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Arquivos: 19-02-10

APRESENTAÇÃO KÁTIA SARTÓRIO: Olá, você, em todo o Brasil. Eu sou Kátia Sartório e este é o programa Bom dia, Ministro. Na pauta do programa de hoje o recorde de desembarques domésticos, que o Brasil registrou. O ministro do Turismo Luiz Barretto, vai conversar com a gente sobre os investimentos em infraestrutura e qualificação de mão de obra no setor e também vai explicar como os empreendimentos hoteleiros vão poder acessar os recursos da Linha BNDES ProCopa Turismo. O ministro Luiz Barretto já está aqui no estúdio e começa agora, a conversar ao vivo com âncoras de emissoras de rádio de todo o país.


RÁDIO GUAÍBA (PORTO ALEGRE-RS)/ MARJULIE MARTINE: Eu vou fugir um pouquinho da pauta, na realidade, porque eu quero lhe perguntar o seguinte: nós estamos em um ano complicado na verdade, porque é um ano eleitoral inclusive, e nós temos nos próximos, talvez, não sei, 20 ou 30 anos, previsto já o maior evento turístico no Brasil, que é a Copa do Mundo de 2014. Ai eu lhe pergunto, como é que o senhor, como ministro do Turismo, se sente, em virtude, não só desse ano eleitoral, e isso também de uma certa forma, mexe bastante com a política nacional. Mas o senhor como ministro mesmo, entende essa espécie de retirada do guarda-chuva do Ministério do Turismo para a Casa Civil da organização de absolutamente toda a infraestrutura da Copa de 2014, chefiada sob o guarda-chuva da ministra Dilma Rousseff, que é entendida como pré-candidata já a República pra 2010, agora pras eleições de outubro?


MINISTRO: Não, nós participamos ativamente dos preparativos, para o planejamento da Copa do Mundo de 2014. Há um grupo executivo formado pela Casa Civil, pelo Ministério dos Esportes, pelo Turismo e pelo Planejamento, que tem trabalhado assiduamente sob a coordenação do ministro Orlando Silva, com participação ativa da ministra Dilma Rousseff e tem alguns programas, que já estão em andamento, que é o PAC, o PAC1, agora o PAC2 esse sim, sob coordenação exclusiva da Casa Civil, que tem obras que, direta e indiretamente atingem também as preparações para a Copa do Mundo, que são obras de mobilidade urbana, que atinge a área de transportes públicos, estradas, saneamento que tem uma relação indireta com os preparativos. O Ministério tem trabalhado em conjunto, nós tivemos agora no dia 13 de janeiro, um lançamento de três primeiros grandes programas visando a Copa do Mundo. Foram mais de 8 bilhões, para a área de mobilidade urbana, envolvendo as 12 cidades, que sediarão a Copa. Também uma linha especial do BNDES para as arenas esportivas, até R$ 400 milhões por cidade pra facilitar a construção e a reforma das arenas esportivas que sediarão os jogos de 2014 e também uma linha especial para hotelaria brasileira. Via BNDES mais de R$ 1 bilhão para a construção, ampliação e reforma da nossa hotelaria, portanto nós estamos participando ativamente, somos consultados, há questões de infraestrutura. Não só infraestrutura do tema da mobilidade urbana, mas a infraestrutura turística, do patrimônio histórico, temas da qualificação profissional da promoção e outros temas, que nós temos participado ativamente em conjunto com o Ministério dos Esportes e a Casa Civil.


RÁDIO GUAÍBA (PORTO ALEGRE-RS)/MARJULIE MARTINE: De certa forma, não gera nenhum tipo de desconforto então, com relação ao relacionamento entre Ministério do Turismo e Casa Civil nessa questão de pra onde de fato, deve ser a organização?


MINISTRO: Não, não tem nenhum desconforto, há uma coordenação da Casa Civil natural, há uma coordenação do PAC que tem obras, que indiretamente nos ajuda. Quando você fala, por exemplo, na duplicação da BR-101 que atinge o Rio Grande do Sul e Santa Catarina, você está indiretamente, fazendo obras que serão um legado importante para a Copa do Mundo, já que você tem toda relação aí litorânea, a entrada dos argentinos e uruguaios também, então você tem naturalmente uma coordenação do PAC e da ministra Dilma Rousseff. Em relação ao PAC da Copa, há um grupo executivo, do qual o Turismo, faz parte dessa comissão executiva. E nós temos aí toda liberdade para estar discutindo e planejando ai o futuro dos próximos quatro anos.


RADIO ELDORADO (SÃO PAULO-SP)/FELIPE CALZA: Eu gostaria que o senhor comentasse, agora com o fim do carnaval, saíram números. Só o Rio de Janeiro, arrecadou R$ 1 bilhão na área de turismo, com os turistas que vieram, que gastaram na cidade. Isso sem comentar outras capitais importantes do país. Já há uma estimativa do Ministério de quanto a Copa pode trazer de dinheiro para o Brasil, quanto os turistas devem gastar aqui e de que maneira o Ministério do Turismo está se preparando pra enfrentar essa onda de turistas, que devem invadir o Brasil ai nos próximos anos.


MINISTRO: Primeiro é uma felicidade constatar aí, pelas primeiras informações ainda parciais, de que a gente teve um grande carnaval, estamos fechando um grande verão aí. A média de crescimento, deve chegar próximo a 10% com as informações preliminares, que a gente já recebeu. O Rio de Janeiro, movimentou mais de 700 mil turistas, teve um crescimento de 10% na hotelaria, com quase 100% de ocupação, isso vale também pra Recife, que fechou um balanço ainda parcial também, com a ordem de quase 415 milhões que geraram o carnaval lá em Recife/Olinda, com um número grande de mais de 500 mil turistas. Isso vale pra Salvador também. Nós tivemos também um bom carnaval em Santa Catarina também. Graças a Deus o tempo colaborou com Santa Catarina esse ano. Portanto a gente vai fechar um grande carnaval, um grande verão, que demonstra primeiro a vitalidade do nosso mercado interno, que tem demonstrado ao longo de 2009 e nesse início de ano, uma força de muitos brasileiros viajando pelo Brasil. Os índices aí de recordes de desembarques internos, que nós fechamos no ano de 2009, retrata um pouco essa situação. Foram quase 56 milhões de desembarques domésticos. Um crescimento de 14,5% em relação a 2008, portanto mostrando a vitalidade do turismo interno. Nós temos projeções positivas, o Brasil vive um bom momento econômico. Tem uma participação ativa no cenário internacional e além do mais, tem como você disse a Copa do Mundo e as Olimpíadas. Nós estamos trabalhando com planejamento, numa relação de muita parceria com os municípios e os estados, e estamos projetando ai, atingir até 2014, passar de 5 milhões de turistas estrangeiros, para algo em torno de 8 milhões e passar desse US$ 5,3 bilhões, que os turistas estrangeiros deixam aqui, pra alguma coisa em torno de US$ 9 a US$ 10 bilhões, quase dobrar os recursos até 2014. Evidentemente isso não acontece só no âmbito do ano da Copa do Mundo, vai num crescendo, que nós imaginamos em torno de 10% ano a ano e se consolida em 14 ai, com crescimento significativo e no período dos 20 dias, 25 dias da Copa, nós acreditamos que teremos ainda entre 500, 600 mil turistas estrangeiros. Mas a nossa aposta forte é além do turismo internacional, é continuar trabalhando fortemente para que nosso mercado interno e que mais, e mais brasileiros, possam botar na sua prateleira de consumo o turismo, que é uma coisa importante é pra vida das pessoas, o descanso, enfim, que mais, e mais brasileiros possam conhecer o nosso Brasil.


RADIO ELDORADO (SÃO PAULO-SP)/FELIPE CALZA: O Rio de Janeiro e São Paulo, eles ainda tem um grande déficit hoteleiro, pra Copa e pra Olimpíada. Fato apontado pelo próprio Comitê Olímpico Internacional. De que maneira o Ministério do Turismo vê esse problema e como ele pretende ser resolvido?


MINISTRO: Você tem razão, a gente tem situações muito diferenciadas nas 12 cidades, São Paulo, eu diria que é a cidade mais bem preparada no ponto de vista da hotelaria, são 42 mil quartos já credenciados. A exigência pra abertura da Copa é em torno de 45 mil. Portanto São Paulo tem totais condições nesses próximos quatro anos de atingir e superar tranqüilamente esse número. O Rio tem 28 mil para uma exigência em torno de 40 mil, 45 mil, portanto, tem nos próximos quatro anos ai também condições de superar isso. Nós lançamos uma linha especial do BNDES de mais de R$ 1 bilhão pra poder ajudar o financiamento não só da ampliação de novas construções, mas na reforma e modernização do atual parque hoteleiro, portanto, vai ter um estímulo grande, nós temos certeza que tanto o Rio como São Paulo estão no caminho certo.


O Rio de Janeiro deu um passo muito importante, você tinha ícones da hotelaria carioca parados, como o Hotel Meridian que retomou suas obras que deve ser reinaugurado esse ano. O Hotel Nacional que há mais de uma década estava fechado foi finalmente comprado num leilão ocorrido no final do ano passado. Você tem o Hotel Glória sendo retomado, tem um conjunto grande de empreendimentos sendo trabalhados, não só na capital mais no entorno também. E você tem no Rio uma grande vantagem que são os transatlânticos. No réveillon e no carnaval de 8 a 10 transatlânticos ficam na costa ancorados no porto. O que significa que a gente tem totais condições seja na hotelaria, seja através dos transatlânticos de dar conta do recado, e eu tenho certeza que tanto São Paulo fará uma boa abertura da Copa, como o Rio de Janeiro fechará com chave de ouro no quesito hotelaria. Eu não me preocupo, a gente tem outras questões que tem de ser trabalhadas ao longo dos próximos anos que nós vamos com muito planejamento e com muita parceria tentar superar os próximos anos.


RÁDIO CAICÓ (CAICÓ-RN)/MARCOS DANTAS: Ministro você falava agora há pouco em carnaval, e a cidade de Caicó de onde estamos falando realiza o terceiro maior carnaval da Região Nordeste. Isso atestado pelas autoridades e também pelos foliões. Mas infelizmente sem qualquer investimento do governo federal. Como trazer investimentos para o turista do interior do estado?


MINISTRO: Evidentemente o governo federal trabalha com mais de cinco mil municípios, a gente tem uma dificuldade em estar ajudando todos os municípios brasileiros. A gente tem procurado tratar com carinho os projetos que a gente recebe no Ministério do Turismo, a gente tem procurado ajudar inúmeros carnavais, São João e todas as manifestações culturais que movimentam a cadeia hoteleira a cadeia do turismo, o carnaval movimenta hotelaria, bares, restaurantes, gera riqueza, gera empregos, e portanto, a gente está sempre aberto para receber proposta. Eu não recebi nenhuma proposta específica da cidade de Caicó, mas teria o maior prazer no próximo ano de estudar com carinho isso. A gente tem privilegiado carnavais pelo Brasil todo, porque uma das prioridades no ministério é descentralização que a gente não fique concentrado apenas nos carnavais das capitais, ou do centro sul do país, Rio e São Paulo, mas que a gente possa trabalhar o Nordeste a Região Norte ou Sul do país. A gente tem procurado fazer isso, e o ministério tem dado demonstrações ai de apoio a várias manifestações culturais que ocorre no conjunto do território nacional.


Infelizmente por algum motivo a gente não recebeu nenhuma proposta específica de Caicó, mais fica aqui a lembrança específica e você está me dizendo que é um grande carnaval, portanto, estou aguardando um projeto para 2011 onde a gente possa colaborar junto com a prefeitura e junto com o governo do estado, que é ele que levanta as prioridades de cada estado. Eu não recebi nenhuma indicação nessa direção. A gente sabe da tradição turística do Rio Grande do Norte de Natal e de todo o Rio Grande do Norte, eu tenho certeza que a gente possa ir trabalhar juntos no próximo ano.


RÁDIO CAICÓ (CAICÓ-RN)/MARCOS DANTAS: E quanto as ações que o senhor destacaria ministro para o turismo aqui do nosso estado e as prioridades para 2010.


MINISTRO: Olha acho que a gente tem ai três grandes eixos de trabalho não só em relação a 2010, mas nos próximos anos que é de um lado a infraestrutura turística, nós já temos vários projetos em andamento no Rio Grande do Norte, eu destacaria, por exemplo, a duplicação da estrada que liga Natal a Pipa, por exemplo, que é um litoral importante ai do Rio Grande do Norte. Cito também a ponte da Redinha que houve participação decisiva do ministério e outras intervenções de pequeno porte que ocorre em várias cidades do interior. Acho que o tema da qualificação profissional é muito importante, a gente tem que treinar nosso receptivo turístico, capacitar nossos trabalhadores. Eu devo lançar no mês de março o "0lá Turista" no Rio Grande do Norte, em Natal, que é um curso para inglês e espanhol para os trabalhadores do setor hoteleiro de bares e restaurantes e toda cadeia do turismo, acho que a gente temos que nos preparar a receber os turistas, o brasileiro é muito hospitaleiro, o nordestino em especial, mas a gente tem de dar ferramentas de trabalho para que ele possa recebê-lo ainda melhor. E o ensino do inglês o espanhol é fundamental.


E um outro tema que eu considero muito importante que a Copa nos possibilita é a ideia de tornar o Brasil mais conhecido de ter os nossos destinos turísticos mais conhecidos não só no Brasil, mas no exterior também, e é o tema da promoção. Nós estamos fazendo uma parceria forte com todas as cidades que sediarão a Copa que a gente possa de fato promover os destinos tornar mais conhecido e fazer com que mais e mais turistas possam visitar não só as 12 cidades que sediarão a Copa, mas aqueles 65 destinos indutores do turismo brasileiro e que estão no entorno dessas capitais que sediarão os jogos. Portanto, nós vamos investir fortemente na promoção, na capacitação, e na infraestrutura turística que são fundamentais, sem descuidar evidentemente do financiamento da hotelaria que foi essa linha específica do BNDES. E no da 3 de março eu estarei lançando em Fortaleza, na sede do Bando do Nordeste, uma linha especial do fundo constitucional do Nordeste operado pelo Banco do Nordeste com condições muito vantajosas, não só para ampliação e construção de novos hotéis, mas também para reforma e modernização do atual parque hoteleiro de toda Região Nordeste com condições muito favoráveis de juros e um prazo longuíssimo, de quase 20 anos pra que esses empreendimentos possam ser feitos e possam ser quitados ai com o Banco do Nordeste. Portanto, acho que a gente está se preparando, mas o fundamental é preparar a infraestrutura e o legado que a Copa possibilitará para deixar pra todo Brasil no pós-Copa.


RÁDIO FM SERGIPE (ARACAJU-SE)/ANDRÉ BARROS: A primeira pergunta ministro, interessa de perto ao governador do estado Marcelo Deda e aos demais governadores da região. A contrapartida garantida pelo presidente Lula para o Prodetur, ela realmente vai acontecer? Ou não.


MINISTRO: Isso já está valendo, Sergipe já está recebendo recursos de contrapartida do Prodetur. A missão do BID esteve recentemente visitando Sergipe, aprovando projeto ai, com certeza rapidamente Sergipe vai aprovar seu projeto e terá recursos direto do BID, mas aquela contrapartida de 40% do projeto já está sendo efetivada pelo Ministério do Turismo integralmente, o governo do estado deixará de arcar com essa contrapartida. E os nossos investimentos têm de se concentrado nas pontes ai que ligam o litoral sul de Sergipe. A ponte de Aroba e outras pontes que estão sendo já feitas com recursos do Ministério do Turismo que já apontam essas contra-partidas, portanto, nós já temos feitos investimentos ai em Sergipe em colaboração, junto com o Ministério do Turismo e o governador Marcelo Deda, temos trabalhado juntos e temos certeza que essa parceria veio para ficar.


E estamos honrando os compromissos ai não só em Sergipe, mas em todos os estados. Hoje já são 20 estados que adentraram ao Prodetur, o Prodetur deixou de ser apenas um Prodetur da Região Nordeste, hoje é um Prodetur nacional e a gente tem honrado ai com esses compromissos. No ano passado foram gastos em torno de R$ 400 milhões de contrapartida dos vários Prodeturs aprovado no conjunto dos estados brasileiros. E Sergipe não ficou atrás, tem trabalhado fortemente, apresentou um belíssimo projeto, eu tenho certeza que não só a contrapartida vai sair, mas também o projeto definitivo do BID, já que a missão foi muito exitosa na sua visita ai no final de janeiro.


RÁDIO FM SERGIPE (ARACAJU-SE)/ANDRÉ BARROS: Ministro, uma outra questão que aflige de perto os estados nordestinos, e Sergipe está preocupado com isso é a questão da malha aérea que está preocupante, viu ministro. Temos Copa do Mundo prevista pro nosso país e a situação dos estados do Nordeste. O problema de aviões, de voos para o Nordeste está complicado. Ontem mesmo a Gol cancelou três voos aqui para o estado do Sergipe. Eu queria saber o que o Ministério do Turismo pode fazer junto a Infraero pra melhorar essa malha viária?


MINISTRO: Eu acho que é um ponto fundamental para a preparação do Brasil em 2014, é pensar uma malha aérea regional. Que a gente não fique só nos grandes centros, que a gente possa ampliar a malha aérea. O Nordeste tem algumas dificuldades. Às vezes você precisa se deslocar de uma capital do Nordeste para outra capital do Nordeste e tem até que vir à Brasília, em algumas situações. Há dificuldade nessa direção. O ministro da Defesa, Jobim, já identificou esse problema e tem trabalhado no sentido de pensar um programa e um projeto específico para a aviação regional, que possa possibilitar não só os voos de Air bus e de Boing, mas voos menores de 40 ou 50 lugares. Que possam trabalhar essa malha aérea regional interna ao Nordeste.


Os governadores, todos, têm levantado esse problema e estão dispostos a baixar o ICMS do combustível para ajudar e facilitar o custo dessa operação. mas, em todo mundo a gente sabe que a aviação regional precisa de subsídio. E, esse é o debate que o Ministério da Defesa tem feito junto à Infraero, junto à Anac. Forçado também com as companhias aéreas para que elas possam ter uma malha viária que possa, uma malha aérea que possa, de fato, trabalhar todo o território nacional. Hoje você tema penas 140, 150 pontos servidos pela malha aérea. A gente tem que ampliar isso e tem que pensar muito na relação inter-regional. E, você tem toda razão quando levanta esse problema. O Nordeste vive esse problema e nós estamos trabalhando com o Ministério da Defesa. E eu acredito que em um curto prazo se apresentará um programa para uma nova malha aérea regional. Mas, isso passa também por mecanismos de subsídios. Porque uma aviação regional não se sustenta se não tiver apoio governamental.


APRESENTADORA: Aproveitando o gancho dessa pergunta do André Barros, eu queria que o senhor falasse sobre esse recorde de desembarques domésticos que o Brasil registrou. Ontem a Anac, a Agência Nacional de Aviação Civil, inclusive soltou uma nota dizendo que o preço das passagens aéreas no ano passado foi o menor dos últimos oito anos. Tudo isso está contribuindo para que as pessoas viagem mais dentro do Brasil?


MINISTRO: É isso, a gente constatou o ano passado, apesar de ser um ano de crise internacional, onde houve um crescimento quase nulo na nossa economia, mesmo assim a gente teve um crescimento de quase 15% nos embarques domésticos. Foram 56 milhões de desembarques domésticos, superando o recorde de 2007, de 50 milhões. Portanto, um expressivo crescimento, um crescimento chinês de um setor importante nosso, que demonstra vitalidade do mercado interno de turismo, e, que mais e mais brasileiros estão viajando. Você tem um resultado da Anac. A Anac apontou que o preço médio das passagens, ao longo de 2009, foram os mais baixos nos últimos oito anos. Isso contribuiu também a uma maior competição. Outras companhias aéreas entraram no mercado e estão disputando com as duas maiores empresas este mercado. As duas empresas tinham em 2008, 94%, 95% do mercado. fechou 2009 já com índice próximo a 85%, o que demonstra uma maior competição.


Com maior competição quem ganha é o cliente, quem ganha é o turista na ponta, que os preços baixaram. E, também tem uma melhoria de renda do brasileiro. Isso que é importante. Mais de 20 milhões de brasileiros, a partir do bom momento econômico que o país vive, entraram no mercado de consumo. Portanto, aumentou a renda, aumentou o tamanho do mercado de consumo brasileiro, e isso refletiu no turismo também. Essas pessoas estão consumindo também, estão colocando na sua prateleira de consumo o turismo. Há um parcelamento, há uma agressividade das agências de viagens, das companhias aéreas no sentido de facilitar a venda de pacotes parcelando em 12 vezes. Às vezes até em mais. O que facilita a criação de uma cultura de viagem, o que é muito importante. Porque viajar é uma coisa fundamental para todos nós. Além de movimentar a economia, gerar emprego e renda. Eu estou muito satisfeito e eu projeto nos próximos anos um crescimento permanente, já que o Brasil vive um grande momento econômico e nós temos aí a Copa do Mundo e as Olimpíadas, no nosso horizonte. Que, com certeza continuarão a movimentar essa indústria do turismo que já tem mais de seis milhões de trabalhadores, que já é quase 3% do nosso PIB. Portanto, é uma área que já tem crescido e que tem gargalos a serem superados. E eu tenho certeza que a gente vai superá-los ao longo dos próximos anos.


RÁDIO TUPI (RIO DE JANEIRO-RJ)/ANA RODRIGUES: Nós gostaríamos de celebrar o sucesso do carnaval carioca, com dois grandes eventos ainda por vir: Copa do Mundo e jogos olímpicos, para detalhar esse projeto de recuperação do Aeroporto Internacional Tom Jobim, já que a cada dia mais o Rio de Janeiro se destaca no cenário turístico brasileiro. Nós temos uma precisão nesse carnaval, uma estimativa de três milhões de pessoas nos blocos de rua do carnaval. Sem contar o evento na Marquês de Sapucaí. O Aeroporto Tom Jobim, vai avançar o projeto de modernização e ampliação para receber tantos turistas, que a cada dia mais chegam à cidade?


MINISTRO: Eu estive no Rio de Janeiro, acompanhei os desfiles no Sambódromo, vi a importância da retomada dos blocos, da grande movimentação de rua que o carnaval do Rio teve. O esforço do prefeito Eduardo Paes, do governador Sérgio Cabral em, de fato, contribuírem para uma organização melhor do nosso carnaval. Eu constatei pessoalmente o crescimento do carnaval. O maior fluxo de turistas, não só brasileiros, muitos paulistas, mineiros, aqui de Brasília também. Mas, o aumento novamente de turistas do exterior. A presença forte de norte-americanos, de europeus. Portanto, toda a movimentação que isso gerou, mais de R$ 550 milhões de renda gerado (sic). Com mais de, quase um milhão de turistas, e essa grande movimentação do turismo de rua, que eu acho que é completo produto turístico. Quer dizer, o carnaval do Rio não é mais a avenida, o sambódromo. Ele tem outros ingredientes importantes, além da praia. Essa retomada dos blocos do carnaval de rua, que tem uma tradição muito forte. E você tocou no ponto importante. A Infraero tem feito um esforço grande. Há obras em andamento no Galeão, no terminal I, no terminal II.


Há um esforço da Infraero e do Ministério da Defesa para retomar e modernizar o Galeão. As obras tem avançado nessa direção. Nós temos um debate também de futuro sobre os modelos de gestão dos aeroportos brasileiros. E, eu tenho certeza que o Galeão estará muito melhor em 2014. Já melhorou, tem melhorado e vai conseguir.


Nós temos uma vantagem em relação ao Rio de Janeiro, que diferentemente de São Paulo e Brasília, há ainda uma capacidade grande de expansão de voos internacionais no Galeão. Hoje é em torno, só, de 50% a sua ocupação de voos internacionais. Portanto, nós temos uma expansão, não tem problemas de pista, e a Infraero tem feito um esforço no sentido de melhorar a gestão, e melhorar as obras. Há obras em andamento. Eu não tenho os detalhes. Mas, há quatro grandes obras em andamento aí no Galeão. E eu tenho certeza que a gente vai melhorando e com certeza essa será uma grande porta de entrada. Já que, a final da Copa se realizará no Maracanã. E, eu espero que o Brasil esteja na final. A gente terá, além da Olimpíada, um conjunto grande de eventos ao longo dos próximos anos.


Teremos também os jogos militares em 2011, um conjunto grande de atividades que ocorrerão. O Rio atrairá nos próximos anos um conjunto de eventos de negócios, de congressos muito grandes. Quer dizer, o que eu sinto é que a gente retomou o Rio de Janeiro como a principal porta de entrada do turismo de lazer. Há uma imagem muito positiva do Rio e do Brasil. E eu tenho certeza que o turismo pegará uma boa onda, uma boa carona nesse aspecto geral positivo do Brasil. E, eu tenho certeza que o Galeão acompanhará isso com o esforço que a Infraero tem feito, especificamente no nosso Galeão.


APRESENTADORA: Eu vou aproveitar para conversar um pouco mais com o senhor sobre os investimentos nas reformas, construção de hotéis, né, a gente sabe que no início do mês o senhor lançou, junto com o BNDES, o Ministério do Turismo lançou um projeto pra ajudar os hotéis a se ampliar, até construírem onde não existe e agora, pra março, tem uma outra proposta pra outros bancos participarem também dessa ampliação do setor hoteleiro. Eu queria que o senhor falasse pra gente em primeira mão, é 3 de março, é isso, ministro?


MINISTRO: É, exatamente. A gente tá, a hotelaria é um aspecto fundamental na preparação do Brasil pra Copa do Mundo mas não só pra isso, pro turismo brasileiro, a gente precisa reformar e ampliar o atual parque hoteleiro e nesse sentido o governo tem procurado ser o indutor desse desenvolvimento. Nós lançamos no mês de fevereiro uma linha especial com o BNDES de R$ 1 bilhão, não só pra ampliação mas pra reforma, com condições de juros e de prazos alongados, que possibilitam aí qualquer empreendimento acessar a salinha mas agora vamos tratar das regiões especificamente. No Nordeste há um fundo condicional operado pelo Banco do Nordeste, no dia 3 de março estarei em Fortaleza lançando também no Banco do Nordeste uma linha especial para hotelaria, para ampliação e construção de novos hotéis, uma linha que dará prazos de 20 anos pra esses empreendimentos serem realizados, portanto com condições muito vantajosas e que tenho certeza, significará aí um reforço na hotelaria da Região Nordeste.


Faremos a mesma coisa no Basa, que opera o fundo condicional da Região Norte também com uma linha especial do Basa pra hotelaria e a mesma coisa no fundo condicional da Região Centro-Oeste, que é um fundo operado pelo Banco do Brasil. Somando esses três fundos são recursos em torno de R$ 800 milhões para hotelaria brasileira que se somam àquele R$ 1 bilhão do BNDES. Portanto quase R$ 2 bilhões nos próximos anos pra que a gente tenha não só uma reforma, modernização do parque hoteleiro brasileiro, mas que a gente possa aumentar o número de hotéis e dar vazão a esse crescente número de turistas não só brasileiros mas estrangeiros que têm nos frequentado.


E o tema da hotelaria é fundamental na preparação do Brasil pra receber cada vez melhor os turistas e estar apto a receber os jogos da Copa do Mundo e na sequência dos Jogos Olímpicos de 2016. Portanto eu estou satisfeito, foi um debate profundo com todas as instituições ligadas à hotelaria brasileira, ABH, o FOB, todas entidades representativas dos hotéis participaram da discussão. Nós atendemos à principal reivindicação que era aumento dos prazos anteriormente dos processos de financiamento. No caso dos fundos chegou a 20 anos, no caso do BNDES a quase 18 anos, portanto, temos condições de construção dos hotéis quase igual às hidrelétricas como brinca o BNDES, e eu tenho certeza que esse é um estímulo importante pra gente enfrentar aí esse gargalo que é a hotelaria.


APRESENTADORA: E o prazo pra esse R$ 1 bilhão ser utilizado, pros projetos serem apresentados, vai até o final de 2012, é isso?


MINISTRO: Exatamente. Como o objetivo central é melhorar a infraestrutura dessas 12 cidades que sediarão a Copa, mas não só das 12 cidades. Daqueles 65 destinos no entorno das cidades que sediarão a Copa a gente fixou 2012, que é um prazo razoável pra que esses empreendimentos estejam prontos até 2014. Mas vale salientar que além dos financiamentos que os bancos públicos estão dando, os bancos privados também trabalham com financiamento e nós já temos no Ministério do Turismo uma informação que por parte da iniciativa privada, já há R$ 11 bilhões em investimentos em novos empreendimentos hoteleiros no Brasil nos próximos anos. São 266 novos hotéis que ou já estão em construção ou estarão iniciando sua construção nos próximos anos. Portanto, até 2014 no mínimo, a gente terá mais 266 hotéis que é o que a gente já tem cadastrado no Ministério. Portanto nós teremos grandes investimentos nessa área, quer dizer, há uma resposta do mercado não só brasileiro mas internacional das principais cadeias de olhar com carinho especial o turismo, o mercado interno brasileiro e as grandes possibilidades de negócio que essa área traz nos próximos anos. Portanto nós já temos aí mais de R$ 11 bilhões em financiamento privado de novos empreendimentos, de várias redes aí já cadastrados e essas novas linhas de financiamento só vão fazer crescer esses empreendimentos.


APRESENTADORA: Então vamos dar o serviço pra hotéis e pousadas que querem participar desse projeto de reforma e construção. O contato é www.cadastur.turismo.gov.br., né isso?


MINISTRO: Isso mesmo.


RÁDIO AMAZONAS (MANAUS-AM)/PATRICK MOTTA: Bom dia, Kátia Sartório. Bom dia, ministro.


MINISTRO: Bom dia a todos os ouvintes do estado do Amazonas, em particular você Patrick aí, estou a disposição pra falar com esse estado tão importante pro turismo brasileiro que é o Amazonas.


RÁDIO AMAZONAS (MANAUS-AM)/PATRICK MOTTA: Ministro, uma das maiores preocupação das autoridades durante a época de Carnaval é o turismo sexual. Muitos turistas estrangeiros ainda acham que aqui no Brasil sexo fácil continua não só nesta época. Durante este Carnaval, ministro, houve mudanças quanto a esse assunto?


MINISTRO: Bom, esse é um tema permanente de trabalho nosso. É uma preocupação constante nossa não só da área do turismo mas na área de segurança pública. A gente tem feito um trabalho, nos últimos anos muito importante de esclarecimento, de diálogo, com os principais meios de hospedagem não só do Brasil mas de todo o mundo esclarecendo essas questões, mostrando que não é bom pra nenhum hotel receber esse tipo de turista. O Brasil não é um destino de turismo sexual. E temos também feito trabalhos sociais pra que os meninos e as meninas em vulnerabilidade social possam ter uma alternativa de emprego e renda. Nós temos feito um trabalho forte aí de capacitação, de treinamento, de dar alternativas a essa nossa juventude, que eles possam se inserir no mercado de trabalho e em especial no turismo.


Temos projetos em Fortaleza, em Recife, em São Paulo também nessa direção de incorporar, a partir da capacitação, de treinamento, jovens em vulnerabilidade social. E temos feito um trabalho forte de divulgação de esclarecimento nos momentos importantes como o Carnaval. Distribuímos um conjunto grande de folhetos, fazemos campanhas publicitárias constantes, trabalhamos também com as embaixadas nos países de origem, alimentando esse problema e fazemos uma parceria fundamental com a Secretaria de Segurança Pública dos estados, com a Polícia Federal, para que possa coibir. E felizmente isso tem diminuído no Brasil nos últimos anos, quer dizer, nós temos enfrentado aí, com a ajuda e com a sensibilidade da hotelaria brasileira e as companhias aéreas, com todo o setor do trading turístico no sentido de coibir essa coisa nefasta para o turismo. Aqui nós queremos o turista que vem aqui pra curtir nossas praias, nossa Floresta Amazônica, nossa cultura, nossa gastronomia e que seja banido definitivamente. Evidentemente esse é um trabalho de formiguinha, ano a ano que nós vamos continuar trabalhando e vamos aproveitar o Carnaval pra continuar divulgando isso e criando mecanismos de constrangimento para aquele setor do turismo que possa receber esse tipo de turismo tão nefasto para o Brasil e para os brasileiros.


RÁDIO ALTERNATIVA FM (VÁRZEA GRANDE-MT)/ABERIDES ALVES: Bom dia, bom dia, ministro. Aberides aqui da rádio Alternativa FM, de Várzea Grande, Mato Grosso. Ministro, a pergunta é o seguinte: desses recursos que serão investidos na construção de estradas, reforma e construção de hotéis e pousadas nas cidades-sede da Copa 2014. Cuiabá e Baixada Cuiabana, por exemplo, Várzea Grande, Santo Antônio do Leverger, Chapada dos Guimarães e região pantaneira, como Barão de Melgaço e Poconé, terão alguma linha de recursos para qualificações profissionais?


MINISTRO: Primeiro, um bom dia a todos os ouvintes aí de Várzea Grande, do estado de Mato Grosso, é um prazer estar falando com vocês. Aberides, sim, esse tema da qualificação nos três eixos principais de intervenção do Ministério. Nós teremos sim verbas específicas pro tema da capacitação e da qualificação profissional nos próximos anos. Nós vamos lançar aí em Cuiabá o 'Olá, Turista', que é um curso específico do inglês e espanhol de treinamento aí dos trabalhadores do setor do turismo na linha inglesa e na língua espanhola, que é um tema importante pra dar uma ferramenta a mais para o trabalhador do turismo brasileiro, que já é muito hospitaleiro e que tem todo um jeito especial de tratar, mas ele terá sim um treinamento e outras questões importantes na área de bares e restaurantes, da hotelaria, serão contemplados. O Ministério tem uma verba anual de quase R$ 100 milhões para a questão da qualificação, terá nos próximos anos, com certeza, um aumento nessa direção, porque esse é um tema importante e eu tenho certeza que Mato Grosso e o Pantanal - que é uma porta importante para o turismo brasileiro - com certeza serão contemplados. A gente tem feito muita parceria com o governador e com as prefeituras e eu tenho certeza que a gente terá projetos bem específicos.


Fora hotelaria, que teve essa linha especial do BNDES de quase R$ 1 bilhão para facilitar a construção de novos hotéis e a reforma do atual parque hoteleiro. Nós lançaremos também, com o Banco do Brasil, que opera o Fundo Constitucional da Região Centro-oeste, uma linha especial para a região do Centro-Oeste, em particular para o Mato Grosso, para a hotelaria local, para as pousadas, os pequenos empreendimentos que possam ter acesso à essa linha especial do Fundo Constitucional do Centro-Oeste para hotelaria e que a gente possa, não só melhorar a atual hotelaria, mas ampliá-lo tendo os desafios que a Copa do Mundo vai significar, não só para Cuiabá mas, como você disse, para a região metropolitana; para a região da Chapada, que eu conheço, e é muito bonita; para o Pantanal, que é uma porta de entrada e que tem de ser trabalhada. Nós temos que mostra as belezas do Pantanal, promover o Pantanal, tornar o Pantanal mais conhecido. E eu tenho certeza que a Copa do Mundo será muito importante.


Nós lançamos já obras importantes de mobilidade urbana, junto com o governador, numa parceria do presidente Lula, com o governador de Mato Grosso, no sentido de melhorar a infraestrutura de Cuiabá, mas eu tenho certeza que o tema da qualificação da hotelaria serão contemplados sim, por que são fundamentais na preparação, não só para a Copa, mas na preparação de tornar Mato Grosso uma porta de entrada importante do turismo brasileiro.


RÁDIO ALTERNATIVA (VÁRZEA GRANDE-MT)/ALBERIDES ALVES: Uma das preocupações com respeito às cidades-sedes da Copa do Mundo, há uma preocupação com respeito ao atraso de algumas obras de infraestrutura nas cidades-sedes. Como o senhor vê isso?


MINISTRO: Nós estamos fazendo um acompanhamento. Você sabe que o presidente Lula fez questão de construir uma matriz de responsabilidade. Essa parceria com os municípios-sedes e os governadores foi sacramentada no dia 13 de janeiro, quando se assinou os três primeiros grandes eixos de intervenções para a Copa do Mundo - que era o tema da mobilidade urbana, que envolveu as 12 cidades-sedes com recursos de mais de R$ 8 bilhões; a questão da construção das arenas esportivas, com o financiamento do BNDES; e essa linha especial para a hotelaria. E se deixou clara, as responsabilidades dos municípios, do governo estadual e do governo federal.


O dinheiro está disponível. O ministro Orlando Silva coordena um grupo executivo do governo federal que vai acompanhar e nós estamos acompanhando. Há sim, alguns atrasos, que são naturais no início das obras, mas eu tenho certeza que, como o prazo não vai mudar, a Copa ocorrerá entre junho e julho de 2014, eu tenho certeza que o Brasil se preparará, que ganharão ritmo as obras. Há um pequeno atraso ali ou aqui, mas tenho certeza que vai ser superado.


E tem também a cobrança da Fifa e da CBF. Que dizer, as cidades que não realizarem a sua lição de casa, que não se planejarem, correm risco, inclusive, de serem, ao longo dos próximos anos, eliminadas como possibilidade de Copa. Eu acredito que isso não ocorrerá, torço para que isso não ocorra, mas eu acho que isso é fundamental: que toda cidade faça a sua lição de casa. O dinheiro está disponível, a linha de financiamento, as obras do PAC estão em andamento, o governo federal tem todo o interesse em acompanhar.


Agora, evidentemente, precisa ter planejamento e precisa ter a lição de casa. Nós estamos acompanhando. o ministro Orlando Silva e a ministra Dilma Rousseff estão acompanhado isso, mas eu tenho certeza que isso não ocorrerá. Há atrasos sim, nós estamos vendo em relação às arenas esportivas um pequeno atraso em algumas cidades, mas tenho certeza que ao longo de 2010, como se diz 'o carro vai pegar no tranco' e a gente vai deslanchar as obras, já que a gente tem quatro anos para superar.


Eu acho que o Brasil tem todas as condições de realizar obras importantes que serão legados, heranças importantes. Não só para a Copa, mas para todos os moradores que moram e para o turismo brasileiro e a gente vai acompanhar passo a passo isso e, com certeza, terá uma cobrança muito grande de vocês da imprensa, do Ministério Público. Há um Portal da Transparência em relação a isso, e eu tenho certeza que a gente superará outros empreendimentos que foram feitos como o Pan-americano, que tiveram obras de última hora.


Obras de última hora nunca é bom, porque elas se tornam mais caras e numa correria desnecessária. Portanto, a gente vai acompanhar e, dentro das responsabilidades do governo federal, exerceremos o nosso poder de reforçar e ajudar os municípios e os estados.


RÁDIO EXCELSIOR (SALVADOR-BA)/EDSON SANTARINI: Bom dia a todos companheiros. Bom dia ministro Luiz Barretto, é um prazer falar. Estamos falando aqui da rádio Excelsior da Bahia, em Salvador. Ministro, está chegando a perspectiva da Copa, e Salvador é uma das sub-sedes da Copa do Mundo, e a nossa preocupação é que quando se fala em turismo, a gente lembra os locais mais badalados, como Porto Seguro, Chapada Diamantina, Salvador, Praia do Forte entre outros locais. Como inserir as cidades que não têm uma cultura de turismo, mas que de alguma forma elas possam também ser beneficiadas, principalmente nesse período da Copa, ministro?


MINISTRO: Primeiro, o meu bom dia a todos os ouvintes da Bahia, é um prazer estar falando com você Edson e todos os ouvintes da rádio Excelsior. Vocês estão vivendo um grande Carnaval, vivendo um grande verão com crescimento em torno de 10%, todas as informações que o governador Jacques Wagner, o secretário Domingos Leonelli me passaram é de que foi o melhor carnaval dos últimos anos aí, com grande movimentação de toda a cadeia do turismo, com crescimento da ocupação hoteleira. Portanto, a Bahia tem se credenciado com um dos principais destinos e principais portas de entrada do turismo brasileiro, não só para brasileiros, mas de uma maneira do turismo internacional também.


Eu acho que a Copa é uma grande oportunidade, não só para Salvador, mas para as outras 11 cidades que sediarão a Copa, mas para todo o entorno para todo o Brasil, para todo o turismo brasileiro. Você disse aí que há destinos fortes na Bahia, como o sul da Bahia, Itacaré, Porto Seguro, e toda a região de Trancoso, que é um litoral belíssimo, com uma gastronomia muito boa, você tem a Chapada, você tem o litoral norte, mas acho que a gente tem que integrar roteiros, porque o turista que vier a Salvador ou que for a Recife, ou que for para outros destinos que sediarão a Copa, ele circulará muito pelo Brasil. Ele terá um intervalo de jogos de no mínimo 72 horas, há que se trabalhar junto com as prefeituras e com as secretarias de Turismo, seja do estado, seja das cidades, no sentido de ter roteiros integrados, que a gente possa fazer com que o turista circule.


Há que se fazer também uma lição de casa, melhorar a infraestrutura, melhorar a sinalização turística, aumentar a qualidade de nosso receptivo, ter treinamento no inglês e no espanhol, promover os nossos destinos. Nós vamos nos concentrar, no caso do Ministério do Turismo, naqueles 65 destinos condutores, que no caso da Bahia são cinco destinos que são aqueles que já têm hoje uma capacidade turística grande, e no entorno deles acho que aí está a grande questão: como integrar vários roteiros em cada estado? Pensar roteiros que a gente possa botar na prateleira de consumo dos turistas esses destinos integrados, que a pessoa que vier a Salvador, conhecer a cultura de Salvador, as nossas igrejas, a riqueza de nossa gastronomia, as festas populares que o Nordeste tem, possam também conhecer o litoral sul e o litoral norte, conhecer aspectos importantes da nossa colonização, da nossa cultura, e a Bahia é muito rica nisso.


Eu tenho certeza que a Copa não será apenas daquelas 12 cidades, mas o Brasil inteiro aproveitará essa grande oportunidade que é a Copa do Mundo, de movimentação de todo o turismo brasileiro. Para isso precisamos fazer a nossa lição de casa, precisamos melhorar a nossa infraestrutura aeroportuária, melhorar a acessibilidade dos nossos destinos, as nossas estradas, melhorar a qualificação e, de fato, tornar o Brasil mais conhecido, porque ainda há um grande desconhecimento do Brasil, e mesmo entre os brasileiros, há vários locais que precisam ainda ser descobertos e eu tenho certeza que a Copa ajudará muito nesse sentido. Você tem toda a razão, a gente tem que aproveitar, não só para concentrar naquelas 12 cidades, mas para decentralizar e aproveitar todas as oportunidades que esse Brasil maravilho dá ao turismo brasileiro.


RÁDIO GUARUJÁ (FLORIANÓPOLIS-SC)/CARLOS DAMIÃO: Bom dia Kátia. Bom dia ministro. Eu vou pegar o gancho, embora Florianópolis não tenha sido escolhida como cidade-seda da Copa do Mundo por diversas razões, entre as quais a infraestrutura urbana. É talvez a segunda cidade brasileira com a pior mobilidade urbana hoje. Eu queria saber do senhor se Florianópolis, sendo uma cidade turística, ela receberia algum tipo de investimento também visando a Copa, não como cidade-sede mas como uma cidade turística periférica, já que nós estamos perto de Porto Alegre e de São Paulo e de Curitiba, também.


MINISTRO: Bom dia a todos os ouvintes de Santa Catarina, de Florianópolis, a você Carlos Damião. Florianópolis é um destino fundamental para o turismo brasileiro, é uma porta de entrada do turismo de lazer, é um litoral maravilhoso. Acho que a Copa, como eu disse anteriormente, não são apenas as 12 cidades que sediarão a Copa, Florianópolis é um destino importante, está entre Curitiba e Porto Alegre. É uma porta de entrada dos turistas do Mercosul, tem uma tradição hoje forte de receber os argentinos, os chilenos, vai continuar sendo uma porta de entrada importante do Mercosul de todos os nossos sul americanos, tem uma tradição e com certeza trabalharemos para que Florianópolis possa ser inclusive uma sub-sede, que alguma seleção que jogue os jogos ou em Curitiba, ou mesmo em Porto Alegre possa inclusive, naquela pré-temporada sediar em Florianópolis.


Hoje Santa Catarina tem uma tradição futebolística também. Há times que participam da primeira divisão do campeonato brasileiro, portanto, acho que Florianópolis continuará sendo um destino importante do turismo brasileiro e a Copa significará também um crescimento aí. Mas eu considero a questão da porta de entrada pro mercado sul-americano como uma questão importante a ser trabalhada, na promoção do destino Santa Catarina, que não é apenas Florianópolis, há um conjunto grande do nosso litoral, com possibilidades de receber, não só brasileiros, mas sul-americanos e europeus, a gente tem que trabalhar nessa direção.


Já estamos trabalhando com a Santur, nesse sentido e estamos felizes com o resultado positivo desse verão em Santa Catarina, que superou, felizmente, no ano retrasado, que teve aqueles problemas de chuva. Esse ano a gente teve um verão positivo em Santa Catarina, e consolida vocês como uma grande porta de entrada do nosso turismo.


RÁDIO BOA NOVA (FORTALEZA-CE)/MARCOS PEREIRA: Nós vemos hoje, em Fortaleza, em várias regiões, um crescimento muito grande do turismo e isso é muito bom, mas também vemos, não só em Fortaleza, em outros pólos turísticos, infelizmente o chamado crescimento do turismo sexual, que atinge homens, mulheres e crianças. Eu gostaria de saber se esses investimentos em turismo também iriam contemplar esse setor, como investimentos em ações sociais, para o combate desse tipo de prática tão comum, infelizmente hoje, em nossa cidade?


MINISTRO: Bom dia Marcos, aos ouvintes cearenses da rádio Boa Nova de Fortaleza, é um prazer estar falando com vocês. Você tocou num tema importante. A gente viveu um grande verão, está vivendo um grande verão, com o crescimento do turismo em todo o Brasil na ordem de 10%, a hotelaria está muito satisfeita, todo o trading turístico também. Temos evoluído muito nos últimos anos na infraestrutura, temos uma parceria forte com o governador Cid (Gomes), com a prefeita Luizianne (Lins), no sentido de melhorar a infraestrutura, temos investimentos fortes na CE-040, a reurbanização da praia de Iracema, a construção dos aeroportos regionais de Jeriquaquara e de Aracati, portanto, temos grandes investimentos no centro de convenções, no centro de eventos em Fortaleza.


Temos, também um trabalho muito importante com a prefeitura do governo do estado, no sentido de combater o turismo sexual, não só na divulgação, junto à hotelaria, aos consulados, a repressão da área da Polícia Federal, da segurança pública, mas também investimentos de ações sociais de qualificação e treinamento dos meninos e meninas em situação de vulnerabilidade social. Em Fortaleza, temos um projeto piloto muito exitoso, do qual o sistema S participa, todo o trading turístico participa. São mais de 500 jovens que são capacitados em áreas do setor da hotelaria, da gastronomia e todos os setores do turismo e que possam ter empregabilidade e alternativas de emprego e de renda, que possam significar, definitivamente, esses jovens terem um futuro melhor.


Fortaleza tem sediado esse plano piloto nosso, nós estamos exportando essa mesma experiência de Fortaleza para Recife, para Baixada Santista aqui no estado de São Paulo, portanto é uma experiência muito importante, de um parceria com a prefeitura que identifica essas famílias em vulnerabilidade social. Há um trabalho com esses jovens, de capacitação. Eu quero dizer a vocês que o índice de empregabilidade é grande - 30% desses jovens que participam desses cursos conseguem se empregar, criam uma alternativa, não só para o seu futuro, mas para o futuro das suas famílias e eu estou muito satisfeito nesse combate.


Agora é um trabalho de formiguinha. Ano a ano nós temos que continuar trabalhando, divulgando. Aproveitamos o carnaval para fazer uma grande divulgação, uma campanha publicitária e vamos trabalhar combatendo sempre esse tema que é muito ruim para o Brasil e para os brasileiros.


APRESENTADORA: Ministro eu queria aproveitar e conversar com o senhor um pouco sobre o andamento do 'Olá Turistas'. As aulas já começaram, mas ainda dá tempo das pessoas se inscreverem para fazer esse curso?


MINISTRO: Olha, o 'Olá Turismo' é fundamental nessa qualificação profissional, no ensino do inglês e do espanhol. Foi lançado no ano passado em seis capitais que sediarão os jogos da Copa. Nós vamos lançar, esse ano, nas outras seis cidades. Vamos expandir para o entorno dessas cidades. São 80.000 trabalhadores do turismo que já estão participando deste curso de inglês e de espanhol online e de graça, com o apoio da Fundação Roberto Marinho, e eu tenho certeza que a gente melhorará a qualidade do nosso receptivo.


O brasileiro é muito hospitaleiro, tem um jeito especial de tratar o turista e terá uma ferramenta importante de qualificação profissional. Então nós já lançamos em seis cidades - Salvador, São Paulo, Rio de Janeiro, Manaus, Fortaleza e Recife. Iremos lançar, agora, nas outras seis cidades que sediarão a Copa, ele vai se expandir nos próximos anos e a ideia é a gente ter o receptivo turístico brasileiro preparado cada vez mais, para receber melhor e mais turistas estrangeiros no Brasil.


APRESENTADORA: E para quem não tem acesso à internet, existem salas presenciais, não é isso?


MINISTRO: Exatamente. Além dele ser online, é um curso para trabalhadores da área do turismo, para todo o trading turístico, para setores de bares e restaurantes, da hotelaria, setor de feiras e de transportes. Os taxistas têm, em cada uma das sedes dessas cidades, salas de situação, que possam ser ajudados, aquele que não tem no seu trabalho ou na sua casa um computador, possam acessar e fazer o curso. Há monitores que ajudam também nesse procedimento e eu tenho certeza que a gente dará um passo.


Tem também as iniciativas feitas pelo empresariado local, pelas prefeituras também e eu tenho certeza que esses cursos se expandirão muito nos próximos anos. Há toda uma mobilização do trading turístico brasileiro para dar conta dos desafios, que é preparar um grande evento como a Copa do Mundo. Eu estou muito satisfeito, já demos o ponta-pé inicial e agora é colher os frutos desse trabalho permanente, nos próximos quatro anos.


APRESENTADORA: Ministro do Turismo, Luiz Barretto, muito obrigada por sua participação no programa mais uma vez.


MINISTRO: Eu que agradeço essa oportunidade de falar com o Brasil todo e eu tenho certeza que para mim foi muito bom, que a gente aprende também e eu tenho certeza que a gente vai se mobilizar e enfrentar os desafios de preparar o Brasil cada vez melhor, no turismo que é uma indústria que cresce muito, gera muito emprego e que eu tenho certeza, ocupará um espaço importante no desenvolvimento do país nos próximos anos.


APRESENTADORA: Obrigada, ministro e a todos que participaram conosco dessa rede, o meu muito obrigada e até o próximo programa.

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