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Arquivos: 03/03/2011 - transcrição


APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Olá, amigos em todo o Brasil! Eu sou Kátia Sartório e começa agora mais uma edição do programa Bom Dia, Ministro. O programa tem a coordenação e a produção da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, em parceria com a EBC Serviços. Hoje, aqui, nos estúdios da EBC Serviços, a Ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Tereza Campello. Bom dia, Ministra, seja bem-vinda!
MINISTRA TEREZA CAMPELLO: Bom dia, Kátia. Queria cumprimentar toda a rede que está nos ouvindo agora, nos colocar à disposição. Nós temos, nessa oportunidade, o primeiro Bom Dia, Ministro com o Ministério do Desenvolvimento Social, na gestão da nossa presidenta Dilma. Estamos iniciando, dando boas notícias. Esta semana, anunciamos o reajuste do Bolsa-Família. Mais do que um reajuste, estamos dando um primeiro passo no plano de erradicação da extrema pobreza no Brasil. Portanto, é um prazer estar aqui, com vocês.
APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Prazer é todo nosso, Ministra. E, como a Ministra falou, a pauta do programa de hoje é esse aumento de recursos e adequações ao Bolsa-Família e a atualização cadastral do programa. A Ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Tereza Campello, já está aqui, no estúdio, pronta para começar a conversar com âncoras de emissoras de rádio de todo o país, neste programa que é multimídia; estamos no rádio e na televisão. Ministra, já está na linha a Rádio Tupi, do Rio de Janeiro, onde está Ana Rodrigues. Bom dia, Ana.
REPÓRTER ANA RODRIGUES (Rádio Tupi / Rio de Janeiro - RJ): Bom dia, Kátia; bom dia, amigos de todo o Brasil; bom dia, Ministra Tereza Campello. Nós gostaríamos de destacar, principalmente, a questão do reajuste do Bolsa-Família e como o Ministério de Tereza Campello vai discutir a ampliação desses recursos e, principalmente, essa questão de recadastramento, de cuidado com os critérios para o fornecimento do Bolsa-Família; Bolsa-Família que é importante na movimentação da economia, mas também precisa ser bastante vigiado e tratado com bastante cautela, para que, realmente, as famílias que necessitem possam receber esse benefício, Ministra.
MINISTRA TEREZA CAMPELLO: Bom dia, Ana Rodrigues; bom dia, ouvintes da Rádio Tupi. Nós... Como dissemos inicialmente, nós estamos ampliando substancialmente os recursos do Bolsa-Família este ano, são 2,1 bilhões a mais de recursos. Mais do que isso, é importante destacar que nós estamos ampliando os recursos, com foco nas famílias pobres e extremamente pobres, com foco no reajuste variável, que vai beneficiar fundamentalmente famílias extremamente pobres, com crianças, e, junto com essa ampliação dos recursos do Bolsa-Família, nós temos, como você colocou, Ana, uma preocupação grande em aprimorar o cadastro único e garantir que, de fato, a gente possa estar beneficiando, fundamentalmente, as famílias pobres e extremamente pobres. Anualmente, a gente faz uma revisão e uma atualização do cadastro. As famílias e os municípios são obrigados a fazer essa atualização anual. A cada dois anos, as famílias têm que se dirigir ao gestor municipal, atualizando, não só seu endereço, mas seus dados de renda, o conjunto dos dados que compõe o cadastro único. Já está aberto esse período de revisão do cadastro, e é muito importante que elas possam proceder dessa forma, porque, se a gente não conseguir atualizar, essas famílias podem ser desligadas e deixar de receber o benefício. Então, nós fazemos um apelo às famílias que faça essa atualização e, principalmente, aos municípios, que são os nossos principais parceiros na execução desse projeto; projeto que é organizado pelo governo federal, em conjunto com estados e municípios, mas são os municípios a nossa ponta de trabalho, lá, em cada um dos vários lugares no Brasil.
APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Ana, você tem outra pergunta?
REPÓRTER ANA RODRIGUES (Rádio Tupi / Rio de Janeiro - RJ): Uma pergunta que eu acho que pode ser interessante, também, com relação ao Bolsa-Família, Ministra, é com relação a quando as famílias conquistam uma condição melhor, quando elas conseguem sair do nível de extrema pobreza. Como é estabelecido esse critério, quando é que essas famílias podem deixar de receber o Bolsa-Família?
MINISTRA TEREZA CAMPELLO: As famílias que consigam estar se incluindo no mercado de trabalho, consigam melhorar sua condição, consigam sair de uma situação de extrema pobreza e de pobreza podem se desligar a qualquer tempo do Bolsa-Família. Agora, nós não temos um processo de desligamento automático, porque, muitas vezes... Isso é bem importante que a população entenda. Muitas vezes, a família consegue um emprego temporário, consegue um bico, melhora a sua condição, mas isso não é uma situação estável. Nossa grande preocupação não é expulsar essas famílias do Bolsa-Família; ao contrário, nossa principal preocupação é garantir a melhoria de condição de vida das pessoas. É importante que o conjunto da população entenda: o Bolsa-Família, hoje, atinge 50 milhões de pessoas no Brasil, são quase 13 milhões de famílias, envolvendo principalmente crianças, jovens; 56% dos beneficiários do Bolsa-Família tem menos de 20 anos de idade; 25%, um quarto da população do Bolsa-Família, tem menos de nove anos. Portanto, nós estamos conseguindo, com o Bolsa-Família, chegar exatamente nas crianças e nos jovens que, na avaliação, em todos os dados, são a parcela da população, hoje, em maior situação de vulnerabilidades, de pobreza e de extrema pobreza. Então, o Bolsa-Família tem conseguido chegar nesse público, que é nossa grande preocupação. Por isso, inclusive, a decisão da presidenta Dilma viabilizou e concentrou os reajustes exatamente na parcela variável, que aumentou 45,5%. Então, nossa grande preocupação é também a inclusão produtiva. Nós estamos organizando... O governo já vem fazendo um conjunto de medidas que ajudam essas famílias a melhorar suas capacidades, ajudam as crianças a estarem se formando melhor, ajudam jovens e adultos a estarem aumentando seu nível educacional, que é uma das condições fundamentais para elas melhorarem sua condição de emprego, terem empregos melhores, poder se candidatar a uma vaga. Estamos ampliando os nossos cursos de qualificação, estamos ampliando crédito, estamos ampliando condição, e é isso que permitirá que essas famílias possam estar saindo do Bolsa-Família. Agora, a grande preocupação é que elas melhorem de vida, e não que elas sejam expulsas do Bolsa.
APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Este é o programa Bom Dia, Ministro. Estamos, hoje, com a Ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Tereza Campello. Ela conversa com âncoras de emissoras de rádio de todo o país, neste programa que é multimídia; estamos no rádio e televisão. Lembrando às emissoras de rádio que o sinal dessa entrevista está no satélite, no mesmo canal da Voz do Brasil. Ministra, vamos, agora, a Santarém, no Pará, conversar com a Rádio Guarany 100,3FM. A pergunta é de Alba Araújo. Bom dia, Alba.
REPÓRTER ALBA ARAÚJO (Rádio Guarany 100,3 FM / Santarém - PA): Bom dia. Bom dia, Ministra Tereza Campello. É Alba Araújo, aqui, de Santarém, FM Guarany, 100,3. A pergunta: de que modo esse reajuste no Bolsa-Família vai beneficiar a família... Se são só as famílias cadastradas, aqui, em Santarém. A senhora não considera que esse incentivo financeiro deveria ser para uma outra pasta, no sentido de geração de emprego, já que aqui, em Santarém, a gente não tem indústria e a maioria da população busca emprego, principalmente os jovens, em outros estados?
MINISTRA TEREZA CAMPELLO: Bom dia, ouvintes da Rádio Guarany; bom dia, Alba. Essa pergunta eu acho que ela é fundamental em vários sentidos. Primeiro, os recursos do Bolsa-Família, nós temos vários estudos comprovando o que ele dinamiza em cada uma das regiões. Um dos principais resultados do Bolsa-Família, além de ter melhorado a educação, além de ter melhorado a saúde, foi conseguir viabilizar principalmente o interior do Brasil. Os recursos do Bolsa-Família... A gente tem estudos comprovando... Saiu essa semana, inclusive, um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, o Ipea, mostrando que cada R$ 1,00 que é investido no Bolsa-Família amplia em R$ 1,44 o PIB em cada um desses municípios e no país; portanto, gerando, ampliando o mercado de massas, ampliando as compras. Essas famílias usam esses recursos para alimentação, para a compra de material escolar, para remédios. Portanto, o recurso que está indo para a família, ele volta praticamente uma vez e meia para a sociedade. Isso é uma questão fundamental, que mostra por que o Brasil... um dos elementos de porquê o Brasil tem crescido tanto. O Brasil tem crescido a taxas sustentáveis, a gente cresce porque o PAC tem nos ajudado a crescer, a gente cresce porque nós temos investido fortemente na geração de oportunidades e empregos. O governo federal investe muito na ampliação e na inclusão produtiva. Um caso que impacta fortemente essa região do Norte do país são as ampliações dos recursos do Pronaf, por exemplo, na área rural, que é uma das questões fundamentais que envolve o Pará e todo esse arco em volta da região amazônica. O Pronaf se ampliou fundamentalmente, a renda agrícola e a renda rural se ampliou em mais de 30%, muito além da renda nas regiões metropolitanas. Portanto, a gente tem gastado muito mais do que o Bolsa-Família para a ampliação e geração de emprego. A grande questão que está colocada é: hoje, o Brasil cresce a taxas sustentáveis, a gente tem gerado emprego em todas as regiões e falta mão de obra qualificada, falta condições de empregabilidade – portanto, em alguns lugares, falta gente, inclusive para construção civil, para indústria – e, de outro lado, nós temos uma parcela da população que não consegue se incluir. Essa parcela da população, pobre e extremamente pobre, não está desempregada e não está nessa condição porque optou. Então, nós estamos criando uma situação para alívio da pobreza e da situação dessas pessoas. Grande parte dos recursos - eu diria a maioria desses recursos - é usado para a alimentação. Nós temos estudos muito importantes, que mostram que uma criança que não se alimenta bem, do zero aos cinco anos de idade, tem comprometido o resto da sua vida. Ela não está comprometida só esses cinco anos; ela está comprometida em toda sua história de educação e de capacitação. Portanto, se a gente não ajudar essas crianças e esses jovens a estar se alimentando melhor hoje, uma parte da geração brasileira terá seu futuro comprometido. Então, é muito importante que a gente, além de gerar emprego, além de construir uma condição que gere emprego para jovens e adultos, que a gente também permita que as gerações futuras possam estar hoje recebendo esse investimento. Essa é uma aposta muito importante, é uma aposta no Brasil do futuro. Nós não queremos que essas crianças repitam a história dos seus pais, de continuarem em situação de extrema pobreza. Portanto, o plano de valorizar o Bolsa-Família e o plano de erradicar a extrema pobreza no Brasil não pode pensar só em agora; a gente tem que pensar em como, agora, nós vamos viabilizar o nosso futuro, e a aposta de ampliar os recursos do Bolsa-Família tem esse sentido.
APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Este é o programa Bom Dia, Ministro. Estamos hoje com a Ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Tereza Campello. Ela conversa com âncoras de emissoras de rádio de todo o país. Lembrando que a NBR, a TV do governo federal, reapresenta a gravação desta entrevista ainda hoje à tarde, com horários alternativos, também, no sábado e no domingo. Ministra, vamos, agora, a Manaus, no Amazonas, a Rádio Amazonas FM. Patrick Motta, bom dia.
REPÓRTER PATRICK MOTTA (Rádio Amazonas FM / Manaus - AM): Bom dia, Kátia Sartório. Parabéns pelo Dia Internacional da Mulher, que se aproxima, senhoras e senhores ouvintes. Bom dia, Ministra, e parabéns, também, pela importante data, que está próxima, que é o Dia Internacional da Mulher. Bom dia, Ministra.
MINISTRA TEREZA CAMPELLO: Bom dia, Patrick; bom dia, ouvintes da Rádio Amazonas. Pois não.
REPÓRTER PATRICK MOTTA (Rádio Amazonas FM / Manaus - AM): Ministra, é importante, sim, o aumento dado para as faixas etárias do Bolsa-Família, mas um dos compromissos da presidente Dilma é a erradicação da miséria no país. Não seria melhor, Ministra, ao invés do aumento - que é importante -, fazer com que novas famílias pobres do país tivessem acesso ao programa?
MINISTRA TEREZA CAMPELLO: Patrick, olha só, nós estamos, também, com essa preocupação. Primeiro, deixa eu esclarecer que os recursos do Bolsa-Família são recursos complementares à renda já dessas famílias. Para as pessoas terem uma ideia do que esse aumento representa: se a gente pegar uma família, a título de exemplo, um pai, a mãe, com dois filhos pequenos, nós teríamos: hoje, com o Bolsa-Família, antes do reajuste, eles receberiam R$ 112,00 para toda a família; com o aumento, eles passam a receber R$ 134,00. Esses R$ 22,00 a mais que cada família estaria recebendo, nesse caso, famílias com duas crianças, eles representam todo o arroz e todo o feijão de um mês. Portanto, o aumento de R$ 22,00 para famílias em situação de extrema pobreza tem esse impacto, para essa família, de ela poder comprar todo o arroz e todo o feijão do mês; portanto, sobraria mais renda para investir em proteína, material escolar, remédio e outras necessidades. E imaginamos o que isso pode representar, também, para cada um dos estados, que têm uma ampliação substancial nos recursos que vem recebendo. Nós, nesse primeiro momento... Percebam que nós estamos no nosso segundo mês de governo e ainda estamos dando o primeiro passo no plano de erradicação de extrema pobreza. Uma das nossas metas é a de ampliar o conjunto da população que teria direito ao Bolsa-Família e que, por vários motivos, ainda não está recebendo. A nossa avaliação é que essa parcela da população, desconhecida, digamos assim, pelo estado brasileiro, ela é uma parcela pequena, porque, hoje, nós já temos 50 milhões de pessoas beneficiárias do Bolsa-Família, quase 13 milhões de famílias. Agora, existem, de fato, pessoas no Brasil, em especial na região Norte, que ainda não tiveram acesso a esses benefícios. Eu tive a oportunidade de coordenar uma operação, no que a gente chama... em uma região que a gente chama de Arco Verde, que envolve a região Norte, que foi a Operação Arco Verde Terra Legal, e um dos objetivos dessa operação, que envolvia a regularização fundiária, titulação, que envolvia documentação... Nós buscamos famílias que estavam na floresta ou que estavam em distritos distantes, que não tinham acesso a documentos, que, de certa forma, eram desconhecidas pelo estado... Então, para o estado, elas eram invisíveis, mas não são invisíveis. Elas trabalham, estavam sustentando suas famílias. Inclusive, há gerações sem documentação alguma. E, nesse processo que nós fizemos, ao longo dos últimos dois anos, nós acabamos tendo acesso a pessoas que não tinham certidão de nascimento, que não tinham título de eleitor, que não tinham carteira de trabalho e, em alguns casos, pessoas que tinham trabalhado ao longo da vida, que tinham acesso à aposentadoria e BPC, e que não receberam. Então, parte do esforço do governo é buscar essas famílias na região Norte. Isso é um esforço mais difícil, e uma das tarefas do plano de erradicação da extrema pobreza, de fato, concordando contigo, é também ampliar e buscar essas pessoas que têm direito ao Bolsa e que ainda não tiveram acesso.
APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Ministra, ainda vamos continuar conversando com Patrick Motta. Você tem mais alguma pergunta, Patrick?
REPÓRTER PATRICK MOTTA (Rádio Amazonas FM / Manaus - AM): Ministra, muitos programas...
APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Você pode aumentar o seu retorno para nós, Patrick, por favor?
REPÓRTER PATRICK MOTTA (Rádio Amazonas FM / Manaus - AM): Programas estaduais, municipais ou federais...
APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Você pode repetir o início da pergunta? Nós não escutamos.
REPÓRTER PATRICK MOTTA (Rádio Amazonas FM / Manaus - AM): ... que não necessitam acabam beneficiadas, deixando de fora quem realmente necessita. Qual é o índice de fraude, detectado no Bolsa-Família, Ministra?
MINISTRA TEREZA CAMPELLO: Patrick, eu não ouvi o começo da sua pergunta, mas, com relação à fraude, eu poderia te responder. Depois, se não for só esse o elemento, depois você repete, por favor. É 0,3%. Nós fazemos permanentemente auditorias, junto com o Tribunal de Contas. Essas auditorias são tanto auditorias cruzando informações... Por exemplo, ano passado, nós fizemos uma auditoria muito interessante, que nós cruzamos todo o cadastro do Bolsa-Família - vejam bem, são 50 milhões de pessoas – com o cadastro do Renavam, gente que tem automóveis, que, obviamente, não podem estar em situação de extrema pobreza e têm automóvel, a não ser que seja para fazer um bico para o seu próprio serviço. Então, o que é que nós fizemos? Cruzamos o cadastro. Algumas pessoas, de fato, muito pequenas, não chega, eu acho, nem a 3 mil pessoas, em 50 milhões de pessoas, tinham automóveis. Aí, o que nós fizemos? Isso não quer dizer que seja fraude. Nós fomos ver. Às vezes a pessoa tem um carrinho antigo, que é usado, a pessoa quem tem... Faz um bico e usa o carro para fazer pequenos consertos. Portanto, estaria dentro do nosso espectro. Agora, também encontramos algumas pessoas que, de fato, estavam ilegais. O que nós fizemos? Cancelamos o benefício e tomamos as medidas. Isso a gente vem fazendo permanentemente. Agora, é muito importante que os dados das pessoas, que estão no Cadastro Único, são dados público. É importante que a população tenha acesso a essa informação e é importante que a gente possa estar envolvendo o conjunto da sociedade, das entidades, das ONGs, nos ajudando a limpar o cadastro. Quanto melhor for esse cadastro mais a gente poderá ampliar o Bolsa-Família, mais a gente poderá incluir novas famílias. Então, nós fazemos... Queremos essa parceria com ONGs, com os municípios, estamos fazendo esse trabalho. Tem um trabalho de inteligência, como eu te disse, tem auditorias permanentes, e, este ano, nós vamos estar esperando uma atualização cadastral de mais de 1,3 milhão famílias. Então, anualmente, a gente vem... A cada dois anos, a gente tem que atualizar o cadastro, e isso vem sendo feito. Agora, o índice de fraudo é muito pequeno, muito pequeno, felizmente, e o Brasil tem... O Cadastro Único do Brasil tem sido usado como exemplo, no mundo todo, como um exemplo de um cadastro eficiente, um cadastro com uma margem muito pequena de erro. Então, fraude, mesmo, é o que eu te disse: 0,3%. Nós temos, às vezes, algumas incorreções. A pessoa, quando declarou, por exemplo, a sua renda, há um ano atrás, declarou que a renda ‘per capita’ era R$ 80,00, e, hoje, é R$ 90,00. Então, agora, a renda desse público é uma renda que varia muito, porque, em geral, a maioria dessas famílias são famílias em situação de emprego não formal, que têm uma atividade. Então, são rendas que podem ter alguma variação. Então, eu pediria também que esse apoio e esse olhar das entidades, com relação às famílias, levassem em consideração que pequenas variações de renda, na nossa avaliação, não são consideradas fraudes. Fraude é quem está na classe média, famílias de políticos que estão recebendo, que é outro cruzamento que nós fizemos. Todas as famílias de políticos no Brasil, os cadastros estão sendo cruzados, todo mundo que recebe aposentadoria nós estamos cruzando com o Cadastro Único, todo mundo que recebe BPC nós estamos cruzando com o Cadastro Único, todo mundo que recebe Pronaf nós estamos cruzando com o Cadastro Único. Isso tem nos dado uma margem de acerto muito, muito grande, felizmente.
APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Este é o programa Bom Dia, Ministro. Eu sou Kátia Sartório, e estamos, hoje, com a Tereza Campello, a Ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. Lembrando que o áudio dessa entrevista estará disponível, ainda hoje pela manhã, na internet, na página da Secretaria de Imprensa da Presidência da República. Anote o endereço: www.imprensa.planalto.gov.br. Ministra, vamos, agora, a Salvador, na Bahia, conversar com a Rádio Sociedade. Armando Mariani, bom dia.
REPÓRTER ARMANDO MARIANI (Rádio Sociedade / Salvador - BA): Bom dia, Kátia. Bom dia, Ministra. Os cumprimentos à senhora pelo seu dia, o Dia Internacional da Mulher. Parabéns.
MINISTRA TEREZA CAMPELLO: Obrigada.
REPÓRTER ARMANDO MARIANI (Rádio Sociedade / Salvador - BA): Ministra, o governo fez um corte expressivo no orçamento, de R$ 50 bilhões, e, por outro lado, aumentou o Bolsa Família. Como o governo administrou este corte de um lado e aumento do outro?
MINISTRA TEREZA CAMPELLO: Bom dia, Rádio Sociedade. Bom dia, Armando. É um prazer falar com a Bahia, que, essa semana, foi o estado escolhido, porque é o estado que mais recebe Bolsa Família no Brasil, foi o estado escolhido, pela nossa presidenta Dilma, para abrir o mês de comemoração do mês da mulher e para fazer esse anúncio, que é um anúncio que foi muito bem recebido por toda a sociedade, pelo impacto que ele tem e por ser o primeiro passo no sentido de já construir a nossa meta de erradicação de extrema pobreza. Nós não vemos nenhum tipo de contradição entre uma revisão geral que nós estamos fazendo no Orçamento Geral da União e o anúncio do Bolsa Família. Nós não fizemos um corte linear, como já aconteceu em outras situações: se corta todo o orçamento em R$ 50 bilhões. Não. Nós estamos fazendo uma consolidação fiscal, revendo o orçamento, para poder fazer um ajuste importante, que nos garanta crescer a taxas sustentáveis, portanto crescer de forma a não prejudicar o crescimento do Brasil no futuro, priorizando ações que, para nós, são ações que não podem ser mexidas. No caso do Bolsa Família, não só é uma ação prioritária que não poderia ser objeto de redução de despesa como, ao contrário, foi objeto de ampliação. Portanto, eu acho que é bastante educativo e exemplar, esse esforço do governo, porque nós não estamos reduzindo despesas em qualquer área. O esforço do governo foi em áreas prioritárias, áreas que, na nossa avaliação, implicam em ampliação de oportunidades, implicam em realização do nosso programa de governo. E dos principais compromissos da nossa presidenta Dilma e do nosso governo, esses recursos, em alguns casos, podem estar sendo ampliados, como foi o caso do Bolsa Família, que teve ampliação, para 2011, de R$ 2,1 bilhões. No caso da Bahia, o nosso governador Jaques Wagner fez questão, na terça-feira, de valorizar o que esses recursos, na Bahia, representam. São recursos expressivos, R$ 160 milhões por mês. Esses R$ 160 milhões que vão para essas famílias, eles retornam para a economia baiana em aumento do PIB baiano, como eu disse, em quase 1,5%, portanto gerando emprego, gerando oportunidades. E, no caso do Bolsa Família, nós estamos em um esforço grande de casar essas oportunidades. A Bahia é um dos estados onde a gente tem um conjunto de obras importantes, um conjunto de ações do governo federal e das nossas estatais absolutamente relevantes, como é o caso dos investimentos que nós estamos fazendo em biodiesel, que casa parcela do Bolsa Família, parcela da população pobre rural com um projeto de desenvolvimento regional, com sustentabilidade econômica e com sustentabilidade ambiental, já que a gente está investindo em um combustível limpo, como é o biodiesel. E a Bahia é um dos estados que mais nos garante essa sinergia e essa articulação. Portanto, eu acho que não há contradição nenhuma entre o anúncio do reajuste do Bolsa Família - mais do que reajuste, da ampliação dos recursos do Bolsa - e dessa consolidação fiscal que foi anunciada na segunda-feira.
APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Armando Mariani, você tem outra pergunta?
REPÓRTER ARMANDO MARIANI (Rádio Sociedade / Salvador - BA): Ministra, a senhora falou, há pouco, sobre o número pequeno de fraudes, felizmente, número pequeno. Mas a pergunta que eu faço é o seguinte: o cidadão que frauda o Bolsa Família, comprovadamente ele fraudou, o governo corre atrás para pegar o dinheiro de volta, ou não?
MINISTRA TEREZA CAMPELLO: Olha, são vários tipos de medidas. Em alguns casos... A gente está encaminhando cada uma dessas situações para o Tribunal de Contas da União, porque depende de quem promoveu a fraude. Em algumas situações, não necessariamente é a família. Então, qual é a medida, qual é a punição, não só envolve buscar esses recursos como pode envolver medidas judiciais importantes, porque, dependendo, envolve falsidade... Quer dizer, depende do tipo de crime, se é falsidade ideológica... Porque fazer uma declaração, ao setor público, incorreta é crime. Qual é o tipo de punição, depende exatamente de que tipo de medida nós estamos falando, de qual é o tipo do agente e quem foi o responsável, porque, às vezes, a pessoa foi induzida a erro por um próprio gestor público. Então, esse tipo de avaliação... A gente faz esse cruzamento, como eu disse, cruzando vários cadastros. Nós vamos a campo... Verificando que existem indícios de problema, nós vamos a campo, identificamos essa família, verificamos o que foi que aconteceu e, caso a caso, se tomam medidas, porque nós não podemos tomar medidas, aqui de Brasília, imaginando que todo mundo está agindo de má-fé. Agora, o que eu acho que é importante, Armando, verificar, é assim. Primeiro, você viu o percentual bastante reduzido para um programa que é o maior programa de transferência de renda do mundo, e, portanto, eu acho que o que a gente tem que valorizar é o nível de sucesso que a gente tem conseguido obter. Todas as pesquisas mostram, ao contrário do que se dizia lá em 2004, quando o programa foi montado, todos os indícios mostram que essas famílias gastam esse recurso e gastam bem, e que o conjunto da sociedade tem se valorizado com ações como essas. Então, na verdade, eu acho que o que a gente tem que valorizar é o índice de sucesso e o baixíssimo percentual de erro que nós temos. E, de fraude, é insignificante. E tem um nível de erro que nós estamos buscando ajustar, inclusive para poder incluir mais famílias e, inclusive, para aumentar. Quanto mais correto estiver o cadastro, melhor para todo mundo, porque nós vamos ter mais foco nas famílias pobres, que são as famílias com mais filhos e, portanto, são as famílias que mais foram beneficiadas com esse anúncio da nossa presidenta, na terça-feira, e mais famílias vão poder estar recebendo o recurso também.
APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Ministra, vamos, agora, a Goiânia, em Goiás, conversar com a Rádio 730 AM, de Goiânia. Samoel Straioto, bom dia.
REPÓRTER SAMOEL STRAIOTO (Rádio 730 AM / Goiânia - GO): Bom dia, Kátia. Bom dia, ministra Tereza Campello. Ministra, eu gostaria de saber da senhora que avaliação que a senhora faz da atualização cadastral do programa Bolsa Família, e como está a ampliação desse programa aqui no estado de Goiás.
MINISTRA TEREZA CAMPELLO: Bom dia, Goiânia. Bom dia, Rádio 730. Bom dia, Samoel. Estou vendo que as grandes preocupações envolvem o cadastro. Para nós, é uma notícia muito boa, porque significa que existe uma preocupação grande de vocês em estar nos apoiando, fortalecendo que esse cadastro seja ainda mais aperfeiçoado. No caso de Goiás... Deixa eu pegar meus dados aqui. Nós temos 326 mil famílias dentro do Bolsa Família. No caso de Goiânia, especial, são 29 mil famílias recebendo o Bolsa Família. São R$ 29 milhões por mês. Portanto, recursos bastante importantes: R$ 2,4 milhões em Goiânia e R$ 24 milhões no estado. Este ano, estão sendo chamadas, para atualização, 24 mil famílias. Portanto, das 326 mil famílias do estado, 24 mil famílias, no estado de Goiás, devem comparecer aos municípios, fazendo suas atualizações. Nós tivemos um cancelamento... Está previsto um cancelamento, fruto de atualizações que foram feitas em 2010, de 6.405 famílias. Isso envolve várias situações, desde famílias que estão saindo do cadastro porque não fizeram a atualização... Não necessariamente isso significa erro ou fraude. Tem gente que mudou de endereço, não comunicou o gestor municipal, por exemplo, não foi atualizar as suas informações, e nós somos obrigados a fazer uma chamada informando-as que nós vamos cancelar. Se essas famílias nos procurarem, elas voltam para o cadastro. Então, muitas vezes, esses cancelamentos são fruto de dificuldade de atualização. Pode ser um problema da família, pode ser um problema do gestor municipal. Portanto, é muito importante que essas famílias procurarem... Essas famílias que serão fruto dessa revisão, procurem o estado. Para as que estão sendo chamadas esse ano, os cancelamentos acontecessem a partir de outubro. Então, não é: você é chamada para atualizar o seu cadastro e, se não atualizar esse mês, vai ter cancelado o Bolsa Família. Nós vamos tentar investigar o que aconteceu, buscar informações, e só a partir daí é que nós tomamos medidas para preservar o interesse público. Isso não significa que houve fraude. Muitas vezes, essa família está com algum tipo de problema que a gente não conseguiu localizar. Muitas vezes, ela, de fato, já saiu da situação de pobreza, extrema pobreza, portanto não precisa mais do benefício. Então, para nós, é muito importante estar fazendo essa atualização.
APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Samoel, você tem outra pergunta? Samoel, da Rádio de Goiânia, 730 AM, você tem mais uma pergunta?
REPÓRTER SAMOEL STRAIOTO (Rádio 730 AM / Goiânia - GO): Sim. Ministra, eu gostaria de saber da senhora quanto à aquisição de alimentos. Como está o desenvolvimento desse programa, principalmente a respeito da aquisição de alimentos da agricultura familiar? Como está isso em nível nacional e também aqui no estado de Goiás?
MINISTRA TEREZA CAMPELLO: O Programa de Aquisição de Alimentos é um dos programas, na área rural, mais bem-sucedidos, implantados no governo do presidente Lula. Nós temos uma preocupação... E é um dos eixos fundamentais, da nossa gestão, fortalecer o Programa de Aquisição de Alimentos, conhecido como PAA. Ele é um programa que conseguiu juntar duas grandes frentes. Por um lado, nós estamos adquirindo... O setor público é um dos grandes compradores de alimentos no Brasil. Isso já era assim. Nós compramos alimentos para montar estoque, nós compramos alimentos... Estoques estratégicos, para quando faltar milho, para quando faltar arroz, para quando faltar feijão por conta ou de seca ou de aumento de preço, o governo federal poder atuar. Nós compramos alimentos para escolas, para hospitais. O setor público, em geral, falando de governo federal, estados, municípios. Compramos alimentos para populações em situação de calamidade, cestas básicas, portanto o setor público é um dos grandes compradores de alimentos no Brasil. Só que esta compra de alimentos não tinha um olhar... Primeiro, ela não era feita de forma organizada e planejada; segundo, ela não se preocupava de quem está comprando. Com o Programa de Aquisição de Alimentos, nós conseguimos, na verdade... Eu falei juntar duas coisas, mas nós estamos conseguindo atingir três objetivos. De um lado, nós estamos comprando alimentos principalmente da agricultura familiar, portanto garantindo que uma parcela da população, no campo, envolvendo população pobre, no campo, ou uma população que precisa estar sendo apoiada para poder melhorar a sua condição de vida, ela possa ser a principal ofertante desses produtos. Portanto, o Programa de Aquisição de Alimentos compra produtos da agricultura familiar. Esses produtos são, caracterizadamente, melhores para a comunidade regional. Por quê? Porque eles são produzidos na própria região. Então, quando a gente compra um produto da agricultura familiar naquela região, ele chega mais fresco, ele chega em melhores condições para as escolas, para as creches, para os hospitais, para a cesta básica. Portanto, melhora, de um lado, a qualidade desses alimentos, porque nós estamos comprando produtos de melhor qualidade e produtos frescos; por outro lado, melhora a economia local. Eu deixo de comprar... Às vezes, se comprava, no Brasil... Farinha, que tem no Nordeste, se comprava no sul do país e se transferia para o Nordeste com um custo altíssimo, desvalorizando um produto local. Agora, não. Agora, nós compramos milho, farinha, feijão da própria região e disponibilizamos para a região. Portanto, nós juntamos a comunidade que está precisando de alimentos com a comunidade que está fornecendo. Com isso, valoriza a economia local, valoriza o produto, e a gente tem tido um resultado, do ponto de vista de segurança alimentar, melhorando a qualidade dos alimentos e, portanto, melhorando a situação de alimentação da nossa população de forma espetacular. O programa cresceu muito. Nós, hoje, no caso do PAA, nós pretendemos gastar, esse ano, em torno de R$ 640 milhões. E é um compromisso da presidenta Dilma fortalecer, ainda mais, e chegar em 2014 com um gasto de em torno de R$ 2 bilhões. Então, esta ação vai ser uma ação fundamental. E ela é uma das ações fundamentais de inclusão produtiva. Por quê? Porque uma parcela da população pobre, no campo, está, via Programa de Aquisição de Alimentos, que é uma ação que envolve o Ministério de Desenvolvimento Social, envolve o Ministério do Desenvolvimento Agrário e envolve a Conab, nós estamos, com isso, viabilizando que grande parte dessa população rural melhore de vida e, portanto, saia da situação de pobreza e de extrema pobreza.
APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Ministra, vamos, agora, a Recife, em Pernambuco, conversar com a Rádio CBN. Jofre Melo, bom dia.
REPÓRTER JOFRE MELO (Rádio CBN / Recife - PE): Bom dia, Kátia. Bom dia, ministra Tereza Campello. Ministra, o assunto que eu queria conversar com a senhora é sobre os restaurantes populares. Aqui em Recife, nós tínhamos um restaurante popular que prestava um grande serviço. Hoje, ele já não funciona tão bem. A gente... A população de Recife anseia por investimentos nessa área, porque acreditamos que seja um investimento de, digamos assim, um custo mais reduzido do que um grande programa, e uma coisa simplificada. Eu vi aqui que, segundo informações passadas do Ministério, há um investimento programado de R$ 11 milhões para restaurantes populares. Esse investimento vai ser feito em todo o Brasil?
MINISTRA TEREZA CAMPELLO: Bom dia, Jofre. Bom dia, ouvintes da Rádio CBN. Bom dia, população do Recife. Para mim, em especial, é um prazer estar falando para a população do Recife. Eu passei dez anos da minha vida morando no Recife. A minha família é toda daí, a família do meu pai, e eu me orgulho muito de ter morado aí, gosto muito do Recife e tenho as melhores lembranças da minha infância daí. Jofre, restaurantes populares é uma ação que envolve, principalmente... Que envolve, fundamentalmente, cidades acima de 100 mil habitantes. O governo federal opera junto com municípios. Nós investimos, principalmente, na construção de restaurantes e na oferta dos equipamentos para esses restaurantes, mas eles são equipamentos operados e geridos pelo município. Portanto, é uma parceria do governo federal com o município. Nós vamos verificar por que, na tua avaliação... Depois, é importante saber por que ele não está funcionando tão bem. Nos interessa que ele funcione bem. Ele é uma das alternativas de oferta de alimentos baratos, de qualidade, para essa população pobre nos grandes centros urbanos. O município tem que entrar nos nossos sites e se cadastrar. A forma de receber os recursos é apresentar um projeto. Esses primeiros recursos já estão disponíveis, os editais já estão na rua e os municípios têm que se cadastrar até o dia 13 de abril.
APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Você tem outra pergunta, Jofre?
REPÓRTER JOFRE MELO (Rádio CBN / Recife - PE): Sim. Ministra, rapidamente, eu queria questionar a senhora também sobre a questão do Bolsa Família. Eu ouvi colegas falando com a senhora sobre a questão de punição, o que o governo faz com os desvios desse programa, se corre atrás, a senhora falava sobre isso agora há pouco. A minha pergunta é: como evitar esses desvios? Que artifícios o governo tem utilizado para manter uma fiscalização desse programa?
MINISTRA TEREZA CAMPELLO: Como eu te disse, nós estamos, permanentemente, fazendo auditorias. Essas auditorias podem parecer pequenas, mas, por exemplo, o cruzamento... Como você tem indícios de que houve uma fraude? Você não tem como ir atrás dessas 50 milhões de pessoas mensalmente, e nem teria sentido, e o custo para fazer isso seria altíssimo. Então, nós estamos fazendo um serviço de inteligência, cruzando, anualmente, o cadastro eleitoral, por exemplo. Todos os vereadores, todos os familiares de vereadores foram cruzados com o cadastro do Bolsa Família. Nós cruzamos todo o cadastro da Previdência, nós cruzamos cadastro do RENAVAM, nós cruzamos o cadastro do Ministério do Trabalho e Emprego. Por quê? Porque tem famílias que têm carteira de trabalho assinada e, não necessariamente, isso é uma fraude. Tem alguém que recebe um salário e sustenta, com esse salário regular, sete, oito pessoas. Portanto, você divide um salário mínimo por sete, oito pessoas, essa família entra nos critérios do Bolsa Família. Mas são indícios, e, em cima desses levantamentos, é que nós vamos atrás dessas pessoas. Agora, eu acho, gente, que nós temos tido... Como eu disse, o cadastro do Bolsa Família é reconhecido como o melhor cadastro do mundo. Então, o índice de fraude é muito pequeno. E nós estamos fazendo esse trabalho e nós temos muita segurança com relação a essa atualização. E, esse ano, vamos ter mais um milhão e trezentas mil atualizações. No caso de Pernambuco, para vocês terem uma ideia, são chamadas, para atualização em 2011, 107 mil famílias. No Recife, 26 mil famílias devem comparecer ao gestor municipal para atualizar seus dados. Com isso, a gente já vai melhorar informações. Outra coisa que é muito importante colocar, que eu não tinha tido oportunidade ainda, é que o cadastro único vai ser a principal base para... A principal ferramenta para as demais ações, não do Bolsa Família, para as demais ações do Plano de Erradicação de Extrema Pobreza. Portanto, estar com o cadastro atualizado vai implicar em garantir que a gente possa estar ofertando os cursos de qualificação, melhorando a condição de emprego, tentando localizar essas famílias, tentando entender as suas carências. Portanto, para além da questão do Bolsa Família, atualizar o cadastro é, agora, também uma condição de busca dessas ações complementares que estarão compondo o Plano de Erradicação de Extrema Pobreza.
APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Ministra, vamos, agora, conversar com a Rádio Verdes Mares, de Fortaleza, no Ceará. A pergunta é de Nilton Sales.
Bom dia, Nilton.
REPÓRTER NILTON SALES (Rádio Verdes Mares / Fortaleza - CE): Bom dia, Kátia. Bom dia, Ministra Tereza Campello. Eu ainda vou ficar no Programa Bolsa Família. Eu pergunto: a pessoa que foi punida com um afastamento, qual é o tempo que ela leva para retornar ao programa?
MINISTRA TEREZA CAMPELLO: Depende do que nós estamos tratando. Se é fraude, ela não tem direito, ela não vai voltar nunca mais, certo? Agora, se a família, ela perdeu... Esse tipo de pergunta, nós temos que fazer uma avaliação caso a caso. Portanto, o mais importante é as pessoas entenderem o que têm que fazer para não sair. Esse cancelamento, se foi um cancelamento por falta de atualização, essa pessoa tem que buscar... E ela continua tendo direito, ela tem que buscar o gestor municipal e tentar se regularizar, certo? E aí, vai depender do tipo de situação e do que está acontecendo, porque tem municípios que já estão batendo no teto. Tem município que ainda tem direito, muita gente teria direito a entrar no Bolsa Família e ainda não... O município não conseguiu nem cumprir sua cota. Portanto, vai depender muito da situação, Nilton. Nem cumprimentei vocês. Bom dia, ouvintes da Rádio Verdes Mares. Bom dia, Nilton. Mas é importante que a gente não crie um ambiente de que essas pessoas se apavorem, achando que estão sendo desligadas do programa e que não vão poder ter mais acesso. Essas pessoas estão sendo notificadas... No caso, por exemplo, do Ceará, são 17 mil famílias que estão sendo chamadas para a atualização, esse ano. Não são chamadas inicialmente. Nós estamos fazendo um levantamento, parte das famílias vão estar sendo chamada agora, em março, parte em abril e assim por diante. E o desligamento acontece somente a partir de outubro. Portanto, nosso principal apelo não é só por conta do desligamento, como eu falei. A atualização cadastral vai permitir que a gente entenda quais são os problemas que essas famílias enfrentam. O problema é o quê? O problema é de falta de qualificação profissional? Bom, se essa família mora perto de uma obra do PAC, nós vamos ter a oportunidade de tentar incluí-la na mão de obra que vai estar construindo essas obras. No Programa Minha Casa, Minha Vida, por exemplo, nós temos conseguido incluir milhares de famílias, inclusive mulheres, à medida que a gente conhece a situação, conhece como dar um tratamento, faz um curso de qualificação e inclui essa população, mulheres e homens, em oportunidades que estão sendo geradas. Eu dei o exemplo de obras do PAC, mas nós temos um conjunto de indústrias sendo construídas no Brasil, os empresários precisam de mão de obra qualificada, nós estamos tentando fazer esse esforço. Portanto, atualizar seu cadastro não só pode ser uma oportunidade de melhorar a sua situação, mantendo o recebimento do Bolsa Família, mas talvez seja uma condição de melhorar, também, uma oportunidade de conseguir um emprego melhor, conseguir uma qualificação, conseguir se capacitar, conseguir ter acesso a uma escola melhor, acesso, por exemplo, aos medicamentos para hipertensão e diabetes. Nós estamos organizando para que o conjunto das ações do setor público envolvendo saúde, educação, elas possam estar se voltando para esta população. Portanto, ter seu cadastro atualizado nos ajuda, ajuda o setor público a melhorar a forma de incluir essa família do ponto de vista social e do ponto de vista econômico.
APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Ministra, vamos, agora, a São Paulo, à Rádio Eldorado, de São Paulo. Nicole Briones, bom dia.
REPÓRTER NICOLE BRIONES (Rádio Eldorado / São Paulo - SP): Bom dia, Kátia. Bom dia, Ministra. A minha pergunta é ainda sobre a reflexão, agora, da Ministra: os dados cadastrais, então, do Bolsa Família, eles podem ser utilizados, aí, para direcionar a família, os membros das família para o mercado de trabalho, então, em programas do governo. Como funciona, assim? Porque há uma carência de mão de obra, hoje, no Brasil, não é? E qual é o percentual, aí, dos já empregados por esse sistema?
MINISTRA TEREZA CAMPELLO: Olha, nós estamos fazendo um trabalho, que é um trabalho que começou recentemente com o Programa Próximos Passos, que é um programa que foi lançado e que teve suas ações principalmente implementadas em 2010, e que vem sendo melhorado e qualificado no próximo período. As ações de qualificação profissional e capacitação dessa população serão ações centrais nessa agenda de inclusão produtiva que nós estamos ainda em fase de organização, mas já existe um esforço muito grande do governo federal de garantir, junto às obras do PAC, em especial, que são as obras que a gente tem tentado se dedicar, que as empresas concessionárias que estão executando essas obras incluam, principalmente, as famílias do Bolsa Família como famílias que vão trabalhar nessas obras. Nós temos tido experiências fantásticas, como... Eu vou citar um caso de Osasco, que eu acho que é um caso exemplar. Osasco tem feito, em parceria com o governo federal, um trabalho maravilhoso, certo? Ele faz o quê? Ele pega as famílias do Bolsa Família do próprio local onde vão estar sendo construídas as obras, qualifica essas famílias, entende qual é o perfil, tem incluído milhares de mulheres e tem tido um índice de desempenho de famílias do Bolsa Família trabalhando nas obras do PAC do próprio local. Isso evita um conjunto de problemas, não só porque a gente melhora a situação dessas famílias que, hoje, são as famílias que a gente quer empregar, como você evita que se desloquem trabalhadores de outras regiões e que vão para essas obras. Então, ocupando a própria população local, você evita que o canteiro de obras seja um canteiro mais complicado. Agora, eu chamo atenção que, no estado de São Paulo, nós temos, para uma população, para a população do estado de São Paulo, um índice de cadastramento ainda muito baixo. É muito importante que os gestores municipais façam um esforço, porque nós ainda temos, no caso de São Paulo, oportunidade de ampliar o cadastro único e, portanto, conhecer as famílias pobres e extremamente pobres de São Paulo. Nós temos, hoje, no Bolsa Família, 1 milhão e 193 mil famílias em todo o estado. Percebam que o percentual é bastante baixo se comparado proporcionalmente à população, mas nós já estamos fazendo um trabalho de melhorar este estado e, no caso de São Paulo, nós temos tido várias experiências. Agora, no dia 28 de março, por exemplo, nós vamos ter uma agenda de conclusão do curso de qualificação, principalmente de mulheres trabalhadoras na área de qualificação e inclusão produtiva, que são, a maioria, do Bolsa Família, que foram buscadas no cadastro único. Portanto, nós fizemos uma ação de qualificação na área de construção civil, voltada às obras de construção civil que nós estamos executando no estado de São Paulo. E nós vamos formar centenas de trabalhadoras, vai ser um ato muito bonito, porque ele vai, ao mesmo tempo, comemorar a formatura dessas mulheres trabalhadoras, vai ser um momento para a gente afirmar que as mulheres também podem trabalhar na área de construção civil. E nós temos tido resultados muito bons, porque as mulheres têm se mostrado muito eficientes no seu trabalho, inclusive, em várias áreas, mais eficientes que os homens; por exemplo, na área de detalhes de gesso, azulejos. Então, tem um conjunto de ações muito importante que a gente tem conseguido executar e essa comemoração também vai fazer parte de uma das ações de comemoração do mês das mulheres, e vai ser em São Paulo.
APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Ministra Tereza Campello, vamos conversar, agora, com a Rádio Gaúcha, de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. Leandro Staudt, bom dia.
REPÓRTER LEANDRO STAUDT (Rádio Gaúcha / Porto Alegre - RS): Bom dia. Bom dia, Ministra. A gente sabe que o programa atingiu uma meta importante, são em torno de 14 milhões de famílias beneficiadas em todo o Brasil, e, de tempos em tempos, o Ministério divulga a exclusão de famílias, geralmente por problemas cadastrais, não vão na prefeitura para fazer a atualização. A minha pergunta é em relação à saída de famílias pelo lado positivo, ou seja, famílias que conseguiram, efetivamente, melhorar a renda, têm uma renda maior e conseguem deixar de receber esta verba mensal através de uma ajuda inicial, que foi a do Bolsa Família. Qual é a taxa, hoje, dentro do programa, de famílias que conseguem sair de forma positiva do Bolsa Família e qual é a meta do governo?
MINISTRA TEREZA CAMPELLO: Bom dia, Rádio Gaúcha. Bom dia, Leandro. É um prazer estar falando com vocês. Falei com a Rádio Gaúcha ontem, inclusive, pela manhã. Olha só, nós temos, como você disse, um índice de saída do Bolsa Família que tem a ver com o cadastro e tem algumas famílias que, de fato, têm inclusão produtiva. As pessoas acham que o Bolsa Família é uma ajuda que substitui a renda das famílias. Isso não é verdade. Em média, o Bolsa Família dá para as famílias em torno de R$ 96,00... Dava em torno de R$ 96,00. Esse valor, hoje, é de R$ 115,00. Portanto, nós estamos falando de uma renda complementar, nós não estamos falando de substituição de renda, não equivale a uma renda de aposentadoria e a um salário mínimo. As pessoas que recebem essa renda, elas têm uma ajuda para aliviar a pobreza e para evitar que as crianças tenham uma situação de desnutrição - nós temos tido resultados importantíssimos nessa área. O benefício do Bolsa Família, ele não é suficiente para resolver a vida das pessoas, infelizmente. Então, nós estamos... Porque, senão, a gente fica... Parece que a gente está gastando muito com o Bolsa Família. Não é nossa avaliação. Nós gastamos, hoje, 0,4% com o Bolsa Família. Talvez seja um dos programas mais baratos, dada a eficiência do programa. Nós reduzimos a evasão escolar... É um programa fantástico com relação à desnutrição, as famílias do Bolsa Família são as famílias que tiveram a menor (sic) redução do índice de desnutrição infantil, portanto não interessa que isso piore de novo. Nós tivemos os melhores resultados com relação a crianças em sala de aula. As crianças que recebem o Bolsa Família estão mais em sala de aula comparado com os outros; que teve um redução de 36% das crianças... É como pegar crianças que não recebem Bolsa Família e crianças de família que recebem o Bolsa Família, as nossas... As que não recebem estão 36% mais fora de sala de aula. Com relação a ensino médio, que é um problema, a evasão de alunos do ensino médio é a metade. Isso é um ganho do Bolsa Família. E a grande preocupação da sociedade é como tirar as pessoas do Bolsa Família, que é um programa barato e que só traz benefício. Então, eu queria dizer o seguinte: a nossa preocupação é incluir essas famílias do ponto de vista social e incluir elas do ponto de vista produtivo. A família conseguir ter uma inclusão produtiva não necessariamente significa que ela vá sair do Bolsa Família. Depende do nível de emprego que ela vai conseguir. Se for uma família pobre, numerosa, e o conceito de família do Bolsa Família é o conceito real do que é uma família no Brasil. Às vezes, envolve avó, a mãe com vários filhos e cuidando de sobrinhos. Se ela conseguir um emprego com salário mínimo, ela não consegue sustentar essa família, e ela continua, ainda, recebendo o Bolsa Família. Portanto, a grande preocupação de inclusão social e produtiva envolve garantir que essas famílias possam melhorar de vida.
APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Este é o programa Bom Dia, Ministro. Só localizando para quem ligou o rádio agora, nós estamos com a Ministra Tereza Campello, do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, nesse programa, que é multimídia; estamos no rádio e na televisão. Ministra, vamos, agora, a Maceió, em Alagoas, conversar com a Rádio Jornal 710 AM, de Maceió. Moreyra da Silva, bom dia.
REPÓRTER MOREYRA DA SILVA (Rádio Jornal 710 AM / Maceió - AL): Bom dia, Kátia. Bom dia, Ministra Tereza Campello.
MINISTRA TEREZA CAMPELLO: Bom dia.
REPÓRTER MOREYRA DA SILVA (Rádio Jornal 710 AM / Maceió - AL): Ministra, primeiro, receba o abraço fraterno do povo de Alagoas, que tem uma admiração muito grande pela senhora. A nossa preocupação, Ministra, em Alagoas, é em relação a esse êxodo rural; famílias que saem do interior do estado, que buscam a capital, procurando uma melhora de vida e aqui encontram a fome, o desespero, a criminalidade e a prostituição. Isso pode ser o calcanhar de Aquiles do seu Ministério, Ministra?
MINISTRA TEREZA CAMPELLO: Bom dia, Rádio Jornal 710 AM. Bom dia, Moreyra. Bom dia, ouvintes da rádio. Sua pergunta é bastante importante, porque nós temos... No Bolsa Família, a grande maioria da população do Bolsa Família, 50%, está no Nordeste; e a grande maioria da população extremamente pobre está no campo. Nós temos uma preocupação enorme com relação a isso, não só com relação a evitar que essas famílias vão para a cidade. Na verdade, essa é a questão menor. A grande oportunidade dessas famílias, hoje, está no campo. O campo brasileiro cresceu, tem crescido e se desenvolvido muito. Nós queremos fortalecer ações, e uma das ações centrais do Plano de Erradicação de Extrema Pobreza, nós já tivemos conversando com o governo do estado, com nosso Secretario de Desenvolvimento de Assistência Social no estado, e uma das grandes preocupações é, de fato, inclusão produtiva e garantir que essas famílias, no interior do Nordeste, possam estar melhorando sua situação de vida. Portanto, isso está no nosso foco de trabalho do próximo período: não só incluir parcela da população do Nordeste que ainda não recebe o Bolsa, como garantir inclusão produtiva para que essas famílias fiquem no campo, possam melhorar sua vida no campo. E é no campo onde a gente tem, hoje, grande parte das oportunidades sendo geradas no país.
APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Ministra Tereza Campello, acabou o nosso tempo. Uma hora foi pouco, não é, Ministra? Precisa voltar.
MINISTRA TEREZA CAMPELLO: Uma hora foi pouco. Estou às ordens.
Estou às ordens.
APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Muito obrigada pela sua participação no nosso programa.
MINISTRA TEREZA CAMPELLO: Obrigada a você, Kátia. Obrigada a todos os ouvintes. E nós estamos à disposição, queremos voltar de novo, sim. Obrigada.
APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Com certeza. Obrigada, Ministra. E a todos que participaram conosco, muito obrigada e até o próximo programa.

 

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