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Arquivos: 13/01/2010 - Transcrição

APRESENTADOR MAX GONÇALVES: Na pauta do Programa de hoje a seleção de projetos dos Programas Minha Casa, Minha Vida e de Aceleração do Crescimento. Outro tema a ser abordado com o ministro Márcio Fortes, é a questão da assinatura do Termo de Cooperação com as cidades sede para a Copa de 2014. O ministro das Cidades vai falar sobre as mais de duas mil propostas selecionadas pelo Programa Minha Casa, Minha Vida nos municípios com menos de 50 mil habitantes e também vai conversar sobre as propostas ao programa Pró-Moradia, que faz parte do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento)e que também selecionou 54 propostas. O Ministro das Cidades Márcio Fortes, como eu já disse, já está conosco aqui no estúdio, pronto pra conversar ao vivo com âncoras de emissoras de Rádio de todo país.

RÁDIO TUPI (RIO DE JANEIRO-RJ)/ANA RODRIGUES: Como estão os avanços do Programa Minha Casa, Minha Vida aqui no estado do Rio. E haverá consideração principalmente sobre as regiões atingidas pelas chuvas nos últimos dias aqui no estado?

MINISTRO: O Programa Minha Casa, Minha Vida, ele vai bem já em todo o Brasil, temos dentro da Caixa mais de 600 mil unidades habitacionais sendo objeto de avaliação dentro dos projetos apresentados. O Rio de Janeiro, está dentro da lista dos estados que tem boa apresentação, que respeita a contratação. Nós já temos atualmente, no Brasil inteiro, contratadas 248 mil unidades, sendo que para o Sudeste, nós temos 88 mil 524 unidades contratadas, o que realmente é um bom desempenho. Com respeito ao Rio de Janeiro, nós temos no momento contratadas, no momento, eu digo até a última avaliação da Caixa que é 24 de dezembro, nós temos 17 mil 382 unidades contratadas, ou seja 23,3% da meta que é de 74 mil 857. Então Minha Casa, Minha Vida está agora no Brasil inteiro deslanchando, passado o primeiro momento de ajuste de baixa de normativos.

Os ajustes tanto da parte do governo, como na parte do setor privado e das ações preparatórias que envolveram negociações de prefeitos, governadores com seus legislativos, para autorização de doação de terrenos, a baixa de impostos, como também todas as negociações para montagem dos cadastros beneficiários. E as empresas que vão fazer essas obras estão sendo progressivamente atraídas para o programa e sendo cadastradas na Caixa, onde já havia cerca de 2.300 empresas cadastradas, chamadas Gericadas, ou seja Cadastro da Caixa e a intenção é ampliar muito mais esse número, porque nós temos que fazer obras nas capitais e no interior, e a logística de insumos, logística de mão de obra é diferente em cada caso.

RÁDIO TUPI (RIO DE JANEIRO-RJ)/ANA RODRIGUES: O PAC da Mobilidade Urbana, ministro, que será anunciado hoje, a gente gostaria de destacar com o senhor, qual o principal ponto do programa pra o Rio de Janeiro, visando especificamente a melhoria dos transportes e a Copa do Mundo?

MINISTRO: No PAC especificamente da Mobilidade de Transporte Urbano no Rio de Janeiro, nós temos a definição a respeito do T5, porque o T5 é o corredor exclusivo de ônibus, que vai do Galeão à Penha e da Penha até a Barra. Um projeto que ascende a R$ 1 bilhão 600 milhões, e nós vamos participar com R$ 1 bilhão 190 milhões, exatamente, como financiamento para essa obra junto a prefeitura do Rio de Janeiro.

É claro que a Copa do Mundo, tem no Rio de Janeiro uma expressão muito grande, através do Estádio Maracanã, e ai é uma ação que é do Ministério do Esporte, que está coordenando a questão dos financiamentos para a melhoria dos estádios no Brasil inteiro e no Rio de Janeiro a atualização, a remodelação do que for necessário no Maracanã, que já teve obras recentes inclusive, como também algumas obras de entorno, que fazem parte do pacote, mais especificamente na área do Ministério do Esporte.

RÁDIO AMAZONAS (MANAUS-AM)/PATRICK MOTA: Ontem houve uma reunião da qual o senhor participou com o Conselho Curador do FGTS tendo como pauta principal a destinação de recursos do PAC pra mobilidade urbana, O PAC da Copa de 2014?

MINISTRO: Essa reunião foi a reunião extraordinária do Conselho Curador, para aprovar o reforço orçamentário do Programa Pró-Transporte, que é o programa de financiamento com recurso do Fundo de Garantia e que no caso específico, vai apoiar as obras de infra-estrutura viária em todo o Brasil na cidade sede da Copa do Mundo. O valor aprovado ontem de acréscimo foi de R$ 7 bilhões, ou seja, o orçamento inicial era de 1 bilhão, esse valor é acrescido de mais 7 bilhões, estamos agora com o orçamento para 2010 de R$ 8 bilhões, e os projetos das 12 sedes devem estar num número próximo, que o presidente vai anunciar hoje, algo em torno de R$ 7,7 bilhões.

RÁDIO AMAZONAS-AM (MANAUS-AM)/PATRICK MOTA: Geralmente quando é anunciado um grande investimento público, o cidadão não deixa de ter dúvida sobre o real destino dos recursos. O passado do país mostra isso, eu pergunto: como será feita a transparência dos investimentos do PAC na Copa de 2014?

MINISTRO: Nós trabalhamos com a Caixa Econômica, que inclusive por lei, é o agente financeiro do Fundo de Garantia e que opera conosco nos programas de saneamento, o programa de habitação. A Caixa é nossa parceira, nossa mandatária, nossa contratada. E é ela que recebe os projetos, ela acompanha a execução, ela que atesta as medições e nós pagamos em função dessas solicitações da Caixa para pagamento após análise detalhada do que é feito. E os pagamentos são feitos a medida que as obras são realizadas, ou seja, realizados no total de 5%, pagamos 5%, 15% e ai afora. Não existe a hipótese de passar recurso adiantado, ou seja, o pagamento é contra medição, contra atesto da Caixa. É assim que funciona, e ai Manaus, nós teremos duas obras importantes, teremos uma no trilho e teremos o BRT com ações do governo do estado e com ações da prefeitura.

APRESENTADOR MAX GONÇALVES: Estamos falando aqui do programa, das 12 cidades sedes da Copa de 2014. Como foram escolhidos os projetos apresentados pelos prefeitos e governadores pras obras das cidades sede da Copa e também, gostaria que o senhor pudesse comentar, sobre quem decidiu e como foram os critérios adotados na escolha desses projetos?

MINISTRO: Vamos começar pelos critérios, os critérios, ou seja, é importante definir o que vai ser aprovado. O que nós vamos discutir.No início é a Copa do Mundo é um problema de mobilidade de todas as cidades sedes. Não, nós estamos tratando de problemas de mobilidade relativos a Copa, porque há dois momentos tratados, problema da mobilidade de torcedores, de turistas, entre os pontos de referência que são: o estádio, a rodoviária, o aeroporto, o porto, a região hoteleira em que circula especialmente a torcida. Essa circulação tem que ser feita de maneira eficiente, segura e rápida e ai, então, centramos o nosso objetivo. Então esse é o primeiro ponto, o segundo, não adiantava ter projetos, que não ficassem prontos até o momento da Copa das Confederações, até a Copa do Mundo ou seja 2013/2014. Nós temos que ter um prazo de conforto, para que as soluções que estamos apresentando não virem problemas, ou seja, obra que não se conclui é um problema. Então nós temos que ter muito cuidado nessa verificação da execução do cronograma das obras.

Outro ponto é que nada de obra faraônica, tinha que ser obra objetiva, outro ponto em que os modais têm que ser integrados, quando há mais de um modal na cidade e onde há integração, tem que ter os terminais de integração, pra que ali nesse ponto de integração não haja estrangulamento, ou seja, jogando esses fatores nós chegamos a discutir com as cidades sedes da Copa através de seus prefeitos, vice-prefeitos, secretários, os governadores do estado, vice-governadores, secretários durante três rodadas, com reuniões técnicas também no Ministério das Cidades. Quem participou dessa decisão, a Casa Civil na Presidência da República, o Ministério das Cidades, o Ministério do Esporte esteve presente, o Ministério do Planejamento, o Ministério da Fazenda, a Caixa Econômica.

Então são vários entes que analisaram os projetos, para que chegássemos ao final, a uma seleção do que é o mínimo dispensado para apoiar a Copa do Mundo nesse sentido da mobilidade ágil e rápida, passando preferencialmente por transporte coletivo urbano, e não transporte individual. Ou seja, priorizamos não viários simples, ou seja, tratar de ruas etc., mas tratar de corredor exclusivo de ônibus, que são os BRTs, tratar de VLTs, que são os Veículos Leves sobre Trilhos, são bondinhos, aqueles trenzinhos de superfície, e também houve casos de Monotrilho, como foram as solicitações de São Paulo e de Manaus, ou seja, onde não dá pra colocar a rua um BRT ou seja, uma via seletiva, perdão, um corredor exclusivo, mais do que via coletiva, um corredor exclusivo de ônibus, tivemos que colocar o trem aéreo, que foi o caso então de São Paulo, que hoje tem um investimento importante que leva estações do metrô de São Judas e Jabaquara, passando pelo aeroporto de Congonhas, indo até a estação da CTPM no Morumbi, seguindo do Morumbi, que é o estádio, indo outra vez lá em cima para os metrôs.

Ou seja, uma obra muito importante, que merece o nosso apoio na parte de financiamento, ou seja, só pra dar exemplo, são alguns critérios que adotamos. Agora quando houve a necessidade de obras viárias também fizemos algumas seleções para possibilitar o acesso ao local do evento, como foi o caso de Porto Alegre e porque a FIFA bloqueia certas áreas em torno do estádio, como é no Rio de Janeiro, também no Maracanã e algumas obras tem que ser feitas para excesso, caso contrário o torcedor não consegue chegar ao local.

APRESENTADOR MAX GONÇALVES: E obras que permanecem depois?

MINISTRO: Esse é outro ponto. A questão do legado é muito importante, o que fica para a cidade, lembrar que não ficamos nas nossas preocupações, a preocupação do presidente Lula apenas nessas soluções que estamos apoiando agora. A partir de março, o presidente inclusive, reiterou ontem isso na cerimônia de Minha Casa, Minha Vida, que teremos a partir, daqui a dois meses o lançamento de um novo PAC, um PAC que vai ser executado a partir de 2011. Aí teremos a forte presença da questão do transporte urbano, porque as cidades começam a parar no mundo inteiro, particularmente aqui no Brasil, alguns grandes centros, temos que privilegiar o transporte coletivo urbano, seja através desse meio de transporte que já mencionei, como também através do metrô. O metrô não está entrando nessa seleção da Copa, porque na maioria dos casos os cronogramas ultrapassavam, ou estavam muito próximos da data de realização da Copa do Mundo, então não podemos correr risco. Mas ficarão esses apoios também para o PAC 2 e vamos atuar na mobilidade fortemente a partir desse momento.

RÁDIO CULTURA (FOZ DO IGUAÇÚ-PR)/CIDA COSTA: A minha pergunta para o senhor é a seguinte: o governo federal está fazendo a parte no que ser refere a ajudar as sociedades que serão sedes. Foz do Iguaçu, trabalha na situação de sub-sede, devido ao turismo que temos aqui em Itaipu Binacional, Parque Nacional e todos os atrativos que temos de fronteira. Minha pergunta pra o senhor é a seguinte: Existe alguma preocupação com relação ao governo federal, algumas cidades, ou prefeituras não ter de repente a documentação exigida, ou está com a documentação necessária, não vencer o prazo pra requisitar essa verba. E se haverá também uma fiscalização na execução dessas obras e também no investimento desse dinheiro?

MINISTRO: Estamos falando na questão da eventual sub-sede ser apoiada também, como também outras obras dos programas de apoio do governo federal. Quanto à questão de apoio a sub-sede, não tratamos no âmbito do PAC da Mobilidade.Centramos nas cidades sedes mesmas, a questão do apoio a obras viárias, a obras de transporte coletivo. Quanto a outros apoios que teremos que fazer na parte de habitação e saneamento, isso no Brasil inteiro, já fora da Copa, seguimos com nossos projetos todos dentro do Pró-Moradia, dentro do Saneamento para Todos, dentro do PAC, tratando das questões que dizem respeito a melhoria da qualidade de vida, da dignidade do cidadão. Os prazos que se referem a todos os contratos tem que ser observados. Nós fazemos sempre um esforço de acompanhamento, da realização dos projetos de monitoramento, de modo que as prefeituras, os governos de estado, possam levar adiante as obras que têm recurso do governo federal sendo lançados nessa execução. Nós temos que ver a transparência agora, mas sobretudo a velocidade de execução e a palavra mais importante, a entrega do projeto final.

RÁDIO CULTURA - (FOZ DO IGUAÇU-PR)/CIDA COSTA: Agora vale salientar que vários projetos referentes a Foz do Iguaçu, de habitação, temos vários andamentos. Temos três pontos na cidade de investimentos que se referem a habitação. Essa medida é uma ação importante que o senhor considera, para Foz do Iguaçu que é uma cidade de fronteira, que tem muitos brasilguaios, que voltam ao Paraguai. Uma situação também social. Que avaliação dá para se fazer nesse momento?

MINISTRO: Na questão da habitação nós temos prioridades em nossos projetos. Casos de calamidade, casos de áreas de risco e a questão dos investimentos. Ou seja, áreas em que a circulação é intensa de pessoas em virtude de novos investimentos. Ou então em áreas de fronteira que você tem a relação com países vizinhos. Isso está nas nossas preocupações para atender as necessidades populacionais. São preocupações que já estão inclusive na legislação. Ou seja, áreas de risco, calamidade, intensos investimentos, tudo isso gera necessidade de se ter moradias em novos locais. Seja reforma, seja construção de novas moradias. Mas, sobretudo, o atendimento do que é fundamental que é o direito a ter a sua casa.

RÁDIO ELDORADO - (SÃO PAULO-SP)/FABIANE ARAÚJO: Angra,no Rio de Janeiro, e São Luiz do Paraitinga,em São Paulo, são algumas das cidades que foram bastante atingidas e castigadas pelas chuvas. De que forma o governo federal pretende socorrer esses municípios? São Luiz do Paraitinga na forma de restauração das casas e do centro histórico, e Angra dos Reis no trabalho de mapeamento das encostas?

MINISTRO: Ainda ontem o ministro da Cultura, o Juca, anunciou a liberação de R$ 10 milhões para ajudar na reforma, recuperação do centro histórico, no que for possível. Porque as perdas foram lamentáveis.

No que diz respeito a questão habitacional, nós já temos os nossos programas. O Minha Casa Minha Vida, o Fundo de Habitação de Interesse Social, a Resolução 460 do Fundo de Garantia, o Crédito Solidário. São todos programas que estão à disposição do Brasil, inclusive com a priorização para essa situação de calamidade e área de risco. Estão à disposição para que a gente possa, uma vez feito o levantamento pelo município e também a confirmação pelo Estado que tem pedido, quando é o caso - seja o Rio de Janeiro ou São Paulo ou outro estado - quando tem pedido ao Ministério da Integração o apoio da defesa Civil, tudo isso é feito em vários momentos.

Ou seja, a Defesa Civil para atender as questões de alimento, remédio, água, abrigo. Com também no segundo momento entramos, juntamente com o Ministério da Integração, o Ministério da Saúde, e quando for o caso o Ministério da Saúde, perdão, o Comando do Exército, agora. O comando da Marinha, como foi o caso lá de Ilha Grande. Nós entramos com o Ministério das Cidades para entrar no processo de recuperação das casas, construção de casas em áreas seguras. Inclusive em Angra dos Reis, onde estive sobrevoando a região duas semanas, nós acertamos a utilização de um terreno grande em Monsuaba para construir cerca de 481 unidades de imediato, na transferência de um programa que não tinha ido adiante, o Programa do Par - que também é nosso - O Programa do Arrendamento Residencial. E a transformação do programa Par em Programa Minha Casa, Minha Vida. Ou seja, a resposta tem sido imediata. Ontem mesmo quando fizemos o lançamento dos nossos programas (Minha Casa Minha Vida e também do Pró-Moradia), e também em vários momentos eu assinalei a importância dos projetos que selecionamos para o atendimento das áreas de inundação, das áreas de risco, das áreas de deslizamento. Seja em Santa Catarina, no Rio Grande do Sul ou em outras partes que sofreram esses problemas.

RÁDIO ELDORADO - (SÃO PAULO-SP)/FABIANE ARAÚJO: As chuvas continuam. O Mês de janeiro é um período chuvoso, especialmente para o Sul e Sudeste do país. de que forma o governo federal pretende cobrar dos municípios um mapeamento detalhado das encostas?

MINISTRO: Vamos anteceder outra questão, que é a do programa de Saneamento na vertente macro, micro drenagem. Lembrar que no ano passado nós liberamos financiamento no montante de R$ 4,8 bilhões para vários estados brasileiros, para vários municípios, para a realização dessas obras que são importantes para a gente domar a velocidade das águas pluviais, que vêm trazendo essas conseqüências tão sérias. Então, só de agosto do ano passado, na verdade desde 2007, por exemplo, no Rio de janeiro já tínhamos, na Baixada Fluminense, programas de mais de R$ 300 milhões para controlar inundações.

As obras se realizam. As obras não são realizadas da noite para o dia, levam tempo, são obras importantes, são obras de porte que nunca foram feitas. E, nós estamos com esses recursos sendo colocados. No Rio de Janeiro, por exemplo, o total dessa rodada do ano passado, foi de R$ 802 milhões. Em São Paulo foi cerca de R$ 1 bilhão. No Rio Grande do Sul R$ 398 milhões. Ou seja, são valores muito altos e que exigem obras de grande porte e aí está já uma resposta do governo federal, inclusive na ação prévia para combater essa questão das inundações.

Agora das prefeituras esperamos uma ação conjunta no sentido de que haja fiscalização para que não se ocupem áreas que são perigosas. Porque uma vez que você deixa alguém morar em uma área de encosta ou em uma área de várzea. Lembrar que na área de várzea o dono da várzea é o rio, não é o homem. Quando extravasa a água do rio ele vai para sua continuidade que é a várzea. Então, ali não deve morar ninguém. Assim como não deve morar ninguém nas encostas. Agora vai dizer, por quê que mora? Mora porque foram anos de falta de cuidado com a questão da habitação, com a questão de falta de programas de habitação, falta de programas de investimentos em habitação. E, as pessoas que vieram em migrações de outros estados, atraídas pelos grandes centros, e na falta de programa diretores, planos diretores que definissem onde estariam as áreas reservas para a habitação de interesse social, onde é que estariam os programas de habitação e interesse social, o BNH - que acabou, ações de saneamento que terminaram por falta de órgãos. Só com a criação do ministério das Cidades em 2003 que passamos a ter um ponto focal para essas ações.

Então, o que temos agora a fazer é correção. Algumas pessoas dizem, gasta-se mais em correção do que em prevenção. Na verdade estamos corrigindo 30, 40, 50 anos de ocupações indevidas nessas áreas de risco e agora estamos investindo fortemente com os prefeitos para atenuar essa situação, exigindo que as novas áreas de construção sejam sempre seguras, sejam seguras e não estejam nessas áreas que afetam a questão ecológica.

RÁDIO NATIVA FM - (IMPERATRIZ-MA)/ARIMATÉIA JÚNIOR: No que diz respeito a essa questão do Programa Minha Casa Minha Vida, o Programa de Aceleração do Crescimento, a cidade de Imperatriz do Maranhão é uma das agraciadas nesses projetos. Mas, ocorre que, iniciado há cerca de dois anos, o projeto não alavancou como um todo. E agora, nesse período invernoso,a situação se agrava com parte das obras, praticamente paralisadas. O que fazer para agilizar esse quadro?

MINISTRO: Nós temos sempre o acompanhamento dessa realização de obras para que elas não parem. Temos que ver especificamente no caso que o senhor está mencionando, se houve alguma solicitação de modificação de projetos. Isso aconteceu em alguns momentos quando tivemos a passagem de prefeitos de um momento para outro, de uma administração para outra. Ou em momentos em que houve pedido de revisão de projetos pelos governadores. Então, verificar se é esta a questão. Porque em não sendo isso, a não ser que haja algum problema de realização da engenharia, os projetos estão seguindo. Porque recursos não faltam . O PAC tem uma característica única, que ele tem assegurada a sua continuidade através de recursos definidos em orçamento, definidos na área financeira. Ou seja, obra do PAC que é medida, é paga imediatamente, em 72 horas. Não havendo nenhum problema na sua execução. Se houver alguma obra paralisada, há que identificar se apareceu algum problema de ecologia, se apareceu algum problema do Iphan, algum sítio arqueológico. Se apareceu alguma dificuldade de engenharia como eu falei. Então, eu gostaria que pudesse esclarecer mais qual o tipo de obra e qual foi o problema. Se for o caso, entrar em contato comigo direto no ministério, através do e-mail marcio.fortes@cidades.gov.br ou pelo meu telefone celular, que é (61) 9121.5527. Pode telefonar que eu atendo e vejo o que está se tratando e vamos dar a resposta de imediato.

RÁDIO NATIVA FM - (IMPERATRIZ-MA)/ARIMATÉIA JÚNIOR: Só acrescentar que recentemente o ministro esteve na cidade de Araguaína, quando tivemos a oportunidade de abordá-lo à respeito. Aliás,ele participava de um programa de ordem político-partidária. Mas, lá na cidade de Araguaína, também, a questão do PAC, Programa de Aceleração do Crescimento, existe, denúncias de irregularidades firmadas na ex-prefeita, Valdeci de Castelo Branco. Há alguma iniciativa, em nível de Poder Judiciário, que impeça o andamento das obras?

MINISTRO: Nós tratamos da execução das obras. A parte de fiscalização está a cargo da CGU, Controladoria Geral da União, do Tribunal de Contas e da Polícia Federal. Então, qualquer irregularidade que é levantada por esses órgãos, nos é comunicada e de imediato nós suspendemos repasses para que o assunto seja esclarecido. Se for o caso, declarar a obra suspensa para a não continuidade da presença de uma empresa que esteja atuando de modo irregular, ou de qualquer ato que seja irregular praticado, como você está mencionando, eventualmente por algum órgão público. Então, não se preocupe com isso. Identificado o problema, nós suspendemos a obra e trataremos de regularizá-la.

RÁDIO GUAÍBA - (PORTO ALEGRE-RS)/LUCIANO NAGEL: O Conselho Curador do FGTS liberou, aprovou a liberação de R$ 7 bilhões para obras em cidades da Copa. Eu gostaria de saber com o senhor, desse montante de R$ 7 bilhões, quanto será destinado aqui para os gaúchos?

MINISTRO: Já sei que você vai fazer uma pergunta, por quê é que não vai sair o metro. Então eu já te respondo antes, logo, de uma vez. O metrô não tem cronograma que possa atender o objetivo da Copa. Ou seja, só ficaria pronto depois. E também, o projeto que foi apresentado não atendia as necessidades futuras da cidade porque o fluxo de passageiros maior não estava no desenho projetado.

Para Porto Alegre nós teremos obras viárias, teremos o corredor da Avenida Tronco, para chegar ao estádio. Porque a Fifa bloqueou a área em torno, caso contrário ninguém chegaria lá. O corredor da terceira perimetral com obras de arte, o corredor do Padre Cacique, Avenida Beira-Rio, para o acesso ao estádio. Temos dois BRTs que nós definimos, ou seja, da Protásio Alves - o corredor exclusivo de ônibus na Protásio Alves com 11 estações. E a BRT da Assis Brasil. Com isso nós estamos liberando um valor de R$ 368,6 milhões de financiamento para esses projetos. Então, é um apoio importante que vai se seguir ao PAC. Perdão, que vai seguir com o PAC 2, anunciado para março. Aí sim, vamos discutir a questão do metrô, inclusive já há um grupo que foi montado, envolvendo prefeitura, governo do estado, e vários órgãos da administração federal para definirmos o melhor traçado e a questão do financiamento e modelo, se é PPP, se é uma relação entre órgãos públicos federais, estaduais e municipais. E, quem vai operar e que trajeto. Então, não se preocupe com nosso atendimento a Porto Alegre. Ele será feito sim, em dois momentos, na Copa agora, e a partir de março com a definição que todos porto-alegrenses, espero, querem ter um metrô para atender suas necessidades.

RÁDIO INCONFIDÊNCIA - (BELO HORIZONTE-MG)/JÚLIO BARANDA: A pergunta é semelhante ao colega gaúcho, com relação aos investimentos aqui para Belo Horizonte, para Mina Gerais, com relação à Copa de 2014. Incluindo aí o que o senhor disse, com relação a Porto Alegre - ao metrô. E uma outra questão aqui, que é muito fundamental para nós, principalmente aqui de Belo Horizonte, do estado de Minas Gerais, que é o anel rodoviário que passa por dentro de Belo Horizonte, ligando as principais rodovias, os principais acessos de Belo Horizonte para outras cidades, para outros estados. Há previsão de investimentos? Como está essa situação?

MINISTRO: Belo Horizonte vai ter um investimento importante. Os projetos totalizam R$ 1,522 bilhão. Estaremos participando no financiamento com R$ 1,23 bilhão, envolvendo alguns BRTs - ou seja, corredores exclusivos de ônibus que terão um efeito semelhante ao efeito dos metrôs na superfície, o BRT Antônio Carlos-Pedro I; o BRT Pedro II; um BRT da área central; vamos ter um BRT da via 210, que é a ligação minério Teresa Cristina; a BRT via 710, que é a Andrada Cristiano Machado; e vamos cobrir ali o Boulevard Arruda Teresa Cristina. Ou seja, vamos cobrir ali o córrego, e vamos ampliar o acesso da circulação, que é um sonho do pessoal de Belo Horizonte: poder ter uma via nova ali, cobrindo o Arruda. Vamos executar essa obra também. Inclusive vai levar R$ 210 milhões de reais essa obra. E só pra completar, o metrô também entra na relação das obras a ser discutidas a partir de março, no PAC dois.

RÁDIO INCONFIDÊNCIA (BELO HORIZONTE-MG)/JULIO BARANDA: Com relação ao anel rodoviário ministro, há uma polêmica muito grande aqui. O anel rodoviário nosso é considerado também o anel da morte e precisa passar por reformas. Há previsão de verbas para a reconstrução, digamos assim, do anel?

MINISTRO: Esse tema entra no PAC 2, porque nós centramos aqui algumas decisões a respeito da copa do mundo. O anel rodoviário é um tema que envolve inclusive, outro Ministério, o ministério dos Transportes. Esse tema estará sendo discutido a partir de março.

RÁDIO GAZETA CBN (CUIABÁ-MT)/DAVID DE PAULA: O governador Blairo Maggi, juntamente com o prefeito de Cuiabá, Wilson Santos, uma das cidades-sede da Copa do Mundo de 2014 já estão em Brasília para participar de uma reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ministro Márcio Fortes, que tipo de acordo, de cooperação pode resultar dessa reunião? Nós temos aí um estádio para construir, temos as obras de mobilidade urbana, temos que modernizar o nosso aeroporto Marechal Rondon. Quer dizer, são inúmeras obras. Aí a população pergunta: existem recursos suficientes para realizar as obras necessárias para a realização da copa? Qual será o montante de recursos para Mato Grosso, ministro?

MINISTRO: Bem, são três assuntos diferentes. A questão do aeroporto, o aeroporto é uma questão federal. São aeroportos da Infraero. Esse é um tema que está sendo discutido especificamente dentro do governo no âmbito nacional, ou seja, os aeroportos são tema importante para a circulação a qualquer momento, mas sobretudo durante a Copa. Então, esse é um tema federal que está a cargo do próprio presidente Lula, por que ele está cioso da necessidade de que haja velocidade no encaminhamento das obras necessária para a modernização, atualização de vários aeroportos brasileiros.

No caso do estádio, é um tema também que nós discutimos nas nossas reuniões, apesar de ser um tema do Ministério dos Esportes. Como estamos discutindo conjuntamente estádio e mobilidade, esse assunto também foi trazido à mesa e o apoio será dado. Inclusive lembrar que nos primeiro momento até se discutia se o estádio de Cuiabá ele teria uma estrutura definitiva ou provisória, em função do que nós temos em mente, que é o dia seguinte, ou seja: não apenas a Copa, mas como será feita a utilização seja do viário, seja do BRT, seja do Estádio no momento pós-Copa. Uma coisa é a realização do grande evento, mas e depois? Como fica a gestão? Então esse foi um tema que foi discutido, mas o Ministério dos Esportes estará anunciando hoje também os valores que serão colocados dentro do financiamentos, através do BNDES. São financiamentos que foram colocados à disposição de entes públicos ou privados, num teto por unidade de valor de projeto de R$ 533 milhões, num teto de financiamentos de R$ 400 milhões. Todas as solicitações foram apresentadas e devidamente contempladas já que o teto estava disponível e muitas cidades tinham pleitos menores. Então deu pra acomodar tranquilamente todas as situações objetos de solicitação.

No caso da mobilização urbana, nós estaremos disponibilizando para financiamento do pró-transporte, do Fundo de Garantia R$ 454,7 milhões para atender o BRT Aeroporto-CPA que é o Leste-Oeste; o BRT Coxipó-Centro; e o corredor Mário Andreaza. Então são três importantes obras para a cidade que vão ajudar muito a circulação não só agora, no momento da copa, mas também no futuro, como legado.

RÁDIO GAZETA CBN (CUIABÁ- MT)/DAVID DE PAULA: Eu gostaria de saber ministro, quantos projetos de programas de habitação foram selecionados para Mato Grosso. Em torno de quantos municípios, com menos de 50 mil habitantes, serão atendido no estado? E o Pró Moradia, como funciona, dentro do PAC?

MINISTRO: Bem o Pró-moradia, no caso de menos de 50 mil habitantes, foi lançado ontem, por que é um variante do Minha Casa, Minha Vida, através de uma emenda que foi feita à legislação para que houvesse uma reserva de valores para essas atividades, nessas cidade de menor população, dentro de um critério diferente de atuação. Ou seja, no caso de minha casa minha vida, tradicionalmente já foi montado um esquema de acesso do recurso pelas empresas construtoras - claro que há interviniência de poder público para ajudar na construção e doação de terreno, na questão de diminuição de impostos - mas no caso do Minha Casa, Minha Vida com menos de 50 mil é diferente. Aí nós estamos atuando com a presença das propostas dos municípios, das propostas dos governadores. Você se lembra que foi lançado o programa para a construção de até 30 unidades, no caso de populaçõe até 20 mil habitantes; e de 20 a 50 mil habitantes, temos projetos de 30 unidades, podendo haver pra cada município três projetos, ou seja, total de 60 ou total de 90 unidades, de acordo com essa situação de até 20 ou até 50 mil habitantes.

Nós tivemos pelo Brasil inteiro essa definição para 2042 propostas, atendendo 2014 município. Eu estou pegando no caso de Mato Grosso, a relação dos que foram atendidos no Minha Casa, Minha Vida. Eu não sei se haveria condições de ler, por que é uma quantidade muito grande. Posso citar apenas 'en passant' alguns nomes, pra você ter uma idéia: Alto Paraguai, Alto Taquari, Aripuanã, Barão de Melgaço, Barra do Bugre, Brasnorte, Campinápolis, Canarana, Carlinda, Cocalinnho, Colniza, Diamantino, Comodoro, Dom Aquino, Ipiranga do Norte, Itiquira, Juara, Juina, Juruena, Lucas do Rio Verde, Marcelândia, Matupá, Nobres, Nova Bandeirantes, Nova Brasilândia, Nova Canaã do Norte, Nova Guarita, Nova Marilândia, Nova Olímpia, Nova Santa Helena, Novo Mundo, Novo São Joaquim, Paranatinga, Peixoto de Azevedo, Pontes de Lacerda, Porto Alegre do Norte, Porto Espiridião, Porto Estrela, Poxoréu, Primavera do Leste, Rosário Oeste, Santa Cruz do Xingu, São José do Rio Claro, São Pedro da Cipas, Torixoréu, União do Sul, Vale do São Domingos, Vila Velha de Santissíma Trindade. Então, eu disse que não ia dar alguns, acabei dando todos. Aqui está a relação de todos os municípios que foram atendidos em Minha Casa, Minha Vida, nessa faixa de até 50 mil habitantes.

Você vai perguntar agora, no caso do outro programa pró-moradia, nós tivemos a continuidade dos programas que estavam em curso na área de habitação, na área de urbanização de favelas, na área de construção de novas unidades. Aí não havia projetos de Mato Grosso que merecesse esse cuidado de sua ampliação, por que já estavam com valores contemplados adequadamente na fase anterior. Nós só prorrogamos a situação de projetos que estavam sendo executados, ampliamos quando for necessário, mas no caso de Mato Grosso está tudo em ordem. Os recursos estão disponíveis e não houve a necessidade de atuar especificamente nessa área de urbanização de favelas ou de ampliação de outra atividade nesse programa.

APRESENTADOR MAX GONÇALVES: Lembrando também ministro que as informações que o senhor coloca agora estão disponíveis no site: www.cidades.gov.br

MINISTRO: Mas como eu sou cidadão mato-grossense honorário eu fiz questão de ler todas as cidades do estado.

APRESENTADOR MAX GONÇALVES: Hoje na nossa pauta, nós falamos sobre as mais de duas mil propostas selecionadas pelo programa Minha Casa, Minha Vida nos municípios com menos de 50 mil habitantes e também estamos conversando sobre o programa Pró-Moradia, que faz parte do PAC e que também selecionou 54 propostas. Conversamos também sobre os investimentos do PAC da Mobilidade Urbana, nas 12 cidades-sede da Copa do Mundo de 2014. Sobre as cidades-sede da Copa de 2014, hoje elas serão anunciadas, no Itamaraty às 17 horas, não é isso?

MINISTRO: Às 17 horas tem uma reunião com o presidente da República e toda a equipe que está participando das definições a respeito do apoio para a realização da Copa do Mundo. Temos a presença do presidente, da ministra Dilma, que é coordenadora também dessas ações todas, do ministro do Esporte, dos ministros envolvidos já também da Fazenda, do Planejamento, do Turismo, eu mesmo estarei lá, claro, além do secretário de portos. Lembrar que há alguns temas que serão agregados ainda nessas definições. Nós estamos tratando agora de alguns temas mais urgentes, em função de cronograma. Ou seja, uma obra viária, uma obra de transporte leva tempo para ser executada, uma obra de turismo, uma recuperação de hotel, investimentos em novos hotéis também. Então tem a parte de turismo, a parte de transporte e a parte do estádio, obviamente, são objetos dessa definição.

Possivelmente teremos definições também na área de portos. Agora é importante lembrar que outras ações serão muito importantes para a realização da Copa e terão seu cronograma de ação, mais adiante. No caso de segurança, que já há grandes investimentos no Brasil inteiro, mais específico através do Pronasci. Nós teremos ações específicas para a Copa do Mundo na cidade-sede, como também questões relativas à saúde para o atendimento do cidadão que chega, ampliando o atendimento em hospitais públicos para os turistas, para os torcedores que aí vem.

RÁDIO DIFUSORA ACREANA (RIO BRANCO-AC)/LUCIANO TAVARES: Bom dia, ministro. Em relação a esse programa Minha Casa, Minha Vida e também o Pró-Moradia, eu gostaria de perguntar ao senhor como é que a família, sobretudo a família que mora no interior, sobretudo aqui no nosso estado do Acre, ela deve fazer para ter acesso a esse benefício?

MINISTRO: Para ter acesso aos programas Minha Casa, Minha Vida e Pró-Moradia, nós fazemos através do nosso site, as chamadas para a habilitação. No caso do Minha Casa, Minha Vida fizemos a seleção para apresentação de propostas de estados, de municípios, como também fizemos uma oferta pública para participação dos bancos, das instituições financeiras e de agentes financeiros, já que é um programa que lembra um pouco, nessa modalidade até 50 mil habitantes, lembra um pouco o programa anterior que é do PSH. Então no caso, nós fazemos as chamadas e depois colocamos o recurso à disposição dos bancos que são selecionados também. Essa foi a primeira rodada, de R$ 1 bilhão como está previsto na legislação do Minha Casa, Minha Vida.

Novas chamadas serão em função da definição de novos recursos para esse programa. No caso do Pró-Moradia, nós completamos uma autorização que nós tínhamos até de limite do Conselho Monetário, que nós tínhamos o programa lançado desde 2007, nesse caso específico o programa Pró-Moradia, que é de financiamento, utilizando recursos do Fundo de Garantia. Nós chegamos a completar agora a autorização com total de R$ 5,4 bilhões, envolvendo 194 projetos, 354 mil família, em 83 municípios, de 22 estados da federação. Então esse é o Pró-Moradia.

Nós estamos fechando essa chamada e agora, a partir de março, vamos lançar outra rodada do PAC e, continuando com habitação, continuando com o saneamento, aprofundando essas questões relativas a moradias em áreas de risco, a moradia em área de deslizamento, de encostas, de beira de riacho, de lagoas, ou seja quando vida humana está em perigo, como também nas situações em que essas habitações estão colocando em risco até o meio ambiente, porque você está poluindo nossos mananciais, criando um problema sério no caso das palafitas com manguezais, por exemplo. Então, as nossas ações serão centradas em habitação e saneamento, com esse múltiplo objetivo. Então estamos fechando, inclusive com essas chamadas aqui, os valores previstos no PAC. Lembrando que o PAC, originalmente, tinha previsto um valor de R$ 106 bilhões para habitação, seja habitação interesse social, seja habitação da classe média, envolvendo programas de caderneta de poupança. Esses números já estão bem ultrapassados, os R$ 106 bilhões estão em cerca de R$ 113 bilhões contratados. Então, o programa segue sendo ampliado.

O programa PAC, que no global começou com R$ 504 bilhões, está com R$ 648 bilhões. Quando se falava em crise, "O PAC vai parar, o PAC vai parar". Pelo contrário, o PAC não para de crescer porque é um programa anti-cíclico. É um programa que ajuda a gerar emprego, a criar renda e, no caso específico de habitação, saneamento, que é meu caso no Ministério das Cidades, lembrar que ele dá dignidade, ele dá respeito, melhoria da qualidade de vida, da integração, da cidadania, da solidariedade. Então, é um programa que toca a cada um dos cidadãos brasileiros que tem direito a ter sua habitação, ter direito a água tratada, ter direito a ver que o esgoto na sua cidade é coletado e tratado e não polui o meio ambiente e não traz problemas à sua saúde.

RÁDIO DIFUSORA ACREANA (RIO BRANCO-AC)/LUCIANO TAVARES: Tenho sim. Quando o presidente Lula teve aqui no lançamento do Minha Casa, Minha Vida, e também do Minha Morada, que é um programa do governo do Acre, foi anunciado também uma outra modalidade que são exatamente de residências para pessoas que moram em aldeias indígenas e também na zona rural. Há essa possibilidade, ministro?

MINISTRO: Dentro do Fundo Nacional de Habitação e Interesse Social, nós temos essas atuações para os casos de áreas indígenas, como também para quilombolas, temos os programas específicos para essas situações - de atendimento a essas minorias que precisam também ser objeto das preocupações dos dirigentes, porque são brasileiros como todos nós. Então, eu estive presente naquele momento, o presidente tratou do assunto, mas já está dentro das preocupações do FNHIS. O FNHIS tem várias prioridades como eu já falei da questão de áreas de risco, da questão de grandes investimentos que exigem casas pras pessoas que se deslocam para essas áreas de investimento. Essa questão das minorias, dos quilombolas, das áreas indígenas, pra citar alguns casos e dizer que estamos atendendo sempre, no Brasil inteiro essas solicitações.

Agora vou dar uma informação aí pro Acre, já que há pouco respondi pro Mato Grosso, tinha uma quantidade enorme de cidades, eu vou dizer que no Acre, no programa Minha Casa, Minha Vida até 50 mil habitantes, está sendo atendida Brasiléia. Brasiléia está sendo atendida com um projeto, em que ela solicitou o mínimo, que foi 30 unidades, e está sendo contemplada com 30 unidades. Vai dizer "mas é pouco". Não. É muito importante, porque você retém na cidade a pessoa que às vezes é atraída pra um grande centro pensando que vai conseguir emprego, não consegue e depois vai viver em palafitas, vai viver em área de risco. Então é importante que você possa reter no interior aquelas pessoas que precisam da casa e que lá ficando já tem um apoio para a sua vida, para os seus familiares.

RÁDIO CBN (RECIFE-PE)/JOFRE MELO: Eu gostaria de saber com relação à cooperação das cidades-sede da Copa, como é que o governo vai priorizar os investimentos, uma vez que algumas cidades são melhores estruturadas do que outras.

MINISTRO: Quando nós anunciamos lá atrás que haveria um número de referência, que era de R$ 5 bilhões de financiamento, nós nunca dissemos que dividiríamos por 12, porque cada cidade tem a sua estrutura, cada cidade tem o seu problema, cada cidade tem as suas situações resolvidas. Então, pode ser que algumas cidades, por mais populosas que sejam, não precisem de nada e outras cidades pequenas precisem de muita coisa. Então, nós deixamos o valor total para ser distribuído, e esse valor totalizador já passou para R$ 7,7 bilhões de financiamento, com o pró-transporte.

Em Recife, nós temos atuação intensa na cidade, até porque nós temos a CBTU com o MetroRec, que é o metrô de Recife, que é do nosso Ministério, a empresa está vinculada ao nosso ministério. Eu sou presidente do Conselho de Administração da empresa, e tenho especial carinho pela construção do metrô local. Inclusive, juntamente com o presidente Lula, estivemos presente na inauguração da linha Sul, que envolve o deslocamento de trens de Imbiribeira até Cajueiro Seco; estamos com investimento do VLT pra chegar até Cabo; estamos com a programação pra compra de trens pra aumentar a oferta de transportes nessa linha Sul e como também temos investimentos aí para a linha que vai até próximo ao estádio, inclusive, atualizando, como já estamos fazendo, os trens, modernizando os trens, colocando refrigeração em todos os trens. Então é um esforço direto do governo federal.

Agora, há obras locais que serão objeto, justamente desse financiamento que estamos disponibilizando para Recife, um total de R$ 648 milhões. Um corredor Caxangá, leste-oeste, para ajudar a chegar ao estádio; o BRT norte-sul que vem de Igaraçu até Joana Bezerra e ao Centro; o BRT leste-oeste, que é o ramal Cidade da Copa; o corredor via Mangue, que é muito importante para poder facilitar a circulação na área hoteleira, junto à praia e o terminal Cosme e Damião, porque você tem a integração de modais, então é importante que este terminal esteja funcionando muito bem. Então são R$ 648 milhões de financiamento, mais esta ação que teremos da CBTU na melhoria progressiva do serviço de metrô. Acho que é um atendimento que será importante para a cidade, nesse momento da Copa. Novos projetos poderão ser apresentados a partir de março, dentro do PAC dois, da mobilidade.

RÁDIO CBN (RECIFE-PE)/JOFRE MELLO: O que o governo pretende fazer para manter essa boa qualidade na mobilidade, após a Copa?

MINISTRO: Através do PAC dois. Ontem o próprio presidente se referiu, e a ministra Dilma também, na cerimônia do Minha Casa, Minha Vida, ambos se referiram à importância do PAC dois nesse item que é a mobilidade urbana. Isso não é só no Brasil, é no mundo inteiro, a questão das cidades estarem parando é realmente preocupante. O transporte individual está impedindo a circulação adequada, circulação viária nas cidades, então você tem que investir fortemente no transporte coletivo. Mas não adianta ser transporte coletivo assim, "eu tenho um ônibus lindo aqui, eu tenho um metrô bonito ali". Tem que ter qualidade e quantidade. Se não, uma pessoa que está sentada no carro e ver passar um metrô de superfície, ou ver passar um BRT, um ônibus lotado, super-lotado, vai dizer, "não vou trocar meu carro nunca para virar sardinha". Então, você tem que ter um transporte de qualidade e quantidade, tem que investir bem.

Veja o caso de Brasília. Há pouco tempo eu estive em São Paulo, em uma cerimônia de contratação de mais trens aqui para o metrô, para evitar exatamente que a extensão, por exemplo, que foi até a Ceilândia trouxe problema para o cidadão que estava nas estações no meio do caminho, que não conseguiam mais entrar no trem. Ou seja, todo mundo tem que entrar no trem, se houver um intervalo pequeno entre os mesmos e a disponibilidade de trens em qualidade e quantidade suficiente.

RÁDIO O POVO DE FORTALEZA (FORTALEZA-CE)/MOACIR LUÍZ: Com toda essa movimentação do governo para a liberação de verbas para a Copa do Mundo em 2014, o senhor acredita que todas as cidades vão cumprir os seus cronogramas? E em seguida, como vai ser a fiscalização da aplicação desse dinheiro nessas cidades?

MINISTRO: Bem, nós já selecionamos os projetos que tem cronograma que eu chamo de confortável, um cronograma que dá a possibilidade de você ter a obra concluída com tranquilidade até o momento de realização da Copa das Confederações e da Copa do Mundo propriamente. Isso é um dado fundamental para a seleção dos projetos. No caso de fiscalização, nós temos a fiscalização que já é feita pela Caixa, como eu me referi numa pergunta de um colega seu, de outro estado. A Caixa fiscaliza, a Caixa atesta a realização da obra e eu não pago nada, que não tenha sido atestado, que não tenha sido colocado com a assinatura da Caixa Econômica dizendo que realmente o percentual foi executado.

Ou seja, ninguém adianta dinheiro. O dinheiro só sai depois que o percentual é medido e é atestado. É assim que funciona. E repito que além disso, os órgãos de fiscalização estão aí: CGU, o Tribunal de Contas, o Tribunal de Contas Estadual também e a Polícia Federal são órgãos que auxiliam na fiscalização. Tudo que é identificado como indício, um problema de realização indevida de obras, isso determina uma comunicação ao Ministério das Cidades que manda suspender a obra e manda suspender a transferência de recursos para o devido esclarecimento e retomada somente após a regularização.

Temos muitas notícias pra Fortaleza, os VLTs, o metrô. Para a Copa do Mundo temos R$ 414 milhões para Fortaleza; temos o VLT para Angaba-Mucuripe, é um corredor norte-sul; o BRT Dedé Brasil; o BRT Raul Barbosa; o BRT Alberto Craveiro; o BRT Paulino Rocha e as estações Padre Cícero e Montésio. Ou seja, temos aqui uma variável de modais. Temos o VLT, temos o BRT e lembrar que nós estamos construindo na parceria do do metrô local, que é a Metrofor, com a CBTU, ou seja, recursos federais estão sendo transferidos para a construção do metrô local. Nós temos uma ação intensa que já está sendo levada adiante pela CBTU nessa relação direta com a Metrofor. Então são vários modais em jogo: metrô, VLT e BRT.

APRESENTADOR MAX GONÇALVES: Falando agora sobre o programa Minha Casa, Minha Vida, surpreendeu a apresentação de projetos para famílias com renda de até três salários mínimos, em quantidade superior aos voltados para aqueles das faixas de renda acima de três salários mínimos?

MINISTRO: Não. O foco justamente da nossa ação no Ministério é onde está concentrado o déficit habitacional: na faixa de zero a três salários mínimos e eu diria até três a seis também. Então, todos os nossos esforços são no sentido de resolver o déficit nessa faixa e os projetos são apresentados, vêm nessa faixa e selecionamos com essa priorização, seja em qualquer programa, é ai que temos que atacar a questão do déficit habitacional.

No caso de Minha Casa, Minha Vida é um programa mais amplo. Nós temos de zero a três e de três a seis, uma faixa concentrada de um total de um milhão de unidades previstas pelo presidente da república, nós temos 800 mil unidades previstas para essas duas faixas, de zero a três, e de três a seis. Ou seja, 400 e 400 mil unidades. Para a faixa de seis a dez, o Minha Casa Minha Vida prevê 200 mil unidades no Brasil inteiro.

Agora existe uma grande e boa surpresa. Todos diziam, "ah ninguém vai querer construir unidades para zero a três, de três a seis, todo mundo vai querer construir de seis a 10". As unidades já contratadas pela Caixa até 24 de dezembro no total de 247,950 mil unidades têm uma boa surpresa: foram contratadas para a faixa de zero a três salários mínimos 150,450 mil unidades; e para faixa de três a seis salários mínimos, 77,840 mil. Ou seja, um total de praticamente 248 mil contratadas - 228 mil estão na faixa de zero a seis salários mínimos.

APRESENTADOR MAX GONÇALVES: O Ministério já tem um retorno de quantos contratos estão em andamento, no programa Minha Casa, Minha Vida?

MINISTRO: No Minha Casa, Minha Vida, o último dado, que é do dia 24 de dezembro, indicou uma coisa muito importante: dentro da Caixa estão em análise cerca de 600 mil unidades habitacionais, objeto das propostas que foram apresentadas pelas construtoras, ou seja o presidente anunciou um milhão, já foram contratadas 247,950 mil unidades. E vai perguntar "por que esse número não está ainda como esperado, ainda maior?" Porque sempre no início, você tem adaptações, que eu já falei antes, adaptações necessárias da parte do governo, da parte do setor privado, da parte do prefeito, da parte do governador na relação com o legislativo, para que todo o quadro seja montando e uma vez montado, a coisa vai em frente.

Eu não gosto de usar esta palavra muito não, porque ela tem efeito duplo, mas nesse momento de crise, a palavra enxurrada tem efeito de tristeza, tristeza, dor, mas aqui no caso Minha Casa, Minha Vida eu entendo que a enxurrada é a enxurrada de projetos que está chegando para análise na Caixa que agora tem a seu cargo nos prazos estabelecidos bem curtos para ela, para definir e liberar as contratações.

APRESENTADOR MAX GONÇALVES: Esse foi o programa Bom Dia, Ministro, hoje conversando com o ministro das Cidades, Márcio Fortes. Nós queremos lembrar que o áudio dessa entrevista será disponibilizado na manhã de hoje, na página da Secretaria de Imprensa da Presidência da República no endereço www.imprensa.planalto.gov.br.

Também lembramos que a NBR, a TV do governo federal reapresenta a gravação dessa entrevista hoje à tarde, com horários alternativos no sábado pela manhã e no domingo à tarde. Lembramos ainda que hoje às 17 horas no Itamaraty acontece o anúncio dos investimentos do PAC da mobilidade urbana, nas doze cidades-sede da Copa do Mundo de 2014. Muito obrigado ministro, pela sua participação.

MINISTRO: Eu que agradeço a oportunidade de falar sobre temas do Ministério que dizem respeito à qualidade de vida da população brasileira.

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