You are here: Home Programas Bom Dia, Ministro Arquivos 08/12/2011 - Transcrição
Document Actions

Arquivos: 08/12/2011 - Transcrição

APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Olá, amigos em todo o Brasil. Eu sou Kátia Sartório e começa agora mais uma edição do programa Bom Dia, Ministro. O programa tem a coordenação e a produção da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, em parceria com a EBC Serviços. Hoje, aqui nos estúdios da EBC Serviços, a Ministra Iriny Lopes, da Secretaria de Políticas para as Mulheres. Bom dia, Ministra. Seja bem-vinda.

MINISTRA IRINY LOPES: Bom dia, Kátia. Bom dia a todas as emissoras e todo mundo que está nos assistindo e nos ouvindo.

APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Na pauta do programa de hoje, a 3ª Conferência de Políticas para as Mulheres e, também, um balanço da Central de Atendimento à Mulher, o Ligue 180. A Ministra da Secretaria de Políticas para as Mulheres, Iriny Lopes, já está aqui no estúdio, pronta para conversar com âncoras de emissoras de rádio de todo o país, neste programa que é multimídia - estamos no rádio e na televisão. Ministra, já está na linha a Rádio CBN do Rio de Janeiro. Quem vai conversar com a gente é Christiane Alves. Bom dia, Christiane.

REPÓRTER CHRISTIANE ALVES (Rádio CBN / Rio de Janeiro - RJ): Bom dia. Bom dia à Ministra Iriny Lopes. Conforme já foi falado, o governo, agora, vai se voltar à autonomia econômica e social das mulheres. Que ações podem incluir as mulheres para facilitar essa autonomia e buscar essa igualdade, gerando mais oportunidades de trabalho? Quais são as ações previstas?

MINISTRA IRINY LOPES: Bom dia, Christiane e a todos os ouvintes da CBN do Rio de Janeiro. Nós estamos discutindo nesta Conferência... O tema central do nosso debate é exatamente a autonomia econômica e financeira das mulheres, e nós achamos que a principal ação que o governo pode fazer é... Primeiro, nós precisamos de uma referência... Nós precisamos de uma referência legal. Então, assim, é muito importante a aprovação da Lei da Igualdade, que está... O projeto... O PL 6653, que já está na Câmara Federal, para que a gente tenha uma referência legal, um marco legal. A questão do financiamento e da capacitação são dois aspectos importantíssimos da nossa... de uma política nacional de inclusão e de autonomia econômica e financeira das mulheres. Portanto, criar as condições de que o Mulheres Mil seja conhecido, o programa Mulheres Mil, do governo federal, seja conhecido e todas as vagas sejam ocupadas. O objetivo é chegar ao final dos quatro anos do governo da presidenta Dilma já capacitando cem mil mulheres, para que elas possam absorver conhecimento e se apropriar das possibilidades regionais. A capacitação no sentido de... não só da produção do que ela quer comercializar, mas, também, a capacitação para que o seu produto ganhe valor e competitividade no mercado e, com isso, ela passe a entender de como fazer a sua... o seu processo de contabilidade, de como fazer bem as compras, e o debate também da ampliação dos postos de trabalho remunerado, porque, apesar de termos crescido numericamente no mercado de trabalho, as mulheres ainda são minoria do mercado formal. Nós ainda estamos na informalidade. E, por fim, a questão do cumprimento da resolução da OIT, que nós somos signatários e estamos discutindo no Congresso a regulamentação das empregadas domésticas, do trabalho doméstico no Brasil. As trabalhadoras domésticas no Brasil são um contingente de 7,3 milhões de pessoas, que precisam ter carteira assinada e todos os seus direitos trabalhistas reconhecidos e cumpridos.

APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Christiane Alves, você tem outra pergunta?

REPÓRTER CHRISTIANE ALVES (Rádio CBN / Rio de Janeiro - RJ): Não, não, só essa só. Obrigada e bom dia.

APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Obrigada, Christiane Alves, da Rádio CBN do Rio de Janeiro, que participa com a gente dessa rede de emissoras que compõe o Bom Dia, Ministro. Lembrando que o nosso sinal, o sinal dessa entrevista, está no satélite, no mesmo canal da Voz do Brasil. Ministra, vamos agora a Garanhuns, em Pernambuco, conversar com a Rádio Marano FM, onde está Luciano André. Bom dia, Luciano.

REPÓRTER LUCIANO ANDRÉ (Rádio Marano FM / Garanhuns - PE): Ok, Kátia, muito bom-dia. Bom dia, Ministra. Nós estamos ao vivo, aqui no Jornal Marano. E o primeiro questionamento que eu gostaria de fazer para a senhora é com relação às políticas públicas que vem sendo trabalhadas no governo Dilma para as mulheres. Nesse tempo que a senhora analisa o governo da presidenta Dilma, o que a senhora poderia destacar como principal política voltada ao atendimento às mulheres?

MINISTRA IRINY LOPES: Bom dia, Luciano. Bom dia a todos os ouvintes e todos que estão nos assistindo aí no Pernambuco. Eu destacaria a questão do enfrentamento à pobreza e à miséria, se a maioria da população pobre brasileira é composta de mulheres. Então, o programa Brasil Sem Miséria, ele atingirá as mulheres de maneira a fazer com que elas saiam da condição de pobreza a que estão submetidas. Nós também temos discutido bastante, junto com o governo, com o Ministério da Justiça e em uma parceria com o CNJ e todas as instituições do Judiciário, do Ministério Público, da Defensoria Pública, que compõem aquele arco de instituições, o funcionamento e o cumprimento da Lei Maria da Penha, para que a gente tenha reduções consideráveis nos níveis de violência e de homicídios praticados no Brasil, além da ampliação do programa, agora, o Ligue 180, que, nesses seis anos de existência já atendeu cerca de 2 milhões... Fez 2 milhões de atendimentos de naturezas diferenciadas, pessoas que querem pedir informação sobre diversas questões relativas aos interesses das mulheres, além de ser um canal para solicitar informação de como funciona a nossa rede de enfrentamento à violência e, também, para denunciar casos de violência. Há uma semana atrás, nós lançamos o Ligue 180 Internacional, que vai contribuir com as mulheres brasileiras que estão fora do Brasil e que precisam de um atendimento direto. Então nós vamos atendê-las aqui, no Brasil, pelo telefone. Elas ligarão a cobrar, o Ligue 180, vão falar com as nossas atendentes, que estão preparadas, que estão treinadas para receber essas informações, e, em seguida, será levado às autoridades competentes. Então, eu destacaria essas questões.

APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Luciano André, você tem outra pergunta?

REPÓRTER LUCIANO ANDRÉ (Rádio Marano FM / Garanhuns - PE): Sim, só mais uma, Kátia.

APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Pois não.

REPÓRTER LUCIANO ANDRÉ (Rádio Marano FM / Garanhuns - PE): Ministra, nós vamos ter, no período de 12 a 15 de dezembro, em Brasília, a realização da 3ª Conferência Nacional de Políticas para as Mulheres. Quais ações que a senhora poderia apontar que podem ser discutidas nessa Conferência, para dar uma maior autonomia econômica e social às mulheres, principalmente aqui do Nordeste?

MINISTRA IRINY LOPES: Olha, as mais de 200 mil mulheres que participaram da preparação, das etapas preparatórias da 3ª Conferência, discutimos muito a questão da autonomia econômica e financeira das mulheres. Então, assim, nós vamos... Nós estamos trabalhando linha de crédito. Nós estamos discutindo capacitação dessas mulheres, levando em consideração o potencial regional, onde... as regiões onde essas mulheres estão, onde elas moram. Nós destacamos os programas já aprovados, já contidos no Plano Plurianual, que se trata de inclusão das mulheres no mercado de trabalho formal. Há discussão, dentro do Congresso Nacional, da Lei da Igualdade. Nossa... A instalação de um sistema eficaz de fiscalização para reduzirmos a presença da mulher no mercado informal, e nós temos, talvez, o maior contingente de trabalhadoras domésticas do mundo: 7,3 milhões de mulheres que, a partir da resolução da OIT deste ano, o Brasil se compromete a regulamentar, e, para isso, nós precisamos da mudança do art. 7º da Constituição, que diferencia as trabalhadoras domésticas dos demais trabalhadores e trabalhadoras. Nós já temos uma comissão instalada, que vai concluir os seus trabalhos no mês de fevereiro de 2012. E essas são ações fundamentais para a autonomia das mulheres no nosso país.

APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Este é o programa Bom Dia, Ministro. Estamos hoje com a Ministra Iriny Lopes, da Secretaria de Políticas para as Mulheres. Ela conversa com âncoras de emissoras de rádio de todo o país. Ministra, vamos agora a Uberaba, Minas Gerais, conversar com a Rádio Sete Colinas AM, de Uberaba, onde está Elvia Moraes. Bom dia, Elvia.

REPÓRTER ELVIA MORAES (Rádio Sete Colinas AM / Uberaba - MG): Bom dia, Kátia. Bom dia, Ministra. É um prazer participar da entrevista. Ministra, dados da Central de Atendimento à Mulher, recém-instalada, mostram um dado, até certo ponto, preocupante. Nos casos de agressão física sofrida pelas mulheres, 66% dos filhos presenciam essa violência e 20% sofrem violência, também, junto com a mãe. Só que, no ano passado, o presidente Lula sancionou uma lei que proíbe os pais de castigarem os filhos, e, também, estando às vésperas da 3ª Conferência de Políticas Públicas para as Mulheres, o governo pretende fazer alguma proposta, não só para reduzir esses casos de agressão, mas também poupar as crianças e adolescentes?

MINISTRA IRINY LOPES: Olha, Elvia, bom dia. É um prazer falar com a minha terra, Minas Gerais. Eu teria a dizer a você o seguinte: que nós já temos o Pacto Nacional de Enfrentamento à Violência, que se constitui de uma rede que articula estados, municípios e que se relaciona diretamente não só com o governo federal, mas também com o Ministério Público, com as defensorias públicas e, particularmente, o papel do Judiciário nesse enfrentamento para a redução da violência. A lei, sancionada pelo presidente Lula, ela é mais um instrumento, mas o próprio ECA já determina os limites e as responsabilidades na proteção das crianças. O problema que nós temos diante de nós, ele é um pouco... ele exige um pouco mais do que ele é. Ele exige comportamentos, tomada de atitude. É por isso que, esse ano, para o cumprimento da Lei Maria da Penha, nós estabelecemos um protocolo de ação com o Colégio de Ministérios Públicos, tanto os estaduais quanto o Ministério Público Federal, buscando uma parceria para dar agilidade às denúncias apresentadas. E, agora, nós assinamos... Há dois dias atrás, nós assinamos um pacto, incluindo o Supremo Tribunal Federal, incluindo o Colégio Nacional, o Colégio Permanente de Presidentes e Desembargadores de Tribunais de Justiça, o Conselho de Defensores Públicos, o Conselho de Procuradores de Justiça, e estamos... O Ministério da Justiça. Será estendido também ao Ministério da Saúde. O que é que é esse conjunto de organismos governamentais e os órgãos do sistema de segurança e Justiça do país, o que nós buscamos é exatamente julgamentos rápidos de casos de homicídio, atendimento rápido e julgamento rápido dos processos que dizem respeito à Lei Maria da Penha, ampliação da nossa rede de proteção às mulheres, com os Centros de Atendimento, delegacias especializadas, centros de referência de atendimento à mulher, ampliação das casas-abrigos para cumprir as medidas protetivas e, com isso, não só atender às vítimas, tanto as mulheres quanto às crianças, jovens e adolescentes, como também procurarmos criar uma nova postura e uma nova cultura no Brasil de que bater em mulher, agredir mulher é crime. E quando se agride uma mulher está se estendendo essa agressão ao conjunto da família.

APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Você tem outra pergunta, Elvia?

REPÓRTER ELVIA MORAES (Rádio Sete Colinas AM / Uberaba - MG): Sim. Eu gostaria de saber da Ministra, já que esse serviço, ele também prevê o atendimento às mulheres no exterior, com o apoio das Embaixadas e também dos Consulados, que tipo de trabalho, Ministra, se pretende fazer para divulgar esse serviço em Portugal, Espanha, Itália, principalmente para aquelas mulheres que, às vezes, não têm tanta qualificação e acabam sendo atraídas aí por um dinheiro fácil, mas, na verdade, acabam sendo vítimas de cárcere privado ou então acabam servindo de isca fácil para o tráfico de drogas? Que tipo de ação se pretende adotar com as autoridades internacionais?

MINISTRA IRINY LOPES: Bom, as parcerias feitas com esses países pressupõem informação nas embaixadas, informações nos aeroportos, nos Consulados, e nós estamos divulgando o 180... o Ligue 180 Internacional, através de todas as redes, todas as entidades e todas as organizações que trabalham pelo direito das mulheres. Então, assim... E nós estamos também buscando os meios de comunicação desses países como forma de dar visibilidade a esse número e o conhecimento às vítimas da existência desse serviço. Então, assim, é um trabalho intenso, que eu acho que vai dar bastante fruto.

APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Este é o programa Bom Dia, Ministro. Eu sou Kátia Sartório e hoje estamos com a Ministra Iriny Lopes, da Secretaria de Políticas para as Mulheres. Ela conversa com âncoras de emissoras de rádio de todo o país. Ministra, vamos agora a Anápolis, em Goiás, conversar com a Rádio São Francisco 670 AM, de Goiás. A pergunta é de Nilton Pereira. Bom dia, Nilton.

REPÓRTER NILTON PEREIRA (Rádio São Francisco / Anápolis - GO): Muito bom-dia para você também, Kátia Sartório. Bom dia à Exma. Ministra Iriny Lopes. É um prazer falar com vocês. Ainda dentro desse tema do tráfico de mulheres, Ministra, é sabido, não é, que grande parte dessas senhoras e senhoritas que migram para o exterior, elas vão iludidas com promessas de empregos, essas coisas todas. Não seria o caso, por exemplo, de se fazer no Brasil uma campanha de orientação, de esclarecimento, sobre a dificuldade que elas vão encontrar lá, com a questão da língua, do idioma, com a questão dos costumes, para que elas não viagem enganadas, iludidas sobre a promessa de um dinheiro fácil, Ministra?

MINISTRA IRINY LOPES: Bom dia, Nilton, e bom dia a todos os seus ouvintes. Nós já trabalhamos... Nós já buscamos esse esclarecimento como um instrumento prévio, não é, como uma prevenção ao que essas mulheres vão encontrar. Então, há publicação. Nos aeroportos, nós fazemos as orientações necessárias a que essas mulheres possam, se tomarem a decisão efetiva de ir... Porque aí nós... Ninguém pode fazer nada. É uma decisão que aquela mulher está tomando. Mas que ela leve em consideração um conjunto de informações. Não é fácil fazer uma campanha para atingir a todas, porque, quando elas chegam nos aeroportos, que é onde a gente pode encontrá-la, ela já está com os seus compromissos assumidos, ela está encantada com aquela possibilidade. E, normalmente, essas mulheres são vítimas de organizações criminosas, que utilizam essas mulheres para trabalho... Praticamente trabalho escravo ou trabalho análogo a trabalho escravo, em geral, não exclusivamente - em geral -, no mercado de sexo e droga. Então... Mas há, também, casos de mulheres que saem do Brasil encantadas com um casamento, com um novo relacionamento, e a verdadeira personalidade desses seus companheiros só se expressa quando ela está fora do Brasil, que a questão do cárcere privado é muito comum nesses casos. E, depois que essas mulheres têm filhos que não são mais de nacionalidade brasileira, porque não nascem no Brasil, elas acabam ficando muito presas, porque não querem se separar de seus filhos. Então, assim, eu acho importante essa campanha. Agora, nem sempre a campanha por si só acaba chegando às pessoas. Então, assim, é uma... É necessária uma parceria entre o poder público, não é, através da SPM, através do Ministério da Justiça, através da Polícia Federal, mas é preciso essa parceria com a imprensa, que tem nos ajudado e que nós precisamos que continue nos ajudando, com programas, com informações, com matérias, com reportagens, com depoimentos, além, obviamente, de toda a rede de entidades, de organizações e de instituições que lutam pelos direitos das mulheres. Agora, é preciso que as pessoas estejam atentas ao que vai acontecer. Sair do país necessariamente não é um mundo cor de rosa como 100% das pessoas que saem, saem achando que vão encontrar.

APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Nilton Pereira, você tem outra pergunta?

REPÓRTER NILTON PEREIRA (Rádio São Francisco / Anápolis - GO): Sim. Apenas mais um detalhe. É claro que é um assunto recorrente, a Ministra já disse até algumas coisas a respeito, mas eu quero abordar a questão da Lei Maria da Penha. É inegável o avanço que já obtivemos no Brasil, desde que a lei foi sancionada pelo presidente, mas ainda temos um índice muito elevado das mulheres que continuam reféns, vítimas e reféns, porque, muito embora a lei lhes garanta alguma coisa, os criminosos, digamos assim, os companheiros que as agridem, continuam soltos. Não se tem notícia de muitos deles pagando pelos crimes que cometeram, por motivos, é claro, que a gente tem que discutir depois. Mas não teria como, Ministra, aperfeiçoar mais esse instrumento legal, para que as mulheres não sejam reféns? Às vezes ficam em abrigos, às vezes ficam na casa, temerosas, porque vão sair na rua e vão dar de cara com aquele que as agrediu horas atrás.

MINISTRA IRINY LOPES: Nilton, deixa eu te falar a minha opinião bastante sincera. Eu fui relatora da Lei Maria da Penha, na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara. E, assim, sendo bem honesta, eu acho que, se nós colocarmos a lei para ser alterada no Congresso brasileiro, nós corremos o risco de retrocesso. Eu diria a você que, não pelo fato de eu ter sido relatora, não é isso... O fato de ter sido relatora me dá um conhecimento de todos os debates que foram travados em torno da Lei Maria da Penha. E eu diria que ela é uma das... Assim, ela é próxima de uma perfeição, diante do conjunto jurídico brasileiro. E a ONU considera a Lei Maria da Penha uma das três... Não é assim, um, dois e três. Entre as três melhores legislações do mundo encontra-se a Lei Maria da Penha. Qual que é o problema da Lei Maria da Penha? E daí eu tenho uma concordância contigo. Ela... A efetivação da Lei Maria da Penha no Brasil ainda é muito baixa. Nós só teríamos condição de fazer uma revisão na lei quando nós tivermos um número suficiente de casos e um tempo... Ela é uma lei nova, também, cinco anos, e nós temos um debate... Nós temos um debate de compreensão da própria lei, dentro do Judiciário, que não nos dá condições de fazer uma avaliação, antes que esse debate esteja concluído, sobre a constitucionalidade, ou não, do art. 16 e do art. 41. Eu digo a você o seguinte: os números são números animadores. Nós tivemos 300 mil processos iniciados nesses cinco anos, nós tivemos cem mil julgamentos, nós tivemos 10 mil prisões em flagrante, coisa que, antes da Lei Maria da Penha, não existia. Então, assim, embora o assunto seja sério e a gente tenha pressa de resolver, não acredito que seja alterando a lei que vamos conseguir, mas, sim, aplicando a lei que nós vamos conseguir alterar esse quadro.

APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: E com esse acordo que foi firmado essa semana, Ministra, entre a Secretaria de Política das Mulheres, o Ministério da Justiça, o Supremo Tribunal Federal, o CNJ, a senhora acredita que isso, agora, pode dar mais... a Lei Maria da Penha, agora, pode ter mais articulação entre todos esses poderes, e aí a coisa pode andar melhor?

MINISTRA IRINY LOPES: Eu acredito. Tanto é que nós... Nós colocamos um peso muito grande nessa articulação. Assim, nós fizemos reuniões com o CNJ. Eu pessoalmente fui duas vezes, esse ano, ao Colégio Permanente de Presidentes de Tribunais de Justiça. Nós assinamos protocolos com eles. Eu estive no Colégio de Procuradores. Nós fizemos um protocolo também com os procuradores federais. Nós estabelecemos um diálogo com os governadores. Nós estamos em um processo de repactuação nos estados. Então, assim, nós demos a esse tema uma importância muito grande, e eu acho que nós estamos ganhando essas instituições para a compreensão da extensão da violência no Brasil. Que eu acho que, também, para eles, faltava informação. Aquela coisa de achar que é um caso aqui, outro ali. Não é um caso aqui e outro ali. Em dez anos, foram quase 43 mil homicídios provocados por violência doméstica. A cada quatro minutos, no país, nós temos quatro vítimas de agressão violenta. Então, assim, quando os juízes, desembargadores, ministros, quando procuradores, tomam conhecimento desses números, veem a repercussão, percebem o quanto crianças, jovens e adolescentes estão envolvidos nesse processo, eles passam a ter, assim, uma compreensão um pouco diferenciada, no sentido de se mobilizarem mais. Então, eu acho que a tendência é a gente modificar este quadro. Agora, nós temos pressa. Nós, governos, temos pressa, como as mulheres agredidas têm pressa. E eu acho que, agora, o Judiciário e todo mundo vai ter a mesma pressa que a gente.

APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Este é o programa Bom Dia, Ministro. Eu sou Kátia Sartório e estamos com a Ministra Iriny Lopes, da Secretaria de Políticas para as Mulheres. Lembrando que a NBR, a tevê do governo federal, transmite ainda hoje, à tarde, a gravação dessa entrevista, e também no final de semana, em horários alternativos. Ministra, vamos agora a Belém do Pará, conversar com a Rádio Belém FM. Antônio Carlos, bom dia.

REPÓRTER ANTÔNIO CARLOS (Rádio Belém FM / Belém - PA): Bom dia a todos. Bom dia, Ministra Iriny Lopes, é um prazer imenso falar com você. De Belém... Aqui da Rádio Belém FM, Antônio Carlos. Ministra, vai acontecer a 3ª Conferência Nacional de Políticas para as Mulheres, em Brasília, do dia 12 até o dia 15 deste mês, e eu lhe pergunto: haveria a possibilidade dessa conferência botar em prática as situações críticas das mulheres dentro do Brasil, que sofrem violência dos seus maridos e também dos seus companheiros, Ministra? Bom dia.

MINISTRA IRINY LOPES: Bom, bom dia, Antônio Carlos. Eu estive, recentemente, em Belém e eu acompanhei a Conferência Estadual de Belém. As nossas conferências, tanto as conferências que foram realizadas nos 2.160 municípios, bem como todas as conferências estaduais que nós tivemos, no Brasil, tratou muito do caso da violência. Não exclusivamente, porque nós precisamos, também, tratar de outros aspectos das necessidades das mulheres no mundo do trabalho, na autonomia econômica, a questão da participação da mulher na política, mas essa questão da violência acaba tomando uma dimensão muito grande, porque... Um espaço grande nas conferências, e não será diferente na Conferência Nacional, porque ela é um fato muito relevante para as mulheres, no Brasil. Então, assim, o que nós vamos discutir na Conferência é a necessidade de que prefeituras e governos estaduais, decidida e definitivamente, se somem ao esforço do governo federal, porque nós temos dois aspectos a tratar. Um, eu tenho, reiterado, falado, é a ampliação dessa nossa articulação com o sistema de justiça do país, em todos os níveis, seja a nível federal, seja ao nível dos estados, de primeira instância, mas, também, nós temos a necessidade da ampliação da rede de enfrentamento à violência. Essa rede, ela é composta pelos centros de atendimento, pelos centros de referência; ela é composta pelas delegacias de atendimento à mulher e ela é composta pelas casas-abrigo. Então, assim, não adianta... O governo federal, ele não pode chegar no estado e construir e gerenciar essa rede. Essa rede, ela é compartilhada. Nós entramos com a capacitação, nós entramos com uma parte dos recursos, através dos convênios, mas ela, efetivamente, é construída e gerenciada por governos estaduais e governos municipais. Por isso que nós, sozinhos, nem a Conferência Nacional nem o governo federal chegará, ele, por si próprio, à solução desse problema. Por isso, nós temos feito reuniões com governadores, nós temos buscado a repactuação. Já repactuamos no estado do Espírito Santo, já repactuamos na Paraíba; esse mês, nós teríamos a repactuação no estado do Amazonas, teve um problema de data, eu acho que nós teremos que remarcar. Então, assim, é lá na ponta que a mulher é atendida, então, lá na ponta, estados e municípios, nós precisamos de uma mobilização maior e nós estamos buscando essa articulação e essa mobilização em torno da prestação de serviço às mulheres vítimas de violência.

APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Antônio Carlos, da Rádio Belém FM, você tem outra pergunta?

REPÓRTER ANTÔNIO CARLOS (Rádio Belém FM / Belém - PA): Ministra, a minha pergunta é a seguinte: será que os governos e os prefeitos dos municípios não podendo fazer a sua parte, será que o governo poderia multar, então, fazer uma pressão maior para que essa lei seja feita com dignidade para as mulheres, Ministra?

MINISTRA IRINY LOPES: Olha, no governo federal, nós não temos a autonomia para estabelecer nenhum tipo de sanção a prefeitos ou governadores. Isso é um debate que compete ao Legislativo. Agora, o que nós temos procurado fazer é sensibilizar, acompanhar, estar presente, dialogar, buscar a mobilização local. Então, quando nós vamos nos estados, nós conversamos tanto com os governadores quanto com os prefeitos, buscamos conversar com o Judiciário local, assim como nós conversamos com os organismos de mulheres, seja secretarias, seja que tipo de organismos de mulheres os governos locais têm. E, também, nós dialogamos com a imprensa e com a sociedade. Então, assim, essa articulação e essa pressão social, popular, é que eu acho que fará com que a mobilização de prefeitas e prefeitos, governadores e governadoras, sejam maior neste caso, porque o governo federal vai lá, bate na porta, procura. Então, tudo que nós temos à nossa disposição, nós procuramos fazer. Agora, é fundamental que os parlamentares estaduais também façam o debate da questão do PPA e da questão orçamentária, destinando recursos para a implementação dessas políticas, assim como os governadores nas suas mensagens, e os prefeitos, precisam prever recursos para ampliação a rede, não só contar com os recursos que o governo federal pode repassar. Então... Mas eu acho que, juntos, nós poderemos superar este problema.

APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Este é o programa Bom Dia, Ministro. A nossa convidada de hoje é a Ministra Iriny Lopes, da Secretaria de Políticas para as Mulheres, que conversa com âncoras de emissoras de rádio de todo o país. Lembrando que o áudio e a transcrição dessa entrevista vão estar disponíveis, ainda hoje pela manhã, na página da EBC Serviços na internet. Anote o endereço: www.ebcservicos.ebc.com.br. Ministra, vamos, agora, a Maceió, em Alagoas, conversar com a Rádio Jornal 710 AM. Moreyra da Silva, bom dia.

REPÓRTER MOREYRA DA SILVA (Rádio Jornal 710 AM / Maceió - AL): Muito bom dia, Kátia. Muito bom dia, Ministra Iriny Lopes. Ministra, aqui em Maceió, Alagoas, a Secretaria da Defesa da Mulher, através da secretária Kátia Born, realiza um trabalho muito bonito em defesa da mulher alagoana, e isso também acontece nos municípios alagoanos. Como a senhora vê esse trabalho da Secretaria de Defesa da Mulher do Estado de Alagoas, Ministra?

MINISTRA IRINY LOPES: Olha, eu já estive em Alagoas duas vezes, esse ano, já tive oportunidade de conversar e me reunir com o governador e com a secretária Kátia. Já tivemos oportunidade de lançar o primeiro Plano Municipal de Enfrentamento à Violência à Mulher, que nós fizemos em Maceió. Então, assim, eu acho que, no estado de Alagoas, tem uma movimentação, tanto de políticas públicas quanto de mobilização social, muito forte em torno dos interesses das mulheres. Então, eu também estive presente à Conferência. Há essa mobilização, e eu acho que é muito promissor. Eu acho que se tudo... Os convênios que nós firmamos e os planos que foram aprovados têm condições de ser implementados e, com isso, a gente ter uma alteração significativa na vida das mulheres do estado de Alagoas. Vocês estão, aí, de parabéns com o trabalho que é feito.

APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Moreyra da Silva, você tem outra pergunta?

REPÓRTER MOREYRA DA SILVA (Rádio Jornal 710 AM / Maceió - AL): Não. Muito obrigado, Kátia, e recebam, aí, vocês todos um caloroso abraço do povo de Alagoas.

APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Obrigada, Moreyra da Silva, da Rádio Jornal 710 AM, de Maceió, Alagoas. E, lá do Nordeste, vamos, agora, para o Sul do país, Ministra. A senhora sabe que, neste programa, a gente roda o país, não é?

MINISTRA IRINY LOPES: É, está bom. Essa viagem pelo Brasil está ótima!

APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Vamos a Bagé, no Rio Grande do Sul, conversar com a Rádio Difusora AM. A pergunta é de Angélica Simões. Bom dia, Angélica.

REPÓRTER ANGÉLICA SIMÕES (Rádio Difusora AM / Bagé - RS): Bom dia. Bom dia, Sra. Ministra. Falamos, aqui, como você falou, de Bagé, Rio Grande do Sul, fronteira com o Uruguai. A nossa pergunta para a Sra. Ministra é sobre a possibilidade de construção de mais casas de abrigos às mulheres vítimas de violência, pois sabemos que muitas cidades já as têm, inclusive aqui na nossa região. Essa chamada casa de abrigo, ou casa de passagem, às mulheres vítimas de violência podem ser construídas em várias cidades brasileiras? Como se dá isso?

MINISTRA IRINY LOPES: Bom dia, Angélica. Bom dia ao povo do Rio Grande do Sul; em especial, Bagé. Olha só, a casa-abrigo é um dos instrumentos importantes para o cumprimento das medidas protetivas contra a mulher que está ameaçada e que corre risco. Então, nós podemos e devemos construir mais casas-abrigo, infelizmente. Nós gostaríamos que não existisse, porque a existência da casa-abrigo só confirma o nível de violência e a necessidade que tem de separação de corpos, porque a mulher corre risco. Então, assim, o que nós temos dialogado com governadores, com prefeitos, é a ampliação dessas casas-abrigo de maneira a cobrir e a criar condições para que todas as regiões, no Brasil, tenham este equipamento público tão importante. Há regiões e há municípios em que o número... A população justifica uma casa-abrigo exclusivamente para aquele município, que são os municípios maiores. Mas, em municípios menores e municípios pequenos, nós temos trabalhado consórcio, não é, entre os diversos municípios, principalmente se a proximidade geográfica deles facilita a locomoção, porque a família precisa visitar. Afinal de contas, a mulher estar em uma casa-abrigo é separar do agressor, não separar do mundo ou do convívio do restante da família. Agora, eu já disse e reitero: é necessário que tenha interesse por parte do governo municipal e estadual, para que essa parceria com o governo federal possa tornar realidade esta ampliação das casas-abrigos pelo Brasil afora.

APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Angélica?

REPÓRTER ANGÉLICA SIMÕES (Rádio Difusora AM / Bagé - RS): Bom, eu tenho mais uma pergunta.

APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Pois não.

REPÓRTER ANGÉLICA SIMÕES (Rádio Difusora AM / Bagé - RS): É possível?

APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Pois não. Sim.

REPÓRTER ANGÉLICA SIMÕES (Rádio Difusora AM / Bagé - RS): O Ministério tem algum recurso a repassar aos municípios, ou essa questão é direta somente com as prefeituras?

MINISTRA IRINY LOPES: Não, o Ministério tem recursos. Nós fazemos parcerias. Então, os municípios que têm interesse devem enviar os seus projetos. Nós analisaremos os projetos; se eles estiverem bem fundamentados e se eles estiverem projetos de acordo com a legislação vigente, os convênios serão firmados e os recursos serão repassados. Diversas casas-abrigos e muitos outros equipamentos, no Brasil, são feitos desta forma.

APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Este é o programa Bom Dia, Ministro. Esse programa tem a coordenação e a produção da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, em parceria com a EBC Serviços. A nossa convidada de hoje é a Ministra Iriny Lopes, da Secretaria de Políticas para as Mulheres. Ministra, vamos, agora, a São Paulo, conversar com a Rádio Bandeirantes, de São Paulo. Willian Kury, bom dia.

REPÓRTER WILLIAN KURY (Rádio Bandeirantes / São Paulo - SP) Bom dia, Kátia Sartório. Bom dia, Ministra Iriny Lopes. Em relação às brasileiras que vivem no exterior, depois de relatada a violência sofrida, de que forma a mulher será amparada tanto pelo governo brasileiro quanto pelo país em que ela estiver? Há boa vontade suficiente para superar as barreiras diplomáticas? E quanto ao agressor, também, de que maneira ele pode ser punido? Bom dia, Ministra.

MINISTRA IRINY LOPES: Bom dia, Willian. Bom dia a todos os ouvintes da Rádio Bandeirantes. O nosso Ligue 180 Internacional é um programa que foi discutido e negociado previamente pelo Ministério de Relações Exteriores e o Ministério da Justiça, junto com a Secretaria de Políticas para as Mulheres. Então, esse programa, ele prevê trabalhar com a legislação internacional e com os acordos bilaterais que o Brasil tem com os países onde o programa está instalado. Nós começamos com Espanha, Portugal e Itália, não se restringirá a esses países. A intenção é de ampliação do programa. Como funciona? Nós receberemos a ligação da vítima. Ela falará conosco aqui no Brasil. Nós receberemos a ligação na nossa central de atendimento, a ligação será a cobrar. Então, nós vamos separar... A partir de identificar os casos, nós vamos separar e encaminhar, porque cada caso é um caso diferente. Então, assim, haverá casos em que será diretamente direcionado à Polícia Federal, quando, por exemplo, se tratar de tráfico ou se tratar de trabalho escravo ou se tratar desse tipo de situação. Em outros casos, bastará que a nossa... Nós encaminharemos ao consulado brasileiro e, talvez, o serviço que aquela pessoa precise, a própria rede de serviço daquele país onde ela está é suficiente, basta que ela procure. Haverá outros casos, como, por exemplo, casos que envolvem crianças, que envolvem filhos, que necessitará da interveniência do nosso consulado ou da nossa embaixada onde essa mulher estiver. Então, assim, não dá... Todos eles têm... Todos esses casos serão tratados, obviamente, de acordo com os nossos acordos bilaterais assinados com os países onde o serviço está instalado.

APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Ministra Iriny, vamos, agora, a Linhares, no Espírito Santo, conversar com a Rádio Globo, de Linhares, onde está Eduardo Alencar. Bom dia, Eduardo.

REPÓRTER EDUARDO ALENCAR (Rádio Globo / Linhares - ES): Bom dia, Kátia. Bom dia, também, à Ministra Iriny. É um prazer falar com vocês. Ministra, vamos voltar, um pouquinho, na parte da desigualdade entre os sexos, não é, que é de conhecimento de todos, inclusive foi até falado, um pouco, aí no programa, já, também, sobre a questão do salário, mesmo, entre homens e mulheres, que nós sabemos que, hoje, ainda existe uma diferença, não é, principalmente para homens e mulheres que ocupam cargos que têm, mais ou menos, ali... São cargos semelhantes, vamos dizer assim. E nós sabemos que isso é um dos grandes problemas, ainda, na desigualdade, que vai ser debatido na 3ª Conferência Nacional de Políticas para as Mulheres, que começa na próxima segunda-feira, não é? E em relação, aí, à construção da autonomia econômica e social das mulheres. Agora, Ministra, não seria o caso, também, de uma mudança na nossa educação, já desde a base, fazendo, assim, talvez, com que os homens consigam enxergar as mulheres como parceiras, no real sentido da palavra, e não, assim, como concorrentes, para que eles enxerguem as mulheres, mesmo, com mais igualdade, para a gente tentar combater mais essa desigualdade que existe, ainda, entre os sexos?

MINISTRA IRINY LOPES: Bom dia, Eduardo. É um prazer falar com Linhares. Passei aí domingo, viajando aí pelo interior do nosso estado. É... Na verdade, não há... Eu até tive oportunidade de falar, aqui, hoje, que não bastam as mudanças de legislação, não é? Nós precisamos de uma mudança de postura, uma mudança de cultura, e essa questão da participação da educação e da escola neste processo é fundamental. O Ministério da Educação tem dois... Tem dois programas de formação de professores que é fundamental nessa mudança de postura e cultura. E o GDE, que é o Programa de Gênero e Diversidade, que forma professores, que os prepara para trabalhar em um espaço educacional e o espaço da escola de uma nova maneira, não é? Não daquela maneira tradicional, que sempre coloca as meninas no plano inferior ao plano que está colocado os meninos. Então, assim, a nossa pretensão é que, até o fim do governo da presidenta Dilma, que tem um compromisso inarredável com a alteração das condições de vida das mulheres brasileiras, a gente possa formar 220 mil novos professores dentro desse Programa de Gênero e Diversidade, para que eles, ao atuarem na escola, ali, naquele ambiente, eles já comecem a preparar as novas gerações para não reproduzir, como tem sido feito de maneira permanente até então, a reprodução dessa desigualdade entre homens e mulheres. Então, assim, essa é uma iniciativa fundamental para que, nas famílias e nas escolas, a gente tenha uma nova geração que considerem meninas e meninos em igualdade de condições e oportunidades para o seu desenvolvimento pessoal, para o seu desenvolvimento profissional, para o seu desenvolvimento econômico, para o seu desenvolvimento afetivo, tudo isso que nos torna, a cada um de nós, cidadãs e cidadãos completos e donos dos seus direitos.

APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Eduardo Alencar, da Rádio Globo de Linhares, você tem outra pergunta?

REPÓRTER EDUARDO ALENCAR (Rádio Globo / Linhares - ES): Não, Kátia. Eu estou satisfeito com a resposta da Ministra. Muito obrigado pela participação.

APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Obrigada a vocês aí de Linhares pela participação nessa rede de emissoras que compõem o programa Bom Dia, Ministro. Lembrando que estamos no rádio e na televisão. Esse programa é multimídia, e a nossa convidada de hoje, a Ministra Iriny Lopes, da Secretaria de Políticas para as Mulheres. Ministra, vamos, agora, ao Acre, lá em Rio Branco, conversar com a Rádio Difusora Acreana AM. Jorge Braun, bom dia.

REPÓRTER JORGE BRAUN (Rádio Difusora Acreana / Rio Branco - AC): Bom dia, Ministra. Bom dia aos ouvintes da rádio.

APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Jorge Braun? Jorge Braun, por favor, pode aumentar o seu retorno para a gente, por gentileza?

REPÓRTER JORGE BRAUN (Rádio Difusora Acreana / Rio Branco - AC): Vocês estão conseguindo ouvir bem aí?

APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Está melhor. Obrigada.

REPÓRTER JORGE BRAUN (Rádio Difusora Acreana / Rio Branco - AC): Ministra, a gente gostaria de saber, já que aqui no estado do Acre já temos diversas políticas que já estão sendo implementadas com relação ao combate à violência contra a mulher, o que a sua Secretaria pretende fazer com relação às mulheres produtoras rurais, já que, hoje, nós sabemos que, nas áreas rurais de todo o país, existem muitas mulheres que assumiram para si o papel de chefes de família, e essas mulheres têm uma jornada de trabalho na lavoura, uma jornada de trabalho em casa e essas mulheres também são vítimas de violência. Eu gostaria de saber qual são as propostas, o que a Secretaria está pensando em fazer para melhorar as condições de vida dessas mulheres produtoras rurais, que assumem o papel de homem e de mulheres dentro das suas famílias.

MINISTRA IRINY LOPES: É... Bom dia, Jorge. É muito bom falar com vocês aí no Acre. Uma das nossas maiores preocupações nesta questão da autonomia econômica e financeira das mulheres é como tornar as mulheres do campo e da floresta nas mesmas condições das mulheres que estão nos grandes centros urbanos. Então, assim, nós precisamos, e estamos trabalhando, uma... Nós estamos defendendo a ampliação de recursos para o Pronaf Mulher, que dê a essas mulheres, principalmente às mulheres que são chefes de família, condições de trabalho digno e de retorno financeiro suficiente para que elas deixem a pobreza e a miséria. Então, assim, essas mulheres também estão incluídas no programa Brasil sem Miséria, que a presidenta Dilma lançou esse ano e que é conduzido pelo Ministério do Desenvolvimento Social. Nós estabelecemos a necessidade e vamos começar a funcionar, no início do próximo ano, com as unidades móveis para identificação dos casos de violência, já que essas mulheres que são vítimas de violência, que estão lá no interior, elas... Lá no campo, na floresta, na roça, como nós chamamos no Brasil, elas têm dificuldade tanto de transporte quanto, às vezes, também, elas não têm nem onde procurar ajuda, porque a delegacia especializada de mulher mais próxima está muito longe do seu lugar de moradia. Então, por isso, as unidades móveis, para identificação e as primeiras providências necessárias ao atendimento a essas mulheres. Além de que... Não só o Pronaf Mulher, na nossa opinião, é suficiente para dar a essas mulheres a autonomia econômica e financeira que elas precisam. Então, assim, a identificação de uma rede, uma corrente, não é, de uma cadeia produtiva no local, naquela região, aproveitando materiais que são típicos daquela região para que essas mulheres possam produzir, vender e viver dos seus produtos. Então, para isso, crédito e capacitação e abertura de mercados é fundamental para que esses produtos, também, eles sejam vendidos, efetivamente, e que também as mulheres não vão competir entre si, uma mulher produz o mesmo produto que a sua vizinha e o mercado é o mesmo. Então, assim, essa cadeia produtiva, ela pressupõe recursos, capacitação e abertura de mercado para que esses produtos sejam vendidos e essa mulher tenha o suficiente para viver com dignidade junto à sua família.

APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Ministra, vamos, agora, a Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, conversar com a Rádio Capital FM. Raul Ratier, bom dia.

REPÓRTER RAUL RATIER (Rádio Capital FM / Campo Grande - MS): Alô, bom dia. Bom dia para todos. É um prazer, não é, falar com a Ministra. E dizer que, aqui no Mato Grosso do Sul, nós temos valorizado muito as mulheres. Precisa mais, mas nós temos umas quatro ou cinco secretárias de estado que são mulheres, não é, hoje, esse tanto na prefeitura, aqui na capital sul-mato-grossense. Mas, mesmo assim, ainda falta muitas coisas, porque, afinal de contas, sem as mulheres, a vida ficaria muito, mas muito sem graça, não é? Mas, tudo bem. Eu queria falar para a Ministra o seguinte: não há necessidade de exigir mais das autoridades? Porque, aqui em Campo Grande, nós tivemos, recentemente, uma senhora que foi assassinada pelo companheiro. E ela foi umas dez vezes na Delegacia, inclusive, da Mulher, reclamar, pedir ajuda, e não recebeu a ajuda necessária. Se ela tivesse recebido, não teria acontecido. A senhora não acha que a gente deveria dar uma maior atenção, as autoridades, às reclamações e aos pedidos das mulheres?

MINISTRA IRINY LOPES: Bom dia, Raul. É... Este caso, infelizmente, está restrito à responsabilidade do governo estadual. Então, assim, se nós temos uma mulher que procurou uma delegacia especializada para fazer uma reclamação contra o seu agressor e nenhuma providência foi adotada, este delegado ou esta delegada ou o escrivão ou quem atendeu essa mulher precisa passar pela Corregedoria e um inquérito precisa ser aberto, porque uma mulher foi morta por omissão de um agente público, e isso é grave. Então, assim, eu concordo contigo de que tem que ter um rigor grande nessa questão. Agora, nós não precisamos nem inventar leis novas, porque as leis que estão aí dão conta de fazer. O que precisa é que as autoridades assumam, efetivamente, as suas responsabilidades. E o Ministério Público do Mato Grosso do Sul, obviamente, tomará... Deverá tomar as medidas cabíveis a este caso, abrindo... Pedindo e fazendo a investigação sobre a omissão deste agente público que faltou com a sua responsabilidade, provocando a morte dessa mulher.

APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Este é o programa Bom Dia, Ministro. Eu sou Kátia Sartório, e a Ministra Iriny Lopes, da Secretaria de Políticas para as Mulheres, é a nossa convidada de hoje no programa. Ministra, vamos, agora, a Manaus, no Amazonas, conversar com a Rádio Difusora FM, de Manaus. Eduardo Silva, bom dia.

REPÓRTER EDUARDO SILVA (Rádio Difusora FM / Manaus - AM): Bom dia. Eduardo Silva, da Rádio Difusora do Amazonas. Ministra, primeiramente, eu gostaria de parabenizar a iniciativa vista em todo o programa [ininteligível] até, por exemplo, a Itália, a Espanha e Portugal, principalmente a Espanha, que é o foco maior desses problemas. Dois questionamentos, Ministra. O primeiro: qual é a mecânica de funcionamento dessa ferramenta? Existe uma força-tarefa do governo brasileiro que irá [ininteligível] ou o consulado, ou a embaixada, um acordo com esses países para resolver essas demandas? E o outro questionamento, que a meu ver é o mais importante da minha participação, é o seguinte: nós sabemos que, eventualmente, pode ser que uma dessas pessoas, uma dessas mulheres em situação de risco, em algum desses países, não tenha conhecimento dessa ferramenta. Existe a possibilidade de que familiares seus, aqui no Brasil, possam acionar o 180 para que elas sejam salvas, digamos assim, no país onde estiverem, lá na Espanha, em Portugal ou em qualquer um que esteja?

MINISTRA IRINY LOPES: Bom dia, Eduardo. Sim às duas perguntas que você fez. Nós temos condições de atender essas mulheres vítimas a partir de um telefonema e de um contato feito por um familiar, onde ele faça o relato. Porém, para tomar as medidas cabíveis ao caso, nós precisamos da anuência e da concordância da vítima. Então, assim, o primeiro contato pode ser feito por um familiar, mas... Onde nós vamos explicar o que nós vamos fazer, mas a medida seguinte só poderá ser adotada mediante a concordância dessa vítima. E a rede que funcionará para garantir a prestação desse serviço inclui a Polícia Federal, inclui a SPM, inclui os nossos consulados e as relações que nós temos com os organismos internos desses países, que estão ligados ao atendimento de cada caso, conforme ele se apresentar.

APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Ministra, vamos, agora, a Porto Velho, em Rondônia, conversar com a Rádio Caiari AM, de Porto Velho. A pergunta é de Taís Leite. Bom dia, Taís.

REPÓRTER TAÍS LEITE (Rádio Caiari AM / Porto Velho - RO): Bom dia, Ministra Iriny Lopes. As políticas públicas aqui na nossa região, eu queria saber... Ministra, quais políticas... Quais as políticas públicas desenvolvidas para as mulheres na região Norte, visto que os dados, aqui na nossa região, têm aumentado? O que pode ser feito para diminuir esses riscos e para que essas mulheres não voltem para esses homens que as violentam?

MINISTRA IRINY LOPES: Olha, Taís, nós não temos políticas regionais, ainda. Acho que chegaremos a isso. E a repactuação está levando em conta... Quando nós fazemos a repactuação do enfrentamento à violência contra a mulher, nós, agora, estamos começando a levar em consideração as diferenças regionais. Então, assim, um dos problemas, não o único, não o único... Inclusive, eu mesma fiquei bastante surpresa com o número de mulheres que têm independência econômica em relação aos seus agressores e, ainda assim, são vítimas dessa agressão. Então, assim, não é... Não existe essa coisa de que só as mulheres pobres são agredidas. Infelizmente, a agressão às mulheres é uma coisa de A a Z, percorre todas as cidades, percorre todas as faixas educacionais, percorre todas as regiões do país e também passa por todas as faixas econômicas. Então... Agora, é fundamental, e nós temos discutido essa questão com os governadores, em especial, que seja dado capacitação e que seja aberto frentes de trabalho para que mulheres que só voltam pelo seu agressor por causa da sua dependência econômica fique livre disso. E que dentro das casas-abrigo e dentro dos centros de atendimento a gente comece uma rede de formação para preparar essas mulheres para o mercado profissional.

APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Ministra Iriny Lopes, infelizmente, o nosso tempo acabou, mas eu gostaria de agradecer, mais uma vez, a sua presença em nosso programa.

MINISTRA IRINY LOPES: Eu é que agradeço a oportunidade. Espero ter contribuído, aí, com informações para o nosso país.

APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Com certeza. Obrigada, Ministra. E obrigado a todos que participaram conosco dessa rede. E até o próximo programa.

Empresa Brasil de Comunicação S/A - EBC | CNPJ: 09.168.704/0001-42 | SCS - Qd. 08 Bl. B-60 - 1º Piso Inferior - Ed. Venâncio 2000 - Asa Sul - Brasília/DF