 88 FM / Porto Seguro - BA): Bom dia, Kátia. Bom dia, Ministro Gilberto Carvalho. Ministro, no Fórum Social Temático, o que chamou a atenção foi a questão ambiental, eu acho que de todos, preocupados. Os ambientalistas apresentaram, no Fórum Social Temático, propostas das cidades mais sustentáveis. E aí é que entra o meu questionamento, a preocupação. A gente vê que cidades de médio porte, como Porto Seguro, não têm, ainda, essa sustentabilidade, o que fazer com o lixo, não têm, ainda, programas de reciclagem, efetivamente. São cidades que estão crescendo muito. A outra questão, Ministro, é em relação ao Minha Casa, Minha Vida. Ouvintes pediram que fizesse essa pergunta para o senhor secretário-geral da Presidência, porque o projeto é bom, aqui vão ser entregues mil unidades em breve, mas não tem sustentabilidade, esse projeto. Por exemplo, coletor de água de chuva, a gente não vê nesse projeto Minha Casa, Minha Vida, energia solar, entre outros que podem melhorar a vida nas cidades. Eu gostaria que o Ministro comentasse sobre isso.

MINISTRO GILBERTO CARVALHO: Obrigado, Tarcizo, pelas tuas oportunas perguntas. Bom dia, ouvintes da Rádio 88, da nossa querida Porto Seguro. Essa questão do lixo, de fato, é muito importante, e da sustentabilidade nas cidades. Eu estive, agora, em duas... Em férias em duas praias diferentes no Nordeste, em Pernambuco e no sul de Alagoas, praias maravilhosas. Me impressionou, profundamente, a presença terrível do lixo nas praias e nas cidades. Você sabe que nós temos um compromisso, até 2014, de não termos mais lixões nas nossas cidades. Há um compromisso legal a que os prefeitos terão que responder. O governo federal está muito preocupado com essa questão. Deveremos lançar, em breve... Estamos, agora, apresentando, para a Casa Civil, um projeto que é justamente um programa chamado Recicla Brasil e Brasil sem Lixões, onde a nossa preocupação é, exatamente, fazer um programa nacional de apoio e de indução das prefeituras para um novo tratamento da questão ambiental, da questão do resíduo sólido, em que nós, ao mesmo tempo, procuramos incluir populações, sobretudo de catadores, estimulando as cooperativas, fazendo uma grande campanha de mobilização nacional pela preservação, porque é também uma questão de cultura, é também uma questão de educação social, cívica, a questão do cuidado, e a necessidade das prefeituras colocarem, à disposição da população, lugares, áreas para o depósito do lixo, desde o pequeno coletor na rua até áreas de coletar os lixos, as sobras, enfim, da cidade, e o tratamento adequado, em aterros sanitários, para essa questão. Então, nós temos certeza de que esse programa vai contribuir muito, inclusive na perspectiva da Rio+20, mostrando que o Brasil tem essa preocupação. E, também, toda a questão industrial. Há todo um programa que já foi lançado e que nós deveremos implantar, cada vez mais, em que as indústrias são responsáveis pelo lixo produzido, por exemplo, pelas PETs, pelas latinhas, enfim, por aqueles produtos que geram danos ambientais, e as indústrias produtoras devem ser responsáveis, que produzem esses materiais, devem ser responsáveis pelo destino a ser dado a esse tipo de resíduo. Portanto, nós estamos, de fato, muito preocupados com isso, e os senhores aguardem que nós teremos novidade nessa área. Em relação à questão do Minha Casa, Minha Vida, eu agradeço muito, Tarcizo, essa sua contribuição. O Minha Casa, Minha Vida 2 já contempla a questão, nos projetos, da energia solar, mas eu devo levar, para dentro do governo, esse reclamo, corretíssimo, de que, de fato, um programa governamental tem que, necessariamente, ser pautado pelo cuidado ambiental. Muito obrigado.

APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Vamos, agora, Ministro, conversar com a Rádio Roraima, em Boa Vista. Dina Vieira, bom dia.

REPÓRTER DINA VIEIRA (Rádio Roraima / Boa Vista - RR): Bom dia, Kátia. Bom dia, Ministro Gilberto Carvalho. Nós, aqui de Roraima, não é, nós temos um estado que possui muitos rios e possuímos um hidroelétrica pequena no sul do estado, mas possuímos essa hidroelétrica, e eu gostaria de saber se houve alguma discussão voltada para isso, para a sustentabilidade no nosso estado, que, hoje, a maioria do nosso estado é abastecido por energia que vem da Venezuela. Eu gostaria de saber se existe algum projeto nesse sentido.

MINISTRO GILBERTO CARVALHO: Bom dia, Dina, ouvintes da Rádio Roraima. Muito obrigado. Eu acho que o teu testemunho, Dina, é importante que o Brasil saiba. O Brasil se esquece, muitas vezes, o Brasil do Centro-Sul, ou mesmo do Nordeste, de que nós temos áreas do Brasil profundamente carentes de energia elétrica. Me surpreende, inclusive, que certo tipo de ambientalista, não quero generalizar, aqui, faça, por exemplo, tanto protesto a respeito da construção de Belo Monte e esquece que grande parte da energia elétrica produzida na Amazônia vem de uma fonte muito mais poluidora, que são as termoelétricas. Nós estamos cuidando para evitar as termoelétricas a diesel, estamos caminhando para as termoelétricas a gás, mas é incomparavelmente... São incomparavelmente mais limpas, em termos de produção de energia, as energias de origem hídrica do que as termoelétricas. E esse teu depoimento de que parte da energia de Roraima vem da Venezuela é só um exemplo da necessidade de como nós temos que ampliar essa questão. Eu vou me desculpar com você, Dina. Eu não tenho, de fato, informação se há ou não algum projeto, a curto prazo, previsto para uma geradora, uma energia... Uma usina, desculpe, em Roraima. Mas eu me comprometo, nas próximas horas, a fazer essa pergunta dentro do governo, e devo ligar para você, peço que você deixe aqui para a nossa produção... Bom, o pessoal aqui tem o teu telefone. Nós vamos informar a você e aos ouvintes da Rádio Roraima como o governo pensa, no médio e no longo prazo, suprir essa carência de energia de Roraima. Dentro de poucos minutos, voltaremos a falar com você, então, Dina. Muito obrigado.

APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: A gente sabe que tem a... Em setembro, Ministro, foi aprovado, pela Aneel, a construção de uma hidroelétrica, a Hidroelétrica de Bem-Querer, em Roraima.

MINISTRO GILBERTO CARVALHO: Kátia, muito obrigado. Você já me salvou, aqui.

APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Então, a gente já está tentando, aqui, junto com a nossa amiga, a internet...

MINISTRO GILBERTO CARVALHO: Muito obrigado. Que maravilha!

APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Mas você tem outra pergunta, não é isso, Dina? Dina Vieira? Perdemos o contato? Dina?

REPÓRTER DINA VIEIRA (Rádio Roraima / Boa Vista - RR): Oi, Kátia.

APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Você tem outra pergunta, enquanto a gente levanta as informações sobre a Hidroelétrica de Bem-Querer, não é isso?

REPÓRTER DINA VIEIRA (Rádio Roraima / Boa Vista - RR): Isso. Eu gostaria de saber, também, se houve algum outro tipo de discussão, no Fórum Temático, que fosse voltado para o estado, não é, um estado que é um estado amazônico, que tem um potencial para ser um estado sustentável.

MINISTRO GILBERTO CARVALHO: Dina, toda a Amazônia sempre é objeto de grande preocupação nesses fóruns. Eu não participei de nenhuma mesa que discutisse, especificamente, a questão do estado de Roraima, mas, sem dúvida nenhuma, toda vez que nós falamos em preservação, e o mundo fala em preservação, a Amazônia é foco de grande atenção. E a nossa preocupação sempre vai em duas mãos. Uma delas é, de fato, levar em conta... Termos consciência do que é a Amazônia para o mundo, da responsabilidade que o Brasil tem de cuidar da Amazônia, da sua preservação, mas, ao mesmo tempo, a nossa preocupação é com o desenvolvimento da Amazônia. Nós não podemos enxergar a Amazônia, isso nós sustentamos lá em uma das discussões do Fórum, como uma espécie de jardim intocado, e não dando a mínima importância para aquela população que está lá dentro, que vive na Amazônia e que tem todo o direito, assim como qualquer cidadão que está em outras áreas do país, a ter uma vida cada vez mais confortável, a ter os meios de vida adequados e, portanto, com intervenções necessárias na infraestrutura. Eu falo, aqui, de energia, falo de estradas, falo de telefonia, enfim, das redes de saúde, de educação, cultura. Portanto, o governo brasileiro tem uma posição muito clara nessa questão. Nós não permitiremos que se faça da Amazônia uma grande devastação. O nosso combate à exploração indevida e criminosa da madeira vai continuar. Já estabelecemos regiões do país onde, por exemplo, não se pode plantar a cana-de-açúcar para, exatamente, dificultar e não permitir a devastação para o plantio da cana-de-açúcar, da pastagem e assim por diante. Mas, ao mesmo tempo, não deixaremos de fazer, com todo o cuidado e respeito ambiental, as intervenções necessárias para o desenvolvimento dessa região. Portanto, as estradas, as linhas de energia, as hidrelétricas, nós as construiremos, porque o Brasil precisa, porque o povo brasileiro e o povo da Amazônia precisa dessa energia, mas, naturalmente, cercados da preocupação de um grande cuidado ambiental.

APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Este é o Programa Bom Dia, Ministro. Nós estamos, hoje, com o Ministro Gilberto Carvalho, da Secretaria-Geral da Presidência da República. Ele participa conversando com rádios de todo o país, nessa rede formada pelo Bom Dia, Ministro. Ministro, eu queria conversar, um pouquinho, com o senhor, agora, sobre o programa específico para a juventude, que, em janeiro desse ano, o PPA contemplou a juventude nesse programa de autonomia e emancipação da juventude. E aí a previsão seria a construção de estações-juventude, não é, uma meta de, até 2015, 300 estações onde a juventude pudesse discutir as próprias questões do seu setor, não é, da sua área. Como é que está isso, Ministro?

MINISTRO GILBERTO CARVALHO: Kátia, esse projeto, nós o contemplamos no PPA, mas, ainda, ele está em formatação, eu diria para você, dentro do governo. Estamos testando, porque, antes de você lançar um programa, você precisa testar a sua viabilidade. E a presidenta tem um cuidado muito grande. Só se lança um programa quando ele para de pé, quando ele, de fato, cumpre o seu papel. A ideia básica do Estação da Juventude é você, sempre em parceria com as prefeituras, porque o governo federal não tem condição de manter um espaço desse lá na cidade, estimular as prefeituras para que haja uma espécie de centro de referência de juventude, áreas onde a juventude possa ter instrução do ponto de vista de inclusão digital, onde a juventude possa ter um espaço para a sua formação cultural, de lazer, e, ao mesmo tempo, espaço de formação para a cidadania. São centros de referência onde o jovem pode se encontrar, uma alternativa a ele à questão das drogas, à questão do ócio, e, ali, ele possa se desenvolver. Mas eu me comprometo a, na medida em que esse projeto avançar, de...

APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: O senhor voltar aqui para...

MINISTRO GILBERTO CARVALHO: Voltar aqui e dar uma descrição mais precisa.

APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Obrigada, Ministro. Infelizmente, o nosso tempo acabou. Muito obrigada pela sua participação, mais uma vez, no Bom Dia, Ministro.

MINISTRO GILBERTO CARVALHO: Eu é que agradeço muito. Peço desculpas aí pelas imprecisões e sempre estou à disposição desse programa e de vocês aqui da EBC, emissora e empresa da qual eu tenho muito orgulho.

APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Obrigada, Ministro. E a todos que participaram conosco dessa rede, meu muito obrigada e até próximo o programa.

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