Arquivos: 16/09/2011 - transcrição
APRESENTADOR LUCIANO SEIXAS: Olá, você, em todo o Brasil. Eu sou o Luciano Seixas, e começa, agora, mais uma edição do Programa Bom Dia, Ministro. O programa tem a coordenação e a produção da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, em parceria com a EBC Serviços. Hoje, no programa, o Ministro da Educação, Fernando Haddad. Bom dia, Ministro, seja bem-vindo.
MINISTRO FERNANDO HADDAD: Bom dia, Luciano. Satisfação.
APRESENTADOR LUCIANO SEIXAS: É um prazer recebê-lo, aqui, no nosso programa. Hoje, no Bom Dia, Ministro, Fernando Haddad vai falar sobre o desempenho dos estudantes no Exame Nacional do Ensino Médio, o Enem, de 2010. Mais de 3,2 milhões de estudantes, em todo o país, participaram das provas do Enem 2010. Entre eles, um milhão de concluintes do ensino médio regular. A divulgação das médias do Enem, por escola, é um elemento de mobilização pela melhoria da qualidade do ensino, por auxiliar professores, diretores e demais dirigentes educacionais na reflexão crítica sobre o processo educacional da escola, além de subsidiar políticas educacionais. O Ministro vai falar, também, sobre a economia de mais de R$ 1 bilhão nas compras para a educação, o lançamento de cinco mil creches e quadras esportivas, pelo país, e a extensão, a proposta de extensão da jornada escolar, aumentando o número de dias letivos. Hoje, o número está limitado em 200 dias letivos por ano. Há uma proposta de se aumentar este número. O Ministro Fernando Haddad começa, agora, a conversar, ao vivo, com âncoras de emissoras de rádio de todo o país. E a primeira participação vem da Rádio Tupi, do Rio de Janeiro, com Ana Rodrigues. Bom dia, Ana.
REPÓRTER ANA RODRIGUES (Rádio Tupi / Rio de Janeiro - RJ): Bom dia, Luciano Seixas. Bom dia, Ministro Fernando Haddad. Ministro, nós queremos saber, justamente, no que esse resultado do Enem aponta, de principal, para o Ministério da Educação? Onde o Ministério ainda tem que trabalhar muito para melhorar esses índices, essa média geral dos estudantes, e onde houve acerto, como conseguiram aumentar esses pontos, não é? Esses dez pontos, na média geral. E o que está faltando para melhorar ainda mais esses índices da educação brasileira?
MINISTRO FERNANDO HADDAD: Muito bom dia, Ana. Olha, desde a reforma do Enem, em 2009, nós passamos a poder comparar resultados de um ano para o outro. Até 2008, o Enem era uma prova clássica, era uma prova que só cobria a língua portuguesa, não havia prova de matemática, humanidades, nem de ciências da natureza. Agora, nós temos quatro provas, mais a redação, e essas quatro provas objetivas são comparáveis no tempo. Então, pela primeira vez, foi possível comparar o resultado de 2010 com o resultado de 2009. E a boa notícia é que, apesar do aumento de concluintes que fizeram a prova, saímos de 828 mil para 1,011 milhão concluintes que fizeram a prova. Não obstante o aumento da inscrição, houve, também, um aumento da média, ou seja, quando aumenta a inscrição, regra geral, a experiência internacional mostra que quanto mais pessoas fazem a prova, menor a média, porque, em geral, as pessoas com mais baixo desempenho se inscrevem de um ano para o outro. Ocorreu exatamente o contrário: aumentou a inscrição e as médias aumentaram. O que significa aumentar dez pontos na média do Enem? Significa que nós cobrimos 10% daquilo que estava previsto para a próxima década, ou seja, o resultado foi exatamente dentro do esperado pelo Ministério da Educação, embora se deva frisar que o ensino médio, ele foi a etapa que menos reagiu aos estímulos governamentais voltados para a qualidade. O ensino fundamental, no Brasil, melhorou mais que o ensino médio. E o ensino médio só agora começa a esboçar alguma reação. Isso, em grande parte, é natural, porque o ensino médio não melhoraria antes do fundamental. Para melhorar o ensino médio, o fundamental tem que melhorar primeiro – que é o que ocorreu. Mas nós esperamos, agora, que o ensino médio comece a reagir, sobretudo, com a substituição dos vestibulares pelo Enem. Porque o Enem organiza o currículo do ensino médio, e o vestibular desorganiza o currículo do ensino médio. Então, com a substituição do vestibular pelo Enem, o foco das escolas passa a ser a matriz de conteúdo do Enem, e isso vai melhorar o trabalho em sala de aula, tanto de professores quanto dos próprios estudantes, que vão ter uma base comum nacional em que se fixar, para melhorar o seu desempenho, ano após ano.
APRESENTADOR LUCIANO SEIXAS: Alguma outra pergunta, Ana?
REPÓRTER ANA RODRIGUES (Rádio Tupi / Rio de Janeiro - RJ): Luciano Seixas, Ministro Fernando Haddad, nós gostaríamos de saber com relação aos Jogos Olímpicos. O Rio de Janeiro vai sediar os Jogos Olímpicos, e teremos, também, dois anos antes, a realização da Copa do Mundo. No que o Ministério da Educação, ele está investindo e projetando, na inserção do estudante, na prática esportiva? No que isso pode evoluir na formação dos atletas e contribuindo, assim, para a evolução da educação física e do desporto no país, com vista a essas competições e a essa consciência do valor do esporte na educação?
MINISTRO FERNANDO HADDAD: Ana, eu te agradeço a pergunta, porque, ontem, a Presidenta Dilma Rousseff determinou ao Ministério da Educação que colocasse no portal do Ministério da Educação todas as quadras cobertas a que cada município tem direito, até 2014, e quantas creches e pré-escolas cada município tem direito até 2014. Portanto, os prefeitos e governadores podem visitar o portal do Ministério da Educação, desde ontem, e, ao clicar no seu município, ao consultar o seu município, verificar quadras cobertas e creches e pré-escolas que eles vão poder conveniar com o Ministério da Educação, com todo o investimento custeado pela União, ou seja, é um investimento de 100% da União para a construção de creches e quadras cobertas. Nós queremos fazer desses eventos, que não são apenas dois, como você registrou... A Copa e a Olimpíada são os mais importantes. Mas há outros eventos internacionais de hoje para 2016. Então, nós temos que fazer dessa oportunidade, não é, uma comemoração do desporto no Brasil, retomar os vínculos da escola com a prática de educação física. Estamos com outras iniciativas, como é o caso da bicicleta escolar. O MEC vai distribuir, só esse ano, cem mil bicicletas escolares para cidades com menos de 20 mil habitantes, em função do fato de que há pouca... Pouca insegurança, não é, nessas cidades, no que diz respeito ao trânsito das pessoas. Mas vamos estender, ao longo dos anos, para as cidades mais populosas, desde que haja compromisso do prefeito com a segurança no trânsito. Então, há um grande esforço do Ministério da Educação, e, também, a ampliação da jornada escolar. Nós já estamos com 15 mil escolas com atividade de tempo integral. Nós saímos de zero, em 2007. Hoje, estamos em 15 mil escolas que têm o segundo turno, em que ela pode optar. E uma das opções, um dos eixos de atuação é, justamente, o desporto. É a compra de tatames, é a compra de tabelas de basquete, de redes de vôlei. Quer dizer, a escola pode comprar material esportivo e fomentar a prática esportiva no segundo turno, além das aulas de recuperação para os alunos com defasagem de aprendizado. Mas a própria Presidenta pediu, encomendou estudos, para antecipar a meta de 2014 para 2013, que era a meta de chegar a 32 mil escolas em tempo integral. Nós queremos antecipar para 2013 e ampliar a meta para 2014, que ainda não está determinada.
APRESENTADOR LUCIANO SEIXAS: Este é o programa Bom Dia, Ministro. Hoje, recebendo o Ministro da Educação, Fernando Haddad, que conversa, ao vivo, com emissoras de rádio de todo o país. E, agora, vamos à CBN, de Manaus, com Samara Souza. Bom dia, Samara.
REPÓRTER SAMARA SOUZA (Rádio CBN Manaus / Manaus - AM): Bom dia, Luciano Seixas. Bom dia ao Ministro Fernando Haddad. Bom dia a todos. Ministro, apesar das escolas públicas do Amazonas terem tido um desempenho melhor nas médias do Enem, as escolas particulares ainda aparecem com as melhores notas. O senhor atribui esse resultado a quê? À falta de investimentos em uma melhor infraestrutura para as escolas [ininteligível], principalmente lá, no interior do estado, ou o senhor acredita que é falta mesmo de empenho dessas unidades de ensino, ou falta mesmo de interesse dos próprios alunos?
MINISTRO FERNANDO HADDAD: Muito obrigado, Samara. Bom dia para você. Olha, na verdade, a diferença de investimento na escola particular e na escola pública é muito grande. Algumas escolas chegam a investir duas, três, até dez vezes mais, por ano, do que se investe em escola pública. Um outro fato muito importante é o perfil do estudante. Enquanto a escola particular recebe estudantes cujos pais têm muito mais anos de escolaridade, não é, a escola pública não escolhe aluno, ela recebe todo brasileiro que queira se matricular. E, muitas vezes, essa criança é de família de baixa renda, com pais com baixa escolaridade. E você sabe que a escolaridade dos pais tem um reflexo muito importante no desempenho dos filhos. E até o envolvimento dos pais com a escola, a cobrança do dever de casa, a cultura de conhecimento, tudo isso tem um impacto no aprendizado, porque você há de lembrar que, nos primeiros anos de vida, a criança está, exclusivamente, sob a responsabilidade dos pais. E mesmo quando ela é matriculada, ela passa a maior parte do tempo em casa. Então, o ambiente familiar, ele tem um impacto, muito maior do que as pessoas querem imaginar, no desempenho dos estudantes. Então, a escola pública, o investimento é menor do que na escola privada, e recebe um perfil de aluno diferente, não é? Recebe toda a sociedade e não apenas os selecionados por renda, não é? Porque a escola particular, você tem que pagar mensalidade, e as pessoas não têm recursos para pagar uma mensalidade. Ainda assim, o que se verificou, no último Enem, é que as médias aumentaram, os alunos tiveram um desempenho melhor, e a distância da escola pública para a escola particular diminuiu. Ela é, ainda, importante, você tem uma distância grande, mas ela está diminuindo, não é? Tanto no Ideb quanto no Enem. Então, nós temos, hoje, indicadores que mostram que essa realidade é como eu a descrevi: a distância é grande, mas é decrescente.
APRESENTADOR LUCIANO SEIXAS: Alguma outra pergunta, Samara?
REPÓRTER SAMARA SOUZA (Rádio CBN Manaus / Manaus - AM): Sim, Luciano. Ministro Fernando, existe uma atenção especial, por parte do governo federal, com essas escolas que não obtiveram bons resultados no Enem, como no caso do Amazonas, que ficou em quarto lugar na lista dos piores índices de 2010?
MINISTRO FERNANDO HADDAD: Samara, o Senado Federal está apreciando, nesse momento, um projeto de lei, já aprovado pela Câmara, que se chama Pronatec, que é o Programa Nacional de Acesso à Educação Profissional. O que nós queremos é estabelecer, no Brasil, o ensino médio de tempo integral, oferecendo para o aluno do ensino médio de escola pública a oportunidade de uma segunda matrícula numa escola de educação profissional. Ao fazê-lo, nós estamos oferecendo, com o turno integral, a possibilidade do estudante de escola pública de ensino médio ficar o tempo todo na escola, aprendendo e reforçando o currículo tradicional. O currículo tradicional, ele faz sentido para alguns alunos e não faz sentido para todos os alunos. Muitos alunos não almejam o ingresso na universidade, almejam o ingresso no mundo do trabalho. São chefes de família, não é? São pais e mães que querem trabalhar, mas querem exercer uma profissão que lhes dê uma condição de renda digna, que lhes ofereça oportunidade de acesso, não apenas a bens materiais, mas, também, a bens culturais. E para o aluno de ensino médio, concluinte da educação básica, ter acesso a um emprego digno e a uma renda digna, ele tem que ter uma profissão. Então, o ensino médio tradicional, ele não se aplica a todo mundo, ele precisa ser diversificado para atender a expectativas de alunos que desejam a profissionalização mais precoce. E o Pronatec vai nessa direção. O que vai se verificar, com o tempo - e isso já é notável nas escolas técnicas -, por que o desempenho de escola técnica, em geral, é muito superior ao da escola tradicional? Porque ele fica o tempo todo na escola, fica mais de cinco horas na escola, e ele aprende uma profissão que lhe dá... Que dá a ele sentido no aprendizado de língua portuguesa, de matemática e de ciências da natureza. Quando você faz... Entra num laboratório de mecânica ou de elétrica, você compreende melhor os fenômenos da física e a própria matemática, não é? Então, quando você lê um manual de instruções de uma máquina complexa, você é obrigado a dominar mais a língua escrita, a interpretar melhor um texto. Então, o Pronatec é um programa lançado pela Presidenta Dilma, que encaminhou ao Congresso Nacional uma lei, em caráter de urgência. E o Senado aprovando, nós vamos começar a distribuir bolsas de estudo de educação profissional para jovens do Ensino Médio público.
APRESENTADOR LUCIANO SEIXAS: Você está ouvindo o programa Bom Dia, Ministro, hoje com o Ministro da Educação, Fernando Haddad. A EBC Serviços disponibiliza o sinal desta entrevista para todas as emissoras de rádio do país via satélite, no mesmo canal da Voz do Brasil. O áudio da entrevista também é disponibilizado hoje, ainda pela manhã, na página da Secretaria de Imprensa da Presidência da República, na internet. O endereço é: www.imprensa.planalto.gov.br. E agora, vamos à São Paulo. Da Rádio Cultura FM, fala Gilson Monteiro. Alô, Gilson, bom dia.
REPÓRTER GILSON MONTEIRO (Rádio Cultura FM / São Paulo - SP): Oi, Luciano, bom dia. Bom dia, Ministro, uma ótima sexta-feira a todos. Ministro, eu gostaria de fazer duas perguntas. A primeira delas diz respeito à pauta do dia. Aqui, em São Paulo, a gente sabe que a participação no Enem é muito grande, mas poderia ter sido maior, e muita gente atribui esse desinteresse em uma parte dos estudantes por conta da não utilização nos vestibulares da Fuvest, aqui, da USP, e também da Unicamp. Quem que o senhor avalia que sai perdendo com essa não utilização do Enem nas duas universidades, Ministro?
MINISTRO FERNANDO HADDAD: Olha, Gilson, te desejo bom dia, agradeço a tua pergunta, mas, na verdade, o que nós temos que perceber é, primeiro, respeitar a autonomia universitária, não é? Nós não podemos obrigar, a não ser o Congresso Nacional, mas o MEC não tem prerrogativa de obrigar uma instituição a adotar o Enem em substituição ao vestibular. A Unicamp já esboçou uma primeira reação. Ela reservou algumas vagas para os melhores alunos de cada escola pública de Campinas. Eu não sei se você está a par dessa iniciativa, mas ela começou com um projeto piloto, para verificar a conveniência de adotar o Enem como um processo de seleção. E, na verdade, desde que o Enem se tornou um substituto do vestibular, nós, até por exigência dos estudantes, nós passamos a fazer o Enem entre outubro e novembro, e não mais em agosto, como ele era feito até 2008. Isso porque os estudantes de Ensino Médio querem fazer a prova ao final do ano letivo; não querem fazer no meio do ano, do último ano letivo. Isso impede a USP e a Unicamp de utilizar o Enem na primeira fase, na primeira fase dos seus vestibulares, mas poderão vir a adotar a nota do Enem na composição das médias, por exemplo, de uma segunda fase, não é? Eu já li, nos jornais, reportagens a respeito dessa possibilidade futura. Agora, são grandes instituições, estão entre as melhores do Brasil... Eu mesmo sou professor da Universidade de São Paulo com muita honra, e nós temos que manter o diálogo com essas instituições, para verificar uma boa forma de utilização. Uma outra medida, que pode ser considerada, é a Secretaria Estadual de Educação promover uma maior inscrição, fazer uma campanha para que os alunos concluintes do Ensino Médio se inscrevam no Enem. Agora, nós saímos de 45% para 56% dos concluintes que fazem a prova. Quer dizer, menos da metade fazia a prova até 2009, e, agora, mais da metade faz a prova. Já estamos beirando os 60% de alunos que concluem o Ensino Médio, que fazem o exame. E eu imagino que a tendência é de aumento a cada ano. Você veja que esse ano, nós tivemos mais de cinco milhões de inscrições, quer dizer, não é pouca coisa. Imagine um país, num final de semana, aplicar mais de cinco milhões de provas para alunos do Ensino Médio ou egressos do Ensino Médio, mas que, agora, veem no Enem uma oportunidade de voltar a estudar, seja pelo ProUni, seja pelo Sisu.
APRESENTADOR LUCIANO SEIXAS: Alguma outra pergunta, Gilson?
REPÓRTER GILSON MONTEIRO (Rádio Cultura FM / São Paulo - SP): Sim, sim. Eu peço até licença aos colegas que nos acompanham para sair rapidamente da pauta, Luciano. Política é o nosso assunto aqui, em São Paulo, toda vez que se toca na candidatura à prefeitura de São Paulo no ano que vem. O presidente Lula citou o nome do Ministro para concorrer e ele é apresentado, desde então, por alguns colegas jornalistas, como possível prefeiturável, se é que a gente pode dizer assim. Como é que anda a predisposição do Ministro para essa possível candidatura, hein, Ministro?
MINISTRO FERNANDO HADDAD: Olha, Gilson, na verdade, você sabe que o PT tem uma dinâmica interna que valoriza muito o papel da militância, não é? E quando há mais de um pré-candidato, o partido organiza uma série de debates. No caso de São Paulo são apenas 36, entre os cinco pré-candidatos, e, em novembro, deve tomar uma decisão a respeito de quem vai empunhar, aí, a bandeira do partido nas eleições de 2012. Então não há uma decisão ainda. Os outros quatro pré-candidatos são muito respeitáveis, pessoas com tradição, com história dentro do partido, e quem vai decidir, provavelmente, é a militância, não é, em virtude do número elevado de nomes à disposição do partido. Agora, para mim, está sendo uma novidade, não é? Eu venho da universidade, como professor, e entrei na administração, no Executivo, no ano de 2001, estou há dez anos trabalhando no Executivo, e não participei de nenhuma eleição. Então é uma novidade participar de um processo dessa natureza, mas tem sido muito interessante, eu tenho gostado muito do convívio com o partido, aprendido muito com a militância, que é muito aguerrida e que conhece a cidade. E, enfim, vamos ver como é que as coisas evoluem. Mas tem sido muito bom.
APRESENTADOR LUCIANO SEIXAS: Estamos entrevistando o Ministro da Educação, Fernando Haddad, o nosso convidado de hoje no programa Bom Dia, Ministro, transmitido pela EBC Serviços. E agora, a participação da Rádio Cultura 1110 AM, de Florianópolis, com Paganini. Alô, Paganini, bom dia!
REPÓRTER JOSÉ PAGANINI (Rádio Cultura 1110 AM / Florianópolis - SC): Bom dia, Luciano. Bom dia, Ministro. Uma ótima sexta-feira a todos. Ministro, no ranking nacional deste ano, de acordo com a média dos estados, Santa Catarina ficou em sexto lugar. No ano passado ficou em quinto lugar. Como o senhor avalia esta queda? E o Enem não corre o perigo de se tornar um ranking de classificação para analisar quais são os melhores colégios?
MINISTRO FERNANDO HADDAD: Bom dia, Paganini. Olha, o Ministério da Educação, ele não recomenda o ranqueamento pelo Enem, até por questões técnicas. O que é possível, no caso do Enem, é você verificar se uma escola, de um ano para o outro, primeiro, aumentou a sua taxa de participação - quer dizer, o percentual de alunos que faz a prova aumentou ou diminuiu de um ano para o outro? - e se as médias dessa escola aumentaram ou diminuíram. Se a adesão aumentou ao Enem, se a adesão aumentou e as médias aumentaram, você tem um bom indicador de que a escola está num bom caminho; no caminho de reestruturar o seu currículo na direção da qualidade. Então é para isso que serve a divulgação das notas, para que cada pai de família possa acompanhar a evolução da sua escola, observadas essas duas variáveis. Uma outra maneira de ver é no plano nacional: se o número de alunos inscritos aumentou e as notas aumentaram, é um indicador, não é, de que nós estamos no caminho certo. E é a primeira vez que o Ensino Médio esboça uma reação aos estímulos públicos em proveito da qualidade. Então, nós tivemos um aumento dentro do esperado, não foi nem abaixo e nem acima do que nós esperávamos, mas nós entendemos que o Enem vai ajudar a escola pública a reorganizar o seu trabalho em sala de aula. Eu tenho colhido o depoimento de muitos professores de Ensino Médio que veem no Enem uma chance de reorganizar os três anos do Ensino Médio em proveito do aluno de escola pública, com menos decoreba, com mais profundidade, com mais senso crítico, com mais raciocínio, para que o aluno ingresse numa instituição de ensino superior mais preparado para o desafio da formação de alto nível. Então o Enem é essa oportunidade que nós temos de melhorar a qualidade do ensino.
APRESENTADOR LUCIANO SEIXAS: Alguma outra pergunta, Paganini?
REPÓRTER JOSÉ PAGANINI (Rádio Cultura 1110 AM / Florianópolis - SC): Sim, Luciano. Ministro, 872 instituições, aqui, de Santa Catarina, participaram do Enem. O senhor considera expressiva esta participação ou poderia ser maior?
MINISTRO FERNANDO HADDAD: Olha, nós, hoje, nós temos 56% de participação no Enem, no Brasil. Eu não sei em Santa Catarina quanto foi esse percentual, mas eu quero crer que nos estados em que as universidades já substituíram o seu vestibular pelo Enem, a taxa de participação tende a aumentar. Há estados no Brasil onde não há mais vestibular. Por exemplo, no Ceará, no Maranhão, no Piauí, o Rio de Janeiro agora, estão extinguindo os seus vestibulares, não é, porque consideram que o vestibular prejudica o Ensino Médio. E, de fato, prejudica. Em Santa Catarina, nós não temos ainda esse movimento de substituição do vestibular pelo Enem, mas onde quer que haja essa substituição, a taxa de adesão tende a ser maior. Então, nos estados do Nordeste, isso deve acontecer com força, no Rio de Janeiro e em Minas Gerais isso deve acontecer com mais força, e, à medida que as universidades forem revendo os seus processos de seleção, a taxa de adesão vai aumentar naturalmente, porque o jovem vê no Enem uma oportunidade de ganhar uma bolsa de estudos pelo ProUni ou uma vaga em federal, pelo Sisu. Então, não há como negar que ele amplia e democratiza o acesso à educação superior. Nós já estamos com mais de dois milhões de matrículas ao ano na educação superior; mais de dois milhões de jovens entram na universidade por ano. E o Enem é um instrumento de democratização do acesso, porque ele tem acesso ao ProUni, tem acesso às federais, pelo Sisu, tem acesso ao financiamento estudantil, que é um instrumento importante. Então ele vai, realmente, abrindo portas para que o aluno continue os estudos. Nós estamos acabando com o gargalo que existia. Nós tínhamos um gargalo inaceitável, da educação básica para a superior, que está sendo quebrado. Hoje, o aluno conclui o Ensino Médio e ele tem diante de si muitas oportunidades de continuar os estudos, que é o nosso desejo, que ninguém pare de estudar no Brasil. Mesmo o idoso, hoje, tem que estudar para se atualizar. Então, o papel do MEC é ir rompendo essas barreiras e permitindo que as pessoas estudem ao longo da vida. Não parem de estudar, porque, na era do conhecimento, ninguém está suficientemente preparado para a vida largando os estudos. É a contínua leitura, atualização, acesso digital, é assim que as pessoas vão se preparando para a vida moderna.
APRESENTADOR LUCIANO SEIXAS: E, agora, no programa Bom Dia, Ministro, a participação da Rádio 98 FM de João Pessoa, com a Pollyana Sorrentino. Alô, Pollyana, bom dia.
REPÓRTER POLLYANA SORRENTINO (Rádio 98 AM / João Pessoa - PB): Bom dia, Luciano. Bom dia, Ministro. Ministro, qual a avaliação que o senhor faz sobre os resultados do Enem aqui, na Paraíba, e quais os projetos do governo federal para melhorar os índices da educação no estado?
MINISTRO FERNANDO HADDAD: Olha, você sabe que o Nordeste, ele vem recebendo investimentos cada vez mais vultosos da União, tanto no que diz respeito à educação básica, com o Fundeb, o Fundo da Educação Básica, criado ainda no governo do presidente Lula, que aporta mais de R$ 10 bilhões para os estados mais pobres da Federação, a criação do Piso Nacional do Magistério, que é uma coisa muito importante a ser observada pelos governadores e prefeitos, a questão da expansão das escolas técnicas federais - e também está disponível, no portal do MEC, as cidades da Paraíba que vão receber novas escolas -, a expansão das universidades públicas em todo o Brasil, e não é diferente na Paraíba, e o sistema de avaliação brasileiro, que é um dos melhores do mundo. Então, é um conjunto de investimentos que vai desde a creche até a pós-graduação, passando pela educação profissional, passando pela educação superior, e um sistema de monitoramento, um sistema de acompanhamento, porque o Brasil é o único país do mundo que criou um plano de metas de qualidade. É inédito isso, um país ter criado um sistema de metas de qualidade, que, desde 2005, é cumprido; um plano que é cumprido desde 2005. Nós temos uma década agora pela frente, com o Plano Nacional de Educação, que vai até 2020, e temos a oportunidade de diminuir as desigualdades educacionais no nosso país. Então, é seguir o rumo do plano que foi elaborado, continuar cobrando os resultados, cumprindo as metas de qualidade, para que nós tenhamos um equilíbrio federativo maior no Brasil, não é? E, agora, a União, entrando com força no financiamento, sobretudo no Nordeste, nós entendemos que o tempo vai mostrar que o caminho está certo: o caminho da qualidade.
APRESENTADOR LUCIANO SEIXAS: Alguma outra pergunta, Pollyana?
REPÓRTER POLLYANA SORRENTINO (Rádio 98 AM / João Pessoa - PB): Sim, Luciano. Algumas escolas aqui, na Paraíba, especificamente na capital, João Pessoa, estão sofrendo ameaças de facções criminosas. Existe algum projeto do governo federal para coibir a ação dos criminosos nas escolas?
MINISTRO FERNANDO HADDAD: O melhor antídoto que eu conheço para inibir a violência no entorno da escola é transformar a escola em escola de educação integral, ou seja, aumentar o número de horas que a criança e o jovem fica sob a responsabilidade da escola, e abrir essa escola à comunidade, ou seja, instalar os conselhos escolares, se possível abrir a escola aos finais de semana, fazer com que a comunidade se aproprie da escola, não como escola do estado ou do município, mas como escola pública. A escola, ela é tão mais pacífica e tranquila quanto mais ela pertence à comunidade e menos ao Poder Público. E a extensão da jornada, não é, e a abertura para a comunidade é o melhor caminho para isso. A escola participativa é aquela escola blindada em relação ao crime, ao mal feito, às más influências, não é? É a escola que se abre para a comunidade e que estende a permanência da criança sob a sua responsabilidade. Nós temos, hoje, um programa chamado Mais Educação, que já está em 15 mil escolas públicas do país. E nós temos todo o interesse em firmar parcerias, sobretudo em áreas de conflito, em áreas conflagradas, ampliar a parceria com os prefeitos, para que eles recebam recurso para atividades de cultura, de lazer, de desporto, de educação profissional, num segundo turno, para as crianças e jovens das escolas públicas.
APRESENTADOR LUCIANO SEIXAS: Você está ouvindo o programa Bom Dia, Ministro, que tem a coordenação e a produção da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, em parceria com a EBC Serviços. E, agora, participação da Rádio FM Dom Bosco, de Fortaleza, no Ceará, com a pergunta de Renata Sampaio. Alô, Renata, bom dia!
REPÓRTER RENATA SAMPAIO (Rádio Dom Bosco / Fortaleza - CE): Bom dia, Luciano. Bom dia, Ministro. Eu gostaria de saber o que fazer, que providência tomar, para que mais alunos participem do exame, já que no uso dos resultados foi observado um número menor de participantes, inclusive aqui, no Ceará.
MINISTRO FERNANDO HADDAD: Um número menor? Perdão.
REPÓRTER RENATA SAMPAIO (Rádio Dom Bosco / Fortaleza - CE): Um número menor de participantes.
MINISTRO FERNANDO HADDAD: Olha, no Brasil isso não ocorreu, não é? E eu creio que no Ceará não tenha ocorrido. O número de participantes no Enem, de alunos concluintes, ele saltou de 828 mil, no país, para 1,011 milhão. E eu creio que no Ceará esse movimento deva ter sido ainda maior pelo fato de que a universidade aboliu o seu vestibular. Então, provavelmente, a adesão tenha sido até maior. Mas, no Brasil, eu posso te assegurar que o número só vem aumentando ano após ano. Você há de lembrar que, antes do ProUni, menos de um milhão de pessoas faziam o Enem. Para essa edição, agora, do mês que vem, são mais de cinco milhões de alunos, quer dizer, quintuplicou o número de inscritos e, no caso dos concluintes, nós já superamos a marca de um milhão de concluintes que fazem o exame. Mas, conforme eu já salientei, à medida que as universidades substituem seus processos seletivos pelo Enem, essa taxa tende a aumentar ainda mais.
APRESENTADOR LUCIANO SEIXAS: E, agora, a participação da Rádio Educadora 107,5 FM, de Salvador, com Sueli Diniz. Alô, Sueli, bom dia!
REPÓRTER SUELI DINIZ (Rádio Educadora 107,5 FM / Salvador - BA): Bom dia, Luciano Seixas. Bom dia, Ministro Fernando Haddad. É um prazer, para a Rádio Educadora, estar participando desse programa. Ministro, considerando que os resultados do Enem, mostrando o baixo desempenho das escolas públicas, o anúncio de que o MEC estuda a ampliação da carga horária para possibilitar a ampliação do contato dos estudantes com o conhecimento nesse prolongamento do ano letivo, seria uma tentativa de aperfeiçoar cada vez mais o ensino?
MINISTRO FERNANDO HADDAD: Olha, Sueli, apesar das médias estarem aumentando em todos os exames, não é, nós temos três exames importantes no Brasil; dois nacionais e um internacional: nós temos o Ideb, que mede a qualidade do ensino, temos o Enem e temos o Pisa, que é um exame internacional. Em todos os exames que o Brasil faz, a evolução da qualidade é nítida, embora os patamares sejam ainda muito insuficientes para o potencial que nós temos. Então, nós estamos promovendo uma inflexão da curva dos anos 90. Nos anos 90, se você pegar a curva de qualidade, ela vinha caindo ano após ano. Você há de se lembrar disso. Nos anos 2000, essa curva mudou de direção. Nós estamos colhendo os frutos de uma melhoria de qualidade, estamos recuperando o tempo perdido no século passado. Agora, temos muito a fazer ainda. E uma das propostas do Ministério é ampliar a jornada escolar. Eu penso que a nossa jornada, de 800 horas na melhor das hipóteses, porque, às vezes, nem isso se verifica, é uma jornada curta por ano. Nós precisaríamos ter mais de 200 dias letivos e mais de quatro horas por dia de escola para os nossos jovens, não é? A maioria dos alunos de escola particular fica, no mínimo, cinco horas por dia na escola, o que totaliza mil horas, ou seja, 25% a mais do que as 800 horas da escola pública. Isso proporciona para o aluno da rede particular uma vantagem competitiva muito grande em relação à escola pública; e os estudos que eu tenho contato demonstram que essa é uma variável muito importante para explicar a diferença de desempenho, não é? Nós até estamos chamando o pesquisador que fez esse estudo, que é o Secretário Executivo da Secretaria de Assuntos Estratégicos do governo federal, para apresentar, para a imprensa e para os secretários estaduais e municipais de educação, os resultados dessa análise, que demonstram que nós temos que ampliar o tempo em que o estudante brasileiro fica exposto ao conhecimento. Esse tempo é baixo no Brasil e nós temos que ampliá-lo.
APRESENTADOR LUCIANO SEIXAS: E agora, nós contamos com a participação da Rádio Caicó AM, de Caicó, no Rio Grande do Norte, com o Sidney Silva. Alô, Sidney, bom dia!
REPÓRTER SIDNEY SILVA (Rádio Caicó AM / Caicó - RN): Bom dia. Bom dia, Luciano. Bom dia, Ministro. Ministro, a pergunta é saber da possibilidade de tornar o Enem obrigatório. Existe, realmente, essa possibilidade? E em quanto tempo mais isso poderia se tornar uma realidade no Brasil?
MINISTRO FERNANDO HADDAD: Olha, na verdade, há alguns secretários, Sidney, que estão considerando a hipótese de tornar o Enem parte do currículo do Ensino Médio, ou seja, o aluno, para concluir o Ensino Médio, tem que participar da prova. Essa participação me parece importante, o aluno saber exatamente como é que ele concluiu o Ensino Médio, até para planejar o seu futuro; se ele concluiu bem, se ele concluiu mal e o que fazer para cobrir certas deficiências de aprendizado que ele possa ter tido durante o Ensino Médio. Então eu sou favorável, muito favorável, a que o aluno, na conclusão dos estudos básicos, tenha uma percepção clara de como ele concluiu, de como ele terminou essa etapa, esse nível importante da educação, justamente para que ele tenha a percepção clara do que fazer a partir dali. Porque você há de convir que ninguém pode... Ninguém conclui os estudos, propriamente ditos. Você conclui uma etapa, você conclui a educação básica, você conclui a educação superior, mas, hoje, é praticamente impossível para um trabalhador progredir, no mundo do trabalho, sem contato com o conhecimento, sem se aperfeiçoar, porque as mudanças tecnológicas, as mudanças nos processos produtivos são tão intensas, que ele precisa se atualizar. Então, ele vai fazer um... Depois vai fazer um curso à distância, vai fazer uma especialização, vai fazer uma graduação, vai fazer um mestrado. Hoje, ele tem que se atualizar periodicamente se ele quiser progredir, porque o mundo não para e ele, portanto, não pode ficar parado com os conhecimentos que ele adquiriu até uma certa idade. Tem que continuar, não é, e por isso que a inclusão digital é tão importante, por isso que a educação à distância é importante, por isso que a pós-graduação é importante, para que ele tenha a oportunidade de se manter em contato com o conhecimento.
APRESENTADOR LUCIANO SEIXAS: Você está ouvindo o Ministro Fernando Haddad, Ministro da Educação, no programa Bom dia, Ministro. E, agora, vamos contar com a participação da Rádio Boas Novas, de Recife, com a Elida Regis. Alô, Elida. Bom dia!
REPÓRTER ELIDA REGIS (Rádio Boas Novas / Recife - PE): Bom dia, Luciano. Bom dia, Ministro. Para nós, de Recife, é, mais uma vez, um prazer estar participando com vocês. E a pergunta é a seguinte: Ministro, nas últimas edições do Enem, alguns problemas surgiram, como a reimpressão das provas, problema com gráfica, com os gabaritos. O que o Ministério tem preparado, esse ano, para não ocorrer esses problemas como aconteceram no ano passado?
MINISTRO FERNANDO HADDAD: Olha, na verdade, o que nós estamos exigindo é mais profissionalismo das pessoas envolvidas. Nós tivemos problemas com as gráficas que foram contratadas. Em 2009, houve um problema de segurança na gráfica contratada. Entramos com uma ação judicial para a reparação do prejuízo causado com a falta de segurança. O ano passado, o problema foi muito menor, e a gráfica pagou todos os custos envolvidos com a reaplicação da prova. Não dá para comparar o que aconteceu em 2010 com o que aconteceu em 2009, até porque, em 2010, o problema foi limitado a poucos alunos, e a gráfica assumiu toda a responsabilidade pela reaplicação das provas. E nós estamos agregando inteligência ao processo. Nós temos uma empresa de gerenciamento de risco, hoje, que está no processo, o Inmetro está participando da certificação das etapas, no que diz respeito à segurança, e eu penso que nós vamos evoluindo com essa colaboração adicional. Agora, é um projeto monumental, do ponto de vista de escala. O nosso Enem só perde para o Enem chinês, para você ter uma ideia do nosso volume. O Enem, na China, tem, eu acho, que de onze a 13 milhões de inscritos, para você ter uma ideia, e o nosso tem mais de cinco milhões de inscritos. Então, é um exame muito grande. É um desafio logístico permanente colocar cinco milhões de pessoas, em um final de semana, em sala de aula. Mas eu penso que tem havido uma evolução importante, e o caminho está pavimentado para que se aperfeiçoe a cada momento. Você não faz uma grande transformação da educação sem assumir determinados desafios. E eu penso que o desafio do Enem tem valido a pena, porque nós estamos democratizando o acesso à Educação Superior, e eu penso que os estudantes não... Veem, no Enem, uma oportunidade de ouro para continuar seus estudos. Então, a obrigação de todos nós, setor público, setor privado, é dedicar atenção a essa atividade.
APRESENTADOR LUCIANO SEIXAS: No programa Bom Dia, Ministro, a participação da Rádio Capital FM, de Campo Grande, com Rau Ratier. Alô, Rau. Bom dia.
REPÓRTER RAU RATIER (Rádio Capital FM / Campo Grande - MS): Bom dia. É uma satisfação muito grande participar do seu programa. Eu queria fazer uma pergunta para o Ministro da Educação, o Haddad. Não seria, propriamente, uma pergunta, mas, sim, uma constatação. Aqui na nossa capital, nós temos... Eu acho que é a maior capital do país em creches e, cada dia, aumentando mais. E nós também temos uma carência, aqui, de escolas em tempo integral. Dias atrás, nós tivemos, aqui, um aluno de 16 anos que, ao invés de ir para a escola, voltava para a casa, a mãe ia trabalhar, e eles faziam festas com menininhas de dez a 14 anos, festas que adulto nenhum se atreveria a fazer, mas eles estavam fazendo. Isso, não há uma necessidade de promover escolas de tempo integral para essas crianças, Ministro?
MINISTRO FERNANDO HADDAD: Olha, nós temos uma parceria forte em Campo Grande e no Mato Grosso do Sul em geral. Temos uma parceria forte com a secretária de Educação, que, aliás, é presidenta do Conselho Nacional de Secretários Estaduais, a professora Nilene, e, de fato, você tem razão. O governo federal colocou à disposição de prefeitos a contratação da construção de 6.400 creches no âmbito do PAC 2. Aliás, se você visitar o portal do Ministério da Educação, você vai saber para cada município do Mato Grosso do Sul e do Brasil, quantas creches e pré-escolas cada município tem direito a construir com verba 100% federal. Ou seja, nós estamos dispostos a pagar pela construção de 6.400 equipamentos no país. No caso da escola de tempo integral, nós já estamos com 15 mil escolas com o programa Mais Educação, que estende a jornada escolar para o segundo turno, e estamos dispostos a antecipar a meta de 32 mil, prevista para 2014, já para 2013. Então, vamos fazer um empenho enorme para chegar a esses indicadores, para que a criança, primeiro, tenha a oportunidade de matrícula já em tenra idade, no máximo, o mais tardar, com quatro anos, a criança tem que estar na escola, 100% das crianças, até 2016. E, uma boa parte, desde o nascimento, porque nós sabemos que as mães, depois da licença maternidade, voltam ao trabalho e precisam de creches, para si e para o desenvolvimento dos seus filhos, porque a criança se desenvolve quando ela recebe estímulos adequados para se desenvolver cognitivamente e afetivamente. E a escola de tempo integral, pelo Mais Educação, é um outro programa importante do Ministério da Educação. Agora, a parceria no Mato Grosso do Sul vai bem, e nós estamos estreitando os laços com os prefeitos e com o governador para ampliar essa parceria.
APRESENTADOR LUCIANO SEIXAS: E, agora, no programa Bom Dia, Ministro, a participação da Rádio UFMG Educativa, de Belo Horizonte, com Rafael Lopes. Alô, Rafael. Bom dia.
REPÓRTER RAFAEL LOPES (Rádio UFMG Educativa / Belo Horizonte - MG): Olá, bom dia. Bom dia, Ministro Haddad. Bom, Ministro, aqui em Minas Gerais, a greve dos professores já ultrapassa, aí, os cem dias, sem solução do impasse relativo ao pagamento do piso salarial estabelecido por lei. A própria Secretaria de Educação já admitiu o atraso no calendário, que deve, aí, impactar até o ano que vem. O Ministério da Educação estuda algum tipo de intervenção, Ministro? O governo diz que o MEC apoia a política remuneratória adotada pelo estado; já o sindicato afirma que o senhor teria se comprometido a intermediar as negociações.
MINISTRO FERNANDO HADDAD: Olha, na verdade, o Ministério da Educação, ele só se manifesta, nesses casos, quando provocado, porque, veja bem, nós temos os nossos servidores federais, não é? Da mesma maneira que um governador não é chamado a intermediar a relação do Ministério com os seus servidores, não cabe ao Ministério, sem ser convocado, sem ser chamado, sem ser provocado, se imiscuir em um assunto local, em um assunto do estado, muito menos para atrapalhar, não é? Então, como eu fui procurado pelo governador Anastasia, com quem eu tenho uma excelente relação, inclusive com a sua secretária de Educação, que foi reitora da UFMG, da Federal de Minas Gerais, e presidiu a Andifes, que congrega o Colegiado de Reitores. Então, são pessoas com as quais... A Ana Lúcia Gazzola é uma pessoa com a qual eu tenho uma parceria histórica e um respeito muito grande. É uma pessoa de bem, uma pessoa... Uma educadora de muitas décadas de dedicação à educação. Por outro lado, há uma demanda, no país inteiro, de que depois que o Supremo Tribunal Federal declarou a constitucionalidade da lei do piso, que ela seja observada. E é natural, também, que, nesse primeiro momento, haja conflito de interpretação sobre a lei federal, porque ela é muito nova e ela foi declarada constitucional esse ano. Agora, o apelo que se faz é pela negociação. Não há saída sem negociação. Então, as partes têm que sentar à mesa, porque é uma situação difícil, sobretudo tensionada pelos dias de greve, uma greve muito longa, que traz, evidentemente, transtornos para os professores e para os estudantes. Isso, não há dúvida. Então, o que o MEC está fazendo, na medida do possível, porque o nosso grau de intervenção é muito baixo, nesses casos, é conversar tanto com o sindicato quanto com o governo. Temos mantido conversas constantes para verificar se ajudamos a encontrar uma saída para o impasse.
APRESENTADOR LUCIANO SEIXAS: Você está ouvindo o programa Bom Dia, Ministro. E a NBR, a TV do governo federal, está transmitindo, ao vivo, este programa e reapresenta a gravação desta entrevista hoje à tarde e em horários alternativos: no sábado pela manhã e no domingo à tarde. Agora, a participação da Rádio Pioneira, de Teresina, no Piauí, com James Almeida. Alô, James. Bom dia.
REPÓRTER JAMES ALMEIDA (Rádio Pioneira / Teresina - PI): Olá. Bom dia, Luciano. Bom dia, Ministro. Ministro, a nossa pergunta se refere ao Enem. Nós tivemos um bom resultado no Enem das escolas particulares do estado do Piauí. Agora, a pergunta: como o Ministério vai poder agir, agora, nas escolas públicas, para que a nota, também, do Enem na escola pública possa chegar equivalente à nota que chegou das escolas particulares?
MINISTRO FERNANDO HADDAD: Olha, James, na verdade, a distância da escola pública para a particular, ela é grande, mas vem diminuindo. E nós temos que considerar o fato de que a distância existe porque a escola pública recebe alunos de todas as camadas sociais, de pais com escolaridade, de pais sem escolaridade, e recebe 88% da matrícula. Então, a comparação, sobretudo em virtude do financiamento ser muito diferente - a escola particular investe de três a dez vezes mais do que a escola pública, por aluno -, essa comparação, ela deve ser feita para nos estimular a buscar superar esse gargalo e continuar promovendo uma aproximação dos resultados de uma e de outra. Mas ele existe, está diminuindo, e nós temos que continuar. Agora, o Piauí - e eu parabenizo o estado -, ele tem nos revelado coisas muito interessantes. Por exemplo, o desempenho de duas escolas particulares do Piauí, aí de Teresina, uma das quais eu visitei, o Dom Barreto, mostra que é possível fazer um trabalho sério, em educação particular, mesmo cobrando uma mensalidade muito abaixo daquelas que se verifica em escolas particulares do Sudeste do país, que é o caso do Dom Barreto. Então, nós podemos nos valer dessa experiência exitosa no caso dessa escola. Mas, também, nós temos o caso de Cocal dos Alves, que é uma escola aí do interior do estado, próximo a Teresina, e que vem se revelando destaque nacional, não só nas Olimpíadas de Matemática, com vários medalhistas, mas também com um desempenho extraordinário no Enem, praticamente com 100% de sucesso nos vestibulares para a universidade pública, para a Universidade Federal do Piauí, que adotou o Enem como processo seletivo. Então, nós temos boas novas aí no Piauí. É um estado que vem se destacando, a cada ano. Eu parabenizo o estado por isso, e estamos... Recebi os diretores da escola de Cocal dos Alves no meu gabinete, para compreender qual é o processo, e eu pretendo visitar a cidade, brevemente. Nós temos uma escola para inaugurar, eu acho que até já está pronta. Eu não sei nem se foi inaugurada, mas quero visitar Cocal dos Alves para, enfim, até para prestigiar o bom trabalho dos professores dessa cidade, dos professores de escola pública dessa cidade.
APRESENTADOR LUCIANO SEIXAS: No programa Bom Dia, Ministro temos, agora, a participação da Rádio da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, com Rejane Salvi, direto de Porto Alegre. Alô, Rejane. Bom dia.
REPÓRTER REJANE SALVI (Rádio da UFRGS / Porto Alegre - RS): Bom dia, Luciano. Bom dia, Ministro. Quanto à queda de desempenho do Rio Grande do Sul no Exame Nacional do Ensino Médio, o Enem, a professor da Faculdade de Educação aqui na nossa universidade, a professora Elizabeth Krahe, afirmou que enquanto o Enem privilegia a aplicação prática do conhecimento, a interpretação de conteúdo, muitos colégios ainda investem em práticas educacionais conservadoras, ou seja, o papel do professor nesse processo. Como o Ministro vê a possibilidade de mudança dessa realidade?
MINISTRO FERNANDO HADDAD: Olha, a julgar pelo que aconteceu com a média nacional, que subiu dez pontos... Nós não fizemos a conta por estado, nós não sabemos se isso aconteceu em todos os estados, mas eu não tive notícia de queda por parte do Inep. Mas não fizemos esse cálculo por estado, até porque nós julgamos que o Enem, ele deve ajudar os pais a mensurar a evolução da escola dos seus filhos, ou seja, está disponível o resultado de 2009, por escola, está disponível o resultado de 2010, por escola, então, verificar se a adesão da escola ao exame aumentou e se as médias aumentaram. Em geral, isso aconteceu, tanto é que a média nacional subiu e a diferença da escola pública para a particular diminuiu. Então, é um bom resultado, embora tenhamos muito pela frente, ainda. Ninguém pode negar o enorme esforço que ainda tem que ser feito para melhorar os indicadores educacionais. Agora, o Enem, ele vai ajudar a organizar o Ensino Médio, assim como a Prova Brasil ajudou a organizar o Ensino Fundamental, porque ele diminui aquela carga de decoreba que você tem que ministrar no Ensino Médio e distribui melhor, pelos três anos do Ensino Médio, os conteúdos exigidos pelo Enem, que são diferentes dos conteúdos exigidos nos processos vestibulares. Agora, a mudança... Essa mudança tem um ano, praticamente. Faz pouco mais de um ano que nós mudamos a matriz do Enem. Então, nós temos que dar um pouquinho de tempo ao tempo, para que as escolas se adaptem a essa nova... A essa transformação que o Enem propicia de organização curricular.
APRESENTADOR LUCIANO SEIXAS: Alguma outra pergunta, Rejane?
REPÓRTER REJANE SALVI (Rádio da UFRGS / Porto Alegre - RS): No caso, se o Ministério, o MEC, trabalha com a possibilidade de aumento dos dias letivos para melhorar esse desempenho.
MINISTRO FERNANDO HADDAD: Olha, uma das coisas que nós verificamos é que os alunos de escola particular, eles ficam mais tempo na escola do que os alunos da escola pública. Há uma desvantagem relativa, porque o aluno de escola pública, na melhor das hipóteses, fica 800 horas em sala de aula, por ano, e o aluno da escola particular fica 25% mais tempo do que isso. E os estudos que nós colhemos... O secretário-executivo da Secretaria de Assuntos Estratégicos liderou um grupo de pesquisadores que mapeou a literatura internacional sobre qualidade. E uma das conclusões é de que o número de dias letivos tem um impacto muito grande no aprendizado, e o número de horas por dia também tem, com vantagem para a primeira variável, número de dias letivos. Nós vamos apresentar os resultados dessa pesquisa, a semana que vem, para os secretários municipais e estaduais de Educação. Vamos abrir esse encontro para a imprensa, para que a imprensa registre esse evento, que é importante, para abrir discussões sobre essa oportunidade de oferecer, para o aluno da escola pública, igualdade de condições em relação aos estudantes de escola particular.
APRESENTADOR LUCIANO SEIXAS: E, agora, a participação da Rádio Rural de Santarém, no Pará, com Keliane Tomé. Alô, Keliane. Bom dia.
REPÓRTER KELIANE TOMÉ (Rádio Rural de Santarém / Santarém - PA): Olá, Luciano. Bom dia. Ministro, as escolas públicas dominam a lista das escolas com pior desempenho entre as que tiveram mais de 75% de participação no Enem em 2010. Das mil piores, 704 são públicas e 296 são privadas. O que o Ministério pretende fazer para amenizar essa situação e melhorar a educação nas escolas públicas?
MINISTRO FERNANDO HADDAD: Olha, em primeiro lugar, é preciso registrar que a média das escolas, a média no Enem, aumentou de um ano para o outro, e a distância entre a escola particular e a pública diminuiu. Então, significa dizer que nós estamos no caminho certo. Nós estamos investindo mais no Ensino Médio. A bem da verdade, é preciso lembrar que, há pouco mais de quatro anos, não havia sequer livro didático para o Ensino Médio público, só a rede particular que contava com o livro didático. Os livros didáticos passaram a ser entregues muito recentemente. O Fundef não financiava o Ensino Médio; o Fundeb, agora, financia o Ensino Médio. Não havia alimentação escolar e transporte escolar para o Ensino Médio. Então, uma série de providências precisam ser tomadas para equalizar as oportunidades. E, não menos importante, continuar aumentando o financiamento para o Ensino Médio. No começo da década, o investimento por aluno do Ensino Médio era de R$ 770,00 por ano, quer dizer, o valor de uma baixa mensalidade de escola particular, hoje. Então, nós temos que levar em consideração que o Ensino Médio só muito recentemente passou a fazer parte das políticas do Ministério da Educação. E nós já estamos colhendo os frutos dessa mudança. Agora, vai melhorar ao longo dos anos. A distância ainda é longa, mas a tendência é de diminuição das desigualdades educacionais no país.
APRESENTADOR LUCIANO SEIXAS: Ministro, temos, ainda, um último minuto, e falamos, no início do programa, sobre a economia do governo, de mais de R$ 1 bilhão, nas compras governamentais para a educação. É possível o senhor dar um apanhado geral nesse um minuto?
MINISTRO FERNANDO HADDAD: Olha, nós estamos... Nós centralizamos as compras de mobiliário escolar, uniforme escolar, veículos escolares, computadores para as escolas, e, com essa centralização, nós fizemos pregões e atas de registro de preço que nos propiciaram quase R$ 1 bilhão de economia nas compras, um dinheiro que vai reverter para a educação. Então, eu convido os prefeitos a visitar o portal do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação, o FNDE, e verificarem que as oportunidades para adquirir bens a preços muito mais competitivos do que tem sido feito até aqui.
APRESENTADOR LUCIANO SEIXAS: Muito obrigado, Ministro Fernando Haddad, pela presença aqui, no programa Bom Dia, Ministro. Nós estamos encerrando, neste momento, o Bom Dia, Ministro, que tem a produção e a coordenação da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, em parceria com a EBC Serviços. Até uma próxima oportunidade.