Arquivos: 14/10/2011 - Transcrição
APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Olá, amigos em todo o Brasil. Eu sou Kátia Sartório e começa agora mais uma edição do programa Bom Dia, Ministro. O programa tem a coordenação e a produção da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, em parceria com a EBC Serviços. Hoje, aqui, nos estúdios da EBC Serviços, o Ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Aloizio Mercadante. Bom dia, Ministro, seja bem-vindo.
MINISTRO ALOIZIO MERCADANTE: Bom dia, Kátia. Bom dia a todos os ouvintes, todos que nos acompanham nessa manhã.
APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Na pauta do programa de hoje, o Programa Ciência Sem Fronteiras e a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia. O Ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Aloizio Mercadante, já está aqui, no estúdio, pronto para conversar com âncoras de emissoras de rádio de todo o país neste programa que é multimídia; estamos ao vivo, no rádio e na televisão. Ministro, vamos ao Rio de Janeiro, conversar com a Rádio Tupi, do Rio, onde está Ana Rodrigues. Bom dia, Ana.
REPÓRTER ANA RODRIGUES (Rádio Tupi / Rio de Janeiro - RJ): Bom dia, Kátia. Bom dia, Ministro Aloizio Mercadante. Ministro, essa semana, na segunda-feira, nós tivemos uma ventania forte aqui, no Rio de Janeiro, e em dez minutos de chuva a gente registrou um desabamento na zona oeste da cidade, mas, desde cedo, a prefeitura vinha fazendo alertas à população, através da imprensa, dos outros meios de comunicação disponíveis através da internet, com relação aos riscos possíveis com essa ameaça de chuva forte no Rio de Janeiro. Nós gostaríamos de saber no que evoluiu do verão passado para o verão que está se aproximando aí, desse ano, em relação a esses alertas e prevenções de risco no país, em geral, tão sofrido, de Sul até o Nordeste, com relação às chuvas fortes.
MINISTRO ALOIZIO MERCADANTE: Ana, eu agradeço essa sua pergunta, porque aí a gente pode tratar de dois assuntos. O primeiro, nessa próxima segunda-feira, nós vamos começar a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia. Nós temos mais de 500 cidades no Brasil, mais de 650 instituições, escolas, que estão participando já com atividades pré-programadas, e o tema fundamental deste ano é exatamente as mudanças climáticas, os desastres naturais e a prevenção ao risco. Nós queremos envolver a juventude, especialmente as escolas, as escolas públicas, nesse trabalho de compreender que o clima está se alterando, que os extremos climáticos estão se agravando. Por exemplo, no caso do Brasil, nós não temos aqui tsunami, nós não temos furacão, não temos terremoto, mas são chuvas intensas; 58% dos nossos desastres naturais são inundações; 11% são deslizamentos de terra decorrentes das chuvas fortes. E é exatamente no deslizamento que ocorre o maior número de vítimas, como aconteceu tragicamente, no verão passado, na serra do Rio de Janeiro. Essa semana - e depois eu posso falar um pouco mais de tudo que está programado para a semana -, esse vai ser o tema prioritário: gerar uma consciência de prevenção. O Brasil precisa entender que o clima está mudando, o aquecimento global está intensificando os extremos climáticos e nós precisamos de mais prevenção. O que é que nós fizemos no âmbito do governo e do Ministério? Nós constituímos, no nosso Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação, o Centro Nacional de Alerta e Monitoramento Contra Desastres Naturais. Esse centro, ele está localizado em Cachoeira Paulista; nós estamos, agora mesmo, concluindo um concurso público para selecionar meteorologistas, hidrólogos, especialistas em desastres naturais que vão ficar 24 horas por dia, todos os dias do ano, ali, junto ao CPTEC/Inpe, que já faz um trabalho de previsão do tempo, analisando as imagens dos satélites, as imagens dos radares meteorológicos, as informações dos hidrômetros, pluviômetros, que medem as chuvas e os rios, para disparar o alerta para todo o Brasil. Algumas cidades, e aqui eu quero parabenizar a cidade do Rio de Janeiro, já começaram a implantar esse sistema, inclusive com sirenes nas áreas mais críticas. Nós temos cerca de 80 sirenes nos morros e especialmente no Maciço da Tijuca. O Rio de Janeiro fez um levantamento tecnicamente bastante consistente sobre as áreas potenciais de risco de desmoronamento, então o alerta é feito com muita qualidade, porque você sabe exatamente quando pode chover e se há risco de desmoronamento. E é muito importante que a população acompanhe as orientações da Defesa Civil no Brasil todo. O problema é que poucas cidades do Brasil tem esse levantamento. Então nós estamos fazendo uma parceria com o CPRM, com a Comissão (sic) de Pesquisa e Recursos Minerais, que vai fazer levantamento... Nós temos poucos geólogos especializados, no Brasil, nesse trabalho, e, além disso, nós temos que mobilizar cada vez mais a Defesa Civil. Então, daqui para o verão, é muito importante estar atento. O nosso centro nacional vai fazer o alerta, vai orientar os meios de comunicação, vai orientar a Defesa Civil e eu termino dando o exemplo do que nós fizemos em Santa Catarina. Este ano choveu, em Santa Catarina, um volume semelhante a 2008; 900 mil pessoas foram atingidas pelas chuvas. Nós desalojamos 200 mil pessoas através da Defesa Civil do governo de Santa Catarina, que trabalhou com grande competência, e dos municípios. Duzentas mil pessoas foram desalojadas. A nossa previsão de chuvas foi exatamente o que aconteceu. O início, o desdobramento e a dissipação da frente que estava sob Santa Catarina. Desta vez, só três pessoas faleceram. Em 2008, 197 pessoas faleceram. E os três que faleceram, ninguém foi diretamente associado às inundações; foi um senhor que subiu no telhado e desmoronou e outros dois que bateram o remo num fio de alta-tensão, porque o rio estava 13 metros acima do seu nível e foi um acidente ligado à inundação, mas não diretamente associado propriamente à inundação. Foi uma fatalidade. Então, o alerta, ele funciona, principalmente para a inundação. Para desmoronamento, nós temos muito pouco tempo para tirar as pessoas. Então o Brasil precisa ficar atento e essa semana, nós vamos dedicar à mudança do clima, desastres naturais e prevenção ao risco, construir essa consciência em todo o Brasil.
APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Ana Rodrigues, você tem outra pergunta?
REPÓRTER ANA RODRIGUES (Rádio Tupi / Rio de Janeiro - RJ): Sim. Nós gostaríamos de saber, também, do Ministro sobre o Programa Ciência Sem Fronteiras, que prevê a disponibilização de 75 mil bolsas de graduação e pós-graduação no exterior, até 2014. Além desse reforço na inovação tecnológica, esse esforço do Brasil para atrair também pesquisadores do exterior que queiram se fixar no Brasil, quais as outras iniciativas que nós podemos observar, através do Ministério da Ciência e Tecnologia, na evolução principalmente dos recursos de comunicação e, também, de tecnologia da informação, Ministro?
MINISTRO ALOIZIO MERCADANTE: Olha, Ana, a presidenta Dilma tem dado grande atenção e muito empenho de toda a nossa equipe na implantação - e do MEC -, na implantação desse Programa Ciência Sem Fronteiras. A meta do governo são 75 mil bolsas de estudo para o exterior. Os melhores alunos do Brasil nas melhores universidades do mundo, especialmente nas áreas de engenharia, nas áreas tecnológicas e nas áreas das ciências básicas. A Capes e o CNPq manterão as suas bolsas para as outras áreas, como, por exemplo, ciências humanas. Mas o foco é a nossa maior deficiência, que são as engenharias, as áreas tecnológicas e as áreas de ciência básica, que é física, química, biologia e matemática. Nós estamos fazendo convênios com as melhores universidades do mundo, nós já temos uma pré-seleção de 4 mil estudantes, cerca de 4 mil estudantes na Capes e 4 mil estudantes no CNPq, que já se inscreveram para o programa; são os alunos que tiraram mais de 600 pontos no ENEM, que são os alunos elegíveis, os alunos que ganharam... que ganharam medalha nas olimpíadas da matemática ou da ciência e, também, os alunos que participam dos programas de iniciação científica das instituições de pesquisa. Então, esses alunos são o público fundamental da graduação. A nossa meta são 27 mil alunos de graduação. Nós daremos um grande salto em 2012. Estamos com um grande foco nos Estados Unidos, que tem um ranking de grandes universidades, como MIT, Harvard, Stanford, grandes universidades internacionais, e na Europa, na França, na Alemanha e na Inglaterra, que são as nossas prioridades. Agora, há um grande interesse do mundo nesse programa, a gente tem recebido visita de vários ministros, autoridades, buscando parcerias com o Brasil. Também no doutorado, há um foco muito grande no doutorado, nessas áreas estratégicas, e no pós-doutorado. E o outro lado é que nós queremos atrair jovens talentos para virem para o Brasil; brasileiros que estão no exterior e querem voltar. Tem muita gente qualificada, pesquisadores, que hoje querem voltar para o Brasil. A situação na Europa não está nada fácil, nem nos Estados Unidos e nem no Japão, e o Brasil está investindo mais em pesquisa e desenvolvimento; são 860 vagas. Nós vamos fazer editais internacionais. E também pesquisadores de alto nível, nós temos 380 vagas. Nós já temos, inclusive, acordo com professores a nível de Prêmio Nobel que, durante três anos, farão pesquisa no Brasil, num acordo com o Ciência Sem Fronteiras. É por tempo determinado, em áreas que eles são especialistas, associado às instituições de excelência do Brasil. Então é um programa que realmente dará um salto extraordinário na formação de pesquisadores, de uma inteligência estratégica do Brasil e, seguramente, é um dos programas que eu acho que terá mais impacto na formação de recursos humanos para pesquisa, para ciência, para inovação do país. É um programa de grande ousadia da presidenta Dilma e de grande impacto, eu diria, no futuro da ciência e da pesquisa no país.
APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Este é o programa Bom Dia, Ministro. Eu sou Kátia Sartório. Estamos hoje com o Ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Aloizio Mercadante. Ele conversa com âncoras de emissoras de rádio de todo o país, neste programa que é multimídia - estamos ao vivo no rádio e na televisão. Lembrando às emissoras de rádio que o nosso sinal está no satélite, no mesmo canal da Voz do Brasil. Ministro, vamos, agora, a São Paulo, capital, à Rádio Capital AM, de São Paulo, conversar com Cid Barboza. Cid, bom dia. Cid Barboza? Daqui a pouco, a gente tenta falar com o Cid Barboza, da Rádio Capital AM, de São Paulo. Vamos, então, a Curitiba, conversar com a Rádio Banda B, de Curitiba, onde está Denise Mello. Bom dia, Denise.
REPÓRTER DENISE MELLO (Rádio Banda B / Curitiba - PR): Bom dia, Kátia. Bom dia, Ministro. Ministro, eu gostaria que o senhor explicasse um pouquinho melhor esse processo de seleção para o programa Ciência Sem Fronteiras, não é? Qual vai ser o critério para a participação, conseguir essas bolsas?
MINISTRO ALOIZIO MERCADANTE: Olha, Denise, quem quiser ter informações detalhadas pode entrar no site, no portal do CNPq, lá tem Ciência Sem Fronteiras, está, detalhadamente, ou da Capes, explicado quais são os critérios. Para a graduação, os alunos que têm direito a pleitear este programa são os alunos que tiraram mais de 600 pontos no Enem. E tem alunos, em todos os estados do Brasil, nessas condições. Uma parte deles são alunos do Prouni, outros estão... entraram através de vestibular, mas são alunos que se classificaram nesse patamar. Além disso, são elegíveis os alunos que receberam medalha nas Olimpíadas da Matemática e da Ciência. E o terceiro grupo são os alunos que estão nos programas de iniciação científica do CNPq, que tem um programa bastante amplo, e algumas outras instituições, fundações de amparo à pesquisa. Além disso, os alunos têm que ter cursado mais de 40% do curso e menos de 80%. Ou seja, são os alunos que estão no meio do curso. Eles ficarão um ano no exterior. A ideia são nove meses no curso, três meses em estágio, em empresa, quando for possível. Nós estamos também estudando, em função do processo de seleção que está se iniciando, a possibilidade de ampliar o prazo para os alunos que não tenham o domínio da língua, para que eles fiquem, no primeiro semestre, estudando a língua, para, depois, fazer o estágio. Nós... Na fase inicial, esses encaminhamentos foram feitos através desses editais, mas em parceria com as universidades, que começaram a fazer o processo de seleção dentro da universidade, entre os alunos que se inscreveram. Mas, para o ano que vem, será um concurso público, nacional, divulgado de forma ampla, e os alunos todos que estão nessas condições poderão disputar e concorrer às vagas que vão ser oferecidas, porque nós vamos saber exatamente quantas vagas nós temos em cada universidade. E a partir daí, nós vamos poder fazer uma seleção dirigida aos Estados Unidos, à França, à Alemanha. Hoje, nós temos interesse da Suíça, da Índia, da China, da Coréia. Quer dizer, há outros países, também, que já se manifestaram. Há uma preferência para os cursos onde há inglês, em alguns casos espanhol, francês, onde nós temos mais domínio. Os alunos, por exemplo, que dominam uma língua específica, como o caso do alemão, ou outras línguas, o russo, vão ter mais chances, inclusive, porque a oferta de vagas é maior. Nem todas as universidades, no exterior, o curso é em inglês. Mas nós estamos dando grande ênfase, para o ano que vem, nós termos um programa muito agressivo e faremos uma seleção já preestabelecida, quais são as universidades, quais são as vagas. O aluno disputa e depois escolhe para onde ele quer ir.
APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Você tem outra pergunta, Denise?
REPÓRTER DENISE MELLO (Rádio Banda B / Curitiba - PR): Ministro, eu gostaria de voltar um pouco na questão das mudanças climáticas. A gente sabe... Por exemplo, aqui, no Paraná, tem uma carência muito grande com relação ao mapeamento de áreas de risco. Um levantamento prévio mostrou que menos de 20% dessas áreas de risco estão mapeadas aqui. Ou seja, aqui, na região metropolitana, por exemplo, em Almirante Tamandaré, é uma cidade de bastantes morros, e muitas famílias, ali, e essas áreas não estão mapeadas. De que forma que o senhor acredita que essa Semana Nacional de Ciência e Tecnologia, essas estratégias, o debate sobre as estratégias e essas maneiras de enfrentar as mudanças climáticas podem contribuir, com relação a este mapeamento, Ministro?
MINISTRO ALOIZIO MERCADANTE: Olha, esse é o grande desafio. Eu diria, é a maior barreira para a gente ter um sistema completo de prevenção. De fato, poucas cidades têm um levantamento de qualidade em relação ao risco de desmoronamento. Como nós tivemos um crescimento urbano desordenado, muitas vezes sem a devida cautela, as populações ocuparam áreas íngremes, áreas que estão... terrenos que são inconsistentes, que estão sujeitos, a partir de um certo volume de chuvas, ao desmoronamento. É por isso que nós temos tido tantas vítimas com as chuvas, no Brasil. Então, é preciso um reordenamento urbano, mas o que nós precisamos, no nosso sistema de alerta, é saber qual é a qualidade do terreno, para a gente estimar quanto de chuva pode levar ao desmoronamento, para que a gente faça um alerta bem preciso. Sem essa informação, o máximo que nós podemos fazer: “Olha, vai chover muito na sua região, é muito intenso, nós estamos preocupados”, mas sem um critério científico mais rigoroso. Esse nosso centro de monitoramento, nós temos lá um supercomputador, que é o Tupã, é um dos maiores computadores do mundo, na área de clima, que faz todo o modelo matemático, para a gente poder cruzar essas informações entre o volume de... As informações dos radares... Inclusive, quero, aqui, agradecer publicamente o governador do Paraná, José Richa, que disponibilizou o radar estadual, todos os governadores fizeram isso, para montar essa rede, a Aeronáutica, e todos os radares, todas as imagens de satélites, todos os pluviômetros... Nós estamos ampliando a rede de pluviômetros, para captar a chuva efetiva que caiu em cada local e para a gente poder ir implantando um sistema de mais qualidade. Vários países que não tinham sistema de alerta também estão iniciando este ano, como é o caso da Índia. Nós estivemos, na reunião dos Brics, eu estive, com a presidenta Dilma, e ainda está se debruçando esse tema. A China está melhorando as suas estruturas, a Rússia também. Enfim, vários países sabem que este é um processo que exige novas atitudes e uma cultura de prevenção. O Brasil, como nós temos uma natureza exuberante, um clima muito agradável, nós nunca tivemos tragédias... É só olhar, por exemplo, países como o Japão, que estão tendo tsunami, terremoto, estão em cima de uma placa tectônica, eles têm muito mais cultura de prevenção. Nós precisamos criar essa cultura, e as cidades e os governos do estado precisam participar desse esforço, ajudando a levantar as áreas de risco, mapear qual é a população exposta. Por exemplo, as que estão em área de extremo risco, que, às vezes, é mais fácil a gente remover, com o Programa Minha Casa, Minha Vida, e ter uma orientação do plano-diretor. Mas é muito importante esse levantamento. O governo federal vai fazer a sua parte, através do CPRM. Mas o Brasil está muito atrasado. E o mais grave: os nossos geólogos, hoje, estão sendo contratados pela área de petróleo e gás, que o pré-sal está contratando muitos geólogos. Outros estão na área de mineração, que está muito aquecido o mercado, como é o caso de empresas como a Vale e toda a área de minerária. E poucos geólogos estão nessa área, treinados para esse tipo de serviço, que são, basicamente, servidores públicos, como é o caso do CPRM. Inclusive, nós estamos oferecendo algumas bolsas do nosso programa Ciência Sem Fronteiras para a formação de geólogos nessa área, que é uma área bastante crítica. Então, de fato, você tem toda a razão: o levantamento, mapeamento de área de risco é muito deficitário no Brasil, são poucos municípios, e isso prejudica a qualidade do sistema de alerta.
APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Este é o programa Bom Dia, Ministro. O nosso convidado de hoje, o Ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Aloizio Mercadante. Ele conversa com emissoras de rádio de todo o país, neste programa que é coordenado e produzido pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, em parceria com a EBC Serviços. Ministro, agora, sim, vamos conversar com a Rádio Capital AM, de São Paulo. Cid Barboza, bom dia. Está nos ouvindo?
REPÓRTER CID BARBOZA (Rádio Capital AM / São Paulo - SP): Muito bom-dia, Kátia. Muito bom-dia, Ministro Aloizio Mercadante. Ministro, qual é o orçamento do programa Ciência Sem Fronteiras, esse programa ambicioso, de concessão de 75 mil bolsas de graduação e pós-graduação no exterior, até 2014?
MINISTRO ALOIZIO MERCADANTE: Cid, o orçamento é um orçamento ambicioso para o tamanho do programa. O orçamento do governo federal são R$ 3,2 bilhões destinados ao programa, fora os recursos que a Capes e o CNPq já tinham para a bolsa de estudos. Além disso, nós estamos trabalhando intensamente, a presidenta tem conversado com várias lideranças empresariais, para que as empresas cheguem a cem mil bolsas, ou seja, que 25 mil bolsas sejam ofertadas pelas empresas. Nós estamos muito próximos de atingir esse nível. Várias instituições, a CNI, a Febraban, a Fenabrave, a Petrobras, a Vale e outras empresas importantes, inclusive empresas internacionais, como a Portugal Telecom, a British Gas, estão entrando fortemente no programa, oferecendo bolsas, ajudando a pagar as taxas no exterior, oferecendo estágios remunerados para os alunos. Então, nós vamos divulgar, no momento oportuno, tudo que nós alcançamos, também, com participação da iniciativa privada. Agora, eu diria que isso é investimento no futuro. O Brasil já é hoje a sétima economia do mundo. Nós somos o quarto país com mais reservas cambiais, nesse momento de crise internacional. O Brasil tem uma dívida pública de 39% do PIB. A dívida líquida, não é? A relação entre dívida e produção. Você imagina, por exemplo, os Estados Unidos que têm uma dívida de 100% do PIB. A Europa tem uma dívida de mais de 80% do PIB. Tem países como a Grécia, que vive essa tragédia, mais de 170%; o Japão, 223%. Então, o Brasil está muito bem-posicionado na agricultura, na mineração, no setor de gás e petróleo. Nós precisamos avançar em direção à sociedade do conhecimento. Nós precisamos olhar para o setor da economia portador de futuro, que é a tecnologia da informação, que é a biotecnologia, que são as energias renováveis e limpas, que é o complexo industrial da saúde, medicamentos, fármacos, equipamentos. E essa formação dessa inteligência nacional, de internacionalizar a pesquisa, a ciência brasileira, vai ajudar o Brasil a se preparar para a economia do conhecimento e para uma economia verde e sustentável, que são os desafios do futuro. E é este o papel do nosso Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação.
APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Cid Barboza, você tem outra pergunta?
REPÓRTER CID BARBOZA (Rádio Capital AM / São Paulo - SP): Pelo que foi dito, então, Ministro, nós podemos entender que a política governamental para essa área de Ciência, Tecnologia e Educação ainda considera esse tipo de ensino, no Brasil, bastante... Ou, podemos dizer, deficitário?
MINISTRO ALOIZIO MERCADANTE: Não, Cid. Eu acho que o Brasil tem excelentes universidades, universidades de qualidade, universidades reconhecidas internacionalmente, grandes institutos de pesquisa. Você pega, por exemplo, o Impa, que é do nosso Ministério, o Instituto de Matemática Pura e Aplicada, é o quinto centro de matemática do mundo. O Inpe, na área de pesquisas espaciais, é o trigésimo quinto instituto de pesquisa ranqueado internacionalmente. A Embrapa está entre os 50 melhores institutos de pesquisa do mundo. Então, nós temos grandes centros... A USP, a Unicamp, universidades federais. No Rio de Janeiro, a Coppe, por exemplo, na área de gás e petróleo. Hoje é um grande centro de engenharia, de pesquisa, está aí o pré-sal. O Cenpes, da Petrobras. No entanto, a ciência, ela se desenvolve de forma internacional. Por exemplo, os desafios da cardiologia ou da neurociência, na medicina, os médicos estão pesquisando no mundo inteiro. Cada nova pesquisa, você difunde no sistema, você tem que trabalhar em parceria, você tem que estar na ponta, você tem que aprender e trocar com os outros países. O Brasil, hoje, já é o décimo terceiro país, em termos de produção científica que é indexada. É um ranking... Eu acho que tem algumas fragilidades, mas é o ranking disponível. Mas nós precisamos, realmente, investir nessa internacionalização da ciência. A matemática, a física, a química, a biologia, elas são as mesmas no mundo. Então, quanto mais a gente troca, quanto mais a gente investe na formação, mais rápido nós vamos chegar em direção à sociedade do conhecimento.
APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Este é o programa Bom Dia, Ministro. Eu sou Kátia Sartório. Estamos hoje com o Ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Aloizio Mercadante. Ele participa, conversando com âncoras de emissoras de rádio de todo o país, neste programa que é o multimídia - estamos no rádio e na televisão. Ministro, vamos agora a Manaus, conversar com a Rádio Difusora FM, de Manaus, no Amazonas. A pergunta é de Eduardo Silva. Bom dia, Eduardo.
REPÓRTER EDUARDO SILVA (Rádio Difusora FM / Manaus - AM): Bom dia, Kátia, Kátia Sartório. Bom dia, Ministro Aloizio Mercadante. Ouvindo, agora, Ministro, quando o senhor respondia ao colega de São Paulo, dizendo que o Brasil é a sétima economia mundial. Eu penso que, para manter essa economia autossustentável, crescendo sempre, nós precisamos de capital humano. E essa iniciativa do governo federal, das mais elogiadas, 75 mil bolsas de graduação e pós-graduação... Porque nós devemos lembrar o seguinte: que os Estados Unidos fizeram isso, a China fez isso, o Japão, a Coreia fizeram isso, e o Brasil também está fazendo, agora, a formação de capital humano, a captação de inteligência lá fora, trazer o conhecimento de lá, Europa, Estados Unidos, para cá, para o Brasil, ou seja, a formação de capital humano. Nós tínhamos, recentemente, uma campanha, dizendo que o Brasil precisa de engenheiros, não só engenheiro na construção civil, essa coisa toda, mas nós precisamos, como o senhor falava, ainda agora, de matemáticos, de físicos, de químicos, de biólogos, enfim... A indústria aeronáutica, por exemplo... Lá, o pré-sal, essa coisa toda. Nós precisamos, cada vez mais, de capital humano. Eu pergunto: essa iniciativa tem, na realidade, e outros objetivos, de criar a tecnologia, de trazer tecnologia, ao invés de importar tecnologia, produzir tecnologia, porque [ininteligível] nós devemos ter [ininteligível], em relação a outras universidades, entre os cientistas, entre os produtores de tecnologia e a iniciativa privada. Esse programa é um pontapé inicial? A quem ele é destinado?
MINISTRO ALOIZIO MERCADANTE: Olha, ele faz parte de um conjunto mais amplo de iniciativa, Eduardo. Eu concordo integralmente com você. Se nós quisermos continuar avançando no ranking das nações, em termos de crescimento e, principalmente, um crescimento com distribuição de renda, como aconteceu esses anos, que nós tiramos cerca de 40 milhões de pessoas da linha da pobreza – é uma Argentina que nós trouxemos para o mercado de consumo –, o Brasil precisa continuar investindo na educação. Esse é o passaporte do futuro: educação, ciência e tecnologia. O governo fez um esforço muito grande, ampliando a rede de pós-graduação no Brasil todo. Por exemplo, a região Norte do país tinha apenas 19 cursos de doutorado, em 2002. Hoje, tem 40 cursos de doutorado, mais do que nós dobramos o número de cursos, e mais do que isso, em termos de formação de doutores, numa região que ainda tem carência de fixação de profissionais dessa qualificação profissional. Então, além disso, o governo da presidenta Dilma está lançando o Pronatec. São 8 milhões de alunos que nós queremos no ensino técnico profissionalizante. Estamos expandindo as redes dos institutos federais de educação, fazendo uma grande parceria com o Senai, que é uma instituição que tem dado uma grande contribuição no processo de formação, e nós queremos expandir o trabalho de ensino profissionalizante. Mas nós precisamos avançar na pesquisa. Então, o esforço que o Brasil está fazendo é dos esforços mais significativos, e o mundo inteiro tem aplaudido e reconhecido. As revistas especializadas têm dado grande destaque a esse programa, porque, realmente, é uma mudança de atitude. Quando nós estávamos em crise, com recessão, hiperinflação, nós tivemos uma verdadeira diáspora de cérebros do Brasil. Os jovens talentosos iam em busca de trabalho, de pesquisa, de ciência fora do Brasil. Agora, é a hora do Brasil trazer de volta essa geração e preparar a nova geração, com compromisso de pesquisa no Brasil. E, além disso, nós estamos atraindo pesquisadores de alto nível, como eu disse, mesmo a nível de Prêmio Nobel, para vir fazer pesquisa aqui no país. E termino dizendo o seguinte: há 60 anos, o brigadeiro Montenegro foi nos Estados Unidos, na melhor escola de engenharia, ainda é, o MIT, e trouxe o reitor do MIT e sete professores de alto nível, para montar o ITA, em São José dos Campos. E, 60 anos depois, a Embraer é a terceira empresa de aviação do mundo, uma empresa extremamente competitiva, e o Inpe, na área de satélites, é uma instituição... a instituição mais bem-posicionada no ranking internacional de pesquisa. Então, é essa visão que permitiu à Embrapa impulsionar a agricultura, o Cenpes fazer com que a Petrobras descobrisse o pré-sal. É muito importante que a gente entenda que assim é que nós vamos dar um salto extraordinário no desenvolvimento do Brasil: é olhando os centros de excelência, formando uma inteligência, que vai trazer muito investimento, muito desenvolvimento, muito emprego, muita qualidade de vida para o nosso povo.
APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Ministro Aloizio Mercadante, vamos agora a Salvador, na Bahia, conversar com a Rádio Educadora 107,5 FM, onde está Sueli Diniz. Bom dia, Sueli.
REPÓRTER SUELI DINIZ (Rádio Educadora 107,5 FM / Salvador - BA): Bom dia, Kátia. É um prazer estar, mais uma vez, participando.
APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Sueli? Você pode aumentar o seu retorno, por gentileza?
REPÓRTER SUELI DINIZ (Rádio Educadora 107,5 FM / Salvador - BA): Ok. Bom dia, Kátia. Bom dia ao Sr. Ministro Aloizio Mercadante.
APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Bom dia.
REPÓRTER SUELI DINIZ (Rádio Educadora 107,5 FM / Salvador - BA): A todos que estão participando desse programa. É uma honra para a Rádio Educadora estar, também, nesta manhã, conversando com vocês, no Bom Dia, Ministro. Ministro, as oportunidades de crescimento e especialização profissional estão sendo ofertadas para os estudantes que entram agora no mercado de trabalho. Como estender, então, essa promoção para aqueles profissionais mais experientes, que não puderam expandir seus conhecimentos, na época oportuna?
MINISTRO ALOIZIO MERCADANTE: Olha, nós estamos, hoje, Sueli, com um mercado de trabalho no nível que é, tecnicamente, considerado como próximo ao pleno emprego. Quer dizer, uma taxa de desemprego de 6,5% é uma taxa de desemprego muito baixa. Você olha um país, por exemplo, como a Espanha, tem uma taxa de desemprego, hoje, da ordem de 20%, para você comparar a situação que outras economias vivem. As principais economias do mundo, hoje, atravessam uma taxa de desemprego de mais de nove, dez, 11%. Então, o Brasil, inclusive, em algumas áreas, a situação é de falta de mão de obra, como é o caso das engenharias, por isso esse esforço todo que nós estamos fazendo nas engenharias. A área da construção civil, hoje, em muitos lugares do Brasil falta mão de obra técnica profissional. E esse é o desafio, é a gente continuar crescendo. Esse é um bom problema, não é? O duro é quando você tem mão de obra formada e não tem emprego. Quer dizer, quando começa a faltar... É evidente que é um tema que nós temos que estar atentos, mas nós precisamos estimular a formação. Muitos trabalhadores que estavam fora do mercado de trabalho tiveram a oportunidade de voltar. A Bahia, mesmo, viveu um ciclo importante de industrialização, de crescimento, de avanço no turismo, de modernização que ajuda nessas oportunidades. Agora, nós temos que ter, também, eu reconheço, alguns programas para o trabalhador de mais idade, que foi alijado do mercado de trabalho. Eu acho que isso é muito importante. Eu queria aproveitar, porque sexta-feira que vem eu estarei aí na Bahia, dentro da Semana de Ciência Sem Fronteiras, eu vou a Tocantins; segunda-feira, eu vou estar no Rio de Janeiro; para falar de algumas atividades que eu acho que seria muito interessante vocês darem repercussão. Nós estamos fazendo a semana da ciência e tecnologia para tratar de mudanças climáticas, desastres naturais e prevenção ao risco. Então, segunda-feira, no Rio de Janeiro, eu vou estar com o Prêmio Nobel de Química, o professor Martin Chalfie, lá no Morro do Alemão, e nós vamos iniciar uma coleta da qualidade da água. Nós distribuímos 25 mil kits para analisar a qualidade da água no Brasil. Nós vamos ver o PH da água, a acidez da água, quer dizer, o nível de contaminação da água. E isso vai ser feito em todo o território brasileiro, pelas escolas públicas, através da semana de ciência e tecnologia. Esse levantamento vai para um portal, no Brasil, até o final do ano, e vai para um portal do mundo, porque esse ano é o Ano Internacional da Química, definido pela Onu. Nós queremos... Esse levantamento vai ser feito no mundo inteiro, e, em um único portal, nós vamos ter uma visão de como é que está a água, as fontes de água no planeta. E isso para gerar... O Brasil tem 12% da água doce do mundo, a água potável. Nós somos um país dos mais... Com mais oferta de recursos hídricos, mas, mesmo assim, em alguns centros urbanos, nós estamos deteriorando, muito rapidamente, recursos que são estratégicos. Então, educar para ser mais cauteloso com o uso da água, não desperdiçar a água e, principalmente, não poluir. Ter fossa em casa, ter um programa de rigor de fiscalização dos dejetos que são lançados no meio ambiente, nos elementos que saem da nossa indústria. Então, nós queremos ver o mapa da qualidade da água. Vai ser o mais amplo processo de coleta de informações já feita nessa direção. Então, é uma forma de a gente conscientizar a juventude na educação ambiental também em direção à previsão e à proteção dos mananciais.
APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Este é o programa Bom Dia, Ministro. O nosso convidado de hoje, o Ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Aloizio Mercadante. Ele conversa com âncoras de emissores de rádio de todo o país, neste programa que é multimídia: estamos no rádio e na televisão. Ministro, vamos, agora, a Recife, conversar com a Rádio CBN de Recife, onde está Jofre Melo. Bom dia, Jofre.
REPÓRTER JOFRE MELO (Rádio CBN / Recife - PE): Bom dia, Kátia. Bom dia, Ministro Mercadante. Eu queria perguntar ao senhor, Ministro, acerca dessa questão que vão ser tratadas, aí, na semana de ciência e tecnologia, das mudanças climáticas. Aqui em Pernambuco, a gente vem sendo vítima desse problema, com a questão do avanço do mar, que é muito sério aqui no litoral, não só de Pernambuco, mas de outras cidades do Nordeste, como Maceió, também, por exemplo, e os desastres naturais por conta das enchentes, as chuvas em épocas que não são esperadas. O senhor falou, aí, recentemente, de pesquisas que são feitas na área de petróleo, na Petrobras, enfim, e a gente percebe uma carência nesse setor, para evitar essas catástrofes e também para estudar a questão do avanço do mar, está engatinhando, ainda, por aqui. Existe alguma tendência, alguma sinalização do Ministério para fazer estudos científicos nesses casos, Ministro?
MINISTRO ALOIZIO MERCADANTE: Olha, Jofre, eu acho que esse é um tema, realmente, que está diretamente associado a essa agenda que nós estamos discutindo. De fato, a elevação do nível do mar está agredindo áreas importantes do nosso litoral. Você veja, aí, a cidade de Olinda, por exemplo. Nós temos, aproximadamente, 17 pontos na costa de Pernambuco com esse problema. O governador Eduardo Campos está bastante atento a essa questão. E foi encomendada uma pesquisa com instituições acadêmicas. Esses dados foram encaminhados para uma empresa internacional especializada nesta agenda, e nós estamos buscando, exatamente, a partir desse projeto piloto de Pernambuco, desenvolver um programa mais amplo, no Brasil, para estudar as áreas que estão sendo atingidas e as medidas preventivas que nós possamos tomar, porque esse problema pode atingir patrimônios urbanos importantes do Brasil, comunidades que estão sendo prejudicadas. E esse é mais um problema do aquecimento global, o descongelamento de geleiras no Ártico, da Antártica, e, evidentemente, isso começa a se manifestar na população que vive no litoral. Então, esse é um tema, realmente, importante. Eu quero dizer que está de parabéns o governador Eduardo Campos por estar desenvolvendo esse estudo, essas medidas preventivas. Nós conversamos, já, com ele, estamos trocando as informações para fazer um programa coordenado, nacional e mais amplo. E agradeço a você por essa menção, porque, de fato, esse é um tema diretamente ligado à Semana Nacional de Ciência e Tecnologia. E também aproveito para dizer que, nas chuvas do ano passado, Pernambuco teve uma boa prevenção. Nós tivemos, aí, Pernambuco e Alagoas, chuvas muito intensas, tivemos vítimas. O estado de Alagoas foi muito mais atingido. E Pernambuco soube acompanhar, monitorar e prevenir. E está trabalhando, também, intensamente na integração desse nosso sistema nacional, o nosso Centro Nacional de Alerta e Monitoramento Contra Desastres Naturais, que é o Cemaden.
APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Ministro Aloizio Mercadante, vamos, agora, à Rádio Nacional AM, aqui de Brasília, conversar com Válter Lima. Bom dia, Válter.
REPÓRTER VÁLTER LIMA (Rádio Nacional AM / Brasília - DF): Muito bom dia, Kátia. Muito bom dia, Ministro Aloizio Mercadante. Ministro, o setor privado do nosso país, ele investe nos nossos talentos, talentos da nossa inteligência em ciência e tecnologia, a exemplo do que é feito e vem sendo bastante feito aí pelo Estado brasileiro, ou seja, pelas políticas públicas de governo?
MINISTRO ALOIZIO MERCADANTE: Olha, Válter, as empresas brasileiras, elas investem pouco, quando comparada com as principais economias desenvolvidas, em pesquisa, desenvolvimento e inovação. Se você pegar países como Coreia, Estados Unidos, Japão, Alemanha dois terços do investimento em pesquisa e desenvolvimento vêm da iniciativa privada. No Brasil, menos da metade. Então, nós temos muita coisa a fazer, ainda, no setor privado. As razões são, primeiro, mais de 20 anos de recessão e as empresas com aversão ao risco, e pesquisa e inovação tem risco, não é sempre que você chega aonde você pretende inicialmente, faz parte dessa atividade. E, também, há uma cultura passiva diante da inovação tecnológica, que nós tivemos na nossa história. Você veja, um país como a China foi muito mais ativo. Os chineses exigiam transferência de tecnologia, parceria com as empresas nacionais para qualquer investimento que fosse feito no país. Com isso, eles aprenderam a copiar, copiaram reduzindo custos e, hoje, aprenderam a fazer e querem liderar, já são a segunda economia do mundo. Evidente que o mercado interno da China é um grande diferencial. O Brasil, hoje, é o segundo país que mais atrai investimento externo no mundo, e eu acho que com essa crise que atinge o velho mundo, nós estamos assistindo um certo declínio do velho mundo, Estados Unidos, Europa, Japão, e uma certa emergência do novo mundo, especialmente a Ásia, a China, mas também o Brasil e a América do Sul. Então, nesse momento, as empresas brasileiras começam, realmente, a despertar para a necessidade de inovação. A CNI, o presidente Robson Andrade criou um programa importante, que é o movimento empresarial pela inovação, que reúne, inclusive, agora, segunda-feira, em Brasília, em São Paulo, com uma agenda própria de fomento à inovação. E eu dou o exemplo para você, a Finep. A Finep, este ano, nós triplicamos, no nosso Ministério, os recursos para crédito da Finep. Nós tivemos, o ano passado, R$ 1,8 bilhão de crédito de subvenção. Esse ano, nós estamos chegando a R$ 5 bilhões. A presidenta Dilma tem dado um grande apoio. E a demanda é muito maior do que esse aumento que, praticamente, triplicou os recursos da Finep. Então, nós estamos melhorando. E muitas empresas estão aderindo ao Ciência Sem Fronteiras, exatamente sabendo que o melhor patrimônio da empresa são os recursos humanos, é o seu talento, são os seus pesquisadores, a sua capacidade de inovar, porque a economia mundial é cada vez mais competitiva e cada vez mais exigentes. Eu só termino, Válter, convidando, aqui, a população de Brasília, através da Rádio Nacional, para comparecer, ali na Praça dos Três Poderes, na tenda de ciência, tecnologia e inovação que o Ministério organizou, ao longo da semana que vem, da Semana de Ciência e Tecnologia. Nós vamos ter, ali na Praça dos Três Poderes... Eu vou inaugurar, na terça-feira, às 15 horas, essa tenda, e ali tem vários institutos de pesquisa mostrando o que tem de mais avançado. E levar os jovens. É uma grande oportunidade para eles se motivarem para a ciência, para se motivarem para o estudo, para ver como é que os problemas da vida e da sociedade são equacionados através da pesquisa, dos institutos de pesquisa, dos pesquisadores. Então, eu quero convidar toda a população de Brasília, e no Brasil inteiro, porque nós vamos ter atividades em muitas cidades do país, ligada à Semana de Ciência e Tecnologia, que este ano é desastres naturais... Mudanças climáticas, desastres naturais e prevenção ao risco. Esse é o tema central da nossa agenda.
APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Então, só lembrando, não é, Ministro, a partir de segunda-feira, na Esplanada dos Ministérios, aberta o dia todo.
MINISTRO ALOIZIO MERCADANTE: Aberta o dia todo para toda a população, para as escolas. Muitas escolas vão levar...
APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Entrada franca.
MINISTRO ALOIZIO MERCADANTE: Entrada franca. E é um passeio para o futuro, é entrar no mundo da ciência, da tecnologia. E essa juventude... Porque a gente não pode viver em um país que o jovem acha que a única aspiração é ser jogador de futebol ou entrar em um grupo de pagode. A moça quer entrar... Quer ser modelo ou trabalhar na novela. Todos querem ir para o BBB. Eu não tenho nada contra nada disso. Eu acho que é um direito de cada um fazer o que acha que deve fazer. Mas nós precisamos que a nossa juventude se motive para ser um cientista, para ser um profissional, um pesquisador, para ajudar a sociedade a resolver os seus problemas, para melhorar a vida de todos. Essa aspiração é que nós queremos motivar, com essa semana. Olhar para a ciência, para o estudo. Quer dizer, quem estuda, na vida, escolhe o que vai ser depois. Quem não estuda é escolhido ou não. E isso faz toda a diferença na vida dos nossos filhos, dos nossos netos. Então, os pais que motivem. E não é ficar brigando, não. É motivar, é valorizar, é sentar junto, é se interessar pelo que ele está estudando, é participar, é levar o filho para ver, por exemplo, mostrar o que ele acha que é importante, como é importante a ciência, como é importante estudar. E isso muda o Brasil. É isso que nós precisamos criar, essa consciência de valorizar a educação, a ciência e a tecnologia.
APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Está certo. Ministro Aloizio Mercadante, vamos, agora, a Belo Horizonte, em Minas Gerais, conversar com a Rádio Itatiaia. Carlos Viana, bom dia.
REPÓRTER CARLOS VIANA (Rádio Itatiaia / Belo Horizonte - MG): Bom dia, Kátia. Bom dia ao Ministro Mercadante. Eu gostaria que o Ministro nos explicasse como serão distribuídas as 75 mil bolsas do Ciência Sem Fronteiras. Como os candidatos podem buscar informações e também adquirir uma dessas bolsas, Ministro?
MINISTRO ALOIZIO MERCADANTE: Carlos, são elegíveis, ou seja, os alunos... Não é qualquer estudante que tem direito a esse programa. Todos os alunos têm direito ao programa da Capes e do CNPq, que continua existindo. Agora, neste programa, são as áreas de ciências básicas, áreas tecnológicas e as áreas de engenharia. São 20 áreas que estão lá pré-definidas. As vagas... Além do que nós queremos colocar 75 mil alunos, é importante que a gente consiga colocar nas melhores universidades. É esse o trabalho que está sendo feito. Nós vamos saber, para o ano que vem, quantas vagas nós temos entre as 50 melhores universidades de cada uma das áreas que foram eleitas. Nós queremos mandar os melhores alunos do Brasil nas melhores universidades. E, para o ano que vem, vai ser um edital público, convocado nacionalmente e dizendo quais são as vagas que tem. E os alunos que podem participar, que são os que receberam mais de 600 pontos no Enem, que ganharam medalha nas Olimpíadas, medalha de ouro na Olimpíada de Matemática e de Ciências e os alunos que estão nos programas de iniciação científica, eles vão poder participar e vão disputar. Vai ter um processo de seleção específico. Neste ano, que nós estamos iniciando o programa, nesse segundo semestre, o processo de seleção está sendo feito no âmbito das universidades. Todas as universidades que tinham o programa de iniciação científica receberam uma quota para selecionar os seus alunos. E o MEC abriu um edital, teve em torno de quatro mil alunos que se inscreveram, interessados nas bolsas, e que vão ser selecionados em função desses critérios que nós tivemos. E qualquer um pode entrar no portal da Capes/CNPq, e ali vai ter todas as informações. Só no nosso portal do CNPq, nós já tivemos mais de cinco milhões de alunos que foram lá analisar para verificar. Portanto, há um grande interesse nesse programa. E, para o ano que vem, nós vamos dar um grande salto no projeto. Nós estamos fechando um acordo grande com os Estados Unidos e, principalmente, com França, Alemanha e Inglaterra, e a presidenta Dilma está exigindo, também, do Itamaraty envolvimento total nesse programa, para a gente montar uma estrutura de apoio aos nossos brasileiros que vão para o exterior, porque é uma coisa muito grande e inédita. Então, nós vamos pagar bolsa, nós vamos pagar passagem, nós vamos dar um seguro de saúde para todos esses alunos e vamos ter uma estrutura de acompanhamento e apoio nos estados, para os países que eles forem. E, inclusive, nós estamos estudando a... Porque nós estamos verificando que tem muitos alunos pobres que tiraram mais de 600 pontos no Enem e, portanto, são estudiosos, mas não têm o domínio da língua, porque nunca tiveram oportunidade. Já mostraram que são inteligentes, preparados e que têm interesse de crescer na vida. Então, o programa... E algumas universidades exigem o domínio da língua. Então, nós vamos abrir, também, uma nova modalidade, o ano que vem, que, um semestre, ele vai ficar estudando línguas, antes de começar o curso propriamente dito, para a gente poder garantir o critério de mérito e permitir que os mais pobres tenham o direito a essa oportunidade fantástica, que é poder estudar nas melhores universidades do mundo.
APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Este é o programa Bom Dia, Ministro. Eu sou Kátia Sartório, e estamos, hoje, com o Ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Aloizio Mercadante. Ele participa do programa conversando com âncoras de emissoras de rádio de todo o país. Ministro, vamos, agora, a Vitória, no Espírito Santo, conversar com a Rádio Redesim Sat, de Vitória, onde está José Roberto. Bom dia, José Roberto.
REPÓRTER JOSÉ ROBERTO (Rádio Redesim Sat / Vitória - ES): Bom dia, Kátia. Bom dia, Ministro. Quando um programa como esse, Ciência Sem Fronteira, busca atrair pesquisadores do exterior que queiram se fixar no Brasil, isso quer dizer que o Brasil já tem maioridade na ciência, Ministro?
MINISTRO ALOIZIO MERCADANTE: Eu acho, Zé Roberto... É fantástico, porque eu acho que se o Santos Dumont tivesse nascido, por exemplo, em um país rico do norte, o mundo inteiro reconheceria que ele foi o pioneiro. Talvez, na época, se tivesse internet, ninguém teria disputado com ele a primazia de ter desenvolvido o primeiro objeto voador, que foi o pai da aviação. Então, nós temos talentos e contribuições científicas muito importantes ao longo da história, é na medicina, na engenharia, na matemática. O Brasil tem talentos muito importantes. O que nós queremos... Hoje, o que é que acontece? Eu senti isso... Eu estive com a presidenta Dilma na Assembleia Geral da Onu. A gente sentiu, ali - a primeira mulher que abriu, em 66 anos da história da Onu, a conferência -, o respeito que o mundo, hoje, tem pelo Brasil. O Brasil não é mais parte dos problemas do mundo; o Brasil, hoje, é uma parte da solução. Nós arrumamos a nossa casa. Nós somos um país que, como eu disse, é o quarto país com mais reservas cambiais em toda a economia mundial. Da crise de 2008 para cá, nós fomos precavidos, nós aumentamos em US$ 150 bilhões as nossas reservas. Da crise de 2008 para cá, quando a maioria dos países desenvolvidos, Estados Unidos, toda a União Europeia, Japão, aumentaram fortemente o seu endividamento, alguns países dobraram a dívida pública em cinco anos, nós reduzimos a nossa dívida pública, nós fizemos superávit primário. O governo fez um esforço fiscal importante, por isso mantivemos, durante todos esses 12 anos, especialmente nos últimos oito anos, a inflação dentro do regime de metas, um compromisso muito grande com a estabilidade. Nós somos um país que não tem guerra com nenhum vizinho há 140 anos, em um mundo em conflito. Nós somos um país de cultura de paz e um país que, com a distribuição de renda, criou um mercado interno muito forte. Esse é o diferencial do Brasil, o mercado. Nós podemos crescer para dentro. Um país que tem o bônus demográfico. Poucos países têm mais gente trabalhando do que gente inativa. Então, por tudo isso, o país, hoje, é um grande interesse econômico. Muitos investimentos... Nós tivemos, nos últimos 12 meses, US$ 62 bilhões de investimentos no país. O que nós estamos mudando? Quem quer vir para o Brasil, não é só montar uma fábrica, não; vai ter que trazer engenharia, vai ter que trazer centro de pesquisa e desenvolvimento. E nós estamos exigindo isso no setor automotivo, na área de tecnologia de informação, de tablets, em vários outros setores da economia, atraindo IBM, a Siemens, a GE, que são empresas centenárias que estão no Brasil há quase um século e nunca tiveram um centro de pesquisa; agora, tem. Então, nós vamos mudar a atitude, porque é com ciência e tecnologia que nós vamos preparar o Brasil para a sociedade do conhecimento. E há um grande interesse no Brasil, hoje, um grande respeito. O país tem um prestígio que eu não vi em nenhum momento da história da minha vida.
APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Ministro, vamos a São José dos Campos, em São Paulo, conversar com a Rádio BandVale FM, de São José dos Campos, onde está Cesar Rosati. Bom dia, Cesar.
REPÓRTER CESAR ROSATI (Rádio Bandvale FM / São José dos Campos - SP): Bom dia, Ministro Aloizio Mercadante. Ministro, eu gostaria de saber: há algum plano, algum projeto aqui para a região do Vale do Paraíba? Eu queria que você comentasse, também, o Projeto Sino-Brasileiro, para o lançamento de um satélite dentro de alguns anos.
MINISTRO ALOIZIO MERCADANTE: Olha, Cesar, eu agradeço a tua pergunta. Nós vamos lançar... Pretendemos... Estamos trabalhando, intensamente, com a China para lançarmos o nosso próximo satélite em novembro do ano que vem, o CBERS-3. Nós estamos com uma equipe, lá, tempo integral, do Inpe aí de São José dos Campos, na China. Temos 20 pesquisadores, tempo integral, até o final do ano. São várias equipes trabalhando para a montagem final desse satélite, para lançarmos em novembro do ano que vem. Além disso, nós vamos contratar, até o final do ano, junto com o Ministério de Comunicações, com a Telebrás, junto com o Ministério da Defesa e o Inpe, a Agência Espacial Brasileira, o nosso Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação, um satélite geoestacionário, um satélite de grande porte. Esse satélite deverá ser lançado em 2014, para permitir a comunicação da área das Forças Armadas - porque, hoje, a gente aluga satélites privados internacionais para a comunicação, e pagamos caro, não faz nenhum sentido - e para a banda larga, para poder acelerar o processo de inclusão social no Programa Nacional de Banda Larga. Então, é um satélite muito grande, um satélite muito complexo. E o critério de escolha que nós vamos ter é quem transfere mais tecnologia do Brasil, qual é o menor preço e aonde a indústria nacional participa de forma mais intensa. Uma outra mudança de política que nós estamos fazendo é a participação do setor privado também como indústria integradora do satélite, que deverá ser a empresa Embraer, uma empresa que vai participar desde o início do processo de aquisição desse novo satélite, das parcerias, e ajudar na integração, para que a gente tenha uma indústria aeroespacial e o setor privado preparado para esse setor tão estratégico que é o espaço. Por último, eu quero dizer que nós convidamos, para presidir a Cyclone Space - que é a nossa empresa que, junto com a Ucrânia, nós estamos desenvolvendo um foguete, o Cyclone-4, inclusive, temos uma equipe, agora, lá na Ucrânia, visitando todas as instalações, e levamos oito parlamentares de todos os partidos para verificar o estágio de desenvolvimento do foguete, que está bastante avançado -, nós convidamos o reitor do Ita, o Brigadeiro Reginaldo, que, nos últimos cinco anos, esteve à frente do Ita, que vai assumir a presidência da empresa Cyclone Space. Ele foi o melhor aluno do Ita em 60 anos do Ita, portanto tem um currículo acadêmico-intelectual brilhante. Fez uma grande gestão à frente do Ita e, tenho certeza, será um grande presidente da nossa empresa Cyclone Space, para que a gente possa preparar a Base de Alcântara e também termos um veículo lançador competitivo no mercado internacional.
APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Ministro Aloizio Mercadante, vamos, agora, a Teresina, no Piauí, conversar com a Rádio Verdes Campos FM. Danielle Sá, bom dia.
REPÓRTER DANIELLE SÁ (Rádio Verdes Campos FM / Teresina - PI): Bom dia, Kátia. Bom dia, Ministro. A gente sabe que, hoje, o Piauí, ele tem avançado muito na universalização da educação. Isso proporciona que, nas cidades mais longínquas, como Guaribas e Dom Inocêncio, centros de educação estão bem avançados entre os sistemas. Eu gostaria de saber do Ministro o que o Ministério tem de projetos de ciência e tecnologia para essas cidades como as cidades do Piauí, distantes, mas que estão com a educação avançada.
MINISTRO ALOIZIO MERCADANTE: Olha, eu quero parabenizar o Piauí, viu, Danielle, porque, realmente, foi um salto extraordinário, não só a universalização como escolas que estão entre as melhores do Brasil, o que mostra que, com determinação política... Eu acho que o governador Wellington fez um trabalho excepcional nessa área. E isso também está permitindo a atração de muito investimento para o Piauí. A minha visão é que a Transnordestina vai dar um salto muito grande, especialmente na área da agricultura e no desenvolvimento industrial, porque você vai ter um acesso direto ao porto e um transporte muito mais barato economicamente, muito mais consistente. Toda essa área da soja no Mapito vai ter um salto extraordinário em termos de competitividade. Nós estamos, também, analisando, com muita atenção, junto com o MEC, para impulsionarmos o programa de inclusão digital nas escolas. Nós vamos começar a licitar, agora, tablets para as escolas públicas, para que a gente possa ter a inclusão digital nas escolas públicas, e com uma orientação pedagógica consistente, para que os alunos tenham acesso à internet. Ou seja, nós precisamos romper os limites da sala de aula e colocar os 70 milhões de alunos da escola pública no mundo, no que tem de melhor de informação, de educação. O futuro da educação é uma educação digital. Cada vez mais, os professores, através do Portal de Professores do MEC, os alunos... Nós fomos... Nós construímos, junto com o MEC, o Portal do Professor. Vão ter muita informação, eles vão ter muito mais bibliografia. Eu vi em alguns países... Por exemplo, Taiwan já não tem mais livro didático, só na biblioteca, é tudo tablet. É o livro eletrônico e é o caderno eletrônico. A mesma coisa, a Coreia, em dois anos, está nessa direção. E o Brasil começa a se preparar. Nós já temos cinco fábricas produzindo tablets com conteúdo nacional, que é a exigência do nosso Ministério, e estamos negociando, agora, a vinda de indústrias de componentes estratégicos. Eu acho que o Piauí pode participar, ativamente, disso e dar um salto muito grande, inclusive no setor de papel e celulose, que estão tendo grandes investimentos e muita pesquisa na região.
APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Ministro Aloizio Mercadante, vamos, agora, a Palmas, no Tocantins, conversar com a Rádio 96 FM, de Palmas. Rubens Gonçalves, bom dia.
REPÓRTER RUBENS GONÇALVES (Rádio 96 FM / Palmas - TO): Bom dia, Kátia. Bom dia, Ministro. Ministro, é um prazer falar com o senhor. Eu gostaria de saber com relação... Nós temos, aqui, uma deficiência, uma escassez de mestres e doutores, aqui no Tocantins, e eu penso que em boa parte dos estados da Amazônia. Então, tem esse projeto, esse projeto, agora, do Ciência Sem Fronteiras, essas bolsas todas, mas como garantir que esses professores, que esses mestres, doutores, eles retornem para as suas regiões, quer dizer, que não tenhamos, aí, um problema do que se chama de evasão de cérebros, Ministro?
MINISTRO ALOIZIO MERCADANTE: Olha, eu acho que é excelente a sua questão, Rubens, porque nós estamos, exatamente, com essa preocupação. No caso dos alunos de graduação, que são mais de 27 mil bolsas, será bolsa de um ano. A gente chama de bolsa sanduíche: bate e volta. Porque nós queremos que ele conclua a graduação aqui, crie raízes aqui e tenha a experiência de um estudo. No caso do doutorado, existem bolsas de um ano e doutorado integral de quatro anos, porque já é um profissional mais maduro, que já tem uma definição mais apropriada. Agora, de fato, o que está acontecendo, nesse momento, é um grande interesse de volta para o Brasil de pesquisadores e uma grande procura. Países, por exemplo, como Portugal, Espanha, Grécia, Itália, que estão sendo muito agredidos pela crise, especialmente os países que têm uma cultura mais próxima, como os países ibéricos, têm tido uma presença muito grande de talentos, de pesquisadores, profissionais querendo vir para o Brasil. E nós vamos atrair esses profissionais com editais internacionais, para trazer de volta jovens talentos e para trazer para o Brasil jovens talentos e pesquisadores seniores. Eu quero aproveitar, também, para dizer para você que estarei, no dia 19, agora, de outubro, aí em Tocantins. Nós vamos ter a Amazontech, que é, exatamente, uma discussão sobre o desenvolvimento econômico da Amazônia, como agregar valor à biodiversidade, como fortalecermos os parques tecnológicos na região, analisarmos, com mais profundidade, o desenvolvimento agrícola, econômico, industrial, compatível com a sustentabilidade ambiental. Estarei, exatamente, dentro da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia, participando dessa atividade. Eu estive na reunião dos secretários de Ciência e Tecnologia, em Palmas, recentemente, e agora volto para participar desse evento, que estará presente o Sebrae, a Embrapa, governos estaduais, universidades da Amazônia e vários parceiros, pesquisadores, para a gente estabelecer parcerias para o desenvolvimento da região.
APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Ministro Aloizio Mercadante, nós gostaríamos de agradecer a sua participação, mais uma vez, no Bom Dia, Ministro.
MINISTRO ALOIZIO MERCADANTE: Que pena que já acabou. Vocês me chamem mais aqui para a gente poder discutir temas tão relevantes. Eu acho que esse programa permite que a gente apresente os resultados, o trabalho, o que está sendo feito, com a liberdade total da imprensa de participação. Portanto, vocês estão de parabéns. Eu agradeço a vocês todos. E termino convidando, especialmente, os pais: levem seus filhos, motivem, para a Semana de Ciência e Tecnologia. Façam com que eles olhem a possibilidade de ter aspiração profissional, de querer estudar, de se motivar, de ser um cientista, de ser um profissional qualificado. Isso faz toda a diferença na vida deles. Como eu disse, quem estuda, escolhe o que vai fazer na vida; quem não estuda, é escolhido ou não. Permitam que os filhos de vocês possam escolher. Motivem eles para estudar, estudar e estudar. Quando estiver cansado, ao invés de abrir a geladeira, estudar um pouco mais, que ainda é pouco. Então, boa semana para nós. E nós vamos nos empenhar bastante, o ano que vem, essa semana que entra, para chamar a atenção da opinião pública do Brasil para a importância da ciência e tecnologia, especialmente para a juventude. E, esse ano, mudanças climáticas, desastres naturais e prevenção ao risco. Esse é um tema que veio para ficar, e a nova geração precisa começar a criar uma cultura de prevenção e de conhecer os riscos ambientais.
APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Nós estamos, aqui, aproveitando, não é, Ministro, falando que na Semana C&T, Semana Nacional de Ciência e Tecnologia, no site é semanact.mct.gov.br, todas as informações sobre a Semana de Ciência e Tecnologia, que acontece de 17 a 23 de outubro desse ano, em todos o país.
MINISTRO ALOIZIO MERCADANTE: É isso aí.
APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Obrigada, Ministro, pela participação. E a todos que participaram conosco dessa rede, o meu muito obrigada. E até o próximo programa.