Arquivos: 17/12/09
APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Na pauta do programa de hoje, como o Brasil superou a crise financeira internacional. O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, vai conversar com a gente sobre as perspectivas para a economia brasileira em 2010. Henrique Meirelles também vai explicar o papel do Banco Central para garantir a estabilidade dos preços e a importância do crédito pára a economia, e para o cidadão comum.
O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles já está aqui no estúdio, pronto para conversar com âncoras de emissoras de rádio de todo o país.
RÁDIO TUPI-RIO DE JANEIRO (RJ)/THIAGO MATHIAS: A crise financeira mundial causou prejuízos a economia de grandes potências. Mas, apesar disso o Brasil teve um bom desempenho. inclusive com o crescimento do PIB. À que o senhor atribui esse sucesso?
MINISTRO: O Brasil trabalhou sério e o Brasil trabalhou de uma forma correta e com bastante esforço, nos últimos anos, exatamente para que não só crescesse a taxas maiores, como tem crescido nos últimos anos. Não só para criar mais empregos. Mas também para estar mais preparado para enfrentar crises como essa. No passado crises muito menores do que essa que atingiu o mundo hoje traziam conseqüências dramáticas para o Brasil e para a população brasileira. Desta vez o Brasil entrou na crise, em primeiro lugar, crescendo a taxas elevadas. O consumo da população estava crescendo, a produção crescendo, o investimento crescendo também a quase 20% ao ano. Ao mesmo tempo o Brasil estava com a inflação estabilizada - muito importante - porque isso dá mais segurança à todos. O Brasil estava com mais de US$ 200 bilhões de reservas internacionais. O que de novo é muito importante. É uma reserva de caixa que o país tem para enfrentar uma crise internacional. E a dívida pública, em relação comparado com o produto, o país também estava cando nos últimos anos. Tudo isso fez com que o Brasil já entrasse na crise em condições mais fortes. E, as ações tomadas pelo Brasil na crise hoje são consideradas exemplares. Isso é, relatórios de órgãos multilaterais, tipo FMI, tipo de banco de compensações internacionais, analistas independentes classificam a atuação do Brasil e a do Banco Central do Brasil como exemplar. O Banco Central do Brasil hoje é, inclusive, apontado como um exemplo para ser seguido pelos bancos centrais de outros países, exatamente pela maneira que enfrentou a crise. E, hoje de fato o Brasil sai mais forte da crise.
RÁDIO TUPI- RIO DE JANEIRO (RJ)/THIAGO MATHIAS: Quais medidas o BC vai tomar para manter a estabilidade dos preços em 2010?
MINISTRO: O ponto importante é o seguinte, o Banco Central tem um compromisso com UMa meta de inflação, a meta de 4,5%. E, o Banco Central do Brasil toma todas as medidas necessárias para que esta meta seja atingida. Ela tem sido atingida. Ela tem um intervalo de tolerância que pode ser um pouco abaixo ou um pouco acima. Mas, o Brasil tem cumprido a meta,o Banco Central tem cumprido a meta e, tomaremos todas as providências necessárias, seja no controle das taxas base do Banco Central. Seja através da fixação da política monetária adequada. E, com a política, também, de câmbio flutuante bem administrada. Em resumo, o importante é que a população pode ficar tranquila de que o Banco Central tem os mecanismos e o compromisso para manter a estabilidade de preços durante o ano de 2010.
RÁDIO JOVEM PAN AM - SÃO PAULO (SP) / DENISE CAMPOS DE TOLEDO: Ontem nos Estados Unidos nós tivemos a manutenção dos juros perto de zero, e a sinalização de que os juros podem permanecer em um patamar muito baixo, por muito tempo. Eu queria saber em que medida a política monetária implementada nos Estados Unidos, pode influenciar nossa política monetária, já que ela estaria atrelada a todo um cenário de evolução da economia dos Estados Unidos, da economia mundial,e , conseqüentemente da economia brasileira. Pode ter algum peso na administração da Selic por aqui?
MINISTRO: Um aspecto importante a ser levado em conta é que cada país deve adotar a política monetária, a política cambial e a política fiscal que seja adequada a situação deste país. E, a política fiscal e a política monetária americana tem uma influência muito grande nos Estados Unidos, e conseqüência para as demais economias do mundo, na medida que os Estados Unidos não só foram o centro da crise, mas são a economia mais dinâmica, e a maior economia do mundo hoje. Os Estados Unidos estão fazendo uma política fiscal e monetária para enfrentar uma crise que começou nos Estados Unidos e atinge os Estados Unidos de frente. A situação da economia americana ainda é muito difícil. A recuperação é vagarosa, incerta. Os índices de desemprego nos Estados Unidos são altíssimos para padrões americanos, cerca de 10% neste momento. E, muito dependente ainda dos estímulos dados pelo governo.
No caso do Brasil a situação é completamente diferente. O Brasil está crescendo. O Brasil tem criado mais de 200 mil postos de trabalho formais por mês. Nos últimos meses nós tivemos o melhor novembro da história para a criação de postos de trabalho. O desemprego brasileiro está em níveis que são os mais baixos da história. O país está crescendo a taxas elevadas. Portanto, não há dúvidas de que a situação brasileira é muito diferente da situação americana. Uma conseqüência da situação americana, é que exatamente como eles tem que manter uma política monetária chamada de expansão, com taxas de juros muito baixas, etc, em função da crise, isto gera muito dinheiro em circulação nos Estados Unidos, a chamada liquidez. Isto faz com que isso possa gerar alguns desequilíbrios no mundo inteiro. São as chamadas bolhas, quando os preços, seja de ações, seja de moedas, seja de imóveis, às vezes estão um pouco inflacionados gerando desequilíbrios na economia e isso é causado, exatamente, por esse desequilíbrio da economia americana. Mas, estamos tomando todas as providências necessárias. O governo brasileiro está atento para evitar que se transmita ao Brasil algum desequilíbrio criado nos Estados Unidos. Que são desequilíbrios criados exatamente pelas medidas para enfrentar a crise. Felizmente o Brasil está equilibrado, forte e crescendo.
RÁDIO JOVEM PAN AM-SÃO PAULO (SP)/DENISE CAMPOS DE TOLEDO: Aqui no Brasil o mercado financeiro tem dado como certo uma elevação da Selic que possa jogar a taxa acima dos 10% no final do ano que vem. O senhor acha precipitado falar nisso agora, ou a tendência seria mesmo de um aperto monetário, já que os juros caíram muito em função da crise?
MINISTRO: O Banco Central tem uma política de governança, como a maior parte dos bancos centrais do mundo, de não fazer previsões sobre as suas próprias ações no futuro. Isso é, sobre neste caso, quais serão as decisões tomadas pelo Banco Central no que diz respeito à taxa Selic. O Banco Central estará publicando, logo mais, a sua ata da reunião do último Copom, que vai exatamente entrar em uma série de detalhes referentes às conclusões da última reunião, e posteriormente vai divulgar o relatório de inflação. O importante é que se olhe as previsões de inflação para o ano de 2010, porque as previsões de inflação são aquelas que são um dos dados importantes para tomar a decisão para as medidas de combate à inflação, ou não. E no caso do Banco Central evidentemente o Banco Central se baseia nas suas próprias projeções. Mais evidentemente as projeções feitas pelos analistas também são olhadas por todos e é importante. As projeções de acordo com relatório Focus, do Banco Central, no momento indicam uma inflação que está consistente com a meta em 2010.
RÁDIO CBN-BRASÍLIA(DF)/KÁTIA MAIA: Ministro para o próximo ano vislumbra-se um aquecimento da economia um temor da pressão inflacionária e que isso significa no aumento do juro. Na sua avaliação há essa ameaça da volta da inflação com o aumento do consumo das famílias? O ministro Mantega chegou a falar numa inflação bem comportada, é essa a avaliação do senhor também de uma inflação bem comportada, ou há essa pressão da inflação e uma consequente alta dos juros?
MINISTRO: O Banco Central como qualquer Banco Central do mundo está sempre alerta para o risco de inflação. Existe sempre a possibilidade de que algum desequilíbrio, algum descompasso entre a capacidade do país de produzir e a demanda isto é, o consumo, cause alguma pressão de subida de preço. Portanto, todo Banco Central está sempre alerta a isso e é o caso certamente do Banco Central do Brasil. Nós portanto, julgamos que o risco está sempre presente. A economia brasileira está crescendo muito e não há dúvida de que em algum momento sempre é possível que surjam pressões de preço. Neste caso, caso surjam o Banco Central estará preparado para tomar as medidas necessárias a tempo e a hora. Porque evidentemente uma das questões fundamentais de política monetária que muitas vezes não é bem entendida é a questão da chamada defasagem. O que é uma defasagem? Para que os ouvintes e os telespectadores possam ter uma visão clara de um dos dados mais delicados de política monetária. Na realidade é uma coisa simples é como o equivalente seria a um chuveiro na casa do cidadão ou da cidadã e existe ainda algumas instalações onde, por exemplo, se a pessoa liga aumenta a água quente a água quente demora um pouco a chegar. Então muitas vezes a pessoa precisa estar muito alerta ao fato de que aumentou um pouco a torneira da água quente já entrou mais água quente no cano, mas a água quente ainda não necessariamente chegou no chuveiro. E portanto a calibragem ai da torneira não pode só olhar a temperatura da água quando ela está caindo, mas também verificar se já não foi feito algum aumento na água quente na diminuição da água quente e prever o que vem pelo cano. Então este cálculo que quem está tomando banho neste tipo de instalação tem que fazer, é mais ou menos igual o tipo de raciocínio usado pelo Banco Central. Isto, quando o Banco Central faz uma chamada expansão monetária uma contração sobe ou desce a taxa de juros ele tem que ficar olhando o efeito disso a frente. Quando há também um incentivo fiscal, quando há toda uma série de outras situações na economia que podem elevar uma expansão ou uma contração o Banco Central sempre tem que estar fazendo contas e tentando fazer a projeção de como isso vai influenciar a economia alguns meses a frente. E o Banco Central depois de fazer tudo isso ele projeta as suas projeções para o próximo ano no que diz respeito a inflação, a crescimento e etc.
Em resumo, o Banco Central está atento e certamente tomará qualquer medida que seja necessária visando de novo manter a estabilidade, manter a inflação na meta que é a condição para que o país continue a crescer forte e o padrão de vida da população aumentando como nos últimos anos.
RÁDIO CBN-BRASÍLIA(DF)/KÁTIA MAIA: Ministro um pouco na área política. Quais são as chances do senhor entrar como vice da ministra Dilma na chapa PT, PMDB para a presidência da República?
MINISTRO: O meu compromisso com o presidente Lula está totalmente focado totalmente dedicado ao Banco Central até o momento de uma tomada de decisão sobre se eu ficaria no Banco Central até dezembro de 2010 ou se sairia para concorrer a algum cargo eletivo, e o prazo pra isso é abril. Portanto, até abril eu não estou pensando nada que não seja 100% no Banco Central do Brasil, e ajudar o país a sair da crise. Não tenho pretensões a cargos desta ordem a cargo de âmbito nacional, o meu foco no momento é o Banco Central e existe também um pedido do presidente para que eu fique no Banco Central na realidade até dezembro. É um pedido importante, certamente levarei isso em consideração, o importante no momento é que nada hoje pode me distrair da minha função básica que é fazer com que de fato a economia brasileira saia da crise e nós tenhamos não só um excelente 2010, mas assegurar alguns anos de crescimento com estabilidade a frente.
RÁDIO BANDEIRANTES-SÃO PAULO (SP)/LEANDRO MANÇO: Eu queria que o senhor falasse um pouco da cotação do dólar que se mantém em queda e isso de alguma maneira, eu queria que o senhor falasse um pouco dos prós e contra nessa cotação que o governo vem tentando fazer pra minimizar os efeitos da cotação do dólar aqui frente ao real.
MINISTRO: O dólar é uma moeda que está sofrendo os efeitos da crise americana. Então o dólar têm-se desvalorizado contra boa parte das moedas do mundo, contra o Euro, contra a moeda japonesa, contra diversas moedas, inclusive contra o real. O que significa portanto, que o dólar cai frente a maior parte das moedas do mundo nos últimos meses. Estabilizou um pouco recentemente. Isto é conseqüência da fraqueza da economia americana, da crise e das medidas tomadas pelas autoridades americanas para enfrentar a crise. Medidas do Banco Central de injetar recursos no mercado através de compras de títulos e diversas outras medidas, além de uma política monetária bastante expansiva. E por outro lado, também uma política fiscal, que faz com que haja de novo estímulos fiscais muito fortes, e com isso o dólar tende de fato a ficar um pouco mais fraco além da própria fraqueza da economia americana.
Por outro lado, o Brasil vai muito bem. O Brasil está recebendo hoje investimentos importantes, o Brasil hoje é o maior destino para investimentos hoje no mundo. O Brasil é considerado um país que não só saiu da crise, mas saiu forte, saiu rápido saiu forte e tem um futuro muito promissor a frente. Portanto de um lado isto é muito bom, é necessário, porque para crescermos nós precisamos de investimentos, para crescermos nós precisamos aumentar a capacidade produtiva, então é muito importante que as empresas estejam investindo no Brasil, as empresas de automóveis, empresas de eletrodomésticos, empresas de eletrônicos, empresas de alimentação, empresas de serviços, empresas de fato químicas e todas as outras áreas do setor industrial ou comercial, ou agrícola. Então isso é muito importante, por outro lado, exatamente essa força do país, por outro lado exatamente essa entrada de investimento também para a bolsa de valores por exemplo, faz com que o real se aprecie um pouco, que significa que caia um pouco o dólar. Então são dois fenômenos: de um lado a fraqueza do dólar em si por causa do problema da economia americana e a força do Brasil de um lado e faz com que essa entrada de investimentos cause esses problemas. Não há dúvida de que isto crie um pouco mais de dificuldades pro setor exportador, o governo brasileiro tá olhando isso com muita atenção, não é, e tomando uma série de medidas compensatórias, por outro lado maiores desequilíbrios são evitados através de uma série de medidas. Inclusive, o Banco Central tem comprado reservas que tem por grande finalidade fazer com que o Brasil tenha maiores condições ainda de enfrentar qualquer crise, portanto é muito importante o país ter reserva, mas ao mesmo tempo o Banco Central com isso evita excessivas distorções nas taxas. Isto é, quando há excesso de entrada de recursos o Banco Central compra reservas, quando não há excesso não compra. E alguns momentos, quando houve falta, no final do ano passado, começo desse o Banco Centra inclusive vendeu reservas no mercado. Visando exatamente evitar distorções de preço que pudessem causar prejuízo muitos sérios à economia. O governo também tem se movido na área fiscal para evitar desequilíbrio. Por outro lado, existem sempre como tudo na vida lados positivos. As empresas brasileiras estão num momento de estão investindo muito, na medida que o dólar está mais barato, isto permite a compra de equipamentos de tecnologia etc. E uma das coisas que tem permitido o crescimento dos investimentos do Brasil mais rapidamente é exatamente a maior capacidade de compra de equipamentos pelas companhias brasileiras em função exatamente de ter uma moeda um pouco mais forte. Em resumo, precisa ser evitado desequilíbrios, de lado é importante os investimentos, de outro lado é importante discutir se continua a exportar, mas um fato concreto é que a economia brasileira tem que manter o equilíbrio, e como é forte e como o governo está atento, como estamos com a política econômica bem sucedida a tendência será de equilíbrio de todos esses fatores à frente.
RÁDIO BANDEIRANTES-SÃO PAULO(SP)/LEANDRO MANÇO: Eu queria saber do ministro como é que tá internamente o PMDB quando se cogita que o nome do senhor e do Michel Temer podem disputar a candidatura pra vice-presidente ao lado da ministra Dilma Rousseff. E isso internamente como é que tá sendo debatido dentro do PMDB, ministro?
MINISTRO: O debate ainda é um pouco prematuro,não é? Na medida isso será uma decisão tomada pelo PMDB através da suas instâncias decisórias e finalmente pela sua convenção nacional no momento adequado, como eu mencionei na outra pergunta, eu não tenho nenhuma pretensão a este cargo, estou totalmente focado no Banco Central, não estou participando de nenhuma articulação ou discussão em relação a essa assunto. O que eu faço no momento, mais uma vez é garantir que o nosso trabalho esteja bem feito, tudo isso que nós estamos dizendo aqui, de fato se concretize e que a economia brasileira tenha um excelente desempenho no ano de 2010, continuando a criar empregos, crescer e aumentar o poder de compra da população. E isso é que no final é importante, isso que é importante pro Brasil, isso que é importante no governo, isso que é importante para o presidente, pra cada um dos brasileiros, telespectadores ou ouvintes, porque tudo mais vem em consequência de que o país vá bem. E no meu caso portanto, o que eu estou fazendo agora é estar 100% do meu tempo dedicado ao Banco Central, a economia brasileira.
RÁDIO GAÚCHA-PORTO ALEGRE(RS)/LEANDRO STAUDT: Bom, eu vou insistir um pouquinho na questão do dólar, das exportações, afinal o Rio Grande do Sul tem na sua economia um ponto muito importante voltado pro mercado externo e este ano dois fatores influenciaram bastante, como o senhor inclusive falava antes, um deles é a crise sua, como gaúcho, da preocupação dos exportadores do Rio Grande do Sul, tenho ido ao Rio Grande do Sul, tenho conversado muito. Irei no início do próximo ano, inclusive, ao Rio Grande, tem um evento marcado lá, inclusive em Caxias, além de Porto Alegre, e certamente, é uma coisa que estamos muito atentos. O Banco Central continua comprando reservas para evitar grandes desequilíbrios no fluxo de capitais, outras medidas compensatórias estão sendo tomadas, evidentemente, pelo governo. Agora, a médio prazo tende-se a estabilizar.
RÁDIO BANDEIRANTES-SÃO PAULO (SP)/LEANDRO MANÇO: O senhor diz que não pode fazer uma estimativa que seria, inclusive, contra a humildade nessa questão, mas poderia dizer ou arriscar um palpite de qual seria o ideal na cotação do dólar para manter o equilíbrio entre as vendas brasileiras, as compras, a questão da dívida?
MINISTRO: Olha, nós temos uma regra de governança de bancos centrais onde os bancos centrais não devem publicar, ou falar, ou divulgar esse tipo de opinião, qual seria o dólar ideal, qual seria o Real ideal ou qual seria um determinado tipo de taxa de câmbio. Para isso existem os diversos analistas, as diversas instituições que publicam os seus resultados e tem-se resultados diferentes. E existem várias instituições altamente respeitadas e etc., que publicam suas estimativas, mas é muito importante que o Banco Central não faça isso porque isso pode dar sinalizações equivocadas e fazer movimentações de preços nos mercados que não são corretos, na medida em que nenhum banco central que adota o regime de metas de inflação como o Brasil, etc. tenta controlar ou tabelar a taxas de câmbio porque isso fracassou no passado. Então, é muito importante que nós façamos esse tipo de análise, mas deixemos essas previsões e esses cálculos de taxa ideal para os analistas independentes.
RÁDIO 730 AM - GOIÂNIA (GO)/ ALTAIR TAVARES: Olá, Kátia, bom dia. Bom dia, ministro! Nós estamos no dia-a-dia observando a preocupação das pessoas e querendo saber qual é a previsão ou qual é a tendência para 2010 em se tratando de crédito para o consumidor. O volume de recursos para crédito tem aumentado e as pessoa ainda se preocupam bastante com as taxas de juros, muitas vezes, e considerado aí determinado tipo de negociação, muito altas para a nossa realidade. Qual é, então, a perspectiva para a taxa de juros, presidente?
MINISTRO: Bom dia, Altair. A previsão de crescimento para do mercado de crédito para o ano de 2010 é bastante positiva. Prevê-se que o crédito no Brasil deve continuar crescendo, cresceu a taxas elevadas antes da crise, durante a crise caiu bastante a oferta de crédito, ela já se recuperou, já está a essa altura havendo uma expansão do crédito. De um lado o crédito está caindo, o custo do crédito está caindo, o volume está aumentando, que é a trajetória correta, não há dúvida de que a taxa de crédito no Brasil, de empréstimo, a taxa de juros na ponta do empréstimo no Brasil ainda é elevada, já foi muito mais no passado, está caindo nos último anos, caindo como resultado da estabilização da economia brasileira e a tendência é continuar que caia, na medida em que se continue com essa política de estabilização da economia brasileira, isto é, de inflação controlada, de inflação na meta, reservas internacionais e etc. e, com isso, nós poderemos assegurar nos próximos anos uma continuidade desse processo, apesar de que, como você mencionou, de fato se encontra ainda em padrões elevados. Quer dizer, era muito muito mais alto, já caiu bastante, deverá continuar caindo, basta mantermos as políticas adequadas. Agora, em termos de volume, está aumentado bastante as taxas de aumento do total de crédito concedido já estão bastante saudáveis, bastante fortes e já retomando um padrão de normalidade que prevalecia antes da crise.
RÁDIO 730 AM - GOIÂNIA (GO)/ ALTAIR TAVARES: A outra pergunta é: em se tratando da sucessão no Banco Central, qual é o perfil do próximo presidente do Banco Central, Henrique Meirelles?
MINISTRO: Altair, essa é uma decisão do presidente da República. Conhecendo o presidente, caso essa decisão fosse ser tomada pelo atual presidente, eu não tenho dúvida de que seria o perfil de alguém comprometido com a estabilidade da economia brasileira. Caso eu fique no Banco Central até o final do ano que vem e, portanto, essa escolha seja feita pelo próximo presidente, eu acredito que deverá também manter o padrão de alguém comprometido com a estabilidade da economia brasileira, por quê? Porque a estabilização da economia brasileira, isto é, inflação mantida baixa e controlada, um balanço de pagamentos, um sistema de câmbio flutuante que tem permitido o Brasil acumular reservas internacionais elevadas como tem feito, uma dívida pública que está diminuindo com percentagem do produto, não só pelos saldos primários gerados pelo governo, mas também pela queda dos juros reais na economia. Tudo isso tem feito com que o número de empregos criados na economia tenha sido um dos maiores da história, foram criados quase nove milhões de empregos formais nos últimos anos, 25 milhões de brasileiros passaram a fazer parte da classe média, um número enorme de pessoas cruzou a linha de pobreza para cima, cerca de 30 milhões de brasileiros. Portanto, o padrão de vida da população brasileira melhorou muito, o poder de compra, a capacidade de arrecadação do governo aumentou e permitiu os programas sociais, não só o Bolsa Família, mas todos os programas sociais, o salário mínimo. Tudo isso junto faz com que o padrão de vida da população brasileira tem, inquestionavelmente, melhorado muito nos últimos anos. E eu acho que não tem muita margem para se voltar atrás, isto eu tenho certeza, portanto, de que os próximos governantes do Brasil estarão comprometidos com a manutenção da estabilidade de preços, da estabilidade do mercado cambial, fiscal e que o Brasil vai continuar crescendo e gerando emprego.
RÁDIO GUARUJÁ - FLORIANÓPOLIS (SC)/MARCELO FERNADES: Bom dia, Kátia. Bom dia, presidente. A minha questão é simples, presidente. É mais até no sentido de explicar ao grande público as perdas aí que tradicionalmente vêm se apresentando todo o final de ano, quando os países divulgam os seus produtos internos brutos. Tem sido comum a China e a Índia apresentarem números muito expressivos, agora mesmo depois dessa enorme crise que o mundo passou, a China novamente vem com um número expressivo. E aqui no Brasil, essa tese do PIB e do crescimento fantástico da China é sempre trazido como uma coisa negativa para o Brasil, porque o Brasil poderia ter crescido como a China. Mas nunca é explicado junto desse argumento que a China, praticamente, não tem lei trabalhista e lei social e faz uma concorrência quase desleal junto aos outros países. Sabe-se que a Organização Mundial do Comércio tem preocupações em relação a isso, ela tem sido denunciada. Eu queria que o senhor explicasse para o público ouvinte do Brasil inteiro essa relação quase desleal que a China tem com o resto do mundo e provocando enormes crises. Agora há pouco, nós ouvimos os companheiros do Rio Grande do Sul... A crise no setor calçadista lá é muito grande. Aqui em Santa Catarina, o setor têxtil é muito grande também por causa dessa presença da China no comércio mundial. Eu queria que o senhor explicasse isso, ministro.
MINISTRO: Bom dia, Marcelo. Certamente você está tocando em um ponto importante. Não é, de fato, possível se comparar a economia chinesa ou mesmo a indiana com a economia de outros países no mundo. São países que têm características muito diferentes, adotam políticas muito diferentes e têm resultados, portanto, muito diferentes. O primeiro deles e mais importante é que são países que têm uma vasta população, um grande número de pessoas que ainda não participam do mercado de trabalho, isto é, países como a China têm ainda, variam o número, dependendo de algumas metodologias de cálculos, mas entre cerca de 350 até 600 milhões de pessoas que estão fora do mercado de trabalho formal da economia, e que, portanto, a China tem capacidade de estar incorporando nesses mercados de trabalho formais um número menor - de 20 a 30 milhões de pessoas por ano - de um lado. De outro lado, de fato, a China não tem uma legislação trabalhista, como o Ocidente, por exemplo, direitos sociais ou benefícios sociais, previdências sociais e etc. Existe também, em consequência, um poder de negociação do trabalhador que não é o mesmo que tem em países como o Brasil. Como consequência de tudo isso, de um lado o custo de produção da China é mais barato, e de outro lado o salário do trabalhador é muito menor, a capacidade de consumo interno da China proporcional ao tamanho da sua economia também é menor, mas gera uma capacidade de exportação, de fato, muito grande. E existiram outros países, no passado, que tiveram condições não exatamente iguais, mas tiveram esta situação de ter vasta quantidade de mão-de-obra a ser incorporada ao mercado de trabalho. Já aconteceu no Japão, já aconteceu na Coréia, já aconteceu em outros países. Chega num certo momento que essa população é incorporada no mercado de trabalho e a partir daí se normaliza a situação. O próprio Brasil cresceu a taxas elevadas de 1900 até 1970 exatamente por um fenômeno similar, apesar que o Brasil tinha já direitos trabalhistas, etc., desde a década de 30 e também direitos sociais etc. Portanto, a situação para o Brasil era, certamente, muito diferente. Portanto, a China e a Índia são dois casos peculiares e que o mundo todo se preocupa, certamente, com isso, por esses fatores todos que você mencionou e, certamente, todos os países procuram tomar as medidas visando evitar medidas de competição desleal e etc., visando proteger a sua indústria. Mas não há dúvida de que esse é um fator importante no mundo, hoje, e um dos fatores de desequilíbrio.
RÁDIO GUARUJÁ-FLORIANÓPILOS (SC)/MARCELO FERNANDES: Só para completar essa consideração que fez o ministro, da necessidade de os países em desenvolvimento, como o Brasil, para evitar esse disparate e até problemas políticos internos, porque esse argumento é usado a todo momento, parecendo que o Brasil não está crescendo ou que tem problemas internos porque não cresce, da necessidade dos países denunciarem esse tipo de postura, dessa falta de legislação junto às organizações mundiais, para proteger a economia de países que estão fazendo a sua parte, não é?
MINISTRO: Marcelo, um dado importante é o seguinte: de fato, o Brasil tem levantado essa questão nos órgãos próprios, etc., porque ele tem duas questões de desequilíbrio aí - de um lado, a política americana, chamado excesso de liquidez, alta edição de moeda, e, outro lado, a China. E uma das consequências dessa política chinesa é a moeda chinesa desvalorizada. Então, de fato, essa é uma questão de desequilíbrio que está sendo discutida amplamente nos fóruns internacionais. Por outro lado, é importante dizer o seguinte: o Brasil está crescendo a uma taxa muito elevada por padrões internacionais ou por padrões de países emergentes. O Brasil é considerado hoje o país que saiu mais forte da crise, o país que saiu com condições de um crescimento equilibrado, isso é muito importante. Portanto, sustentável a longo prazo, porque além de o Brasil estar saindo da crise com previsões de crescimento de mais de 5% ao ano para 2010, o Brasil sai com uma capacidade de geração de emprego muito forte, está gerando aí mais de 240 mil novos postos de trabalhos por mês na economia, nos últimos meses. O Brasil está acumulando reservas internacionais de novo, o Brasil está de novo saindo da crise muito forte e com direitos trabalhistas, com diretos sociais, com democracia, com liberdade de imprensa e um Judiciário independente. Olhando isso como um todo, não há dúvida de que o Brasil, hoje, é considerado pela boa parte dos investidores como o país, de fato, que tem melhores perspectivas do futuro e mais brilhantes.
RÁDIO VERDES MARES-FORTALEZA (CE)/NILTON SALES: Eu gostaria de saber em que momento o senhor pressentiu que o Brasil estava vencendo a crise internacional e o que fazer para manter essa vitória?
MINISTRO: Nilton, vamos começar exatamente com a questão desta vitória brasileira e como ela foi conseguida e o que fazer para que se prossiga nessa trajetória. Foram duas razões. Primeiro: o Brasil entrou na crise muito mais forte do que em crises passadas e mais forte do que a maior parte dos outros países, por quê? O Brasil entrou nessa crise tendo feito o dever de casa dos últimos anos, isto é, o Brasil entrou na crise com a inflação estabilizada, com o poder de compra da população aumentando, o Brasil entrou depois de ter criado quase nove milhões de empregos formais nos últimos ano, com os investimentos crescendo, com reservas internacionais elevadas e tendo a dívida pública com percentuais do produto decrescido nos últimos anos. Portanto, o Brasil entrou equilibrado, com a situação do sistema financeiro equilibrada, ao contrário de outros países, particularmente os Estados Unidos. Nós temos uma legislação muito dura também para o sistema financeiro para evitar aquele tipo de coisa que aconteceu nos estados Unidos. Então, o Brasil entrou na crise mais forte. A crise atingiu o Brasil duramente, como sabemos, como vivemos, como experimentamos, porque houve um colapso do sistema internacional de crédito, pela falência de um banco americano grande chamado Leman Brothers. Muito bem. Aí, neste momento, ouve outro dado importante: o Brasil enfrentou a crise de forma eficaz. O Banco Central do Brasil, nesse momento, atacou os canais da crise, isto é, aqueles canais pelos quais a crise estava afetando o Brasil. O Banco Central ofertou empréstimos em dólar, substituiu, na prática, o Sistema Financeiro Internacional, que tinha deixado de financiar os exportadores e os bancos brasileiros, o Banco Central do Brasil usou depósitos compulsórios no Banco Central para prover recursos para os bancos e resolver problemas de bancos pequenos e médios que estavam deixando de oferecer financiamento em muito setores importantes, o Banco Central atuou fortemente nisso, o Banco Central atuou fortemente nos chamados derivativos, mercados de futuros, que estavam em crise em função de todo esse desequilíbrio e de uma série de outras questões. Em resumo, o Banco Central atuou, em seguida, na medida em que foi se restabelecendo a normalidade, aí o governo começou com a isenção do IPI. Mas foi muito importante, nesse caso, Nilton, o seguinte: no momento em que o governo ofertou, por exemplo, o IPI, isto é, tirou o IPI do automóvel, por exemplo, quando o comprador foi ao revendedor já existia o crédito disponível normalmente do revendedor, que não tinha há um ou dois meses atrás. Então, quando o comprador voltou a revendedor em dezembro atraído pela queda do IPI já tinha crédito de volta, isto o mercado já estava funcionando normalmente, coisa que não aconteceu em outros países, em resumo. E depois, a chamada flexibilização monetária, o Banco Central baixou a taxa de juros base etc. E hoje, por exemplo, mesmo órgãos duríssimos austeros, como o Fundo Monetário Internacional, eles fazem relatórios hoje apontando ação do Banco Central do Brasil como exemplar e que deveria ser seguida por outros países. Se olharmos também a ação fiscal do BNDES, do Banco do Brasil, da Caixa Econômica, realmente, o Brasil hoje é o modelo de sucesso no enfrentamento da crise. O que devemos é manter uma política monetária responsável, fiscal e cambial à frente, também responsáveis para que o Brasil vai continuar na trajetória de sucesso.
RÁDIO SOCIEDADE-SALVADOR (BA)/ ARMANDO MARIANI: A minha pergunta para o doutor Henrique Meirelles, presidente do Banco Central é a seguinte: presidente, o que deixa a gente entusiasmado depois dessa crise financeira que o Brasil conseguiu superar graças às medidas tomadas, o senhor foi o grande comandante, a gente sabe disso. É, quando a gente diz que o Brasil saiu de devedor a credor do FMI, o que significa isso para a gente, doutor Henrique?
MINISTRO: Um dado muito importante que é o seguinte. O Brasil, de fato, teve como um dos grandes problemas, durante todas as nossas vidas, a chamada dívida externa. Quem de nós viveu no Brasil numa época em que não ouviu falar em algum momento da crise da dívida externa? E um dia, eu pesquisando esse assunto, eu verifiquei recentemente que o nosso problema de dívida externa, na realidade, começou na independência, em 1822, quando o Brasil ficou independente e como negociação parte da negociação da independência assumiu uma dívida externa de Portugal. E o Brasil sempre viveu um problema da dívida externa porque o Brasil tinha uma dívida externa elevada. Não só o governo, mas também as empresas e na medida em que havia uma crise internacional qualquer, o Brasil tinha dificuldade de renegociar, de continuar tomando empréstimos e tinha de novo problemas internos graves em função da dívida externa. O Brasil nos últimos anos fez um grande trabalho de recuperação de reforma da economia brasileira que entre outras coisas fez com que nós pudéssemos acumular reservas e pagar dívidas. Para você ter uma ideia, o Brasil era um devedor do FMI, como você mencionou, devia uns US$30 bilhões de dólares do FMI que pré-pagamos. Pré-pagamos outros credores e, portanto, acumulamos reservas e no final em 2006 o Brasil se tornou um credor líquido internacional (pelo maior)pela primeira vez na história. Isso significa que agora este é um problema do passado.
RÁDIO ITATIAIA-BELO HORIZONTE(MG)/ ALESSANDRA MENDES:Bom-dia, Kátia, bom-dia, presidente! A pergunta é: o Brasil, presidente, parece que vai sair muito bem da crise, mas ano que vem, em 2010, é ano de eleições. O senhor não teme que uma possível abertura dos cofres do governo em ano eleitoral possa comprometer os esforços que têm sido feitos para enfrentar a crise?
MINISTRO: Alessandra, eu tenho confiança de que as autoridades fiscais manterão certamente as responsabilidades sobre a orientação do presidente Lula, aí, certamente, cumprirão as metas fiscais que foram definidas pelo próprio governo. No Banco Central, a nossa hipótese é que a meta fiscal do superávit primário do ano de 2010 será cumprida.
RÁDIO AMAZONAS AM-MANAUS(AM)/PATRICK MOTTA: Bom-dia, presidente Meirelles! Reservas confortáveis, taxas de desemprego que é uma das menores da história e o crescimento de 1,3% do PIB. Quanto à inflação e o crédito, quais as garantias para a estabilidade de preço e a manutenção da inflação em níveis suportáveis?
MINISTRO: Patrick, o Banco Central do Brasil tem um compromisso com a inflação estável e na meta e os índices de preços estáveis. É um compromisso que nós temos com o país e com o presidente da República. Temos cumprido esse compromisso já há sete anos e, portanto, temos hoje histórico e credibilidade para assegurar a você, aos seus ouvintes e à população brasileira de que teremos uma inflação estável e na meta para o ano de 2010 e deixaremos as condições para que o Brasil continue com estabilidade de preços nos anos seguintes.
APRESENTADORA: Presidente, o senhor tem comparado a atuação do Banco Central, durante a crise, como um médico que se depara com uma parada cardíaca. Eu queria que o senhor explicasse isso melhor para a gente como é essa comparação.
MINISTRO: É de fato, uma boa analogia que é o seguinte. Essa analogia foi desenvolvida por um grande economista americano, um grande professor se referindo à crise bancária, dizendo o seguinte: a crise bancária é como um atacadista no seguinte aspecto. Vamos supor que o médico seja presidente e verifique que um paciente está num grupo de risco e que, portanto, ele deve ser mantido próximo de uma unidade de terapia intensiva com todos os equipamentos porque ele tem risco de ter ataque cardíaco. Vamos supor que ele tenha um ataque cardíaco, só que ele está próximo da unidade de terapia intensiva, tem acesso a um desfibrilador e etc, e é tratado nos primeiros quatro minutos. A recuperação é rápida e integral, o que significa, não tem efeitos piores. Se não for feito isso, aí o ataque do coração prossegue, danifica os músculos do coração, isso vai aumentando, os danos do organismo vão crescendo e pode até atingir o cérebro. Portanto, quanto mais tempo passa, pior fica e os custos para o governo e para a economia, então, porque na economia é o seguinte, as crises vão saindo dos bancos, vai passando para o setor privado, passando para as empresas, para as pessoas, as pessoas vão perdendo emprego, as empresas vão tendo crise, etc, e depois para sair disso custa muito. No Brasil a ação foi rápida e precisa, como foi exatamente no caso de um ataque cardíaco o desfibrilador aplicado nos três primeiros quatro minutos. Portanto o Brasil pode sair da crise sem grandes consequências colaterais fortes e realmente em condições de competir no mundo hoje.
RÁDIO JORNAL DO COMMÉRCIO-RECIFE (PE)/WAGNER GOMES: Bom-dia, Kátia, bom-dia, presidente. presidente, a divulgação de que o produto interno bruto brasileiro cresceu 1,3% no terceiro trimestre deste ano decepcionou alguns analistas. O economista Sílvio Campos Neto disse que no geral o número trás uma ponta de decepção para quem já contava com um número mais positivo. Sílvio Neto diz ainda que pode acontecer de o dado no ano ficar negativo e o próprio ministro da Fazenda, Guido Mantega, havia dito que a economia do país teria crescido 2% no período, um dia antes da divulgação desse dado. Na opinião do senhor, o que é que foi que faltou para que o Brasil atingisse a meta esperada pelo ministro Guido Mantega ou até mesmo para um patamar maior. E será que nós teremos um crescimento negativo do PIB neste ano, presidente?
MINISTRO: O mais importante neste momento, Wagner, é o seguinte: o Brasil está crescendo bem e vai crescer forte em 2010. No Banco Central nós tomamos o cuidado de não fazer previsão para o PIB de trimestre por que? Porque é muito volátil por uma série de razões estatísticas. O importante é olharmos, de fato, o PIB do ano. Alguns dados desse crescimento do PIB no trimestre foram muito positivos e importantes. O aumento muito forte do investimento, aumento muito forte da indústria, outros dados que vieram depois como aumento das vendas e aumento do emprego, em novembro, do consumo também, do emprego mostra que a economia vai muito bem. Então, eu acho que o número foi menor do que muitos esperavam, mas a qualidade é muito boa, é muito forte e a nossa expectativa para o crescimento de 2010 é muito boa, principalmente do emprego.
APRESENTADORA: Presidente Henrique Meirelles, acabou nosso tempo infelizmente, e eu gostaria de agradecer a sua presença no programa Bom dia Ministro.
MINISTRO: Kátia, é um prazer enorme ter estado aqui conversando com você, conversando com os demais jornalistas, falando com os ouvintes, da Radiobras e de toda essa cadeia de rádio e também dos telespectadores e dizendo que nós devemos ter este ano um dos melhores, talvez, o melhor Natal da história.
APRESENTADORA: Tá certo, obrigada, então, presidente e a todos que participaram conosco dessa rede, o meu muito obrigada e até o próximo programa.