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Arquivos: 02/12/2011 - Transcrição

APRESENTADOR LUCIANO SEIXAS: Olá, você em todo o Brasil. Eu sou o Luciano Seixas e começa agora mais uma edição do programa Bom Dia, Ministro. O programa tem a produção e a coordenação da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, em parceria com a EBC Serviços. E, hoje, no programa, o Ministro do Esporte, Aldo Rebelo. Bom dia, Ministro.

MINISTRO ALDO REBELO: Bom dia, Luciano. Bom dia aos ouvintes de todo o Brasil. É uma grande alegria encontrá-los aqui, na manhã de hoje.

APRESENTADOR LUCIANO SEIXAS: Muito bem-vindo. Hoje o Ministro vai fazer um balanço dos resultados dos Jogos Parapan-Americanos de Guadalajara 2011 e explicará o funcionamento do Bolsa-Atleta. Além disso, Aldo Rebelo apresentará um retrato da situação das 12 cidades-sede da Copa do Mundo de 2014. O Ministro Aldo Rebelo começa, agora, a conversar ao vivo com âncoras de emissoras de rádio de todo o Brasil. E a primeira participação vem do Rio de Janeiro, da Rádio Tupi, com Ana Rodrigues. Bom dia, Ana.

REPÓRTER ANA RODRIGUES (Rádio Tupi / Rio de Janeiro - RJ): Bom dia, Luciano Seixas. Bom dia, Ministro Aldo Rebelo. Ministro, o primeiro destaque é justamente a novidade da semana, que foi a entrada do Ronaldo “Fenômeno” no Comitê Organizador da Copa do Mundo, como novo integrante da administração desse Comitê. Como o Ministério dos Esportes vai trabalhar com o Ronaldo e como o senhor vê a nomeação dele, a contribuição que ele pode dar à organização da Copa do Mundo?

MINISTRO ALDO REBELO: Bom dia, Ana. Bom dia aos ouvintes da Rádio Tupi, aos ouvintes do Brasil. Eu creio que o Ronaldo, como atleta, como jogador de futebol, já tem uma trajetória coroada de êxito, de grandes vitórias, campeão do mundo, integrou várias vezes a seleção brasileira em torneios importantes, clubes importantes, teve uma carreira como jogador de futebol no Brasil, na Itália, na Espanha, e agora, como ex-jogador, ele pode, sim, ajudar o Comitê Olímpico Local, e ajudar o Brasil a organizar a Copa do Mundo. Não só organizar, valorizar a Copa do Mundo como um grande acontecimento internacional e um grande acontecimento para o povo brasileiro. Eu recebi com muito otimismo a integração do Ronaldo ao esforço que se faz para que a Copa do Mundo seja um grande evento para o Brasil, um grande evento para o planeta e que ele, com a sua experiência e a sua determinação, pode nos ajudar a alcançar esse objetivo.

APRESENTADOR LUCIANO SEIXAS: Alguma outra pergunta, Ana?

REPÓRTER ANA RODRIGUES (Rádio Tupi / Rio de Janeiro - RJ): Sim. Ministro Aldo, com relação à preparação dos atletas para as Olimpíadas de 2016. O Brasil, sendo sede das Olimpíadas, através da cidade do Rio de Janeiro, a expectativa é de que o Brasil tenha uma evolução no esporte, até para que ele mostre um bom desempenho, um desempenho acima do desempenho que tem apresentado nas outras competições, nas competições anteriores olímpicas, e que o Brasil possa apresentar uma performance de conquista de medalhas mais significativa nos próximos jogos, nós sendo os donos da casa. Como é que está a preparação dessa base de atletas para as Olimpíadas de 2016?

MINISTRO ALDO REBELO: Eu creio que nós já começamos e essa preparação tem que ter uma relação muito grande com a prática, ou seja, nós temos que passar por testes que antecedem as Olimpíadas de 2016, testes que são importantes, como os Jogos Pan-Americanos e os Parapan, esse ano, em Guadalajara, os Jogos Mundiais Militares, que ocorreram no Rio de Janeiro, que também é um grande acontecimento do mundo do esporte de alto rendimento, vamos ter as próprias Olimpíadas de Londres no próximo ano... Nós estamos adotando medidas, desenvolvendo a criação de centros de preparação olímpica em todo o Brasil. Ontem mesmo, no Rio de Janeiro, firmamos um acordo entre o Ministério da Defesa, o comando do Exército e o Comitê Olímpico Brasileiro, para aproveitar a excelência do Exército na preparação física e na preparação de atletas. Já conversei com várias universidades sobre esse desafio. Então as providências estão sendo adotadas. O Bolsa-Atleta, também, é um programa único no mundo, de auxílio direto aos atletas, porque, muitas vezes, os patrocinadores só chegam ao atleta depois que ele já é uma celebridade, depois que ele já conquistou uma medalha, porque aí o patrocínio tem visibilidade. E o estado, então, tem que ir buscar o atleta, aquele que ainda não tem patrocínio, que, muitas vezes, a família não pode apoiá-lo com técnicos, com treinamento, viagens... Então eu acho que essas medidas nos ajudarão a preparar 2016.

APRESENTADOR LUCIANO SEIXAS: Este é o programa Bom Dia, Ministro, hoje com o Ministro do Esporte, Aldo Rebelo, que conversa ao vivo com âncoras de emissoras de rádio de todo o país. A EBC Serviços disponibiliza o sinal desta entrevista para todas as emissoras de rádio do país via satélite, no mesmo canal da Voz do Brasil. O áudio e a transcrição dessa entrevista também são disponibilizados hoje, ainda pela manhã, na página da EBC Serviços, na internet. O endereço é: www.ebcservicos.ebc.com.br. E agora, vamos a São Paulo, com a participação da Rádio Capital AM; de lá, fala Cid Barboza. Alô, Cid, bom dia.

REPÓRTER CID BARBOZA (Rádio Capital AM / São Paulo - SP): Bom dia, Luciano Seixas. Bom dia, Ministro Aldo Rebelo. Ministro, em relação às Olimpíadas de 2016, nós tivemos aí um bom desempenho dos atletas nos Jogos Parapan-Americanos, lá em Guadalajara, o programa de Bolsa-Atleta tem surtido efeito, mas, Ministro, as escolas deixaram de ser celeiros de surgimento de grandes atletas. Hoje é muito visível que as aulas de educação física, principalmente em nível de Ensino Fundamental, se transformaram em uma verdadeira piada, pelo menos em relação ao que acontecia, pelo menos, nos anos 60, nos anos 70. O Ministério do Esporte tem conversado com o Ministério da Educação para incrementar a educação física, a disciplina “Educação Física” nas escolas, visando a formação de atletas no longo prazo?

MINISTRO ALDO REBELO: Bom dia, Cid. De fato, nós não temos na escola, o que é ruim para o Brasil, o centro de gravidade e a referência para a prática do esporte no Brasil. Eu creio que essa deve ser a principal meta do Ministério,. As Olimpíadas, elas se encerram aqui, no Brasil, em 2016, a Copa do Mundo em 2014, então o principal desafio é dotar o país de uma política nacional de esporte que tenha como centro de referência a escola e que tenha sentido de durabilidade, que seja uma política de estado e não uma política baseada em programas e em convênios, que são provisórios e são precários. E, nisso, você está coberto de razão. Lamentavelmente, as escolas, no Brasil, desde que o Brasil é Brasil, elas foram construídas sem equipamento esportivo. Acho que no Nordeste, a imensa maioria das escolas não tem equipamento esportivo, o que torna, portanto, impossível a prática do esporte. A primeira reunião que tive, quando assumi o Ministério, foi com o Conselho Federal de Educação Física, dos profissionais de educação física. O Brasil tem uma rede de escolas superiores de educação física em todo o país e nós vamos preparar essa política nacional de esporte, alcançando o que nós temos de melhor na academia, na universidade, na experiência prática, para que possamos, de fato, transferir para a escola, principalmente, esse esporte formador. O alto rendimento é um esporte mais elitista, de fato, você pode ter outras referências, as universidades, os clubes, mas o esporte educacional, aquele que faz a primeira grande peneira para o esporte de alto rendimento, esse aí, de fato, nós ainda precisamos evoluir bastante.

APRESENTADOR LUCIANO SEIXAS: Alguma outra pergunta, Cid?

REPÓRTER CID BARBOZA (Rádio Capital AM / São Paulo - SP): Bom, em relação aos preparativos para a Copa do Mundo, agora, em 2014. Ministro, como é que está o acompanhamento aí dos estádios? Por exemplo, aqui em São Paulo, o estádio do Corinthians, o “Itaquerão”, o senhor acredita que as coisas estão andando dentro do previsto?

MINISTRO ALDO REBELO: Acredito porque verifiquei. São 12 sedes, verifiquei a situação de cada estádio. No estádio do Corinthians, de fato, está com o cronograma em dia. Acho que pode ser concluído dentro do prazo estabelecido. As obras de mobilidade em São Paulo também já estavam previstas, o prefeito, o governador e o governo federal tem exatamente a ideia do que pode ser feito. Há um atraso que precisa ser recuperado no Rio Grande do Sul, no estádio do Internacional, porque lá o Conselho do clube dividiu-se numa polêmica entre o contrato que foi votado e outro que outros sócios defendem, mas acho que nada que comprometa o calendário. Nós estamos com a Copa do Mundo dentro do prazo, nós teremos condições de realizar as obras. Não é nenhum segredo, porque Copa do Mundo você faz de quatro em quatro anos. O problema nosso é ter rigor no controle, empenho, aprovar a Lei Geral da Copa, que eu creio que tudo isso pode ser resolvido com eficiência.

APRESENTADOR LUCIANO SEIXAS: Estamos entrevistando o Ministro do Esporte, Aldo Rebelo, o nosso convidado de hoje no programa Bom Dia, Ministro, que é transmitido pela EBC Serviços. Agora, de Maceió, a participação da Rádio Gazeta 1260 AM, com Rogério Costa. Alô, Rogério, bom dia.

REPÓRTER ROGÉRIO COSTA (Rádio Gazeta 1260 AM / Maceió - AL): Alô, alô, Luciano, bom dia. Bom dia, conterrâneo Ministro Aldo Rebelo, do Esporte. A nossa primeira pergunta é a seguinte... É uma oportunidade excelente para que o senhor possa esclarecer esse questionamento. Existe algum problema entre o governo Dilma Rousseff e a CBF de Ricardo Teixeira, efetivamente, Ministro, na sua opinião?

MINISTRO ALDO REBELO: Não vejo problema. Nós temos, evidentemente, um esforço... Em primeiro lugar, bom dia, Rogério. Bom dia aos queridos ouvintes da querida Rádio Gazeta, de Alagoas. A nossa relação é uma relação de cooperação. O Comitê Organizador Local e a Fifa são os dois principais organizadores da Copa do Mundo. Nós temos a atitude de cooperar, de fazer esse esforço comum com os organizadores, mas pode existir diferenças, que são diferenças naturais que se encontram em qualquer atividade humana. Então houve alguma diferença em relação à meia entrada para estudantes, para idosos. Eu reivindiquei, junto à Fifa e ao Comitê Local, que haja uma parcela de ingressos destinada à população de baixa renda, porque essa você sabe aonde está, são os beneficiários da Bolsa-Família, das populações indígenas da Amazônia. Não tem sentido você fazer uma Copa do Mundo em Manaus e não dar acesso às populações indígenas, o que eu acho que ninguém compreenderia. E no caso do Bolsa-Família, a maior festa do esporte do mundo, tem uma população de baixa renda que mesmo a meia entrada não resolve, que não tem poder aquisitivo para isso, e nós não podemos deixar essa população de fora. Seria socialmente, eu acho, pouco recomendável para o governo, para os organizadores e para os patrocinadores. No mais, nós temos plena harmonia e plena consciência de que precisamos trabalhar em conjunto.

APRESENTADOR LUCIANO SEIXAS: Alguma outra pergunta, Rogério?

REPÓRTER ROGÉRIO COSTA (Rádio Gazeta 1260 AM / Maceió - AL): Ah, sim. Há outro questionamento. Quais são os meios, Ministro Aldo Rebelo, que o contribuinte possui para acompanhar a aplicação dos recursos públicos destinados às obras da Copa de 2014? É possível fazer isso diuturnamente. Há meios para isso?

MINISTRO ALDO REBELO: Claro. Nós temos, inclusive, um acordo com o Tribunal de Contas, de oferecer, mensalmente, todos os dados atualizados sobre investimentos, gastos na Copa do Mundo. Tem um portal da Copa, o portal do Ministério do Esporte, todas essas informações estão disponíveis para a população e, também, para a imprensa. Nós, evidentemente, muitas vezes, dependemos que as despesas sejam emitidas por outros entes que não o governo federal, porque as obras de mobilidade, uma parte delas é de responsabilidade dos governos estaduais, outra, das prefeituras. Mas tudo isso, de uma certa maneira, mesmo que não seja no momento e no dia, mas as informações são disponíveis para todas as pessoas.

APRESENTADOR LUCIANO SEIXAS: Você está ouvindo o programa Bom Dia, Ministro, que tem a coordenação e a produção da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, em parceria com a EBC Serviços. Hoje, com o Ministro do Esporte, Aldo Rebelo. E a participação, agora, é da Rádio CBN, de Campinas, São Paulo, com Leonardo Cassano. Alô, Leonardo, bom dia.

REPÓRTER LEONARDO CASSANO (Rádio CBN / Campinas - SP): Bom dia, Luciano. Bom dia ao Ministro Aldo Rebelo. Ministro, sobre os aeroportos, hoje em dia, a gente verifica que os principais aeroportos do país ficam abarrotados em feriados comuns, operando bem acima da capacidade. Como que vai ser na Copa, um evento que vai trazer milhares e milhares de pessoas, em um curto período, para o país? O Brasil vai estar, realmente, preparado para 2014? Não está correndo um risco aí, de um caos aéreo?

MINISTRO ALDO REBELO: Bom dia, Leonardo. Eu creio que não. Leonardo, bom dia. Eu creio que não, porque, se é verdade que o Brasil, hoje, já tem que suportar uma demanda por serviços de transporte aéreo superior à sua capacidade, e isso é o resultado da melhoria da renda de uma parcela da população brasileira, é verdade, também, que o governo federal adotou todas as medidas, estão previstos todos os investimentos em todos os aeroportos, não só para atender a Copa do Mundo, mas para atender, principalmente, a população brasileira. Esses grandes eventos, o Brasil já faz. É que as pessoas, às vezes, não percebem, mas o carnaval do Rio de Janeiro mobiliza, durante uma semana, mais turistas do que o que nós teremos na Copa do Mundo, no Rio de Janeiro. Salvador, Recife e Olinda já acolhem, durante os seus carnavais, uma presença muito maior do que a que teremos na Copa, nestas cidades. Além de outros acontecimentos, como o réveillon, lá do Rio de Janeiro. Então, eu acho que nós precisamos agilizar as obras de infraestrutura e de mobilidade não apenas para atender a Copa do Mundo, porque, de fato, elas já são, hoje, uma necessidade dos próprios brasileiros.

APRESENTADOR LUCIANO SEIXAS: Alguma outra pergunta, Leonardo?

REPÓRTER LEONARDO CASSANO (Rádio CBN / Campinas - SP): Sim. Ministro, como o senhor avalia o Ronaldo, na organização da Copa do Mundo, uma vez que ele possui aí uma participação numa empresa chama 9ine? Ocorre aí um conflito de interesses, como o senhor avalia essa participação do Ronaldo?

MINISTRO ALDO REBELO: Essa avaliação tem que ser uma avaliação do Comitê Organizador Local, que formulou o convite para que o Ronaldo participe da gestão do Comitê para a Copa do Mundo. O governo e eu, pessoalmente, recebemos com grande alegria a presença do Ronaldo. Ele tem uma trajetória de atleta, embora muito recente, também, de empresário, conhece o mundo do futebol, participou de várias Copas do Mundo. E acho que o Brasil, contando com ele como um dos promotores e organizadores da Copa do Mundo, nós teremos não apenas a presença de uma pessoa muito respeitada e muito querida, mas, principalmente, de alguém que reúne a experiência recente no mundo do futebol, na organização desses megajogos, como é o caso da Copa. E creio que nós o recebemos com uma grande expectativa, para nos ajudar nesse desafio.

APRESENTADOR LUCIANO SEIXAS: Você está ouvindo o programa Bom Dia, Ministro. E a NBR, a TV do governo federal, está transmitindo ao vivo este programa e reapresenta a gravação desta entrevista hoje à tarde, em horários alternativos – no sábado, pela manhã, e no domingo, à tarde. Agora, vamos a Manaus. Da Rádio Amazonas FM, a participação do Patrick Motta. Bom dia, Patrick.

REPÓRTER PATRICK MOTTA (Rádio Amazonas FM / Manaus - AM): Bom dia, Luciano Seixas, senhoras e senhores ouvintes, e bom dia, Ministro.

MINISTRO ALDO REBELO: Bom dia.

REPÓRTER PATRICK MOTTA (Rádio Amazonas FM / Manaus - AM): Ministro, o desempenho dos nossos para-atletas em Guadalajara foi espetacular, não é? Não só pelo primeiro lugar no quadro geral de medalhas, à frente de potências esportivas, como os Estados Unidos, mas pela quantidade de cidadãos para-atletas participando, 222. O Ministério que o senhor comanda pretende convencer a iniciativa privada a dar um suporte maior a esses cidadãos ou vai continuar sendo o principal patrocinador desses segmentos, que já mostrou, Ministro, que é digno de representar o nosso país em qualquer competição do gênero, mundialmente?

MINISTRO ALDO REBELO: Eu creio, Patrick, que é possível atrair, convencer patrocinadores a apoiar os esportes paraolímpicos, não apenas pelo êxito que nós alcançamos já nos jogos do Rio de Janeiro, mas, principalmente, agora, em Guadalajara, porque foi o primeiro pódio, ou seja, que o Brasil ocupou, em ouro, em jogos realizados fora do Brasil. Então, nós ficamos em primeiro lugar, conseguimos superar a principal potência paraolímpica, que são os Estados Unidos, e acho que isso demonstra que o esforço que foi feito em apoiar e proteger esses atletas foi recompensado pela determinação e pelo esforço, também, dos próprios atletas. Só que isso, até agora, tem sido mais uma ação do governo, mas creio que, conhecendo o trabalho e a seriedade do Comitê Paraolímpico Brasileiro, que faz um trabalho muito sério, quem sabe alguns patrocinadores ajudem na preparação desses atletas para os jogos de Londres, já, e, principalmente, para 2016.

APRESENTADOR LUCIANO SEIXAS: Mais alguma pergunta, Patrick?

REPÓRTER PATRICK MOTTA (Rádio Amazonas FM / Manaus - AM): Sim, Luciano Seixas. Ministro, o senhor é o sucessor de um Ministro que saiu acusado de participar de atos errôneos para um homem público, apesar da firmeza dele em negar as acusações e dizer que vai provar a sua inocência. O senhor, Ministro Aldo Rebelo, pode garantir, agora, que o Ministério do Esporte não vai ocupar mais as páginas policiais e, sim, as manchetes esportivas, justamente, aí, um momento em que o nosso país conquistou eventos mundialmente respeitados, como a Copa do Mundo e uma Olimpíada, Ministro?

MINISTRO ALDO REBELO: A questão é que o Ministro Orlando Silva pode provar a sua inocência, mas o acusador é quem deveria fazer um esforço para provar a acusação. Então, alguém faz uma acusação, não apresenta nenhuma prova e o acusado é que precisa demonstrar a sua inocência. Hoje, as pessoas que acusaram nem falam mais na acusação ao Ministro Orlando Silva, que, naturalmente, vai procurar recuperar a sua imagem de homem público, diante de uma acusação cujas provas numa foram apresentadas e ficaram apenas naquilo do ‘ouvir dizer’. O Ministério do Esporte vai cuidar, como está cuidando, da sua agenda diária de preparação da Copa do Mundo, de preparação dos Jogos Olímpicos, de preparação, principalmente, de uma política nacional de esporte para o Estado brasileiro, e de fazer, naturalmente, os eventos que são próprios da sua Pasta e atividade ordinária, de tocar os seus programas e as suas atividades. É isso que nós temos que fazer.

APRESENTADOR LUCIANO SEIXAS: E agora, no programa Bom Dia, Ministro, a participação da Rádio Inconfidência, de Minas Gerais, Belo Horizonte. De lá, fala Júlio Baranda. Alô, Júlio, bom dia.

REPÓRTER JÚLIO BARANDA (Rádio Inconfidência AM / Belo Horizonte - MG): Muito bom dia, Luciano. Bom dia, Ministro. Ministro, nós vemos... A gente vê aí, a todas as Olimpíadas, não é, sempre atletas da Rússia, de Cuba, dos Estados Unidos, do Canadá, essas grandes potências que sempre estão ganhando essas disputas. E nesses locais, nesses países, o esporte é atrelado à educação. E no Brasil, quando que isso vai acontecer de fato, Ministro?

MINISTRO ALDO REBELO: Nós, no Brasil, temos essa dívida. Ou seja, nós nunca cuidamos, de fato, do esporte na escola. Basta verificar que as escolas do Brasil são construídas sem equipamento esportivo. Você vai ter a criança dentro da sala de aula, é onde a criança passa boa parte do dia dentro da escola, deveria passar o dia inteiro, e elas são planejadas sem o equipamento esportivo. Tentei mudar isso, quando presidi a CPI do Futebol, mudar a lei de uso e ocupação do solo, para só permitir a construção de equipamentos escolares com a presença do equipamento esportivo; também das residências, das moradias, conjuntos habitacionais gigantescos, como a Cohab, lá em São Paulo, em Itaquera, que são planejadas e executadas sem a destinação de uma área para o esporte. A criança, para correr atrás de uma bola, tem que disputar o espaço dos automóveis. Eu acho que isso é o que nós precisamos, de fato, mudar, porque foi com base na política de esporte na escola que Rússia, Cuba, Estados Unidos e outros países alcançaram determinado êxito. Nós já tivemos grandes jogos estudantis no Brasil, mas a participação era limitada, porque poucas unidades escolares dispunham dos equipamentos para preparar os atletas.

APRESENTADOR LUCIANO SEIXAS: Alguma outra pergunta, Júlio?

REPÓRTER JÚLIO BARANDA (Rádio Inconfidência AM / Belo Horizonte - MG): Sim, Luciano. Ministro, nós estamos aí, entrando em 2012, praticamente, não é, faltando pouco menos de dois anos e meio para a Copa do Mundo. E a gente vê que, por exemplo, tem estádios aí que as obras estão um pouco atrasadas, inclusive o Itaquerão, em São Paulo, que está no começo, no início. Quer dizer, vai dar tempo, Ministro, de tudo acontecer até a Copa de 2014?

MINISTRO ALDO REBELO: Vai. Não há nenhum comprometimento no calendário das obras, a não ser... É preciso ainda dar um desconto, porque há uma decisão para ser tomada, no caso de Porto Alegre, do estádio do Internacional. Há uma divergência entre os conselheiros do Inter, que paralisou a decisão final e, portanto, o início das obras. Mas acho que quanto à capacidade de cumprimento do cronograma dos estádios, da construção dos estádios, acho que nós podemos ficar tranquilos.

APRESENTADOR LUCIANO SEIXAS: Você está ouvindo o programa Bom Dia, Ministro, que tem a coordenação e a produção da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, em parceria com a EBC Serviços. O Ministro Aldo Rebelo, Ministro do Esporte, está conversando com âncoras de emissoras de rádio de todo país. E a participação agora, ao vivo, de Arapiraca. A Rádio Novo Nordeste AM está transmitindo o programa Bom Dia, Ministro e quem fala de lá é Nelson Filho. Bom dia, Nelson.

REPÓRTER NELSON FILHO (Rádio Novo Nordeste AM / Arapicara - AL): Opa, muito bom-dia para você. É um prazer estar também integrado nesse sistema de comunicação, que traz a palavra do Ministro, o Dr. Aldo Rebelo, que é, inclusive, alagoano, natural da cidade de Viçosa, e que representa o Estado de São Paulo como parlamentar, como deputado federal, e, agora, assumindo a Pasta dos Esportes, no nosso país. Realmente, é um prazer estar com vocês. E eu gostaria de também cumprimentar, através da Rádio Novo Nordeste, em Arapiraca, cumprimentar o Sr. Ministro Aldo Rebelo. Muito bom dia, Ministro.

MINISTRO ALDO REBELO: Bom dia, Nelson. Bom dia aos ouvintes de Arapiraca. E bom dia ao Asa, que permaneceu na Série B, para alegria de todos nós.

REPÓRTER NELSON FILHO (Rádio Novo Nordeste AM / Arapicara - AL): [ininteligível].

APRESENTADOR LUCIANO SEIXAS: Alô, Nelson. Estamos ouvindo a sua pergunta, Nelson Filho, direto da Rádio Novo Nordeste AM, de Arapiraca. Pode fazer a pergunta ao Ministro, Nelson.

REPÓRTER NELSON FILHO (Rádio Novo Nordeste AM / Arapicara - AL): Há uma expectativa, aqui, em nosso estado, para uma possível inclusão de Alagoas como subsede para a Copa do Mundo. Isso será possível? De outra parte, depende do que ou de quem para que sejamos, também, uma subsede da Copa do Mundo, Sr. Ministro?

APRESENTADOR LUCIANO SEIXAS: Nelson, pode repetir a pergunta? Me parece que você está fazendo referência a alguma cidade de Alagoas ser subsede da Copa do Mundo. É isso mesmo, Nelson?

REPÓRTER NELSON FILHO (Rádio Novo Nordeste AM / Arapicara - AL): Exatamente. É se o Estado de Alagoas... Existe a expectativa de que...

MINISTRO ALDO REBELO: Ah, já ouvi.

REPÓRTER NELSON FILHO (Rádio Novo Nordeste AM / Arapicara - AL): Estado de Alagoas passem a tornar-se subsede para a Copa do Mundo. Será possível isso acontecer, depende de quem e de que, para que isso venha se concretizar?

MINISTRO ALDO REBELO: Claro que é possível, Nelson. Eu quero repetir os cumprimentos aos ouvintes da nossa querida Arapiraca, o prefeito Luciano, aos torcedores do Asa, e dizer o seguinte: que Alagoas tem todas as condições de ser uma das subsedes, ou seja, um dos locais de preparação para receber as seleções que participarão da Copa do Mundo. Nós temos um belo estádio, o estádio Rei Pelé, o Trapichão. Nós temos uma rede hoteleira de primeira qualidade. Nós temos as praias mais bonitas do Brasil. Nós temos todas as condições de sediar. Eu falei com a bancada dos deputados e senadores de Alagoas, falei com o governador Teo Vilela, falei com secretários. Então, acho que Alagoas tem todas as credenciais, Maceió tem todas as credenciais para ser uma das subsedes. E eu vou, naturalmente, procurar apoiar, naquilo que estiver ao meu alcance. Não é uma decisão do Ministério, mas nós podemos apoiar essa reivindicação e essa possibilidade de termos uma subsede na nossa querida Alagoas e na nossa bela Maceió.

APRESENTADOR LUCIANO SEIXAS: E nós agradecemos a participação, ao vivo, da Rádio Novo Nordeste AM, através do Nelson Filho, aqui, no programa Bom Dia, Ministro, que segue, agora, para Cuiabá, no Mato Grosso, com a Rádio Gazeta AM/CBN. Michely Figueiredo é que fala de lá. Alô, Michely, bom dia.

REPÓRTER MICHELY FIGUEIREDO (Rádio Gazeta AM / CBN / CUIABÁ - MT): Muito bom dia. Bom Dia, Ministro. Cuiabá tem sido destaque na mídia nacional, por conta de um suposto escândalo envolvendo a troca de modal BRT pelo VLT, com vistas à Copa de 2014. O mesmo processo de troca aconteceu na Bahia e nada, até agora, foi noticiado pela imprensa nacional. Eu queria que o senhor dissesse para a gente qual foi a diferença entre esses dois processos e o que o senhor tem a dizer sobre essa suposta fraude envolvendo Cuiabá e o Ministério das Cidades.

MINISTRO ALDO REBELO: O que eu tenho a dizer é isso que você acabou de dizer, Michely. Isto é uma suposta fraude, porque o que houve foi a alteração de um projeto de mobilidade urbana, ligado à área de transporte. O governo do Estado do Mato Grosso naturalmente deve ter ouvido reivindicações ou ponderações para ampliar o projeto de mobilidade, atender mais comunidades. Claro que o projeto técnico, que atendia à primeira necessidade, não poderia atender à segunda. Se você vai fazer uma casa de cinco andares, de um prédio de cindo andares e, depois, resolve fazer de dez, o projeto anterior não atende as possibilidades das mudanças, no segundo projeto. E foi isso que foi feito, dentro do Ministério das Cidades. A técnica que fez a mudança é uma moça honrada, uma profissional competente e respeitada. É preciso que se diga isso. Agora, o que houve na Bahia, sinceramente, eu também não sei. O que eu sei é que essa mudança que houve em Cuiabá, que houve no projeto de Cuiabá e que, tecnicamente, houve no Ministério das Cidades foi uma mudança para atender exigências de alteração de metas, num primeiro momento, para um segundo momento. E o que eu posso dizer, pelas informações que colhi de todas as pessoas, sem exceção, é que a técnica que foi envolvida nesse suposto escândalo, além de ser muito competente, é uma pessoa séria e honrada. É o que eu posso, apenas, dizer.

APRESENTADOR LUCIANO SEIXAS: Alguma outra pergunta, Michely?

REPÓRTER MICHELY FIGUEIREDO (Rádio Gazeta AM/CBN / Cuiabá - MT): Tenho, sim. Ministro, o que causou uma confusão muito grande, porque todo mundo fala o seguinte: “Ah, antes, o projeto do BRT era de cerca de R$ 500 milhões, agora o VLT foi para R$ 1,1 bilhão”. Então, eu queria que o senhor explicasse, para a gente, o seguinte: esse dinheiro, ele vai sair do governo federal, para fazer o VLT, ou, esse dinheiro, é o governo de Mato Grosso quem vai fazer um financiamento para fazer essa obra?

MINISTRO ALDO REBELO: O governo federal dispõe de recursos para essas obras de mobilidade urbana. A responsabilidade, principalmente nos casos do metrô, eu acho que são Porto Alegre, Fortaleza, Salvador, há outras cidades, a responsabilidade maior é do governo federal. Outras obras, o governo federal participa pelo BNDES, emprestando recursos. E, outras obras, há uma contrapartida. No caso de Cuiabá, o governador dispôs-se a ampliar a contrapartida do governo do estado, ou seja, a empenhar mais recursos do governo estadual; o que eu não vejo como uma coisa ruim, eu vejo como uma coisa boa. Se você pode ampliar as obras de mobilidade urbana, ou seja, ao invés de atender dez comunidades, atender 15 bairros com o metrô ou com outro meio de transporte, eu acho uma coisa boa. E, dependendo de cada projeto, os recursos, geralmente, em maior quantidade, são aqueles da dotação do governo federal. E quando o governo estadual amplia a sua dotação, há um esforço do governo federal, também, para ampliar a oferta dos recursos próprios da União.

APRESENTADOR LUCIANO SEIXAS: E, agora, no programa Bom Dia, Ministro, a participação da Rádio Verdes Mares, de Fortaleza, com Nilton Sales. Alô, Nilton. Bom dia.

REPÓRTER NILTON SALES (Rádio Verdes Mares / Fortaleza - CE): Bom dia. Bom dia, jornalista amigo. Bom dia, Sr. Ministro Aldo Rebelo. Eu gostaria que o senhor me dissesse, levando em consideração a situação das outras cidades que serão sedes, qual a situação de Fortaleza em termos de construção do Estádio Castelão e das obras de mobilidade?

MINISTRO ALDO REBELO: Bom dia, Nilton. Bom dia, ouvintes da Verdes Mares de Fortaleza e do Ceará. O Estádio Castelão é aquele cujas obras estão adiantadas em relação ao cronograma. Creio, se não me falha a memória, que a meta era de 45% das obras e nós temos, hoje, um pouco mais do que isso. Além do que, antes mesmo da Copa do Mundo, o Castelão já acolhe secretarias, já acolhe uma série de atividades do governo do estado do Ceará. Eu fiquei entusiasmado, sinceramente, e admirado. Porque um estádio ainda em obras, a metade do estádio sequer foi construída ainda, e já tínhamos aí 600 funcionários de várias secretarias, de vários departamentos, trabalhando de forma confortável e entusiasmada para a população cearense. Então, eu só posso manifestar uma impressão de muita confiança e de muito otimismo em relação às obras preparatórias para a Copa do Mundo na nossa querida Fortaleza.

APRESENTADOR LUCIANO SEIXAS: Você tem mais alguma pergunta, Nilton?

REPÓRTER NILTON SALES (Rádio Verdes Mares / Fortaleza - CE): Só agradecer.

APRESENTADOR LUCIANO SEIXAS: Muito obrigado pela participação. E, olha, está transmitindo, ao vivo, também, o programa Bom Dia, Ministro a Rádio Difusora, de Mossoró, no Rio Grande do Norte, através do programa Jota Nobre. E é para lá que nós vamos, agora, falar com Jota Nobre. Bom dia.

REPÓRTER JOTA NOBRE (Rádio Difusora / Mossoró - RN): Bom dia. Bom dia, Ministro. Evidentemente que vocês têm um calendário, o governo tem um calendário para ser cumprido. Algumas ações já foram colocadas, promotores pedindo que algumas obras sejam paralisadas, depois se reinicie. A gente sabe da morosidade da Justiça para julgar determinados fatos, casos. A pergunta que eu faço é: Ministro, se, de repente, um determinado estádio não tiver condição ou até mesmo dois, apesar do prazo ser ainda bom, vocês teriam um plano B para uma emergência, Ministro?

MINISTRO ALDO REBELO: Bom dia, Jota Nobre. Bom dia às queridas e aos queridos ouvintes de Mossoró. Eu creio que o Brasil... Poderiam achar que eu estaria exagerando, mas a minha impressão é que se o Brasil precisasse organizar a Copa do Mundo daqui a dois meses, nós estaríamos preparados. Nós acolhemos dezenas de milhares de torcedores brasileiros nos jogos da seleção em Recife, no Arrudão; em Manaus, no Tartarugão, no Vivaldo Lima; lá no Morenão, em Campo Grande. Nós temos os estádios do Morumbi, em São Paulo; nós temos, em construção, além do Itaquerão, o Palestra Itália, o Parque Antártica, do Palmeiras; todos eles, moderníssimos. Nós temos o estádio do Internacional, mas também o Olímpico está sendo construído, que é o estádio do Grêmio. Então, eu creio que nós temos condições plenas de realizar essa Copa do Mundo. Os problemas que nós teremos, ou que nós temos, hoje, não são problemas diante das possibilidades, daquilo que nós já fazemos. Eu dizia, há pouco: nós fazemos o Carnaval do Rio de Janeiro. O Carnaval do Rio de Janeiro recebe, no evento, mais turistas do que receberá a Copa do Mundo. Nós receberemos 600 mil turistas estrangeiros, na Copa do Mundo. Então, nós já temos essa presença, hoje, em cidades como Salvador, como Recife e Olinda. Então, quanto a isso, eu estou tranquilo. Evidente que haverá rigor nas obras, no acompanhamento, mas nós temos consciência de que podemos fazer tudo que está previsto para a Copa.

APRESENTADOR LUCIANO SEIXAS: Mais alguma pergunta, Jota Nobre?

REPÓRTER JOTA NOBRE (Rádio Difusora / Mossoró - RN): Só mais uma pergunta. Ministro, a gente sabe que toda mudança gera uma expectativa. O senhor está assumindo a [ininteligível] que era do ex-Ministro Orlando Silva. Os projetos que foram executados por ele, que estavam a caminho, todos eles serão executados ou, de repente, vai deixar de executar, colocando em prática aquilo que o senhor [ininteligível]?

MINISTRO ALDO REBELO: Aquilo que for essencial à Copa, à preparação das Olimpíadas, tudo isso será executado, porque o Ministério não só preparou, programou, mas organizou as atividades em função não apenas dos seus programas, mas, também, em torno desses dois grandes eventos. Há outras coisas, há contratos, consultorias, publicidade que, tudo isso, ainda vou examinar e, depois, adotar uma posição. E a grande mudança que eu pretendo fazer é, exatamente, encontrar os caminhos para preparar uma política nacional de estado para a prática do esporte no Brasil que tenha, como centro de gravidade, a escola.

APRESENTADOR LUCIANO SEIXAS: Você está ouvindo o programa Bom Dia, Ministro, hoje, recebendo o Ministro do Esporte, Aldo Rebelo, o nosso convidado aqui neste programa, que é transmitido pela EBC Serviços. Nós temos a participação, agora, da Suzana Lima. Ela é da Rádio Educadora 107,5 FM, de Salvador, na Bahia. Bom dia, Suzana. Alô, Suzana. Estamos aguardando a sua pergunta aqui no programa Bom Dia, Ministro. Daqui a pouquinho, então, vamos refazer esse contato com Salvador, na Bahia. Ministro, há quem critique o Brasil pela falta de apoio para que os atletas se dediquem desde cedo, da mais tenra infância, como acontece nas grandes potências esportivas. Isso pode mudar, principalmente nas, vamos dizer assim, nas modalidades olímpicas?

MINISTRO ALDO REBELO: Não só pode como deve. O esporte não é uma atividade desligada ou separada das demais condições do país e das demais condições dos brasileiros. O Brasil, há pouco tempo, não tinha sequer vacina obrigatória universal para todas as crianças. Nós tínhamos, há pouco tempo, crianças e famílias cuja principal preocupação era a feira, o pão de cada dia, tomar um leite pela manhã, as crianças terem acesso ao leite, à moradia, à água encanada. Nós temos, no Brasil, ainda, mais de dez mil escolas que não é que não tenham quadra e nem equipamento esportivo, mais de dez mil escolas que não têm água e luz, ainda. Então, mais de dez mil escolas que não têm professores para todas as disciplinas, que são, ainda, multiclasse. Então, são muitas carências, e o esporte é uma carência a mais, mas o governo tem feito um esforço, não apenas o governo da presidenta Dilma, outros também já fizeram, para que o Brasil vá melhorando a vida das pessoas, elevando o padrão de vida material e espiritual dos brasileiros e levando serviços que os brasileiros não tinham de forma universal, entre eles, naturalmente, o esporte.

APRESENTADOR LUCIANO SEIXAS: E, agora, sim, refizemos o contato com Salvador. Da Rádio Educadora, fala Suzana Lima. Alô, Suzana. Bom dia.

REPÓRTER SUZANA LIMA (Rádio Educadora 107,5 FM / Salvador - BA): Bom dia, Luciano Seixas. Bom dia, Ministro Aldo Rebelo. Eu gostaria de agradecer a participação da Rádio Educadora e da TV Educativa da Bahia nesta conversa com o Ministro. Eu gostaria de começar perguntando sobre a situação das arenas, mas, especificamente, a situação da Arena Fonte Nova, que fica aqui na capital baiana, e nós todos temos uma expectativa muito grande com relação às obras da Arena Fonte Nova.

MINISTRO ALDO REBELO: Eu creio que a Arena Fonte Nova tem, dentro do cronograma previsto, cumprido as expectativas. Nós temos outras obras de mobilidade urbana em Salvador e que, naturalmente, apoiarão o esforço da cidade, o esforço do estado, do governo da Bahia, para a preparação da Copa do Mundo. Mas não há nada que nos preocupe, em particular, no caso da arena de Salvador, da antiga Fonte Nova, do antigo Estádio Otávio Mangabeira, e nós temos a posição de acompanhar, de colher as informações. Recebi, essa semana, o secretário de Esporte, o presidente, aí, da fundação que cuida mais dessa área, que é o ex-atleta, campeão brasileiro pelo Bahia, o Bobô. Vou receber o Ney Campello, que é o presidente do grupo executivo da Copa. E acho que tanto a prefeitura quanto o governo do estado tem correspondido às expectativas de quem acompanha o esforço para a preparação da Copa.

APRESENTADOR LUCIANO SEIXAS: Mais alguma pergunta, Suzana?

REPÓRTER SUZANA LIMA (Rádio Educadora 107,5 FM / Salvador - BA): Sim. Uma das preocupações, aqui, da população baiana diz respeito aos itens ligados à mobilidade urbana. Eu gostaria de saber como estão as obras e os investimentos neste segmento, se ele puder direcionar, também, aqui para a Bahia.

MINISTRO ALDO REBELO: Suzana, você sabe que há um esforço grande da prefeitura de Salvador, do governo do estado, do governo federal, de ex-prefeitos, dos governos anteriores... Eu fui aí como Ministro, quando o prefeito ainda era o atual deputado Imbassahy, no esforço da construção do metrô de Salvador. Lembro da visita de ministros das Cidades do governo do presidente Lula, ainda do primeiro governo. Então, a construção do metrô de Salvador não é, propriamente, um compromisso da Copa, é um compromisso com a população da Bahia e com a população de Salvador, e que a presidente Dilma procura cumprir. Há recursos programados para essa finalidade, e creio que nós cumpriremos essa expectativa e essa esperança, não só da população, mas também dos governos municipais, do estado e da União.

APRESENTADOR LUCIANO SEIXAS: Você está ouvindo o programa Bom Dia, Ministro, hoje, com o Ministro do Esporte, Aldo Rebelo. A EBC Serviços disponibiliza o sinal desta entrevista, para todas as emissoras de rádio do país, ao vivo, no mesmo canal da A Voz do Brasil. O áudio e a transcrição desta entrevista também serão disponibilizados hoje, ainda pela manhã, na página da EBC Serviços na internet. O endereço é: www.ebcservicos.ebc.com.br. Agora, a participação vem de Curitiba, no Paraná, através da Rádio Banda B, com Denise Mello. Alô, Denise. Bom dia.

REPÓRTER DENISE MELLO (Rádio Banda B / Curitiba - PR): Bom dia, Luciano. Bom dia, Ministro. Ministro, eu vou tentar passar para o senhor, mais ou menos, a sensação, aqui, da população de Curitiba com relação à Copa de 2014, porque Curitiba tinha... Tem, não é, até então, uma arena, a arena do Atlético Paranaense, moderna, mas acabou atrasando, as obras atrasaram, perdeu-se todos os prazos e Curitiba ficou sem Copa da Confederação, apenas com a primeira fase dos jogos. E, além de tudo, também tem a questão do metrô, que agora deve sair, mas só deve ficar pronto, também, depois da Copa de 2014. Eu gostaria que o senhor falasse um pouco sobre as obras aqui em Curitiba, sobre a situação e até acalentasse, um pouco, o povo curitibano, que ficou um pouco decepcionado com a Copa aqui em 2014, Ministro.

MINISTRO ALDO REBELO: Eu não vejo razão para qualquer decepção com a Copa em 2014. Sinceramente, Denise, Curitiba... Aliás, já acolheu a Copa do Mundo. Uma das sedes da Copa do Mundo de 50 foi exatamente aí em Curitiba. Curitiba tem duas grandes... Dois grandes estádios, tradicionais no Brasil, que já sediaram decisões, inclusive, do Campeonato Brasileiro, a Arena da Baixada, do Atlético, e o Couto Pereira, também, que é um belo estádio do Coritiba. Curitiba, também, é uma cidade de vanguarda, no Brasil, em relação ao tema da mobilidade urbana. Tudo que foi feito primeiro, tudo que foi feito de melhor em relação à mobilidade urbana, principalmente em transporte coletivo, o berço tem um nome: Curitiba. Então, por essa razão, eu sou muito otimista em relação ao que, por conta da Copa do Mundo, ao que pode ser acrescentado àquilo que Curitiba já possui. E urbanistas, prefeitos, secretários, não só do atual governo, mas do governo anterior, cuidaram de preparar Curitiba não apenas para a sua população, mas para eventos como a Copa do Mundo. Eu creio que nós podemos e temos condições não só de ter o estádio, a Arena da Baixada, ou seja, do Atlético Paranaense, como também ajudar nas obras de mobilidade urbana necessárias para a população, em primeiro lugar, porque a população está e ficará aí, antes e depois da Copa, mas, também, para facilitar o acolhimento dos torcedores na Copa do Mundo.

APRESENTADOR LUCIANO SEIXAS: Você tem outra pergunta, Denise?

REPÓRTER DENISE MELLO (Rádio Banda B / Curitiba - PR): É, eu gostaria de saber, um pouco, também, sobre os ingressos. Há muita expectativa. Em 2013, começa a venda dos ingressos, mas ficou confirmado, Ministro, essa quota de 30% com ingressos mais baratos, a questão dos estudantes? Eu gostaria que o senhor falasse, um pouco, sobre como os brasileiros vão ter acesso a esses ingressos da Copa do Mundo.

MINISTRO ALDO REBELO: Há um compromisso por parte dos organizadores, esse compromisso foi anunciado pela Fifa, de destinar uma parcela dos ingressos ao preço de US$ 25, que é um preço muito razoável. Eu vou aos jogos do meu time, em São Paulo, do glorioso Palmeiras, e pago muito mais do que isso pelo preço do ingresso em jogos do Campeonato Brasileiro. Então, esse preço, de fato, para a média do Brasil, já é um preço acessível. Não resolve a questão. Por quê? Porque uma parcela da nossa população, por exemplo, a do Bolsa-Família, é uma população pobre. Mesmo esse preço, ainda é elevado. E eu levantei essa questão para a Fifa. As populações indígenas da Amazônia, onde haverá Copa do Mundo, vão ficar de fora da Copa, não vão ter acesso? Vai ter um jogo em Manaus e não vai se ver um índio na arquibancada acompanhando jogos da Copa? Eu também acho que isso não é possível. A Fifa foi muito acessível, compreendeu bem as preocupações que levantei. Eu disse: “Olha, o Brasil é um país muito bonito, muito bom, muito acolhedor. É um país muito desigual. E essa é a maior festa do futebol mundial, e a nossa população mais pobre não pode ser retirada à força, porque o custo pode ser, também, uma forma de você retirar as pessoas da festa”. Mas a Fifa compreendeu, e acho que nós vamos garantir, dentro das possibilidades, o acesso de todos os brasileiros à Copa do Mundo.

APRESENTADOR LUCIANO SEIXAS: E, agora, o programa Bom Dia, Ministro recebe a participação da Rádio Boas Novas 580 AM, de Recife, com Elida Regis. Alô, Elida. Bom dia.

REPÓRTER ELIDA REGIS (Rádio Boas Novas AM / Recife - PE): Bom dia. Bom dia, Ministro. Ministro, muito se fala com relação ao não cumprimento dos prazos para as obras estruturais da Copa de 2014. Quais são as obras que, de fato, estarão prontas no prazo determinado?

MINISTRO ALDO REBELO: A principal obra da Copa é a obra dos estádios. Embora, em Pernambuco, nós temos, há pouco tempo, recebido a Seleção Brasileira para um jogo amistoso no Arrudão, e o próprio Arrudão tenha recebido, agora, a final da Série C, entre o Santa Cruz... Da Série D, entre o Santa Cruz e o Tupi, com mais de 50 mil pessoas no estádio, sem nenhum problema. Então, nós temos, em Pernambuco, estádios para fazer a Copa do Mundo, se precisarmos, daqui a dois meses. Nós temos condições. Vocês fazem aí uma festa com mais de um milhão de pessoas, que é o Galo da Madrugada, sem nenhum problema, todo o brasileiro sabe disso. Então, eu acho que nós temos condições de fazer. E o calendário do estádio que acolherá a Copa do Mundo em Pernambuco está com o seu cronograma atualizado. É claro que essa atualização tem que ser diária. O que está atualizado hoje poderá não estar atualizado amanhã. Mas, por enquanto, nós temos segurança de que as obras estarão em dia para a Copa do Mundo. Principalmente a dos estádios. A de mobilidade urbana, metrô, vias de acesso, são obras para a população de Recife, de Olinda, de Jaboatão, de todas as cidades brasileiras. Essas obras, parte delas estará pronta para 2014, outras para 2016 e outras até antes da Copa do Mundo e antes das Olimpíadas, porque fazem parte ou do legado ou daquilo que a própria população das regiões metropolitanas do Brasil precisam para o seu conforto e para o seu bem-estar.

APRESENTADOR LUCIANO SEIXAS: E, agora, no programa Bom Dia, Ministro, a participação da Rádio Gaúcha AM, de Porto Alegre, com Leandro Staudt. Alô, Leandro. Bom dia.

REPÓRTER LEANDRO STAUDT (Rádio Gaúcha AM / Porto Alegre - RS): Alô. Bom dia. Bom dia, Ministro. Bom, a gente tem, aqui em Porto Alegre, um problema de construção do estádio Beira-Rio, na reforma, em relação aos prazos para início de obras. A obra foi iniciada, foi parada e agora, por um bom tempo, ela está parada por um impasse entre o Inter e a possível parceira nesse investimento, que é a Andrade Gutierrez. De que forma o governo federal vem acompanhando esse impasse e até que ponto preocupa essa demora para o reinício das obras de reforma do Estádio Beira-Rio?

MINISTRO ALDO REBELO: Nós ainda temos tempo de retomar o calendário e os dias que foram deixados para trás. Falei com os meus amigos aí, que são conselheiros do Inter, principalmente com o grande Ibsen Pinheiro, que é um dos mandarins da velha guarda colorada; falei com o governador Tarso Genro; ontem, falei com o secretário Beto Albuquerque, que também é colorado, no sentido de que haja uma decisão. Claro que nós não temos a pretensão de interferir nas decisões do conselho, dos conselheiros do Inter, mas que haja uma decisão, para que nós tenhamos essa referência e essa segurança da decisão e do início da construção das obras do Beira-Rio. No mais, está tudo acertado. Agora, é preciso que haja a decisão, porque a demora, evidentemente, pode começar a comprometer o calendário no Rio Grande do Sul, o que não é desejável nem para o Inter nem para a torcida gaúcha, que sempre acolhe, com muito carinho, as festas de futebol, nem para o governo do estado nem para o governo federal. Nós queremos essa sede em Porto Alegre, queremos que a obra seja construída e queremos que haja, portanto, uma decisão, respeitando a autonomia do Sport Club Internacional.

APRESENTADOR LUCIANO SEIXAS: Alguma outra pergunta, Leandro?

REPÓRTER LEANDRO STAUDT (Rádio Gaúcha AM / Porto Alegre - RS): E há algum prazo, Ministro, dado, por parte do governo federal, para essa decisão, até um limite que é aceito esse impasse para depois, de repente, buscar um plano B, ou ainda não?

MINISTRO ALDO REBELO: Não gosto de oferecer esse tipo de prazo, porque todas as pessoas têm a sua responsabilidade, a sua consciência. Mais do que ninguém, os que prepararam o projeto sabem qual é o tempo necessário para a sua execução. Então, nós temos mantido apenas esses contatos e aguardando e com a expectativa de que haja uma decisão o mais rápido possível, para que as obras sejam iniciadas, porque me parece que as do Grêmio, eu não sei se falo com a informação precisa, que não é o estádio destinado à Copa, as obras já começaram.

APRESENTADOR LUCIANO SEIXAS: Ministro, estamos aí com dois grandes eventos, os maiores eventos esportivos do mundo: 2014, a Copa; 2016, as Olimpíadas. Como é que o senhor vê as chances dos nossos atletas? Vamos ganhar a Copa? A Seleção Brasileira será hexacampeã? E os atletas olímpicos vão ganhar muitas medalhas de ouro, talvez ficar em primeiro lugar no quadro de medalhas?

MINISTRO ALDO REBELO: Eu tenho muita confiança na Seleção Brasileira. Quando perguntam: “O Brasil é uma potência esportiva?”, eu digo: “É”, porque já é uma potência no principal esporte, ou no mais popular esporte do planeta, que é o futebol. Nós temos jogadores, clubes consagrados, grandes equipes, atletas respeitados no mundo inteiro, e acho que o Brasil ganhar a Copa não é algo, assim, fora dos planos. Nas Olimpíadas, há um projeto de preparação. Com algum esforço, principalmente do governo brasileiro, do estado brasileiro, nós conseguimos o primeiro lugar nos jogos Parapan de Guadalajara. Já fomos o nono país na Olimpíada de Pequim, nos Paraolímpicos. Com as medidas que estão sendo adotadas pelo governo brasileiro, pelo Comitê Olímpico Brasileiro, com a participação de instituições como universidades, Forças Armadas, que têm logística, têm estrutura, têm conhecimento, e o governo federal apoiando com recursos para melhorar os equipamentos, as piscinas, as pistas, os ginásios, eu acho que nós temos condições de fazermos não só já a de 2012, em Londres, uma prévia desse esforço, mas de preparar uma geração para um alto desempenho olímpico em 2016, no Rio de Janeiro. Não tenho nenhuma razão para duvidar de que o Brasil dispõe das condições para almejar esse objetivo.

APRESENTADOR LUCIANO SEIXAS: Muito obrigado, Ministro Aldo Rebelo, por sua presença aqui, nesta edição do programa Bom Dia, Ministro.

MINISTRO ALDO REBELO: Bom dia, Luciano. Bom dia aos ouvintes. Foi uma grande alegria poder ouvir tantas perguntas, tantos sotaques do nosso querido Brasil, sobre um tema tão importante, tão querido, que é o esporte. Bom dia.

APRESENTADOR LUCIANO SEIXAS: Nós estamos encerrando, neste momento, mais uma edição do programa Bom Dia, Ministro, que tem a coordenação e a produção da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, em parceria com a EBC Serviços. Eu sou Luciano Seixas e nós voltamos em uma próxima oportunidade. Até lá.

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