21/01/2009 - Programa Bom dia, ministro com o ministro Altemir Gregolim, da Secretaria de Aquicultura e Pesca
APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Na pauta do programa de hoje, o Projeto
de Apoio a Pequenos Empreendimentos da Pesca Artesanal, que prevê o
apoio a quatro diferentes categorias de pequenos empreendimentos:
Cozinhas comunitárias, pontos fixos de comercialização, manipulação de
mariscos e acampamento de pescadores. O ministro Altemir Gregolin vai
explicar também a compra de caminhões para o transporte do pescado, que
vai ajudar a pescadores artesanais de todas as regiões do Brasil.
O ministro da pesca vai conversar com a gente ainda sobre o Programa
Pró-Frota Pesqueira, que apóia a compra, a construção e a modernização
da frota pesqueira oceânica nacional. E ainda sobre o censo aqüícola,
que começa no mês que vem, e tem o objetivo de mapear a criação de
peixes, moluscos, crustáceos, rãs e algas no Brasil, para orientar as
políticas públicas nacionais voltadas para o setor. O ministro da
Pesca, Altemir Gregolin, já está aqui no estúdio e começa a conversar,
ao vivo, com âncoras de emissoras de rádio de todo o país. Lembrando
que estamos ao vivo também na NBR, a TV do Poder Executivo.
RÁDIO ARAPUAN-JOÃO PESSOA (PB)/GIOVANNI MEIRELES: O senhor conhece
bastante a realidade daqui da Paraíba, já visitou o Porto de Cabedelo,
que está construindo o terminal pesqueiro, com a ajuda do governo
federal. A pergunta tem a ver com pesca oceânica. É que em governos
anteriores, barcos da Galícia acabaram voltando para a Espanha,
acusados de praticarem pesca predatória. Eles capturavam apenas os
cardumes de atum e devolviam ao mar a chamada fauna circundante - menos
nobre e que não tem muito valor agregado para o mercado internacional.
Em seguida, tivemos também a presença de barcos chineses. Já esses,
contratavam mão-de-obra local, mais barata e os pescadores brasileiros
acabavam sendo maltratados em alto mar. São dois maus exemplos do
passado, coisa que não existe mais. O atual governo, inclusive, tem
combatido esse tipo de prática. Então a pergunta vai no seguinte
sentido: os planos da sua Secretaria, para pesca oceânica, agora em
2009, depois de um bom balanço, no ano passado?
MINISTRO DA SECRETARIA DE AQÜICULTURA E PESCA/ALTEMIR GREGOLIN: É um
prazer grande estar falando com vocês, num estado que, pra nós, é muito
importante. É um estado geograficamente bem localizado, em relação a
mercados como a Europa e um estado que tem uma importância bastante
grande em relação a pesca, por exemplo, de atuns e afins, especialmente
Cabedelo, que sempre foi um pólo pesqueiro importante. Perdeu
importância, e nós agora estamos investindo R$ 11 milhões no terminal
pesqueiro, as obras já estão prontas, estamos aguardando a instalação
dos equipamentos e a previsão é que no mês de março, nós possamos
inaugurar aquele terminal pesqueiro, justamente para atrair novamente
embarcações, trazer investimentos para aquela região e desenvolver essa
pescaria tão importante, para o nosso país.
Acho que fizeste um relato muito importante a respeito da política que
se adotava para a pesca oceânica. Basicamente, o Brasil fazia acordos
ou contratos de arrendamento de embarcações, que é uma política ainda
hoje vigente, mas provisória, porém muitas vezes não teve muitos
critérios em relação à seleção dessas empresas, dessas embarcações
estrangeiras para atuarem no Brasil. Nós tivemos problemas de fato, é o
caso de uma frota de pelo menos de 20 embarcações, que acabaram sendo
enviadas de volta para seus países, em função de que não respeitaram as
exigências, como por exemplo de respeitar os direitos trabalhistas e
das condições efetivamente de trabalho.
Então, o próprio Ministério do Trabalho recomendou, dizendo 'Olha não
tem como aceitar esse tipo de procedimento'. E os contratos foram
rompidos e assim por diante. Hoje, nós mantemos o arrendamento sob
novos critérios, com editais. Dois terços da tripulação têm que ser
brasileira, exatamente para poder capacitar mão-de-obra, dominar
tecnologias, que as vezes nós não dominamos. É uma política provisória
e tende em breve a acabar.
O que nós estamos focando como central, do ponto de vista do
desenvolvimento da pesca oceânica, é a constituição de uma frota
nacional de embarcações. Ou seja, se hoje nós temos uma média de 60
embarcações que são estrangeiras, arrendadas por empresas brasileiras,
nós queremos substituir todas essas embarcações por embarcações
nacionais. Pra isso, nós temos o Programa Pró-Frota, que é um programa
de construção e modernização de embarcações. Nós aprovamos já 54
projetos, pelo menos seis embarcações já foram inauguradas. Inclusive,
em dezembro, nós assinamos os primeiros dois contratos pra Paraíba, lá
em Cabedelo, foram R$ 5 milhões, que o Banco do Nordeste está
financiando.
Estamos agora numa fase de reestruturação, inclusive do programa. O
programa, que tinha como foco a pesca oceânica, nós estamos dando um
novo caráter, ou seja, além de financiar embarcações para a pesca
oceânica, nós estaremos financiando a reforma, a modernização de toda a
frota nacional. Então o Pró-Frota vai ser um instrumento pra que a
frota nacional já existente, também se torne mais eficiente, se torne
mais competitiva. E aliada a este programa, toda uma política
associada, que é a construção de terminais pesqueiros - temos 20
terminais pesqueiros que são prioridades - alguns inaugurados, outros
em construção. Este ano, nós teremos todos em obras e vários estão
sendo inaugurados, como é o caso de Cabedelo.
Há também a política de subsídio ao óleo diesel, que conta com a
isenção de ICMS dos estados, além de um subsídio de até 25% do governo
federal. No ano passado foram 110 milhões de litros de óleo diesel
subsidiados. Então, essa é a nossa visão. Ou seja, o Brasil tem um
potencial na área da pesca oceânica, especialmente atuns e afins, que é
o forte de Alagoas, aliás da Paraíba, é o forte do Rio Grande do Norte,
principalmente esses dois estados. Nós temos cotas a cumprir a nível
internacional, porque conquistamos essas cotas e estamos exatamente
investindo, no sentido de criar as condições para que a gente possa
desenvolver esse grande potencial que o Brasil tem.
RÁDIO ARAPUAN-JOÃO PESSOA (PB)/GIOVANNI MEIRELES: Obrigado pela
oportunidade ministro e parabéns pela resposta. Eu acredito que a
população aqui da Paraíba, sobretudo aqui do litoral, Cabedelo em si,
está muito satisfeita. É o seguinte: nos anos 50, todos sabem que o
Brasil quase entrou num conflito armado com França. Foi a chamada
Guerra da Lagosta, isso por causa da invasão das nossas águas
territoriais por barcos franceses. Eles pescavam dentro do limite de
200 milhas náuticas e sem permissão brasileira. Em nível internacional
há controvérsias. Esse limite territorial marítimo não é aceito, por
exemplo, pelos Estados Unidos. Eles só admitem soberania em até 16
milhas náuticas.
Eu queria saber a sua concepção pessoal, a diretriz diplomática do
nosso país sobre esse assunto, de interesse estratégico. Lembrando que
a Marinha e a Petrobrás, que são áreas correlatas à sua Secretaria,
defendem a política da Amazônia Azul, ou seja, a exploração da nossa
plataforma continental, rica em cardumes. Potencialmente em termo de
comércio muito bem também, em jazidas de gás natural e petróleo,
principalmente agora na faixa do pré-sal. Eu queria saber, a Secretaria
de Pesca acredita nos limites de 200 milhas, ou já há uma outra
jurisprudência sobre esse assunto?
MINISTRO: Nós temos a mesma visão da Marinha, ou seja, defendemos a
tese da Amazônia Azul e esse tema, aliás, foi muito feliz, porque ele
expressa com poucas palavras o tamanho das nossas 200 milhas. Ou seja,
quando fala da Amazônia, a gente já imagina o tamanho da nossa
floresta. Quando a gente fala de Amazônia Azul é o tamanho da nossa
costa marítima, que tem uma extensão de mais de 8.500 quilômetros. Nós
defendemos as 200 milhas, e mais: defendemos a ampliação, que é o que a
Marinha e o Brasil brigam, com sinalização positiva de ampliação em
pelo menos duas regiões do Brasil - o litoral sul e parte do extremo
mais oriental, que é no Nordeste junto às ilhas que existem naquela
região, de ampliação para 350 milhas.
Então, esse é o objetivo. Ou seja, não só a gente garantir o respeito
às 200 milhas como um direito do Brasil, mas o Brasil está buscando a
ampliação desse espaço, e nós temos que ocupá-lo. Eu pactuo com a
Marinha no sentido de que há uma riqueza enorme do ponto de vista, no
mar territorial brasileiro, de petróleo, minerais etc. Essa exploração
está ocorrendo e nós ocuparmos definitivamente essas 200 milhas. Quando
eu falo do Pró-Frota, nós estamos falando também da ocupação da nossa
Amazônia Azul.
Ou seja, nós temos barcos em todas essas regiões, fazendo a captura do
nosso pescado e impedindo que outras embarcações estrangeiras entrem no
nosso território, nas nossas 200 milhas e dessa forma ajudando
inclusive a Marinha a fiscalizar as nossas águas. É a nossa visão e
esse termo utilizado pela Marinha, da Amazônia Azul, foi muito feliz e
nós trabalhamos de forma conjunta. E agradecer a sua participação e
dizer que na primeira semana de janeiro eu passei exatamente em João
Pessoa, Cabedelo, aproveitei uns dias de sol maravilhoso, aí nesse
estado.
RÁDIO MEC 800 AM - RIO DE JANEIRO (RJ)/NILO SÉRGIO GOMES: Ministro,
observando o trabalho que a Secretaria de Pesca vem realizando nesses
anos todos, percebe-se que o caso do Rio de Janeiro parece ser um caso
atípico. Nós temos aqui, no estado do Rio de Janeiro, problemas graves
e que são problemas históricos quase de infra-estrutura e logística e
olhando o trabalho que a Secretaria vem realizando, agora mesmo o
senhor deu as informações do terminal lá da Paraíba, de Cabedelo. Tem
um trabalho também no Ceará, em Camucim, em Belém e em outros estados,
que me parece que estão mais adiantados do que o estado do Rio de
Janeiro, que está ainda com previsão de valores, licitação que ainda
vai ser realizada, talvez neste ano. Por que ministro, esse atraso na
atividade pesqueira aqui no Rio de Janeiro? Nós que carecemos tanto do
pescado e temos o pescado aqui em nossas costas.
MINISTRO: Nilo é importante a sua pergunta. Num estado que é muito
importante do ponto de vista da pesca. O Rio de Janeiro sempre figura
entre o quarto ou quinto colocado, ou seja, um dos maiores produtores
nacionais de pescado. Nós temos investimentos importantes no Rio de
Janeiro e projetos que estão em andamento. Nós construímos um terminal
de desembarque em Parati, temos obras de reestruturação no terminal
pesqueiro de Angra dos Reis, estamos licitando agora a construção de um
centro integrado da pesca artesanal, pra Niterói, uma obra em torno de
R$ 6 milhões. Mas a obra mais reivindicada, mais demandada é exatamente
o terminal pesqueiro do Rio de Janeiro.
Eu acompanhei muito essa história, até porque estudei no Rio de
Janeiro, desde quando o ponto de desembarque do terminal pesqueiro era
na Praça XV. Hoje, praticamente os pescadores têm dificuldades de onde
desembarcar o pescado. Nós tivemos o problema da escolha de área do
terminal pesqueiro do Rio de Janeiro. Foram pelo menos 15 áreas
analisadas, escolhemos uma área, depois ela ficou na área de expansão
da industria naval, tivemos que abrir mão daquela área. Finalmente, no
ano passado, nós conseguimos uma área de 25 mil metros quadrados na
Ilha do Governador, uma área belíssima, compramos a área, pagamos a
área, no início deste mês havia inúmeras empresas que deixaram a área.
Fizemos a contratação do estudo de viabilidade, que já está no final.
Licitamos em dezembro, o projeto executivo, a empresa tem quatro meses
e meio para fazer o projeto executivo e nós temos como previsão no mês
de agosto iniciarmos as obras do terminal pesqueiro do Rio de Janeiro.
É importante destacar isso. Nós temos os recursos assegurados, no
governo federal. Serão investidos mais de R$ 50 milhões. Será o maior
terminal pesqueiro do Brasil num estado onde na capital, no Rio de
Janeiro, há um consumo de 300 toneladas por dia de pescado. Então eu
acho que essa é a boa notícia. Eu pessoalmente estou empenhado,
acompanhando diretamente todos os passos. O presidente Lula, é
importante destacar, que em 2002 atravessou a Baía da Guanabara de
barco e assumiu esse compromisso. Na semana passada, ele me pediu
informações de como estava o andamento do terminal pesqueiro do Rio de
Janeiro. Então é uma prioridade e nós queremos inclusive, que o
presidente esteja no lançamento da pedra fundamental desse terminal, em
agosto, no máximo setembro. São prazos bem realistas e eu diria que o
pior nós já resolvemos, que era o problema da área. Agora nós temos
recursos e os processos estão andando, no sentido de garantir a
licitação e o início da obra até setembro.
RÁDIO CHAPECÓ – CHAPECÓ (SC)/FÁBIO SCHARDONG: O governo federal anuncia
o programa Águas da União, desenvolve esse projeto e fala sobre
investimentos em lagos e reservatórios. Eu pergunto para o senhor se já
há algum planejamento no que diz respeito ao lago que será formado aqui
pela Usina Foz do Chapecó, atingindo diretamente Chapecó e municípios
vizinhos. Qual é o planejamento da Secretaria de Aqüicultura e Pesca
para esse reservatório? E o que pensa o governo federal a respeito e se
há algum investimento já projetado, quando esse reservatório se formar
aqui na nossa região.
MINISTRO: Nós temos a previsão de investimentos no reservatório da Foz
do Chapecó. Inclusive há uma reivindicação bastante grande dos
pescadores, dos ribeirinhos desta região, no sentido inclusive de
medidas de compensação, pela construção da Hidrelétrica da Foz do
Chapecó. Uma das medidas que nós discutimos e acordamos inclusive no
governo, estamos discutindo inclusive com o consórcio que está
construindo a barragem, é que no momento em que a usina hidrelétrica
estiver inaugurada, imediatamente nós estaremos fazendo a demarcação de
parques aqüicolas para que o reservatório possa ser colocado em
produção. Ou seja, nós queremos produzir peixe em tanque rede nesse
reservatório.
Além disso, nós estamos trabalhando para colocar em produção também o
reservatório da usina hidrelétrica de Itá, que também é nessa nossa
região. Já estamos fazendo os estudos e vamos instalar em breve, uma
unidade demonstrativa para capacitação pra produção de peixes em tanque
rede. Além disso, eu gostaria de aproveitar e destacar que nós
estaremos abrindo um escritório nesta região pra ficar mais próximo
desta região. Ou seja, é uma região onde a piscicultura é bastante
importante. Nós estamos investindo nesta região e nós teremos uma
representação regional da Secretaria aí. Nós estaremos inaugurando o
frigorífico de Abelardo Luz, no mês de março. O frigorífico já está
pronto.
Estamos investindo também em uma unidade em Anchieta, estaremos
assinando em fevereiro um convênio com a UnoChapecó, de investimentos
na estação de piscicultura em São Carlos e estaremos recebendo do
Ibama, a estação de piscicultura de Sede Trintim, que cumpriu um papel
enorme no desenvolvimento da piscicultura da região e que hoje está
praticamente desativada. Então a região de Santa Catarina é uma
prioridade. Nós queremos que a piscicultura seja de fato uma
alternativa de renda, para os agricultores familiares dessa região.
RÁDIO SÃO LUIS (MA)/RENATO SOUSA: O Programa Pró-Frota Pesqueira, que
tem por finalidade apoiar a aquisição, construção, conversão,
modernização de uma frota pesqueira oceânica nacional, eu vejo ser de
suma importância, porque muitos pescadores reclamam da falta de
assistência, ministro. E aqui no Maranhão nós temos a segunda maior
costa do Brasil. É fundamental para ampliar a participação na pesca
oceânica de espécies como os atuns que desde do início de 2005 esse
programa já se expande a nível nacional, mas aqui a nível de São Luís,
nós olhamos com uma certa timidez. O que o ministério que o sr. comanda
poderia fazer em relação a esse financiamento para o estado do Maranhão?
MINISTRO:Bom dia, Renato Sousa e os ouvintes da Rádio São Luís. Eu
estive inclusive em dezembro no Maranhão. Maranhão é um estado
importante, produz mais de 70 mil toneladas de pescado, tem mais de 70
mil pescadores, é o terceiro maior em número de pescadores do Brasil,
basicamente em pesca artesanal. E tem um potencial de pesca industrial
também, embora, quem pesca aí são embarcações do Ceará, Belém do Pará,
e o Maranhão não tem um frota própria, nós estamos trabalho para que o
Pró-Frota chegue aí também.
A região norte teve um problema em relação ao acesso dos recursos do
Pró-Frota. Qual é o problema? O Pró-Frota tem um dos objetivos de
financiar a construção e modernização de embarcações de pargo,
piramutaba, a frota camaroneira desta região. Porém, ele previu apenas
a construção e o que os pescadores querem nesta região basicamente é a
modernização. Então, nós estamos reestruturando o Pró-Frota para que
ele possa também modernizar embarcações. Agora, no caso do Maranhão,
nós precisamos ter empresários, ter pessoas que se desafiem a investir,
que estruturem a pesca nessa região. Esse é um grande desafio.
Nós temos, inclusive, empresários de outras regiões que vieram falar
comigo e querem se instalar aí no Maranhão. É uma ideia, porém eu acho
que seria importante estimular empresas do próprio estado para entrar
nessa atividade. Tem potencial nessa região, nós temos todo litoral que
pega um pólo camaroneiro importante que é a região do Pará, região do
Amapá e portanto tem potencial para pesca aí. E estamos investindo. Nós
decentralizamos agora em dezembro R$ 12 milhões para construção de um
entreposto de pescado, centro de pesquisa na área da cultura, estamos
finalizando a construção de um centro integrado da pesca artesanal em
Barreirinhas e estamos, também, já instalamos uma fábrica de gelo em
Alcântara e licitamos também um trapiche, que é ponto de desembarque,
para pesca artesanal em Alcântara. Então, o Maranhão é uma prioridade
pra nós, agora eu acho que falta um pouco desse estímulo, ou seja, de
empresas que se desafiem a entrar na atividade e que busquem os
recursos do Pró-Frota, porque nós estamos apoiando.
RÁDIO TRIBUNA (ES)/ADRIANO DUTRA: Os investimentos são da ordem de
quantos reais e quais são os beneficios reais ele strarão aos
pescadores de todo o Brasil?
MINISTRO: Bom, Dia Adriano e aos ouvintes da Rádio Tribuna. Nós estamos
num momento muito especial, eu diria, porque a Secretaria vem se
consolidando de forma que ela responde hoje por uma política que já tem
se consolidado do ponto de vista de desenvolver a pesca e a cultura.
Eu digo que hoje a sociedade brasileira, o Brasil, inclusive, está
convencido que a decisão do presidente Lula é acertada no sentido de
transformar a secretaria em ministério. O projeto de lei está no
Congresso Nacional e, com certeza, no início desse ano nós teremos a
aprovação porque já há um acordo no Congresso Nacional, ou seja,
transformar a secretaria em ministério, ter quadro próprio de pessoal
concursado, criar a Embrapa de Cultura e Pesca, para desenvolver
pesquisa ao longo prazo, tem uma política de estado para desenvolver o
grande potencial que o Brasil tem. E nessa perspectiva o que que nós
temos? Nós temos o aumento significativo dos recursos para
investimento. Em 2006 tivemos R$ 100 milhões por ano, ano passado
tivemos R$ 270 milhões, e este ano o orçamento é de R$ 470 milhões,
praticamente triplicamos o orçamento em três anos. O plano 2008/2011
prevê um investimento de R$ 1,7 bilhão, ou seja, nós caminhamos para
consolidar uma política numa área que o Brasil pode, no futuro, figurar
entre um dos maiores produtores mundiais de pescado pela sua dimensão,
pela sua riqueza de espécies, pela sua riqueza de águas e clima
favorável.
E o Espírito Santo é um estado muito importante, tem um potencial
grande na pesca de atuns, tem uma riqueza na produção de lagosta,
também. É uma região de convergência de várias correntes, traz uma água
mais nutritiva, e portanto, muitos cardumes. E nós estamos investindo
aí. Eu estive em dezembro, inclusive, repassando um recurso resultado
de uma emenda, também, R$ 9 milhões, estamos construindo uma escola
técnica em Piúna, para ofertar cursos de aqüicultura, de pesca de nível
médio para poder formar mão de obra, formar pescador, formar técnicos
para apoiar o desenvolvimento da pesca nesse estado.
RÁDIO GAZETA-MACEIÓ(AL)/ROGÉRIO COSTA: Bom dia, Kátia. Bom dia,
ministro. A minha pergunta é a seguinte: em um ano dito de crise, 2009,
previsões sombrias, enfim, em termos investimentos estrangeiros no
Brasil, no setor pesca e exportações, qual é o impacto dessa crise tão
propalada na pesca brasileira?
MINISTRO: Essa crise que tem uma origem que não é no nosso país, eu
acho que o presidente Lula tem destacado isso de forma categórica, ou
seja, a origem da crise é nos Estados Unidos, tem impacto aqui
evidentemente, porém, o Brasil está preparado para enfrentar a crise, é
um dos países mais bem preparados inclusive, com reconhecimento a nível
internacional.
Evidentemente, que há impacto na economia como um todo, mas, nós vamos
continuar crescendo este ano haverá uma pequena desaceleração, mas, o
presidente está dotando todas as medidas para minimizar esses impactos
e o Brasil efetivamente continuar crescendo, se desenvolvendo,
distribuindo renda, e incluindo milhões de brasileiros.
Na área da pesca a crise provocou de imediato uma mudança no câmbio, o
câmbio dificultou nos últimos dois anos as exportações de pescado, as
nossas empresas tiveram dificuldades de competir a nível internacional.
A tal ponto que até 2006 nós tínhamos uma balança comercial positiva,
ou seja, nós exportávamos mais do que importávamos e a partir de 2006 e
2007 ela passou a ser negativa. No ano passado, nos estamos fechando as
contas ainda, possivelmente, nós deveremos ter exportado em torno de
US$ 200 milhões e importado US$ 500 milhões.
Eu não tenho muita preocupação em relação à balança comercial porque o
dólar, o real valorizado, fez com que houvesse uma importação maior de
pescado, segurou os preços do pescado a nível interno e garantiu um
aumento do consumo. No ano passado, pelo menos 15% de todo pescado no
Brasil já foi importado. Isso denuncia que nós precisamos aumentar a
oferta e cria as condições também para que haja mais estímulo do ponto
de vista do cultivo de pescado, do desenvolvimento da aquicultura.
Então o câmbio, se prejudicou um pouco as exportações, também ajudou
muito o Brasil a fortalecer o mercado interno. Vou citar o caso do
camarão, por exemplo: 90% do camarão era exportado, hoje, 85% é vendido
no mercado interno. Os produtores de camarão no nordeste descobriram
que existe consumo no Brasil, que existe mercado e portanto ao criar um
mercado interno também o setor fica menos vulnerável.
Então, a crise seguramente terá algum impacto, eu diria, no sentido
talvez do consumo, na medida em que a sociedade, sentindo mais
dificuldade, pode reduzir o consumo e não acredito que as empresas
reduzirão os investimentos, não há nenhum sinal em relação a isso, até
porque nós vivemos um momento de muito ânimo no setor.
No caso, por exemplo, da cessão das águas da União, que permite o
cultivo em reservatório hidrelétricas e na costa marítima, há uma busca
muito forte de áreas para cultivo. Nós estaremos agora, no dia 13 de
fevereiro, inaugurando, possivelmente com a presença do presidente
Lula, a primeira fazenda marinha do Brasil, primeiro projeto de
psicultura, o primeiro projeto de produção de bijupirá, que é uma
espécie nobre, uma espécie da nossa costa. Nós já dominamos a
tecnologia, ela chega a seis quilos em um ano, enquanto que o salmão do
Chile, que já se popularizou do ponto de vista do consumo no Brasil,
precisa de três anos para chegar a quatro quilos. Então o potencial que
nós temos é muito grande há interesse de empresas nacionais, há
interesse de empresas internacionais, empresas chilenas, empresas da
Noruega, empresas da Espanha, tem em investir no Brasil também. Então o
aumento é muito positivo eu não acredito que a crise tenha um impacto
negativo que possa, digamos, frear essa busca de investimentos nesta
área.
APRESENTADORA KÁTIA SARTORO: Ministro, essa primeira fazenda marinha do Brasil vai ser inaugurada onde?
MINISTRO: Vai ser em Pernambuco, foi a primeira sessão de águas
marítimas que nós entregamos. Somente este projeto tem um potencial de
produzir 10 mil toneladas de bijupirá por ano, então nós estamos muito
entusiasmados, nós vamos entrar em uma nova fase, ou seja, nós temos
potencial na pesca? temos, especialmente a pesca oceânica. Agora, o
grande potencial do Brasil é na que aquicultura, é no cultivo, nós
produzimos hoje um milhão de toneladas de pescado, temos potencial para
produzir 20 milhões de toneladas de pescado, fundamentalmente no
cultivo. É isso que o Brasil está descobrindo, uma nova cadeia
produtiva que poderá se equiparar à cadeia produtiva da carne bovina,
do suínos, do frango, eu sempre digo o Brasil no futuro vai figurar
entre um dos maiores produtores mundiais de pescado, por exemplo, ao
lado da China, que hoje produz 48 milhões de toneladas.
Esse é o potencial que o Brasil tem. A Amazônia, ontem eu tive uma
reunião com o ministro Mangabeira Unger, que coordena inclusive o plano
de desenvolvimento sustentável da Amazônia, discutindo o seguinte: a
minha visão é de que a melhor alternativa para produzir proteína animal
na Amazônia é a produção de pescado, porque preserva a floresta, ao
invés de produzir boi na Amazônia, vamos produzir peixe. A maior
reserva de água doce do mundo está lá, tem espécies nobres como, por
exemplo, o pirarucu que chega a 10 quilos no ano, tem o tambaqui. Então
você produz peixe sem derrubar uma árvore e mais com uma marca que é a
marca amazônica, que tem apelo internacional, tem mercado. Nós
apostamos, temos convicção porque o Brasil tem as condições para
desenvolver efetivamente essa atividade.
RÁDIO BOA NOVA (SP)/GUIOMAR SANTANA: Por falar em sustentabilidade,
qual o papel da secretaria da aquicultura e pesca neste sentido?
MINISTRO: Bom dia Guiomar e aos ouvintes da Boa Nova, esta é uma
pergunta muito importante porque quando se fala em pesca muitas vezes
se vê a pesca como uma atividade que é exclusivamente predatória, e
muitos estoques, efetivamente, muitas espécies reduziram o volume de
pescado existente. Eu pego o caso, por exemplo, da sardinha que, na
década de 70, o Brasil chegou a capturar 250 mil toneladas na região
sudeste e sul, em 2000 chegou a cair para 17 mil toneladas. Nós, junto
com o Ibama, adotamos medidas, por exemplo, a ampliação do período
defeso e começamos a recuperar essa espécie. No ano passado, a captura
foi de 57 mil toneladas. Estamos fazendo isso com a lagosta que caiu de
11 mil toneladas em 91, para em torno de 6 mil toneladas, 7 mil
toneladas no ano passado, ou seja, uma redução bastante significativa.
O camarão sete barbas, na região sudeste-sul, também de 15 mil
toneladas para 5 mil toneladas.
Eu dei esses exemplos para dizer o seguinte: nós temos uma visão de que
a pesca e a aquicultura devem ser desenvolvidas de forma sustentável.
Nós temos que ter como fundamento a preservação das espécies, a
preservação ambiental para que nós tenhamos o que pescar, o que
produzir no futuro. A condição para ter peixe, para ter organismo
aquáticos, para ter frutos do mar, é ter uma água limpa, uma água boa,
uma água potável e, portanto, é fundamental preservar o meio ambiente.
Nesse sentido, nós temos um entendimento muito bom com o ministério do
Meio Ambiente porque nós temos este como um dos pilares da nossa
política. Não há futuro na pesca e na aquicultura se não houver
sustentabilidade, e até porque o consumidor está cada vez mais exigente
a nível de internacional e também no Brasil nós queremos que o
consumidor consuma um peixe, um pescado saudável de qualidade com bom
preço e que se torne uma cultura no Brasil consumir pescado como é o
costume por exemplo do frango, do bovino, do suíno, esse que é o
objetivo.
RÁDIO DIFUSORA CAXIENSE-CAXIAS DO SUL (RS)/MARÇAL RODRIGUES: O peixe
hoje é um produto muito caro ainda para a população mais carente, a
população que mais necessita. Qual o programa que o senhor tem para
fazer com que esse produto seja viável para a população?
MINISTRO: A questão do consumo no Brasil tem sido muito discutida nos
últimos anos. Nós temos um consumo de 7 quilos habitante/ano, enquanto
que o recomendado pela Organização Mundial da Saúde é de 12 quilos, e a
média mundial de consumo é de 16 quilos/ habitante, ou seja, o nosso
consumo ainda é baixo. Por um lado, tem um fator que é cultural, em
muitas regiões do Brasil o consumo se dá só na Semana Santa. Outra
razão são as várias opções de proteína animal que nós temos, é a carne
de frango, é o suíno é o bovino e um outro fator também é o preço.
Historicamente o preço do pescado na sua média tem sido superior a
outras carnes, mas eu quero dizer que esta realidade está mudando, por
exemplo, ano passado o preço do pescado caiu, enquanto que a carne
bovina subiu 15%, então a carne de pescado começa a ser competitiva. Eu
compro um Tambaqui em São Paulo (SP), Rio de Janeiro (RJ) e Brasília
(DF) por uma média de R$ 6 o quilo, encontro várias espécies a R$ 3, R$
4 ou R$ 5 na safra. Então, o pescado começa a ser competitivo. Agora,
como a gente vai reduzir esse custo? Primeiro, nós queremos aumentar a
oferta e ter regularidade de oferta. Para isso, o desenvolvimento da
Aquicultura é fundamental, ou seja, o cultivo. O tambaqui é um exemplo
claro, nós temos todo ano um preço em torno de seis reais o quilo. Por
quê? Porque alguns produtores do Centro-oeste que produzem
regularmente, que ofertam regularmente, que têm escala. É o que
aconteceu com o frango, por exemplo. O frango reduziu o preço nas
últimas três décadas e muito. O consumo era de 4 quilos e hoje, é de 37
quilos. Então é aumentar a oferta, ter regularidade de oferta, ter
qualidade. O segundo é organizar a cadeia produtiva. Hoje, o pescado
passa por muitas mãos até chegar na mesa do consumidor. E nós
precisamos resolver isso. Precisamos de investimentos em
infra-estrutura, como em terminais pesqueiros, onde há o desembarque,
lavagem, qualificação, beneficiamento. E daí vai para o supermercado,
daí vai para o restaurante. É fundamental a construção dos centros
integrados da pesca artesanal, para que o pescador artesanal não venda
seu pescado já na praia, por um intermediário e daí passe por mais
duas, três, quatro mãos até chegar na mesa do consumidor. O centro
integrado também é essa infra-estrutura que compreende toda a cadeia
produtiva e encurta a cadeia produtiva e encurta distância entre o
pescador, o piscicultor e o consumidor. Além disso, nós temos o
programa das feiras do peixe, para vender diretamente lá no bairro,
temos o programa da colocação do peixe na alimentação escolar,
estruturamos o Seagesp São Paulo, que foi um investimento grande e é o
principal entreposto de comercialização da América Latina. Os
pescadores da região Sudeste poderão comercializar diretamente no
Seagesp. Então são essas as políticas e eu acredito que o daqui para
frente, o pescado tende a reduzir seu preço médio e isso vai ajudar a
aumentar o consumo de pescado no Brasil.
RÁDIO TUPI- RIO DE JANEIRO(RJ)/ANA RODRIGUES: Nós estamos acompanhando
com expectativa com relação a esse programa Águas da União,
principalmente aqui no Rio de Janeiro, que o Rio de Janeiro tem um
litoral rico na exploração da pesca. E, quais vão ser os benefícios
específicos para o Estado do Rio desse programa de assistência técnica
aos pescadores artesanais e também o Programa Águas da União?
MINISTRO: No final do ano passado, nós fizemos um convênio, onde
repassamos recursos para fazer a demarcação de áreas para a
Maricultura. Esse trabalho tinha sido iniciado no ano anterior, aí a
universidade que estava executando teve dificuldades e acabou
interrompendo esses estudos. Nós estamos retomando agora. O Rio de
Janeiro tem um potencial muito grande para a maricultura na produção de
ostras, na produção de vieiras. Fizemos um convênio também com um
laboratório de Angra dos Reis, também no final do ano passado. Mais de
R$ 1 milhão nós estamos repassando para garantir a produção de sementes
de vieiras. Então, no que se refere às Águas da União, o desafio
inicial agora é demarcar os parques aquícolas, para fazer a seção, para
regularizar quem já produz e criar condições legais de desenvolver a
atividade. Além disso, nós temos um trabalho forte com a pesca
artesanal, na área de organização, de capacitação. Recadastramos todos
os pescadores, temos um investimento bastante grande para pagamento do
seguro defeso. Estamos investindo em infra-estrutura. Nós falamos do
terminal pesqueiro do Rio de Janeiro, que até setembro começam as
obras, o terminal pesqueiro de Angra, que está em obras, um centro
integrado em Niterói, que estamos licitando. Em Parati, concluímos um
ponto importante de desembarque. Este ano nós temos um orçamento de R$
15 milhões para assistência técnica. Portanto, teremos condições de
investir mais nesta área. Temos uma parceria importante com o governo
do estado, na área de assistência técnica. Temos um trabalho em
conjunto com pelo menos 30 técnicos que atuam na região. Então o Rio de
Janeiro é um estado importante porque ele tem mais de 20 mil pescadores
artesanais, mas tem uma frota industrial também bastante importante,
como pesca da sardinha e pesca de uma série de outras espécies.
RÁDIO BEIRAMAR - Ubatuba (SP)/ALAN RICARDO: Recentemente, foi
implantado aqui em Ubatuba e em todo o litoral de São Paulo, a área de
proteção ambiental e os pescadores ficaram um tanto ansiosos com
relação às restrições que foram impostas. Com que tipo de ações o
ministro pode colaborar, para além da pesca, serem implantadas outras
culturas aqui no litoral norte?
MINISTRO: No litoral norte, nós temos um trabalho importante. Nós
estamos concluindo os estudos do Plano Local de Desenvolvimento da
Maricultura, que é exatamente a demarcação de áreas para cultivo. Tem
uma produção de ostras nesta região com vários maricultores, se não me
engano tem, inclusive, uma associação de maricultores. Eu já estive aí
por duas oportunidades. O trabalho inicial que é a demarcação já está
bastante adiantada. Já são quase dois anos que esse trabalho vem sendo
desenvolvido em parceria com o Instituto de Pesca. Então, eu acredito
que além da pesca, de dotar esse setor de infra-estrutura nesta região,
inclusive inauguramos, no final do ano passado, inclusive inauguramos
no final do ano passado, um posto de abastecimento de óleo diesel nesta
região e ainda tem dois para serem inaugurados em Ubatuba, já está
pronto, em parceria com a BR. Inauguramos um em Santos também, ou seja,
dar condições para que os pescadores artesanais possam reduzir custo e
melhorar a renda, melhorar a sua condição de vida. Além de melhorar a
renda dos pescadores artesanais, a produção na área da Maricultura é a
alternativa que nós estamos construindo para essa região porque é uma
reivindicação também da região.
RÁDIO EXCELSIOR- SALVADOR (BA)/ EDSON SANTARINI: Por que o peixe no
Brasil é tão caro, já que temos uma costa tão grande, tão extensa e
fácil de explorar?
MINISTRO: A Bahia, primeiro eu gostaria de destacar a importância que a
Bahia tem. A Bahia é o terceiro maior produtor nacional de pescado e é
o segundo em número de pescadores. Nós temos mais de 80 mil pescadores
na Bahia e só perde para o Pará. Então, é um estado importante e com
potencial grande na área da Maricultura. Temos muitos investimentos,
inclusive o terminal pesqueiro de Salvador, já temos a área e
contratamos estudos de viabilidade e em fevereiro nós vamos contratar o
projeto executivo para, no mês do julho e agosto, começar a obra do
terminal pesqueiro aí de Salvador. Agora, essa pergunta em relação ao
preço do pescado: historicamente, o preço médio de pescado é superior
ao de outras carnes, e isso tem sido uma das razões de que o consumo de
pescado no Brasil é de 7 quilos, ou seja, abaixo do recomendado pela
Organização Mundial de Saúde e abaixo da média mundial que é de 16
quilos. Tem duas razões principais: por um lado a cultura de consumo no
Brasil, que em muitas regiões o consumo é pequeno. Não tem uma
infra-estrutura de oferta de pescado também. Segundo, porque o Brasil
tem várias opções de consumo de carnes e a cadeia produtiva de pescado
é muito desorganizada. É diferente por exemplo do frango. O pescado
para chegar na mesa do consumidor passa por várias mãos. O pescador
vende na beira da praia, o intermediário vende para outro
intermediário, para outro, e para outro até chegar na mesa do
consumidor. E isso compromete a qualidade também. Nós estamos fazendo o
quê: primeiro, organizar a cadeia produtiva, encurtar essa distância,
pra garantir mais qualidade e segundo, apostando no aumento da oferta e
na regularidade da oferta, especialmente através da aquicultura. Nós
achamos que desta forma, nós garantiremos uma oferta mais regular de
pescado, garantiremos mais qualidade e garantiremos um preço mais
acessível. Nós queremos que o pescado seja cada vez mais competitivo
com outras carnes. Ou seja, o consumidor, a dona-de-casa chega no
supermercado e ela possa optar também pelo preço e escolher o pescado
ao invés de escolher o frango, ao invés de escolher o bovino. Até
porque a carne (do peixe) é a proteína mais saudável. Se a gente quiser
viver mais, é a gente comer duas vezes por semana, pelo menos, peixe,
frutos do mar. Isso garante mais vida, por isso que nós estamos
estimulando o aumento do consumo de pescado no Brasil.
APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Ministro, eu queria aproveitar e fazer
uma pergunta pro senhor sobre Santa Catarina, que é sua terra e que nos
últimos meses passou por tanto problema, enchentes, tempestades. Os
produtores de ostras e mexilhões lá de Santa Catarina vão receber uma
ajuda da Secretaria? Porque com essas enchentes aconteceu uma perda
muito grande. Qual é o papel da secretaria nessa distribuição de
sementes para que eles retomem a produção?
MINISTRO: De fato, Santa Catarina perdeu muito, foi uma tragédia para
Santa Catarina as enchentes e o setor pesqueiro também perdeu. A
indústria pesqueira de Itajaí, que é o maior pólo industrial do Brasil,
a maioria delas tiveram a sua indústria invadida pela água, com perda
de estoques, perda de equipamentos. Então houve uma perda e a
paralização das atividades. Nós conseguimos duas coisas importantes:
uma pra indústria pesqueira; R$ 300 milhões numa linha revitaliza, com
condições do crédito rural, recursos para pagamento em oito anos, com
8,25% de juros ao ano. Isso já está à disposição. Eu sei que os
pescadores, a indústria está trabalhando com o Banco do Brasil, o BRDE
para viabilizar os financiamentos. E no caso dos maricultores, nós
tivemos uma perda, em algumas regiões, bastante grande. Por exemplo,
Palhoça, que perdeu quase 50% da produção de mariscos. Por quê? Como
choveu muito, a água ficou mais doce e próximo à costa ficou mais
barrenta. E como a ostra, o marisco, mexilhão são filtradores, nós
acabamos tendo uma mortalidade bastante grande na produção daquela
região. O que que nós garantimos? Nós passamos para o laboratório da
Universidade Federal de Santa Catarina R$ 120 mil no final do ano
passado, para que o laboratório produza sementes e entregue
gratuitamente para os maricultores desta região. Os maricultores
acompanharam esse debate, os recursos já foram repassados e de imediato
eles passarão a receber sementes, além de serem beneficiados pelo
Pronaf. Quem tinha Pronaf, perdeu a safra, vai ter perdão da dívida,
vai receber mais R$ 2,5 mil e assim por diante.
REDE JANGADEIRO FM - FORTALEZA (CE)/ ROSANNA AMAZONAS: Ministro, em
setembro do ano passado, o senhor veio ao Ceará pra entregar títulos de
cessão de água do reservatório Castanhão, pra pescadores. Isso foi uma
ação do programa Águas da União. Esses investimentos do Ministério da
Pesca serão mantidos mesmo com a crise financeira internacional ou será
preciso fazer cortes no orçamento do programa?
MINISTRO: Os investimentos serão mantidos. Evidentemente que o governo,
o presidente Lula está discutindo, neste momento, qual é o
contingenciamento dos recursos que fará nesse início de ano, aguardando
aí a repercussão da crise também no nosso país. Mas, a princípio, os
recursos serão mantidos, mesmo que haja algum contingenciamento, eu sei
que no decorrer do ano esses recursos serão descontingenciados. Então
nós estamos mantendo todas as nossas prioridades, todas as nossas
metas, em especial o programa Águas da União. Por quê? Porque é um
programa prioritário, que nós apostamos muito. É um programa que vai
aumentar a produção, que vai gerar emprego, gerar renda, que vai
incluir muita gente. E o caso do Castanhão é o exemplo mais típico. Eu
cito em todos os lugares. No semi-árido nordestino, onde não tem quase
nenhuma opção de produção, o maior reservatório hidrelétrico do
Nordeste. Nós temos água em abundância e não se produzia nada. Agora
vai ter produção de pelo menos 30 mil toneladas de tilápia por ano. Nós
entregamos títulos pra 640 famílias que terão uma renda de pelo menos
R$ 1 mil por mês. Vai ser uma revolução naquela região. E temos em
torno de 20 pequenas empresas também, que fizemos cessão, e que
imediatamente começarão a produção. Então é um exemplo de como a gente
pode aumentar a produção e de como a gente pode gerar emprego, gerar
renda. É uma prioridade e esse programa será mantido.
RÁDIO LIBERAL - PARÁ (PA)/ CELSO FREIRE: Ministro, o governo está
construindo um terminal pesqueiro aqui em Belém e também na cidade de
Bragança, aqui próximo a Belém. E gostaria que o senhor falasse a
respeito desse terminal e em o que que vai ajudar o pescador aqui da
região Norte. E também sobre o programa Águas da União, que em 2008
foram implantados reservatórios em vários estados e aqui no Pará foi em
Tucuruí. E como esse reservatório também vai ajudar o pescador. Então
eu gostaria que o senhor respondesse pra mim a respeito da construção
desse terminal e também do reservatório, em quê que vai ajudar o
pescador aqui da região Norte.
MINISTRO: Nós estamos licitando o terminal pesqueiro de Belém e de
Bragança. A licitação nós abrimos no ano passado. A abertura aliás,
aconteceu no dia 24 de dezembro, tivemos um problema na licitação,
tivemos que suspender a licitação e estamos reabrindo o processo
licitatório assim que o Orçamento abrir. Outro terminal pesqueiro de
Belém é uma obra de R$ 35 milhões, é uma estrutura muito importante
porque não existe nenhuma estrutura de desembarque em Belém, a não ser
no ver-o-peso, em precárias condições e nas empresas que têm seus
próprios terminais, que são terminais privados. Então, esta obra, este
terminal é muito importante. Nós estamos aguardando a licença ambiental
também da Secretaria de Meio Ambiente do governo do estado, mas nos
próximos meses nós estaremos dando a ordem de serviço. Eu acredito, no
mês de março, abril no máximo, nós estaremos iniciando a obra de Belém.
Bragança, a mesma coisa. Temos os recursos assegurados, está em fase de
licitação, é uma obra em torno de R$ 8 milhões de reais. É um pólo
pesqueiro importante. Mas além dessas duas obras, nós estamos para
inaugurar um terminal pesqueiro em Jacundá, um investimento de mais de
R$ 3 milhões e também de Oiteiro. E destacar que nós executamos uma
emenda no orçamento da bancada do Pará de R$ 20 milhões em
equipamentos. É muito equipamento, são mais de 40 caminhões para o Pará
fruto dessa emenda, fábricas de gelo, barco para transporte. Ou seja, o
Pará recebe esses investimentos e isso vai ter um impacto muito grande
no desenvolvimento dessa atividade.
APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Ministro, infelizmente acabou nosso tempo
e precisamos agora agradecer e concluir o programa. Muito obrigada pela
sua participação, mais uma vez, no Bom dia Ministro.
MINISTRO: Obrigado, obrigado a Radiobrás, obrigado a todas as
emissoras. Sempre este programa é de muita utilidade, porque é muito
ouvido, tem muita repercussão e é a oportunidade de a gente também
ouvir as demandas das regiões e falar sobre o que a gente tá fazendo,
sobre as nossas expectativas, os nossos projetos, nossos programas.
Então, a minha crença é de que o Brasil está no caminho certo e essa
atividade vai crescer cada vez mais e os brasileiros vão se orgulhar do
nosso país em relação à pesca, à cultura e o impacto que ela tem e que
ela terá do ponto de vista da geração de emprego, renda e a produção de
uma proteína nobre, que é o pescado.
APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Obrigada, ministro e todos que
participaram conosco dessa rede. Muito obrigada e até o próximo
programa.
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