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APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Olá, amigos, em todo Brasil, eu sou Kátia Sartório e começa agora mais um programa Bom Dia, Ministro. O programa tem a coordenação e a produção da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, em parceria com a EBC Serviços. Hoje, aqui nos estúdios da EBC serviços, o Ministro Chefe do Gabinete de Segurança Institucional, Jorge Armando Felix. Bom-dia, Ministro Jorge Armando Félix.
MINISTRO JORGE ARMANDO FÉLIX: Bom dia, Kátia.
APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Seja bem-vindo.
MINISTRO JORGE ARMANDO FÉLIX: Muito obrigado.
APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Na pauta do programa de hoje a Política Nacional Sobre Drogas, o Ministro Jorge Armando Félix vai explicar também a Política Nacional De Inteligência, e os esforços do Brasil em ajudar as vítimas das enchentes dos Estados de Pernambuco e Alagoas. O Ministro-Chefe do Gabinete de Segurança Institucional já está aqui no estúdio pronto para conversar com âncoras de emissoras de rádio neste programa, que é multimídia, estamos ao vivo no rádio e na televisão. Ministro, vamos agora a Feira de Santana, na Bahia, conversar com a Rádio Princesa FM, de Feira de Santana, onde está Luiz Santos. Bom dia, Luiz.
REPÓRTER LUIZ SANTOS (Rádio Princesa FM / Feira de Santana - BA): Bom dia. Bom dia, Ministro Jorge Armando Félix. E nós começamos perguntando sobre as providências que estão sendo adotadas para os nordestinos, Alagoas e Pernambuco. Bom dia, ministro.
MINISTRO JORGE ARMANDO FÉLIX: Bom dia, Luiz Santos, bom dia a você, bom dia aos ouvintes. Eventualmente aos telespectadores, que estão nos assistindo, meu agradecimento pela atenção de vocês. E nós temos aqui na Presidência da República o que nós chamamos de um Gabinete de Crise. Esse Gabinete de Crise é acionado, todas as vezes por determinação do Presidente da República, quando ocorrem problemas, eventos, acontecimentos, que exigem a articulação e o trabalho de uma série de ministérios para solucionar esse problema. E nesses problemas, então, o Presidente determina que o Gabinete de Crise entre em funcionamento, e que nós façamos, então, a coordenação e articulação do trabalho desses ministérios. No caso das enchentes em Pernambuco e Alagoas, e é exatamente isso que nós estamos fazendo. Então, existe uma quantidade muito grande de ministérios envolvidos, Ministério da Integração, por meio da Defesa Civil, o Ministério do Planejamento, alocando recursos, não apenas para aqueles ministérios envolvidos, mas também diretamente para os governos estaduais, governo de Pernambuco, e o governo de Alagoas. Existem o Ministério das Cidades, preocupado com a construção das casas, com a realocação daquelas que as pessoas não devem voltar a residir nos locais já atingidos. Então, tem que olhar para o futuro, não é? Evitar que esses problemas aconteçam novamente. Enfim, uma gama enorme de ministérios, o Ministério da Defesa, com Exército, Marinha e Força Aérea apoiando com soldados, helicópteros, enfim, com caminhões transportando pessoas, transportando gêneros. De modo que nós temos um envolvimento total do Governo Federal no apoio a esses dois Estados. E a recomendação do presidente é que nós não poupemos esforços, nem recursos, para recuperar essas áreas atingidas por esse fenômeno, que foi um fenômeno absolutamente anormal. Aqueles que já estiveram lá, claro, muito mais os que sofreram, os que sofreram com os efeitos, mas aqueles de nós que já estiveram na região, eu já estive duas vezes na área, realmente foi um acontecimento, assim, da natureza, impressionante. A força da água, a quantidade da água, e o nível de destruição que nós podemos presenciar lá na região, nós podemos dizer que foi um milagre terem morrido apenas, ter as pessoas que chegaram a algumas dezenas. Se isso tivesse ocorrido à noite, ou se não tivesse havido um alerta antecipado, uma orientação para as pessoas abandonarem as suas casas, certamente nós poderíamos ter uma tragédia de proporções muito maiores. Mas, então, como eu disse, a determinação do presidente é que o governo não poupe esforços para apoiar os municípios, apoiar os governos estaduais, e muito particularmente as pessoas que foram atingidas. De modo que eu não vou enumerar aqui os recursos, são muitos, mas eu gostaria de deixar bem claro essa disposição do Governo Federal, seja do presidente, dos ministros, enfim, de todos aqueles que estão envolvidos no resgate da situação de todos esses nossos brasileiros, não é? Como nós, que sofreram os efeitos, então, dessa, poderíamos dizer, dessa verdadeira catástrofe da natureza.
APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Luiz Santos, você tem outra pergunta?
REPÓRTER LUIZ SANTOS (Rádio Princesa FM / Feira de Santana - BA): Outra pergunta. Um assunto que nos preocupa muito, nesse momento, é a questão das drogas, principalmente o crack, e o Governo Federal lançou recentemente o Plano Integrado de Enfrentamento ao Crack. Também realizou uma pesquisa, em todo território nacional, sobre a questão do álcool e outras drogas nas universidades. Infelizmente, 80% dos entrevistados já tiveram contado com as drogas.
MINISTRO JORGE ARMANDO FÉLIX: É, o crack é um fenômeno, não vou dizer que é um fenômeno recente, é um fenômeno antigo. Eu mesmo, ainda em 2003, logo no início do governo, estive em São Paulo, na chamada Cracolândia, visitando, uma coisa consternadora, não é? Víamos lá, e vemos ainda, meninos de 9, 10 anos de idade, consumindo crack ali seguidamente. Estive lá com o pessoal da Escola Paulista de Medicina, e voltei outras vezes lá. Mas era um fenômeno, na época, e durante muito tempo o crack foi um fenômeno muito localizado. Havia talvez um entendimento tácito entre os traficantes, de não permitir que o crack penetrasse em outros Estados da federação. De repente, houve uma abertura total, isso tem uma série de causas, podemos até depois falar sobre algumas delas, mas o fato é que no último, diríamos, ano e meio a dois anos, houve um crescimento bastante acelerado da oferta de crack no país inteiro. E um detalhe que diferencia o Brasil de outros países, o crack está presente hoje, mesmo em pequenas cidades do interior, e até mesmo na área rural. De modo que é um fenômeno que o governo resolveu enfrentar esse fenômeno, assim, com uma característica mais particular.Nós trabalhamos em drogas, o governo todo, tem os ministérios, da Educação, da saúde, o Gabinete de Segurança Institucional, por meio da Secretaria Nacional de Políticas Sobre Drogas, a Polícia Federal, com o Ministério da Justiça. Alguns fazem prevenção, outros fazem a chamada repressão, mas todos nós trabalhamos diuturnamente, mas o fenômeno do crack teve um crescimento muito rápido. E é um fenômeno que preocupa a todos nós, isso aconteceu não apenas no Brasil, aconteceu no mundo, em vários outros países, desde países muito desenvolvidos, até países que nós consideramos mais atrasados. Em todos eles houve um crescimento muito grande do crack, e a realidade é que nós estamos estudando muito o crack. Existem hoje sete universidades que receberam recursos para estudar a melhor maneira de nós enfrentarmos e conseguirmos resolver, ajudar àquelas pessoas que hoje já são dependentes do crack. A realidade é que no mundo não existe ainda uma sistemática médica que seja considerada muito boa para resolver o problema do crack. Todos nós estamos estudando, como eu disse, são sete universidades, das melhores universidades do Brasil, que estão estudando o crack, e buscando qual a melhor metodologia para nós darmos a atenção necessária para essas pessoas que hoje são dependentes desse que é um, poderíamos dizer, é um fenômeno, como as outras drogas o são, não é? Um fenômeno muito antigo, mas que tem crescido muito nos nossos dias.
APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Este é o programa Bom Dia, Ministro, eu sou Kátia Sartório, estamos hoje com o Ministro Chefe de Gabinete de Segurança Institucional, Jorge Armando Félix, é o nosso convidado. Ele conversa com âncoras de emissoras de rádio de todo país, lembrando que a EBC Serviços disponibiliza o sinal dessa entrevista, via satélite, a todas as emissoras de rádio do país, no mesmo canal da Voz do Brasil. Ministro, vamos agora a São Paulo, Capital, a Rádio Capital AM, de São Paulo, onde está Cid Barbosa. Bom-dia, Cid.
REPÓRTER CID BARBOZA (Rádio Capital AM / São Paulo – SP): Muito bom dia. Bom dia, Ministro Jorge Armando Félix.Ministro, o senhor esteve em São Paulo e visitou a Cracolândia, que é um dos pontos da cidade mais assustadores em relação à discriminação crack na sociedade brasileira. O senhor considera que ali é também, além de um problema de polícia, um problema de saúde pública?
MINISTRO JORGE ARMANDO FÉLIX: Eu diria que, Bomdia, Cid, muito obrigado pela sua pergunta, pela sua intervenção, a você, aos seus ouvintes. E eu diria que é um problema que atinge, como todo problema de drogas, atinge as duas faces do combate às drogas. Então, uma é a redução da oferta, é o trabalho de repressão, impedir que a droga chegue e seja oferecida, principalmente, aos nossos jovens, as nossas crianças, enfim, todos aqueles que tem essa propensão para o consumo de drogas.
E o outro aspecto é o aspecto da prevenção. Mas quando nós falamos prevenção, nós também temos que considerar duas facetas nessa prevenção. Primeiro, a prevenção propriamente dita, que é o trabalho que nós fazemos com relação àqueles que ainda não são usuários de drogas. Então, fortalecendo a personalidade dessas pessoas, muito particularmente nas escolas, junto às famílias, nas comunidades, para evitar que essas pessoas entrem no mundo das drogas. Aí nós estamos, efetivamente, fazendo a chamada prevenção. No momento em que as pessoas passam a ser consumidoras, dependentes, fazem uso indevido dos diversos tipos de drogas. E quando falamos em drogas, temos que lembrar que existem drogas lícitas e drogas ilícitas. E o maior vilão de todas as drogas, apesar de crack, cocaína, de maconha, ainda é o álcool. O álcool é o maior responsável por todas as consequências negativas do uso de drogas. Seja violência, seja criminalidade, enfim, sejam problemas de trabalho, é o grande vilão
APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: E é vendido em qualquer esquina, não é, ministro?
MINISTRO JORGE ARMANDO FÉLIX: É vendido em qualquer esquina, e com pouquíssimas restrições, difícil controlar a venda a menores, essas coisas. Mas a sua pergunta visa especificamente São Paulo e o crack, não é? Eu diria que também são os dois, os dois lados estão envolvidos. É preciso ter uma repressão, é preciso ter uma contenção da oferta do produto, isso aí é um trabalho, fundamentalmente, é um trabalho policial. Mas é preciso também considerar que a partir do momento em que particularmente aquele universo de crianças, meninos de rua, jovens, meninos e meninas de rua, e jovens, muito jovens, eles entram no mundo das drogas, isso passa a ser um problema também, e, principalmente, eu diria, de saúde. A maneira, nós temos que ter maneiras de tratar essas pessoas, de dar o tratamento, é um problema fundamentalmente da área de saúde, de recuperar essas pessoas, de reintegrá-las na sociedade, reintegrá-las no ambiente de trabalho, de modo que por isso eu digo que é um trabalho que envolve praticamente todos os setores do governo. E não apenas do Governo Federal, Governo Federal, Estado, municípios. Porque é importante também destacar que num país como o Brasil, com tantas diferenças regionais, um verdadeiro continente, nós não podemos ter a pretensão de dar uma solução em Brasília, que seja uma solução boa para o Amazonas, e seja uma solução boa para o Rio Grande do Sul, e seja uma solução boa para o Centro-Oeste. Então, quem tem que saber, efetivamente, qual é a melhor solução para o seu problema, é a comunidade, é a comunidade, o município. São aqueles que estão na ponta da linha, e que estão verdadeiramente lidando com o problema. Então é assim que nós trabalhamos, trabalhamos buscando descentralizar as soluções, e ajudar as comunidades, os municípios, preparando conselheiros municipais, preparando os educadores, para que a própria comunidade, então, possa dar, com todo apoio, repito, dos três níveis, federal, estadual, municipal, que possa dar uma solução para o problema. E eu diria mais ainda, o fenômeno das drogas não é um problema de governo, é um problema da sociedade brasileira. É um problema do Estado brasileiro. Então, todos nós temos que trabalhar juntos, e ressalto o grande papel, eu diria, as duas maiores estruturas que podem ajudar, e funcionar efetivamente na prevenção, são a escola e a família. Esses são os dois pilares sobre os quais nós trabalhamos, no que diz respeito à prevenção, e não funcionando a prevenção, na recuperação e reinserção das pessoas na sociedade.
APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Cid, você tem outra pergunta?
REPÓRTER CID BARBOZA (Rádio Capital AM / São Paulo – SP): Para encerrar, Ministro Jorge Félix, o crack é um problema que já surgiu há bastante tempo, e a sociedade, de uma certa forma foi tolerante a ele quando estava restrito a moradores de rua, a meninos abandonados, e só agora começa a se disseminar fortemente na classe média, e também dentro das classes mais abastadas, é que ele é incluído como uma política nacional de enfrentamento.O governo demorou para agir, ministro?
JORGE ARMANDO FÉLIX: Eu não diria que o governo demorou para agir, eu diria que o fenômeno cresceu muito rapidamente. Como você disse, eu estive em 2003 eu já estive na Cracolândia, nós acompanhávamos, procurávamos ajudar e orientar os conselhos estaduais, municipais, procurando uma ação mais efetiva. Mas, na verdade, o crack ainda era uma coisa muito circunscrita. Como eu disse, de repente, essa coisa, por várias razões, até mesmo, eu diria, até mesmo por competência o crack também, uma das razões.... Existem, quando nós somos vizinhos dos três maiores produtores de cocaína, ou melhor, de pasta de cocaína, do mundo. Se nós considerarmos os nossos vizinhos que produzem a folha de coca, e os nossos vizinhos que produzem uma grande quantidade de maconha, nós temos nove mil e poucos quilômetros, nove mil quatrocentos e poucos quilômetros de fronteira, na sua maior parte, absolutamente permeável. Pessoas passam de um lado para outro, você não sabe quem é brasileiro, quem é natural do outro país. E é bom que assim seja, esse processo de integração da América do Sul, mas isso também tem um custo, que é o custo da segurança. Então nós temos, como eu disse, nove mil e tantos quilômetros de fronteira com os maiores produtores de maconha e cocaína do mundo, e isso é um problema também para nós.E, durante muito tempo, o Brasil se considerava apenas um país de trânsito de drogas. Olhávamos para as drogas, particularmente para a cocaína, e víamos que ela saía desses países, passava pelo Brasil e se deslocava para a América do Norte, se deslocava para a Europa onde era altamente consumida. E nós não percebemos que esse trânsito pelo Brasil tinha um custo, e a logística desse trânsito pelo Brasil era paga em droga. E para que as pessoas que faziam e financiavam essa logística, elas transformassem a droga em dinheiro, progressivamente foi sendo criado um mercado no Brasil. E quando nós despertamos, esse mercado já estava criado, e está aí até hoje. Diferentemente de uma série de outros países, onde o grande consumo se concentra nas grandes cidades, no Brasil nós temos um consumo proporcionalmente, assim, muito alto, em pequenas cidades do interior, particularmente aquelas que ficam na rota por onde passava, por onde passa até hoje, sem dúvida, é o caminho da droga. De modo que hoje nós temos que enfrentar um problema muito grande. Isso aconteceu no Brasil, aconteceu no México, estamos vendo o que está acontecendo no México, exatamente, o México era só um país de trânsito, hoje é um país onde graças a violência em função do...nós temos a vizinhança com os maiores produtores, eles têm a vizinhança com os maiores consumidores. De modo que olhamos muito para o México, com cuidado.De modo que existem vários fatores que fizeram com que de repente o crack assumisse essa posição de maior oferta no Brasil. Na realidade, nós ainda não temos uma medida do tamanho, da quantidade de consumidores do crack. Temos a percepção, a certeza, de que cresceu. Cresceu em função do número de apreensões da pasta base de cocaína, cresceu em função do número de pessoas que procuram o atendimento médico. Então, temos certeza de que cresceu. Nós estamos com uma pesquisa que deve começar a apresentar os resultados agora em setembro, uma pesquisa de âmbito nacional, Brasil saber quem usa crack, onde usa crack, por que usa crack, como usa crack, numa parceria com a Fundação Oswaldo Cruz, a Fiocruz, um órgão de muita competência do Ministério da Saúde, de modo que nós devemos, em setembro, efetivamente, ter uma fotografia, uma imagem da real quantidade de usuários de crack, e da real quantidade de dependentes do crack. Até lá nós estamos trabalhando, todos nós estamos trabalhando muito. O governo alocou mais de 400 milhões de reais para os ministérios envolvidos, nós estamos trabalhando intensamente, junto aos estados, junto com o Ministério da Saúde, Ministério da Educação, Desenvolvimento Social, enfim, todos nós estamos trabalhando, melhorando as condições de atendimento de saúde, melhorando as condições da área social para identificar o problema, orientar, encaminhar, enfim, é um trabalho bastante grande. Um trabalho que já vinha sendo desenvolvido, e agora tem uma coordenação mais forte, uma articulação mais forte, e principalmente tem recursos
APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Esse é o “Programa Bom Dia, Ministro”, nós estamos hoje com o Ministro chefe do Gabinete de Segurança Institucional, Jorge Armando Félix, ele conversa com âncoras de emissoras de rádio de todo país. Lembrando que o áudio dessa entrevista vai estar disponível ainda hoje pela manhã na internet, na página da Secretaria de Imprensa da Presidência da República, em www.imprensa.planalto.gov.br. Ministro, vamos agora a São Miguel do Oeste em Santa Catarina, a Rádio Peperi de São Miguel do Oeste, onde está Ageu Vieira. Bom dia, Ageu.
REPÓRTER AGEU VIEIRA (Rádio Peperi / São Miguel do Oeste – SC): Muito bom dia. Nós temos questões importantes aqui na região de fronteira, interior dos estados do Sul, e uma delas é esse fenômeno, como o senhor coloca, que é a banalização do uso de drogas, inclusive do crack até mesmo nas comunidades interioranas. Eu gostaria de saber como é possível enfrentar essa questão que já chega hoje a quase todas localidades. Que o senhor falasse um pouco mais do Plano Integrado de Enfrentamento ao Crack, principalmente focado nessas comunidades do interior onde o fenômeno ainda é recente, ministro, bom dia.
JORGE ARMANDO FÉLIX: Bom dia, Ageu Vieira, muito obrigado a você, seus ouvintes, e, realmente, esse avanço do crack, como eu disse, muito rápido, e praticamente abrangendo uma área que, como você diz, e também já mencionei aqui, chega às comunidades do interior, às comunidades rurais, não apenas nas comunidades urbanas, não é? E o que nós temos feito, e já fizemos, só para você ter uma ideia, até hoje nós já formamos, em termos de educadores, nós já formamos 125 mil educadores, e esperamos até o final do ano formar mais uns quase 100 mil educadores, isso em parceria com o Ministério da Educação. Da mesma forma já formamos cerca de 80 mil conselheiros municipais, vamos continuar, estamos acelerando essa formação. Na verdade a informação que nós damos a ele é um curso a distância, um curso montado pela Universidade de Brasília, que tem permanente acompanhamento, e o que essas pessoas são preparadas para identificar o problema, reconhecer o problema, saber como abordar particularmente o jovem, ou a pessoa que é dependente, ou usuário de drogas, saber como abordar a família, como orientar a família, e muito particularmente é tentar, e aí falamos diretamente nas escolas, criar uma rede de proteção, mas não uma rede de proteção da escola, uma rede de proteção entre os próprios jovens. Eles é que têm que se apoiar uns aos outros, e tem que ter força para chegar a frente do grupo, seja o grupo da escola, seja o grupo do esporte, seja o grupo do bairro, enfim, qualquer que seja o grupo, o jovem tem que ter personalidade e força para dizer: "Não, eu não quero essa droga". E mesmo que ele diga: "Sim, eu quero". Mas ele tem que dizer isso consciente dos efeitos que isso vai causar sobre a sua vida futura. Esse é o grande trabalho que eu acho que vem sendo feito há muito tempo, vem sendo feito, já diria até antes de nós chegarmos ao governo, o trabalho da Secretaria Nacional de Política sobre Drogas, e esse trabalho é o trabalho da formiga, é trabalhar a cabeça da criança, cabeça do jovem, e é um trabalho que tem começo, talvez tenha meio, e certamente nunca terá fim. Um trabalho que tem que ser feito dentro das escolas, dentro das comunidades, particularmente feito pela família, orientando a família. Então é nesse sentido que nós estamos dando esse suporte. Mas isso significa soluções de médio e longo prazo, porque é assim que funciona. O combate às drogas só dá certo dessa maneira. Mas tendo em vista a velocidade e a aceleração dessa presença do crack, principalmente, é que o governo lançou um programa específico contra o crack, e o que nós vamos, vamos dizer, num primeiro momento, na emergência, o que nós estamos fazendo? Ampliando o número de leitos do sistema de saúde, vamos fazer editais para que os próprios municípios, se os leitos oferecidos pelo sistema de saúde não forem suficientes, que os municípios tenham condições de contratar seja com hospitais particulares, seja com comunidades terapêuticas, enfim, toda aquela imensa gama de pessoas que trabalham na recuperação e na reinserção social dos dependentes de drogas, que os próprios municípios tenham condições, recebam recursos para contratar, e ter condições então de orientar, acompanhar, e restituir à sociedade então essas pessoas que hoje, infelizmente, ingressaram nesse mundo das drogas.
APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Ministro, vamos agora a Londrina, no Paraná, Rádio Paiquerê, de Londrina, onde está Lino Ramos, bom-dia Lino.
REPÓRTER LINOS RAMOS (Rádio Paiquerê / Londrina – PR): Bom dia, bom dia, Jorge Armando. A gente sabe que essas medidas anunciadas pelo governo, estão sendo propostas, claro que tem a sua importância. Mas o que a gente percebe, ministro, é que nas comunidades o tráfico cresce justamente onde falta o Estado, em diversos setores, principalmente com o poder econômico. Como fazer para combater esse poder econômico dos traficantes?
JORGE ARMANDO FÉLIX: Primeiro, muito obrigado, Lino Ramos, obrigado, um bom dia para você, e o governo ele age em várias frentes, como eu falei. Primeiro nós temos que implementar a parte de repressão, a parte de combate ao traficante. Nós temos uma lei de 2006, uma lei recente, que é uma lei que é muito dura com os traficantes, ela endureceu as penas para os traficantes, começava com três anos, hoje começa em cinco. Enfim, a lei é muito mais rígida aos traficantes, e mais ainda, além dos traficantes, a lei criou a figura do financiador do tráfico de drogas. Esse tem uma pena mais pesada ainda do que a do traficante. Porque esse é o grande responsável, porque ele é o homem que lava o dinheiro e transforma aquele dinheiro de drogas em armas e depois coloca esse dinheiro como se fosse um dinheiro legal junto à sociedade. Mas, independentemente da legislação, e do trabalho de repressão, nós temos um trabalho que fazemos junto com o Ministério da Justiça, o Gabinete de Segurança Institucional e Ministério da Justiça, um trabalho do chamado Pronasci (Programa Nacional de Segurança com Cidadania), que começou em regiões do Rio de Janeiro, da Bahia, de São Paulo, do Espírito Santo, daqui do entorno do Distrito Federal, enfim, começamos como um laboratório em cinco grandes regiões metropolitanas, no Rio Grande do Sul também, Porto Alegre, onde nós começamos a trabalhar juntos. Então, trabalhamos juntos a área de desenvolvimento social, com os Cras, os Creas, onde estão as pessoas que recebem aquele primeiro impacto, e preparadas para orientar os jovens, as famílias sobre como enfrentar um problema de drogas. Como orientar, para onde encaminhar, e isso hoje está se espalhando para o Brasil inteiro. Naturalmente, o Brasil é um país de 190 milhões de habitantes e oito milhões e 500 mil quilômetros quadrados. Às vezes falta fôlego para fazer essa coisa na velocidade com que nós gostaríamos. Mas nós estamos aumentando essa velocidade, e procurando fazer com que essa integração de todos os órgãos federais, estaduais, e municipais, todo o equipamento que existe, e que facilita e ajuda na orientação, no combate e na recuperação das pessoas que ingressaram, como eu disse, no mundo das drogas, que isso seja feito de uma maneira articulada. Então, quem entra, seja qual for a entrada no sistema, seja no sistema de saúde, seja no sistema de assistência social, seja na escola, seja inclusive por iniciativa da própria família, que o caminho seja perfeitamente delineado, e que a pessoa, se precisar de assistência médica, terá assistência médica. Se precisar de assistência psiquiátrica, psicológica, terá assistência psiquiátrica, terá assistência psicológica. De modo que esse é o caminho que nós vemos, e é um caminho longo, e ainda faça muito. Por isso o governo resolveu acelerar nisso, o programa do crack, e investir pesadamente para que nós possamos andar mais depressa. Obrigado.
APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Esse é o programa Bom Dia, Ministro, eu sou Kátia Sartório, estamos hoje com o Ministro-Chefe do Gabinete de Segurança Institucional, Jorge Armando Félix, ele conversa com âncoras de emissoras de rádio de todo país, neste programa que é multimídia, estamos ao vivo no rádio e na televisão. Lembrando que a NBR, a TV do Governo Federal transmite a gravação dessa entrevista ainda hoje a tarde com reprise também no sábado e no domingo.Ministro, vamos agora ao Rio de Janeiro, São Gonçalo, a Rádio Aliança FM, de São Gonçalo, onde está José Perazzo. Bom-dia, José Perazzo.
REPÓRTER JOSÉ PERAZZO (Rádio Aliança FM / São Gonçalo – RJ): Bom-dia, amiga Kátia Sartório, bom-dia brasileiros e brasileiras, bom-dia Ministro-Chefe do Gabinete de Segurança Institucional, General Jorge Armando Félix.
JORGE ARMANDO FÉLIX: Bom-dia, José Perazzo.
REPÓRTER JOSÉ PERAZZO (Rádio Aliança FM / São Gonçalo – RJ): O Gabinete de Crise, operação em Alagoas e Pernambuco, criadas para coordenar os trabalhos do Governo Federal, a mobilização de ajuda em serviço à população dos estados afetados pelas enchentes. E o comparativo. A tragédia das chuvas no Rio de Janeiro, com mais extensão de perda de vidas, mais de 200 perdas de vida, e no Nordeste com a mesma gravidade por perdas de vidas e maior extensão de consequências materiais. Pergunto, qual é o plano de recuperação das condições de moradias, infraestrutura, já que a assessoria me passou dados preocupantes. Cerca de 19 mil casas perdidas, muitas estradas destruídas. Ministro, qual o plano de recuperação para Alagoas e Pernambuco nas cidades atingidas pelas chuvas? Obrigado, minha única pergunta.
JORGE ARMANDO FÉLIX: Muito obrigado, José Perazzo. O plano de recuperação, é um plano que eu diria que um dos seus aspectos mais importantes, nós trabalhamos, o Gabinete de Crise trabalha inicialmente na emergência, então nós acreditamos que a parte de emergência já está relativamente superada. As pessoas já têm alimentação, as pessoas mesmo aquelas que existem em comunidades que ainda estão isoladas, as pontes caíram, as estradas estão intransitáveis, essas pessoas estão recebendo, aquelas que não quiseram sair das suas áreas, ou não puderam, porque seus pertences estão lá, as casas ainda estão habitáveis, essas pessoas estão recebendo alimentação, água, saúde. Se necessário, e isso tem acontecido, até mesmo sendo abastecidas por helicópteros. Temos lá uma quantidade grande de helicópteros do Exército, da Força Áerea, da Marinha, da Defesa Civil, das defesas civis estaduais, houve uma corrente de solidariedade muito grande, estados mandaram equipes, helicópteros para lá. O próprio estado do Rio de Janeiro está lá com um hospital de campanha, na cidade de Santana do Mundaú, onde eles estão tendo efetivamente assistência médica, o pessoal da Defesa Civil, os bombeiros do Rio de Janeiro estão fazendo lá um belo trabalho, eu estive lá pessoalmente, constatei. Trabalho tão bom como fizeram no Haiti, eu gosto até de sempre ressaltar isso, a qualidade do trabalho dos bombeiros do seu Estado, do Rio de Janeiro.De modo que essa parte de emergência nós consideramos que ela já está superada. A parte futura, há uma imposição do Governo Federal, o Governo Federal distribuiu uma quantidade substancial de recursos para os estados, esses recursos estão chegando aos municípios por meio dos estados, existe toda uma mobilização, como eu disse, do Ministério das Cidades, para realocar, e essa é a condição do Governo Federal. Aquelas casas, sejam casas particulares, sejam casas comerciais que foram atingidas pela enchente, só podem ser reconstruídas num local onde, pelo estudo geológico, pelo estudo da Agência Nacional de Águas, pelo estudo da meteorologia, a probabilidade de que elas sejam atingidas novamente seja perto de zero. De modo que não vamos mais reconstruir as casas aonde elas estão, porque senão daqui a 5, 10, 2, 20 anos, não sabemos quanto, mas em algum momento isso tudo vai acontecer de novo. De modo que não é possível que se faça um investimento desse porte para que no futuro o erro se repita. Então, as pessoas vão ter que sair das proximidades dos rios, e vão ter que ser realocadas. Esse é, eu diria, a grande orientação para o futuro. As casas vão ser reconstruídas em outros locais, o comércio vai voltar a funcionar em outro local, e por enquanto, no momento, nós estamos tentando melhorar a qualidade dos abrigos, diminuir a promiscuidade, tentar separar, colocar uma barraca para cada família, e manter essas pessoas, tentar recuperar o mais rápido possível as escolas que foram destruídas, para voltar à vida normal, as crianças tem que voltar à escola, onde vão ter acompanhamento, merenda, enfim, vão liberar a família. Vamos tentar usar aqueles desabrigados como mão de obra para a reconstrução das suas próprias casas, serão pagos para isso. Então, vão ser treinados, e eles mesmos vão reconstruir suas casas com os recursos que vão chegar do Governo Federal, estados e municípios. Muito obrigado, José Perazzo.
APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Ministro Jorge Armando Félix, vamos agora a Luziânia, em Goiás, a Rádio Mega 610 AM, de Luziânia, onde está Alex Bawer. Bom dia Alex.
REPÓRTER ALEX BAWER (Rádio Mega 610 AM / Luziânia – GO): Bom dia Kátia, como tudo bem?
APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Tudo bem, Alex.
REPÓRTER ALEX BAWER (Rádio Mega 610 AM / Luziânia – GO): Bom-dia, ministro, é um prazer estar falando com você.Ministro, hoje sabe-se que os jovens tem iniciado ainda mais cedo seu contado com as drogas, principalmente o álcool que os jovens tem muito acesso e muito rápido, o fato deve ser até pelo excesso de informações onde a internet nos favorece bastante, favorece bastante para que os jovens tenham acesso a essas informações sobre drogas, mas também cria mais possibilidades de que eles façam uso. O que de fato vai acontecer para combater ou orientar esses jovens para que não façam uso disso? Na escola há um projeto do governo, aconteceu agora um projeto do governo para o enfrentamento ao crack e outras drogas. Isso vai continuar, ministro? Bom dia.
JORGE ARMANDO FÉLIX: Bom-dia, Alex, a você, seus ouvintes. E eu diria que esse é o principal objetivo da Secretaria Nacional de Política Sobre Drogas, que faz parte do meu ministério. É o objetivo, exatamente, de preparar os recursos humanos para essa parte de prevenção. Não vemos outro caminho a médio e longo prazo, que não esse trabalho de prevenção que é um trabalho que fundamentalmente ele deve acontecer nas escolas. Esse é o nosso grande objetivo. Como eu disse para algum colega seu que já nos fez a pergunta antes, nós já formamos até hoje mais de 125 mil educadores. É muito pouco, se nós imaginarmos que nós temos em torno de 600 mil professores públicos, e mais os professores das escolas particulares. Todos estes tem que ser, por isso mesmo nós estamos acelerando esse treinamento, pretendemos chegar ao final do ano com mais de 200 mil, e isso aí vai continuar, certamente, no próximo governo, isso não é um problema nem um programa de governo, é um programa do estado brasileiro, da sociedade brasileira, e a constatação que você mencionou, e que a nossa constatação permanente, já fizemos várias pesquisas, não só entre universitários, mas entre as famílias, entre os jovens do ensino médio, meninos e meninas de rua, enfim, uma série de pesquisas. E todas elas nos indicam e nos sinalizam que a grande porta de entrada para o mundo das drogas é exatamente a droga lícita, que é o álcool. Hoje, hoje, pela nossa última pesquisa, tem perto de dois anos, a idade média em que as pessoas começam a beber, e começar a beber significa beber pelo menos uma vez por semana, uma quantidade X, tem aí os parâmetros das pesquisas, ela chega, está em torno de doze anos e meio. De modo que não são ainda os nossos jovens, mas já são as nossas crianças que estão ingressando muito cedo nesse mundo do álcool. E esse mundo do álcool é exatamente a primeira porta, é a porta de entrada para o mundo das drogas. Começa no álcool, daqui a pouco experimenta maconha, e por aí vai. De modo que esse é o grande trabalho que nós temos que fazer de fortalecer a personalidade da criança e do jovem, isso tem que ser feito na família, e na escola, principalmente, são os dois lugares por excelência para se fazer isso. E onde nós vamos ganhar essa guerra a curto, médio e longo prazo. Obrigado, Alex.
APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Ministro, vamos agora a Maceió, Alagoas, a Rádio Jornal 710 AM, de Maceió. Moreyra da Silva, bom-dia.
REPÓRTER MOREYRA DA SILVA (Rádio Jornal 710 AM / Maceió – AL): Bom-dia, Kátia, bom-dia Ministro Jorge Armando Félix, antes de tudo receba o abraço fraterno do povo de Alagoas. A minha pergunta é a seguinte, o Estado de Alagoas, principalmente as cidades do interior, as cidades pobres do interior, estão sendo porta de entrada do crack, da nóia e da maconha, através de suas crianças e adolescentes. A escola integral, ministro, nas cidades do interior, e mais as prefeituras, o Governo Federal lançando projetos de agricultura para que os pais dessas crianças tenham a vida melhor, seria o caminho para que se livre as nossas crianças da droga, ministro?
JORGE ARMANDO FÉLIX: Como eu disse aqui, e tenho repetido, esse trabalho, primeiro é um trabalho da sociedade. Não é um trabalho exclusivo de governo, é um trabalho da família, perdão. É um trabalho da família, é um trabalho da comunidade, é um trabalho da escola, é um trabalho das organizações, é um trabalho das empresas, enfim, é um trabalho de todos nós.O grande alvo das drogas sempre é o jovem, por quê? Porque é mais vulnerável, porque busca novos caminhos, porque está com a cabeça mais aberta na busca de sensações, na busca de experiências novas, de modo que o jovem é um campo fértil para aqueles que pretendem colocar as drogas como um componente, e como transformá-lo num consumidor. Por isso eu repito, nós temos que trabalhar muito a cabeça da criança, a cabeça do adolescente e do jovem. Esse é o grande caminho para evitar que o mundo das drogas conquiste mais adeptos como este. Obrigado.
APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Este é o programa Bom Dia, Ministro, eu sou Kátia Sartório, e nós estamos hoje com o Ministro-Chefe do Gabinete de Segurança Institucional, Jorge Armando Félix, ele conversa com âncoras de emissoras de rádio de todo país. Nosso programa é multimídia, estamos ao vivo no rádio e na televisão. Ministro, vamos agora a Fortaleza, no Ceará, vamos conversar com Moacir Luiz, que é da rádio O Povo, CBN, de Fortaleza, bom dia, Moacir.
REPÓRTER MOACIR LUÍS (Rádio O Povo CBN / Fortaleza – CE): Bom dia, Kátia, bom dia Ministro Jorge Armando Félix .Ministro, o plano integrado de enfrentamento ao crack, para o Nordeste, especificamente, para o Estado do Ceará, como ele vai funcionar?
JORGE ARMANDO FÉLIX: Olha, vai funcionar como vai funcionar para todos os demais estados da Federação. Não há especificidade no momento, nós temos que fazer a coisa, como eu disse, de uma forma genérica, que..Quais são os grandes objetivos de curto prazo do Plano de Enfrentamento ao Crack? Pelo menos dobrar o número de leitos disponíveis no sistema de saúde, diria a cargo do Ministério da Saúde, pelo menos dobrar o número de leitos para permitir a internação daqueles que já são, hoje, dependentes, num maior ou menor grau, do uso do crack. Do crack e de outras drogas também, mas como nós estamos falando mais particularmente do crack, do crack e das demais drogas. Então, caso isso não seja necessário, e certamente não será, mas a capacidade do Ministério da Saúde é essa, de dobrar o número de leitos, nós temos recursos para colocar à disposição dos municípios, para que os municípios contratem, seja com hospitais particulares, seja com as comunidades terapêuticas, enfim, com todas aquelas organizações que se dedicam, que fazem aquele meritório e anônimo trabalho junto àqueles que são usuários e dependentes de drogas, então os municípios vão ter a possibilidade de eles mesmos, caso o sistema de saúde pública não atenda, eles mesmos colocarem mais leitos, mais apoio terapêutico à disposição, então, desses jovens. Isso vale para Fortaleza, vale para o Ceará, mas vale também para todos os cinco mil e poucos municípios desse país. Muito obrigado.
APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Ministro, vamos agora a Belo Horizonte, Minas Gerais, a Rádio UFMG Educativa, 104,5 FM de Belo Horizonte, onde está Gustavo Cunha, bom dia.
REPÓRTER GUSTAVO CUNHA (Rádio UFMG Educativa 104,5 FM / Belo Horizonte – MG): Bom-dia, Kátia. Bom-dia, ministro.
JORGE ARMANDO FÉLIX: Bom-dia, bom-dia, Gustavo.
REPÓRTER GUSTAVO CUNHA (Rádio UFMG Educativa 104,5 FM / Belo Horizonte – MG): Ministro, o Governo Federal realizou esse levantamento nacional sobre o uso de álcool, tabaco e drogas entre universitários de todas as capitais brasileiras, e que é um estudo que revela números preocupantes, como que quase metade dos universitários já fez uso de alguma substância ilícita. Eu queria saber o seguinte: esse realmente é um dado preocupante, os jovens e os universitários estão contemplados dentro do Plano Integrado de Enfrentamento ao Crack, e de que forma?
JORGE ARMANDO FÉLIX: Muito obrigado pela pergunta. Estão, como está todo o universo daqueles que num maior ou maior grau são vulneráveis à tentação, diríamos, das drogas. Mas, vamos observar o seguinte: a nossa estatística, no que diz respeito ao crack, ela é um pouquinho acima de 1% dos universitários que já experimentaram o crack, 1% de um universo que nós temos aí, é um número que já preocupa, já preocupa, mas é um número muito longe daqueles que estão sendo divulgados no “números alarmantes”. A realidade é que nós ainda temos esse número a respeito dos universitários, mas a maior preocupação com o crack, nesse universo de universitários, de pessoas mais esclarecidas, de pessoas que, embora façam uso do álcool, de outras drogas, às vezes até de maneira perigosa para eles e para os outros, mas não é um número que chegue a nos preocupar. O que mais nos preocupa são aquelas chamadas populações vulneráveis. São as pessoas que estão residindo, ou sentem mais a ausência da presença do Estado nos locais onde vivem, nas áreas onde vivem, nós chamamos de população vulnerável. Nas áreas onde há um índice de criminalidade maior, nas áreas onde há uma grande dificuldade de conseguir emprego, colocação, onde o ensino é mais deficiente, enfim, essas são as populações, são os grupos sociais que mais nos preocupam, aqueles que estão sujeitos a uma vulnerabilidade maior. No caso dos universitários, como eu disse, se não me engano, eu não estou com os dados à mão, mas aqueles que já experimentaram o crack, experimentaram o crack uma vez na vida, a coisa fica em torno de 1%, experimentaram. Os que realmente são usuários, e muito particularmente os que são dependentes, nesse segmento dos universitários, é bastante inferior àquilo que nós imaginamos, vamos ter a resposta em setembro, que seja a média da população brasileira. Muito obrigado.
APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Ministro Jorge Félix, vamos agora a Palmares, Pernambuco, a Rádio Cultura dos Palmares 1450 AM, de Palmares, onde está Mávio Alves, bom-dia Mávio.
REPÓRTER MÁVIO ALVES (Rádio Cultura dos Palmares 1450 AM / Palmares – PE): Bom dia, quero cumprimentar aqui o Ministro Jorge Félix, a gente estava acompanhando aí o ministro falando sobre esse trabalho importantíssimo aí, o combate ao crack, que aqui em Palmares, como qualquer outra cidade do Brasil vem sofrendo amargamente. Mas o sofrimento, neste momento, ministro, é com relação a essas enchentes que ocorreram no mês de junho, e que deixaram muitas pessoas, tanto na questão de segurança, como alimentos, etc, e o Presidente Lula esteve aqui em Palmares, garantiu, inclusive, muita ajuda, muito apoio. Será que o senhor poderia dar alguma informação? Alguma notícia, boa notícia, na verdade, para nossa população aqui de Palmares e da região, ministro?
JORGE ARMANDO FÉLIX: Olha, bom dia, Mávio, bom dia a você, a seus ouvintes, muito obrigado pela pergunta. A notícia que nós podemos dar é que nós estamos todos trabalhando, ontem mesmo fizemos uma reunião do Gabinete de Crise, onde estavam presentes todos os ministérios envolvidos, como eu disse, Integração, Cidade, Saúde, Educação, Agência Nacional de Águas, enfim, todos aqueles que têm alguma coisa a ver, Desenvolvimento Social. Todos nós nos reunimos pelo menos dia sim, dia não, para, primeiro; atualizar os conhecimentos, o que está acontecendo em cada uma das áreas, nivelar essa informação, e por outro lado também, eventualmente, fazer alguma articulação, coordenação. Ontem mesmo fizemos, o Ministério das Cidades preocupado na relocação das casas, nas áreas, precisava de mais informações, então, colocamos a Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais, que tem conhecimento da constituição, da consistência do solo, a Agência Nacional de Águas, que tem previsões de que maneira é possível se evitar que fenômenos como esse que aconteceu, aconteçam futuramente, construindo barragens, essas coisas. De modo que é esse trabalho que nós fazemos no Gabinete de Crise, de articulação. Da mesma forma, nós estamos preocupados não apenas em melhorar as condições de alojamento daqueles que estão desabrigados, mas também de reconstituir a capacidade das prefeituras, colocar barracas ou outras estruturas, que permitam que aquilo que foi destruído das prefeituras volte a funcionar. Lugar do prefeito, claro, é junto com os desabrigados, mas ele precisa, a prefeitura precisa se reorganizar, no caso das prefeituras que tiveram as instalações destruídas e ter um endereço, um local de funcionamento para que as pessoas saibam aonde vão se dirigir para pedir, reclamar, questionar, informar, enfim, ter um governo funcionando. Da mesma forma, a recuperação das estruturas de saúde, de educação vai necessitar, nesse primeiro momento, de barracas específicas para que as pessoas que estão lá, dentistas, médicos que estão sem consultório, sem equipamento, possam voltar a exercer suas atividades em algum lugar coberto, abrigado, com o mínimo de condições de exercerem o seu trabalho. De modo que, por exemplo, falando a respeito dessa colocação de barracas. No momento em que as barracas chegam a esses lugares, é preciso que a terraplanagem já esteja pronta, é preciso que já esteja imaginado de que maneira vai funcionar o abastecimento de água, de energia elétrica, o esgoto, como é que vai funcionar, de modo que esse é um dos trabalhos que nós fazemos, e que diz respeito a Palmares, e a todas as outras cidades atingidas, de modo que não haja perda de tempo. Então, se a barraca vai chegar no dia X, antes do dia X a terraplanagem tem que estar pronta, já tem que estar imaginado onde é que vai ligar a energia, onde é que vai sair o esgoto, onde é que vai entrar água, coisas desse tipo. Esse é o grande trabalho que o Gabinete de Crise está fazendo, de fazer com que as coisas fluam da maneira mais rápida e mais eficaz possível.
APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: E nessa reunião de ontem, ministro, essas barracas, então, já ficou decidido que vão chegar., já foi decidido que vão mais barracas para lá, é isso?
JORGE ARMANDO FÉLIX: Vão mais barracas, tantas quantas forem solicitadas. Nós temos um número de barracas pedido pelo governo de Pernambuco, temos um número de barracas pedido pelo governo de Alagoas, estamos providenciando, aquelas que já foram feitas as encomendas, aqui no Brasil, empresas brasileiras estão, já entregaram, se não me engano, recentemente, 80 barracas, chegaram mais 200 barracas do exterior e estão chegando mais 400 barracas do exterior, e no mais vai depender da capacidade da indústria de nos fornecer rapidamente essas barracas aqui no Brasil.
APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Está certo. Ministro, vamos agora a Boa Vista, Roraima. A Rádio Roraima, de Boa Vista, onde está Neto Araújo. Bom dia, Neto.
REPÓRTER NETO ARAÚJO (Rádio Roraima / Boa Vista – RR): Bom-dia, bom-dia, Ministro General Armando Félix. Ministro, a minha pergunta é sobre o crack, uma droga que se tornou um problema de saúde pública no Brasil, e está presente nas grandes e pequenas cidades, destruindo famílias, a infância, a juventude, até pessoas que já estão estabelecidas socialmente. E agora existe a vontade do governo de combater através do Plano Integrado de Enfrentamento ao Crack. Eu pergunto ao senhor se existe uma logística para que esse plano atinja todo país em tempo hábil. Uma vez que, aqui na Amazônia, esses programas federais demoram muito a beneficiar a sociedade local. Para se ter uma ideia, Boa Vista é uma capital onde não existe nenhum Pronto Atendimento, ou grande trauma ou hospital do SUS, e esse Programa de Enfrentamento ao Crack e outras drogas eu pergunto se ele vai atingir o estado de Roraima com algumas clínicas de desintoxicação ou algo parecido para os dependentes químicos.
JORGE ARMANDO FÉLIX: Muito obrigado, Neto Araújo, a você, a seus ouvintes. Realmente é um problema que nos preocupa, e, mas certamente você pode ter certeza que não será a distância que será empecilho. A meta do Ministério da Saúde, a determinação do presidente é que haja leitos em condições de atender, leitos no sistema de saúde. Se, por acaso, esses leitos não forem suficientes, estarão disponíveis recursos para os municípios, eles mesmos contratarem, no que existe dentro da área, e existem nós. Eu não tenho aqui de cabeça, mas nós temos um levantamento que foi feito há um ano e meio, dois anos, e que está sendo permanentemente atualizado. Se você procurar na SENAD, senad.gov.br, você vai procurar o Observatório Brasileiro de Informações sobre Drogas, estão listadas ali todas as organizações cadastradas, sejam elas privadas, sejam elas beneficentes, sociais, estão listadas ali, e eu tenho absoluta certeza de que há uma quantidade bastante razoável em Boa Vista, e em outras cidades do Estado de Roraima. E essas organizações poderão ser contratadas para prestar serviços pelos municípios com recursos federais que estarão disponíveis, brevemente estará saindo um edital, de modo que os recursos estarão à disposição. E, a qualquer momento, a qualquer momento, podem fazer o contato, repito, entrem no site da Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas, senad.gov.br, de modo que a qualquer momento, tem lá os telefones, tem lá o e-mail, por qualquer desses meios, se houver algum tipo de dificuldade, entre em contato com a secretaria, porque a secretaria vai providenciar a solução, seja qual for o problema que vocês levantarem. Muito obrigado.
APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Ministro Jorge Armando Félix, eu gostaria de agradecer a sua participação no “Programa Bom Dia, Ministro”.
JORGE ARMANDO FÉLIX: Obrigado, Kátia, obrigado a todos vocês que nos viram, nos ouviram aí. E não apenas aqui, mas a qualquer momento, gsi.gov.br, tem lá todas as indicações, Gabinete de Segurança Institucional, a nossa abreviatura é gsi.gov.br, Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas, senad.gov.br. A qualquer momento, para qualquer que seja a necessidade ou o questionamento, estamos aqui à disposição de vocês, esse é o nosso trabalho e a nossa obrigação. Muito obrigado.
APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Obrigada, ministro, e a todos que participaram conosco desta rede, meu muito obrigada e até a próxima edição.