19/02/2009 - Bom dia Ministro, com o ministro do Desenvolvimento Agrário, Guilherme Cassel
19/02/2009 - ENTREVISTA: Bom Dia Ministro, com o ministro do Desenvolvimento Agrário, Guilherme Cassel.
ASSUNTOS: Programa Terra Legal, que vai regularizar, nos próximos três
anos, 296 mil posses na Amazônia Legal e balanço do Mais Alimentos,
programa lançado em 2008 que financia a modernização da infraestrutura
produtiva da propriedade familiar.
ÍNTEGRA
APRESENTADORA: KÁTIA SARTÓRIO: Na pauta do programa de hoje o Programa
Terra Legal, que deve regularizar nos próximos três anos 296 mil posses
na Amazônia Legal.
O Ministro do Desenvolvimento Agrário vai conversar com a gente também,
sobre o Mais Alimentos o Programa lançado no ano passado que financia
modernização da infraestrutura produtiva da propriedade familiar, e
ainda sobre a primeira mobilização que acontece hoje, para
implementação de ações de cadastro georreferenciamento e regularização
de posses no campo, por meio do programa cadastro de terras e
regularização fundiária no Brasil, do Ministério do Desenvolvimento
Agrário, que vai abranger todas as propriedades rurais de 24 municípios
localizados principalmente nos territórios da cidadania do Vale do
Ribeira e do Sudoeste paulista. O ministro Guilherme Cassel já está
aqui nos estúdios e começa agora a conversar com âncoras de emissoras
de rádio de todo o país.
RÁDIO GAÚCHA - PORTO ALEGRE (RS)/FELIPE CHEMALE: O Governo Federal tem
ampliado consideravelmente os recursos para a agricultura familiar,
para assentamento. Aqui no Rio Grande do Sul teve um caso emblemático
de conseguir comprar grandes propriedades que inclusive houve disputa
judicial como a Fazenda Soltal. Mas o senhor vê ministro, o aumento
gradativo do número de famílias assentadas, mas por outro lado, os
movimentos sociais como o MST ampliando o número de acampados.
MINISTRO: A sua pergunta já está embutida um pedaço da resposta,
aumentou muito o volume de recursos da Reforma Agrária e a Reforma
Agrária está andando bem, ai no Rio Grande do Sul é um bom exemplo
disto. O Rio Grande do Sul, a gente hoje praticamente não tem mais
agricultores acampados, porque com a compra daquelas áreas na região de
São Gabriel, no final do ano passado, a gente praticamente zerou a
demanda ai no Rio Grande do Sul. Isso tem acontecido em todos os outros
estados do nosso país. Um dado que muitas vezes foge da análise é que
caiu muito o número de conflitos agrários no país nos últimos anos. Vou
te dar um dado, que eu acho que ilustra bem isto. Em 2003 quando a
gente iniciou o governo Lula, quando eu entrei no Ministério, aquele
ano teve 43 mortes por conflito agrários no Brasil. 43, isso é
inaceitável em qualquer país, em qualquer época. Pois bem. Em 2008 a
gente não teve nenhuma morte por conflito agrário, nós temos duas
mortes sendo investigadas pela polícia até agora e tudo leva a crer que
são mortes por razões passionais que não tem nada a ver com conflito
agrário, ou seja, caiu muito o número de conflitos agrários. E todos os
dados, seja da CPT, seja da Ouvidoria Agrária, eles dão conta de que o
número de ocupações de terra pelo Brasil a fora também caiu em 2008 em
torno de 30%, ou seja, por que aconteceu isso? Aconteceu porque o
governo federal nos últimos seis anos, já assentou 520 mil famílias. As
famílias estão assentadas, estão trabalhando e a gente está apostando
muito agora na produção dos assentamentos. A qualidade de vida dos
assentamentos melhorou muito, os assentamentos tem produzido alimentos
de qualidade e isto é bom pra todo o Brasil. Ou seja, penso quando se
fala de Reforma Agrária no Brasil a gente encontrou o caminho certo, a
gente está num bom rumo, nós vamos continuar assentando em torno de 70,
100 mil famílias por ano, mas acima de tudo, a partir de agora a gente
já pode superar aquela preocupação com a demanda, com aqueles milhares
de pessoas que estavam acampadas em beira de estrada, que hoje
diminuíram muito, nós podemos zerar isto, e começar a nos preocupar, ou
nos preocupar muito mais com qualidade de vida nos assentamentos. E
acima de tudo o que interessa para todo mundo que mora no campo ou mora
na cidade, aumentar a produção de alimentos nos assentamentos, para que
todo mundo possa ter alimento mais barato e de melhor qualidade.
FELIPE CHEMALE: Eu gostaria apenas, se a intenção do governo, ela é
zerar esse número de acampados e serem todos assentados, e como é que
vê os movimentos sociais buscarem isso, eles mesmos confirmam, como o
MST que procuram outras pessoas que já estão na cidade, descendentes de
sem terras, pra irem para acampamentos.
MINISTRO: Primeiro lugar, quando a gente fala em reforma agrária, a
gente não fala sobre um processo, que tem começo e fim. No Brasil, o
Brasil ainda é um dos países, que tem maior concentração fundiária do
mundo. Isso é ruim para o desenvolvimento do país. A gente está
pensando agora em futuro, o país voltou a crescer, se desenvolver, a
gerar emprego a diminuir desigualdade, aumentar renda e a gente tem que
pensar, qual é o desenvolvimento que a gente quer, que país é esse que
a gente quer. E penso que o país que a gente quer, é um país mais
equilibrado, mais harmônico, entre meio rural e meio urbano. E no meio
rural ainda a gente convive com muita concentração de terra e muita
concentração de renda. A reforma agrária é boa por isso, porque ela
equilibra isto, ela põe mais gente no campo. A gente sempre tem que se
responder ao seguinte: que meio rural a gente quer no Brasil? O Brasil
do futuro, a gente quer um meio rural com gente, ou a gente quer um
meio rural sem gente? Se a gente quiser um meio rural sem gente, só com
grandes extensões de terra de monocultura, ai no Rio Grande do Sul só
com soja e com máquina, a gente tem que ser contra a reforma agrária.
Se a gente quiser um Brasil com gente, com comunidade, com gente
trabalhando, com uma lavoura diversificada, que plante vários alimentos
ao mesmo tempo, que conviva com a pecuária leiteira, que conviva com o
frango, com suíno, com milho, com mandioca, com arroz, com feijão. Se a
gente quer esse tipo de lavoura, com muita gente trabalhando, com
comunidade com escola, com igreja, com vida cultural, a gente tem que
ser a favor da reforma agrária. Porque a reforma agrária, que leva a
gente pro campo, que gera renda, que gera trabalho no campo. Então a
reforma agrária é um processo longo. Os movimentos sociais, você fala
muito no MST, eu acho que não é novidade para ninguém, o MST é
insatisfeito. Isso é o papel do MST pressionar o governo, querer que a
reforma agrária, ande mais, e buscar pessoas que queiram trabalhar na
terra. Isso faz parte do processo, a gente tem que olhar isso com
naturalidade. O movimento social tem um papel na política brasileira, o
governo tem outra. A gente tem que encontrar um espaço de diálogo e de
boa convivência para que a gente consiga fazer aquilo que a gente quer.
Que cada vez mais, mais brasileiros e brasileiras tenham acesso a
terra, tenham direito a trabalhar a produzir alimentos e viver com
dignidade. A gente trabalha por ai com esse espírito.
RÁDIO DIFUSORA ACREANA - RIO BRANCO (AC)/LEÔNIDAS BADARÓ: A questão
agrária na Amazônia difere das outras regiões do país. Aqui na Amazônia
o grande desafio é produzir com sustentabilidade preservando a imensa
floresta que temos. Quais são os passos que o ministério está dando
nesse sentido, trabalhando em parceria com outros ministérios do
governo, para que a gente tenha um aumento na produção de alimentos,
mas tenhamos a continuidade dessa riqueza, que é a Floresta Amazônica?
MINISTRO: Eu tenho pleno acordo com você, sobre qual é o nosso desafio
na Amazônia. A gente garantir que as pessoas tenham acesso a terra, que
elas possam viver com dignidade, mas acima de tudo, elas possam
produzir preservando o meio ambiente, preservando essa riqueza enorme
que a gente tem na Amazônia, que é a Floresta Amazônica. Para isso, a
gente mudou completamente no governo Lula o nosso olhar sobre os
assentamentos da Amazônia, a gente mudou o tipo de assentamento que se
faz na Amazônia. Porque você conhece bem a região, eu também conheço,
os ouvintes conhecem, existe uns cem números de exemplos, de
assentamentos de reforma agrária na Amazônia, que são absolutamente
inaceitáveis, inadequados para aquele meio ambiente. São aqueles
assentamentos no meio da selva, sem acesso, onde as pessoas foram
jogadas durante muito tempo e acabaram desmatando, cortando madeira, ou
seja, fazendo tudo que não se deve fazer, e vivendo em más qualidades.
O que a gente está fazendo? A gente atualmente tem três tipos de
assentamento na Amazônia. a gente tem o assentamento agro-florestal, o
agro-extrativista, e os programas de desenvolvimento sustentáveis. São
três tipos de assentamentos que são assentamentos articulados com a
preocupação fundamental de preservar o meio ambiente. Os
agro-florestais eles trabalham só com o desenvolvimento florestal, as
famílias elas tem ganho tirando da floresta utilizando a floresta sem
atacar a floresta sem desmatar, buscando o manejo sustentável, buscando
renda dai, e também fazendo agricultura na parte onde é os 20% onde é
possível fazer.
Da mesma forma os agroextrativistas, ai a gente costuma chamar de os
pais. Os agroextrativistas são voltados apenas pro extrativismo
combinando também quando é possível com a agricultura. E os projetos de
desenvolvimento sustentáveis são os projetos que são mais centrados na
agricultura, mas sempre vinculados a projetos de manejos no meio
ambiente, pra que a gente possa não desmatar, ou seja, a primeira coisa
que a gente tem de pensar quando pensa em assentar pessoas, famílias na
Amazônia Legal, é assentar articulado com as condições de vida na
Amazônia. Ou seja, a primeira preocupação é que preservar a floresta
preservar o meio ambiente. A gente assenta gente na Amazônia diferente
de outros estados, você frisou isso muito bem, porque ali a gente quer
ocupar de forma organizada e como o primeiro objetivo é preservar o
meio ambiente. E a gente pode fazer isso, preservar o meio ambiente
preservar a floresta garantindo condições de vida e de sustentabilidade
para as famílias. É possível sim, viver na Amazônia, ter produção
agrícola ter produção extrativista ter alguma exploração florestal sem
desmatar, sem agredir o meio ambiente, tendo renda e tendo dignidade.
APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Ministro, eu vou aproveitar e fazer uma
pergunta para o senhor sobre um anúncio que foi feito durante o Fórum
de Governadores da Amazônia Legal que terminou essa semana em Boa Vista
- Roraima, sobre o governo que pretende construir ou reformar
quilômetros de estradas vicinais até 2010, em parceria com os estados
pra poder justamente atender os projetos de assentamentos da região
Isso já está andando, Ministro?
MINISTRO: Está andando, isso apareceu de uma maneira mais clara e mais
objetiva. Na reunião que o presidente Lula teve com os governadores
aqui a questão de duas semanas atrás aqui em Brasília e depois isso
também teve uma repercussão lá na reunião dos governadores em Roraima,
o que acontece? O governo federal ele constrói ele é responsável pelas
estradas federais, pelas grandes estradas federais, as nossas BRs. O
Incra, o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária lá na
outra ponta o Incra tem o orçamento e pode trabalhar construindo
estradas dentro dos assentamentos. Os assentamentos são áreas muito
grandes e tem uma rede de estradas que o Incra se ocupa de abrir de
manter isso é um orçamento muito grande. Para os ouvintes terem uma
idéia, nesses últimos cinco anos a gente já construiu dentro do
assentamento 21 mil quilômetros de estradas dentro do assentamento. Mas
o que acontece? Dentro do assentamento a estrada está boa tem boa
trafegabilidade, existe a BR às vezes existe até a estrada estadual,
mas as estradas vicinais que são de responsabilidades dos municípios,
muitas vezes os municípios não tem condição de fazer, não tem recursos.
Então existe uma espécie de buraco negro, tem estrada estadual ou a
estrada federal, existe a estrada dentro do assentamento, mas do
assentamento até a estrada a prefeitura não consegue fazer. Os
governadores trouxeram para a nossa preocupação, e como é que a gente
está trabalhando pra resolver esse problema. Parte desse orçamento do
Incra que é um orçamento significativo de construção da estrada a gente
quer destinar ele pra trabalhar junto com os governos dos estados pra
que os governos dos estados prefeituras, Incra juntos consigam
construir essas estradas vicinais onde elas não existem fazer alguma
manutenção, talvez trabalhar com a ideia de máquinas e equipamentos
para as prefeituras para que elas façam a manutenção, ou seja, a gente
está construindo isso. Nós estamos disponibilizando parte do orçamento
do Incra para em uma parceria efetiva entre o governo do estado, as
prefeituras e o Incra, para a gente organizar isso que está mal
organizado ainda.
RÁDIO 96 FM - PALMAS(TO)/EDUARDO KOPANAKIS: Ministro o governo federal
tem o Programa Terra Legal e pretende regularizar cerca de 296 mil
posses na Amazônia Legal em três anos. Eu gostaria de saber ministro
quais são as áreas a quantidade destinada ao Tocantins, e essa questão
da regularização e se isso vai ser em pequeno ou em médio prazo ou se
tem alguns estados que terão prioridades ai no projeto no Programa
Terra Legal.
MINISTRO: Primeiro assim, nós vamos fazer a regularização fundiária em
toda a Amazônia Legal, nos nove estados da Amazônia Legal, ela é
prioridade absoluta. O presidente Lula determinou que a gente faça isso
com a maior rapidez possível, a nossa idéia nós estamos trabalhando
estamos planejando trabalhar fazer toda a regularização fundiária de
todos os posseiros até quatro módulos fiscais, no período de dois a
três anos. Ai no Tocantins nós vamos trabalhar em 89 municípios são os
municípios do Tocantins onde existe área federal a ser destinada onde o
Incra já detectou que existem posses em áreas federais, 89 municípios o
total ai no Tocantins é 15.249 posseiros aproximadamente. Acho que a
gente pode trabalhar ai num horizonte entre 15 e 17 mil posseiros,
muitos desses posseiros são posseiros regulares que nunca foram ao
Incra e que agora devem aparecer. Então o universo ai no Tocantins
entre 15 e 17 mil a nossa expectativa é alguma coisa entre 15.300
posseiros, desses 7 mil são até um ´modulo fiscal, o módulo fiscal no
Tocantins é entre 80 e 100 hectares dependendo da região, são pequenos
posseiros. E daí, nós temos 7.500 aproximadamente que tem de 100 até
400 hectares, ou seja, 90% do nosso universo ai no Tocantins, são de
pequenos proprietários, são posseiros que têm até 400 hectares, e a
gente pretende resolver isso imediatamente, porque? Você da região
conhece bem essa situação. Na Amazônia a grande maioria das áreas, são
áreas federais ou áreas estaduais que são ocupadas vem sendo ocupadas
há décadas e mais décadas de forma irregular.
Como nenhum governo até hoje enfrentou esse tema essas pessoas
continuam morando nesses lugares continuam produzindo em absoluta
instabilidade jurídica. Isso dá muita insegurança pra quem está
trabalhando e mais do que insegurança, o sujeito que não tem o
documento da terra que não tem o título da sua propriedade ele não pode
acessar o crédito no banco, ele não pode ter acesso à assistência
técnica, ele não acessa as políticas públicas do governo e acaba
produzindo mal tendo menos renda em alguns casos inclusive desmatando.
Com a regularização fundiária a gente vai poder acima de tudo saber
quem estar ocupando, qual a área, e quando a gente souber que em
determinada área ampliou o desmatamento a gente vai saber inclusive
quem responsabilizar. Vai ser possível trabalhar em conjunto com os
agricultores e com as agricultoras. Essa é a grande vantagem da
regularização fundiária. Dá pra toda a Amazônia um outro padrão de
estabilidade jurídica legal, colocar todas as pessoas em torno de 300
mil posseiros que são agricultores e agricultoras que estão na
ilegalidade trazê-los para a legalidade e poder trabalhar junto. O
Governo Federal e os agricultores com políticas públicas de crédito de
assistência técnica de manejo sustentável, programas de comercialização
de seguro agrícola. Isso vai ser bom para todo mundo, acho que vai
ajudar muito a impulsionar o desenvolvimento nos estados da Amazônia
Legal.
APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Vamos conversar um pouquinho sobre o
mutirão de documentos que o ministério está promovendo, e o primeiro do
ano, é em Roraima? É isso?
MINISTRO: A gente estava falando agora dessa condição, de milhares de
posseiros na Amazônia Legal, que estão lá há 20, 30, 40 anos. Alguns há
duas, três gerações. Eles não têm sequer o documento da terra. Que é a
primeira coisa que qualquer agricultor ou agricultora querem, ou
precisam para ter uma produção de melhor qualidade, ter melhor renda,
acessar o Pronaf, acessar as políticas públicas de uma maneira geral.
Isso acontece muito no Brasil. Também em outras áreas. Existe um Brasil
onde a pobreza persiste, onde as condições de desigualdade, elas
persistem, e essas pessoas não têm também documentação. Quando a gente
quer ampliar o Pronaf, a gente tem trabalhado muito nessas regiões do
país,nesses bolsões de pobreza. O que a gente nota é, primeiro que as
pessoas não têm título da terra. Segundo elas não têm sequer documentos.
APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Documentos de identidade?
MINISTRO: Identidade, certidão de nascimento, CPF, nem falar, documento
do INSS. Não tem nada! Não chegou lá isso. Isso é mais grave no caso de
mulheres. As mulheres são aquelas que têm menos documentos ainda. A
gente tem no Ministério do Desenvolvimento Agrário um programa de
igualdade de gênero, raça e etnia. A gente tem uma equipe de
companheiros que trabalha único e exclusivamente com isso, para fazer
políticas de ação afirmativa para mulheres e para minorias de uma
maneira geral. E o trabalho que a gente vem fazendo junto com os
estados, em parceria com os municípios, é ir até esses locais. Porque a
gente tem que ir até lá, tem que estar junto das pessoas, do lado da
casa delas. Então, a gente tem unidades móveis, tem ônibus. Esses
ônibus são equipados, tem desde máquina fotográfica até impressora para
tirar o documento. A gente vai lá, a pessoa diz, olha, não tem nenhum
documento...já tira uma fotografia, ela sai com a carteira de
identidade dela se for possível ela já sai com o documento do INSS. Ou
seja, ela abre um pouco a porta de cidadania para essa pessoa. Eu já
distribui documentos para muita gente de 80,90 anos que nunca tinha
tido um documento na vida. Sabe. Isto, bom, é um direito das pessoas. O
acesso a cidadania é um direito básico e por incrível que pareça,no
início do século XXI, ainda têm pessoas que não têm acesso a esse tipo
de serviço. Então a gente está fazendo um esforço muito grande,um
esforço a partir do programa Territórios da Cidadania, que localizou
aqueles, essas regiões que tem o menos IDH do país,onde essas situações
ainda persistem. E, a gente está fazendo esse esforço. O governo
brasileiro vai fazer esse esforço. A gente tem unidade móvel, a gente
vai até lá. Bate na casa das pessoas,pergunta se elas têm, ou se elas
não têm documento. Chama os sindicatos,chama as federações,faz junto
grandes mutirões. Às vezes a gente faz uma feira agrícola na praça
principal da cidade ou perto da igreja,junta todo mundo. Olha, faz
fila! A gente acha que é pouca gente que não tem documento. Não é! São
centenas de pessoas nessas regiões do país e que acabam saindo dali com
sua carteira de identidade, com seu documento. Isso é bastante
interessante e tem ajudado muito a gente chegar com políticas públicas
nessas regiões que,por alguma razão,ou por razões da política,da
cultura, sempre foram renegadas a um segundo plano.
RÁDIO PLANETA DIÁRIO - SÃO JOSÉ DOS CAMPOS (SP)/ANTÔNIO LEITE: É um
prazer tê-lo aqui no programa falando para o Vale e toda a região aqui
pela rádio Planeta Diário. Ministro Guilherme, o senhor é um bom
gaúcho, não é?
MINISTRO: Sou.
ANTÔNIO LEITE: O senhor é gaúcho?
MINISTRO: Sou gaúcho.
ANTÔNIO LEITE: Maravilha. Bem, eu quero perguntar, antes de nada, o
problema do seu ministério, que é o Desenvolvimento Agrário, o que é
que nós temos de bom aí?
MINISTRO: Olha, notícia boa é o que não falta. Vamos começar pela
reforma Agrária Antônio. A gente está encerrando um ciclo muito
importante da reforma agrária. Já foi perguntado por uma outra rádio
aqui. Nós fechamos 2008 com o menor índice de conflitos agrário dos
últimos tempos. E estamos investindo agora muito na qualidade dos
assentamentos. Na medida que,nos primeiros seis anos do governo Lula
nós assentamos 520 mil famílias. Para você ter uma idéia, Antônio, de
como isso foi importante e como isso é significativo. Porque muitas
vezes a gente ouve, especialmente de movimentos sociais, aquela fala:
olha,o governo fez muito pouco pela reforma agrária. Vamos ver se fez
pouco Antônio. Se nós olharmos a história do Brasil. Toda a história,
desde que esse país existe. Até hoje se assentou, em assentamentos de
reforma agrária, um milhão de famílias. Um pouco menos, 987, alguma
coisa assim. Pois bem, desse total de quase um milhão de famílias
Antônio, 520 mil, ou seja, 59% foram assentadas nesses últimos seis
anos. Durante o governo Lula. Ou seja,o governo Lula fez mais da metade
em seis anos de tudo que foi feito para reforma agrária, durante toda a
história desse país. Por isso que quem viaja por esse país nota que os
acampamentos de beira de estrada diminuíram muito. Que diminuíram muito
os conflitos agrários. A gente não abre mais o jornal ou liga a
televisão e vê, todo dia, mortes no campo. Em 2008 nós não tivemos
nenhuma morte no campo por conflito agrário. E isto é muito importante.
Ou seja, uma boa notícia é que a reforma agrária vai indo bem, ela está
andando, encontrou seu caminho, encontrou o rumo. E acho que a gente
vai caminhar para um meio rural no Brasil, com mais igualdade, com
menos latifúndios, com mais gente trabalhando, com mais produção de
alimentos.
A outra boa notícia é a agricultura familiar. Hoje nós estamos fechando
o Pronaf com R$ 13 bilhões, estamos oferecendo R$ 13 bilhões de
crédito. O crédito já está nops bancos,o Pronaf está fluindo bem, todo
agricultor e agricultora, em qualquer lugar do Brasil, que têm
procurado, seja o Banco do Brasil,seja o Banco do Nordeste ou Banco da
Amazônia, chega lá tem crédito de custeio, tem crédito de investimento.
O Programa Mais Alimento é um sucesso,porque é um programa que permite
a modernização acelerada da agricultura familiar. Os agricultores podem
comprar trator ou maquinário agrícola até R$ 100 mil por família, com
uma taxa de juros de 2% ao ano, três anos para pagar. Três anos de
carência e dez anos para pagar. Ou seja: as melhores condições que
existem no mercado e nenhum outro setor da economia tem condições tão
favoráveis de investir e modernizar a propriedade. Ou seja, a gente
está em um período de boas notícias Antônio. Felizmente.
RÁDIO RURAL - SANTARÉM (PA)/ PADRE GILBERTO SENA: Senhor ministro, aqui
está na rádio Rural, no meu programa, a Tribuna do Povão, cujo
programador é o Sinval Ferreira Trendi. Ele vai fazer uma pergunta e eu
faço a outra. Então, eu passo a palavra para o Sinval Ferreira.
RÁDIO RURAL – SANTARÉM (PA)/SINVAL FERREIRA:Ministro, bom dia! É com
prazer que recebemos o senhor aqui na nossa rádio Rural de Santarém. É
uma pena que não está aqui conosco,no estúdio, mas essa distância,
graças à tecnologia avançada, nos une para informar aqui o nosso povo
do interior da Amazônia. Que a nossa rádio Rural fica aqui no oeste
paraense, na cidade de Santarém do Pará. Ministro,a nossa primeira
pergunta é a questão da recém publicada medida provisória 458, que
autoriza transferência, sem licitação, de terrenos da União, com até
1500 hectares na Amazônia legal, a quem esteja de sua posse antes de
dezembro de 2004.Isto sem precisar de licitação e vistoria. Ministro,
como fica a reforma agrária que é esperada há anos pelos pequenos
trabalhadores sem terra? E esta medida provisória não é a legalização
da grilagem de terras na Amazônia?
MINISTRO: Bom, primeiro Sinval, não é a legalização da grilagem na
Amazônia em hipótese alguma. E a síntese que você fez da medida
provisória,ela me permite dizer com toda a franqueza, ela é um pouco
imprecisa. Não é verdade que nós vamos legalizar todos os imóveis até
1500 hectares, de forma gratuita e sem vistoria. Não é isto. A medida
provisória que o presidente Lula encaminhou a semana passado ao
Congresso é quase o contrário disso. Ela é uma medida provisória que
reconhece direitos e, mais do isso, ela reconhece direitos dos
pequenos. O que nós estamos fazendo na Amazônia? Existe aí o Incra,
trabalha muito, nós temos um superintendente, o Luciano Brunet, que
vocês conhecem, que trabalha muito com vocês, com as comunidades, com
os sindicatos, com os agricultores e as agricultoras. A fonte de todos
os conflitos agrários na Amazônia Legal, especialmente, nessa região de
Santarém, no Pará, a base de tudo é a ilegalidade. A gente tem
ocupações ilegais que persistem durante muitas e muitas décadas e que
jogam, primeiro, os pequenos agricultores e as agricultoras numa enorme
instabilidade e insegurança jurídica. E segundo, permite que os grandes
forcem a expulsão dos pequenos, por conta dessa instabilidade legal. O
que nós queremos fazer e vamos fazer aí no Pará? Primeiro: tratar
diferente quem é diferente. Aqueles que têm até um módulo fiscal, ou
seja, até 100 hectares, aquelas pessoas que têm até 100 hectares e que
estão de boa fé, que a ocupam de boa fé, antes de dezembro de 2004,
essas pessoas vão ter um rito mais ágil de regularização fundiária e
vai ser gratuito sim, porque a gente está tratando com pessoas pobres,
pessoas de poucos recursos e pessoas que trabalham na terra e que
produzem na terra e que não tem por que pagar. Então, até 100 hectares,
até um módulo fiscal, vai ser gratuito. De 100 a 400 hectares, de 1 a 4
módulos fiscais, que também é pequena propriedade na Amazônia, nós
vamos fazer uma vistoria e os agricultores têm que comprovar que moram
na terra, que estão produzindo na terra, vão pagar o valor histórico.
Ou seja, nós vamos tratar diferente e com cuidado, nós vamos fazer a
vistoria, uma pelo menos. De 4 a 15 módulos, ou seja, de 400 a 1.500
hectares, que são os grandes, eles vão ter que comprovar que estão
antes de dezembro de 2004 e que produzem na terra, e vão pagar valor de
mercado, como está previsto na Constituição. Isso tudo, para a gente
não legalizar grileiro, para a gente não legalizar quem desmata, para
não legalizar quem está ilegal. A idéia fundamental é fazer uma
regularização fundiária que seja, acima de tudo, reconhecedora de
direitos. Direitos de quem? Direito de quem trabalha, de quem produz,
de quem ocupa a terra de boa fé.
RÁDIO GLOBO MANAUS (AM)/CARLOS ARAÚJO: Considerando que essa questão da
regularização fundiária, aqui no Amazonas, já estado da Amazônia legal,
obviamente, esbarra em interesses não só nacionais, com grileiros e
grande latifundiários, mas em interesses estrangeiros também, qual foi
a meta estabelecida este ano, para avançar com esse processo aqui na
Amazônia, na nossa região, pelo governo Lula?
MINISTRO: Aí no Amazonas, a gente tem uma situação muito peculiar. Eu
conversei semana passada longamente com o governador Eduardo Braga e
com a equipe do Instituto de Terras do Amazonas e a situação que a
gente tem no Amazonas é muito peculiar. Aí no Amazonas, se a gente
regularizar até um módulo fiscal, nós vamos regularizar praticamente
99% das posses irregulares. Falo agora das terras federais, ou seja,
todo problema, na Amazônia, ele está concentrado em pequenos
proprietários em até 100 hectares, no máximo. Aí, no estado do
Amazonas, a gente vai trabalhar com 28 municípios, onde existem terras
federais a serem regularizadas. O total de posses em torno de 9 mil
posses, a gente estima em oito mil setecentos e cinqüenta e alguma
coisa. E dessas, 6 mil, praticamente em até 1 módulo fiscal. Ou seja,
entre 4 e 15 módulos, nós temos em torno de 300 proprietários apenas.
Ou seja, é muito favorável. São muito favoráveis as condições de fazer
a regularização fundiária aí no Amazonas, até porque o Incra e o
Instituto de Terras do Estado, já vinha trabalhando junto, e fazendo o
georreferenciamento de glebas. A gente está com um trabalho bastante
adiantado e a nossa expectativa é que no estado do Amazonas, o trabalho
de regularização fundiária ele ande ainda mais rápido. De forma mais
rápida e mais ágil do que nos outros estados. A gente quer de uma
tacada, em 2009, resolver mais da metade do problema e deixar para 2010
apenas aquilo que resta. Mas eu repito: aí no estado do Amazonas, 99%
dos posseiros em terras públicas federais são posseiros de até 1
módulo, até 100 hectares. Isso é mais fácil de resolver, pela medida
provisória que o presidente Lula encaminhou a semana retrasada para o
Congresso.
RÁDIO EDUCADORA-LARANJEIRAS DO SUL (PR)/ALDOIR COUTO: Pergunta: É a
segunda vez que participo do programa e coincidentemente o senhor é
entrevistado. Aqui nós temos grandes assentamentos como é de seu
conhecimento. Nós temos aqui, o Celso Furtado, próximo à Laranjeiras do
Sul, no centro-oeste do Paraná com praticamente 2 mil famílias em vias
de regularização de assentamento. Temos o Marcos Freire, em Rio Bonito
Iguaçu, com 600 famílias assentadas já, famílias produzindo. Nós temos
Ireno Alves, com 900 famílias, ou seja, nesses dois assentamentos,
sendo ocupada uma área de 27 mil hectares. Estão são grandes
assentamentos aqui nessa região e nós estávamos acompanhando,
inclusive, esse programa do Governo Federal que está relacionado à
produção de alimentos, com a liberação de recursos para o pequeno
produtor rural, com a liberação de financiamentos para investimento na
compra de equipamentos. A gente tem notado que essas máquinas não estão
trabalhando por aqui, não aparecem essas máquinas. Esses investimentos,
tanto que a gente tem conversado com os produtores rurais desses
assentamentos e com os pequenos produtores rurais aqui dessa região e
eles não têm tido acesso a isso. Em 25 de abril do ano passado, foi
lançado o projeto Território da Cidadania e Laranjeiras do Sul é a
cidade pólo do Território da Cidadania e de Canto Quiriguaçu. Então, se
discutiu muito essa questão, por exemplo, de implantação de assistência
técnica, liberação de recursos para os pequenos produtores rurais, até
porquê, o IDH, aqui nesta região é muito baixo. É uma região pobre do
estado do Paraná. E então, muita discussão se estabeleceu em relação a
isso. E de repente, a gente não houve mais falar a respeito de reuniões
para liberação de recursos. Nós não estamos mais sendo chamados para
participar dessa situação, dessas discussões porque se anunciou a
liberação de R$ 154 milhões para o território da cidadania da
prefeitura de Canto Quiriguaçu. E ainda, ao contrário do que a gente
esperava, ou seja, da liberação de recursos, as instituições
financeiras têm chamado os pequenos produtores no tratamento dos
assentados para quitar dívidas, e nos raros momentos, até o final do
ano passado, o governo dava um rebate de até 90% do valor da dívida e
muita gente não compareceu. Então, se nota um grande índice de
inadimplência e a falta desses recursos aqui nesta região. O que está
acontecendo, ministro?
MINISTRO: Primeiro, acho que vou ter que dar uma chegada em
Laranjeiras. Eu tenho ido ao Paraná, bastante, conversado com muita
gente, e semana passada, eu estive aí. Tive lá na feira de Cascavel,
estive na região lá de Foz do Iguaçu, conversei muito com o governador
Requião e o secretário Valter Bianchini. Estive em Curitiba, onde a
gente lançou um espaço de venda permanente de orgânicos. Conversei com
muitos agricultores, com o setor de máquinas, com o setor de tratores
também. Conversei com muita gente aí, e a percepção que me passaram era
muito boa, especialmente, no que diz respeito a máquinas e
equipamentos. O governo do Estado do Paraná tem um programa, o Trator
Solidário, que é semelhante ao Mais Alimentos, que com o abatimento de
ICMS ainda tornou o trator mais barato. Ou seja, os agricultores das
federações, dos sindicatos, ou o presidente da Abimaq, o presidente da
Anfavea, todos me informaram que estavam muito contentes com o
andamento do programa aí no Paraná e eu, o secretário Bianchini, o
governador Requião, entregamos há uma semana atrás, sexta-feira da
semana passada, 61 tratores aí na região de Cascavel. Não sei se tem um
problema localizado na região de Laranjeiras, mas todas as nossas metas
para o Programa Mais Alimentos - que permite o financiamento de
tratores e de máquinas para os agricultores - as nossas metas estão
todas superadas. Para você ter uma ideia, nós já vendemos nos últimos
três meses 17.800 unidades de tratores. Ou seja, é 41% superior ao ano
passado, é o que está segurando o setor. A gente está muito bem, está
andando, andando muito bem. Quanto ao Território da Cidadania, a
execução do programa Território da Cidadania é acima de 80%. Nós temos
que ver aí no Canto Quiriguaçu se tem algum problema localizado, alguma
obra que não tenha andado, me disponibiliza a gente fazer uma conversa
aí, juntar o secretário de Agricultura, o secretário do estado, dos
municípios, a gente fazer uma investida aí pra ver se está acontecendo
algum problema. Quanto à dívida dos agricultores, isso foi uma coisa
muito importante que aconteceu ano passado e você frisou bem. O governo
estava renegociando dividas com até 90% de rebate, de desconto.
Significa o quê: para o ouvinte nos entender, aquele agricultor que
estava devendo 100 para o banco se ele pagasse 10 ele estava com a
dívida quitada. Ou seja, melhor do que isso, só dois disso. E a gente
estava chamando os agricultores pra ir lá e o informe que eu tenho do
Banco do Brasil também do estado do Paraná, é que foi muito bem a
renegociação das dívidas do estado do Paraná. Não temos, até onde eu
sei, você mora na região e pode estar mais informado do que eu, pode me
faltar uma informação, não sou o dono da verdade, mas todas as
informações que a gente tem pelo Brasil afora e especialmente no Sul do
país, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, foi muito bom o
processo de negociação e liberou o cadastro, limpou o cadastro, tanto
que a gente aumentou já bastante esse ano no Paraná o número de ofertas
do Pronaf. Mas acho que a gente tem que olhar, te prometo entrar em
contato com a secretaria de Agricultura aí do Paraná, conversar com o
nosso delegado do Paraná, o delegado do Ministério do Desenvolvimento
Agrário, para ver se tem algum gargalo que a gente não está percebendo
aqui e que a gente possa resolver no menor prazo de tempo possível.
RÁDIO CAIARI-PORTO VELHO (RO)/ADILSON MIRANDA: Já existe um
levantamento de quantos hectares serão regularizados em Rondônia e o
que será feito em áreas de disputas de terras, tão comuns na Amazônia?
MINISTRO: Em Rondônia, nós vamos trabalhar em 51 municípios. Vamos
enfrentar a regularização em torno de 43 e 45 mil posseiros. O número
que a gente tem é 43.740 posseiros, é total de posses não regularizadas
aí no estado de Rondônia e a gente acha que isso pode crescer um pouco
mais e chegar até 45, 46. Desse total, em torno de 32 mil, ou seja, a
grande maioria é de pequenos posseiros que têm até um módulo fiscal,
até 100 hectares. Depois nós temos de 1 a 4 módulos, ou seja, de 100 à
400 hectares, mais 11 mil proprietários. Ou seja, a enorme maioria,
mais de 90%, são posseiros que tenham até 400 hectares, sendo a enorme
maioria desses é até 100 hectares. Ou seja, nós vamos trabalhar com um
público que tem pouca terra e a gente quer resolver isso nós próximos
dois anos. Como é que a gente pretende resolver problemas de
propriedade, de disputa de posse, entre dois ou mais proprietários? A
gente pretende primeiro fazer uma conversa nos municípios, chamando os
posseiros. Nós vamos inverter os processos dessa vez: nós vamos em cada
município, desses 51 municípios em Rondônia, vamos fazer uma audiência
publica junto com a prefeitura, junto com o governo do estado, junto
com os movimentos sociais, com sindicatos, federações, com as igrejas,
chamar todos os posseiros, para se cadastrarem no Incra. A partir daí,
nós vamos fazer o georreferenciamento dessas posses, dessas
propriedades, vamos terceirizar esses serviços, para fazer mais
rapidamente. E a ideia é num prazo de 60 a 120 dias entregar para o
agricultor o título da terra. Caso existir disputa por limite, por
fronteira de propriedade, o que a gente faz? Ou senta numa mesa e os
proprietários se entendem e daí é vantagem pra eles, por que vão sair
mais rapidamente com o título, às vezes é preferível abrir mão de meio
hectare de terra, mas está com o título na mão, do que continuar uma
briga que não acaba nunca e nunca ser regularizada. Aqueles que a gente
não puder na conversa, no diálogo resolver, a gente deixa pra depois e
vai caminhando e acontece o que sempre acontece: os proprietários
acabam discutindo, decidindo isso na Justiça. A experiência que a gente
tem tido em outros estados, aí em Rondônia também, é de que sempre que
a gente faz processos desses, de regularização fundiária massiva, a
gente acaba resolvendo mais de 90% de todos os problemas dessa
natureza, problemas de disputas, que às vezes se prolongam há anos e
que não são boas pra ninguém, pra nenhum dos proprietários. Então a
gente apresenta uma possibilidade de que todo mundo ganha. Todo mundo
abre mão um pouco, mas todo mundo acaba ganhando aquilo que quer, que é
o título da terra.
APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Então, nesse passo a passo de
regularização, isso vale para o Brasil todo: os agricultores não
precisam procurar o governo, os técnicos é que vão até os agricultores,
ministro?
MINISTRO: Esse é o processo que estamos fazendo na Amazônia Legal. O
processo de Regularização Fundiária no Brasil é diferente porque o
Brasil é muito diferente. Nós temos um trabalho permanente, estamos
fazendo isso há muito tempo, seja no Nordeste, no Centro-Oeste, junto
com os governos de estado, são programas de regularização fundiária
normal onde a gente faz, no jargão técnico, por varredura, o quê que é
isso? A gente chega no município, junto com o governo do estado e faz
um levantamento de 100% nas propriedades e aquelas propriedades que não
estão regularizadas a gente regulariza. Porque a estrutura fundiária,
seja no Nordeste, seja no Centro-Oeste, no Sul, é muito diferente da
Amazônia legal. Na Amazônia Legal nós vamos fazer diferente: na
Amazônia, as distâncias são muito grandes, a gente está lidando com
milhares e milhares de hectares. Nós estamos falando de 67, 4 milhões
de hectares, é muita terra, é muito difícil medir tudo isso,
identificar cada proprietário, fazer a delimitação da propriedade, ter
os dados sobre ela, um trabalho muito grande. Aí a gente está
invertendo: como existe na Amazônia culturalmente uma resistência muito
grande a se legalizar, a gente vai a cada município, nós vamos
cadastrar todos aqueles posseiros que nós procurarem e a partir desse
cadastramento, a gente vai na propriedade para ser mais rápido, mais
ágil. E, uma vez feito esse trabalho onde a gente procura a demanda e
ela chega, depois a gente vai continuar fazendo as outras posses. O que
a gente quer é primeiro resolver o problema de muita gente. Tem muita
gente em instabilidade, muita gente querendo se regularizar e o que a
gente quer fazer é isso, nós identificamos que a grande maioria é de
pequenos posseiros, é possível fazer isso no prazo de dois a três anos.
E depois a gente resolve o que é mais difícil. Vamos fazer primeiro o
que é possível fazer, o que é fácil de ser feito e o que as pessoas
estão esperando há muitos anos. A gente faz isso e depois regulariza
aquilo que é mais difícil, que é mais complicado.
RÁDIO FOLHA-BOA VISTA (RR)/NATANAEL VIEIRA: Com essa titulação de
terras, que acontece em Roraima, como você deve saber, como seu
ministério vai atuar com relação à agricultura familiar na região?
MINISTRO: Olha, ficou muito mais fácil trabalhar aí em Roraima depois
que o presidente Lula, há quinze dias atrás, se não me engano,
encaminhou uma medida provisória para o Congresso destinando terras
para o estado de Roraima. O estado de Roraima vivia uma particular
peculiaridade muito grande, que não era dono de seu território, digamos
assim, e agora dispõe dessas terras para serem regulamentadas e a gente
vai fazer isso junto com o governo do estado e junto com o Incra. Ou
seja, 90% do problema de posse de propriedade de terra aí em Roraima
estão resolvidos, felizmente. Acho que foi uma conquista muito
importante, histórica, não só do governo de Roraima, do governo Lula,
mas pra população de Roraima, enfim, Roraima agora é dona de seu
território e com isso a gente pode, é possível fazer programas de
desenvolvimento em Roraima, de crédito, de desenvolvimento rural, pra
dar um salto de qualidade no processo de crescimento e desenvolvimento
em Roraima. Feito isso, ou seja, resolvido o problema básico que é o
problema da posse da terra, a gente pode fazer o quê? Pode começar a
trabalhar com os programas de agricultura familiar, que possam
impulsionar os agricultores a ter mais renda, produzir mais alimentos.
Uma vez resolvido o problema do título da terra, que a gente está
encaminhando em Roraima com sucesso, a gente pode entrar com o Pronaf,
a gente pode entrar com seguro agrícola, com os programas de
comercialização, como o programa de aquisição de alimentos. Agora tem
outra excelente novidade: também está no Congresso, uma medida
provisória do presidente Lula que determina que pelo menos 30% do valor
da merenda escolar, pelo menos 30%, não é até 30 é pelo menos 30, tem
que ser comprado diretamente da agricultura familiar sem licitação.
Então isso garante o mercado para os produtos da agricultura familiar e
coloca os governos estaduais, governos municipais, também Governo
Federal no desafio de organizar essa produção. Então acho que a gente
tem pela frente um bom caminho pra andar e sem nenhuma dúvida aí em
Roraima, garantindo a questão da posse das terras, da regularização
fundiária aí, a gente pode avançar muito com a agricultura familiar,
repito, com o recurso do Pronaf, com os programas de assistência
técnica, o programa de seguro agrícola, os programas de comercialização
e o Território da Cidadania pra soldar tudo isto.
RÁDIO INCONFIDÊNCIA-BELO HORIZONTE (MG)/JÚLIO BARANDA: O plano Safra
Mais Alimentos, lançado em 2008, está representando mais um avanço das
políticas públicas desenvolvidas pelo Governo Federal, agora, Minas
Gerais é um dos maiores territórios do país. Eu gostaria que o senhor
fizesse um balanço desse plano aqui no estado e as perspectivas a
partir de agora, de 2009.
MINISTRO: O balanço em Minas Gerais é muito positivo. Minas Gerais é
muito fácil de trabalhar, especialmente com agricultura familiar e com
os assentamentos de Reforma Agrária, o que a gente tem aí é uma
agricultura familiar muito estruturada, e aí a gente tem a Emater, que
funciona muito bem, tem uma assistência técnica de qualidade e tem sido
possível a gente trabalhar junto em parceria com o governo do estado,
desenvolvendo um bom trabalho. Aí em Minas Gerais, o Pronaf tem
crescido ano a ano, a gente tem conseguido beneficiar um número cada
vez maior de agricultores familiares, aí também a gente tem prestado
uma assistência técnica de qualidade, junto com a Emater, junto com as
ONGs, junto com as universidades. Bom, o trabalho aí flui de uma
maneira superior. Nós temos problemas ainda em regiões de semiárido,
onde a gente está atuando com Território da Cidadania, mas penso que
Minas Gerais é um estado onde a agricultura familiar tem crescido, tem
crescido muito, assim como tem melhorado muito a produção dos
assentamentos. A gente está muito contente com o trabalho que tem feito
em parceria com os movimentos sociais, com o governo do estado, com as
prefeituras em Minas Gerais.
RÁDIO ALTERNATIVA FM-VÁRZEA GRANDE (MT)/ELIZÂNGELA NEPOMUCENO: Nós
estamos em um estado que tem hoje o maior número de assentados do país.
São 538 assentamentos rurais e 90 mil famílias assentadas. O Incra de
Mato Grosso está abalado pelos escândalos de corrupção que envolvem
seus dirigentes, como o Ministério poderá alavancar o processo de
Reforma Agrária no estado em meio aos problemas administrativos que
enfrenta hoje?
MINISTRO: A melhor forma de fazer isso é virando essa página e
construindo condições novas de trabalhar. O fato de que a Polícia
Federal junto com o Incra e junto com o MDA fez um trabalho importante
de combate a corrupção, é uma boa notícia. Por que a gente fica sabendo
que se existia corrupção ela não existe mais. E digo que, se essa
corrupção estava atrapalhando os serviços do Incra nos assentamentos, a
gente está com condições agora de mudar essa realidade, nós já
substituímos o superintendente do Incra, ele tomou posse há 3 semanas
atrás, eu estive aí a semana retrasada, se não me engano, se não foi a
semana passada, conversando com o governador Blairo Maggi, com
secretários do estado, reuni com a nova equipe do Incra, e a gente está
com boas expectativas aí. Penso que o trabalho de regularização
fundiária, mais o aumento de recursos para os assentamentos vai
melhorar muito as condições no Mato Grosso. O fato de a gente ter 538
assentamentos, 90 mil famílias assentadas, é uma boa notícia para o
estado, sinal de que a gente tem 90 mil famílias capazes de trabalhar,
de produzir alimentos de vocês terem alimentos de qualidade e a mais
baixo preço aí no Mato Grosso. Tudo que aconteceu no Incra foi muito
lamentável, foi necessário a gente trabalhar com a Polícia Federal para
estancar um processo de corrupção. Penso que daqui para frente, com
todas as trocas que se fez, a gente tem condições de melhorar muito o
trabalho e de engrenar uma nova etapa aí em Mato Grosso.
APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Eu gostaria que o senhor falasse com a
gente sobre a participação do governo, do MDA no caso, nessa maior
feira de negócios do setor orgânico que está acontecendo na Alemanha.
Começa hoje, inclusive.
MINISTRO: Começa hoje na Alemanha a Biofar. A Biofar é a maior feira de
orgânicos do mundo, onde todos os produtores do mundo se reúnem para
compartilhar experiências e novas tecnologias. A gente está com dez
grupos de agricultores participando da Biofar. Eles representam em
torno de 5 mil famílias de produtores aqui. A gente está vivendo uma
época nova, onde as pessoas, os consumidores estão cada vez mais
preocupados com a qualidade da sua alimentação. Hoje em dia, as pessoas
querem saber com o quê elas estão se alimentando, quem é que está
plantando isso, qual é a forma de plantio, se tem adubo químico ou se
não tem, se tem veneno ou se não tem. Essa é uma preocupação geral, por
isso, o mercado de orgânicos no mundo, tem crescido em torno de 30% ao
ano. É um setor que mais cresce, isto é muito bom, por que a gente está
migrando para ter um outro padrão de produção e de alimentação. Por
isso, a gente está com representantes lá na Biofar e a gente espera
trazer de lá muitos ensinamentos.
APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Ministro, acabou o nosso tempo,
infelizmente, eu gostaria de agradecer mais uma vez a sua participação
no Bom Dia Ministro.
MINISTRO: Eu que agradeço, foi muito bom estar aqui e o tempo passou ligeiro.
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