BOM DIA, MINISTRO COM O ADVOGADO GERAL DA UNIÃO, JOSÉ ANTONIO DIAS TOFFOLI.
APRESENTADORA: KÁTIA SARTÓRIO
Na pauta do programa de hoje a repatriação de crianças, e o mutirão
para desafogar o judiciário. O advogado geral da União vai explicar o
trabalho desenvolvido pelo Departamento Internacional da AGU, que
acompanha 40 ações de crianças trazidas ao Brasil sem autorização dos
pais. No programa o ministro Tóffoli vai conversar com a gente também,
sobre o acordo da AGU com o Conselho Nacional de Justiça CNJ, para
reduzir em dois milhões o número de ações judiciais que envolvem a
União. E ainda sobre o papel dos oito mil advogados públicos da AGU,
que estão contribuindo com o mutirão carcerário, uma campanha do CNJ
para atualizar a situação de milhares de presos brasileiros. O advogado
geral da União, ministro José Antônio Dias Tóffoli, já está aqui no
estúdio pronto pra conversar ao vivo com âncoras de emissoras de rádio
conosco de todo o país.
RÁDIO CAPITAL AM-SÃO PAULO (SP)/LUIZ CARLOS RAMOS: A respeito dessa
tentativa da AGU de esvaziar a prateleira, porque normalmente no
judiciário existem muitas ações a serem enfrentadas, eu vejo que a AGU
iniciou a cobrança judicial de mais de R$ 20 bilhões em multas que
foram aplicadas pelas agências reguladoras e não pagas por planos de
saúde e por empresas de telefonia, companhias aéreas, concessionárias
de energia e assim por diante. As empresas foram multadas em até R$ 1
bilhão, mas se recusam a pagar administrativamente restando a AGU
fazê-lo via justiça. O que tem sido feito, para que afinal, termine
essa novela?
MINISTRO: É importante esse tema que você aborda. A Advocacia da União
começou a fazer um trabalho de levantar todas essas multas aplicadas,
inscrevê-las na dívida ativa, porque só com a inscrição na dívida ativa
é que se pode entrar na justiça, para fazer essa cobrança. Fizemos esse
levantamento, e estamos fazendo mutirões em várias agências de
autarquias, para entrar com essas ações, são ações que interferem
corretamente no setor de concorrência, afim de que, aquela empresa, que
não andou de acordo com a lei, pague o preço da sua ilicitude, do seu
descumprimento da lei. É importante também esse trabalho que estamos
desenvolvendo de desafogar o judiciário, na medida em que estamos
optando por aquelas ações, que são as ações, que vão dar um retorno
para o Estado, para erário. É importante que se invista nessas ações,
que há liquidez para fazer a cobrança, geralmente nas áreas de
regulação, como telefonia, aviação, mineração, concessões públicas, as
empresas elas estão no mercado. Elas foram multadas, elas tem liquidez,
para serem executadas e cobradas, é diferente, por exemplo, de se
entrar com uma execução por uma empresa, que deixou de pagar impostos
mas que faliu. Ali é um investimento, que dificilmente dará algum
retorno, nós estamos também com um trabalho de diminuir o número de
ações com edição de súmula na Advocacia Geral da União, para evitar que
a União recorra em ações que já teve precedentes contra ela nos
tribunais superiores.
RÁDIO CAPITAL AM-SÃO PAULO (SP)/LUIZ CARLOS RAMOS: Eu gostaria também
de fazer uma pergunta, a respeito dessas ações judiciais, para
repatriação de crianças. Como é que funcionaria? Porque aqui no Brasil
noticiou-se bastante o caso daquele garoto, mas aquele é um caso muito
característico, muito próprio do garoto, filho de um americano e uma
brasileira que veio a falecer. Mas certamente o senhor tem vários
outros casos, que não são parecidos com esses?
MINISTRO: Exatamente. Aquele caso, ele teve uma repercussão muito
grande, está tendo ainda, mas não é um caso único, nós temos, por
exemplo, 22 crianças que foram levadas do Brasil e que a convenção de
Haia permitiu o retorno aos lares brasileiros. É uma via de mão dupla,
o Brasil assinou uma convenção internacional, em que praticamente uma
centena de países do mundo inteiro fazem parte desse acordo, e quando
uma criança é levada do seu país, para um outro, sem autorização dos
seus responsáveis, ou é levada e não retorna dentro do prazo acordado
entre os pais é possível então acionar o estado para onde a criança
foi, para que aquele estado devolva aquela criança ao país de origem. E
é no país de origem, de domicílio, aonde a criança mora habitualmente,
é que as discussões judiciais devem ocorrer, sobre guarda, sobre
pensão, sobre condições em que a criança viverá. Esse é um drama
humano, evidentemente, que gostaríamos que não existissem, mas existem.
Você tem separações que ocorrem dentro de um país em que uma pessoa vai
morar em outra cidade, isso também, tem menor número de casos,
situações em que vão morar em países diferentes e a situação de
regramento que foi acordado entre os países é que o local de domicílio
original da criança, deve ser o local para dirimir, ou seja, pra
resolver os problemas. No caso do tratado internacional de Haia o
Brasil, por exemplo, já repatriou 22 crianças e hoje a Advocacia Geral
da União atua em 40 casos, em que países estrangeiros pedem o
repatriamento de suas crianças.
RÁDIO 730 AM-GOIÂNIA (GO)/ALTAIR TAVARES: Uma curiosidade judicial e
também tratando desse assunto das multas dos 20 bilhões que o governo
tem a cobrar. Por que a situação chega a esta condição, ou seja, as
agências reguladoras multam, as empresas não pagam. Há algum problema
jurídico, que precisa ser resolvido, ou que está mal colocado?
MINISTRO: O que ocorria, é que o Estado não estava organizado para
fazer essas cobranças. As agências reguladoras, você deve lembrar, é um
modelo novo no Brasil, elas estão existindo nessa área de regulação do
mercado, há cerca de 10 anos, e evidentemente que você tem que
organizar a gestão, tem que instrumentalizá-lo. E havia toda uma
discussão jurídica de quem deveria cobrar isso, qual o setor que
cobraria, se a própria autarquia, se é a advocacia pública. E essas
pendências todas, quando assumimos a AGU, nós resolvemos através de uma
unificação do setor de cobrança junto a Procuradoria Geral Federal. E é
necessário que se faça a inscrição em dívida, senão essa empresa que
tem uma multa, um produtor rural que foi multado por questão ambiental,
ele realmente, ele fica tranqüilo, ele fala: se não vem atrás de mim eu
não vou me preocupar em pagar esses valores. Na medida em que você
organiza o Estado, que você organiza quem tem a competência legal de
fazer essa cobrança e fazer a inscrição e dívida num convênio que a AGU
fez com o Ministério da Fazenda com a Secretaria do Tesouro Nacional e
a Secretaria da Receita Federal, para fazer essas inscrições, nós
evidentemente precisamos, e fomos atendido em pessoal para fazer esse
trabalho. Fomos atendido em sistema de operações que você tem que ter
evidentemente programas de computador, você tem que ter instrumentos de
trabalho e infraestrutura, que nos foram dadas e agora começamos a
fazer mutirões em todas essas agências, porque muitas vezes você tem
processos administrativos que tem defesas administrativas apresentadas
pelas empresas, que devem ser analisadas e julgadas antes de fazer a
inscrição. E verificar que elas, que infelizmente prescreveram. Existem
casos já de multas que foram prescritas em razão dessa dificuldade
inicial que houve uma organização dessa cobrança. O importante é olhar
pra frente, é resolver esse problema e passar a agir, porque não
adianta o órgão regulador aplicar uma multa a um mau empresário e
depois não cobrá-la. Esse mau empresário ele vai ficar estimulado a
repetir a sua ilicitude e o bom empresário vai ficar atingido na
concorrência, e vai querer fazer o mesmo.
RÁDIO 730 AM-GOIÂNIA (GO)/ALTAIR TAVARES: Na condução desse trabalho e
através de outros mutirões que o senhor diz, a Advocacia Geral da União
em todo país está preparada para este termo de volume de pessoas em
termos de infraestrutura?
MINISTRO: Estamos,hoje preparados para isso, e estamos evidentemente
dando prioridade as agências que tem estoques maiores de processos
administrativos. Nós já tivemos no Ibama um mutirão tivemos na Anac,
estamos hoje na Anatel fazendo esse levantamento, esse mutirão e
analisando os processos administrativos. É importante pegar esses
processos da gaveta analisá-los e dar segmento a eles.
APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Ministro eu queria aproveitar e fazer uma
pergunta para o senhor sobre um fato que ocorreu ontem que foi a
decisão do Supremo de considerar inconstitucional o diploma para nós
jornalistas, como a AGU acompanhou esse processo na justiça?
MINISTRO: A União era parte nesse processo defendendo a posição do
Ministério do Trabalho no sentido de exigência do diploma de jornalista
para atividade de uma maneira regulamentar e como dizia a lei ora,
enquanto a justiça não disse que uma lei é inconstitucional a
administração publica deve aplicá-la. Havia uma lei que estabelecia o
diploma de jornalista para o exercício da profissão. Nesse sentido
havendo uma lei a administração pública no caso na administração
federal a competência é do Ministério do Trabalho, ela tinha por
competência fazer essa fiscalização de uma atividade que era
regulamentada. Agora o Supremo Tribunal Federal entendeu que a
liberdade de expressão que é um principio colocado na constituição
impede que haja, vamos dizer assim, a regulamentação da atividade do
jornalismo. Então essa atividade hoje ela é livre, qualquer pessoa
poderá exercê-la independente de ter o curso de bacharel e em Ciências
da Comunicação em Comunicação Social, em fim, o título de diplomado em
jornalismo. Essa atividade passa a ser livre o que não impede,
evidentemente, que as emissoras de televisão, de rádio, a imprensa
escrita ou mesmo a administração pública, através das suas empresas de
comunicação elas não dêem preferência ou não procurem no mercado
aqueles profissionais que estão melhores habilitados através do curso
de jornalismo. Mas a verdade é que a partir de hoje, nós não temos mais
essa regulamentação da profissão de jornalista.
APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: E nos casos de concursos públicos
principalmente no que se refere ao setor público, que a AGU acompanha,
monitora isso, a exigência vai continuar existindo ou não?
MINISTRO: Provavelmente deve exigir o diploma de jornalista na medida
em que se recrutará junto ao mercado aqueles profissionais que tem uma
capacidade já de formação em cursos superior na área.
APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Enquanto aguardamos, ministro eu queria
aproveitar para conversar com o senhor sobre a AGU ter sugerido a
revogação das novas regras para remédios, eu queria entender porque que
vocês entraram com essa ação.
MINISTRO: Na verdade o que ocorreu foi uma consulta à advocacia da
União ao seu órgão superior a respeito de uma resolução que regulamenta
não remédios, regulamenta a publicidade e a propaganda de medicamentos.
Assim como ocorreu em 2007 que também a AGU foi provocada a falar sobre
uma proposta de resolução à Anvisa, sobre regulamentação de publicidade
de bebidas alcoólicas. Nessa área de publicidade nós temos uma
característica que é do ponto de vista jurídico extremamente
importante. A Constituição Federal estabelece que a propaganda de
remédios, medicamentos em geral, de agrotóxicos, de tabaco e de bebidas
alcoólicas serão reguladas por lei, serão limitadas por lei.
APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Tem que passar pelo Congresso?
MINISTRO: Tem que passar pelo Congresso Nacional. A constituição ao
estabelecer isso ela estabeleceu que essas propagandas são lícitas, se
a constituição permite a propaganda é porque pode se fazer propaganda.
Então nós temos que ver as normas jurídicas a partir da constituição
que é o texto maior que é a nossa lei maior. Ora, se a constituição
disse que a propaganda desses produtos pode ocorrer, ela está
autorizando essa propaganda, e ela disse quem pode limitar, quem pode
limitar essas propagandas é o Congresso Nacional mediante lei. Então a
discussão que se coloca no ponto de vista jurídico não é se a resolução
era boa ou não, eu acho que era excelente, eu acho que é necessária
inclusive, essas limitações. Assim como em 2007 a Anvisa se propunha a
vedar a propaganda de bebidas alcoólicas durante o dia que hoje é
permitido, por exemplo, no caso de cervejas que tem uma gradação
alcoólica baixa você pode ter propaganda de cervejas às nove horas da
manhã as dez da manhã as duas horas da tarde, e o Ministério da Saúde e
a Anvisa gostaria de evitar isso, o que nós dissemos em 2007? Olha
excelente essa proposta, só que é necessário fazer um projeto de lei.
Não é possível fazer isso com uma portaria, não é possível fazer isso
com uma resolução de um órgão de administração com um órgão regulador,
é necessário que passe pela Congresso Nacional em razão do artigo 220
da constituição. Então nesse sentido é que é a nossa posição é evitar
exatamente que se a administração publica edita um ato que extrapola as
suas competências você terá depois na justiça uma série de ações
fadadas ao fracasso, é evitar essas ações.
APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Então é o papel da AGU, mesmo tendo sido
da própria Agência da Vigilância Sanitária que é uma agência do governo
federal, mas cabe a AGU orientar, olha isso ai, não é inconstitucional.
MINISTRO: Cabe a AGU orientar porque se houver depois ações na justiça
quem vai defender é a AGU. E ai fica difícil defender aquilo que é
contra a constituição.
RÁDIO CHAPECÓ-SANTA CATARINA (SC)/FÁBIO SCHARDONG: Esse mutirão
carcerário anunciado em linhas gerais o que é, quais os números, que
forma será desenvolvido, será em todos os estados, em todas as unidades
da federação?
MINISTRO: Olha Fábio, os mutirões carcerários é um trabalho muito
importante que o Conselho Nacional de Justiça, um órgão que foi criado
na emenda constitucional da reforma do judiciário, inclusive com o
apoio do presidente Lula no seu primeiro mandato, é um trabalho
extremamente importante que visa proteger aquele cidadão que
infelizmente é aquele cidadão que nós menos olhamos, ou que mais, a
gente olha para desprezar, que são aqueles presos aqueles que foram
encarcerados por alguma acusação e que foram muitos deles inclusive,
condenados e pagando a sua pena. Só que evidentemente que a pessoa tem
que ficar preso pelo prazo da pena, pelo prazo que o juiz estabeleceu.
Mas infelizmente o que ocorre no Brasil, é que muitas vezes o juiz dá a
sentença e quem cumpre a sentença é o poder público. E ai a ordem vai
para o poder público, vai para o diretor do presidio, o diretor do
presídio coloca o cidadão na cadeia e depois o que ocorre, é que aquele
cidadão não tem um advogado porque muitas vezes ele não tem condições,
a maior parte dos encarcerados não tem condições de ter um advogado
particular, um advogado privado, e ele é simplesmente na realidade é
que ele fique esquecido lá no cárcere. Nos levantamentos que o Conselho
Nacional de Justiça tem feito em casos em que ele já atuou como no
Piauí, no Maranhão e no Espirito Santo, tem verificado índices
extremamente altos de cerca de metade dos presos já poderiam estar
soltos. Isso tem duas consequências dramáticas. Uma é o cidadão que
está pagando mais do que ele foi condenado, e a segunda, é que esse
preso custa para o Tesouro Nacional, custa para o Tesouro Estadual, ou
seja, custa para os contribuintes, porque, evidentemente, se a pessoa
já deveria estar na rua, ele não estaria lá sob os cuidados e o custo
do Estado no presídio. Então, é uma atividade extremamente importante
que o Conselho Nacional de Justiça vem desenvolvendo. Tem de ser, sem
dúvida nenhuma, uma abordagem de direitos humanos, de olhar para essas
pessoas que o Estado desprezou, que a sociedade desprezou e eles têm o
direitos pela lei. Qual é o direito? É o direito de pagar a pena que
foi estabelecida e nada mais, nenhum dia a mais do que aquilo. E a
ideia de prisão, é a ideia também de ressocialização, que a pessoa
pague aquele pecado que ela cometeu, aquele crime, aquela ilicitude,
mas que depois retorne ao convívio social. É importante então que a
sociedade esteja atenta a isso, para que a gente possa ressocializar.
Se a pessoa está pagando um preço maior do que ela foi condenada, a
ressocialização dessa pessoa já começa mal, ou seja, ela já começa
punida além do que devia. A Advocacia Geral da União fez um convênio
com o CNJ, a fim de que todos os advogados públicos federais possam
atuar em auxílio ao CNJ, aos tribunais de justiça dos estados que estão
ocorrendo os mutirões, analisando esses processos de execução penal.
Então, é necessário que alguém pegue esses processos, olhe e verifique:
o cidadão aqui, nesse processo que está na minha mão, ele já cumpriu a
pena ou não? É uma tarefa de pegar e pôr a mão na massa. Pegar os
processos que estão lá, no armário, empoeirado, tirar de lá, olhar e
ver se aquele cidadão já cumpriu ou não cumpriu pena. É isso que é essa
atividade dos mutirões carcerários.
APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: São oito mil advogados públicos federais envolvidos nisso?
MINISTRO: Não. Oito mil são o total de advogados públicos federais que nós temos hoje na Advocacia Geral da União.
APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: E os que estão à disposição desse mutirão?
MINISTRO: E que esperamos que atuem nesse mutirão. Todas as associações
das várias carreiras da AGU, a AGU é composta de quatro carreiras de
advogados públicos. Há a carreira de procurador do Banco Central; a
carreira de procurador federal, que atua para as autarquias e
fundações, a chamada administração indireta; o advogado da União, que
atua para administração direta e o procurador da Fazenda Nacional, que
atua em matéria tributária.
RÁDIO CHAPECÓ-SANTA CATARINA (SC)/FÁBIO SCHARDONG: A gente sabe que uma
das preocupações e um dos problemas que existem hoje são o desrespeito
à falta de vagas no sistema carcerário. De que forma isso pode ser
combatido de forma efetiva? Porque a gente vê, inclusive, alguns
detentos infratores que são encaminhados para outras cidades, porque em
determinado município não há mais vaga, ou até ficam à disposição da
Justiça, mas nem encaminhados para penitenciária são. Mas uma ação
efetiva, nesse sentido, de que forma pode ser feita, ministro?
MINISTRO: Olha, o governo federal tem contribuído com a construção de
presídios federais. Mas é necessário que se haja um envolvimento de
todos os estados da federação, para que construa-se mais presídios,
para que se construa e se dê maior estrutura para essa área de
ressocialização dos presos. Infelizmente, como se costuma dizer, é uma
área que não dá voto e muitas vezes o poder público, o governante, não
olha para ela, não constrói presídios, mas é uma área que é necessária
ser olhada, porque infelizmente o crime existe, infelizmente nós temos
que encarcerar pessoas para o nosso sistema, que é o sistema que nós
temos, muitas vezes criticado etc.. Mas é o sistema que nós temos de
penalização e de ressocialização. É evidente que se não se dá estrutura
para essa área, mais difícil fica a ressocialização daquele que cometeu
um ilícito. É importante nessa área uma programação de direitos humanos
e de gestão.
APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: É, lembrando, ministro, que esse mutirão
carcerário vai ajudar, inclusive, a ter mais vagas no sistema
carcerário. Já tem gente lá que já podia ter ido embora.
MINISTRO: Exatamente. Existem locais que deveriam estar presos dez
pessoas e tem 50. Você, ao invés de ressocializar a pessoa, você piora
a pessoa. O Estado, ao invés de ajudar aquele ser humano, a voltar a
ser uma pessoa de bem, ele brutaliza aquele ser humano.
RÁDIO ALTERNATIVA FM-VÁRZEA GRANDE (MT)/JEFERSON LARANJA: Ministro, a
pergunta é a seguinte: quais os critérios que são utilizados para se
chegar a esses valores das multas quando se afirma que existem empresas
que foram multadas em até R$ 1 bilhão. Esse montante envolve várias
empresas ou esse valor se refere a uma única empresa? Se essas multas
fossem menores, não seria mais fácil viabilizar o seu recebimento ou o
seu pagamento?
MINISTRO: Essa sua pergunta é importante, porque essas multas, em
primeiro lugar, elas têm parâmetros na lei. Não cabe ao fiscal de uma
agência, de uma autarquia, estabelecer da cabeça dele, os valores. Isso
tudo tem parâmetro legal. Se não houvesse autorização do Congresso
Nacional, através de uma lei, não seria possível aplicar essas multas e
essas multas, ela depende do setor, ela depende da área regulamentada.
Nós temos, por exemplo, multas aplicadas pelo Inemetro (sic) que são de
R$ 1 mil. É aquela multa da balança da padaria, em que vai vender o
pãozinho e que aquela balança está viciada. Você tem multas que chegam
a determinadas situações de ter valores muito altos, porque são setores
regulados que movimentam uma porcentagem do PIB muito alto, como por
exemplo, as maiores multas, em geral, estão na área de telefonia. A
área de telefonia movimenta cerca de 7%, 8% do PIB nacional. Então, são
questões que acabam tendo realmente um valor de multa maior e a lei é
que dá esses parâmetros. Em muitos desses casos, é a soma de várias
atividades ilegais que foram feitas, que nós reunimos e somamos esses
valores para entrar com uma única ação. Nós não vamos entrar contra uma
empresa com dez ações diferentes. Nós somamos essas multas e entramos
com ela e isso dá, muitas vezes, valores muito altos. Mas varia de
acordo com a área regulada. Como eu disse, você tem multas na área, por
exemplo, do Inemetro (sic) que vai entre R$ 1 mil e R$ 10 mil, porque
isso é o varejo, isso é aquela situação pequena, mas que é necessário
cobrar também. É necessário que o Estado vá lá, mesmo que às vezes o
valor da multa, o processo, melhor dizendo, vai custar mais caro do que
a multa, mas você tem que fazer isso para regular o mercado.
RÁDIO ALTERNATIVA FM-VÁRZEA GRANDE (MT)/JEFERSON LARANJA: Ministro,
entre essas 40 ações de repatriação, como se deu a vinda dessas
crianças para o Brasil? Ou seja, elas fugiram, acompanhando o pai ou a
mãe sem a autorização de uma das partes ou existem outros fatores que
os fizeram vir para o Brasil?
MINISTRO: Em geral, são casos em que a mãe e o pai estavam morando
junto no exterior. Muitas vezes, você tem a situação da mulher
brasileira que se casou com um estrangeiro, vai morar no exterior,
nasce a criança, eles têm um domicílio no exterior e o casal se separa.
O casal se separa e é aquilo que é o comum do ser humano: quando você
se separa, você volta para casa do pai, você volta para casa da mãe,
você volta para sua família. Quando é a mulher brasileira que está no
exterior, o que ela geralmente faz? Ela está em um país estranho à ela,
em que ela foi porque ela tinha um relacionamento com um nacional
daquele país, foi morar lá, teve um filho ou dois e aí chega uma hora
em que o relacionamento acaba e ela faz o quê? "Bom, eu não vou ficar
vivendo neste país aqui. Eu vou voltar para o Brasil". A voltar para o
Brasil, o que geralmente ela faz? Traz a criança. Só que a criança não
tinha domicílio no Brasil, a criança tinha domicílio lá no exterior.
Muitas vezes, até a pessoa vem com autorização do outro cônjuge, do pai
da criança, da mãe da criança, só que quando chega ao Brasil, ela não
retorna. Não retornando dentro do prazo combinado, surge então o
ilícito. A tradução da convenção foi muito infeliz porque fala em
sequestro de criança. Na verdade não é um sequestro, porque o sequestro
remete a uma idéia de uma ação criminosa em que alguém colocou um
revólver na sua cabeça e te levou para algum lugar. Te sequestrou e
está pedindo um resgate. Esse nome sequestro não é o mais adequado. O
que ocorre aí é a idéia de subtração de menor ou de retenção ilícita. A
subtração ocorre quando alguém traz uma criança de um país para o
Brasil sem autorização daquele responsável pela criança. Então subtraiu
a criança do responsável e trouxe para o Brasil sem autorização. Ou
então quando vem para o Brasil, tem uma data para o retorno, chega essa
data e não retorna ao domicílio do origem da criança, então há aí a
chamada retenção ilícita. Geralmente, nestes 40 casos em que a
Advocacia Geral da União tem atuado para responder especificamente à
sua pergunta, são casos de mulheres brasileiras que se relacionaram,
casaram, viveram em companhia de estrangeiros, foram morar no país
estrangeiro, terminou o relacionamento e voltaram para o Brasil
trazendo seus filhos e, muitas vezes, os pais que lá ficaram pedem que
cumpra-se a convenção, ou seja, que a criança retorne ao local de
domicílio e que a Justiça de lá, do país estrangeiro, faça a decisão
sobre a guarda dessa criança. Se fica com o pai, com a mãe, qual o
valor da pensão alimentícia, enfim, direito de visita, para se ter uma
disciplina. Porque se não, qual é a Justiça que vai julgar isso? Se não
fica uma decisão no Brasil de um sentido, fica uma decisão no país de
origem em outro sentido e quem acaba sendo prejudicado nisso tudo é a
criança.
APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Então, de uma forma prática: se não tem
nenhum ilícito, nenhuma briga, apenas a família voltou ou um dos
cônjuges voltou com a criança, o quê que faz para ficar legal aqui no
país, tendo vindo com uma criança em que a pátria dessa criança não era
o Brasil, era outra, por exemplo. Qual era o serviço? O que a pessoa
precisa fazer para poder ficar legal?
MINISTRO: É necessária a autorização do outro pai, da outra mãe ou do
responsável. Tendo isso ela fica absolutamente legal, lícita no Brasil.
RÁDIO NACIONAL AM(DF)-ANDRÉIA TAVARES: Ministro, eu gostaria de saber
do senhor sobre a questão do diploma de jornalistas. É um assunto que
está hoje em todos os jornais e, inclusive, a Federação Nacional dos
Jornalistas, que criticou essa decisão ontem no Supremo, disse que vai
usar da criatividade para fazer com que haja a continuidade dessa
exigência do diploma. Essa decisão tomada pelo Supremo ela é definitiva
ou há ainda outro caminho que possa revogar o que foi decidido pelos
ministros ontem.
MINISTRO: A decisão do Supremo Tribunal Federal foi num caso
específico, num caso concreto, mas já dentro do novo instrumento
jurídico da reforma do Judiciário que é a chamada Repercussão Geral. Ou
seja: quando uma causa não vai atingir só aquela pessoa que entrou na
Justiça, mas atinge toda uma coletividade. Então, essa causa vale para
todos quando ela foi reconhecida como tendo uma repercussão geral.
Neste sentido, a decisão do Supremo dada disse o seguinte: a lei que
estabelece exigência de diploma para jornalista não pode valer porque
ela atinge a liberdade de expressão e de manifestação. Ora, neste
sentido fica muito difícil buscar alternativas para superar essa
decisão do Supremo. Por quê? Porque se a premissa do STF é que a
liberdade de manifestação e de expressar o seu pensamento, que está
também na Constituição, se ela é ampla e, portanto, restringir quem
pode ter acesso ao jornalismo, à atividade jornalística seria uma
afronta a ela, nos parece que a decisão do Supremo, chega a sinalizar
que mesmo uma lei feita hoje, agora nove pelo Congresso Nacional não
valeria também perante esse princípio da liberdade de manifestação.
Então, realmente será necessário muita criatividade, muito exercício
intelectual para tentar uma solução no sentido de quem defende a
manutenção do diploma de jornalismo.
APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Mas a AGU está lá com as portas abertas, né, ministro, para conversar conosco, com os jornalistas?
MINISTRO: Exatamente. A Advocacia-Geral da União está lá. Poderemos dialogar sobre isso e conversar a respeito.
RÁDIO MEC 800 AM-RIO DE JANEIRO (RJ)/DENISE VIOLA: Ministro, eu queria
voltar ao tema que o senhor falava anteriormente que era a cobrança
judicial das multas aplicadas pelas agências reguladoras. As agências
reguladoras aqui no Brasil são bastante criticadas pela inoperância e o
senhor falava também do valor das multas, da recusa das empresas em
estar pagando administrativamente. E eu queria que o senhor dissesse
para gente se essa cobrança da AGU, essa cobrança judicial pode de
alguma forma contribuir para um melhor funcionamento das agências
reguladoras e sobretudo para maior credibilidade ao serviço delas.
MINISTRO: Esse é o nosso objetivo. O nosso objetivo como advogados é
atender bem o cliente. No caso o nosso cliente são as agências
reguladoras e cobrar aquelas multas que elas aplicam. As agências
reguladoras são uma novidade em nosso país, elas tem cerca de 10 anos.
Evidentemente que você tem que ir institucionalizando, você tem que ir
profissionalizando e você tem que ir dando estrutura para esses órgãos
de gestão. Muitas delas há até pouco tempo não tinham estrutura. O
Cade, quando o presidente Lula assumiu, não tinha servidor. Foi o
presidente Lula que autorizou uma contratação temporária, depois criou
cargos para esse agência. É uma espécie de agência, um tribunal
administrativo, o Cade, que julga os casos, o Conselho Administrativo
de Defesa Econômica julga os casos de concentração para evitar que haja
cartéis no país. É uma instituição extremamente importante de defesa do
cidadão, de defesa do consumidor e que não tinha estrutura. Então,
aquilo que você falou sobre inoperância, na verdade, era uma falta de
estrutura, mas que o governo Lula enfrentou, deu estrutura, encaminhou
ao Congresso Nacional um Projeto de Lei para regulamentar melhor todas
as agências reguladoras e qualificar melhor essas agências e também
encaminhou ao Congresso Nacional um projeto de lei para regulamentar
melhor o sistema de defesa da concorrência. São projetos que estão no
Congresso Nacional, o das agências ainda se encontram na Câmara dos
Deputados. O do Cade, o novo sistema de Defesa da Concorrência já está
no Senado Federal, foi aprovado em dezembro do ano passado na Câmara
dos Deputados e são questões que estão enfrentando esse problema de se
melhor estruturar as áreas de regulação, de concessão pública que são
extremamente importantes para a defesa do cidadão, para o defesa do
consumidor. E a atuação da AGU é importante na cobrança dessas multas
exatamente porque você penaliza o mau empresário e beneficia com essa
penalização do mau empresário aquele que cumpre a Lei. Porque não
adianta você premiar o mau empresário não cobrando as multas, porque
você está penalizando não o mau empresário, você está penalizando
aquele que cumpriu a lei e acaba sofrendo uma diminuição da sua
capacidade de concorrência, porque, evidentemente, cumprir a lei traz
custos. Aquele que não cumpre a lei, não a cumpre porque ele quer criar
uma maior facilidade de concorrência. Então a atuação da Advocacia é
cumprir com esse dever de regular o mercado e defender o bom cidadão,
defender o bom empresário.
RÁDIO JOVEM PAN-MARÍLIA (SP)/GUILHERME LOPES: Nós gostaríamos que o
senhor expressasse a sua opinião sobre a decisão do Supremo Tribunal
Federal à respeito da decisão da não-obrigatoriedade do diploma de
Jornalista.
MINISTRO: Essa decisão do Supremo Tribunal Federal, ela se baseou na
idéia de que o diploma de jornalista seria inconstitucional, na medida
em que a própria Constituição Federal estabeleceu a liberdade de
manifestação do pensamento e de expressão. E entendeu portanto que
limitar o acesso à atividade jornalística seria então trazer uma
amarra, uma limitação que a Constituição não permite ao exercício dessa
liberdade de manifestação que é dada a todo e qualquer cidadão. Essa é
a premissa pela qual o Supremo entendeu que a atividade não pode ficar
exclusiva de quem fez o curso de jornalismo. Como eu já disse, é
necessário a gente estudar como é que vai ficar essa regulamentação,
essa atividade na medida em que, hoje, com essa decisão do Supremo,
qualquer pessoa pode exercer a atividade jornalística.
RÁDIO JOVEM PAN-MARÍLIA (SP)/GUILHERME LOPES: Com o fato de qualquer
pessoa exercer a profissão, então, como que ficariam essas pessoas sem
o curso superior, caso elas se envolvam em algum problema judicial?
Qual o embasamento que elas teriam para se defender?
MINISTRO: O embasamento é o mesmo que hoje mesmo um jornalista formado
tem. As ações que um cidadão tem caso ocorra uma injúria, uma
difamação, uma calúnia, é ir à Justiça, pedir uma indenização por dano
moral, para que o órgão de imprensa ou jornalista faça a reparação do
dano, caso tenha feito uma acusação, caso tenha feito alguma
manifestação equivocada, de má fé. Na verdade é a mesma situação que
qualquer pessoa que se usar de um meio de comunicação, terá para ser
punida. Que é (sic) as ações judiciais.
Hoje, como todos sabem, o supremo também julgou inconstitucional a Lei
de Imprensa, que estabelecia os procedimentos para as ações de direito
de resposta e de indenização. Hoje, portanto, o que vale são as regras
do Código Penal para qualquer cidadão e também as regras do Direito
Civil para o dano moral.
APRESENTADORA KÁTIA SARTORIO: Existem mais de 1,2 mil ações na Justiça
contra as obras do Programa de Aceleração do Crescimento. Qual é o
papel da AGU no PAC?
MINISTRO: É um papel muito importante. Dessas 1,2 mil ações, é
importante dizer que não são todas contra o PAC. Metade delas são ações
de desapropriação. Para você fazer uma rodovia, fazer uma obra federal,
muitas vezes é necessário desapropriar imóveis que pertencem a
particulares. E, muitas vezes, tem se tentado um acordo com esse
particular para que se evite a ação judicial. Mas, muitas vezes o
particular não aceita o preço ofertado e aí então a necessidade de
entrar na Justiça e fazer o depósito judicial desses valores. Então,
metade dessas 1,2 mil ações dizem respeito a ações de desapropriação,
que a União apresenta para que possa fazer uma rodovia, para que possa
fazer uma estrada de ferro, para que se possa fazer um aeroporto.
A outra metade envolve questões relativas, em grande parte a meio
ambiente, que também gera uma demanda muito grande e outras causas que
são relativas a licitações, a contratos, a modelagem de leilões, por
exemplo. Em todas elas, o que é importante é que não há hoje nenhuma
decisão parando obra do PAC. Nenhuma decisão judicial. A Advocacia
Geral da União fez uma coordenação de acompanhamento das obras do PAC,
de tal sorte de que no Brasil inteiro nós acompanhamos as ações
judiciais. Já quando vai haver um leilão, quando vai haver uma
licitação, a gente já acompanha o próprio protocolo, a própria
distribuição, para caso haja tentativa de se evitar uma ação, já termos
ciência e já, de imediato, procurarmos o juiz, o Judiciário, para
tentar evitar que haja uma liminar, que haja uma decisão judicial que
paralise uma obra, uma licitação, um contrato que é importante.
O PAC é uma prioridade do país. Não é uma prioridade só do governo
Lula. A nação brasileira precisa para ter um crescimento como vinha
tendo até setembro do ano passado, de 7% ao ano, é necessário ter
infraestrutura. É necessário ter energia, então é necessário construir
hidrelétrica, é necessário ter porto, é necessário ter aeroporto, é
necessário ter estradas, ferrovias. E para isso é necessário que essas
obras ocorram. O papel da AGU não é só também nas ações judiciais. O
papel da AGU é também no acompanhamento das licitações, na formatação
desses contratos, para evitar que haja uma licitação que depois gere
problemas, para evitar que haja um contrato que depois gere demanda na
Justiça. Nós também temos um papel muito importante no acompanhamento,
na formatação dessas licitações e desses contratos, para que não haja
depois, no futuro, contestações.
APRESENTADORA KÁTIA SARTORIO: Muito trabalho né ministro?
MINISTRO: É um bocadinho de trabalho. Mas, é o nosso dever. É a nossa obrigação.
APRESENTADORA KÁTIA SATORIO: A exemplo da CGU, que é a Controladoria
Geral da União, do Ministério Público e até do Tribunal de Contas da
União, a AGU também atua no combate à corrupção?
MINISTRO: Também. Atua de diversas formas. Quando a AGU atua no
consultivo, acompanhando os contratos e licitações, é exatamente para
evitar que haja uma licitação dirigida, para que haja algum requisito
no edital que, contrariamente a lei, venha a beneficiar algum
concorrente. Então, nós temos um trabalho preventivo. Esse trabalho
preventivo é aquele que acaba não aparecendo. Porque se você evita o
problema, o problema não acontece, ninguém sabe que você fez um
trabalho em benefício da sociedade.
APRESENTADORA KÁTIA SARTORIO: Ao contrário de quando surge uma denúncia de corrupção.
MINISTRO: Exatamente. Aí a outra face do nosso trabalho, que é dar o
apoio à Controladoria Geral da União, que é dar o apoio ao Tribunal de
Contas da União, para cobrar daqueles que malversaram o dinheiro
público. Quando você tem um processo administrativo que chega a
condenar um servidor, chega na condenar uma empresa que contratou
erradamente com o poder público ou em repasses de recursos públicos
para outros entes da federação - como prefeituras, organizações
não-governamentais - você tem uma condenação dessas pessoas seja pela
Administração Pública, Controladoria Geral da União. Seja pelo Tribunal
de Contas da União, cabe à Advocacia Geral da União cobrar isso em
juízo. E porque que cabe à Advocacia Geral da União? Porque é ela que
representa a União. A União são todos os poderes. É por isso que, por
exemplo, quando nós falamos de Tribunal de Contas da União, quem
executa as decisões do Tribunal de Contas da União, quem vai fazer que
elas valham perante o Judiciário e o Judiciário então faça a cobrança
de uma multa, faça a cobrança de uma condenação de ressarcimento ao
erário, é a Advocacia da União, porque ela representa a União e a União
o que é? Todos os poderes, o Executivo, o Legislativo e Judiciário.
APRESENTADORA KÁTIA SARTORIO: Ministro, a AGU tem se envolvido em
questões polêmicas: repatriação de crianças, reservas indígenas,
células-tronco, união homoafetiva e vários outros assuntos. Isso é
comum ou agora a AGU está mais atuante nesses outros assuntos?
MINISTRO: A Advocação Geral da União tem o papel de prestar assessoria
jurídica a toda a Administração Pública. A Advocacia Geral da União
está presente em todos os ministérios. Ela está presente em todas as
autarquias, fundações e universidades federais. Ela atua fazendo esse
trabalho de dar segurança jurídica aos atos da administração.
APRESENTADORA KÁTIA SARTORIO: Nas universidades também?
MINISTRO: Nas universidades também. Todas as universidades federais,
quem faz o trabalho jurídico é a Advocacia Geral da União através da
carreira de procurador federal. Só entre autarquias e fundações, são em
torno de 180. Todas as discussões que ocorrem no poder público, a
Advocacia Geral da União participa. Por exemplo: agora um dos grande
temas em discussão no país é o Pré-sal, aquelas reservas de petróleo
que foram descobertas e a modelagem que vai se fazer a respeito de como
explorar essa grande riqueza nacional que foi descoberta no nosso mar
territorial. E a Advocacia Geral da União é que faz a consultoria
jurídica através das consultorias dos ministérios envolvidos, que é a
consultoria do Ministério das Minas e Energia, a Consultoria da Casa
Civil. Todas essas consultorias são órgãos da AGU, que estão ali
disponibilizados a esses ministérios, a essas instituições para
orientar juridicamente, mas são da estrutura e da carreira da Advocacia
Geral da União. Portanto a AGU está presente em todas as discussões.
Ora, é natural portanto que todas essas questões tenham uma repercussão
junto à AGU e a AGU se faça presente. Por outro lado, nós estamos
vivendo um momento em que o poder Judiciário e o Supremo Tribunal
Federal têm tido uma postura mais proativa, uma postura que é chamada
por alguns de ativismo do Judiciário, que já ocorreu em outros países,
que já teve experiências em outros locais e que hoje ocorre no Brasil.
Que é um protagonismo maior do Judiciário, e o cidadão brasileiro tinha
sede de justiça. Nós vivemos por muitos tempo num governo autoritário e
ao redemocratizar o país, a Justiça foi redescoberta, como um teatro,
um local, um espaço público importante para a cidadania. Nesse sentido,
com a atuação da Justiça maior, evidentemente que a Advocacia Pública,
a Advocacia Geral da União começa também a ter uma maior visibilidade,
isso se repercute também na situação de nós termos a TV Justiça, as TVs
das instituições públicas divulgando as sessões do Tribunal de Justiça,
do Supremo Tribunal Federal e portanto, com isso, você ter o cidadão
cada vez mais próximo do Judiciário. Tudo isso repercute de uma maneira
maior na sociedade e a sociedade evidentemente vai conhecendo o que é a
AGU, qual é o seu papel, qual é a sua atuação.
APRESENTADORA KÁTIA SARTORIO: E falando nisso ministro é até importante
a gente destacar: um cidadão comum, como ele acessa a AGU? Ele pode
sozinho entrar no site da AGU ou telefonar ou visitar a própria sede,
ou ele tem de procurar instâncias menores até que chegue à AGU, para
que ele possa ser atendido?
MINISTRO: O nosso slogan hoje, da Advocacia Geral da União é "AGU
cidadã, seu direito, nosso dever". O Estado não existe para ele mesmo,
não existe para seus servidores, não existe para os governantes, o
Estado existe para a sociedade. Ou seja, ele existe pro cidadão. Ele é
o grande mediador dos conflitos que envolvem a organização de uma
sociedade de uma nação. E a advocacia desse estado ela tem de ser
focada no cidadão nos direitos do cidadão. Nós não podemos admitir uma
advocacia que seja contra o cidadão, porque o cidadão é o nosso
cliente, mais do que cliente, é o nosso patrão. É aquele que paga os
impostos e pagando os impostos, paga a nossa remuneração e portanto,
nós estamos exatamente com o trabalho de aproximação maior da Advocacia
Geral da União com o cidadão brasileiro. Nós temos várias formas de
acesso: nós criamos um órgão dentro da AGU que não existia, que é a
Ouvidoria Geral. Nós não tínhamos uma Ouvidoria Geral, nós criamos a
Ouvidoria Geral. Nós temos um canal 0800, nós temos a página na
Internet, que também permite a qualquer cidadão dialogar com a AGU
através da sua ouvidoria, mandar reclamações, mandar sugestões,
perguntar sobre processos administrativos em que ela é parte e esse
papel é muito importante. A AGU está presente no Brasil inteiro, nós
estamos em mais de 300 cidades em todas as capitais do Brasil. É um
órgão portanto com capilaridade nacional, está em todas as grandes
cidades brasileiras e o cidadão pode ter acesso mediante a Internet,
mediante telefone, mediante pedido de audiência nos órgãos espalhados
pelo Brasil inteiro e dessa forma é o nosso relacionamento com o
cidadão.
APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Estou vendo aqui na página da Internet da
AGU, o 0800, é o 08006451415, não é isso? Que funciona de oito da manhã
até às oito da noite, de segunda a sexta-feira, é importante que essa
ligação é gratuita não é isso?
MINISTRO: Isso, e a página na Internet, www.agu.gov.br.
APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Vamos falar um pouco sobre a greve dos
servidores do INSS. Hoje, dirigentes do Supremo Tribunal Federal, a
AGU, a Previdência e o INSS vão se reunir para discutir esse problema,
problema não, na verdade o que está acontecendo, que os servidores do
INSS estão em greve, pedindo várias coisas para a própria carreira
deles, mas a gente já sabe que por exemplo no Rio de Janeiro, em
Salvador, na Bahia tem agências do INSS que estão fechadas. O que vocês
vão discutir hoje? Já tem alguma orientação para ver se a greve termina?
MINISTRO: Em primeiro lugar, é importante destacar que o governo do
presidente Lula nos seus dois mandatos não só resgatou o poder de
compra do servidor público federal como deu aumentos acima da inflação.
Não houve nos períodos recentes da história brasileira um governo que
tenha atuado na defesa do cidadão e do servidor público tanto quanto o
presidente Lula atuou e o governo Lula atuou. Todas as carreiras da
Administração Pública Federal tiveram resgaste de seu poder de compra e
aumento acima da inflação. Então em primeiro lugar, essa greve é uma
injustiça contra esse governo, que tem feito tanto pelo servidor
público. Por outro lado, é uma injustiça muito maior com o cidadão, é
uma injustiça muito grande com aquele cidadão, principalmente esse
público do INSS, que são pessoas de idade, pessoas doentes, pessoas com
dificuldade, que acabam sendo as vítimas dessa ação. Felizmente, essa
greve surgiu de uma maneira bem tímida. Inicialmente só 12 agências,
segundo informações que temos do Ministério da Previdência, chegaram a
ficar totalmente fechadas. A adesão foi muito pequena.
APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Foi o que nós veiculamos, inclusive na Voz do Brasil de ontem.
MINISTRO: Já conseguimos uma suspensão na Justiça com a declaração da
ilegalidade, ou seja: aquele que for fazer greve vai ter o ponto
cortado e não vai receber, portanto aquele dia que deixar de trabalhar.
Com isso, nós esperamos que haja um retorno imediato daqueles poucos
que aderiram a greve.
APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: O STJ declarou a greve ilegal e abusiva, né?
MINISTRO: Exatamente, foi essa decisão que permite a partir de agora o
desconto de remuneração daqueles que faltarem ao serviço, com toda a
repercussão na sua ficha funcional.
APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Então hoje, nessa reunião de meio dia,
que o senhor vai ter lá no Gabinete da Presidência do STF com o
ministro o José Pimentel, da Previdência?
MINISTRO: Nós discutiremos não será a greve, porque isso já houve uma
decisão ontem do Superior Tribunal de Justiça. Nós discutiremos outras
ações judiciais que são importantes para o INSS e para a área da
Previdência Social. Nós vamos discutir ações que estão no Supremo
Tribunal Federal e que envolvem ações contra o INSS, contra a União,
que repercutem no orçamento da União. Então nós vamos discutir vários
assuntos lá com o presidente Gilmar Mendes e também vamos discutir
questões para auxiliar na diminuição de ações contra o INSS.
APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Eu gostaria de agradecer mais uma vez a sua participação no programa Bom Dia Ministro.
MINISTRO: Eu que agradeço a todos os ouvintes, a todas as rádios que entraram em rede e em especial aos ouvintes lá de Marília.
-- Fim da programação --
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