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Arquivos: 03/06/2011 - Transcrição

APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Olá, amigos em todo o Brasil. Eu sou Kátia Sartório e começa agora mais uma edição do programa Bom Dia, Ministro. O programa tem a coordenação e a produção da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, em parceria com a EBC Serviços. Hoje, aqui, nos estúdios da EBC Serviços, a Ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Tereza Campello. Bom dia, Ministra, sem bem-vinda.

MINISTRA TEREZA CAMPELLO: Bom dia. Bom dia, Kátia. Bom dia, ouvintes dessa rede de emissoras. Estamos aqui para falar sobre o Brasil Sem Miséria.

APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Isso mesmo. A Ministra já antecipou a nossa pauta de hoje: o plano de superação da extrema pobreza, Brasil Sem Miséria, que foi lançado ontem e que quer retirar mais de 16 milhões de brasileiros dessa linha da extrema pobreza. A Ministra já está aqui, no estúdio, pronta para conversar com as emissoras que estão na linha, no nosso telefone, participando desse programa que é multimídia; estamos ao vivo no rádio e na televisão. Ministra, já está na linha a Rádio 98 FM, de João Pessoa, na Paraíba, onde está Paulo Neto. Bom dia, Paulo.

REPÓRTER PAULO NETO (Rádio 98 FM / João Pessoa – PB): Bom dia, Kátia. Bom dia, Ministra Tereza Campello. Ministra, eu gostaria de saber da senhora o local, o lugar que ocupa a Paraíba no ranking nacional de extrema pobreza. E quantas pessoas serão beneficiadas com esse plano aqui, no nosso estado?

MINISTRA TEREZA CAMPELLO: Bom dia, Paulo. O Brasil Sem Miséria tem um conjunto de ações para todo o Brasil e, no caso do Nordeste, em especial, nós vamos estar trabalhando tanto com ações voltadas para o que a gente está chamando de ‘busca ativa’; a ‘busca ativa’ é uma nova forma do governo federal estar atuando tanto para ampliar a cobertura da rede de serviços públicos, quanto para garantir que aquelas pessoas que têm direito ao Bolsa-Família, que têm direito a aposentadoria, que têm direito a benefício de prestação continuadas, e ainda não recebem, venham a receber. Eu estou sem esse número aqui, eu prometo que eu passo para vocês na sequência, imediatamente, mas, de qualquer forma, é importante ressaltar que, em especial no caso do Nordeste, nós temos uma cobertura muito boa do Bolsa-Família, bem superior ao resto do país, mas nós estamos nos voltando também para ações muito importantes, porque no Nordeste, nós temos dois problemas específicos; um deles diz respeito à pobreza rural, e o outro diz respeito a acesso à água. Portanto, na Paraíba, além de outras ações envolvendo qualificação profissional, nós vamos ter toda uma ação voltada para a pobreza rural e voltada para ampliar o acesso à água, tanto com cisternas, quanto com sistemas simplificados de água.

APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Paulo Neto, você tem outra pergunta?

REPÓRTER PAULO NETO (Rádio 98 FM / João Pessoa – PB): Não, Kátia, apenas agradecer a você pela oportunidade e parabenizar a Ministra pelo trabalho e desejar a todos um bom dia.

APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Nós é que agradecemos a Paulo Neto, da Rádio 98 FM, de João Pessoa, na Paraíba. Ministra, vamos, agora, conversar com a Rádio Capital AM, de São Paulo, onde está Cid Barboza. Bom dia, Cid.

REPÓRTER CID BARBOZA (Rádio Capital AM / São Paulo – SP): Muito bom dia. Bom dia, Ministra Tereza Campello. Este plano de superação da extrema pobreza, Brasil Sem Miséria, entre as metas pretende qualificar 1 milhão e 700 mil pessoas nas cidades. É uma qualificação de caráter profissional para, também, obtenção de renda. É um número muito grande de pessoas. Já estão definidas as parcerias? Quem vai ministrar os cursos, orientar essas pessoas sobre a qualificação?

MINISTRA TEREZA CAMPELLO: Bom dia, Cid. Bom dia, ouvintes da Rádio Capital. De fato, a meta com relação à qualificação profissional é uma meta altíssima, 1,7 milhão de brasileiros. Nós estamos trabalhando para ampliar e garantir que várias ações do governo federal, em parceria com o Sistema "S" e com outras executoras, ela possa se direcionar para esse público. Hoje, nós temos, no Brasil, uma quantidade enorme de empregos sendo ofertados, ao mesmo tempo a nossa população, tanto do Bola Família, quanto pessoas em extrema pobreza que ainda não alcançaram o Bolsa-Família, precisando de emprego, portanto, essa meta de qualificação vai ser uma meta, na nossa avaliação, muito bem sucedida. Nós precisamos, hoje, de qualificar pessoas para as mais variadas funções, desde construção civil, auxiliar de cozinha... Portanto, nós temos um conjunto de oportunidades, de qualificação dessas pessoas. Nós estamos apostando em ampliar os serviços do próprio Sistema "S", das escolas técnicas federais, das escolas técnicas estaduais, que, em geral, não ofertam cursos para esse perfil de trabalhador. Nós temos, geralmente, cursos mais qualificados, mesmo quando é para a construção civil, para soldador, para outras áreas que exige maior qualificação. Nós estamos, na verdade, redirecionando os nossos cursos para atender a essa população que tem baixa escolaridade, portanto, o nosso esforço também é que esses cursos de qualificação profissional e capacitação também envolvam um reforço escolar.

APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Cid, você tem outra pergunta?

REPÓRTER CID BARBOZA (Rádio Capital AM / São Paulo – SP): Tenho, sim. Bem, Ministra Tereza Campello, então as pessoas que receberam a informação sobre a implantação desse plano de superação da extrema pobreza e têm interesse em participar da qualificação profissional já têm aonde recorrer, já tem a um órgão público? A quem essas pessoas devem procurar?

MINISTRA TEREZA CAMPELLO: Como eu disse ontem, Cid, nós, nas áreas de qualificação, nós vamos organizar toda uma pactuação com municípios. Esses cursos não estão à disposição na segunda-feira. Portanto, é importante que não se divulgue que as pessoas procurem para fazer curso já esse mês. Tem uma questão que eu acho que é bastante relevante, que é o seguinte: que cursos serão ofertados em cada cidade? Dependerá muito da necessidade, portanto, da demanda de pessoal qualificado em cada cidade. No Rio de Janeiro, nós temos um perfil de profissional sendo procurado, diferente, por exemplo, de Marabá, no Pará, diferente de outras cidades no Norte do País ou no Centro-Oeste. Nós não queremos fazer cursos que estejam descasados com a demanda existente em cada local, até porque isso joga para o trabalhador o ônus de não estar encontrando emprego. Então, você faz um curso de camareira, vários cursos de camareira e não tem hotel na cidade. Então, não é isso que nós queremos fazer, nós queremos direcionar os cursos para áreas onde existam, de fato, demanda. Então nós vamos sentar com os municípios, junto com o Sistema "S", junto com federações de indústria, associações comerciais, industriais, em cada cidade, fazer um levantamento e reorganizar a oferta de cursos. Portanto, isso não está disponível na segunda-feira. Queremos estar ofertando esses cursos logo na sequência. Agora, nós estamos trabalhando com um plano que é um plano para erradicar a extrema pobreza em quatro anos, que pretende ser consistente, eficiente e sustentável. Tem ações que são imediatas, que envolvem transferência de renda, e tem ações que são ações de inclusão produtiva, que elas são ações que serão, que devem ser organizadas, e garantir que as pessoas mudem de patamar, não só de renda, mas de bem-estar, ao longo do próximo período.

APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Este é o programa Bom Dia, Ministro. Eu sou Kátia Sartório e estamos, hoje, com a Ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Tereza Campello. Ela conversa com âncoras de emissoras de rádio de todo o País. O assunto de hoje: o Brasil Sem Miséria, que foi lançado ontem. Ministra, agora vamos à Rádio Mirante, em São Luís, do Maranhão, conversar com o Roberto Fernandes. Bom dia, Roberto.

REPÓRTER ROBERTO FERNANDES (Rádio Mirante / São Luis – MA): Bom dia, Kátia. Bom dia, Ministra. Aqui, no Maranhão, nós temos quase que 50% da população ainda no campo, a população rural. E, talvez, com certeza, o maior número de áreas remanescentes de quilombo do país. De que forma o programa de combate à miséria poderia, além da transferência de renda, atender a essas comunidades, principalmente com a inclusão produtiva? De que forma o programa poderia chegar a essas comunidades, Ministra?

MINISTRA TEREZA CAMPELLO: Bom dia, Roberto. Bom dia, ouvintes da Rádio Mirante. O Maranhão é um dos estados que concentra, do ponto de vista proporcional, a pobreza de forma muito impactante. Nós temos, dos 16 milhões de brasileiros em situação de extrema pobreza, 1,7 milhões está no Maranhão. A maioria na área rural, como você mesmo colocou, além da população em comunidades quilombolas, a população rural é uma população muito pobre. No caso do Maranhão, nós estaremos voltando as nossas ações em especial para o campo. Tem algumas ações específicas que eu acho que serão muito importantes para vocês, porque nós estamos organizando todo um conjunto de ações voltadas para a assistência técnica, oferta de sementes, melhoria das condições de apoio a essas comunidades, com distribuição de sementes, com distribuição de... Orientação com tecnologia adequada, que vai ser, que está sendo organizada. No caso das terras quilombolas e das terras indígenas, além de contar com uma rede de assistência técnica que nós vamos estar... que nós estaremos contratando, nós estamos organizando com as universidades e com as escolas técnicas, todo um apoio via extensionistas. É importante destacar que a assistência técnica que nós vamos estar organizando para o campo, ela será uma assistência técnica voltada para as dificuldades que se encontram em cada uma das comunidades. Portanto, nós acreditamos que esta orientação para comunidades quilombolas vai ser a forma, a melhor forma, da gente garantir que essas comunidades melhorem sua situação hoje. A gente vai estar entrando com insumos, com oferta de sementes e com orientação voltada para cada uma dessas localidades.

APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Roberto, você tem outra pergunta?

REPÓRTER ROBERTO FERNANDES (Rádio Mirante / São Luis – MA): Bom, o governo da presidente Dilma, imaginamos que todo esse tipo de programa, você também tenha a capacidade de envolver a sociedade civil organizada e me parece que isso é fundamental para que, de fato, se tenha a efetivação desses programas. Como é que a sociedade civil organizada pode participar e se há um chamamento da sociedade para se envolver num programa tão importante como esse, Ministra.

MINISTRA TEREZA CAMPELLO: Nós estamos organizando, no próximo período, uma ida a todos os estados para fazer essa conversa regionalmente. Eu acho que uma das ações mais... uma das preocupações mais consistentes do programa é que nós não estamos encontrando soluções que são soluções para todo o Brasil. Nós estamos querendo olhar para cada um dos territórios, enxergar os problemas, porque a pobreza no Pará é diferentes da pobreza aí no Maranhão, é diferente da pobreza no Espírito Santo. Portanto, nós não podemos ter soluções que são únicas. A nossa perspectiva é ir conversar com os governos estaduais, nós já estamos fazendo isso no caso do Maranhão, em alguns casos vamos no município, conversar com as prefeituras, e nesta mesa de negociação vamos envolver atores da sociedade civil. Agora, o Brasil Sem Miséria não é uma ação do voluntariado brasileiro e do conjunto das pessoas que já se envolvem com a população pobre, com abrigos, com órfãos. Isso a gente imagina que é importante que continue acontecendo, mas o Brasil Sem Miséria é um esforço do estado brasileiro, entendendo que é dever do estado, antes de mais nada, estar tratando dessa matéria. Nós queremos, sim, que a sociedade civil participe com sugestões, nos fiscalize, garanta que o Bolsa-Família esteja sendo distribuído da forma mais eficiente, nos ajude garantindo que pessoas que recebam o Bolsa-Família e que não deveriam saiam do cadastro e, ao mesmo tempo, nos ajude a identificar pessoas que deveriam estar recebendo o Bolsa-Família e continuam fora do programa. Certamente, no Estado do Maranhão, nós temos um número importante. Agora, nós vamos ao Maranhão fazer essa conversa aí no território e encontrar soluções que sejam soluções adequadas para o estado.

APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Até porque o programa, não é, vocês ouviram representantes de toda a sociedade civil nessa elaboração, não foi isso, Ministra?

MINISTRA TEREZA CAMPELLO: Exatamente, Kátia, obrigado. Ao longo desse último mês, nós fizemos 14 mesas de diálogos envolvendo vários diferentes setores. Sentamos com sindicatos, sentamos com as igrejas, sentamos com as redes sociais, sentamos com os representantes dos empresários. Então, sentamos, estivemos com eles, ouvindo essas várias sugestões. Existe um interesse grande, hoje, no Brasil, todos querem colaborar e, portanto, estamos, também a nível nacional, ouvindo essas sugestões e organizando essa forma de participação.

APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Esse é o programa Bom dia, Ministro. A nossa convidada de hoje é a Ministra Tereza Campello, do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. Ela responde a perguntas de âncoras de emissoras de rádio de todo o país. Lembrando que o sinal dessa entrevista está no satélite, no mesmo canal da Voz do Brasil. Ministra, vamos, agora, a Minas Gerais, Belo Horizonte, Rádio Inconfidência. Júlio Baranda, bom dia.

REPÓRTER JÚLIO BARANDA (Rádio Inconfidência / Belo Horizonte – MG): Muito bom dia, Kátia. Bom dia, Ministra. Ministra, no início deste ano, o governo de Minas lançou um programa chamado Porta a Porta, que é semelhante a esse que o governo federal está lançando agora. E já alcançou, em poucos meses aí, a marca de 70 mil domicílios visitados em 44 municípios. E o programa tem o objetivo de identificar pessoas carentes para incluí-las em programas sociais também. A meta aqui é, até o final deste ano, pelo menos, um total de 100 municípios mineiros. Existe aí uma afinidade entre esses dois programas, do governo de Minas e do governo federal, e qual é a visão deste plano do governo federal para Minas Gerais?

MINISTRA TEREZA CAMPELLO: Bom dia, Julio. De fato, nós estamos com uma parceria importante com o governo do estado de Minas Gerais. Minas também concentra uma população... Apesar de ser um estado, em média, com um número de pobres menor do que o resto do Brasil, em algumas regiões, a gente tem uma concentração de população extremamente pobre grande, como é o caso do norte de Minas. Nós estamos conversando com o governador Anastasia e com a sua equipe. Ao longo desse último período, tivemos aproximando as nossas ações. O Porta a Porta e as informações que ele já recolheu, para nós, será uma matéria importante para que a gente também inclua essas famílias na rede de programas federais. E nós temos uma parceria, e a nossa ação vai ser uma ação bastante interligada.

APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Você tem outra pergunta, Júlio?

REPÓRTER JÚLIO BARANDA (Rádio Inconfidência / Belo Horizonte  MG): Sim. Em Minas Gerais, em termos de números, Ministra, como que está a situação?

MINISTRA TEREZA CAMPELLO: Olha só, nós temos... Em Minas, dos 16 milhões de brasileiros, 909 mil, quase um milhão, portanto, estão em Minas Gerais. Desses, 400 mil no campo, 500 mil na cidade.

APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Obrigada, então, a Júlio Baranda, da Rádio Inconfidência. Ministra, vamos, agora, conversar com a Rádio Gaúcha, de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. Leandro Staudt, bom dia.

REPÓRTER LEANDRO STAUDT (Rádio Gaúcha / Porto Alegre – RS): Bom dia, Kátia. Bom dia, Ministra. O Rio Grande do Sul, em relação aos 16 milhões de pessoas na extrema pobreza, no Brasil, tem uma relação, relativamente, confortável, mas, mesmo assim, são 300 mil gaúchos que vivem na miséria. De que forma o governo vai conseguir chegar, exatamente, a estas pessoas, identificar e garantir que são essas as pessoas que estão precisando dessa ajuda para sair dessa situação?

MINISTRA TEREZA CAMPELLO: Bom dia, Leandro. Bom dia, ouvintes da Rádio Gaúcha. É um prazer estar falando no Rio Grande do Sul. Eu morava aí, tenho uma afinidade muito grande com o estado. De fato, o Rio Grande do Sul, proporcionalmente, tem um número de pessoas em situação de extrema pobreza bem menor, mas o nosso programa é um programa nacional. Nós estamos nos voltando para todo o país. Queremos enfrentar essa questão em todos os lugares. No Rio Grande do Sul, estamos conversando com o governo do nosso governador Tarso Genro, tanto com o chefe da Casa Civil quanto com o nosso secretário de Assistência Social. O trabalho, na verdade, no Rio Grande do Sul, já começou. O nosso secretário, o Lara, já fez reunião com todos os secretários estudais... todos os secretários municipais de assistência, organizando ações, como, por exemplo, melhorar o desempenho do Programa Bolsa-Família no estado do Rio Grande do Sul. O Rio Grande do Sul é um dos estados com um dos piores desempenhos que nós temos, no caso do Bolsa-Família. Portanto, uma parte dessa população, desses 300 mil brasileiros e gaúchos, em situação de extrema pobreza, poderia estar recebendo o Bolsa-Família e ainda não está. Portanto, eu acho que uma das ações principais no estado, que podem, imediatamente, ser trabalhada é a busca ativa, que já vem sendo desenvolvida em parceria com o nosso secretário.

APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Leandro, você tem outra pergunta?

REPÓRTER LEANDRO STAUDT (Rádio Gaúcha / Porto Alegre – RS): Tenho. Com as prefeituras... Então, as prefeituras serão fundamentais na identificação dessas pessoas?

MINISTRA TEREZA CAMPELLO: Exatamente. Várias prefeituras têm um desempenho bem abaixo da média; portanto, existe um espaço no Bolsa-Família, nesses municípios, para que as pessoas possam estar recebendo o Bolsa-Família, e elas não estão, porque isso não foi organizado pelas prefeituras. Então, esse é o trabalho que o secretário Lara está fazendo, um chamamento, junto com o governo federal, para que a gente melhore a entrada dessas famílias imediatamente no Bolsa-Família. Também, no caso do Rio Grande do Sul, nós temos uma ação importante, envolvendo ações no campo, né? O trabalho com agricultura familiar, no estado, é um trabalho muito rico no governo federal. Nós temos o Programa de Aquisição de Alimentos, nós temos um conjunto de ações que nós pretendemos melhorar. Mas, imediatamente, no caso do Rio Grande do Sul, na nossa avaliação, a primeira ação que nós temos que desencadear é de oferta de transferência de renda, através do Bolsa-Família. Também, no estado, nós vamos estar organizando um conjunto de ações de qualificação profissional nos municípios e, em especial, na região metropolitana.

APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Este é o programa Bom dia, Ministro. Eu sou Kátia Sartório. Estamos, hoje, com a Ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Tereza Campello. Ela conversa com emissoras de rádio de todo o país. Lembrando que o áudio dessa entrevista vai estar disponível, ainda hoje, pela manhã, na internet, na página da Secretaria de Imprensa da Presidência da República. Anote o endereço: www.imprensa.planalto.gov.br. Ministra, vamos agora à Bahia, conversar com Armando Mariani, da rádio Sociedade, da Bahia. Bom dia, Armando.

REPÓRTER ARMANDO MARIANI (Rádio Sociedade / Salvador – BA): Bom dia, Kátia; bom dia, Ministra. Com essa proposta Brasil sem Miséria, lançada pela presidenta Dilma, o aumento do número de beneficiários, de filhos, de três para cinco. A pergunta é: quem já está cadastrado e pode colocar mais dois filhos, tem que fazer um novo cadastro ou apenas apresentar os documentos para a inclusão de mais dois?

MINISTRA TEREZA CAMPELLO: Não. Armando... Bom dia, Armando. Bom dia, ouvintes da Rádio Sociedade. É muito importante essa pergunta, em especial para a Bahia, que é um dos estados que congrega, aí, que recebe o maior número de pessoas... que tem o maior número de pessoas com Bolsa-Família e, ao mesmo tempo, com o maior número de pessoas em situação de extrema pobreza. A Bahia, infelizmente, tem, do ponto de vista de números absolutos, o maior número de pessoas em situação de extrema pobreza no Brasil. Dos 16 milhões de brasileiros, 2,4 milhões estão na Bahia. Ninguém precisa... Quem já está no Bolsa-Família, tem mais do que três filhos e tem direito a receber mais Bolsa-Família, não precisa fazer novo cadastro, não precisa fazer nada. Nós já temos essas informações, e o Bolsa-Família vai ser ampliado para essas famílias. A única coisa que nós vamos precisar fazer é um conjunto de modificações do ponto de vista de sistema, mas as pessoas não precisam tomar nenhuma providência, exceto aquelas que estejam com cadastro em fase final de atualização. Nós estamos, ao longo de 2011, fazendo toda uma revisão cadastral, e mais de 1 milhão de pessoas têm que fazer revisão cadastral. Portanto, fazemos um apelo para que, em todo o Brasil, as pessoas façam a sua atualização, porque, senão, o benefício cessará, e aí não para os três filhos, mas para todos. Portanto, só tem que tomar alguma atitude aqueles beneficiários do Bolsa-Família que precisam atualizar seu cadastro em 2011. Os demais não precisam tomar nenhuma providência, e isso acontecerá automaticamente. Mas não acontecerá nesse primeiro período, porque nós temos que rever o conjunto das informações e reorganizar o nosso cadastro, para ofertar esse benefício a mais.

APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Muitas famílias perderam o benefício porque não fizeram o recadastramento, não é isso?

MINISTRA TEREZA CAMPELLO: Exatamente. As famílias, quando elas entram no Bolsa-Família, elas fazem um cadastro e, a cada dois anos, elas têm que atualizar esse cadastro. Quando não atualizam, nós fazemos toda uma investida para garantir que essas famílias permaneçam no cadastro, mas, se não conseguirmos atualizar os dados, essas famílias são desligadas. Portanto, é muito importante, a cada dois anos, os beneficiários do Bolsa-Família atualizarem seus cadastros.

APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Você tem outra pergunta, Armando?

REPÓRTER ARMANDO MARIANI (Rádio Sociedade / Salvador – BA): Ministra, dado a essa informação do número de famílias nessa faixa de extrema pobreza, que a senhora citou aí, a pergunta é: o programa tem prioridades para desenvolver a sua atividade daqui para frente ou é um programa nacional, vai começar no Brasil inteiro?

MINISTRA TEREZA CAMPELLO: Não. O programa é um programa nacional, mas ele não começa no Brasil todo, até porque ele tem ações que são ações específicas, e nós queremos... Nós temos um trabalho para quatro anos. Portanto, não podemos iniciar isso no Brasil todo. Nem parte do nosso pessoal, sequer, está contratado. Agora, a Bahia, não só é uma prioridade, dada a concentração de pessoas em situação de extrema pobreza, que realmente é muito alto, como eu comentei contigo, 2,4 milhões, dos 16 milhões... No campo, a população de extrema pobreza na Bahia é muito alta. Duas das nossas ações estratégicas para o campo começam imediatamente, e, no caso da Bahia, começam já na segunda-feira. Nós estamos lançando editais para contratar técnicos que vão apoiar essas famílias em situação de extrema pobreza no meio rural. Esses editais, eles vão estar sendo feitos gradualmente. As primeiras 10 mil famílias que vão ser atendidas, os técnicos que vão atender as primeiras 10 mil famílias, participarão dessas licitações a partir de segunda-feira. E esse calendário começa exatamente pela Bahia, pelo norte de Minas, não só por concentrar esse contingente alto de pessoas em extrema pobreza, mas, também, porque o calendário agrícola, no Nordeste, ele começa pela Bahia. Então, nós estamos organizando... Não teria por que estar atribuindo sementes, por exemplo, em todo o Brasil, porque parte do calendário agrícola não estará operando no próximo período. Então, no caso, por exemplo, do Nordeste, que tem uma safra que inicia novembro, dezembro, janeiro, fevereiro e março, nós estamos tomando providências para garantir que uma parcela dessa população no campo e pobre, no campo, no Nordeste, já esteja sendo atendida nessa próxima safra. Isso não vai acontecer para toda essa população no Nordeste. Nós vamos começar com 30... em torno de 30 mil pessoas sendo atendidas já este ano, mas a Bahia é um dos estados que primeiro vai estar tendo o atendimento.

APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Este é o programa Bom dia, Ministro. A nossa convidada de hoje é a Ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Tereza Campello. Ela conversa com âncoras de emissoras de rádio em todo o país. Lembrando que o nosso programa é multimídia, estamos ao vivo no rádio e na televisão, e que a TV do governo federal, a NBR, reapresenta a gravação dessa entrevista ainda hoje à tarde e também no final de semana, em horários alternativos. Ministra, vamos agora conversar com a Rádio Verdes Mares, de Fortaleza, no Ceará. A pergunta é de Nilton Sales. Bom dia, Nilton.

REPÓRTER NILTON SALES (Rádio Verdes Mares / Fortaleza – CE): Bom dia, Kátia. Bom dia, Ministra Tereza Campello. Como é que o governo identifica uma família em situação de extrema pobreza, para poder inseri-la no programa?

MINISTRA TEREZA CAMPELLO: Bom dia, Nilton. Bom dia, ouvintes da Rádio Verdes Mares. Olha só, nós... São várias questões que são importantes ressaltar para entender, para responder a tua pergunta. Primeiro, o governo definiu como população em situação de extrema pobreza aqueles que recebem menos de R$ 70,00 ‘per capita’. Esse já é o critério utilizado pelo Programa Bolsa-Família. Então, você pega a família, qual é a renda dessa família e divide pelo número de pessoas na família. E tem... Famílias que tenham, recebam menos de R$ 70,00 ‘per capita’, portanto, por pessoa, são consideradas em situação de extrema pobreza. Nós tivemos... No ano passado, o Brasil fez o Censo, através do Instituto Brasileiro de Geográfica e Estatística, o IBGE, e, portanto, nós temos informações recentes, saídas do forno, com relação não só à renda, mas um conjunto de outras informações para atuar na maioria da população brasileira. Então, nós temos os dados do Censo e nós já temos os dados do próprio Bolsa-Família. O Bolsa-Família tem uma cadastro de 50 milhões de pessoas no Brasil; uma parte importante dessas pessoas em situação de extrema pobreza ou em situação de pobreza. Então, parcela desses 16 milhões é conhecido já pelo governo federal, inclusive parcela desses 16 milhões recebem já o Bolsa-Família, seja porque tem uma renda muito baixa ou porque são famílias muito numerosas, com vários membros, continuam em extrema pobreza, mesmo recebendo o Bolsa-Família. É por isso que o programa não é... O Brasil sem Miséria não é só um programa de transferência de renda. Ele é um programa que trabalha com inclusão produtiva, melhorando e capacitando as pessoas, tanto no campo quanto nas cidades, quanto ofertará e busca aumentar a oferta de serviços para essa população - educação, saúde, assistência, segurança. Então, o Brasil sem Miséria é um programa que vai além da transferência de renda.

APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Você tem outra pergunta, Nilton?

REPÓRTER NILTON SALES (Rádio Verdes Mares / Fortaleza – CE): Não, só agradecer à Ministra e dizer que aqui nós estamos às ordens.

MINISTRA TEREZA CAMPELLO: Obrigada, obrigada.

APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Obrigada, Nilton Sales, da Rádio Verdes Mares, de Fortaleza, no Ceará. E vamos agora conversar com a Rádio Folha, de Recife, em Pernambuco. Jota Batista, bom dia.

REPÓRTER JOTA BATISTA (Rádio Folha / Recife – PE): Bom dia, Kátia. Bom dia, Ministra Tereza Campello. Bom dia, Brasil. Até aproveitando, eu gostei, ontem, na apresentação, quando a presidenta Dilma Rousseff ressaltou que os pobres são seres capazes de construir a sua própria riqueza. Muito interessante isso. E aproveitando justamente o que falou os nossos colegas aí, tanto de Salvador quanto de Fortaleza, em todo o Brasil, quase 11,5 milhões de pessoas ganham de R$ 1,00 a R$ 70,00. Até a Ministra me corrija, se eu estiver enganado. Isso por mês. Com esse Plano, a média deve subir para quanto aproximadamente?

MINISTRA TEREZA CAMPELLO: Bom dia, Jota. Bom dia, ouvintes da Rádio Folha. Olha só, a grande meta, no plano, é elevar a renda dessas pessoas para cima de R$ 70,00. São 16 milhões de pessoas, não 11, tá, Jota? São 16 milhões de pessoas com essa renda. Portanto, quando a gente faz essa conta, esse número vale, inclusive, para crianças que não trabalham. Você pega o valor dos parentes, pais ou os responsáveis pela família que trabalham, divide pelo número de pessoas que moram nesse domicílio, independente da idade que tenham. O grande objetivo é elevar a renda para acima de R$ 70,00, e, como disse a nossa presidenta, nós estamos apostando, não só em transferir renda, mas em melhorar a renda dessas pessoas com o Bolsa-Família e com outras fontes de renda, como é o caso da população que mora no campo, que tem uma pequena terra. A nossa aposta é que ela consiga melhorar a sua produção. Para isso, nós vamos estar investindo, distribuindo semente, distribuindo insumos, entrando com um recurso, que é um recurso muito importante a fundo perdido, que é um recurso para fomento, que as famílias que já estiverem tendo assistência técnica vão poder contar com esses recursos para melhorar, comprar pequenos equipamentos, melhorar as condições de produção na sua terrinha, e, com isso, aumentar a produção e, portanto, melhorar a sua renda. No caso de Pernambuco, nós temos 1,3 milhão, quase 1,4 milhão de pessoas, que é um percentual altíssimo dos 16 milhões de extremamente pobres. E o nosso trabalho, em Pernambuco, vai ser um trabalho que nós acreditamos muito bem-sucedido, porque nós temos uma parceria importante com o governador Eduardo Campos, já estivemos reunidos com as equipes. Estamos com um trabalho, no caso de Pernambuco, também envolvendo a área rural, não só de aumento de produção, mas de melhoria da oferta de água. Um dos nossos parceiros é pernambucano, que é o nosso Ministro Fernando Bezerra, do Ministério da Integração. Portanto, estamos com uma parceria e com um trabalho que, no estado de Pernambuco, vai ser muito bem-sucedido.

APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Você tem outra pergunta, Jota?

REPÓRTER JOTA BATISTA (Rádio Folha / Recife – PE): Só aproveitando... Claro, isso é público e notório, a questão econômica, influenciando, a preocupação com a volta da inflação. O governo fala em controlar gastos públicos, mas, quando fala em melhorar o processo, a qualidade desse serviço público, também vai passar por investimento, não é? Eu quero saber: estamos aí à véspera da Copa do Mundo, também com investimentos maciços, pesados. Outras áreas. Ministra, dá para controlar, dá para fazer tudo isso, sem comprometer outras áreas, ou a gente vivencia aquele dilema do cobertor curto, ora cobre a cabeça, descobre os pés, e vice-versa? Um bom dia de trabalho a todos.

MINISTRA TEREZA CAMPELLO: Olha, eu acho que, com o Brasil sem Miséria, nós temos duas boas oportunidades nas nossas ações de ajudar, também, nesse aspecto macroeconômico. O primeiro deles é que, aumentando a produção no campo, aumentando a produção de alimentos, nós vamos melhorar a oferta de comida e, portanto, vamos garantir, aí, a nossa contribuição também na redução da inflação. A segunda questão, que eu acho que é importante, é que vai ter todo um trabalho envolvendo qualificação profissional e melhorando a oferta de pessoas com condições e qualificadas para trabalhar, o que também poderá ter um impacto importante, porque um dos efeitos que nós estamos tendo com a falta de mão de obra é aumentar o custo das nossas... da construção civil como um todo. Portanto, também estaremos tendo uma melhora nesse aspecto. O Brasil sem Miséria eu acho que vai ser uma grande oportunidade para o Brasil, não de aumentar seus gastos, mas, na verdade, de investir nisso, que é a nossa maior riqueza, que é o povo brasileiro. Eu acho que uma das grandes contribuições que nós demos, nesse aspecto macroeconômico, não só para Brasil, mas hoje nós somos um exemplo para o mundo todo, é que, apostando no nosso mercado interno de massas e apostando na distribuição de renda, nós conseguimos crescer no país. Então, nós fizemos o oposto do que era a orientação. As pessoas diziam: “Não, não pode ficar aumentando o consumo, porque isso piora as condições macroeconômicas e aumenta a inflação”. Nós fizemos o contrário: nós apostamos em incluir milhões e milhões de brasileiros no consumo e, com isso, conseguimos fazer o país crescer.

APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Este é o programa Bom dia, Ministro. Esse programa é coordenado e produzido pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, em parceria com a EBC Serviços. E a nossa convidada de hoje, a Ministra Tereza Campello, do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. Ministra, vamos agora ao Rio de Janeiro, conversar com a Rádio Tupi, onde está Ana Rodrigues. Bom dia, Ana.

REPÓRTER ANA RODRIGUES (Rádio Tupi / Rio de Janeiro – RJ): Oi, bom dia, Kátia Sartório. Bom dia, Ministra Tereza Campello e colegas de todo o Brasil. Nós estamos acompanhando o lançamento do Programa Brasil Sem Miséria, com esse objetivo de estratificar a pobreza no país. Mas dois pontos interessantes desse projeto são justamente as propostas que vão de encontro às questões de saúde e educação. Eu gostaria de saber como, nesses dois pontos específicos, o Brasil Sem Miséria pode atuar, Ministra?

MINISTRA TEREZA CAMPELLO: Bom dia, Ana Rodrigues. Bom dia, ouvintes da Rádio Tupi. Amanhã, nós estaremos lançando o Plano de Erradicação da Extrema Pobreza também no Rio de Janeiro. Antes de responder a tua pergunta, eu gostaria de comentar isso. Nós estamos com uma parceria muito importante com o governo do estado do Rio de Janeiro. O governador Sérgio Cabral, inclusive, está complementando as ações do Brasil sem Miséria. Em especial, o nosso programa Bolsa Família está sendo complementado em algumas cidades com um programa de transferência de renda também específico no Rio de Janeiro. Essas ações complementares são fundamentais. Essa parceria com estados e com municípios é o que vai fazer com que, de fato, o Brasil sem Miséria seja um sucesso. Uma das ações fundamentais... As pessoas têm tratado o Busca Ativa como sendo uma ação do governo federal somente para trazer para dentro do Cadastro Único aquelas pessoas que estão fora dos programas de transferência de renda. Mas o Busca Ativa é muito mais do que isso. Quando nós falamos do Busca Ativa, nós estamos tentando garantir que o conjunto da população em situação de extrema pobreza seja atendido pelo governo federal, estados e municípios, na sua plenitude, como é o caso, por exemplo, das ações de saúde. Eu acho que tem um exemplo que é um exemplo importante, por exemplo, os programas de distribuição de medicamentos. Duas das doenças que acometem essa população extremamente pobre, de forma incisiva, é hipertensão e diabetes, exatamente doenças que são objeto desse programa recém lançado de distribuição de medicamentos pelo ministro Alexandre Padilha e pela presidenta Dilma. Se nós não conseguirmos dar uma... Criar uma abordagem específica para a população de extrema pobreza, mesmo sendo hipertenso e sendo diabético, é muito provável que essa população não vai receber esse medicamento. Então, o que nós temos que fazer para garantir que essa população seja assistida, seja acompanhada e possa receber esse medicamento? Essa é uma das questões que nós estamos trabalhando. Essa resposta vai depender muito se a... Se essas famílias são assistidas pelo Programa de Saúde da Família, por exemplo, nós vamos ter muito mais facilidade de garantir que elas possam ser inseridas nos programas; se elas não são, ainda, atendidas pelo Programa de Saúde da Família, uma das ações é ampliar a cobertura do Saúde da Família, também ampliar o número de unidades básicas de saúde. Toda a estratégia de construção de unidades básicas de saúde, no Brasil, ela vai estar se voltando, exatamente, para o Brasil sem Miséria. Então, nós fizemos um levantamento de onde existe concentração de população extremamente pobre, município a município, passamos isso para o Ministério da Saúde, então o Ministério da Saúde vai estar voltando as suas atenções e focalizando, portanto, melhorando a atenção, especificamente voltada para essas regiões, ou seja, bairros onde a gente tem uma concentração maior de população extremamente pobre.

APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Você tem outra pergunta, Ana?

REPÓRTER ANA RODRIGUES (Rádio Tupi / Rio de Janeiro – RJ): No caso da educação, uma das propostas é a capacitação de jovens em escolas técnicas. Quais são as outras ações do Brasil sem Miséria no campo da educação, além das escolas técnicas, a ampliação do acesso às escolas técnicas?

MINISTRA TEREZA CAMPELLO: Tem duas ações que eu vou destacar. Uma delas é o Mais Educação. O Mais Educação é um esforço do governo federal de escolas em turno integral. Então, são escolas que já funcionam por um turno e passarão a funcionar nos dois turnos, garantindo que as crianças possam passar sete horas na escola, não só tendo aulas, mas com atividades complementares. E também o Ministério da Educação está reorganizando a ampliação do Mais Educação se voltando para territórios onde a gente tem concentração de crianças em situação de extrema pobreza. Então, o Mais Educação vai começar a ser ampliado, prioritariamente, nesses territórios onde a gente tem, também, uma concentração maior de violência e de carências globais dessas famílias. Só lembrando o que a presidenta disse ontem: as famílias em situação de extrema pobreza não são só pobres de renda, são pobres, também, nas outras áreas. Portanto, são as que mais carecem de educação e de saúde. Então, uma delas é o Mais Educação, que é o escola em turno integral, onde nós estaremos priorizando regiões, bairros e territórios onde a gente tem concentração de extrema pobreza. O segundo é a alfabetização de adultos.

APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Ministra, vamos, agora, conversar com a Rádio 96 FM, de Palmas, no Tocantins. A pergunta é de Rubens Gonçalves. Bom dia, Rubens.

REPÓRTER RUBENS GONÇALVES (Rádio 96 FM / Palmas – TO): Bom dia, Kátia. Bom dia, Ministra. Ministra, eu gostaria de perguntar para a senhora, aqui no Tocantins, e eu penso que isso é um problema também em outras regiões, mas ontem, por exemplo, o Ministério Público Estadual moveu ações contra 15 prefeitos por improbidade administrativa, desvio de recursos públicos. Eu gostaria de saber da senhora, portanto, com relação à fiscalização. Quais mecanismos o governo vai utilizar para que esses recursos...

APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Rubens, você pode repetir a pergunta? Nós não estamos conseguindo ouvi-lo. Rubens? Você pode repetir a pergunta, por gentileza?

REPÓRTER RUBENS GONÇALVES (Rádio 96 FM / Palmas – TO): Ministra, eu gostaria de saber com relação a possível desvio de recursos públicos. No estado, é um problema sério. O Ministério Público tem ajuizado muitas ações por desvio de recursos públicos nas prefeituras. Eu gostaria de saber com relação aos mecanismos de fiscalização para o programa, principalmente com relação à transferência de renda.

MINISTRA TEREZA CAMPELLO: Obrigada, Rubens, pela pergunta. Bom dia. Bom dia, ouvintes da Rádio 96 FM. Nós temos, também, uma grande preocupação para melhorar a fiscalização dos nossos programas de transferência de renda. Hoje, o Bolsa Família é um dos programas mais bem focalizados no mundo, ou seja, reconhecido por todo mundo, Banco Mundial, Nações Unidas. O Bolsa Família conseguiu melhorar muito as ações de fiscalização, ou seja, em pouquíssimos casos nós temos desvios onde pessoas que não deveriam estar recebendo o Bolsa Família estão. Nós temos, na verdade, na nossa avaliação, ainda um percentual grande de exclusão, quer dizer, de pessoas que deveriam receber o Bolsa Família e ainda não estão recebendo, e essa é uma das ações mais importantes do programa, que é o Busca Ativa trazer essas pessoas para dentro do cadastro. Agora, denúncias com relação a situações incorretas no Bolsa Família são muito bem-vindas. Nós, de fato, queremos melhorar, cada vez mais, o nosso cadastro. Portanto, todos aqueles que puderem colaborar nos dando essas informações, elas serão bem-vindas e serão analisadas pelo governo federal. Muita gente acaba achando que é fraude no Bolsa Família. O Bolsa Família tem um índice de fraude muito, muito pequeno, até porque, hoje, nós usamos ações de inteligência para melhorar a focalização do programa, como é o caso, por exemplo, de cruzamento de cadastros. Nós cruzamos o cadastro do Bolsa Família, que é um cadastro gigantesco, com outros cadastros do governo federal, o cadastro dos bancos, por exemplo. Então, as pessoas têm acesso a uma renda muito maior e estão recebendo Bolsa Família, isso é um indicador de que existe problema. Acesso ao Renavan, que é a rede que tem informações sobre veículos. Se a pessoa é dona de um automóvel, não necessariamente ela está fraudando o Bolsa Família, mas é um indicador de que pode estar havendo algum tipo de problema. Então, nós fazemos o cruzamento desses cadastros e, em identificando algum indício de que há problemas, nós vamos no local fazer essa averiguação e garantir que o Bolsa Família melhore cada vez mais. Agora, nós tínhamos um índice alto de desvios do Bolsa Família no início do programa, e, graças à fiscalização e à ação da sociedade civil, o Bolsa Família melhorou muito o seu cadastro, e, hoje, isso acontece muito residualmente, eu posso te garantir.

APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Este é o programa Bom dia, Ministro. Estamos, hoje, com Tereza Campello, a ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. Ela conversa com a gente e com âncoras de emissoras de rádio de todo o país sobre o Brasil sem Miséria, que é o programa que foi lançado ontem. Ministra, vamos, agora, conversar com a Rádio Verdes Campos, de Teresina, no Piauí. Fábio Brito, bom dia.

REPÓRTER FÁBIO BRITO (Rádio Verdes Campos / Teresina – PI): Muito bom dia. Bom dia, ouvintes. Bom dia, ministra Tereza Campello. Bem, Ministra, apesar do esforço do governo federal, nos últimos oito anos, em acabar com a fome e a miséria em todo o país, hoje, segundo o IBGE, ainda temos cerca de 60% da população aqui do Nordeste vivendo em extrema pobreza. O maior percentual, o estado do Maranhão, aqui no Piauí e em Alagoas. Em sua opinião, o que faltou para que essas ações sociais pudessem ter tido um resultado melhor, considerando o grande número de recursos investidos na região?

MINISTRA TEREZA CAMPELLO: Bom dia, Fábio. Bom dia, ouvintes da Rádio Verdes Campos. Olha, é muito difícil imaginar que, em oito anos, nós conseguiríamos resolver todos os problemas do Brasil. Eu acho que é reconhecido por todos que os avanços, ao longo do governo do presidente Lula, foram fantásticos. Hoje, nós somos referência para o mundo todo. Nós conseguimos tirar 28 milhões de pessoas da situação de pobreza, 36 milhões de pessoas ingressaram na classe média. Isso não só é uma vitória do Brasil, porque essas pessoas estão vivendo melhor, mas é uma vitória do Brasil também porque isso significou aumentar nosso consumo. Essas pessoas, se incluindo, geraram empregos, não só tiveram seus empregos como geraram novos empregos. Então, essas ações de melhoria das condições de vida para a população pobre, que foi uma conquista do nosso governo, ela foi muito importante para todo o Brasil. Cada brasileiro que sai da situação de pobreza é um ganho para o país, é uma pessoa incluída não só no mercado, mas no bem-estar, melhorando a sua vida. Não acredito que se conseguiria, em oito anos, resolver todos os problemas, como eu disse. Então, mesmo com todos esses avanços que nós tivemos, com o lançamento de políticas que tiveram um impacto muito grande sobre a pobreza e a extrema pobreza, restaram, ainda, 16 milhões, que passarão a ser o objeto dessa nossa preocupação. É importante destacar que esses 16 milhões, que é a população que ainda se encontra em situação de extrema pobreza, certamente é uma população mais difícil de melhorar as suas condições de vida. Então, o esforço que nós estaremos fazendo, daqui para frente, é um esforço redobrado. No caso do Nordeste, nós estamos concentrando as nossas ações no campo, na cidade, envolvendo oferta de água, envolvendo... É também nesse território que a gente ainda encontra um resíduo grande de população que precisa de energia elétrica. Portanto, é um conjunto de ações que nós vamos estar organizando para garantir que esses 16 milhões agora saiam da extrema pobreza e a gente consiga, em 12 anos, que são os oito anos do governo do presidente Lula mais os quatro anos da presidenta Dilma, acabar com a extrema pobreza no Brasil.

APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Este é o programa Bom dia, Ministro. Estamos, hoje, com a ministra Tereza Campello, do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. Ela responde a perguntas de âncoras de emissoras de rádio de todo o país, nesse programa que é multimídia, estamos no rádio e na televisão. Ministra, vamos, agora, à Rádio Liberal, de Belém do Pará, conversar com o Cleiton César. Bom dia, Cleiton. Cleiton? Daqui a pouco a gente tenta, de novo, conversar com a Rádio Liberal, de Belém do Pará, onde está Cleiton César. Tivemos um probleminha com a conexão com a rádio. Ministra, eu queria só voltar um pouquinho e conversar com a senhora sobre... Que a senhora explicasse melhor para as pessoas que têm dúvida sobre o Bolsa Família, denúncias para fazer, se houver algum desvio de verba. Qual é o caminho para que elas possam acessar e ter uma resposta, e onde fazer a denúncia?

MINISTRA TEREZA CAMPELLO: Olha, nós temos duas formas de entrar em contato com o Ministério do Desenvolvimento Social. Uma é acessando o nosso site www.mds.gov.br, e a outra é pelo telefone 0800-7072003. Repetindo: 0800-7072003, ou pelo site www.mds.gov.br.

APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Ministra, vamos, então, agora, falar com a Rádio Difusora 640 AM, de Goiânia, em Goiás, onde está Edson Rodrio. Bom dia, Edson.

REPÓRTER EDSON RODRIO (Rádio Difusora 640 AM / Goiânia – GO): Bom dia. Bom dia a todos. Eu gostaria de saber o seguinte: por que é tão difícil combater a miséria e a fome no Brasil? E eu gostaria de saber, também, se a corrupção é um dos principais entraves para isso.

MINISTRA TEREZA CAMPELLO: Bom dia, Edson. Bom dia, ouvintes da Rádio Difusora 640 AM. Olha, de fato, é muito difícil combater a extrema pobreza e a pobreza, porque nós temos 500 anos de uma sociedade construída de forma desigual no país. Portanto, não estamos tratando de uma desigualdade que foi construída ao longo do último período. Ela vem de uma herança que é uma herança triste, no Brasil. Ontem, a nossa presidenta Dilma lembrava a própria herança da escravidão, mostrando que, apesar de a escravidão ter terminado há tanto tempo, não tinha se tomado atitudes... Quer dizer, a gente não pode culpar a escravidão pela pobreza, porque a escravidão já terminou há tanto tempo. Por que não tomamos medidas, no Estado Brasileiro, para reduzir as desigualdades regionais, as desigualdades de raça, as desigualdades de gênero? Portanto, temos que tomar medidas, e é isso que o Brasil sem Miséria está fazendo. Por exemplo, 71% da população em extrema pobreza é uma população de negros, e nós vamos estar tomando providências para garantir a inclusão dessas famílias, exatamente para acabar com essa iniquidade e melhorar a situação de renda delas. Então, é difícil acabar com a extrema pobreza. Nós já avançamos muito nesses oito anos, ao contrário do que muita gente dizia. Isso era uma promessa do presidente Lula, e nós fomos muito vitoriosos nesses oito anos de trabalho. E agora temos essa nova meta, que é, em quatro anos, erradicar a extrema pobreza. Eu acho que a corrupção, de fato, é um dos males do Brasil, não é só o único, mas é um dos motivos, também, de a gente ter desigualdade. Quer dizer, se tem muita gente recebendo dinheiro e se o dinheiro público está sendo desviado, significa que a gente presta menos serviço para a população. Então, também é muito importante que a gente avance combatendo a corrupção e melhorando as formas de garantir que o dinheiro público seja um dinheiro que atenda à população e àqueles que precisam.

APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Ministra Tereza, vamos, agora, conversar com a Rádio Caiari, de Porto Velho, em Rondônia. Jesivan Oliveira, bom dia.

REPÓRTER JESIVAN OLIVEIRA (Rádio Caiari / Porto Velho – RO): Bom dia. Jesivan Oliveira, de Porto Velho, Rondônia, Rádio Caiari. Ministra, em Rondônia, especificamente, o Ministério pensa em firmar parcerias com a iniciativa privada, como o Sistema S, por exemplo?

MINISTRA TEREZA CAMPELLO: Bom dia, Jesivan. Bom dia à Rádio Caiari. Nós, no caso de Rondônia, em especial, e de Porto Velho, nós já temos uma parceria importante envolvendo o Sistema S, porque o Sistema S é nosso parceiro nas áreas de qualificação profissional, e isso se estenderá mais ainda no próximo período. Tanto através do Pronatec quanto no direcionamento dos recursos para a qualificação profissional dessa população extremamente pobre, o Sistema S será nosso principal parceiro. Não o único, mas o principal parceiro. Nessa região, em especial, é muito importante, porque nós temos, em Rondônia, grandes oportunidades e grandes problemas. E a qualificação profissional da população local, por exemplo, para obras de construção civil, é uma das melhores formas de a gente evitar que, com a ampliação das obras, a gente tenha atraído um grande contingente de pessoas para o estado, piorando as condições de saúde e de educação. Então, um dos nossos objetivos, no caso específico de Rondônia, é fortalecer muito a qualificação profissional da população local, garantindo não só melhorar a vida dessa população como evitando que sejam atraídas pessoas de outros territórios.

APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Jesivan, você tem outra pergunta?

REPÓRTER JESIVAN OLIVEIRA (Rádio Caiari / Porto Velho – RO): Não. Obrigado, Ministra.

APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Obrigada, Jesivan Oliveira, da Rádio Caiari, de Porto Velho, em Rondônia. Ministra, eu queria aproveitar e perguntar para a senhora. A senhora disse, agora há pouco, que amanhã lança o plano Brasil sem Miséria no Rio de Janeiro. Isso vai acontecer em outros estados também? Como foi decidido isso?

MINISTRA TEREZA CAMPELLO: Nós conversamos com os governadores, com os governos estaduais, ao longo desse último mês. Em vários casos, esses pactos estão bastante avançados, como é o caso do Rio de Janeiro. No Rio de Janeiro, o estado está lançando um programa específico de complementação de renda para o Bolsa Família. Alguns outros estados também já avançou... Esse pacto já avançou muito, como é o caso do Espírito Santo. Segunda-feira, eu também estarei em Vitória, com o governador Casagrande, lançando um plano estadual de erradicação de extrema pobreza. Portanto, também em uma parceria governo federal/governos estaduais. Terça-feira, aqui em Brasília, com o governador Agnelo, também estaremos lançando um plano específico aqui com a nossa secretária estadual.

APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Distrital.

MINISTRA TEREZA CAMPELLO: Distrital, a Arlete. E várias outras conversas estão sendo feitas com os governos estaduais. Nem todos os governos lançarão planos específicos, mas, em todos os governos estaduais, nós teremos pactos e teremos ações que são ações complementares, e isso vai variar de estado para estado.

APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Mas isso é uma iniciativa que parte do estado, quer dizer, do governo do estado, fazendo parceria com o governo federal, não é isso?

MINISTRA TEREZA CAMPELLO: Nós procuramos todos os governadores. O governo federal, por orientação da presidenta Dilma, procurou todos os governadores. Então, nós conversamos com os governadores, nos colocando à disposição para construir junto, em cada um dos estados, ações que sejam ações que se complementem. Vários estados vão lançar planos estaduais de erradicação da extrema pobreza, e outros estados, mesmo não lançando um plano estadual, estarão, certamente, trabalhando junto conosco para construir uma ação específica no estado. A receptividade tem sido muito grande. Todos os governadores, prontamente, se colocaram à disposição. Nós não tivemos problema. Nós conversamos com todos os governadores, e, em todos os casos, existe uma adesão muito grande. As prefeituras já têm nos procurado. Nós não conseguimos ainda... Nós falamos com os governos estaduais, mas não conseguimos, ainda, iniciar esse trabalho com as prefeituras, que iniciará logo na próxima semana. Mas os prefeitos já têm nos procurado, portanto o interesse em trabalhar junto, em construir uma ação federativa e fortalecer esse casamento governo federal, estados e municípios é muito grande, e eu tenho certeza que trabalharemos juntos.

APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Ministra, obrigada, mais uma vez, pela sua participação em nosso programa. Esperamos revê-la em breve.

MINISTRA TEREZA CAMPELLO: Estamos às ordens. Obrigado, Kátia.

APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: E a todos que participaram conosco desse programa, meu muito obrigado e até a próxima edição.

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