12/03/2009 - PROGRAMA: Bom Dia Ministro, com o ministro da Secretaria Especial de Portos, Pedro Brito
APRESENTADOR LUCIANO SEIXAS: Na pauta de hoje, vamos conversar sobre o
Programa Nacional de Dragagem, destinado a desobstruir gargalos nas
instalações aquaviárias e o projeto de informatização dos portos
brasileiros. Para tornar o setor portuário mais eficiente, a Secretaria
Especial de Portos, criou o Programa Nacional de Dragagem, que
estabelece novos parâmetros para a execução de serviços de limpeza e
desobstrução dos fundos dos rios e do mar.
A dragagem é realizada com o auxílio de um aparelho, ou embarcação
especial, capazes de retirar ou mesmo escavar a areia, lodo e entulho,
que dificultam ou impedem a navegabilidade. O serviço permite manter a
profundidade dos canais de acesso aos portos e ampliar estes canais, de
forma a receber navios de maior calado.
Outra medida da secretaria é a informatização total dos portos
brasileiros, e assim eliminar o manuseio de vários formulários e
papéis. É o projeto Porto Sem Papel. O ministro Pedro Brito já está
aqui no estúdio e começa agora a conversar com âncoras de emissoras de
rádio de todo o país.
RÁDIO BANDA B - CURITIBA (PR)/FRANCIELI COUPANI: o Porto de Paranaguá,
que é o principal Porto aqui do estado, ele passou por uma dragagem.
Mas essa dragagem do canal da Galheta, ela demorou muito tempo para ser
realizada. No que os portos perdem ao demorarem em realizar dragagens?
O faturamento pode cair muito nesses casos?
MINISTRO: De fato, uma das intervenções mais importantes que nós
podemos fazer nos portos brasileiros é a dragagem, porque com o
aprofundamento do canal de aproximação dos portos, nós podemos
disponibilizar, para os armadores que operam os grandes navios do mundo
a possibilidade de destacarem, de escalarem esses portos, para que
esses grandes navios que hoje não operam em nenhum porto latino
americano possam chegar aos portos brasileiros. E no caso especial de
Paranaguá, que é um dos portos mais importantes do Brasil, é um porto
que é responsável por grande parte da exportação de grãos do Brasil e
certamente responsável pela competitividade desses produtos, que o
Brasil exporta.
Portanto essa intervenção que está sendo feita hoje em Paranaguá, que é
uma intervenção de emergência, porque houve um assoreamento muito forte
do rio e do canal do Porto de Paranaguá, essa dragagem vai dar o Porto
a condição que o Porto tinha antes, mas não vai resolver
definitivamente o problema. Nós já incluímos o Porto de Paranaguá no
Programa Nacional de Dragagem, nós vamos investir R$ 123 milhões na
dragagem de aprofundamento do Porto. Com isso, o Porto de Paranaguá,
que vai passar depois dessa dragagem a ter uma profundidade de 15
metros, estará pronto para receber os maiores navios do mundo. E nós
estaremos dando ao estado do Paraná, dando ao país, um porto com as
condições que hoje são disponibilizados nos maiores portos do mundo.
RÁDIO FOLHA - RECIFE (PE)/ JOTA BATISTA: Aqui em Pernambuco é um caso
atípico, porque nós temos dois portos de grandes proporções, o Porto do
Recife e também o Porto de Suape. Eu gostaria de saber do ministro
primeiramente, com relação à drenagem do Porto do Recife, com a
tendência desse porto se tornar um porto turístico.
MINISTRO: De fato, o estado de Pernambuco tem hoje um dos sistemas
portuários mais bem equipados do país. Além do Porto de Recife, que
você acabou de mencionar, tem o Porto de Suape. O Porto de Suape, hoje
está recebendo investimentos muito fortes por parte do Governo Federal,
está recebendo investimentos maiores ainda por parte a iniciativa
privada, com a instalação de uma indústria naval importante, instalação
de uma refinaria, instalação de outras indústrias, o que dá ao Porto de
Suape a configuração de um porto-indústria.
E no caso de Suape, nós temos que destacar a profundidade natural de
Suape em torno de 16, 17 metros, que nós vamos aprofundar para 19
metros, e será o porto de maior profundidade do Brasil. No caso de
Recife, que é um porto menor, inclusive porque ao longo do tempo ele
acabou sendo imprensado pelo desenvolvimento da própria cidade de
Recife, que avançou para o Porto. Mas é um porto hoje de grande
importância para a exportação, por exemplo, de açúcar, e para também a
questão turística, do turismo. Nós pretendemos desenvolver muito mais o
pier turístico, que já existe no Porto de Recife, e nós, como você
sabe, já foi amplamente anunciado, estamos iniciando a dragagem do
Porto de Recife.
O equipamento já está no Porto, uma draga moderna, que já vai começar a
operar a partir de amanhã, sexta-feira. E dentro de quatro meses esse
trabalho estará pronto e o Porto de Recife, com uma nova profundidade
de 11 metros, poderá atender toda a demanda do setor exportador de
Recife. Portanto, é uma posição de importância, que hoje nós podemos
estar divulgando aqui, já em primeira mão. A partir de amanhã começa
efetivamente o trabalho de dragagem no Porto de Recife.
RÁDIO FOLHA - RECIFE (PE)/ JOTA BATISTA: Com relação a esse Projeto
Porto sem Papel, ele será implantado então nos dois portos, o de Recife
e também o de Suape?
MINISTRO: O Projeto Porto sem Papel, que prevê a desburocratização,
porque hoje nós sabemos, que vários órgãos federais atuam de maneira
simultânea nos portos brasileiros. O Ministério da Agricultura, a
Anvisa, a Polícia Federal, a Receita Federal, a Secretaria de Portos.
São vários órgãos, com atuação que gera uma burocracia, e, portanto
gera custo nos portos brasileiros, e isso nós pretendemos resolver com
esse projeto, que nós estamos chamando Porto sem Papel. Que na verdade
é um grande sistema de controle automatizado, onde haverá uma única
entrada de dados, vai alimentar um banco de dados geral e todos esses
órgãos de governo irão ter acesso a esse banco de dados e, portanto
vamos eliminar vários papéis, que hoje são produzidos por cada um
desses órgãos do governo.
Eles poderão exercer toda a sua função de controle a partir de um único
banco de dados, com uma atuação totalmente integrada e informatizada,
por isso é que nós estamos chamando de Porto sem Papel. Esse projeto,
nós pretendemos implantar em todos os portos brasileiros. Estamos
iniciando com um projeto piloto em Santos, que é o maior porto do
Brasil, é o Porto que responde por mais de um quarto de toda a
movimentação de importação e exportação do Brasil. Então em primeiro
lugar, nós estaremos implantando no Porto de Santos e depois em todos
os Portos Brasileiros.
RÁDIO CBN - MANAUS (AM)/ CHARLES FERNANDES: Eu gostaria de saber do
senhor, sobre a situação da construção dos portos, que foram prometidos
pelo Ministério dos Transportes, para serem entregues no Amazonas. Nós
sabemos que alguns desses portos estão com as obras atrasadas. Alguns
nem chegaram a ser construídos. A gente queria saber como está essa
situação dos portos aqui para o Amazonas?
MINISTRO: o que eu posso lhe garantir, é, inclusive numa conversa
recente, que eu tive com o ministro Nascimento, ministro dos
Transportes, é que todos esses portos serão concluídos até 2010, o
presidente da República decidiu dar os recursos necessários ao
ministério dos Transportes para que todos esses portos sejam concluídos
até 2010. Eu sei do empenho pessoal do ministro Nascimento, em relação
a essa necessidade do povo do estado do Amazonas, nós sabemos que no
estado do Amazonas muitas cidades só têm comunicação através dos rios,
e portanto, temos a absoluta consciência da grande importância social e
econômica desses portos para o estado do Amazonas. Como eu já disse, o
presidente Lula já determinou a inclusão no PAC dos recursos
necessários para a conclusão de todos esses portos e o ministro
Nascimento tem mais do que todos nós a consciência e será cumprida a
determinação do presidente Lula de até 2010 todos os portos serem
concluídos.
RÁDIO VERDES MARES-FORTALEZA (CE)/NILTON SALES: O que o ministério tem de novo para o Ceará?
MINISTRO: Nilton Sales, você sabe que eu sou do Ceará e, portanto,
conheço bastante a realidade dos nossos portos. O estado do Ceará tem
dois portos importantes hoje para o país, que é o porto de Mucuripe,
que fica no centro da cidade, e o porto do Pecém. Portanto, o complexo
portuário que dá condições ao estado e a grande parte do Nordeste de
poder exportar toda a sua produção e importar aquilo que for
necessário. Em relação ao porto do Mucuripe nós já tomamos a
providência mais importante para o porto que é fazer a dragagem, o
edital já está na rua, nós pretendemos nos próximos 30 dias escolher a
empresa que vai fazer o serviço de dragagem no porto do Mucuripe. É um
investimento de R$ 40 milhões, o porto vai ficar com uma profundidade
de 14 metros, portanto, com condições de atender com eficiência pelos
próximos 20 anos toda a demanda que hoje é destinada ao porto do
Mucuripe.
Além disso, estamos desenvolvendo, em parceria com o governador Cid
Gomes, a instalação de um pier turístico no porto de Fortaleza, no
porto de Mucuripe, o que vai permitir ao estado ter condições de
receber o fluxo de turistas que aumenta a cada ano, dotando, portanto,
a cidade de Fortaleza, o estado do Ceará, de um equipamento moderno e
importante para o desenvolvimento do turismo, que é uma das principais
fontes de renda do estado. E temos ali do lado, a cerca de 60
quilômetros de Fortaleza, o porto de Pecém, que tem um calado natural
de 17 metros, sem necessidade de investimentos de dragagem, e que é
hoje um dos portos mais importantes do Brasil.
O governador Cid Gomes está fazendo grandes investimentos na ampliação
do porto, existe já um trabalho de cerca de R$ 400 milhões que vai
ampliar em mais um quilômetro, todo o mole de proteção do porto, vai
construir um novo terminal, um novo cais no porto de Pecém. O porto
está, portanto, se preparando para atender às necessidades da indústria
siderúrgica que vai se instalar ao lado de Pecém, da refinaria que
também a Petrobras vai instalar ao lado de Pecém. E esses equipamentos
vão dar condições ao estado de continuar perseguindo objetivo maior do
governador Cid Gomes de gerar empregos de gerar renda e principalmente
dar ao estado, condições de desenvolvimento rápido, acompanhando o que
está acontecendo no Brasil como um todo.
RÁDIO TUPI-RIO DE JANEIRO (RJ)/ANA RODRIGUES: A gente agradece a
atenção, principalmente com relação à situação aqui do Rio de Janeiro,
nós temos hoje no porto do Rio um grande movimento. Além da
movimentação normal dos portos de transatlânticos de luxo, o porto do
Rio está sofrendo uma série de obras inclusive para ampliação e
modernização do porto para os serviços turísticos. Quais são os
projetos para se modernizar o porto nesse sentido, já que os
transatlânticos eles próprios já têm sido uma atração turística para a
cidade, não só os turistas que vêem neles, como a própria presença
deles na cidade do Rio de Janeiro.
MINISTRO: O Rio de Janeiro é de fato uma cidade e uma localização
privilegiada por Deus, pela natureza, e isso se revela também em
relação aos portos. O estado do Rio hoje tem vários portos importantes,
além do próprio porto do Rio de Janeiro tem o porto de Itaguaí, ao do
lado em Sepetiba, que é um porto que cresce rapidamente com
investimentos privados. Nós estamos examinando agora no momento onze
novos projetos para o porto de Itaguaí, oito projetos na área de
mineração, talvez nem todos possam ali se instalar porque não há espaço
para todo mundo e isso é importante porque mostra o interesse da
iniciativa privada em relação ao porto de Itaguaí, no Rio de Janeiro.
Existem dois projetos para a industria naval, e um novo terminal de
graneis que acompanha Docas, no Rio de Janeiro, está promovendo
brevemente a licitação.
Além disso, existe o porto de Angra dos Reis, o porto de Niterói, o
porto do Forno, além de projetos de portos privativos, que são
importantes para formar esse conjunto de portos do estado do Rio de
Janeiro. E como nós sabemos, o governo federal juntamente com o governo
do estado, está melhorando os acessos terrestres que dão viabilidade,
que dão competitividade a esses portos. O anel viário que está sendo
construído vai dar toda condição de acessibilidade ao porto de Itaguaí,
no Rio de Janeiro, e melhores condições de operação. Especificamente em
relação a sua questão do terminal de passageiros, nós estamos com um
grande programa de expansão do Pier Mauá. Não sei se você teve condição
de recentemente visitar o Pier Mauá, no Rio de Janeiro, mas nós já
reformamos com a empresa que é concessionária desse terminal turístico
os dois primeiros armazéns - armazém 1 e 2 - mantendo toda a estrutura
arquitetônica da época desses antigos armazéns, e modernizando a área
receptiva dos turistas.
Isso vai dar ao Rio de Janeiro não só agora, mas por ocasião da Copa do
Mundo, e certamente também por ocasião dos Jogos Olímpicos, que nós
estamos torcendo para que o Rio de Janeiro ganhe essa parada, nós
estaremos com toda estrutura do porto do Rio preparada, em condições de
competitividade com qualquer país do mundo para dar ao turista essa
condição de ele apreciar melhor a beleza do Rio de Janeiro. E por isso
é que nós estamos cuidando dessa estrutura juntamente com a empresa
concessionária do Pier Mauá.
RÁDIO LIBERAL – BELÉM (PA)/CELSO FREIRE: Nós temos aqui, ministro, as
eclusas de Tucuruí, que devem ser inauguradas no segundo semestre, e
com isso deve haver uma maior navegabilidade aqui pelos rios do nosso
estado do Pará, e aumentando também a extensão de vários portos como é
o caso do município de Barcarena, o porto de Barcarena, que está em
expansão, o senhor tem informações sobre as eclusas de Tucuruí, sobre
esse porto de Barcarena que está sendo feito, informações a respeito,
ministro.
MINISTRO: Eu tenho não só informações, mas com precisão tudo que nós
estamos desenvolvendo no estado do Pará. Além de Vila do Conde, nós
estamos também fazendo os investimentos necessários para Barcarena e
para Santarém. Santarém é um porto que hoje, mesmo sem todas as
condições, já é uma grande opção para exportação de soja. Imagine
quando nós tivermos concluído essas condições de acesso, seja
aquaviário, através da construção das eclusas necessárias para que os
rios possam ser usados, seja nos acessos terrestres, que vão permitir
que os portos tenham essa condição de escoar rapidamente as mercadorias
quando chegam ou quando saem dos portos. Nós temos que ver também que
essa eclusa vai beneficiar diretamente o porto de IItaqui, no Maranhão.
Com a conclusão também da ferrovia Norte-Sul, um complexo logístico que
está se formando no Norte do Brasil, atendendo o estado do Pará e o
estado do Maranhão. Por que, o porto, para funcionar, depende desse
conjunto de logística. Além do próprio porto ter os investimentos na
dragagem, os investimentos na modernização dos equipamentos, há que se
construir toda essa logística de acesso terrestre e de acesso
aquaviário. Então, por exemplo, nós estamos falando dos portos do Pará
e dos portos da Maranhão, que serão amplamente beneficiados, a partir
da conclusão da ferrovia Norte-Sul e das eclusas de Tucuruí. Vamos ter,
portanto um modal completo, incluindo ferrovia, hidrovia e porto. E
isso vai possibilitar que grande parte, por exemplo, de toda soja
produzida hoje no oeste baiano, a soja produzida no Maranhão, no Piauí
e principalmente o que é produzido no Centro-Oeste, que tem que
atravessar todo o país, por cerca de dois mil quilômetros de estrada
até chegar a Santos ou Paranaguá, possa ser agora exportado de forma
muito mais barata, de forma muito mais competitiva, pelos portos do
Pará e de IItaqui.
Portanto, são investimentos importantes que já estão em curso. Eu
considero que este ano de 2009 é um marco decisivo, que vai separar o
presente e o futuro em relação aos portos brasileiros, por conta de
todos esses investimentos que estão sendo feitos. Só na dragagem, o
Presidente Lula determinou a inclusão no PAC de R$ 1,5 bilhão nos 20
mais importantes portos brasileiros. Então, de fato, 2009 vai separar o
presente e o futuro em relação aos portos brasileiros.
RÁDIO APERIPE - ARACAJU (SE)/ MÁRIO SÉRGIO: Essa desburocratização,
objetivando essa redução do tempo de estadia dos navios nos portos, a
Secretaria pretende com essa otimização destinar recursos que possam
ser tirados dessa otimização, não só para os portos como também - aí eu
faço a pergunta - para otimizar dragagem, limpeza de rios que não
estejam no curso dos portos brasileiros?
MINISTRO: Essa providência da desburocratização tem como principal
objetivo reduzir custos. Além de reduzir custos diretamente do próprio
governo, na medida em que a atuação dos órgãos, sendo mais eficiente,
vai reduzir a necessidade de tempo das equipes e das pessoas envolvidas
nesse processo de fiscalização das cargas na hora do embarque, na hora
do desembarque, vai reduzir custos também para os operadores, para os
armadores. Por que nós sabemos que o navio parado no porto gera um
custo importante para os armadores e para todo o sistema. Na medida em
que sistemas mais eficientes de fiscalização, de atendimento portuário,
determinem que a parada dos navios nos portos brasileiros se reduza,
nós vamos estar, portanto sendo mais competitivos na hora de exportar
os nossos produtos e vamos estar dando mais competitividade também aos
importadores brasileiros.
Naturalmente que essa maior eficiência, que nós estamos buscando, ao
fazer os investimentos na infra-estrutura de dragagem, de reequipamento
portuário, de incentivo à iniciativa privada, de continuar investindo
nos portos brasileiros, essa maior eficiência será certamente ampliada
com essa possibilidade da implantação do Porto sem Papel. Esse sistema
está sendo já desenvolvido. Nós estamos em associação com todos os
órgãos do governo brasileiro, a Anvisa, a Polícia Federal, o Ministério
da Fazenda, a Secretaria da Receita Federal, o Ministério da
Agricultura. Todos os órgãos do governo já estão participando desse
projeto. Nós contratamos o Serpro, que vai fazer o desenvolvimento do
sistema. O nosso prazo, pela complexidade do sistema, é de um ano para
implantar nos portos brasileiros. Nós esperamos, portanto, que até o
final de 2010, esse sistema já esteja implantado e nós, o Brasil como
um todo, a economia brasileira, seja beneficiada por esse processo de
maior racionalidade na operação portuária.
RÁDIO APERIPÊ - ARACAJU (SE)/ MÁRIO SÉRGIO: Após a implantação do
sistema, após todo esse processo de implementação via Serpro, toda essa
complexidade. O projeto tenta visar, pelo menos nesse investimento,
qual tempo de duração para que todo esse projeto seja relativamente
executado e traga para a gente toda essa inovação da drenagem nos
portos?
MINISTRO: A dragagem dos portos, nós já iniciamos. Todos os editais de
dragagem serão lançados até junho deste ano. Nós já lançamos vários
editais de dragagem. Nós lançamos o edital de Rio Grande, cuja obra vai
começar brevemente. Lançamos o edital de Santos; o edital de Itaguaí,
cuja primeira fase já está sendo concluída; o edital de Recife, que vai
começar amanhã, como eu já disse aqui; o edital de Fortaleza, que
dentro de 30 dias a obra também deve começar. Já lançamos o edital de
Aratu e Salvador. Até o final do mês, vamos lançar o edital do Rio de
Janeiro, e assim por diante. De modo que até o final de julho deste
ano, todos os editais dos 20 mais importantes portos brasileiros
estarão lançados, com suas obras sendo iniciadas ou agora - algumas
delas já estão sendo iniciadas agora - ou no máximo, no segundo
semestre do próximo ano. E o prazo de conclusão de todas essas obras é
até o final de 2010. Prazo mais do que suficiente para que estes portos
tenham alcançado esse novo patamar, o que vai mudar em definitivo toda
a lógica de navegação no Brasil.
Se apenas o Porto de Santos fosse dragado, só isso já seria suficiente
para mudar, mas imagine que nós estamos fazendo isso, nos 20 mais
importantes portos brasileiros. Por isso que eu disse que 2009 é um ano
que separa decisivamente, o passado e o futuro dos portos brasileiros.
Nós vamos ter os portos brasileiros, a partir, portanto do próximo ano,
sendo escalado pelos maiores armadores do mundo, com navios que hoje
não escalam nenhum porto latino americano. Os grandes navios que não
podem acessar os portos, por falta de calado virão agora para o Brasil.
O porto de Santos, que é o nosso maior porto, será transformado no que
nós chamamos de 'hub port', que é o grande porto concentrador do
Brasil, do Conesul e da América Latina, de uma maneira geral, por conta
desses investimentos que nós estamos fazendo.
RÁDIO BAND NEWS FM-PORTO ALEGRE (RS)/TÉRSIO SACCOL: Bom dia, Ministro.
Aproveitando pra comentar essa questão do Rio Grande do Sul, o nosso
porto gaúcho. Existem, apesar da crise no Rio Grande do Sul, grandes
projeções de investimentos nos próximos anos, especialmente no setor de
celulose. Um dos entraves para o desenvolvimento do estado é justamente
a questão do calado, de algumas hidrovias aqui do estado, o Guaíba e
também do porto de Rio Grande.
Eu gostaria que senhor detalhasse um pouco mais a questão do Rio Grande
do Sul, e também de Itajaí, que seria um porto bastante utilizado nesta
questão para os próximos anos, em relação a esses investimentos que
estão sendo projetados?
MINISTRO: Bom, Tércio é um prazer falar com você e com seu ouvinte. Eu
posso lhe dizer que em relação ao Porto do Rio Grande, a situação já
está resolvida, uma vez que nós já concluímos o processo de licitação,
a empresa vencedora já foi escolhida. Nós vamos assinar, nos próximos
dias, o contrato para a dragagem do Porto de Rio Grande. Essa obra é
uma obra que vai durar cerca de um ano, até estar totalmente concluída.
Nós vamos, no caso do Rio Grande, não só aumentar a profundidade do
canal - que vai ter 16 metros na parte interna do Porto e 18 metros na
parte externa. Vamos, além de fazer esse aprofundamento, alargar esse
canal, o que vai permitir, quando necessário, o tráfego em mão dupla de
navios, que vai dar certamente, muito mais eficiência operacional ao
porto.
Além disso, essa obra de dragagem é uma obra de R$ 196 milhões que está
incluída no PAC, portanto com recursos garantidos. Temos então, todas
as garantias, até porque a empresa escolhida é um consórcio que envolve
uma empresa internacional, que é uma das maiores empresas do mundo de
dragagem. Isso nos dá uma garantia de que a obra será entregue dentro
do prazo previsto. Além disso, nós estamos concluindo os moles de
proteção do Porto, o que vai dar uma condição maior de segurança e de
operação ao Porto de Rio Grande. Essa obra de conclusão dos moles é uma
obra de R$ 164 milhões. Portanto, nós estamos falando num investimento
de R$ 360 milhões, apenas em duas obras: dragagem e moles de proteção
do Porto de Rio Grande.
Com essas providencias, Tércio, nós estaremos dando ao estado do Rio
Grande do Sul, através do seu porto mais importante que é Rio Grande,
condições operacionais com eficiência absoluta para os próximos 20 a 30
anos. Esse calado, de 16 metros na parte interna e 18 metros na parte
externa desprotegido, por isso é que tem que ter uma profundidade
maior, é uma das melhores profundidades de portos, quando comparada a
qualquer porto do mundo. O Porto de Roterdã, por exemplo, na Holanda,
que é o maior porto da Europa, tem uma profundidade de 15 metros. O
Porto de Hamburgo, que é o maior porto da Alemanha e um dos mais
importantes portos do mundo e também da Europa, tem uma profundidade de
15 metros.
Portanto, quando nós estamos falando nessas condições para o Porto de
Rio de Grande e para outros portos brasileiros, incluindo aí Santos -
que também vai ter sua profundidade ampliada para 15 metros - nós
estamos dando aos nossos portos condições iguais aos maiores portos do
mundo. Você mencionou a questão da necessidade de dragagem em algumas
vias navegáveis, incluindo aí a Lagoa dos Patos, isso é verdade. É como
eu já disse, o porto tem que ter acessos igualmente eficientes, para
que o próprio porto possa operar com grande eficiência. Porque
Rotterdam, na Holanda é o maior porto da Europa? Em primeiro lugar por
uma localização privilegiada. É a porta de entrada do norte Europeu,
mas também por todos os investimentos na interligação modal que o Porto
de Rotterdam tem.
O Porto de Rotterdam, quando recebe uma carga de qualquer parte do
mundo, imediatamente essa carga é distribuída para toda a Europa por um
complexo de ferrovias, hidrovias e de rodovias que dão acessibilidade
ao Porto de Rotterdam. Nós temos ainda essa dificuldade no Brasil. Por
exemplo, o Porto de Santos, que é o nosso maior porto e que no ano
passado encerramos com uma movimentação de 81 milhões de toneladas,
tornando o Porto de Santos o maior porto da América Latina. Somente 15%
desse volume saem, por exemplo, por ferrovias que é o modal mais
barato, mais eficiente e que tem menos interferência com a vida urbana
da própria cidade de São Paulo. O restante, tudo é por rodovia. Veja
só, são 10 mil caminhões diários entrando e saindo de Santos.
Então, essa condição de acessibilidade, em Santos e em outros portos
brasileiros, de fato, precisa ser melhorado, além do próprio Porto,
para que a logística inteira seja mais eficiente. No caso do Rio
Grande, voltando a sua pergunta, Tércio, esses investimentos que estão
sendo feitos garantem ao estado, posição de destaque no sistema
portuário brasileiro.
RÁDIO CLUBE BANDEIRANTES AM - ITAJAÍ (SC)/TÉO CEVEY: Bom, dia ministro.
Duas questões bem básicas, ministro, relacionadas ao Porto de Itajaí e
hoje, quando falamos de Itajaí, também o Porto de Navegantes. Itajaí,
no final do ano passado, foi fortemente atingido pelas enchentes, o que
causou muitos problemas e transtornos para o Porto de Itajaí. Quando se
trata de dragagem, está acontecendo neste momento uma dragagem, mas o
Porto de Itajaí ainda não consegue trabalhar normalmente, está muito
longe disso. Gostaria que o Ministro falasse de duas situações:
primeiro com relação a investimentos para o Porto de Itajaí e
Navegantes, até mesmo para a resolução desses problemas e também a
parte burocrática para chegada desses investimentos.
MINISTRO: Bom Dia, Téo, obrigada pela sua pergunta. Como você muito bem
testemunha, a obra de dragagem de Itajaí já está sendo feita. Você, com
justa razão, menciona que o Porto ainda não tem as condições que tinha,
mas é porque nós temos que ter a necessidade desse tempo mesmo, para
fazer a obra. Isso não é uma coisa instantânea. Como você sabe, o Porto
de Itajaí foi gravemente prejudicado pelo desastre da última enchente
que houve em Itajaí, não só pela destruição completa de dois berços
importantes do Porto de Itajaí.
Ele tinha quatro berços, dois permaneceram operacionais e dois foram
completamente levados pelas águas. Tudo isso provocou um assoreamento
muito forte do canal de acesso, não só ao Proto de Itajaí, mas ao Porto
de Navegantes. Nós tínhamos ali uma profundidade de 11 metros, e depois
do desastre tivemos uma situação de impossibilidade de navegação,
porque alguns trechos tinham apenas 5 metros e outros trechos tinham 15
metros, porque a água cavou buracos em algumas partes do rio, levando
areia para outras partes. A providência imediata e muito rápida tomada
pelo presidente Lula foi dotar de recursos suficientes para a
reconstrução do Porto de Iatajaí.
Como você sabe, o presidente Lula destinou R$ 350 milhões para essa
obra de recuperação do Porto de Iatajaí, que já foi licitada e já
iniciada. A dragagem está sendo feita e nós esperamos que o Porto volte
a ter 11 metros de profundidade, até o final deste mês de março, no
máximo, até a primeira quinzena de abril. Essa é a nossa expectativa.
Isso dará ao Porto de Itajaí, condições de operar, se não na sua
capacidade plena, mas com uma capacidade já importante de operação,
usando os dois berços que permaneceram, mesmo depois das enchentes.
Isso vale também para o outro lado, para o lado de navegantes, onde o
porto em si, não foi afetado pela enchente, mas naturalmente sofre
ainda com a questão do calado.
Hoje, a Marinha já autorizou operações num calado de 9,5 metros de
profundidade, o que dá alguma condições operacional ao Porto, e nós
esperamos que no máximo, até a primeira quinzena de abril, o porto de
Itajaí tenha recuperado a capacidade que ele tinha antes de operar. É
importante mencionar, Téo, que essa dragagem que está sendo feita agora
de emergência, não encerra o nosso trabalho. Na seqüência, daremos
início à dragagem de aprofundamento do Porto de Iatajaí e o nosso
projeto, que nós estamos analisando, inclusive providenciando a licença
ambiental para que se lance essa licitação da dragagem do porto de
forma definitiva. A nossa expectativa é levar a uma profundidade de 14
metros e aí sim, mudando de forma radical a condição de operação do
Porto de Iatajaí.
Agora, essa dragagem de emergência que está sendo feita, ela inclusive
está sendo muito prejudicada pelo forte assoreamento que continua tendo
o canal. Nós sabemos que as chuvas não pararam em Santa Catarina, que o
rio continua trazendo sedimentos de outras partes e parte da areia, que
é retirada no processo diário de dragagem, retorna ao rio pelo forte
assoreamento. O nosso objetivo é retomar inicialmente os 11 metros que
o porto tinha e na seqüência, fazer a licitação para a dragagem de
aprofundamento. Quanto às obras de reconstrução do cais, você está aí e
sabe que as empresas já estão trabalhando na reconstrução dos dois
berços, que será uma obra concluída dentro de seis meses.
RÁDIO EDUCADORA FM - SALVADOR (BA)/MÁRCIA MOREIRA: Bom dia, Luciano.
Bom dia ao ministro. Eu queria fazer duas perguntas ao ministro Pedro
Brito. Uma é com relação aos investimentos que serão feitos aqui no
Porto de Salvador. A gente tem informações de que serão investidos
cerca de R$ 80 milhões neste processo de dragagem. Eu queria saber se
ele confirma esse valor de investimento, e também se a intenção, com
esse Programa Nacional de Dragagem é aumentar o movimento, a capacidade
de operação do Porto de Salvador e também dos demais portos brasileiros.
RESPOSTA: Bom dia, Márcia. De fato, na dragagem nós já estamos
inclusive com o processo de licitação na praça, tanto do Porto de
Salvador, quanto do Porto de Aratu. É um investimento de cerca de R$
100 milhões divididos quase igualmente entre Aratu e Salvador. Nós
vamos aumentar a profundidade desse dois portos para 15 metros, o que
dará a esse complexo portuário de Aratu e Salvador, condições
operacionais suficientes para os próximos 20 anos. Com isso, nós
queremos dar ao estado da Bahia, as condições operacionais que a Bahia
perdeu, ao longo dos últimos 20 anos, porque providências como essas
não foram tomadas no passado.
Certamente que, além disso, além dessa providência específica da
dragagem, o Governo Federal está alocando recursos também para a
acessibilidade terrestre do Porto de Salvador. Nós estamos falando da
via expressa portuária, cujo o edital já foi lançado pelo governo do
Estado com recursos do PAC, para dar ao Porto de Salvador a condição de
poder ser ampliado. Com essa nova profundidade, o Porto de Salvador e o
Porto de Aratu passarão a ser escalados pelos grandes armadores, por
navios maiores e, portanto, ele precisa ter a sua condição de acesso
terrestre melhorada. Por isso é que a via de acesso será construída e
concluída também até o final de 2010.
Além disso, como você sabe, Márcia, toda a operação portuária do Brasil
hoje é feita pela iniciativa privada. Os governos federal, estadual ou
municipal não operam porto. O Governo Federal é o responsável pelos
portos brasileiros, faz toda a gestão, todo o planejamento, mas toda a
operação dos portos brasileiros é um operação privada, como tem que
ser, como exige o mercado, como exige a condição de eficiência que nós
precisamos ter na logística brasileira. Então, toda essa operação é
privada e nós estamos cuidando, portanto, que é papel do governo, fazer
investimentos na infra-estrutura dos acessos aquaviários - e aí nós
estamos falando da dragagem, que já está com o processo de licitação
iniciado na Bahia - e os acessos terrestres.
No caso da expansão de Salvador, será um investimento da iniciativa
privada. O porto de Salvador precisa urgentemente ter a sua capacidade
de movimentação de contêineres ampliada. Nós estamos já em processo
avançado em relação a essa necessidade, com projeto pronto, com licença
ambiental pronta. Esse é um investimento de cerca de R$ 250 milhões,
que será feito pela iniciativa privada, na ampliação da capacidade de
contêineres do Porto de Salvador.Além disso, nós estamos analisando com
o governador Jaques Wagner (PT-BA), em função da ferrovia leste-oeste,
que vai atender a produção de grãos do Centro-Oeste e do oeste baiano e
vai atender às novas produções minerais no estado da Bahia.
Estamos analisando a implantação de um novo porto em Ilhéus-BA, além do
que já existe. Esse novo porto atenderá a essa expansão da atividade
mineral na Bahia, num primeiro momento com um terminal privativo e, ao
lado desse terminal privativo, um porto público para atender
principalmente a demanda de exportação de grãos do oeste baiano.
Portanto, são investimentos importantes no estado da Bahia que nós
estamos tratando de acelerar, para que a Bahia retome essa sua posição
de destaque, em termos de logística portuária.
RÁDIO MIRANTE DE SÃO LUÍS (MA)/ROBERTO FERNANDES: Bom dia, ministro.
Aqui há a informação de que um assoreamento no aterro do Bacanga, no
centro da cidade feita há alguns anos atrás, começa a interferir
negativamente nos canais que dão acesso ao Porto de IItaqui. Essas
ações do Ministério também atenderão ao Porto de IItaqui, em São Luís?
REPOSTA: Bom dia, Roberto Fernandes. Claro que sim. O Porto de IItaqui
hoje, é um dos mais importantes do Brasil. Além do porto público, nós
temos o terminal de Ponta da Madeira, que é um terminal privativo da
Companhia Vale do Rio Doce, que é um dos terminais mais eficientes do
mundo. E o Porto de Itaquí está recebendo também do Governo Federal,
todos os investimentos necessários na sua modernização. Estamos fazendo
a dragagem, estamos construindo novos terminais e, inclusive, fazendo a
licitação para novos terminais de graneis, que vão dar ao Porto de
IItaqui condição de operar diante da logística nova, que está sendo
criada, a partir da ferrovia norte-sul, da navegabilidade do Rio
Tocantins, com a conclusão das reclusas de Tucuruí.
Então o Porto de IItaqui está sendo preparado para este novo momento. O
Porto de IItaqui que já é hoje um dos mais importantes portos do
Brasil, com essas providências, se tornará um dos maiores, porque se
você considerar essa nova logística ferroviária e hidroviária, com
acesso direto ao Porto de IItaqui, nós vamos dar ao Porto de Itaqui,
condição de substituir em grande parte aquilo que hoje é exportado
através de Paranaguá e de Santos. Portanto, a nossa atenção em relação
ao Porto de Itaqui é muito maior hoje do que era antes e nós
consideramos como de fato é, o Porto de Itaqui, não um porto apenas do
estado do Maranhão, mas um porto da maior relevância para o Brasil, por
essas condições objetivas que o porto tem, inclusive com o calado
natural, sem necessidade de dragagem da ordem de 17 metros.
RÁDIO UNIVERSIDADE FM - RIO GRANDE (RS)/ FRANCO MAGROKY: Essa crise
pode inibir os investimentos no setor portuário especificamente aqui,
na nossa região, que está sendo implementado um pólo Naval, o maior
dique seco do país?
MINISTRO: Não há nenhuma possibilidade de retração nos investimentos do
setor portuário, tanto por parte do Governo Federal, quanto por parte
da iniciativa privada. Digo isso com todas as informações objetivas que
eu tenho sobre o assunto. Por parte do Governo Federal, todo programa
de investimentos no setor portuário está mantido. Nós estamos falando
de um programa nacional de dragagem, que envolve recursos de mais de R$
1,5 bilhão para a dragagem dos 20 mais importantes portos brasileiros,
incluindo, como já falei, o Porto de Rio Grande.
Estamos falando de mais R$ 2,5 bilhões na recuperação e na
infraestrutura de vários portos brasileiros. Por exemplo, no porto de
Rio Grande, nós vamos lançar ainda esse semestre a licitação de mais um
novo cais de 1.125 metros no Porto de Rio Grande e além desse
investimento, nós estamos investindo em Itaqui, estamos investindo em
Santos, estamos investindo no Mucuripe, estamos investindo em Recife.
Então, todo o programa de investimento no setor portuário no Governo
Federal está sendo mantido sem nenhuma restrição. Isso sem falar nos
investimentos de acesso terrestre que estão no Ministério dos
Transportes. É o caso, por exemplo, do Rodoanel em São Paulo, do anel
viário do estado do Rio de Janeiro, dos investimentos em ferrovias, dos
investimentos em telecomunicações, dos investimentos em energia. Além
dos investimentos diretamente relacionados aos portos, todos os
investimentos de acesso estão sendo mantidos.
Portanto não há absolutamente nenhuma retração. Do lado privado, eu
tenho observado a mesma disposição do setor privado de manter o seu
programa de investimentos nos portos. Eu falei, por exemplo, do caso do
Rio de Janeiro, onde 11 projetos disputam espaço no porto de Iataguaí,
em Cepetiba, para novos investimentos. Somente na área mineral são oito
projetos apresentados para que se analise. Nós tivemos inclusive agora
recentemente um grupo de trabalho no estado do Rio, que dos oito
projetos, resolveu tirar três, só esses três que foram tirados,
representam um investimento de R$ 5 bilhões.
Há de fato um interesse mantido nesses investimentos. No caso, por
exemplo, de Santos, além de investimentos do Governo Federal de R$ 800
milhões até 2010, na dragagem, no reforço de sete quilômetros de cais,
no reequipamento do porto, existem três grandes projetos, três novos
projetos de terminais de contêineres, que envolvem recursos de R$ 3
bilhões até 2010. Portanto, todos os investimentos estão sendo
mantidos. E eu estou falando de grande grupos que operam porto no
mundo. Esses terminais de Santos - tem um terminal que inclusive já
está com investimento sendo executado e dois novos terminais de
contêineres que estão sendo também, com a sua programação de
investimento lançada agora nesse ano.
Portanto, os investimentos estão sendo mantidos, não há nenhum risco e
isso é muito natural, porque, quando falamos em investimento em porto,
nós estamos pensando nos próximos 30, 50 anos. Então, não é uma crise
por mais grave que seja, e certamente passageira, que vai alterar essa
programação de investimentos de longo prazo.
RÁDIO AMÉRICA AM - VITÓRIA (ES) / BRUNELLA MARINS: Pergunta: Um dos
grandes problemas do porto de Vitória, que atrapalha a navegabilidade,
é a poluição. Além do Programa Nacional de Dragagem, há algum projeto
de despoluição da Bahia de Vitória?
MINISTRO: Você toca num dos pontos mais importantes, não só pra
Vitória, mas para várias partes do Brasil. O caso da Bahia de Guanabara
também é um caso que poderia ser colocado nesse mesmo questionamento
importante que você está fazendo. Claro que o Governo Federal tem,
através do Ministério das Cidades e em alguns casos através do
Ministério da Integração Nacional, esse programa de investimento de
saneamento. Não é um programa que esteja afeto diretamente ao
Ministério dos Portos, mas é um programa que nós acompanhamos com
atenção, com interesse, porque ele diz respeito a uma necessidade do
país.
Certamente que eu tenho interesse de acompanhar o que está sendo feito
em relação a Vitória porque é algo importante para o estado e para a
cidade de Vitória. Nós precisamos ter portos eficientes, mas certamente
dentro das melhores condições ambientais que nós podemos ter. A
responsabilidade ambiental é algo que é gravemente perseguido no
governo do presidente Lula e, portanto é nossa responsabilidade.
APRESENTADOR LUCIANO SEIXAS: Nós queremos saber do recurso, o dinheiro
do PAC está garantido para a execução de todas as obras previstas
nesses 20 principais portos do País?
MINISTRO: O dinheiro do PAC está garantido. As obras estão em processo.
Nós temos vários editais que já foram lançados. Algumas obras que já
estão sendo executadas. Nós temos o caso do Porto de Itaguaí, a sua
primeira fase que já foi inclusive concluída a dragagem. O Porto de
Recife, cuja obra começa efetivamente amanhã. As obras emergenciais da
dragagem de Itajaí e Paranaguá, que estão sendo realizadas. O contrato
do Porto de Rio Grande, que nós vamos assinar na próxima semana.
Estamos em processo de escolha da empresa que vai fazer a dragagem do
porto de Santos. Os editais de Aratú, de Salvador, de Fortaleza já
foram lançados e estão no processo também de escolha. Vamos lançar até
o final do mês o edital do Rio de Janeiro, o edital da segunda fase de
Itaguaí e na sequência, os editais de aprofundamento de Paranaguá, de
Itajaí, de Vitória no Espírito Santo, de São Francisco do Sul, em Santa
Catarina.
Enfim, nós iremos lançar todos os editais até o final de junho deste
ano. Todas as obras irão ser concluídas até o próximo ano e como eu
disse: este ano de 2009 será a separação entre o presente e o futuro
dos portos brasileiros. Nós iremos dar condição para que sejam
escalados para os portos brasileiros os maiores navios do mundo, que
hoje não tem acesso a nenhum porto latino-americano por força dessa
falta de profundidade dos portos. Além disso, nós procuramos estimular
a iniciativa privada a continuar investindo nos portos brasileiros,
porque todos os portos são operados pela iniciativa privada. Muito
obrigado.
APRESENTADOR LUCIANO SEIXAS: Muito obrigado ministro. Nós estamos
encerrando neste momento o programa Bom Dia Ministro, transmitido pela
EBC Serviços, hoje, com o ministro da Secretaria Especial de Portos,
Pedro Brito.
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