Arquivos: 05/01/2012 - Transcrição
APRESENTADOR LUCIANO SEIXAS: Olá, você em todo o Brasil. Eu sou o Luciano Seixas e começa agora mais um Bom Dia, Ministro. O programa tem a coordenação e a produção da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, em parceria com a EBC Serviços. O Ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Aloizio Mercadante, é o entrevistado do primeiro Bom Dia, Ministro deste ano de 2012. Bom dia, Ministro, seja bem-vindo.
MINISTRO ALOIZIO MERCADANTE: Bom dia, Luciano. É um prazer muito grande retornar ao Bom Dia, Ministro e dar um bom dia para todos os ouvintes que nos acompanham.
APRESENTADOR LUCIANO SEIXAS: O prazer é nosso em recebê-lo aqui mais uma vez. Hoje, o Ministro falará sobre as políticas de ciência, tecnologia e inovação do governo brasileiro. O acréscimo da palavra “inovação” ao nome do Ministério, em agosto, espelha a intenção de que a produção científica se preocupe com as aplicações de suas descobertas, seja para gerar resultados econômicos, estratégicos, ou para melhorar o cotidiano das pessoas. Nesse sentido, em 2011, foi criada a Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação na Indústria, Embrapii, nos moldes da Embrapa. O Ministério lançou, em parceria com a pasta da Educação, o programa Ciência sem Fronteiras, que tem como meta conceder mais de cem mil bolsas para brasileiros estudarem no exterior. O Ministro Aloizio Mercadante começa agora a conversar, ao vivo, com âncoras de emissoras de rádio de todo o país. E a primeira participação vem da Rádio CBN, do Rio de Janeiro, com a Christiane Alves. Bom dia, Christiane.
REPÓRTER CHRISTIANE ALVES (Rádio CBN / Rio de Janeiro - RJ): Bom dia. Bom dia, Ministro. Eu queria saber, primeiro, quais foram os principais retornos do programa Ciência sem Fronteiras e como é que fica a continuidade do programa agora, em 2012.
MINISTRO ALOIZIO MERCADANTE: Olha, Christiane, bom dia, bom dia aos ouvintes do Rio de Janeiro. O Ciência sem Fronteiras é um sucesso espetacular. Nós tivemos, do dia 13, há dois dias atrás, nas últimas 48 horas, mais de sete milhões de acessos no portal do Ciência sem Fronteiras e estamos mandando agora os 1.500 primeiros bolsistas para os Estados Unidos. Eles têm perguntado muito, porque nós prometemos que cada um receberia um laptop. Como não foi possível fazer uma licitação, no primeiro mês, na bolsa de estudo que ele vai receber lá nos Estados Unidos, ele vai ter mil dólares a mais para comprar o seu equipamento, porque é indispensável, nas melhores escolas do mundo, que você tenha acesso à internet, enfim, a todo o conteúdo pedagógico digital. Então, nós estamos... Fizemos uma parceria com todos os consulados americanos, todos os alunos tiraram no mesmo dia o seu visto de entrada, nós demos um Kit-Brasil - guarda-chuva, camiseta -, eles vão defender o Brasil lá fora, falar do Brasil, então é um grande projeto. E o interesse é imenso. Nos Estados Unidos, nós estamos negociando 18 mil bolsas para esses próximos três anos. Na França, 10 mil bolsas; na Inglaterra, 10.200; na Alemanha, 10 mil; na Itália, 6 mil. E, agora, esse novo edital que nós estamos fazendo, que tem 12 mil inscritos, são para estes países: Estados Unidos, Reino Unido, França, Alemanha e Itália. E, posteriormente, nós vamos fazer um novo edital para países como China, Coreia, Holanda, Canadá, Bélgica, enfim, outros países que têm as melhores universidades do mundo. O programa são os melhores alunos do Brasil nas melhores universidades do mundo. Quem tirou mais de 600 pontos no Enem, ganhou medalha nas Olimpíadas de Ciências ou Matemática, quem tem um bom desempenho no seu curso, quem tem bolsa de iniciação científica da Capes, do CNPq, enfim, de outras instituições, tem direito a acessar o programa. Os critérios estão lá no portal: www.cienciasemfronteiras.gov.br. Está tudo explicado, o ingresso é automático, o processo é totalmente transparente. E nós vamos... Esperamos, agora, em 2012, encaminharmos mais 15 mil, pelo menos 15 mil estudantes, para esses cursos de excelência no Brasil, principalmente nas áreas de engenharia, nas áreas tecnológicas e ciências básicas, que é matemática, física, química e biologia. E, além disso, só para concluir, nós também estamos abrindo editais para trazer cientistas para o Brasil. Então, jovens doutores, talentosos, nós temos 860 vagas. Eles vão se inscrevendo, é fluxo contínuo, pode ir se inscrevendo, e nós vamos analisando e vamos, à medida que as universidades, centros de pesquisa, tenham interesse, as instituições, nesses jovens, eles são também contratados por um período, por bolsa de estudo. E também pesquisadores de alto nível... Inclusive, nós já temos pesquisadores com Prêmio Nobel que começarão a trabalhar no Brasil a partir desse ano, dentro do programa Ciência sem Fronteiras. E fechamos agora, também, um convênio muito interessante com uma brasileira, a Rosaly, que é diretora da Nasa, ela está lá há 25 anos, coordena toda a área dos planetas, toda a pesquisa na área de planetas... Marte, Júpiter, essas missões todas, ela é coordenadora e vai ficar três anos pesquisando no Brasil, parte do seu tempo, dentro do programa Ciência sem Fronteiras. Então, o que nós estamos sentindo é que o Brasil, hoje, está trazendo de volta talentos brasileiros que foram, partiram na época de crise, naquela diáspora de cérebro que nós tivemos, e o Brasil, hoje, é um grande polo de atração. Então, o Ciência sem Fronteiras é um grande sucesso, eu acho que é uma realização que a presidenta Dilma cuidou pessoalmente, ela concebeu as diretrizes fundamentais desse programa e é um grande êxito para o Brasil.
APRESENTADOR LUCIANO SEIXAS: Alguma outra pergunta, Christiane?
REPÓRTER CHRISTIANE ALVES (Rádio CBN / Rio de Janeiro - RJ): Sim, eu tenho, sim. Eu queria saber se o Ministro assume agora... Ministro, eu queria saber se o senhor assume agora o Ministério da Educação, no próximo dia 16, e quais são os projetos para a educação básica e para o Enem.
MINISTRO ALOIZIO MERCADANTE: Christiane, é o seguinte: essa coisa só vale depois que estiver no Diário Oficial. Quem indica ministro é a Presidência da República. Então, sobre essa pasta, sobre essa agenda, você tem que perguntar para o Ministro Fernando Haddad. Eu só falo da minha pasta, que é Ciência, Tecnologia e Inovação. Eu tenho ouvido todas as informações na imprensa, mas vamos aguardar a reforma ministerial e eu prometo para você que, se isso acontecer, e é possível que aconteça, eu estarei aqui, à disposição, e nós poderemos discutir a pasta da Educação. Agora, existe muita sinergia entre educação, ciência e tecnologia. O Brasil, para avançar no campo da ciência e da tecnologia... Nós somos, hoje, a sexta economia do mundo. O Brasil é o 13º país que mais produz ciência, hoje, nos critérios... que são critérios, eu acho, insuficientes, mas são os critérios que existem, que são as publicações indexadas nas revistas científicas. Ele precisa investir na educação básica, ele precisa investir desde a educação infantil, da creche, da pré-escola, dar qualidade ao ensino, formar os professores, motivar os alunos, trabalhar o ensino médio... A presidenta tem o programa do Pronatec, que é um programa fundamental para o ensino técnico e profissionalizante, ensino em tempo integral... Enfim, tem muita coisa a ser feita. As universidades, que nós tivemos uma expansão espetacular; o Ministro Fernando Haddad fez um grande trabalho com o ProUni, foi uma... Nós vamos chegar, agora, a um milhão de alunos com bolsa de estudo no ProUni; um milhão de alunos que não teriam chance de estudar se não fosse essa concepção inovadora de inclusão nas universidades particulares, com bolsa de estudo. Dobramos o número de alunos nas universidades federais... Mas tem muito trabalho. A educação é um trabalho de todos, tem que ser feito de forma suprapartidária, tem que ser feito em parceria com município, estado e União, mas isso é uma tarefa que compete, hoje, ao Ministro da Educação, que é o Ministro Fernando Haddad.
APRESENTADOR LUCIANO SEIXAS: Este é o programa Bom Dia, Ministro, hoje com o Ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Aloizio Mercadante, que conversa, ao vivo, com âncoras de emissoras de rádio de todo o país. Agora, a participação da Rádio Capital AM, de São Paulo, com Luis Carlos Ramos. Bom dia, Luis Carlos.
REPÓRTER LUIS CARLOS RAMOS (Rádio Capital AM / São Paulo - SP): Bom dia. Bom dia ao Ministro Aloizio Mercadante. A minha pergunta é a respeito do fato de o Brasil ser a sexta maior economia do mundo, os indicadores econômicos são realmente positivos e essas informações a respeito da utilização de estudantes brasileiros com apoio do exterior, isso é tudo muito positivo. Eu gostaria de saber do Ministro o seguinte, que é, por sinal, professor na PUC, aqui, de São Paulo, mas o senhor sabe que, muitas vezes, quem acaba pegando vaga em universidade pública é, geralmente, aquele estudante de colégio particular, de camadas mais altas economicamente. O senhor acredita que esses programas do Ministério acabem beneficiando, também, as pessoas de baixa renda, o estudante de baixa renda?
MINISTRO ALOIZIO MERCADANTE: Olha, Luis Carlos, eu acho que essa é uma grande questão. No fundo, a desigualdade, no Brasil, começa no berço, mas ela se aprofunda na escola, porque, à medida que os filhos dos pobres não têm as mesmas oportunidades de educação que aqueles que têm melhores condições, você aprofunda a desigualdade. Você só cria uma verdadeira democracia se você der educação de qualidade para todos. E esse é o maior desafio que o Brasil tem pela frente. Você veja, o Brasil, hoje, é a sexta economia, é um país que está muito sólido do ponto de vista macroeconômico, nossas contas externas melhoraram, as contas públicas melhoraram, nós estamos conseguindo reduzir juros. Ontem, o Banco Central colocou título da dívida externa no exterior, mais de um bilhão de dólares, e a taxa foi 3,5% ao ano, em dólar, nos próximos dez anos. O Brasil nunca teve um crédito dessa qualidade. Então, tudo isso é muito positivo... O emprego batendo recorde, o Brasil, hoje, é respeitado no mundo, não precisa mais dinheiro para FMI. Nós estamos emprestando dinheiro para o FMI. Mas, o problema estrutural, o maior desafio que nós temos é a qualidade do ensino. O dia que o filho do reitor tiver as mesmas condições para estudar que o filho da faxineira da universidade, esse país será uma verdadeira democracia. E para nós chegarmos lá tem muito trabalho pela frente. Alguns instrumentos que foram feitos, por exemplo, o Bolsa-Família, deram condições para famílias mais pobres manterem o filho na escola pública, porque isso, às vezes, nem era possível. Então foi um estímulo muito grande. Nós temos aí muitas famílias que hoje podem preservar o filho na escola porque estão recebendo o Bolsa-Família, e só recebe se o filho tiver assiduidade, se for para a escola, que é uma forma da gente motivar, estimular. Mas nós temos desafios imensos nessa direção. Tem muitos programas do Ministério da Educação que vão nessa direção. Por exemplo, o Mais Educação, principalmente para as escolas que têm o Ideb menor, estimula a educação em tempo integral para melhorar a qualidade do ensino. O ProUni é um bom exemplo, não é? Nós temos um milhão de alunos que dificilmente chegariam nas melhores universidades particulares do Brasil se não fosse o ProUni, se não fosse o Enem, se não fosse esse critério generoso de inclusão, e que eles estão recebendo bolsa de estudo para poder estudar em excelentes universidades porque são de famílias carentes e tiveram um bom desempenho. Então, nós temos que dar essa oportunidade, que eu acho que é o grande desafio. Eu vou contar uma historinha que eu vivi lá na Unicamp. Nós tínhamos... Eu dava aula na Unicamp - eu sou professor da PUC e da Unicamp -, e nós tínhamos lá uma faxineira que trabalhava, limpava o cursinho dos estudantes. E ela chegou, ela limpava, fazia o trabalho dela. No final do trabalho, ela prestava atenção nas aulas. Um dia, ela chegou para mim e falou: “Eu vou fazer o vestibular. O que você acha?”. Eu falei: “Eu acho que você deve. Você está estudando, você está motivada”. Ela fez e entrou. Entrou na Unicamp. Não tinha ProUni na época. Entrou na Unicamp, cursou o curso de licenciatura, depois fez mestrado, fez doutorado, e depois ela foi ser diretora do cursinho que ela era faxineira. O que esse exemplo demonstra? Que tem muitas mulheres no Brasil, e homens, que nunca tiveram oportunidade. Passam a vida inteira com a mão na vassoura porque nunca deram a chance de pegar no lápis e na caneta. Não é que não são inteligentes e preparados, é que simplesmente não tiveram a mesma oportunidade. Então, dar oportunidade, olhar para a educação pública de qualidade é, realmente, o grande desafio para a gente continuar avançando no sentido da inclusão social e de uma verdadeira democracia. E só para concluir, Luis Carlos, no programa Ciência sem Fronteiras, os alunos do ProUni tem direito... Todos os alunos do ProUni que tiraram mais de 600 pontos no Enem tem direito ao Ciência sem Fronteiras. Já está assegurado, já está acontecendo. E mais, um argumento que era dito, é o seguinte: “Ah, mas ele pode ter tirado 600 pontos no Enem, mas ele não tem, necessariamente, a proficiência em língua”. É verdade, isso nós consideramos. Por isso que as universidades federais vão ter cursos de línguas nas férias, agora. A partir de agora, os alunos todos terão direito a cursos de línguas, na língua que ele desejar. Além disso, os alunos que estão indo agora, ele fica seis meses podendo estudar línguas, se ele não tem a proficiência, e depois ele fica um ano fazendo o curso dele na graduação. E nas línguas mais herméticas, mais difíceis, como, por exemplo, o alemão, ele fica oito meses estudando lá, o alemão, antes de fazer um ano de curso. Então, também, isso foi pensado exatamente para dar oportunidade para todos. E eu termino dizendo aos jovens: quem estuda, escolhe o que vai ser na vida. Quem não estuda, é escolhido ou não. Então, estudar dá grandes oportunidades. O Ciência sem Fronteiras é mais uma porta que está se abrindo, muito importante para todos os jovens que estudam. E nós precisamos dar prioridade absoluta à educação, para que a educação pública tenha qualidade para todos e esse é o grande desafio, talvez o mais importante, o mais estratégico, para a democracia brasileira.
APRESENTADOR LUCIANO SEIXAS: Luis Carlos Ramos, alguma outra pergunta?
REPÓRTER LUIS CARLOS RAMOS (Rádio Capital AM / São Paulo - SP): Sim, eu gostaria de fazer uma pergunta a respeito da criação da Empresa Brasileira para Pesquisa e Inovação na Indústria nos moldes da Embrapa. Lembrando que a Embrapa é uma instituição com um pouco mais de 30 anos e faz bastante sucesso em termos de pesquisa para agropecuária. Como que funciona essa Empresa Brasileira para a Pesquisa e Inovação na Indústria, que foi criada em 2011, Ministro?
MINISTRO ALOIZIO MERCADANTE: Olha, é uma excelente questão, Luis Carlos. A Embrapa, ela é uma das grandes responsáveis para o Brasil ser hoje o segundo país que mais produz alimentos no mundo. Foi a pesquisa da Embrapa, entre outras instituições de excelência, mas a Embrapa teve um papel decisivo, que permitiu, por exemplo, que nós avançássemos a fronteira agrícola no Cerrado, desenvolvêssemos novas culturas, manejo, tivéssemos uma genética espetacular do gado. Realmente, o Brasil, hoje, é o país, nos últimos anos, que mais aumenta o excedente exportável de alimentos. E nós temos uma base industrial diversificada, moderna, importante. Hoje, por exemplo... Ontem, nós participamos do lançamento de um novo modelo de automóvel que a engenharia, a liderança da engenharia, de um carro mundial, que vai ser lançado em cem países, foi feito no Brasil, com 1.200 engenheiros da Ford. E vai ser produzido na Tailândia e na Índia, para cem países, mas, a liderança da engenharia foi brasileira, o design, a plataforma, a transmissão, teve uma contribuição muito importante. Nós precisamos avançar nessa direção. Para ser competitivo, hoje, você tem que inovar, ou seja, você tem que fazer de forma diferente para fazer com mais qualidade e mais barato. Esse é o grande desafio da economia contemporânea. E a inovação, ela exige ciência, tecnologia, criatividade. Ela exige formação de recursos humanos. O que... Como é que é a concepção da Embrapa? A Embrapa é uma parceria entre o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação com a CNI, a Confederação Nacional da Indústria. E nós elegemos os melhores centros de excelência que já fazem esse trabalho de apoio à indústria. Então, o Instituto Tecnológico, o IPT, o Instituto de Pesquisa Tecnológica da USP, em São Paulo, que é um instituto centenário; o INT, do Rio de Janeiro, que também é centenário; o Cimatec, na Bahia, do Senai - que é o grande centro de excelência, o melhor centro do Senai no Brasil - e já temos mais quatro institutos. Nós temos sete institutos. A Embrapii, ela vai pagar esses institutos pelo atendimento à indústria na ponta, quer dizer, pela qualidade da inovação que eles propiciaram. Então, nós estaremos, na próxima terça-feira, dia 10, assinando um acordo entre o Ministério de Ciência e Tecnologia, a CNI e a Fundação Fraunhofer, da Alemanha, que é um dos maiores centros de excelência no mundo. E a Fundação Fraunhofer vai fazer todo o acompanhamento da Embrapii, nós vamos trazer toda essa tecnologia, essa metodologia, esses instrumentos de fomento à inovação, para colocar a universidade brasileira, o que ela tem de melhor, atendendo a demanda da indústria. Então, cada centro desse vai ter uma área para atender um setor da indústria. Vai ser especializado naquilo que ele tem de melhor. E a indústria sabe como poderá encaminhar os seus pedidos, especialmente a pequena e a média indústria, que elas são muito mais ousadas na inovação, muito mais rápidas e isso ajuda, também, a distribuir renda e riqueza no Brasil. Então, a Embrapii é uma solução muito criativa, inovadora, nós estamos trazendo o que tem de melhor no mundo para dar um impulso à inovação na indústria brasileira.
APRESENTADOR LUCIANO SEIXAS: Estamos entrevistando o Ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Aloizio Mercadante, nosso convidado de hoje no programa Bom Dia, Ministro, que é transmitido pela EBC Serviços. E agora, temos a participação da Rádio Iguaçu AM 830, de Curitiba, com o Eduardo Kampa. Alô, Eduardo, bom dia.
REPÓRTER EDUARDO KAMPA (Rádio Iguaçu AM 830 / Curitiba - PR): Bom dia, Luciano. Bom dia, Ministro Aloizio Mercadante. Ministro, com relação à Ciência sem Fronteiras ainda, de repente seria uma preocupação do Brasil, de uma invasão de talentos aí em detrimento do desenvolvimento científico do Brasil, Ministro?
MINISTRO ALOIZIO MERCADANTE: Eduardo, esse risco não existe. Você veja o seguinte: nós conseguimos, o governo da presidenta Dilma assegurou, através da Capes e CNPq, o Ministério da Educação, o Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação, 75 mil bolsas de estudo para os jovens de graduação, de doutorado, de pós-doutorado, irem os melhores estudantes brasileiros para as melhores universidades do mundo. Esse programa não é só a nível de graduação, é também doutorado e pós-doutorado; 75 mil bolsas. Depois, as empresas gostaram da proposta, aderiram à proposta e já trouxeram mais 26 mil bolsas. Hoje, nós já temos 101 mil bolsas de estudo para oferecer no Brasil. Dessas, a atração de jovens talentos são 860, menos de mil, e pesquisadores de alto nível, que são pesquisadores, como eu disse, a nível de Prêmio Nobel, de realmente grande excelência, são 360. Agora, quando você traz um pesquisador de alto nível, você muda a qualidade do trabalho numa instituição. Vou dar um exemplo para você: a melhor escola de engenharia aeronáutica, uma das melhores do mundo, seguramente a melhor da América Latina, é o ITA, Instituto Tecnológico da Aeronáutica, lá em São José dos Campos, que deu origem à Embraer, que é a terceira empresa de aviação do mundo, e que deu origem ao Inpe, que é o melhor instituto de pesquisa ranqueado no mundo, o Instituto de Pesquisas Espaciais, lá em São José dos Campos. Como é que foi construído o ITA? O brigadeiro Montenegro, na época, invés de simplesmente comprar avião, ele foi no MIT - que é a melhor escola de engenharia do mundo - reconhecida até hoje, e trouxe o reitor da MIT e sete professores para montar o ITA, há 60 anos atrás. E hoje, nós estamos colhendo a Embraer, o Inpe e um avanço espetacular, tanto que uma das diretrizes da presidenta Dilma, e que nós estamos trabalhando fortemente nisso, é dobrar o número de vagas do ITA, porque, esse ano, nós tivemos 9.400 vestibulandos para 120 vagas. Há uma demanda muito forte. E nós conversamos com a direção do MIT para que o MIT participe dessa nova ampliação do ITA, desse novo desenho para novas áreas de engenharia, como fez há 60 anos atrás. Então, quando a gente traz talentos de excelência, como aconteceu com o ITA, você dá um salto nos centros de pesquisa. Foi assim... Por exemplo, a USP. O Lévi-Strauss, que era um grande sociólogo, antropólogo, um homem das humanidades, teve um papel muito importante na construção da Universidade de São Paulo, no início do século passado. Então, nós precisamos trabalhar, entender que especialmente em algumas áreas, como as áreas da matemática, da física, da química, da biologia, a ciência, ela é global. As pessoas, os pesquisadores trabalham em rede, trabalham juntos, e um contribui para a pesquisa do outro. Então, o Brasil, hoje, está entrando nesse mundo. Nós somos um país emergente. Nós somos uma economia que tem democracia, paz, a sexta economia do mundo, com o mercado interno dinâmico, com capacidade empreendedora, com uma agricultura que é a segunda mais importante do planeta, com uma indústria cada vez mais moderna, atuante, e nós precisamos fazer essas parcerias e atrair. Veja, por exemplo, quantos cérebros foram para os Estados Unidos, dos países em desenvolvimento, ao longo da história, ou dos países subdesenvolvidos? Quantos foram para a Europa? E nós estávamos acostumados a simplesmente mandarmos os nossos melhores talentos para fora. Agora, não, nós queremos formar os nossos melhores talentos lá, mas voltando para o Brasil e trabalhando aqui e atrair talentos de fora. Eu disse aqui que nós convidamos a Rosaly, que é uma brasileira que está na Nasa há 25 anos, ela vai trabalhar no Inpe nos próximos três anos, dirige lá um programa muito... Um grande desafio, que são essas naves que vão para Marte, Júpiter, etc. Ela está voltando. Ela me disse uma coisa, por exemplo: “O corte orçamentário da Nasa, só no departamento dela, tinham sido demitidos 300 cientistas de alto nível”. Eu falei assim: “Me dá a lista, que nós queremos convidar alguns para virem para cá”. O Brasil, agora, tem que contratar, tem que ir atrás desses talentos, tem que trazer, para ajudar a resolver os nossos problemas na medicina, para a gente ter uma indústria de fármacos, de medicamentos, na física, na matemática, na biologia. Nós precisamos de parceria. O Brasil, hoje, tem capacidade de atrair, de convocar, de trazer talentos pela importância que o Brasil ganhou, pela credibilidade, pelo respeito. Esse aqui é um país alegre, é um país que tem sol, um país tropical, um país com uma natureza exuberante, um país com paz, com cultura, e nós temos que saber, nós temos que perder esse complexo de vira-lata, como o Nélson Rodrigues dizia no passado, que a gente... Nós crescemos, nós somos um país, hoje, muito importante e que tem capacidade de liderar e de atrair novos talentos. E é isso que nós vamos fazer. Agora, o foco do programa é formar os nossos jovens, o que tem de melhor na universidade brasileira, os mais estudiosos. E eu tenho certeza que um programa como esse vai fazer com que os jovens estudem mais para poder ter a oportunidade, porque agora não é só o filho do rico que vai estudar fora. Porque o filho do rico já ia, tinha bolsa de estudo para estudar. O pai... É, mas era ‘paitrocínio’, era o pai que pagava. Agora não, é um programa público, um programa universal, um programa para todos os alunos que têm condições, e, pelo mérito, pelo seu desempenho, pelo seu esforço, de ir estudar. Por exemplo, no dia que nós lançamos o programa, tinha um jovem de São Paulo, que estava no Senai, que vinha de uma família extremamente pobre, entrou no Senai e conseguiu a pontuação, e estava indo. Ele estava lá, presente, no dia do lançamento. Então existe, realmente, uma oportunidade que nós estamos abrindo para a população brasileira, para os jovens estudiosos e talentosos poderem se aprimorar, aperfeiçoar e buscarem trazer mais conhecimento para o Brasil.
APRESENTADOR LUCIANO SEIXAS: Eduardo Kampa, da Rádio Iguaçu, mais alguma pergunta?
REPÓRTER EDUARDO KAMPA (Rádio Iguaçu AM 830 / Curitiba - PR): A última pergunta, Ministro, é com relação à Defesa Civil. Qual tem sido exatamente o papel do Ministério na área da Defesa Civil, haja visto que todo começo de ano nós temos esses problema aí com desastres naturais, tivemos agora o caso de Minas Gerais, Rio de Janeiro também, e a impressão que se tem é que, nessas horas, as pessoas ficam sem rumo, Ministro.
MINISTRO ALOIZIO MERCADANTE: Eduardo, eu acho que você toca num tema muito importante, que é o seguinte: o clima está mudando no mundo. As pessoas precisam entender que essa discussão da mudança climática não é uma discussão acadêmica, científica. É uma discussão que basta abrir a janela para ver. O clima está mudando, os extremos climáticos estão se acentuando. O mundo precisa mitigar o aquecimento global, nós precisamos tomar a atitude de preservar recursos naturais estratégicos, de mudar o padrão de consumo, mudar a tecnologia. Então, qual é o grande desafio? É que mesmo os países que têm os melhores programas de prevenção... Por exemplo, um dos países que têm o melhor programa de prevenção é o Japão. O Japão é uma ilha que tem furacão, tsunami, tem vulcão, tem todo tipo de problema, enchente... O último tsunami matou 20 mil pessoas. Eu te falo, o sistema não funcionou, o de prevenção? Não! Se fosse em outro país, tinha matado um milhão, é a estimativa dos técnicos, porque o Japão tem muita tecnologia e muita prevenção. Foi um tsunami com ondas de 10m de altura, um terremoto de uma escala que não houve nos últimos 150 anos e deixou 20 mil mortos. Os Estados Unidos tem muita tecnologia de prevenção e no caso de furacão é mais fácil prever do que deslizamento com chuva, como é o caso do Brasil, porque você... O furacão vem vindo, você vai analisando pelas imagens de satélite, você sabe quando vai chegar na região. E o Katrina matou 3 mil pessoas. O último furacão, nos Estados Unidos, matou 56 pessoas. Então a prevenção, ela não necessariamente resolve todos os problemas, mas ela reduz de forma substancial. Cada vida que a gente puder salvar, nós temos que nos dedicar nessa perspectiva. O que é que o Ministério fez esse ano? Nós criamos o Cemaden, o Centro de Monitoramento e Alerta contra Desastres Naturais. Na realidade, nós estamos trabalhando desde o início do ano nesse sistema. Vou dar um exemplo para você: Santa Catarina. Nós alertamos porque, no Inpe, nós já tínhamos as imagens de satélite, dos radares, nós teríamos chuvas fortíssimas em Santa Catarina, esse ano; 900 mil pessoas foram atingidas pelas inundações e pelas chuvas, 200 mil foram desalojadas e não morreu ninguém diretamente das inundações esse ano. As três vítimas não foram propriamente... Foram acidentes correlatos, mas não pelas inundações. Em 2008, uma chuva semelhante, em alguns aspectos mais intensa, mas semelhante, morreram 187 pessoas. Então, é a prevenção, ela resolve. O que é que nós temos feito agora? Nós temos feito alertas diários, diário. Ontem, por exemplo, nós estávamos com um alerta na grande Vitória. Temos feito alerta na grande Belo Horizonte. As chuvas, em Minas Gerais, atingiram 800mm no mês de dezembro, é o maior volume de chuvas - o governador Anastasia me disse - do último século em Minas Gerais. E, no entanto, nós tivemos um número de vítimas bastante reduzido. Em alguns casos, por imprudência. Por exemplo, tinha um prédio que estava para desmoronar, estava interditado pela Defesa Civil, as pessoas foram chamadas a se retirar, duas pessoas não se retiraram e o prédio desabou. Então... E evidente que algumas vítimas são totalmente involuntárias. Então, a Defesa... O que o Ministério faz? Ele faz esse alerta. Nós pegamos as imagens dos satélites, os radares, nós ampliamos as redes de radares, e precisamos comprar mais quatro radares, para Salvador, Espírito Santo, vamos colocar um lá no Vale do Paraíba, em Cachoeira Paulista, onde está o Cemaden, e substituir o de Alagoas, que é um radar muito antigo. E nós, com as imagens... Colocamos também os radares da Aeronáutica, todos os radares estão integrados, hoje, nesse sistema, os satélites, e os pluviômetros e hidrômetros. Os pluviômetros captam a chuva naquele local específico e os hidrômetros medem a elevação do rio. Ontem, por exemplo, eu vi as estatísticas de alguns rios. Tem rio que aumentou 8m em 24h; 8m, 6m, 5m. Então imagina qual é o desafio da Defesa Civil, de ter uma capacidade de mobilização num rio... E essa água que está subindo, por exemplo, que está, hoje, em Minas Gerais, vai descer para o Espírito Santo. Então, nós vamos ter, em algumas regiões, já estão... A Defesa Civil já está sendo alertada, porque essa água desce em algumas situações. Então vai bater, por exemplo, em Campos. Então, nós precisamos ter muita atenção ao trabalho da Defesa Civil. Cada prefeito desse país precisa montar uma boa Defesa Civil, precisa se dedicar. As pessoas que têm disposição de ajudar precisam participar da Defesa Civil, precisa ter treinamento, precisa ter orientação. E nós precisamos criar uma cultura de prevenção que nós não tínhamos. A Índia também não tinha um sistema de prevenção de desastres naturais, está criando esse ano. A Colômbia também não tinha, está criando esse ano. Então o Brasil tem um grande desafio. Nós estamos fazendo os alertas. Para melhorar os alertas, nós precisamos de mais pluviômetros e hidrômetros. Vou dar um exemplo: nós demos um alerta para Ouro Preto, que a situação era de risco. Tínhamos a área mapeada, com risco de deslizamento, então a Defesa Civil sabia que aquela área era sujeita a deslizamento. Mas, para saber que aquele morro específico ia cair com aquele volume de chuva, nós precisaríamos ter um pluviômetro ali. Nós não tínhamos. A nossa sorte é que aquele morro estava próximo só de uma rodoviária, bateu só na ponta da rodoviária, tivemos, lamentavelmente, duas vítimas. Mas vamos supor que ali tivesse uma comunidade, que ali fosse uma favela. Imagina a tragédia que nós teríamos, tendo feito o alerta, a Defesa Civil foi avisada, mas nós ainda precisamos melhorar o nosso sistema, tanto o de alerta quanto o levantamento geotécnico, porque, hoje, nós só temos 56 cidades bem mapeadas, na nossa plataforma, das 251 que estão mais expostas a chuvas. Não quer dizer que outras não possam ter, mas são, na história do Brasil, as cidades que mais vítimas tiveram, que mais exposição terão. E, além disso, nós fizemos um concurso e não tivemos geólogos. Não tem geólogo disponível para fazer esse trabalho, no Brasil. Nós estamos abrindo, agora, um concurso internacional. E vamos pegar os estudantes de geologia e fazer uma parceria, dar bolsa de estudos para eles ajudarem, terceiro e quarto ano, para tentar resolver um problema complexo. Então, o alerta, nós estamos usando o que tem de melhor em tecnologia. As imagens de satélite que nós temos são de primeira qualidade; nós temos o segundo maior computador do mundo, o supercomputador do mundo, em clima, que é o Tupã, que faz esses cálculos para poder fazer essa previsão. Temos uma experiência, de longa data, do Ceptec-Inpe, agora fortalecido com o Cemaden. Contratamos profissionais de grande nível em hidrologia, desastres naturais, meteorologia, enfim, para trabalhar no sistema. Mas temos, ainda, dificuldades. Na área da geologia, o levantamento geotécnico, que falta recursos humanos no Brasil, nós vamos abrir um concurso internacional; e o trabalho da Defesa Civil, que é um trabalho fundamental. E, de outro lado, as obras de prevenção, que estão, fundamentalmente, no Ministério das Cidades, uma parte menor no Ministério da Integração. Os prefeitos, governadores, todos têm que trabalhar na mesma direção. Então, o Brasil precisa entender que nós precisamos criar uma cultura de prevenção. E nós esperamos, no futuro, inclusive, ter uma articulação melhor com a Abert, com as rádios, com o sistema de comunicação, para nos ajudar... Para ajudar, também, na mobilização, como acontece no caso de furacão, vulcão, de outros países, que o sistema de comunicação está integrado ao sistema de alerta e prevenção. Tem tido uma contribuição muito importante da imprensa, eles, evidentemente, ajudam muito nesse trabalho. E o esforço que está sendo feito é muito grande. Em alguns casos, por exemplo, como o caso de Minas Gerais, esse ano, tivemos o maior volume de chuvas do século, segundo o governador Anastasia, e, realmente, 800 milímetros no mês, eu acho que não há precedente na região, e a Defesa Civil funcionou, como funcionou em Santa Catarina, como está funcionando, com muita eficiência, apesar de algumas vítimas que nós tivemos. Agora, não é fácil nós enfrentarmos esse quadro. É preciso a participação de todos, e mesmo os melhores países do mundo conseguiram reduzir em 80% o número de vítimas, não conseguiram eliminar totalmente, pela força que esses extremos climáticos estão tendo e pelo volume de chuvas e concentração de chuvas que nós estamos tendo no Brasil. E a outra ponta é a seca, porque, lá no Rio Grande do Sul, nós estamos tendo seca, que compromete a agricultura. E, no caso da seca, a gente consegue fazer previsão de 30 dias de antecedência. Então, o sistema de alerta vai ajudar muito, também, na questão da prevenção das secas. Agora, o homem precisa mudar o padrão de consumo. Nós precisamos investir em sustentabilidade ambiental, educação ambiental, preservar os recursos naturais estratégicos e, talvez, essas lições sirvam para a gente entender que nós precisamos melhorar a relação com a natureza, se nós quisermos... Ela é muito forte e ela está sendo muito desrespeitada. E parte do problema que nós estamos tendo é, exatamente, por essa irresponsabilidade, como nós estamos desenvolvendo o planeta, e não podem continuar assim. Então, não é, simplesmente, uma discussão acadêmica, tem a ver com a vida cotidiana das pessoas.
APRESENTADOR LUCIANO SEIXAS: Você está ouvindo o Programa Bom Dia, Ministro, uma parceria da EBC Serviços com a Secretaria de Comunicação da Presidência da República. E, agora, temos a participação da Rádio Amazonas FM, de Manaus, com o Patrick Motta. Alô, Patrick. Bom dia.
REPÓRTER PATRICK MOTTA (Rádio Amazonas FM / Manaus - AM): Bom dia, Luciano Seixas, senhoras e senhores ouvintes, e bom dia, Ministro Mercadante.
MINISTRO ALOIZIO MERCADANTE: Bom dia, Patrick.
REPÓRTER PATRICK MOTTA (Rádio Amazonas FM / Manaus - AM): Ministro, a gente percebe que o Ministério que o senhor comanda tem tido um novo fôlego em políticas estruturantes e novas linhas de ação, além da inclusão da palavra inovação ao Ministério, que antes era chamado de Ciência e Tecnologia. Eu gostaria que o senhor explicasse o que está sendo feito pelo CBA, o Centro de Biotecnologia da Amazônia, instalado aqui em Manaus, que, até hoje, tem se tornado um elefante branco, Ministro.
MINISTRO ALOIZIO MERCADANTE: Olha, Patrick, deixa eu te dizer algumas coisas em relação a isso. Primeiro, te dar uma notícia boa, aí, e espero, em breve, encontrar com o governador Omar para a gente lançar. Nós recebemos, no Ministério... Eu estou indo, hoje, para... Terminando esse programa, eu estou indo para Pernambuco. Nós recebemos uma doação de uma empresa chinesa, Huawe, da área de telecomunicações e informática, dois grandes data centers. Doamos um para a Universidade Federal de Pernambuco, que é nível seis da Caps, é um centro de excelência na área de tecnologia da informação, e doamos o segundo Data Center aí para a Universidade Federal do Amazonas. Por quê? Porque a região Norte e a região Nordeste são as regiões que precisam de mais impulso ao desenvolvimento. E, no caso do polo industrial de Manaus, nós já temos uma base importante de tecnologia da informação e precisamos fomentar a parte de software, de games. Inclusive, a Microsoft também trouxe uma fábrica para o Brasil, que está indo aí para a Zona Franca. E nós estamos levando esses data center para desenvolver o quê? Computação em nuvem e dar suporte às políticas públicas. Para melhorar a qualidade das políticas públicas, nós precisamos da computação em nuvem, para você poder ter portais, armazenamento de dados, capacidade operacional. Essa é uma tecnologia que pode ajudar muito. De outro lado, você tem toda a razão. Quando a gente olha para a Amazônia... Nós fizemos uma pesquisa, TerraClass, o Inpe e a Embrapa, analisando, por exemplo, o desmatamento da Amazônia. O que aconteceu com a área desmatada? O que é que nós vimos? Quarenta e seis por cento da área desmatada virou pasto, 21%... É um pasto de péssima qualidade. Não tem o menor sentido criar gado naquelas condições. Quinze por cento... Desculpe, 15% é pasto degradado, 21% é a floresta voltando, se regenerando, é mata secundária, e só 1% do solo se degradada. Então, aquela ideia que desmatou, degrada, não é verdade. O solo da Amazônia é fértil, forte e reage. Se o homem não intervir, a mata se recompõe. Então, é um sequestro de carbono espetacular que nós temos, a partir dessa pesquisa, de uma mata que está se recuperando, que não estava na nossa contabilidade e que é muito importante para essa discussão do aquecimento global. Agora, qual é a melhor forma de preservar a Floresta Amazônica? Não é só o trabalho que a Ministério faz junto com a Polícia Federal e o Ibama. Nós usamos a imagem de satélite para mostrar o desmatamento, o Ibama e a Polícia Federal vão lá... Por exemplo, ali no Mato Grosso, nós apreendemos 70 tratores de esteira que estavam desmatando, esse ano, e reduzimos... Tivemos o menor índice de desmatamento desde que foi criado o índice, em 1988, este ano. Por quê? Houve uma ação firme do estado, e o nosso Ministério fornece as imagens para monitorar toda a fiscalização do desmatamento. Mas a melhor forma de manter a Amazônia de pé é dar... Gerar valor agregado à biodiversidade. É criar parques tecnológicos, na Amazônia, focado na biodiversidade: a parte de fármacos, medicamentos, cosméticos, alimentação. Usar a beleza, a criatividade, pesquisar, conhecer a floresta e usar esses recursos de uma forma mais inteligente que preservem a floresta. Então, você tem toda a razão. O CBA tem que ser reestruturado e fortalecido. É um espaço belíssimo, eu conheço, pessoalmente. Tem um trabalho sendo feito, mas ele precisa dar um salto de qualidade. Nós fizemos uma comissão tripartite... Porque quem administra o CBA é a Suframa. Então, nós fizemos uma parceria com o MDIC, o Ministério da Indústria e Comércio, com Ministro Fernando Pimentel, com a Embrapa, eu conversei com o presidente da Embrapa, o Pedro Arraes, e com o Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação, e estamos também convidando o Ministério do Meio Ambiente, essa comissão tripartite... Na realidade, eram os três primeiros ministérios, agora agregado pelo Meio Ambiente, para fazer uma reestruturação jurídica, refinanciamento, remodelação do CBA. Então, você... E, por último, nós estamos negociando, no âmbito da Onu, um programa mundial de biodiversidade, que deve ser criado nos 180 países. Provavelmente, a sede desse programa será na França. E, se for na França, o Brasil está disputando trazer para o Brasil o centro de formação para a biodiversidade, e a nossa proposta é levar para o CBA. Então, se nós conseguirmos esse acordo no âmbito da Onu, nós teremos um foco muito promissor para o CBA, seria o grande centro mundial de formação. Mas isso depende da assembleia. Nós não temos garantias disso. O que nós podemos fazer agora é isso que nós estamos fazendo, uma comissão Embrapa, Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação, Ministério de Indústria e Comércio e o Ministério do Meio Ambiente, uma comissão quadripartite... Conversei, também, com o secretário de Ciência e Tecnologia do estado do Amazonas, que também está sabendo disso, para a gente trabalhar em parceria para remodelar essa infraestrutura de laboratório, espaço físico tão promissor, que é o CBA, e um desafio tão grande, que é a Amazônia, para a gente transformá-lo, realmente, em um grande centro de pesquisa, trazendo o Inpa, o Museu Goeldi e outras instituições, fortalecendo o CBA.
APRESENTADOR LUCIANO SEIXAS: A EBC Serviços disponibiliza o sinal deste Programa Bom Dia, Ministro para todas as emissoras de rádio do país, via satélite, no mesmo canal da Voz do Brasil. O áudio e a transcrição dessa entrevista também serão disponibilizados, hoje, ainda pela manhã, na página da EBC Serviços, na internet. O endereço é: www.ebcservicos.com.br. E, agora, temos a participação de Salvador, com a Rádio Educadora 107,5 FM. Quem faz a pergunta é Sueli Diniz. Alô, Sueli. Bom dia.
REPÓRTER SUELI DINIZ (Rádio Educadora 107,5 FM / Salvador - BA): Bom dia, Luciano Seixas. Bom dia, Ministro Aloizio Mercadante. A Rádio Educadora agradece, mais uma vez, a participação nesse primeiro programa de 2012. Ministro, voltando àquele assunto que nós estávamos ouvindo, há poucos instantes, da área de Defesa Civil, a gente queria saber qual é a posição do Ministério de Ciência e Tecnologia com relação, exatamente, a esse monitoramento de alerta de desastres. O governo acaba de anunciar a intenção de formar um grupo, constituído por integrantes de várias áreas, para administrar a distribuição dessas verbas que são destinadas à prevenção e apoio aos acidentes naturais. Como que o senhor vê a formação desse grupo?
MINISTRO ALOIZIO MERCADANTE: Olha, Sueli, vou te dar, também, uma informação importante. Ontem, eu tive uma reunião importante com o governador Jaques Wagner, nós nos reunimos, no início da tarde, e acordamos... Já estamos iniciando o processo de compra de um radar meteorológico para a grande Salvador, que é uma das áreas que precisa de um radar específico. O Ministério vai entrar com o radar, o governador vai entrar com toda a infraestrutura, com a manutenção e com a operação do radar, e a Aeronáutica vai fazer a operação técnica, para poder integrar dentro de toda a cadeia de radares do Brasil. Então, também vai ser um instrumento muito importante. Estamos dando prioridade absoluta. As fábricas de radares demoram de seis a nove meses para entregar. Nós estamos vendo se a vencedora da licitação entrega um radar temporário, depois substitui pelo definitivo, para, quando chegar o inverno em Salvador, a gente já possa ter um radar a mais para poder melhorar a nossa capacidade de prevenção. O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, a nossa responsabilidade é, exatamente, satélite, radar, pluviômetro, hidrômetro, é fazer o alerta. Do alerta para frente... O Ministério da Integração recebe o alerta e ele repassa para a Defesa Civil e faz a mobilização da Defesa Civil. As obras de prevenção, as obras de apoio à população atingida, aí é a prefeitura, o governo do estado, o Ministério da Integração, o Ministério das Cidades. Nós estamos, por exemplo, hoje, com várias rodovias interrompidas, algumas, inclusive, no caso, ali, de Ouro Preto, as duas mãos foram interrompidas, uma barreira... Duas barreiras monstruosas levaram a estrada. Então, o Ministério do Transporte está trabalhando para recuperar essas ferrovias, pontes que foram destruídas por essa elevação do nível dos rios. Então, o Ministério da Defesa apoia nos momentos de crise. O Ministério da Saúde criou uma força nacional do SUS, que, exatamente, está encaminhando kit saúde para a população atingida, para você não ter, na sequela, doenças que se agravam. Então, há uma mobilização de muitos ministérios trabalhando junto, em parceria, para poder atuar nas áreas atingidas. O nosso Ministério, ele trabalha antes da catástrofe, ele trabalha no alerta, ele trabalha na prevenção, especialmente, buscando salvar vidas, mas também os bens materiais. Por exemplo, esses rios que estão aumentando o nível das águas, se a população é avisada e ela tem tempo de sair da casa, não só ela preserva a vida como preserva os seus bens móveis. Às vezes, são os documentos, as coisas mais importantes que a família possui. E quando isso não é feito, não só você... Você pode perder tudo o que uma família possui. É uma tragédia muito grande, é um sofrimento muito grande. Nós já temos, hoje, muitas famílias desalojadas. E são milhares. E nós temos famílias desabrigadas. Ou seja, os desabrigados, o estado assume a responsabilidade, coloca em centros comunitários; às vezes, em momentos de crise, de uma forma improvisada, em um estádio de futebol, em uma igreja. Então, nós estamos fazendo um trabalho de coordenação, tanto na prevenção, que nós demos um salto importante, este ano, nós não tínhamos um sistema de alerta como temos hoje; na parte de mobilização da Defesa Civil, que foi a prioridade do Ministério da Integração, o ano passado, foi construir a Defesa Civil, preparar a Defesa Civil, mobilizar a Defesa Civil, orientar a Defesa Civil; e estamos, agora, entrando em uma nova fase. Por exemplo, nós vamos... Estamos convidando as empresas de telecomunicações... Nós vamos fazer uma reunião, agora, no início dessa semana, com eles, porque nós precisamos colocar, de forma mais ágil, pluviômetros automatizados. O que é o pluviômetro? É o equipamento que recebe a chuva, você sabe quanto choveu naquela localidade. Esse pluviômetro que é automatizado, ele precisa de fibra ótica e energia, para receber a informação, imediatamente, no Centro de Monitoramento, para a gente poder saber: “Olha, aquele terreno, com um tanto de chuva, desmorona”. Aí você pode dar um alerta muito preciso e muito localizado para aquela comunidade. Então, nós estamos conversando com algumas empresas, uma empresa, inclusive, já está participando dessa iniciativa, para nós colocarmos os pluviômetros nas torres de comunicação e telecomunicações, porque as torres têm energia e têm fibra ótica. Então, imediatamente, a gente poderia... E como elas estão em morros estratégicos, nos grandes centros urbanos, nós poderíamos, rapidamente, melhorar muito a nossa rede de pluviômetros e a nossa capacidade de análise. Então, nós já estamos comprando três mil pluviômetros, 1.500 automatizados e três mil manuais. Esses manuais, nós vamos distribuir para a Defesa Civil, para ela colocar naquelas comunidades e treinar a comunidade local para... Porque aí é manual, ela vai olhar e vai ligar, pelo celular, e avisar o que está acontecendo, porque tem algumas regiões que nós não temos fibra ótica, não temos como colocar um pluviômetro automatizado. Então, nós vamos colocar o manual e vamos treinar, que também é uma forma de educar a população para acompanhar as chuvas e saber, exatamente, o que está acontecendo. Então, o esforço é muito grande para todo esse trabalho de prevenção, que é responsabilidade do nosso Ministério. Na área de prevenção... Eu acho que era muito importante convidar, viu, Luciano, o Ministério das Cidades, o Ministério da Integração, para eles falarem todas as providências, os programas que são feitos de contenção de encostas, muros, barragens para a represa de água, para diminuir o volume e a velocidade, enfim, são muitas... Remoção de populações, tem áreas que não tem saída, vai ter que remover. O Minha Casa, Minha Vida vem, também, para dar suporte à remoção. Agora, nós temos uma população imensa, um crescimento desordenado ao longo da história, que está totalmente exposta. E o nosso trabalho, hoje, é mais de prevenção, no sentido da mobilização e de salvar vidas e os pertences, principalmente, a vida das pessoas.
APRESENTADOR LUCIANO SEIXAS: Este é o Programa Bom Dia, Ministro, e, agora, contamos com a participação da Rádio Tocantins AM, de Porto Nacional, no Tocantins, com a Jô Cristina. Alô, Jô. Bom dia. Jô Cristina, bom dia. Daqui a pouquinho, refaremos o contato, então, com a Rádio Tocantins. Vamos direto para Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, Rádio Capital FM, de Campo Grande, Raul Ratier. Alô, Raul. Bom dia.
REPÓRTER RAUL RATIER (Rádio Capital FM / Campo Grande - MS): Alô. Bom dia, Luciano. Bom dia ao Ministro Mercadante. Saudações palmeirenses para o senhor, e desejo que 2012 só encontre sinal verde.
MINISTRO ALOIZIO MERCADANTE: Eu não sei o que você está comemorando!
REPÓRTER RAUL RATIER (Rádio Capital FM / Campo Grande - MS): Ministro, vamos lá, então, com a nossa pergunta. É o seguinte, Ministro: o seu Ministério tem feito, aí, parcerias com o Ministério da Educação, não é, e criou, aí, o Ciência sem Fronteiras. Mas eu gostaria de saber, do Ministério, por que... Não sei, desculpe a minha ignorância, mas, no Brasil, as nossas universidades não poderiam ter um curso de ciências e tecnologia para que os nossos jovens pudessem ter maior acesso à tecnologia atual?
MINISTRO ALOIZIO MERCADANTE: Raul, nós temos, nas universidades, muitos cursos de ciência, não é? Nós temos, na área de ciências exatas, matemática, física; temos, na área de ciências básicas, biologia, química; temos, na área de ciências médicas, medicina, enfermagem, fisioterapia; temos os cursos... Enfim, nas áreas de tecnologia, as engenharias todas são cursos muito importantes. Hoje, há uma demanda muito forte por engenheiros, e um déficit, no Brasil. Nós vamos ter que aumentar, fortemente, a formação de engenheiros. Então, nós fizemos alguns programas. O ProUni, que abriu vagas para todas as universidades particulares, e o Reuni, que dobrou o número de vagas nas universidades públicas nos últimos anos. Além disso, nós tínhamos 43 campi universitários; hoje, nós temos 230. Houve uma forte expansão da rede de universidades federais. Mais abaixo, a presidenta Dilma lançou o Pronatec, que é transformar o Ensino Médio em um Ensino Médio, que são as disciplinas básicas, mas também o ensino profissionalizante em áreas... Por exemplo, ele pode se formar em técnico em eletrônica, técnico em construção civil, ele pode se formar em mecânica, ele pode se formar em contabilidade, quer dizer, são profissões tecnológicas que o mercado de trabalho precisa, e esses jovens já sairiam do Ensino Médio com uma profissão, podendo continuar a universidade, e devem continuar estudando, ou indo para o mercado de trabalho, mas com uma formação mais qualificada. Então, nós já temos isso, no Brasil. Agora, o que nós estamos querendo com o Ciência sem Fronteiras é colocar esses estudantes dos melhores cursos do Brasil nas melhores universidades do mundo, porque nós precisamos estar na ponta, também, na fronteira do conhecimento. Eu dei o exemplo, aqui, da Embraer. Na medida em que nós fizemos uma escola de engenharia de ponta, demorou meio século, mas, hoje, nós temos 60 anos de trabalho, nós temos a terceira empresa aeronáutica do mundo, que é a Embraer. Nós só perdemos para a Boeing e para a Airbus, que é da EADS. São as duas únicas empresas que estão acima da Embraer, hoje. É uma empresa extremamente competitiva em jatos regionais, muito eficiente, lançou produtos de grande repercussão. Agora, se a gente olhar para a história, a Embraer começou com o Brasília, com o Bandeirante, com o Xingu, para poder chegar no jato, no Legacy, EB-145 e todas os outros... As linhas mais modernas de aviação. Então, com ciência e com tecnologia é que nós criamos e disputamos os setores de mais valor agregado, que geram as melhores rendas, os melhores empregos. Ontem, por exemplo, nós participamos do lançamento de um carro da Ford, que vai para cem países, eu disse isso aqui, que a engenharia foi coordenada por 1.200 engenheiros brasileiros. O desenho do carro foi feito o design todo no Brasil; o design de interiores, no Brasil; a transmissão, o câmbio, no Brasil; a plataforma do carro, no Brasil. E a engenharia brasileira vai liderar, agora, a construção desse carro em dois outros países, Índia e Tailândia. E esse modelo vai para cem países do mundo. E nós temos insistido nesse caminho. O Brasil Maior, que foi a política industrial, ela veio, exatamente, para fazer essa mudança. Ou seja, o Brasil não pode ter mais uma atitude passiva diante da tecnologia e da ciência. Não é só o governo fazer curso, é a indústria investir em pesquisa e desenvolvimento, é a indústria contratar técnicos qualificados. Nós não temos que ser, simplesmente, importador de automóveis. Nunca mais seremos. E não podemos ser, também... Podemos até importar automóvel, mas nós temos que, fundamentalmente, produzir no Brasil. Agora, produzir no Brasil não é só manufaturar no Brasil, é desenvolver o modelo no Brasil. Esse é o passo que o Brasil tem que dar, esse é o salto que nós estamos procurando dar. Na área de tecnologia da informação, por exemplo, o Brasil, hoje, é o terceiro maior mercado mundial de venda de computadores. Hoje, os jornais estão dizendo que nós seremos, o ano que vem, o terceiro maior mercado mundial de venda de automóveis. Então, a força desse mercado tem que nos levar a mudar a qualidade da relação com as empresas. Ou seja, você quer desfrutar desse mercado? Primeiro, venha produzir aqui; segundo, traga sua parte da pesquisa e do desenvolvimento para o Brasil. Então, a GE trouxe, a IBM trouxe, a Microsoft está lançando, agora, um centro de pesquisa no Brasil, a Ford, ontem, demonstrou que trouxe parte da sua engenharia para o Brasil. Eu estou dando alguns exemplos, entre muitos que eu poderia dar. O que nós queremos? Aprofundar esse processo. Empresas nacionais, empresas multinacionais, que estão no Brasil, tragam e produzam parte da ciência e da tecnologia para a inovação dos produtos aqui no país. E isso vai dar um impulso às áreas tecnológicas da universidade, vai gerar mercado de trabalho para a engenharia, para tecnólogos, para as pessoas que estão afinadas com essas áreas mais importantes, mais sensíveis. Dou um último exemplo. Um dos maiores desafios que nós temos, por exemplo, é produzir semicondutores no Brasil. Só 20 países do mundo fazem semicondutores, que é os chips. Tudo que é produto eletrônico que você vê, hoje, tem chips. Computador, celular, televisores, é tudo feito através de chips. É muito sofisticado produzir um chip, só 20 países fazem. São gases altamente tóxicos, são mais de 16... Tem que combinar para fazer o waffle, depois você tem que cortar. Você tem que trabalhar com nanotecnologia, é muito sofisticado. Então, nós já temos algumas empresas de design, empresas que desenham os chips. Agora, para você desenhar bem, você tem que aprender a fazer, senão você não entra na linha de frente. Então, o Ministério teve que criar uma fábrica, uma indústria de chips, que é o Ceitec, que está pronta, lá no Rio Grande do Sul. Investimos R$ 500 milhões, nos últimos anos, para concluir a fábrica. Estamos, agora, contratando os profissionais. Alocamos os recursos para o ano que vem. Nós vamos produzir um chip para a rastreabilidade do boi, para acompanhar o nosso gado no Brasil, para saber de onde veio o gado, para onde foi, que é uma exigência do mercado internacional, hoje, especialmente, a União Europeia. Vamos fazer um chip para logística; estamos fazendo um chip para passaporte, para carteira de identidade, enfim. E vamos começar a aprender a fazer. Vai demorar um ano, um ano e meio, para a gente aprender a fazer. Agora, ao entrar, o Brasil passar a ser o 21º país que produz chip no mundo, vai abrir um caminho fantástico para a indústria eletroeletrônica, para a engenharia, para a tecnologia, para a inovação no Brasil. Então, essas áreas sensíveis, hoje, são prioridades do nosso Ministério, para que a gente possa avançar nesses segmentos. Por exemplo, complexo industrial da saúde. O Brasil... O SUS é o maior comprador de medicamentos do mundo, mas nós temos um déficit de mais de US$ 10 bilhões em compra de medicamentos e equipamentos de saúde. É o setor que mais pesquisa tem no mundo, é o complexo de saúde. Então, nós precisamos desenvolver equipamentos, desenvolver medicamentos. Os genéricos ajudou muito, mas a nova geração de medicamentos não é mais a síntese química, são os biológicos, são moléculas mais complexas, é uma pesquisa muito mais sofisticada. O Brasil não produz remédios biológicos, e poucos países do mundo fazem, mas é uma nova fronteira. Nós estamos buscando parceiras para entrar, também, nesse setor. Então, essas áreas de fronteira, nós precisamos estar atentos, porque elas que vão fazer a sociedade do conhecimento e a economia do futuro. E o Brasil tem que usar o fato de ser um grande produtor de alimentos e, agora com o pré-sal, de gás e petróleo, um grande produtor de minério, para desenvolver as áreas de mais alta tecnologia e preparar o Brasil para essa economia do conhecimento, que é a economia do futuro. O Ciência sem Fronteiras vem para isso, para preparar essa liderança intelectual para poder impulsionar esses setores estratégicos na área das engenharias, das tecnologias, na área da medicina, na área da informática, nas áreas mais importantes para o país.
APRESENTADOR LUCIANO SEIXAS: No Programa Bom Dia, Ministro, a última participação de hoje vem da Rádio Tocantins AM, com a Jô Cristina. Alô, Jô. Bom dia. Alô, Jô. Bom dia. Perdemos o contato, então, temos, aqui, a Elida Regis. Ela é da Rádio Boas Novas, de Recife. Alô, Elida. Bom dia.
REPÓRTER ELIDA REGIS (Rádio Boas Novas AM / Recife - PE): Bom dia. Bom dia, Ministro. Ministro, nós tivemos a informação que o senhor estará aqui em Pernambuco, hoje, para anúncio da doação dos equipamentos do programa Computador nas Nuvens. Qual o objetivo desse programa, Ministro?
MINISTRO ALOIZIO MERCADANTE: Olha, eu estarei, hoje, em Pernambuco, depois vou visitar o Porto Digital, vou visitar a Universidade Federal, vamos ter um ato aí no Palácio, com o governador Eduardo Campos, que tem feito um trabalho muito importante nessa área de levar a tecnologia de informação para as escolas, de buscar a inclusão digital, de dar oportunidade para que os jovens da escola pública também tenham acesso a esse mundo da computação, da internet, onde você tem informações cada vez mais estratégicas para o desenvolvimento das pessoas em todas as áreas, na saúde, na economia, na medicina e, sobretudo, também para a educação. E esses equipamentos é um grande data center, para a gente desenvolver uma das áreas de fronteira, que é a chamada computação em nuvem. Ou seja, invés de você ter a memória no seu computador, os programas no seu computador, isso fica em um computador central e você, simplesmente, acessa. Com isso, você barateia muitos equipamentos e você pode dar suporte à produção de muito mais informação. Por exemplo, no MEC, nós precisamos de uma computação em nuvem para dar suporte às escolas públicas, às redes estaduais, municipais, a Ensino Infantil, o Médio, ao Ensino Fundamental, ao ensino básico, ao ensino universitário. Então, a nossa ideia é que esses equipamentos fiquem aí em Recife. Por que no Nordeste, por que em Recife? No Nordeste, porque o Nordeste tem 27% da população do Brasil e só tem 13% do PIB brasileiro. Então, nós precisamos desconcentrar renda e conhecimento. A melhor forma de diminuir a desigualdade no Brasil é distribuir educação e cultura, é distribuir tecnologia. Por que em Recife? Porque o melhor centro de tecnologia da informação, a melhor faculdade na área de computação, é a Universidade Federal de Pernambuco. Então, esse centro vai ficar aí, e nós vamos, agora, fazer um acordo para que ele desenvolva essa fronteira da tecnologia da informação, que computação em nuvem é uma área totalmente nova que está chegando, para dar suporte à rede educacional brasileira. Nós temos um outro instrumento, que é a RNP, a Rede Nacional de Pesquisa. A gente distribui fibra ótica no Brasil inteiro, para apoiar as universidades, os centros de pesquisas, os nossos hospitais. Então, eu fico muito feliz de poder... E, hoje, quero, também, prestar uma homenagem ao ex-Ministro Sérgio Rezende, que deixou um trabalho muito bem feito no nosso Ministério, e estaremos juntos, aí, hoje, no Palácio, com o governador Eduardo Campos. Como a sua rádio é a Rádio Boas Novas, você está trazendo uma boa nova para o estado de Pernambuco.
APRESENTADOR LUCIANO SEIXAS: Ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Aloizio Mercadante, muito obrigado por sua presença no Programa Bom Dia, Ministro de hoje.
MINISTRO ALOIZIO MERCADANTE: Obrigado, Luciano. Um bom dia a todos vocês. Eu agradeço muito esse espaço plural, tão importante para a gente poder falar, diretamente, com a população. E tenho certeza de que vocês vão continuar prestando um grande serviço à democracia e ao povo brasileiro. Um bom dia, bom trabalho e bom final de semana. E uma boa notícia, também. A expectativa do nosso Centro de Prevenção a Desastres Naturais é que a gente vai ter um certo alívio das chuvas sexta e sábado, mas ela pode voltar forte no domingo, segunda e terça-feira. Então, é para a gente... Dá para respirar um pouco, mas nós vamos ter que continuar muito mobilizados ao longo desse mês de janeiro e, talvez, fevereiro, e prestando muita atenção, todo mundo muito atento para a gente poder acompanhar a Defesa Civil e poder ajudar, para que a gente não assista mais tragédias como nós temos tido. Um bom dia, um bom trabalho e muito obrigado pela oportunidade.
APRESENTADOR LUCIANO SEIXAS: Até a próxima. Estamos encerrando mais uma edição do Bom Dia, Ministro. Eu sou Luciano Seixas. Até uma próxima oportunidade.