Arquivos: 07/04/2011 - transcrição
APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Olá, amigos em todo o Brasil, eu sou Kátia Sartório e começa agora mais uma edição do programa Bom Dia, Ministro. O programa tem a coordenação e a produção da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, em parceria com a EBC Serviços. Hoje, aqui, nos estúdios da EBC Serviços, a Ministra da Pesca e Aquicultura, Ideli Salvatti. Bom dia, Ministra, seja bem-vinda.
MINISTRA IDELI SALVATTI: Bom dia, Kátia. Bom dia aos nossos ouvintes, os telespectadores da rede. Vai ser uma longa hora aqui, hoje.
APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Uma hora de conversa, não é, Ministra?
MINISTRA IDELI SALVATTI: Bem boa.
APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Na pauta do programa de hoje, o consumo do pescado na alimentação escolar e também na Semana Santa, que está chegando. A Ministra da Pesca e Aquicultura, Ideli Salvatti, já está aqui, no estúdio, pronta para conversar com âncoras de emissoras de rádio de todo o país, nesse programa que é multimídia; estamos ao vivo no rádio e na televisão. Ministra, vamos conversar com a Rádio São Gonçalo, do Rio de Janeiro, a Rádio Aliança FM, de São Gonçalo, a pergunta é de José Perazzo. Bom dia, José Perazzo.
REPÓRTER JOSÉ PERAZZO (Rádio Aliança FM / São Gonçalo - RJ): Bom dia, apresentadora Kátia Sartório. Bom dia aos irmãos brasileiros, e bom dia a Ministra de Pesca e Aquicultura, Ideli Salvatti. A minha pergunta é única e no sentido bem prático da gestão dela. Ministra, qual o seu plano, na sua gestão, para fazer com que o brasileiro consuma mais peixe o ano todo e não só numa época, desfrutando de seu lado saudável, do alimento, mas também que o cidadão seja motivado a comprar pelo preço frequentemente mais acessível pelo brasileiro? Gostaria de ouvir a sua resposta. Um bom dia para todo mundo.
MINISTRA IDELI SALVATTI: Muito bom dia, José. Eu queria colocar de forma muito clara: para aumentar o consumo e baratear o preço, o Brasil precisa produzir mais pescado. Nós ainda importamos. O consumo, no Brasil, que está chegando perto de 10 quilos por habitante/ano, é um consumo ainda abaixo da média recomendada pela Organização Mundial da Saúde. A Organização Mundial da Saúde recomenda de 12 a 14 quilos por ano, por habitante. Se hoje, por exemplo, eu tivesse, não é, uma varinha mágica, no sentido de tornar obrigatório um dia por semana, na alimentação escolar de todas as nossas escolas, no Brasil inteiro, nós não teríamos peixe suficiente para colocar, para atender. Então, todo o nosso trabalho, desde a criação da Secretaria de Pesca e Aquicultura, no primeiro mandato do presidente Lula, depois a transformação em Ministério, agora a tarefa que a presidenta Dilma me deu, não é, para a gente tocar, tem sido uma tarefa nesta linha: aumentar a produção, aumentar a industrialização, para a gente poder ter um volume maior de peixe, para poder baratear o preço. É, mais ou menos, fazer um processo como aconteceu no frango. O frango, na minha infância, o pessoal brincava assim: “Quando o pobre come frango, um dos dois está doente”, porque era caro.
APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Era o frango de domingo.
MINISTRA IDELI SALVATTI: Era o frango de domingo. Só que naquela época a maior parte da produção do frango era de quintal, não havia uma produção em larga escala, e hoje... Antes, o frango, para poder ir para a panela, ele levava quase seis meses. Hoje se consegue fazer um frango ir para a panela em menos de um mês. Então, nós temos que estabelecer, na cadeia produtiva do pescado, algo semelhante. Continuar a pesca, monitorando melhor, modernizando mais os métodos de pesca, de acondicionamento, mas, fundamentalmente, aumentando a criação do peixe. É criando que nós vamos ter condição de ampliar. E nós temos tudo para fazer, não é? Temos espécies maravilhosas, que são, inclusive, até cobiçadas; eles fazem a pirataria dos nossos peixinhos aqui, principalmente lá na Amazônia, e nós temos 8.500 quilômetros de costa e 13% da água doce do planeta. A China, com metade da nossa água doce, produz 60 vezes mais peixe que o Brasil. Então, nós temos tudo para ser o maior produtor de peixe do mundo, só que precisa trabalhar, não é? Eu digo que eu estou nadando contra o tempo, no Ministério.
APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Este é o programa Bom Dia, Ministro. Nós estamos, hoje, com Ideli Salvatti, a Ministra da Pesca e Aquicultura. Ela conversa com âncoras de emissoras de rádio de todo o país. Lembrando às emissoras que o nosso sinal, no satélite, está no mesmo canal da Voz do Brasil. Ministra, vamos, agora, ao Recife, em Pernambuco, à Rádio CBN, de Recife, onde está Jofre Melo. Bom dia, Jofre.
REPÓRTER JOFRE MELO (Rádio CBN / Recife - PE): Bom dia, Kátia. Bom dia, Ministra Ideli Salvatti. Eu queria localizar um pouco a discussão, trazendo aqui, para Pernambuco. Nós temos aqui o projeto que foi feito e inaugurado, inclusive, pelo presidente Lula, da questão da criação do beijupirá em água salgada. Saindo um pouco dessa questão da água doce para a água salgada: o Ministério tem acompanhado esse projeto da criação do beijupirá, ou tem ideia semelhante de implantar isso em outro local, Ministra?
MINISTRA IDELI SALVATTI: Olha, Jofre, infelizmente, a empresa, porque foi um projeto de uma empresa particular, ela teve problemas financeiros e, infelizmente, nós não estamos com a produção do beijupirá, que havia, inclusive, uma perspectiva de que ela se concretizasse. O Ministério tem dois laboratórios que já produzem, inclusive, no caso da Bahia, o laboratório da Bahia tem produzido alevinos, os filhotinhos do beijupirá, em volume significativo, que nós já poderíamos estar fazendo outros processos de engorda no litoral brasileiro. Nós estamos... Inclusive, este ano, deveremos instalar unidades demonstrativas de engorda do beijupirá com dois tipos de equipamento: um equipamento que é aquele mais usual, tradicional, que é o tanque-rede, a gaiola, que precisa, no caso do beijupirá, de profundidade, portanto não pode ser muito próximo à costa, tem que ser mais longe, mas tem um outro equipamento que nós vamos experimentar, que eu acredito, inclusive, que deve dar um resultado melhor e facilitar muito a nossa vida, que é um equipamento submersível, que permite fazer a engorda do beijupirá numa profundidade menor. E nós estamos com a expectativa de que, com estes dois, estas duas unidades demonstrativas, a gente tenha condição de poder, daí, sim, fazer em larga escala. Porque eu utilizei o exemplo do frango, e eu acho que a pessoas conseguem entender: uma coisa é criar solto, criar no quintal, você pescar no rio ou no mar. Outra coisa é quando você confina. Quando você coloca um grande número de exemplares daquela espécie num espaço cercado, as condições para você trabalhar, para você alimentar, para você evitar doença, exige muita pesquisa, exige muito aprimoramento. É por isso que para cada espécie de peixe que a gente vai trabalhar a questão da criação, é um mundaréu de pesquisa, de desenvolvimento de equipamento; para cada tipo de pescado é uma condição diferenciada. Por isso que não é tão rápido e nem tão simples a gente ampliar a produção, mas é totalmente possível, é realizável, porque outros países fizeram isso com grande sucesso.
APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Você tem outra pergunta, Jofre?
REPÓRTER JOFRE MELO (Rádio CBN / Recife - PE): Sim, sim. Ministra, eu gostaria de falar um pouco agora, e perguntar a senhora, sobre essa questão do incentivo de criação de peixes para o pequeno produtor. Como foi feito com o frango, e, lógico, em parcerias privadas, as empresas incentivavam a criação, dando assistência técnica e também aporte financeiro para, depois, comprar aquele frango. Não seria o momento... E isso é feito através do governo aqui, com bancos sociais, para a criação de caprinos, por exemplo, aqui, no interior de Pernambuco e de outros estados do Nordeste. Não seria a hora do Ministério da Pesca pegar esse filão de bancos oficiais e incentivar o pequeno produtor, lá na sua propriedade, onde ocupa muito menos espaço, por exemplo, criar peixe do que criar o gado bovino ou o caprino?
MINISTRA IDELI SALVATTI: Olha, Jofre, você acertou em cheio, é exatamente isso. Não tem como nós produzirmos em larga escala, na quantidade que o Brasil tem potencial de produzir, se nós não tivermos a entrada dos financiamentos, do crédito, dos bancos públicos, mas também dos bancos privados, que aportam recursos em financiamentos produtivos. Agora, veja só a situação que nós temos no Brasil: o BNDES, que é o nosso principal banco de fomento, de desenvolvimento, ele nunca financiou um único, uma única empresa, para se instalar, para ampliar, para não dizer que não financiou nenhuma, teve uma empresa no Nordeste que praticamente quase faliu, aí teve a entrada de um sócio, eles fizeram um rearranjo societário e aí o BNDES financiou este arranjo societário. E, felizmente, depois de um trabalho de quase um ano de insistência, o BNDES fez os cálculos, eles fizeram a conta e eles chegaram a brilhante conclusão, inclusive nós assinamos agora, há três semanas atrás, um acordo de cooperação com o BNDES, aonde, pelos cálculos conservadores do BNDES, investimentos na cadeia produtiva do pescado, não investimentos isolados, uma fábrica de ração aqui, uma industrialização ali, um volume de tanque-rede para engorda em outro canto, não, cadeia produtiva completa, desde o filhote, do alevino, da ração, da engorda, industrialização e comercialização, ou seja, investindo na cadeia produtiva como um todo, para cada R$ 100,00 aplicados, R$ 25,00 de lucro líquido. É um dos investimentos mais rentáveis, lucrativos, de altíssima taxa de retorno. Tanto que o BNDES está aberto para os projetos. Nós, inclusive, estamos acompanhando alguns muito bem estruturados, e nós vamos ter, agora, dinheiro. Vai entrar dinheiro dos bancos públicos, e eu não tenho a menor dúvida que virá, também, dos bancos privados.
APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Este é o programa Bom Dia, Ministro. Estamos, hoje, com Ideli Salvatti, a Ministra da Pesca e Aquicultura, que conversa com emissoras de rádio de todo o país, lembrando que a NBR, a TV do governo federal, transmite a gravação dessa entrevista ainda hoje, à tarde, e também nos finais de semana, com reprise no sábado e no domingo. Ministra, vamos, agora, à Colinas, no Tocantins, conversar com a Rádio Boas Novas FM. Arnaud Ferreira, bom dia.
REPÓRTER ARNAUD FERREIRA (Rádio Boas Novas FM / Colinas - TO): Alô?
APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Arnaud?
REPÓRTER ARNAUD FERREIRA (Rádio Boas Novas FM / Colinas - TO): Sim, bom dia.
APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Bom dia.
REPÓRTER ARNAUD FERREIRA (Rádio Boas Novas FM / Colinas - TO): Ministra, Ideli Salvatti.
APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Pode fazer a sua pergunta, a Ministra já está na escuta. Arnaud? Nós vamos tentar daqui a pouco mais um contato com a Rádio Boas Novas FM, de Colinas, no Tocantins. Então, vamos, agora, a Salvador - aqui a gente roda o Brasil todo, Ministra -, na Bahia, conversar com a Rádio Educadora 107,5 FM, de Salvador. Sueli Diniz, bom dia.
REPÓRTER SUELI DINIZ (Rádio Educadora 107,5 FM / Salvador - BA): Bom dia. Daqui, do Nordeste, estamos dando um bom dia para você, Kátia, e também para a Ministra. É um prazer estar participando mais uma vez do Bom Dia, Ministro. Pois é, e hoje é Bom Dia, Ministra.
APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Ministra.
REPÓRTER SUELI DINIZ (Rádio Educadora 107,5 FM / Salvador - BA): Ministra, eu queria saber a respeito do nosso litoral baiano, que é uma das maiores extensões em área. Entretanto, esta área atende mais à indústria pesqueira do que, verdadeiramente, a demanda da indústria baiana, porque nós não temos aqui, não podemos contar ainda com um incentivo à pesca, que capacite ao baiano chegar, por exemplo, num supermercado e comprar peixe produzido na Bahia. Qual é a proposta que o seu Ministério tem para desenvolver esse setor aqui, no estado, considerando também que nós temos lagos muito grandes, como Sobradinho?
MINISTRA IDELI SALVATTI: Bom, Sueli, Salvador, Bahia, foi um dos primeiros estados que eu visitei. Eu estou numa verdadeira maratona pelo Brasil, já foram 12 estados aonde eu estive, me reuni com os governadores, com os representantes do setor. A Bahia é, como você diz mesmo, assim, um estado de grande potencial, o estado que tem o maior litoral no Brasil e nós temos muitas áreas de águas, de reservatórios, para poder desenvolver a aquicultura, não só nos rios, nos lagos, mas também na agricultura, com os tanques escavados. Então, a nossa conversa com o governador Jaques Wagner, com a Bahia Pesca... O Estado da Bahia é um dos governos que têm estrutura administrativa estadual para cuidar desse setor. Então, nós estamos aí em várias parcerias. Agora, o fundamental, na Bahia, é aquilo que a gente estava falando antes: nós precisamos desencadear a estruturação da cadeia produtiva, integrar, inclusive, os nossos pescadores artesanais que, na Bahia, é um número significativo. Praticamente é pesca artesanal a maior parte da pesca que a gente tem no litoral da Bahia. Então, nós temos que integrar, fazer as unidades de beneficiamento, de industrialização, para poder baratear este custo. Então, nós estamos com vários projetos de parceria, o governador Jaques Wagner está muito interessado, ele está realmente compromissado com o desenvolvimento deste segmento e eu acredito que nós vamos ter uma mudança muito grande, em termos produtivos, na área do pescado, da maricultura; o litoral da Bahia também tem condição de produzir ostra, marisco. Então, para nós, é muito importante a gente poder fazer essas parcerias com os governos estaduais. Por isso que eu estou fazendo uma verdadeira via sacra, não é? Eu espero, até o primeiro semestre, estar com a minha passagem em todos os estados concluída.
APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Sueli, você tem outra pergunta?
REPÓRTER SUELI DINIZ (Rádio Educadora 107,5 FM / Salvador - BA): Eu gostaria de saber também se vai haver algum tipo de incentivo com relação a este programa de merenda escolar.
MINISTRA IDELI SALVATTI: Olha, Sueli, nós temos, assim, como meta, até o ano que vem, colocar na merenda escolar, de pelo menos 20% das escolas brasileiras, o pescado. Qual é o nosso problema de colocar o pescado na merenda? O nosso problema é de que, diferentemente de outros produtos, arroz e do feijão, até do próprio frango, você não precisa processar o produto para servir na merenda. No caso do pescado, não. Você tem que processar, porque você não pode colocar na merenda, com risco da criança se engasgar com a espinha.
APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Com a espinha.
MINISTRA IDELI SALVATTI: Então, tem que ser processado. Então, é um pouco mais complicado do que outros produtos. Mas tem como fazer. Nós estamos desenvolvendo vários processos, inclusive com uma máquina que se chama despolpadeira, que retira todas as espinhas e transforma numa carninha moída do peixe, que aí você pode produzir o hambúrguer, o croquete, o bolinho de peixe. Tem outros processamentos: do caldinho, do picadinho de peixe, do filé. Então... Só que isto demanda você estruturar. Então, nós já estabelecemos onde tem organização de pescadores, cooperativas, a prefeitura, que já está cumprindo aquela lei que torna obrigatório, no mínimo, 30% da alimentação escolar vir de pequenos produtores, que é algo, inclusive, que ajuda muito o nosso pequeno produtor, nosso pequeno criador de peixe, nosso pescador artesanal. Então, o Ministério tirou isso como meta, e nós estamos trabalhando, aí, muito em parceria com as prefeituras e com as organizações locais dos nossos pescadores ou aquicultores, colônias de pescadores, cooperativas.
APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Este é o programa Bom Dia, Ministro. Estamos, hoje, com a ministra Ideli Salvatti, da Pesca e Aquicultura. Ministra, vamos, agora, mais uma vez, tentar conversar com a Rádio Boas Novas FM...
MINISTRA IDELI SALVATTI: Com o Arnaud.
APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Com Arnaud Ferreira, lá de Colinas, no Tocantins. Bom dia, Arnaud.
REPÓRTER ARNAUD FERREIRA (Rádio Boas Novas FM / Colinas - TO): Bom dia. Ministra, qual seria hoje... Quais são os pescados ou os peixes que seriam introduzidos na merenda escolar?
MINISTRA IDELI SALVATTI: Olha, Arnaud, nós podemos introduzir várias espécies, depende muito do que é produzido, criado ou pescado em cada uma das regiões. Então, nós não temos como estabelecer: “Vai ser este peixe”, porque cada região tem uma vocação, tem uma condição de produzir. Por exemplo, eu não posso querer colocar o tambaqui ou pirarucu, entende, que é um peixe amazônico, lá no Sul do país. Lá vai ser tilápia, vai ser, entende, anchoíta, como nós estamos trabalhando lá no Rio Grande do Sul, que é um tipo de sardinha pequena. Então, depende bastante do que é cada uma das espécies mais adequadas para cada uma das regiões. Agora, eu queria, inclusive, Arnaud, aproveitar, já que você é de Tocantins... Tocantins foi um dos estados que eu visitei, também, ali, numa parceria boa com o governo do estado. E, em Tocantins, nós demos início já... A pesquisa já está andando, mas nós demos início à construção das instalações da Embrapa Pesca e Aquicultura. É uma unidade que vai estar sediada em Tocantins, mas vai atender à pesquisa no desenvolvimento da pesca e da aquicultura para todo o Brasil. E para nós é muito importante esta Embrapa Pesca e Aquicultura, porque eu volto a dizer: para você, principalmente, criar, você precisa desenvolver. Nós temos espécies... Por exemplo, o pirarucu, que é um peixe fantástico, que pode, inclusive, ser alternativa de exportação tipo bacalhau, que é um peixe que se adapta a fazer aquele processo de salga, mas nós não temos, ainda, a pesquisa confirmada, entende, de produção do alevino, do filhote, da reprodução induzida do pirarucu. Isso tudo demanda pesquisa. Hoje, nós já temos do tambaqui, temos da tilápia, temos de várias espécies, do beijupirá, que eu estava comentando, lá, no Nordeste, Pernambuco, Bahia. Então, a unidade da Embrapa Pesca e Aquicultura aí, em Tocantins, é, para nós, assim, um salto de qualidade fantástico.
APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Você tem outra pergunta, Arnaud?
REPÓRTER ARNAUD FERREIRA (Rádio Boas Novas FM / Colinas - TO): Ministra, com relação aos produtores, existe alguma linha de crédito, algum incentivo para que os produtores da região... Tanto do Tocantins como a nível Brasil, existe um incentivo, por parte do governo federal, para a produção desses peixes em reservatórios, existe alguma linha de crédito para que o pequeno produtor, pequeno agricultor, possa produzir e fornecer esse peixe às escolas ou até mesmo a um outro programa do governo federal?
MINISTRA IDELI SALVATTI: Olha, Arnaud, nós temos, hoje, no Programa Nacional de Financiamento da Agricultura Familiar, o Pronaf, nós temos uma linha de crédito, chamado Pronaf Pesca e Aquicultura. Então, os nossos pequenos produtores de pescado, eles podem acessar este crédito. Infelizmente, o volume de crédito que é disponibilizado tem sido muito pouco utilizado, muito pouco. Por quê? Qual é o nó que, inclusive, tem feito parte dessa minha romaria junto aos governadores? É a questão da licença ambiental, porque quem dá licença para o tanque escavado, fazer aquele tanque na propriedade, ou colocar o tanque-rede num rio, num igarapé, num lago, numa represa, é o governo estadual. Então, nós temos que simplificar estas licenças ou fazer como alguns governadores já fizeram. O mais ousado, inclusive, foi o governador do Acre, o governador Tião Viana, que liberou, ele dispensou a licença até cinco hectares. Então, com a licença, o pequeno produtor consegue acessar o crédito do Pronaf sem muita dificuldade. E a outra linha que nós temos, também, de financiamento no Pronaf Pesca é para os nossos pescadores: compra de barco, compra de rede, de equipamento e tal. Este é mais simples, porque aí não exige a licença, tem sido utilizado de forma mais significativa. E nós estamos, agora, muito animados com a questão a do BNDES, que, finalmente, fez os cálculos e descobriu que é muito lucrativo e está, agora, aberto aos projetos. Claro que, no BNDES, são projetos de maior volume de recurso e que, normalmente, é uma cadeia produtiva toda. São várias empresas. Normalmente é algo que tem que ser construído num projeto maior.
APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Esse é o programa Bom Dia, Ministro. Eu sou Kátia Sartório. Estamos, hoje, com a ministra Ideli Salvatti, da Pesca e Aquicultura, nesse programa que é ao vivo e está em duas mídias, estamos no rádio e televisão.
MINISTRA IDELI SALVATTI: Ao vivo e a cores.
APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Isso, ao vivo e a cores. Ministra, vamos, agora, conversar com a Rádio CBN, aqui, de Brasília. Brunno Melo, bom dia.
REPÓRTER BRUNNO MELO (Rádio CBN / Brasília - DF): Bom dia, Kátia. Bom dia, Ministra.
MINISTRA IDELI SALVATTI: Bom dia, Brunno.
REPÓRTER BRUNNO MELO (Rádio CBN / Brasília - DF): Eu queria saber, Ministra, se há algum risco de chegar ao Brasil peixe com alto índice de radiação vindo do Japão, visto que há essa preocupação, principalmente nesse produto de Páscoa, em que cresce bastante o consumo de pescado.
MINISTRA IDELI SALVATTI: Bom, Brunno, em primeiro lugar, o Brasil importa muito pouco pescado do Japão. Até porque o Japão, ele é deficitário, ele consome muito, mas muito, muito mais do que ele pesca ou do que ele cria. Mas nós temos lá uma importação pequena, 2 mil toneladas, entende? Não tem ultrapassado muito disso, e são produtos muito especiais, utilizados em alguns requintes de culinária japonesa, não para o peixe cru. São... Então, nós estamos monitorando de forma adequada, nós temos um grupo de monitoramento, estabelecido pela presidenta Dilma, com a presença da Anvisa, do Ministério da Agricultura e Pecuária, do Ministério da Pesca e Aquicultura. Agora, a nossa preocupação, no Ministério da Pesca e Aquicultura, que, inclusive, nós temos, reiterada vezes, colocado neste grupo de monitoramento, é que, diferentemente do produto da agricultura, que ele vem de um local fixo - então, você monitora os produtos que vêm de Japão -, no caso do pescado, o monitoramento tem que ser um pouco mais amplo, porque o peixinho nada, e os barcos de outros países pescam em águas ou de outros países ou águas internacionais, e, portanto, nós temos que ter um monitoramento um pouco mais amplo, principalmente depois que foi divulgada a contaminação da água em altos níveis, foram descobertos peixes contaminados já a mais de 100 quilômetros da área da usina. Então, nós estamos bastante alerta, monitorando. E a nossa recomendação, a recomendação do Ministério da Pesca e Aquicultura, foi de fazermos um monitoramento das importações do pescado da Ásia. Também não é grande a importação. Nós temos uma importação... A maior é da China, em torno de 60, 70 mil toneladas/ano, mas nós vamos ter que fazer esse monitoramento. Sem alarde, está tudo muito controlado, tudo monitorado, bem-monitorado, mas sempre com aquela atenção devida, para a gente não ter qualquer risco.
APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Brunno.
REPÓRTER BRUNNO MELO (Rádio CBN / Brasília - DF): Ministra, em termos percentuais, qual seria a chance de um pescado desses, com possível contaminação de radiação, chegar ao Brasil?
MINISTRA IDELI SALVATTI: Olha, eu diria, Bruno, que a possibilidade é remotíssima, remotíssima. Só que, mesmo sendo remotíssima, a gente tem que estar alerta, tem que estar alerta. Porque é como eu disse, você monitorar a verdura, o grão, o alimento que tem uma produção fixa, ou seja, você sabe de onde ele veio exatamente... É um pouco mais complicado você monitorar pescado, porque, não só os cardumes se movimentam, como a captura, quem vai pescar, também se movimenta. Então, por exemplo, a China, Vietnã, que são países... Coreia, que são países que têm um volume maior de pescado, eu não posso dizer, com certeza, de onde está vindo aquele peixe. Eu não sei, eu não tenho como, assim, afirmar categoricamente que ele foi pescado naquele local. Então, é por isso que a gente alertou. Não, assim, uma coisa para a gente ficar preocupado: “Não, eu vou parar de comer peixe”. Não, pelo amor de Deus, que todo mundo continue comendo peixe, porque está bem monitoradinho.
APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Este é o programa Bom Dia, Ministro. Eu sou Kátia Sartório. Estamos, hoje, com a ministra da Pesca e Aquicultura, Ideli Salvatti, conversando com âncoras de emissoras de rádio de todo o país. Lembrando que o áudio dessa entrevista vai estar disponível, ainda hoje, de manhã, na página da Secretaria de Imprensa da Presidência da República. Anote o endereço: www.imprensa.planalto.gov.br. Ministra, vamos, agora, a sua terra, Florianópolis, Santa Catarina...
MINISTRA IDELI SALVATTI: Ah, minha Floripa querida.
APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Conversar com a Rádio Cultura 1110 AM, onde está o Paganini. Bom dia, Paganini.
REPÓRTER PAGANINI (Rádio Cultura 1110 AM / Florianópolis - SC): Muito bom dia, Kátia Sartório. Bom dia à nossa Ministra Ideli Salvatti. Nós estamos vivenciando, no Brasil, a Campanha da Fraternidade, com o tema da “Fraternidade e a Vida no Planeta”, que será voltada para o meio ambiente, e o lema é: “A criação geme com dores de parto”. Dentro desta realidade, o Ministério da Pesca irá atuar em parceria com o Ministério do Meio Ambiente. Os recursos ambientais estão escassos, o planeta clama por socorro. Como pretende auxiliar no desenvolvimento ecologicamente orientado, focando na aquicultura, Ministra?
MINISTRA IDELI SALVATTI: Paganini, o nosso pedacinho de terra perdido no mar continua lindo, né?
REPÓRTER PAGANINI (Rádio Cultura 1110 AM / Florianópolis - SC): Maravilhoso.
MINISTRA IDELI SALVATTI: Maravilhoso, né? Estou com saudade de Floripa. Mas, Paganini, assim, eu tenho usado um número que ele é bastante contundente: para você criar um boi em determinadas regiões do Brasil, para ele ficar pronto, para ir para o corte, ir para a nossa mesa leva, praticamente, três anos, e, em determinadas situações, você precisa derrubar um hectare de árvores. Em um hectare de água, você cria, em apenas um ano, 10 toneladas de peixe. Três anos para você conseguir um boi de uns 800 quilos. Então, é mais do que lógico que a gente... Não que o Brasil vai deixar de criar boi, produzir... Óbvio que não, nós temos capacidade de fazer isto de forma sustentável, adequada. Mas o peixe, ele é, em termos ambientais, muito mais adequado, até porque o peixe, ele é normalmente um atestado de saúde da água, de sanidade da água. Vai criar peixe em água contaminada, em água suja; não se cria. Inclusive, nós temos alguns órgãos, institutos, que fazem monitoramento de água, que exatamente determinadas espécies de peixes são o comprovante de que a água está limpa. Então é por isso que a gente está apostando muito. É claro que nós temos espécies que estão no limite, que a gente não pode pescar mais, que não tem... Por isso que a gente faz o defeso, tem que ter a fiscalização, não deixar pescar na época da reprodução, na época que os peixinhos estão subindo, na Piracema, para desovar. Então... Mas, fundamentalmente, nós temos que trabalhar com a criação. Este é, digamos assim, o avanço natural, natural. Da mesma forma como raras pessoas, hoje, colocam no prato um animal caçado, mas colocam, praticamente, todo o dia, um animal criado – um bife, ou uma coxinha de frango, ou uma costelinha de porco –, também vai chegar o momento que vai reduzir cada vez mais, entende, o peixe pescado sendo substituído pelo peixe criado. Isto é algo natural e ambientalmente é o correto.
APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Você tem outra pergunta, Paganini?
REPÓRTER PAGANINI (Rádio Cultura 1110 AM / Florianópolis - SC): Sim, Kátia. Nossa Ministra, Ideli Salvatti, como o Ministério pretende potencializar a maricultura, aqui, em Santa Catarina, setor que aprimora a economia, em consonância com a preservação ambiental das baías, local em que estão instaladas as fazendas marinhas?
MINISTRA IDELI SALVATTI: Paganini, Santa Catarina já é o maior produtor de ostra e marisco do Brasil, criação. Nós somos esse caso de sucesso, numa parceria maravilhosa com os nossos pesquisadores, aí, da Universidade Federal, da Univale, pessoas que se dedicaram, desenvolveram a tecnologia, como engordar os equipamentos. E, hoje, nós somos um caso de sucesso. Infelizmente, todas as nossas fazendas aí, o nosso pessoal que tem lá as boias, criando as gaiolas com as ostras, as boias com o marisco está tudo ilegal. Então, nós estamos, agora, legalizando a cessão destas áreas para estes nossos criadores, estes nossos maricultores poderem, inclusive, acessar crédito, que, hoje, eles fazem na raça e no peito. Não tem financiamento, nada. Então, nós estamos, agora, terminando os licenciamentos ambientais. A minha conversa, inclusive, com o governador Raimundo Colombo deu resultado, a licença está caminhando bastante rápida. E nós queremos, até a metade do ano, legalizar mais de 2 mil áreas, onde boa parte já tem a criação, e ainda ceder, conceder novas áreas, para ampliar cada vez mais a criação de ostra, marisco. E, agora, a pesquisa está avançando para o nosso berbigão, viu, Paganini? Já pensou? Criação de berbigão.
APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Berbigão é um peixe?
MINISTRA IDELI SALVATTI: Não, berbigão é um marisquinho.
APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Ah, sim.
MINISTRA IDELI SALVATTI: Eu vou falar florianopolitanamente, tá? É um marisquinho, tá? É maravilhoso. O pastel de berbigão é tudo de bom. Aliás, estou morrendo de saudade de comer aquele famoso, lá do Mercado Público de Florianópolis.
APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Este é o programa Bom Dia, Ministro, é um programa que tem a coordenação e a produção da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, em parceria com a EBC Serviços. E a nossa convidada de hoje é a Ministra Ideli Salvatti, da Pesca e Aquicultura.
MINISTRA IDELI SALVATTI: Kátia.
APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Pois não.
MINISTRA IDELI SALVATTI: Se você me permite...
APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Claro.
MINISTRA IDELI SALVATTI: Tem uns, assim, que gostam de fazer aquele charme. Então, o berbigão, em alguns estados, é conhecido como ‘vôngole’, ‘vôngole’. É mania de dar nome estrangeiro, ‘vôngole’ é o nome italiano do berbigão. Da mesma forma que as nossas vieiras, lindas, maravilhosas e gostosíssimas, são ‘Coquilles Saint-Jacques’. Então, assim, um pouco... Aquele jeitinho brasileiro de dar um charme na comida, mas é tudo produzido aqui, nosso, e muito bom.
APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Eu vou experimentar ainda, viu, Ministra?
MINISTRA IDELI SALVATTI: Ah, o berbigão eu vou te trazer o pastelzinho, você vai adorar.
APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Está joia. Ministra, vamos, agora, a Fortaleza, no Ceará, à Rádio Jangadeiro FM, de Fortaleza, onde está Alex Mineiro. Bom dia, Alex.
REPÓRTER ALEX MINEIRO (Rádio Jangadeiro FM / Fortaleza - CE): Bom dia, Kátia. Bom dia, Ministra. Ministra, ontem, a Coordenadoria de Inspeção do Trabalho Portuário e Aquaviário, aqui, da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego, no Ceará, alertou para um alto índice de acidentes no setor pesqueiro, sem notificação. Outros pontos também foram denunciados, como a falta de registro em carteira e de ausência de treinamentos para os pescadores. Tendo em vista que estamos na Quaresma, período em que mais se consome peixe, e especialmente tendo o Ceará como o quarto maior produtor de pescado do país, eu pergunto: existe algum projeto do Ministério para reverter este quadro?
MINISTRA IDELI SALVATTI: Olha, Alex, esta questão da mão de obra é algo que preocupa sobremaneira o Ministério. Nós temos um Conselho Nacional da Pesca e Aquicultura, com representantes dos diversos setores - pesca industrial, pesca artesanal, pesca amadora, a representação das colônias de pescadores, dos trabalhadores aquaviários - e nós estamos, inclusive, com um grupo de trabalho específico, para poder tomar medidas com relação a estas condições de trabalho. Infelizmente, os nossos barcos chegam ao ponto da grande maioria sequer ter o banheiro. Então, nós temos situações onde o barco vai para o mar, fica um, dois meses com os homens trabalhando lá, em condições, eu diria, praticamente, quase sub-humanas. Então, realmente, esta é uma preocupação muito grande. A gente está tentando fazer uma parceria, inclusive, com o Ministério do Trabalho, ampliar a capacitação. Hoje, nós estamos com falta de mão de obra especializada, porque, para você colocar um barco, principalmente os de maior porte, no mar, tem uma série de exigências de pessoal especializado, capacitado pela Marinha, que não tem dado conta de formar. Porque nós estamos, agora, numa concorrência que tem trazido alguns problemas, também, para nós, que é esta concorrência aí do desenvolvimento da questão do petróleo e gás. Então...
APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: O pré-sal...
MINISTRA IDELI SALVATTI: O pré-sal, ele está levando, porque paga melhor, duas, três, quatro vezes mais o salário oferecido. Então, chegando ao ponto de... Por exemplo, a frota industrial brasileira, que mais da metade da indústria da pesca está no meu estado, está em Santa Catarina, nós tivemos, este ano, quase... Em torno de 20, 25% dos barcos não puderam ir para a água, porque faltava o mestre do barco, o comandante, porque não tem... O ‘offshore’, o petróleo está carregando. Então nós estamos, agora, buscando capacitar, buscando... Fazendo uma parceria, aí, com a Marinha, para a gente poder ter uma especialização de um número maior de pessoas, que vai ser necessário também para o petróleo, que eles também estão com falta de pessoal. E as condições de trabalho é aquilo que o Alex falou mesmo, são condições de trabalho que exigem muita fiscalização, e a gente dá um aperto grande, aí, para melhorar, porque realmente é muito sofrida. A vida dos que trabalham na pesca é uma vida muito sofrida.
APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: E existe um canal, Ministra, para que as pessoas possam denunciar esse tipo de trabalho?
MINISTRA IDELI SALVATTI: Nós temos... Em todos os estados tem a Superintendência da Pesca e da Aquicultura. Então, a recomendação nossa é que estabeleça um contato, apresente a denúncia concretamente. Aí a gente vai atuar, obviamente, em conjunto com o Ministério do Trabalho e Emprego. O Ministro Lupi também tem sido um parceiro nosso muito bom nesta área.
APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Está certo. Ministra, vamos, agora, a Londrina, no Paraná, à Rádio Paiquerê, de Londrina. Lino Ramos, bom dia.
REPÓRTER LINO RAMOS (Rádio Paiquerê / Londrina - PR): Bom dia, Kátia. Bom dia, Ministra. Bom, o que a gente percebe, no interior, é que o produtor, muitas vezes, até se mostra interessado na produção do pescado, mas ele enfrenta, também, dificuldades, e até falta a tecnologia para que ele possa buscar esta produção. O governo estuda alguma linha de subsídio para fazer com que os pequenos produtores também possam ser inseridos nessa cadeia produtiva, Ministra?
MINISTRA IDELI SALVATTI: Olha, Lino, os pequenos produtores, nós temos, já, a linha do
PRONAF - Pesca e Aquicultura. O nosso problema são as licenças, porque ninguém consegue acessar crédito se não tem a legalização do empreendimento, da mesma forma que não financia... O agricultor familiar não financia se ele não tiver o documento da terra. Para poder ter o financiamento da criação do pescado precisa ter a licença ambiental. Por isso que o nosso pedido para todos os governadores: libere, isente, simplifique para a gente poder alavancar, porque o crédito tem. Agora, é fundamental estar articulado em uma cadeia. Por isso que para estados como Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, que o exemplo do frango, do suíno, integrado pequenos produtores com uma agroindústria, foi um sucesso, nós acreditamos que também esse modelo, no pescado, vai dar muito bom resultado.
APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Ministra, vamos voltar para o Nordeste, só que agora vamos a Aracaju, em Sergipe, à Rádio 930 AM, de Aracaju. Gabriel Damásio, bom dia.
REPÓRTER GABRIEL DAMÁSIO (Rádio 930 AM / Aracaju - SE): Bom dia, Kátia e ouvintes da EBC. Bom dia, ministra Ideli Salvatti. As perguntas são bem objetivas. A primeira é sobre o terminal pesqueiro de Aracaju que, no ano passado, o Ministério da Pesca assinou um convênio com o governo do estado para se fazer as obras de reforma do terminal pesqueiro de Aracaju, que fica junto aos mercados, no centro de cidade. Em que pé está esta obra, essa reforma desse terminal pesqueiro? Porque a impressão é de que está tudo meio parado, e eu queria saber como isso poderia ser acelerado. E outra pergunta bem objetiva é sobre como está a produção de Sergipe na área de pesca e como esta produção pode ser aumentada. Ela é significativa, responde por uma boa percentagem perante os outros estados?
MINISTRA IRINY LOPES: Olha, Gabriel, nós crescemos a produção, entre pesca e criação, de 800 mil toneladas para mais de 1,2 milhão de toneladas nos últimos anos. Então, é crescente, a nossa produção. Ela ainda é muito aquém do que a gente precisa, mas ela é crescente, sinal de que o trabalho que a gente vem fazendo está dando resultado. Inclusive, o consumo da população também é crescente. Quando foi criada a Secretaria da Pesca era seis quilos e um pouquinho, por ano, por habitante. Hoje, nós já estamos perto dos dez quilos. Então, é sinal que a política que nós estamos adotando está dando o resultado de aumentar a produção e aumentar o consumo. E os terminais pesqueiros são estruturas muito importantes para a gente poder receber bem o pescado, manusear e distribuir. Por isso que nós temos... No Ministério da Pesca e Aquicultura são 20 terminais pesqueiros definidos como importantes em vários pontos do Brasil. O de Aracaju é um deles. O problema é que cada um desses terminais pesqueiros têm problemas delicados de licenciamento, de parceria. Por exemplo, eu tenho um terminal que não consegue encostar barco porque tem barco afundado na frente do canal do mar. Então, cada um deles, nós estamos acelerando para ver se a gente consegue colocar para funcionar o mais rapidamente possível, porque eles são equipamentos realmente importantes para dar não só condição de chegada, mas, principalmente, condição de qualidade do pescado, você ter o desembarque, o manuseio e a distribuição com uma segurança maior, mais limpeza e refrigeração, para não ter perigo de um produto não estar em condição boa de consumo.
APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Gabriel?
REPÓRTER GABRIEL DAMÁSIO (Rádio 930 AM / Aracaju - SE): Pois não. Só, então, ela especificar como está a obra do terminal pesqueiro de Aracaju, se ela tem alguma informação sobre isso, se as obras estão andando, estão avançadas.
MINISTRA IDELI SALVATTI: Gabriel, infelizmente, eu não tenho aqui, de cabeça, cada um dos terminais, como eu já lhe disse. Então, eu não teria como lhe dar esta informação, mas me comprometo a repassar, depois, diretamente para você, logo em seguida, quando eu chegar no Ministério. Está bom? E aí você pode divulgar para toda a população de Aracaju e do nosso querido estado de Sergipe.
APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Você está ouvindo e assistindo a Ministra da Pesca e Aquicultura, Ideli Salvatti, a nossa convidada de hoje no programa Bom Dia, Ministro. Ela conversa com âncoras de emissoras de rádio de todo o país, nesse programa que é multimídia: estamos, ao vivo, no rádio e na televisão. Ministra, vamos, agora, a Mato Grosso do Sul, Dourados, Rádio Grande FM, onde está Paulo Wagner. Bom dia, Paulo.
REPÓRTER PAULO WAGNER (Rádio Grande FM / Dourados – MS): Muito bom dia. Bom dia, Ministra. Eu gostaria de fazer uma pergunta para a senhora. Aqui na região do Mato Grosso do Sul existe uma grande riqueza em rios e peixes, mas a expansão de peixes em cativeiro é muito pequena aqui para a nossa região. O Ministério tem algum projeto específico para esta nossa região do sul do Mato Grosso do Sul?
MINISTRA IDELI SALVATTI: Temos, sim. Inclusive, eu recebi, agora, há poucos dias, uma comitiva representativa: parlamentares, senador, ex-governador, deputados do estado do Mato Grosso do Sul com projetos que estão em andamento no Ministério. E, inclusive, eles me trouxeram uma situação da questão da fiscalização do Pantanal. Aí tem uma situação extremamente delicada, porque quando é a época da cheia, os peixes... A água fica com baixa oxigenação, os peixes sobem para poder respirar e aí nós temos uma pesca predatória, fica muito fácil pegar em grande quantidade, e aí a pesca predatória é muito elevada no Pantanal. Então, eu, inclusive, já tive o primeiro contato, a primeira reunião com o ministro Nelson Jobim para a fiscalização nas áreas de fronteira, na área do Pantanal, Mato Grosso do Sul, principalmente, a área lá da fronteira com a Venezuela e a Colômbia, onde nós temos também muito contrabando, muita evasão de peixes ornamentais, dos peixes amazônicos, e também na área de fronteira ali do Pará, Amapá com o Suriname. Então, nós estamos trabalhando não só para desenvolver, como você perguntou, tem projetos em andamento específicos para a criação de pescado no Mato Grosso do Sul, mas também um cuidado que esta fiscalização... A ampliação da fiscalização para diminuir a pesca predatória.
APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Ministra, vamos, agora, a João Pessoa, na Paraíba, à Rádio Arapuan, de João Pessoa. Washington Luiz, bom dia.
REPÓRTER WASHINGTON LUIZ (Rádio Arapuan / João Pessoa - PB): Muito bom dia. Meus cumprimentos à ministra Ideli Salvatti. É sempre uma satisfação enorme poder participar desse programa, que é de fundamental importância não só para os esclarecimentos que a sociedade brasileira precisa, mas eu vejo de fundamental importância esse intercâmbio junto aos estados, aos municípios e às capitais para levar a informação que o nosso ouvinte ou telespectador pode e precisa. Ministra, meus cumprimentos. Aqui na Paraíba nós sabemos que temos... Somos a capital que tem um porto, aqui na nossa capital, que merece e carece de recursos. E a Paraíba também tem alguns projetos já em andamento, já que temos, agora, nova administração aqui no estado, mas temos alguns projetos nessa área para melhor alimentação, ou seja, dos nossos alunos, e o empreendimento mais aprofundado no que diz respeito à pesca aqui na nossa capital. Eu lhe pergunto: qual o projeto que a Presidência da República, através do seu Ministério, pode trazer aqui para a Paraíba, já que existe aqui o nosso porto aqui na cidade de Cabedelo, que fica na Grande João Pessoa, e eu acredito que a senhora tenha conhecimento e já conhece, porque o porto mais próximo que tem é o de Suape, aqui em Pernambuco, que já tem uma infraestrutura melhor. O calado precisa ser aprofundado e, com isso, vem tão somente enaltecer e engrandecer, a cada dia, esse projeto que a senhora desempenha hoje, à frente desse Ministério, que eu julgo de fundamental importância. O que a senhora está fazendo agora, eu acredito que é o... Vem surgir, vem erguer, a cada dia mais, a sistemática adotada não só nas escolas, mas como também o desenvolvimento dos estados e municípios que estão carentes de um Ministério de tamanha importância como é o seu. Meus cumprimentos e fica aqui o abraço dos estúdios da Arapuan FM, aqui na capital paraibana. E, quando vier aqui a João Pessoa, sinta-se convidada a participar aqui da nossa programação. E parabéns pelo trabalho que a senhora desempenha. Eu acompanho a sua trajetória, e fica aqui os meus cumprimentos em nome do povo da Paraíba.
MINISTRA IDELI SALVATTI: Obrigada, Washington. Inclusive, há dois dias, eu recebi o governador da Paraíba, que veio, exatamente, me trazer a questão... Lá na Paraíba, nós temos um terminal pesqueiro público que está praticamente pronto, falta pequenas questões legais apenas, de documentação, que a prefeitura tem que fazer. E ele está prontinho para entrar em funcionamento. O governador, inclusive, veio nos solicitar se há possibilidade de nós fazermos a cessão, ou seja, um convênio para que a operação do terminal pesqueiro de Cabedelo, já que a Companhia Docas do estado administra todo o porto e é no mesmo cais, que o Ministério pudesse ceder para a administração ficar com o governo do estado. Nós vamos fazer a análise jurídica. E, para nós, é muito importante, porque, nesse terminal pesqueiro, também nós vamos poder atender ao Instituto Federal da Paraíba que juntamente com o Instituto Federal de Santa Catarina são os dois únicos institutos federais em todo o Brasil que vão ter cursos profissionalizantes voltados para a área da pesca e da navegação, que veio um pouco ao encontro daquele nosso problema, não é, Kátia, que nós já tratamos em outra pergunta, da capacitação da mão de obra, de preparar. Então, nós temos uma parceria muito importante com a Paraíba, não só nessa questão do terminal pesqueiro, da capacitação profissional, mas também de desenvolvimento de outros projetos de Aquicultura e fortalecimento da pesca no estado da Paraíba, que tem um grande potencial.
APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Ministra, agora, vamos ao Guarujá, em São Paulo, à Rádio Guarujá AM, onde está Marcelo Castilho. Bom dia, Marcelo.
REPÓRTER MARCELO CASTILHO (Rádio Guarujá AM / Guarujá - SP): Muito bom dia, Kátia. Bom dia, Ministra. Com relação à produção de pesca que foi realizada no ano passado, a meta foi de quase 558 mil toneladas. Qual a expectativa da Ministra com relação à produção desse ano, se ela pode superar esta marca, e como fazer com que esta produção chegue na mesa do trabalhador, chegue, principalmente, na merenda escolar? Através de parcerias com os municípios?
MINISTRA IDELI SALVATTI: Olha, Marcelo, nós estamos com uma expectativa de que entre o que está sendo pescado e o que está sendo criado, pesca e aquicultura, nós tenhamos condições, este ano, de fechar na faixa de 1,3 milhão, aproximadamente 1,4 milhão de toneladas, um crescimento, mais ou menos, seguindo a tendência que tem sido dos últimos anos. E a questão da merenda escolar, eu já tive a oportunidade de reportar que nós estamos trabalhando para poder processar o pescado, juntar onde já tem organização, cooperativa de pescadores, de produtores, para facilitar o fornecimento desse peixe sem as espinhas, que não pode ter para a criançada não se engasgar. E a outra questão é que o Ministério da Pesca e Aquicultura tem um equipamento que é muito solicitado pelos prefeitos e é um sucesso, que é o Caminhão Feira do Peixe. É um caminhão que tem duas câmaras frigoríficas, tem um balcão que é uma espécie de balcão de peixaria, tem uma área onde é possível fazer a limpeza, tirar as escamas e as vísceras do peixe. E esse Caminhão Feira do Peixe funciona assim: ele pega o peixe diretamente do pescador ou do produtor, pagando, portanto, um preço muito melhor, sem a presença do atravessador, e leva este pescado diretamente para os bairros mais populares, fazendo com que as pessoas possam comprar. Tem um limite de até cinco quilos por pessoa, para não ter também revenda. E aí a gente consegue atender as duas pontas: paga melhor para quem pesca ou para quem cria e dá um preço também mais adequado para a dona de casa, para o pessoal colocar lá na frigideira, na panela, o peixinho também mais barato. Então, esse Caminhão Feira do Peixe, nós já temos mais de 50 unidades funcionando, principalmente nas capitais, nas cidades maiores, mas é um programa que o Ministério da Pesca e Aquicultura vai implementar cada vez mais, porque é, realmente, um sucesso, atende muito bem os dois lados.
APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: E acaba com o intermediário.
MINISTRA IDELI SALVATTI: Acaba com o intermediário, que é o grande vilão da história. No peixe, o grande vilão da história é o intermediário, ele é que fica... Eu digo sempre que ele fica com o filé do peixe.
APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Marcelo, você tem outra pergunta?
REPÓRTER MARCELO CASTILHO (Rádio Guarujá AM / Guarujá - SP): Não. Muito obrigado à Ministra pelos esclarecimentos.
APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Obrigada, Marcelo Castilho, da Rádio Guarujá AM, lá de São Paulo. Ministra, agora há pouco, a senhora estava falando sobre a importância de se capacitar a mão de obra, porque falta mão de obra. Eu queria que a senhora desse o recado, o serviço para quem está nos ouvindo agora e quer atuar nessa área. O que ele deve fazer?
MINISTRA IDELI SALVATTI: Bom, em primeiro lugar, nós estamos com vários cursos de capacitação, até a estruturação dos nossos 38 institutos federais, que são as nossas antigas escolas técnicas que, no governo do presidente Lula, explodiram, uma explosão extremamente positiva. Nós não tínhamos, praticamente, cursos de nível médio na área da pesca, da aquicultura. Nós tínhamos cursos de engenharia de pesca em poucas universidades. Hoje, também, nós temos mais de 70 cursos de engenharia de pesca em todo o Brasil. Então, está ampliando bastante, de forma significativa. E, para nós, é muito importante que as associações, as colônias de pescadores, as cooperativas, as associações, os sindicatos façam o contato com as nossas superintendências da pesca do Ministério em cada um dos estados. Nós temos sede em todos. E ainda acessar o nosso site www.mpa.gov.br, onde nós temos instruções, orientações de como nós podemos atuar capacitando a nossa juventude, os nossos produtores, os nossos pescadores para a gente poder... Inclusive, eu peço ajuda, porque a nossa presidenta Dilma me deu a ordem de multiplicar os peixes, e eu não vou dar conta de fazer sozinha, porque não sou milagreira. Vou precisar ter ajuda de muita gente.
APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Está certo. Ministra, a gente sempre acaba caindo na mesma pergunta: o preço de pescado. E eu queria perguntar para a senhora quais são as políticas públicas que estão sendo desenvolvidas para que a gente encontre um preço mais interessante no mercado quando a gente for comprar um peixinho.
MINISTRA IDELI SALVATTI: Olha, Kátia, tem, inclusive, algumas coisas que se consolidam, dizendo assim: “O peixe é caro, o peixe é caro. Na Semana Santa, sobe muito”, mas nós estamos... Inclusive, nós vamos apresentar... Nesta semana, vai estar disponível no site. Nós estamos fazendo um monitoramento: nos últimos três anos, não tem elevação, oscilação, praticamente... É claro, tem... Porque tem época de defeso e tal, tem oscilação de algumas espécies, mas, em média, o preço do pescado, nos últimos três anos, tem se mantido. Não teve profundas elevações, não. Praticamente é, na média, o mesmo. E para a nossa surpresa, nós fizemos a comparação com a carne bovina, suína e de frango e o pescado foi o que menos teve alteração de preço. Enquanto a carne bovina subiu muito, o franco também, suína, o nosso peixinho, o bom peixinho de dada dia, mais ou menos, teve um equilíbrio, sem grande alteração. Então, é bom conferir. É bom conferir porque está sendo mais barato consumir o peixe.
APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Ministra, ainda conversando sobre o pescado, como os municípios que querem aderir a esse pescado na alimentação, na merenda escolar, o que eles devem fazer? Mais um serviço também.
MINISTRA IDELI SALVATTI: Nós estamos trabalhando muito. Tem algumas prefeituras que têm estrutura, é mais fácil; tem outras que têm uma dificuldade maior. Mas, como nós não temos nem pescado suficiente para colocar em todas as escolas e nem temos condição de fazer o processamento, o que nós estamos trabalhando é: onde já tem organização, colônia de pescadores que já tem processo, já tem câmara frigorífica, já tem caminhão frigorífico, já tem unidade de beneficiamento, já tem a despolpadeira. Então a gente está tentando aproximar quem já está estruturado para poder fornecer com a prefeitura que já tem a decisão de colocar na merenda. Então, o trabalho no Ministério, nesse momento, está focado. A gente não está atirando para todos os lados, a gente está focando onde tem organização e tem vontade da prefeitura de colocar, e estamos aproximando, fazendo esse trabalho de interligação, para atingir a meta que eu coloquei: pelo menos 20%, um quinto das escolas brasileiras poderem ter pescado, que é um produto extremamente saudável, faz muito bem para a saúde, todos sabem disso.
APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Com certeza. Ministra Ideli Salvatti, da Pesca Aquicultura, eu queria agradecer muito a sua presença em nosso programa.
MINISTRA IDELI SALVATTI: Eu é que agradeço a oportunidade. Esta hora passou tão rapidinho. Eu achei que era um... Que ia ser um tempo... Mas queria agradecer, inclusive, a todos, a todas as emissoras de rádio que fizeram as perguntas, o questionamento. Eu estou devendo aqui, vou, depois, para o Gabriel Damásio, lá de Aracaju, a resposta específica do terminal deles. E espero voltar com mais peixes, mais barato.
APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Com boas notícias.
MINISTRA IDELI SALVATTI: Aí, na próxima, nós vamos dar umas receitinhas também, está bom?
APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Está ótimo.
MINISTRA IDELI SALVATTI: Coisa de mulher, não é, Kátia.
APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Claro.
MINISTRA IDELI SALVATTI: Tem que ter receita.
APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Ministra, muito obrigada pela participação. E a todos que participaram conosco desse programa, o meu muito obrigado, e até a próxima edição.