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Arquivos: 23/07/09 - Transcrição


BOM DIA, MINISTRO COM O MINISTRO DA SAÚDE, JOSÉ GOMES TEMPORÃO.



APRESENTAÇÃO DE LUCIANO SEIXAS: Hoje o ministro falará sobre as ações de prevenção e tratamento de pacientes vítimas da influenza A H1N1. Até setembro o Ministério da Saúde receberá mais 800 mil tratamentos, que serão distribuídos aos estados e incorporados ao estoque de nove milhões de tratamentos disponíveis no momento. O primeiro lote de 50 mil tratamentos contra o Influenza A H1N1 adquirido pelo Ministério da Saúde, será distribuído aos 68 hospitais de referência em todo o país, para o atendimento aos pacientes da nova gripe. Uma segunda leva dos remédios será entregue até o dia 15 de agosto e outros tratamentos chegarão até o dia 30 de setembro. O ministro da Saúde José Gomes Temporão já está aqui e vai conversar com ancôras de emissoras de rádio de todo o país.

Ministro vamos começar com uma pergunta genérica sobre essa questão da nova gripe, que tem sido chamada gripe 'A'. A situação está fora de controle, há algum risco para o cidadão comum no país?

MINISTRO: É natural que, quando nós nos enfrentamos com uma situação totalmente inusitada, nova, ou seja, surge um novo vírus, que não existia até então, com características genéticas específicas e que se espalha numa velocidade sem precedentes pelo mundo. A Organização Mundial da Saúde, chama atenção de que, epidemias anteriores, pandemias anteriores, onde o vírus levava 6 meses para se espalhar pelo mundo, nesse caso, levou apenas seis semanas. Então é natural que isso traga dúvidas, interrogações, até porque a ciência nesse momento, não pode responder a todas as perguntas, ainda é muito cedo, tem muita gente competente no mundo inteiro estudando, se debruçando sobre o comportamento desse vírus. Agora é preciso chamar a atenção, que todos os anos, todos os países do mundo e o Brasil na época do inverno, enfrenta surtos da influenza sazonal, influenza comum. Essa que todos os anos o Ministério da Saúde faz a campanha de vacinação dos idosos, esse ano por exemplo, nós vacinamos 18 milhões de idosos. E só pra vocês terem uma idéia, pra esclarecer um pouco do que eu estou falando, só no ano passado em um mês, em julho de 2008, quatro mil e quinhentas pessoas morreram em um único mês de complicações da gripe comum. Os documentos oficiais da Organização Mundial da Saúde, a opinião dos mais renomados especialistas brasileiros, chama a atenção de que embora seja uma nova doença, que traz dúvidas, interrogações e insegurança, o comportamento dessa doença na prática tem semelhanças muito grandes com da gripe comum. Seja do ponto de vista dos sinais, dos sintomas da letalidade, do tratamento e das medidas de prevenção. Então é natural que haja no primeiro momento insegurança. Infelizmente estão acontecendo mortes, mas isso já era esperado pelas autoridades da mesma maneira que a gripe comum, todos os anos, repito vitima milhares de brasileiros, essa gripe por suas características, em cima de um grupo mais frágil, ou em cima de algumas especifisidades dessa gripe, está causando, digamos assim esse temor. Há também uma outra dimensão, que eu acho que é uma responsabilidade importante da mídia. Esse é um momento, onde a imprensa, a TV e os jornais tem uma grande responsabilidade de ter uma linha de educação, de informação, de esclarecimento, de orientação da população, para que a gente não crie um clima, digamos assim, de insegurança, ou de medo que não são bons conselheiros. Eu acho que a boa informação é se manter bem informado, análises bastante realistas da situação, mas com forte conteúdo de orientação é uma missão importante da mídia nesse momento.

RÁDIO FARROUPILHA-PORTO ALEGRE/CARLOS MOTA: A minha primeira pergunta, o ministro praticamente já respondeu na sua explanação inicial, que é a respeito da participação na mídia, na divulgação da nova gripe, um vez que, temos aqui no estado do Rio Grande do Sul, no ano passado, cerca de 14 mil pessoas morreram devido a gripe comum, a gripe normal. Neste ano, em função da nova gripe, foram cerca de 11 mortos e há toda uma divulgação por parte da mídia em cima deste fato. Mas eu quero perguntar senhor ministro, se pessoas com baixa imunidade, são mais propensas a pegarem a nova gripe. E também uma pergunta muito comum das pessoas, que estão já na terceira idade. Se pessoas que tem problema de artrite, artrose, osteoporose também seriam mais suscetíveis a nova gripe?

MINISTRO: É muito importante chamar atenção para um aspecto, o Ministério da Saúde trabalha em cima de um conjunto de orientações, que são orientações de consenso de especialistas e determinados, explicitados pela Organização Mundial da Saúde. O que a Organização Mundial da Saúde diz? Nas gripes em geral, esse vírus é da família influenza, ele sofreu uma mutação, mas ele é um parente, uma espécie de primo do vírus que todos os anos anda por aqui. Os grupos de risco são em geral crianças muito pequenas, idosos, mulheres grávidas, pessoas que tem principalmente doenças crônicas, como hipertensão, diabetes, pessoas que tem doenças pulmonares crônicas, bronquite, enfisema, asma. Pessoas que se tratam de doenças que reduzem a imunidade do organismo como câncer, pessoas fazendo quimioterapia, pessoas que fizeram transplantes de órgãos, estão tomando medicamentos para evitar a rejeição. Esse é o conjunto de, entre outros, é claro que, essas doenças que você se referiu, artrite, artrose, osteoporose em princípio não se enquadrariam nessa categoria. Mas veja a avaliação tem que ser sempre do médico assistente, o médico que vai examinar a pessoa, que vai poder avaliar se essa pessoa por outras características pode estar com a sua situação de saúde mais fragilizada. Qual é a importância disso? É porque nesses casos, nós começamos a dar o tratamento específico, o medicamento Useltamizir. Dai a importância da análise e da avaliação, a responsabilidade pelo diagnóstico, pela conduta, é do médico, que está atendendo a pessoa e que vai poder dar a orientação mais adequada.

RÁDIO FARROUPILHA-PORTO ALEGRE/CARLOS MOTA: a questão que ficou faltando é sobre a baixa imunidade?

MINISTRO: Sim, então, todo o quadro que implique uma redução da imunidade do organismo estaria se enquadrando dentro desse quadro de risco, mas isso repito, só pode ser feito através da orientação do médico, da realização de exames, que vão confirmar se há especificamente um quadro de redução de imunidade. Normalmente, são essas, e 90% das vezes, o grupo de riscos são esses que eu me referi. Mas evidentemente pode existir outras situações clínicas que se enquadrem no grupo de risco.

RÁDIO GUARUJÁ-FLORIANÓPOLIS(SC)/LEDA LIMA: Ministro, ontem duas mulheres morreram aqui em Santa Catarina com suspeita de gripe 'A'. Uma no sul do estado e uma no meio oeste. Mais de uma dezena no Rio Grande do Sul. Esse mutirão de ações de prevenção e tratamento, contra a doença do Ministério da Saúde, não está atrasado ministro? Esse trabalho não deveria ter sido feito, assim que o primeiro caso foi registrado aqui no Brasil?

MINISTRO: Com franqueza não entendi a sua pergunta. Nós estamos há 90 dias trabalhando, 24 horas por dia, 7 dias por semana, orientando, esclarecendo. Se eu fizer uma contabilidade da quantidade de páginas impressas, minutos na TV e no Rádio, na Internet e orientação, discussão e debate, talvez seja uma das doenças mais discutidas dos últimos 50 anos no Brasil. Então o governo brasileiro, desde o primeiro momento, poucas horas depois de o MS ter declarado pandemia, nós já estávamos reunidos em Brasília, no grupo executivo interministerial, nós já tínhamos uma estratégia de mídia, de comunicação de informação pronta, que tinha sido elaborada. Você deve lembrar daquela pandemia de gripe aviária que não aconteceu, criou-se um alarde fantástico no mundo inteiro e simplesmente o vírus desapareceu, não circulou mais, mas nós usamos aquela estratégia e ela foi importante porque ela nos permitiu estruturar uma rede de laboratórios uma estratégia de vigilância que está presente em todos os estados. Equipar e preparar os hospitais, treinar centenas de médicos e profissionais de saúde, e ter uma estratégia de comunicação que a meu ver, com alguns escorregões aqui, ali, às vezes em parte da mídia há uma tentativa de misturar política com saúde pública que é muito negativo, ou de tentar criar um clima sensacionalista em cima de uma coisa série que é saúde e vida. Mas no geral a minha avaliação do comportamento da mídia nessa doença até o momento é bastante positivo.

RÁDIO GUARUJÁ-FLORIANÓPOLIS(SC)/LEDA LIMA: Eu vou até tentar explicar o porque eu fiz essa pergunta ministro. A informação que a gente recebeu da assessoria de imprensa é que o primeiro lote de 50 mil tratamentos contra a influenza adquirido pelo Ministério da Saúde vai ser distribuído agora. Uma segunda leva de remédios até 15 de agosto. E a outra leva até 30 de setembro. A minha pergunta foi justamente por esse motivo esses tratamentos contra a influenza, já não deveriam ter sido distribuídos assim que os primeiros casos apareceram, por isso a minha pergunta ministro.

MINISTRO: Leda agora que eu entendi, veja tem uma falta de informação ai. Nós já distribuímos 10 mil tratamentos desde o início da doença. Na realidade você deve lembrar que só a partir do dia 80 é que nós declaramos que o vírus circulava livremente no Brasil, até então nós tínhamos um número pequeno de casos e um número muito pequeno de óbitos. E no começo que eu chamo de fase um, que foi a fase de contenção de impedir que o vírus circulasse no Brasil e que obteve grande sucesso, afinal de contas durante 80 dias nós impedimos essa circulação, todos os doentes foram tratados, então na realidade faltou essa informação ai. Esses 50 mil tratamentos são 50 mil que nós estamos distribuindo agora, mas nós já utilizamos 10 mil tratamentos durante essa primeira etapa. No momento faltou medicamentos e não faltará porque nós temos nove milhões de tratamentos estocados na Fundação Oswaldo Cruz prontos para serem distribuídos.

RÁDIO BANDNEWS-SALVADOR (BA)/SILVANA OLIVEIRA: A Bahia hoje tem 49 casos de gripe A, 60% a mais do que na semana passada. Apesar de pequeno, frente a dados de outros estados o número preocupa. E alguns médicos daqui já defendem o cancelamento de eventos públicos previstos para daqui a dois meses quando começa o verão baiano sob a alegação de que todos nós, salvo raríssimos exceções vamos pegar a influenza A, é essa mesma a orientação ministro?

MINISTRO: Veja a nossa grande preocupação nesse momento é evidentemente com a situação dos estados do Sul onde as baixas temperaturas durante essa época do ano facilitam muito a propagação das doenças respiratórias entre elas a dessa nova virose. Nós temos também São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Santa Catarina e Paraná. A situação nos estados da região Centro-Oeste, Nordeste e Norte é bastante distinta, até pelas especifidades climáticas que ajudam um pouco. Isso não quer dizer que a doença não possa se espalhar ai e contaminar um grupo de um número grande de pessoas.

A orientação do Ministério é sempre, bom senso e que todas as medidas seja tomadas de acordo com as autoridades sanitárias locais. Muitas vezes você acha que está tomando uma medida acertada e ela pode estar totalmente sendo equivocada prejudicando o trabalho, o lazer, o cotidiano das pessoas. Cada caso é um caso. Eu acho bom que especialistas e profissionais da saúde estejam participando, discutindo, debatendo, mas chamo atenção da secretaria estadual de saúde, e as secretarias municipais de saúde que dispõe seus quadros de especialistas em saúde pública de epidemiologistas, elas é que devem ser consultadas e orientar cada situação específica.

RÁDIO BANDNEWS-SALVADOR (BA)/SILVANA OLIVEIRA: Com a transmissão da influenza A, o vírus circulando livremente pelo país, as pessoas se questionam porque o Tamiflu não é encontrado em farmácias, o senhor poderia explicar novamente ministro?

MINISTRO: Inclusive hoje saiu uma matéria na imprensa equivocada. Veja, o governo federal comprou em 2006 nove toneladas do princípio ativo que ficaram estocadas na Fiocruz, do remédio. Ou seja, essa matéria prima ela vai ser transformada no produto final. Nós compramos essa matéria prima do laboratório que detém a patente desse medicamento. Além disso, nós compramos uma série, um conjunto de medicamentos prontos, esse que nós já distribuímos e esses nove que nós estamos recebendo. Em nenhum momento houve uma solicitação formal ou uma determinação do Ministério da Saúde de que o laboratório retirasse o produto das farmácias, isso não aconteceu. Entretanto do ponto de vista prático, imagino que há uma gigantesca demanda mundial por esse medicamento e o laboratório está tentando atender todos os pedidos, o remédio não se encontra hoje nas farmácias. Esse é um aspecto.

O outro aspecto é que eu acho que o fato do medicamento não estar disponível nas farmácias é extremamente positivo, e vou te explicar porque: numa situação como essa, mesmo que nós exigíssemos que o medicamento fosse prescrito por um médico, ou seja, houvesse exigência de receita médica para a venda, a cultura da automedicação muito forte no Brasil e infelizmente casos cotidianos de venda de medicamentos em que é exigida a receita médica, sem receita médica por muitas farmácias levaria uma corrida das pessoas às farmácias na falsa ilusão de que comprando o remédio estariam se protegendo de alguma forma. Nós teríamos pessoas tomando medicamento sem indicação, nós teríamos pessoas se automedicando, nós teríamos pessoas talvez ficando gravemente doentes por efeitos colaterais do remédio, o remédio não é isento de efeitos colaterais. E o mais grave quanto mais você coloca o vírus em contato com o medicamento maior a probabilidade de que esse vírus sofra uma mutação e apresente resistência ao remédio. E ai tem uma questão muito grave que é a seguinte: nesse momento em que nós não temos ainda uma vacina, a vacina está sendo desenvolvida e testada, ela só vai estar disponível nos próximos meses, a única arma que nós temos contra essa doença é esse remédio apenas esse remédio. Se o vírus desenvolve resistência a esse medicamento nós ficaríamos numa situação dramática, crítica. Por isso na minha opinião o fato do medicamento não estar disponível nas farmácias é positivo.

RÁDIO CULTURA-FOZ DO IGUAÇU(PR)/CIDA COSTA: Ministro uma pergunta também, uma questão que a gente aqui na nossa fronteira com o Paraguai e também com a Argentina. Com o Paraguai existe uma preocupação maior no que se refere a gripe ministro, eu explico porquê. Na Argentina nós temos um controle maior no que se refere as questões de saúde até de dados de pessoas doentes e também dos casos existentes lá. Já no Paraguai a gente encontra dificuldades a gente percebe as dificuldades no que se refere a tratamento das pessoas doentes. O que o Brasil pensa a respeito disso ministro?

MINISTRO: Eu estou indo daqui há pouco para Assunção exatamente para reunião dos presidentes do Mercosul, os ministros da Saúde do Mercosul vão estar reunidos hoje e amanhã, e um dos temas que vai ser discutido é exatamente esse tema. De que maneira os países do Mercosul podem estruturar estratégias e propor medidas que, por exemplo, unifiquem protocolos de conduta, aumentem a cooperação técnica entre os países, e permitam que o Brasil que tem uma capacidade industrial, cientifica, médica diferenciada assim como a Argentina e o Chile possamos estar ajudando e apoiando os países da América do Sul que não tem tanta capacidade. A minha expectativa, é que esses dois dias hoje e amanhã em Assunção, nós possamos estar exatamente discutindo esses aspectos que você levantou.

RÁDIO CHARRUA-URUGUAIANA(RS)/FRANCISCO ALVES: A pergunta é a seguinte ministro: por nossa proximidade com a Argentina ligados por uma ponte internacional por onde cruzam centenas de pessoas, Uruguaiana tem registrado três óbitos até o momento confirmados, cinco hospitalizados, vários casos suspeitos, e por isso centenas de uruguaianos buscando atendimento. A nossa cidade é considerada prioridade na visão do senhor?

MINISTRO: O Rio Grande do Sul é considerado prioridade. Eu estive pessoalmente ai na semana passada estive ontem aqui em Brasília com o secretário estadual de saúde, Osmar Terra. Autorizei a liberação de recursos financeiros extraordinários para o Rio Grande do Sul. Ontem chegaram, ou estão chegando agora de manhã ao Rio Grande do Sul, mais 15 mil tratamentos para a doença. Nesse momento tem uma equipe técnica de epidemiologistas do Ministério da saúde, aí no Rio Grande do Sul, trabalhando junto com o estado. A Fundação Oswaldo Cruz vai estar fazendo uma visita técnica ao laboratório do Rio Grande do Sul, para ver se nós podemos credenciá-lo para que ele possa realizar o exame também, para o diagnóstico da doença. Enfim, todo o esforço que é possível fazer. Além disso, a Anvisa reforçou o trabalho nas fronteiras. Em Uruguaiana também, junto com o apoio das Forças Armadas, do Exército e da Polícia Rodoviária Federal. E, tudo que for necessário para estar apoiando os prefeitos, para estar apoiando o governo do estado no enfrentamento dessa situação, nós vamos fazer.

RÁDIO CULTURA-CAMPO GRANDE (MS)/ RAFAELA GIZZI: Até onde vai essa Influenza A? Eu digo assim, no sentido de quais os limites dessa gripe? Ela pode mesmo ser extinta ou corre o risco de, assim, a gente controlar e tempos depois voltar uma pandemia?

MINISTRO: Essa é a pergunta que todo mundo faz para os especialistas, e eles, enfim, não conseguem responder. Por quê? Esses vírus da família Influenza, eles tem algumas características. Vocês devem perceber que todo ano o Ministério da Saúde faz uma campanha de vacinação para os idosos. Todo ano uma nova vacina é tomada. Por quê todo ano a gente dá uma vacina nova? É porque ela é diferente e é porque a cada ano o conjunto de vírus dessa família, que causam a gripe comum, mudam as suas características. Ele é muito mutagênico, ele sofre muitas mutações. Por isso todo ano a gente tem que ter uma vacina nova. Lembre que, em relação a várias outras doenças, as vezes você toma vacina e só precisa repetir 10 anos depois, e algumas até, você nem precisa repetir. Você toma a vacina e você está protegido. Essa não. E essa é a grande dúvida, o vírus vai sofrer mutação? Ele vai apresentar características muito diferentes da que ele apresenta hoje? Ele vai sumir? Por exemplo, há possibilidade, lembra da gripe aviária, que apareceu, criou um grande temor e acabou não acontecendo. Ele vai ficar estável e manter as características atuais? São perguntas que, infelizmente, até agora a ciência não tem resposta, o que está sendo feito um grande esforço mundial e o Brasil vai participar desse esforço. É a tentativa de ter uma vacina. Já existem alguns protótipos de vacinas sendo testadas em pessoas neste momento, em várias partes do mundo. Na Austrália ontem nós soubemos que uma empresa australiana está testando uma primeira vacina. Para que nós tenhamos então, o que seria sim, aí sim uma arma. Da mesma maneira que nós temos uma vacina para nos proteger da gripe sazonal, essa vacina que esse ano imunizou 18 milhões de brasileiros. Está comprovado que ela reduz muito, exatamente, a morte por pneumonia, as internações por complicações respiratórias. Se nós conseguirmos ter uma vacina contra esse novo vírus, aí sim. Nós vamos ter uma arma poderosa para prevenir e proteger as populações.

RÁDIO NACIONAL AM -BRASÍLIA (DF)/LUCIANO SEIXAS: Além da vacina há algum meio de prevenção eficaz contra a gripe A?

MINISTRO: Existem medidas de prevenção que ajudam a nos proteger. A mais comum, eu queria falar um pouco sobre isso porque é importante para os ouvintes. A doença é transmitida, primeiro uma coisa importante, quando o governo diz que o vírus está circulando no território nacional, tem gente que acha que o vírus está andando por aí. o vírus não tem perna e nem voa. Quer dizer, o vírus está dentro das pessoas. Então, quando a pessoa tosse ou espirra, ela projeta microgotículas no ambiente, e dentro destas microgotículas está o vírus. Se você estiver perto, bem perto desta pessoa, você pode inspirar essas microgotículas, ou elas podem se depositar sobre a sua face. Elas podem se depositar sobre a sua face. Mas elas podem também se depositar sobre superfícies. Existem estudos mostrando que o vírus sobrevive nessas situações entre 24 a 72 horas. Ora, é muito comum, muito provável que você toque algumas dessas superfícies, e como durante o dia nós levamos a mão ao rosto várias vezes, sem perceber, você acabar se contaminando. Então, a medida mais importante é lavar as mãos com água e sabão várias vezes ao dia. Mas, não é aquela lavadinha rápida que você finge que está lavando a mão, é lavar mesmo as mãos com água e sabão várias vezes ao dia. A segunda, para as pessoas que estão resfriadas ou gripadas, é o uso do lenço descartável ao tossir e espirrar, cobrindo o nariz e a boca. A terceira medida muito importante, é não compartilhar alimentos, copos, talheres, pratos, objetos de uso comum. E, uma quarta medida que não é simples para o pessoal do Sul, que é mais complicado nesse momento, é tentar estar em ambientes arejados. Evitar ficar muito tempo em ambientes fechados né. Eu diria que é uma recomendação para as mulheres grávidas, evitarem ficar muito tempo em ambientes fechados, totalmente fechados. Porque esses ambientes podem permitir a circulação do vírus e aumentar a probabilidade de contaminação. Essas são medidas bastante úteis e que podem nos ajudar a nos prevenir da doença.

RÁDIO FOLHA-RECIFE (PE)/JOTA BATISTA: Aproveitando, a gente recebe aqui um relatório da Secretaria de Saúde do estado de Pernambuco. Vou passar só alguns dados. São 23 casos confirmados, com nove suspeitas. Novos casos, inclusive uma jovem de 16 anos com sintomas da gripe A, em Fernando de Noronha. Ela esteve recentemente no Rio Grande do Sul e ela vai ser transferida, ainda hoje de manhã, aqui para o Recife. E, outra jovem mineira, que está aqui no Recife, está internada em estado grave, no hospital Pronto Olinda, aqui na região metropolitana. Com essa campanha que está sendo vinculada pelo Ministério da Saúde, a gente ouviu vários infectologistas de todo o Brasil dizer (sic), olha, o primeiro passo é afastar o pavor. Nessa campanha isso também está sendo passado? Ou seja, a própria gripe comum também mata pessoas no Brasil. Essa situação de afastar o pavor está contido (sic) neste spot, nessa campanha do ministério?

MINISTRO: Você poderia repetir? Eu não entendi direito a sua pergunta.

RÁDIO FOLHA-RECIFE (PE)/JOTA BATISTA: Essa campanha que está sendo lançada pelo Ministério da Saúde, a gente colhe várias informações de infectologistas de todo Brasil, que o primeiro passo é afastar o pavor. Não é? Porque a gripe comum também mata pessoas. Existe essa preocupação, esse pavor na população. Nessa campanha do Ministério, isso também está contido, ou seja, afastar este pavor?

MINISTRO: Com certeza. Eu acho que é, veja, não existe nenhuma evidência de que exista grande diferença entre a gripe sazonal, essa que acontece todos os anos, que mata aproximadamente 70 mil pessoas por ano no Brasil, e a nova gripe. Aliás, eu queria aproveitar e fazer um comentário sobre uma matéria que saiu hoje no Jornal O Globo, a meu ver completamente equivocada. Houve uma distorção dessa matéria onde o doutor Jarbas Barbosa, da Organização Pan-Americana da Saúde , em Washington, teria dito que esse vírus, ele é mais agressivo que o vírus comum, questionando o que o Ministério da Saúde vem dizendo. Na realidade, eu acho que o doutor Jarbas deve ter se referido a um estudo publicado recentemente, onde pesquisadores analisaram a ação desse vírus em ratos e furões. Que são modelos animais que se prestam a este tipo de análise. É verdade que , em modelos animais, houve uma sugestão, por parte destes pesquisadores, que esse vírus teria uma especificidade, uma agressividade maior a alguns órgãos do corpo desses animais. Agora, você não pode fazer ilações de um estudo feito em animais, para humanos. É muito cedo ainda para se fazer ilações deste tipo. E, o protocolo da Organização Mundial da Saúde é muito claro, e todos os números que nós temos de todos os países, mostra que a própria letalidade, ou seja, o percentual de pessoas que adquire essa gripe e morrem, quando comparados com a letalidade da gripe comum, é muito próximo. Então, não há nenhum motivo de criar uma situação de pânico ou de desespero. Isso não é um bom conselheiro e nem tem nenhum fato prático e objetivo que nos leve à isso, então, o papel de vocês, do rádio e da tevê, da imprensa, é extremamente importante. Porque o que nós precisamos agora é de orientação de informação de qualidade, e de educação da população em relação as medidas de prevenção, em relação a como proceder caso apresente os sintomas, quem ela deve procurar, como ela deve se comportar em casa durante o período de recuperação. São estas as questões que eu acho que nós estamos aqui, à disposição para esclarecer.

RÁDIO CAPITAL AM-SÃO PAULO (SP)/CID BARBOZA: É possível reduzir o tempo para a constatação que o paciente está realmente com o vírus da gripe suína? O que daria margem a mais medidas de prevenção?

MINISTRO: A tua pergunta é extremamente importante. Veja, existe nesse momento duas dúvidas
que eu percebo na população. Vendo as cartas dos leitores, vendo o pessoal se manifestando na internet, mesmo na própria televisão ou no rádio. Uma delas é a própria questão do exame laboratorial. Bom, eu queria falar um pouco sobre isso e peço um pouco da paciência de vocês, mas é muito importante: num primeiro momento dessa etapa 1, dessa fase 1, a que me referi, que era como o Brasil se preparou para impedir que o vírus entrasse e circulasse, nós conseguimos durante 80 dias fazer esse bloqueio. Nessa etapa, era muito importante que em todos os casos suspeitos fosse feito exame laboratorial, por quê? Porque eu tinha que ter certeza de que aquele caso era ou não causado pela nova gripe. Era um trabalho obsessivo de rastreamento de todos os contatos. Então, nós tínhamos que fazer todos os exames, tínhamos que tratar todas as pessoas, tínhamos que internar todas as pessoas. Numa segunda etapa, nós mudamos um pouco o protocolo. Nós já não internamos todas as pessoas, mas nós continuávamos a fazer o exame em todas e a tratar todas. Na etapa em que nós estamos, quando nós percebemos que em um caso que aconteceu em São Paulo não foi possível estabelecer um vínculo entre essa pessoa e alguém que tinha vindo de fora, ou alguém que tivesse sido contaminado de fora, esse fato nos mostrou que o vírus tinha rompido esse cerco que nós conseguimos manter durante 80 dias e se disseminou no país. Nessa nova situação, a própria Organização Mundial de Saúde orienta os países de que não tem mais sentido fazer o exame diagnóstico de certeza em todos os casos, apenas em duas situações. Primeira: o Brasil tem uma rede de 68 centros, que colhe material das pessoas com síndrome gripal. Para quê isso? Para que a gente possa estar monitorando se o vírus está circulando e aonde ele está circulando. E segundo: todos os casos graves e todos os casos que forem a óbito terão material colhido e o exame de certeza ser realizado. Por quê? Porque nós temos que monitorar as características do vírus, se ele está ficando mais grave, ou se alguns casos estão aparecendo de maneira diferente.

Então, o país continua monitorando, analisando o comportamento do vírus. Mas, agora, do ponto de vista prático, não tem mais sentido fazer o exame em todo mundo. Mas você poderia me perguntar de novo: "mas por quê de não ter mais sentido?" É simples: não há nenhuma relação entre o exame de confirmação, se a pessoa tem o vírus da gripe sazonal ou se tem o vírus da nova gripe, do ponto de vista de diagnóstico e do ponto de vista clínico ou do ponto de vista de tratamento. Ou seja, eu não preciso ter a certeza de diagnóstico para atender a pessoa, fazer o diagnóstico clínico - que é por sinais e sintomas - e tratar adequadamente porque o mesmo remédio que eu uso para tratar a gripe sazonal eu uso para tratar a nova gripe. Então, eu chego com um quadro de gripe hoje. Diante do médico, para ele não tem mais importância se é uma gripe comum ou se é uma nova gripe. É uma gripe. Ele vai avaliar e vai ver se você está dentro do critério de grupo de risco, vai ver se você está com uma gripe branda que vai se resolver sozinha, vai te orientar a ficar em casa, repousando, não ir trabalhar, não ir à escola, porque você estaria passando a gripe comum ou a outra para outras pessoas. Se a pessoa está num quadro um pouco mais grave ou se enquadra no grupo de risco, vai tomar um medicamento específico, então, é por esse motivo que nesse momento nenhum país do mundo mais faz exame laboratorial para todos os casos.

RÁDIO CBN-BRASÍLIA(DF)/BASÍLIA RODRIGUES: Há alguma orientação generalizada para que as pessoas, ou melhor, os hospitais tanto públicos quanto particulares separem pessoas com suspeita de Influenza A dos demais pacientes, como a montagem de tendas? Há alguma orientação generalizada ou há uma previsão de que essa orientação seja passada?

MINISTRO: Existe sim. Mas você falou uma coisa que eu queria só corrigir que tem a ver com a explicação que eu acabei de falar. Nesse momento, as pessoas estão indo aos serviços de saúde com sintomas de gripe. Nós não sabemos se é gripe sazonal ou se é gripe H1N1. Tenho um dado importante: na Argentina e no Chile aconteceu um fenômeno curioso. A entrada do novo vírus deslocou a circulação do vírus da gripe sazonal. É como se ele tivesse havido uma competição entre os vírus e o maior número de casos foi da nova gripe. No Brasil, neste momento, embora hoje de novo, um jornal do Rio de Janeiro tenha publicado uma coisa equivocada, isso não aconteceu até o momento. O monitoramento que o ministério faz em todo o Brasil mostra que nesse momento, circulam ao mesmo tempo, o vírus da gripe sazonal, o novo vírus e inclusive vírus de outras doenças respiratórias que são comuns nessa época do ano, vírus sincicial respiratório, por exemplo. Então, nós temos vários vírus circulando e todos dão quadros semelhantes, parecidos.

Então, quando uma pessoa com quadro de gripe vai ao serviço de saúde, qual é a orientação? Se o serviço de saúde tem condições estruturais, salas diferentes para acolher as pessoas, separar as pessoas que têm síndrome de gripe de outras pessoas, é isso que tem que ser feito. Isso nem sempre é possível, muitas vezes você tem uma única sala de espera onde pessoas com vários problemas de saúde podem estar esperando. Nesse caso, é responsabilidade do serviço fornecer máscara protetora para a pessoa que apresenta o caso de gripe e não o contrário. Muita gente pensa que se tem que dar máscara quem não tem a gripe, mas a máscara tem que ser dada para a pessoa que está com o sintomas de gripe, para que ela em caso de espirrar ou tossir, não contamine as outras pessoas que estão próximas. Isso é o que determina o protocolo do Ministério da Saúde. Em algumas situações, só complementando, alguns estados como o Rio Grande do Sul e agora o Rio de Janeiro estão optando por criar espaços específicos, como se fossem tendas de atendimento, para que todas as pessoas com síndrome gripal sejam atendidas nesses espaços. É uma maneira também de você separar o atendimento dessas pessoas e proteger as pessoas que não estão com gripe.

RÁDIO88 FM-PORTO SEGURO(BA)/TARCISO PORTO: Minha pergunta é parecida com a da colega da rádio CBN. Porto Seguro é uma cidade que tem aeroporto internacional e ontem perguntamos aos ouvintes qual a pergunta que eles gostariam que se fizesse ao ministro, exatamente por isso. Porto Seguro é porta de entrada de turistas estrangeiros. Nós tivemos aqui, ontem, um voo da Itália internacional que vem da Argentina e as pessoas que vem de fora perguntam "há devo usar máscara?". E os taxistas já têm usado preventivamente, mesmo que ainda não se tenha, só tivemos um caso confirmado em que, felizmente, a pessoa teve alta e isso anunciou um "clique" para o Brasil inteiro. Nós temos aqui um hospital de referência, que o hospital Luiz Eduardo Magalhães. O que o senhor diria à população de Porto Seguro, porque muita gente fica apavorada, achando que deve correr ao posto de saúde e superlotam as unidades de saúde.

MINISTRO: Você tem razão. Porto Seguro, nessa época do ano, é uma entrada importante de turistas que vêm do mundo inteiro, inclusive da Argentina, do Chile, da Europa, dos Estados Unidos, então, por isso, nós reforçamos o controle na entrada. A orientação da Anvisa, é muito importante que todas as pessoas que estejam entrando sejam adequadamente orientadas em caso de sentir os sinais e sintomas de gripe. O que fazer e aonde ser atendido? A quem procurar? Acho que aí a informação é a questão mais importante, mas eu repito: não há nenhum fato que leve a uma preocupação fora do comum. Nessa época do ano, nós temos gripe causadas pelo vírus comum e agora temos um outro vírus circulando que tem um comportamento bastante parecido até o momento.

A própria Organização Mundial de Saúde, recentemente declarou que não há nenhuma percepção de que há mudança de comportamento de vírus ou da sua estrutura. Ou seja, o vírus se mantém estável ele não sofreu nenhuma mutação e ele tem uma letalidade bastante semelhante à da gripe comum. A orientação para o povo do Porto Seguro, além de aproveitar a maravilha que é Porto Seguro e as belezas, é estar bem informado e tomar as medidas de prevenção a que me referi: lavar as mãos com freqüência, não compartilhar objetos de uso pessoal, tentar estar sempre em ambientes abertos, de preferência bem ventilados. São orientações bastante úteis.

APRESENTADOR LUCIANO SEIXAS: Ministro, os governos de São Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul se reuniram na semana passada com o Ministério da Saúde para discutir o possível adiamento do retorno às aulas, estender as férias para a rede pública e também para a rede particular. Seria uma alternativa para reduzir a possibilidade de contágio da gripe nesta época de inverno. Esse contágio é facilitado quando o vírus circula no país e é transmitido por pessoas que nem foram ao exterior, nem tiveram contato como aconteceu neste novo estágio. É correta essa orientação de manter as férias, estender as férias e evitar esse tipo de contato?

MINISTRO: Ontem eu estive com o ministro Haddad da Educação e a minha equipe exatamente nesse momento, durante o dia de hoje vai estar discutindo do ponto de vista técnico esta situação. Nós estamos inclusive analisando a experiência da Inglaterra e dos Estados Unidos, que tomou algumas medidas em alguns lugares neste sentido. Aparentemente, isso não surtiu muito efeito sobre o controle da circulação do vírus. Então, eu acho que nós temos que aguardar, eu peço que a população aguarde uma orientação do ministério que vai sair. Com certeza nós vamos disseminar e divulgar orientações para pais, alunos, diretores de escola, professores, de como lidar com essa situação e talvez, em algumas situações específicas, dependendo da realidade do município e daquela localidade, possa ser recomendado ou não. Durante o dia de hoje nós vamos ter uma posição mais clara sobre isso.

RÁDIO 730 AM-GOIÂNIA (GO)/CLÁUDIO CURADO: Ministro, o índice de letalidade no Brasil da influenza, ele é comparado a de outros países onde já temos um maior número de casos, como os Estados Unidos e a Argentina?

MINISTRO: Vamos falar um pouquinho sobre isso, porque está criando muita confusão também. Bom, eu tenho que primeiro explicar pra população a diferença entre taxa de letalidade e taxa de mortalidade, são coisas diferentes. O índice de letalidade é o percentual de mortes dentro do conjunto de pessoas que contraiu a doença. Então, se eu tenho mil pessoas que adoeceram de uma determinada doença e 100 faleceram, eu tenho uma taxa de letalidade de 10%. O índice de mortalidade é totalmente diferente. É a relação entre o número de óbitos por uma determinada doença e a população. Então, seria mortalidade, por exemplo, por 100 mil pessoas. O número de mortes por uma doença por 100 mil habitantes. É um índice muito usado em saúde pública. O quê que está acontecendo com essa letalidade? Durante o período em que os países estavam fazendo exames de confirmação laboratorial para todos os casos, foi possível ter esse índice de letalidade, porque eu tinha certeza que todos os casos eram da doença e tinha um número de pessoas que tinham morrido da doença. E essa taxa média no mundo é de 0,4%, ou seja, de cada mil pessoas que contraíram a doença no primeiro momento, quatro faleceram e esse índice do Brasil está muito próximo.

Agora, o quê que mudou? É que desde a semana passada, o Brasil e outros países pararam de fazer o exame de certeza para todo mundo. Então, o quê que está acontecendo agora? Eu estou contabilizando os óbitos, mas não estou mais contabilizando o número de casos. Então, isso cria uma distorção. Nesse momento, não é mais possível calcular o índice de letalidade em cima dos dados do número de casos que nós temos, eu criaria uma distorção total. O mais correto agora, é trabalhar por exemplo, a taxa de mortalidade, ou seja, o número de óbitos por essa doença - porque estou controlando todos os óbitos e vou ter certeza de que estão morrendo dessa doença - sobre a população e esse índice no Brasil é bastante baixo, hoje é de 0,18 por 100 mil habitantes. Mas a taxa de letalidade até o momento, média no mundo dessa nova doença, não há nenhum outro estudo da OMS publicado, é entre 0,4 e 0,5.

APRESENTADOR LUCIANO SEIXAS: Ministro, o senhor já explicou, mas vamos falar mais uma vez aqui para o nosso ouvinte, porque a informação é importantíssima nesse caso. Não parece que é um relaxamento do governo quando o vírus se espalha e para de fazer o teste em todo mundo? Por que que isso acontece?

MINISTRO: É, eu já expliquei isso e vou tentar explicar de novo. É porque agora perde o sentido fazer o exame de certeza. Por quê? Se a taxa de letalidade é a mesma, se os sinais e sintomas são os mesmos, se a conduta clínica é a mesma e se o tratamento é o mesmo, não tem nenhum sentido você fazer o exame. Segundo: é impossível, esse exame é muito sofisticado, complexo de biologia molecular, poucos laboratórios no mundo fazem. Só existe um único produtor no mundo que faz o kit reagente. Então, há uma escassez de kit, nós não temos, no mundo, laboratórios pra fazer exame em todo mundo e da mesma maneira que nós não fazemos o exame de certeza da gripe sazonal. Olha só: nós temos 70 mil mortes por ano de gripe comum no Brasil e a gente não faz exame de certeza laboratorial pra quem tem gripe comum. Você trata os sintomas e evita que a pessoa vá ao óbito, morra.

No caso da mesma doença, a mesma coisa. Então agora, o exame laboratorial só tem sentido para monitorar de que maneira esse vírus está se comportando no Brasil. Ele está se espalhando? Ele está aparecendo em outros estados? Nós precisamos saber. Segundo: os casos que estão acontecendo são diferentes? O vírus está mudando o seu comportamento? É uma informação importante pra pesquisa e pra medidas futuras, mas para o dia a dia não tem mais sentido, porque as duas doenças são muito semelhantes, se misturam muito, perde o sentido fazer o exame para todo mundo.

APRESENTADOR LUCIANO SEIXAS: Aliás, aqui no Brasil nunca se ligou muito pra gripe, resfriado, isso vem sendo modificado até pelas campanhas do Ministério, focando principalmente nos idosos, as campanhas anuais de gripe comum. A gente ouvia as histórias no exterior, as pessoas ficavam apavoradas quando ficavam gripadas, não iam trabalhar. Aqui é muito comum a pessoa ir trabalhar gripada. Essa atitude pode mudar, mas existe essa preocupação porque é uma nova doença.

MINISTRO: Exatamente, eu acho que você tocou num ponto importante. De um lado, nós não podemos criar um clima de pânico, de pavor ou de medo, porque ele não vai nos ajudar em nada. De outro lado, nós temos que manter a vigilância e a mobilização e monitorar o quê que está acontecendo na prática. Agora do ponto de vista objetivo pra nós, homens, mulheres e crianças, muda pouca coisa. Todos os anos nós temos milhares de pessoas com gripe. Muitas, infelizmente, morrem por vários problemas e complicações. Até o momento, essa é uma nova gripe que veio se somar à gripe comum de todos os anos.

APRESENTADOR LUCIANO SEIXAS: Que no início era chamada de gripe suína. Isso mudou, mas alguns veículos continuam chamando assim.

MINISTRO: É, o nome de fantasia acabou pegando. Na realidade, nós todos sabemos que não há nenhuma relação entre o consumo de carne de porco e essa doença, nenhuma relação, o consumo é totalmente seguro. Mas o nome oficial que a Organização Mundial da Saúde estabeleceu é um nome complicado, grande, mas é gripe Influenza A H1N1.

RÁDIO DIFUSORA ACREANA-RIO BRANCO (AC)/LEÔNIDAS BADARÓ: Ministro, nós que vivemos numa extensa área de fronteira, sabemos das dificuldades de monitoramento desses locais. A gente sabe que o controle dessa nova gripe passa essencialmente pelo monitoramento da entrada e saída de pessoas no país. Como o Ministério está se preparando junto com os estados, está fazendo o quê para monitorar esses locais de fronteira, como é o caso aqui do Acre?

MINISTRO: Bom, esse foi um trabalhado que nós fizemos desde que a OMS declarou que uma nova doença tinha surgido no mundo. A minha avaliação é de que o Brasil teve um desempenho bastante bom. Durante 80 dias, nós impedimos que o vírus circulasse no Brasil. Esse trabalho de fronteira continua, em todos os pontos de fronteira, a Anvisa em parceria sempre que possível com as Forças Armadas. Nesse momento, nós acabamos o treinamento de 500 soldados das Forças Armadas que vão exatamente apoiar todos os pontos de fronteira de todos os estados do Brasil o trabalho da Anvisa de monitoramento e de informação.

Mas a partir do momento que o vírus circula, ou seja, que essa barreira de contenção não conseguiu bloquear a circulação do vírus, a estratégia muda; o que naquele momento era um trabalho de contenção, de detecção, de tratamento de todo mundo, de fazer o exame em todo mundo, agora é muito mais um trabalho de informação, de orientação, de como proceder se você tem os sintomas. Quais são os sintomas? Eu não falei ainda aqui. O principal deles é febre acima de 38 graus. O segundo é tosse, pode vir acompanhado também de dor de garganta, dores musculares, dores nas articulações e dificuldade respiratória ou cansaço pra respirar. Então, se você tem qualquer um desses sintomas, a orientação é procurar um serviço de saúde, não procurar um hospital. A rede de hospitais - nós temos cerca de 900 leitos equipados pra atender os casos mais graves - os hospitais devem exatamente estar atendendo os casos que necessitam de internação, os casos mais graves. Se a pessoa tem os sintomas, ela deve procurar, se ela tem um plano de saúde, o seu médico do plano de saúde. Se ela usa o Sistema Único de Saúde, o serviço que ela usa normalmente. Procure a equipe de saúde da família, o centro de saúde, o posto de saúde, o ambulatório, a policlínica ou a unidade de pronto-atendimento 24 horas.

APRESENTADOR LUCIANO SEIXAS: A ideia em geral da população é de que procurando diretamente o hospital, ele está mais seguro, recebe o tratamento mais rápido.

MINISTRO: Será que eu estou com uma coisa grave? Então eu vou logo pro hospital porque eu já me interno. Mas isso ao invés de facilitar, complica a vida do sistema de saúde. Eu vou repetir o índice: 99,6% das pessoas vão ficar curadas, totalmente curadas e a maioria delas sem precisar tomar o medicamento. Na realidade nós temos é que usar a rede básica de saúde pra que o médico oriente o caso que precisa de internação e o caso que não precisa de internação.

RÁDIO UFMG EDUCATIVA-BELO HORIZONTE (MG)/ALESSANDRA RIBEIRO: Ministro, o senhor acabou de falar dessa questão da procura pelos hospitais. Com o avanço da epidemia nessa velocidade ainda é possível falar em tratamento em hospitais de referência? A rede privada, a rede de saúde suplementar, ela está preparada pra diagnosticar a doença e principalmente pra atuar nas 48 horas iniciais que são tão cruciais para evolução do quadro nos pacientes?

MINISTRO: Eu acho que a rede de serviço de saúde está nesse momento sofrendo um estrese muito grande, porque está havendo uma grande procura, uma grande demanda de pessoas com os mais variados sintomas e inclusive pessoas sem sintomas, procurando informação, querendo tirar dúvidas e procurando atendimento. Nenhum sistema de saúde do mundo, nem o da Inglaterra - que é considerado um dos melhores - nem o dos Estados Unidos aguenta uma pressão com esta, então infelizmente as cenas que nós temos vistos e eu diria que elas são ainda localizadas, por exemplo o Rio Grande do Sul que é o fronte mais importante, onde milhares de pessoas transitam entre Argentina e o Brasil, na medida em que a Argentina perdeu o controle da situação, a situação no Rio Grande do Sul ficou mais crítica. O governo lá e os prefeitos estão fazendo um esforço gigantesco pra atender adequadamente a todos, você não está vendo uma situação de descontrole no Rio Grande do Sul. Você vê essa situação por exemplo mais no Rio de Janeiro. Por quê? Porque o Rio de Janeiro não tem uma rede de atenção básica, organizada e estruturada. Nós estamos agora, em parceria como governador Sérgio Cabral e com o prefeito Eduardo Paes, fazendo um grande esforço de estruturar essa rede, mas ela não existe até o momento. As UPAs estão ajudando muito, mas elas às vezes não dão conta, porque há um clima, criou-se um clima de que uma coisa estranha com nome esquisito está andando por aí, e que isso pode colocar a minha saúde ou a saúde da minha família em risco.

Então nós temos que tranquilizar a população e tentar organizar esse atendimento. E nós temos sim uma rede muito qualificada, são hospitais de referência, os privados também podem ser, por exemplo: a Secretaria de Saúde de São Paulo fez uma parceria com alguns hospitais privados de São Paulo e eles estão participando desse esforço de atendimento. Nada impede, é muito importante chamar á atenção para isso, a responsabilidade pela organização do atendimento na ponta é do secretário municipal de saúde. Belo Horizonte é a cidade do Brasil que tem a rede básica e de saúde da família mais organizada do país. Em princípio, essa rede tem condições, dentro evidentemente de parâmetros adequados, de atender adequadamente a população de Belo Horizonte.

APRESENTADOR LUCIANO SEIXAS: Ministro, a colega Alessandra falou em 48 horas, um tempo importante, poderíamos falar sobre essa questão de manifestação, tempo de encubação de vírus?

MINISTRO: Então, ele varia entre três a sete dias, o período de encubação, três a cinco, três a sete, em média. E o remédio, o medicamento específico é eficaz se ministrado dentro de 48 horas do início dos sintomas. Por isso a pergunta dela e é evidente que é importante que as pessoas que apresentem febre acima de 38, tosse, dor de garganta, dor muscular, dor articular, procure um serviço de saúde. O médico vai poder analisar e isso é muito importante também: o remédio não vai ser dado para todas as pessoas, eu repito, falei no começo. Seria uma irresponsabilidade do governo fazer isso. Tem muita gente reclamando isso, "por quê que não dá o remédio pra todo mundo?" Não é. Uma pandemia é um evento prolongado, nós não sabemos o que vai acontecer com essa doença no futuro. Nós não podemos tomar nenhuma medida de tratar o medicamento com uma coisa de uso corriqueiro, não é. Ele é um medicamento que pode levar a efeitos colaterais, ele tem indicações precisas e como 99.6% das pessoas vão evoluir sem problema nenhum, nós temos que reservar os remédios para os casos mais graves. São os grupos de riscos e as pessoas que já começam com sinais e sintomas mais importantes e compete ao médico orientar, analisar e caso a caso e começar o tratamento e a medicação.

APRESENTADOR LUCIANO SEIXAS: Só reforçando, ministro, o Brasil tem remédio pra todo mundo que precisar?

MINISTRO: Nesse momento, nós já utilizamos dez mil tratamentos durante esse primeiro período. Ontem, nós começamos a distribuir mais 50 mil tratamentos. Até meados de agosto estamos recebendo mais 800 mil. Mas nós vamos ter mais ou menos estocados prontos um milhão de tratamento, e temos nove milhões de tratamentos na FioCruz em matéria prima, que nós podemos utilizar a qualquer momento. É importante esse dado para as pessoas. Mas porque o governo está mantendo esse remédio sobre a forma de matéria prima na FioCruz, por quê não bota tudo em caixinha e deixa tudo pronto para usar? Porque em matéria prima, que nós chamamos de granel, o prazo de validade é maior. Ele vai até 2014. Se eu abrir a barrica onde está essa matéria prima e começar a embalar, o prazo de validade cai para 2012, então nós temos que ter muito critério no uso, porque hoje a coisa mais preciosa que existe é esse medicamento no enfrentamento da doença.

APRESENTADOR LUCIANO SEIXAS: E em tempo de distribuição, isso é preocupante, não?

MINISTRO: Isso é rápido, a gente, inclusive se necessário, usa o apoio da FAB, bota em avião e rapidamente isso está chegando nos estados e nos municípios.

RÁDIO GLOBO AM-RIO DE JANEIRO (RJ)/ANTÔNIO CARLOS: Ministro Temporão, e a vacina, quando é que chega, para acabar com esse martírio, todo mundo preocupado com essa gripe suína?

MINISTRO: Olha Antônio, esse dado é muito importante, por que tem algumas pessoas que perguntam cadê a vacina? o problema é o seguinte: não existe uma vacina ainda neste momento. O processo de produção de uma vacina contra a gripe, ele demora entre quatro a seis meses, pelo menos. E primeiro: ela tem que ser testada em pessoas. Porque podem surgir efeitos colaterais inesperados. Ela pode não proteger adequadamente. Então nós temos que ter segurança total de que a nova vacina vai proteger e não causar mais complicações. Qual é a expectativa? Entre outubro e novembro, é provável que existam já algumas vacinas que estariam sendo utilizadas pelos países do Hemisfério Norte, porque lá vai está começando o inverno, aqui vai tá começando o verão, para eles começarem a usar lá.

O Brasil está fazendo o que? Nós estamos usando, estamos em contato com todos os laboratórios que estão trabalhando para ter uma vacina, já estamos perguntando o preço, já estamos perguntando ofertas de doses. E o Instituto Butantan em São Paulo, que é o que produz essa vacina da campanha do idoso de todo o ano, a gente produz lá em São Paulo, ele tem capacidade industrial e tecnologia pra fazer e com certeza, ele será um dos laboratórios que vai fazer. E o Brasil vai ter também essa vacina para proteger a população no ano que vem.

APRESENTADOR LUCIANO SEIXAS: Ministro, para encerrar e repetindo, reforçando a informação: qual é a recomendação para a população brasileira em relação à gripe A?

MINISTRO: Eu acho que o momento é um momento de confiar nas autoridades sanitárias, procurar se informar. Muitas vezes, é muito comum. Você sabe que de padre, de médico e de louco, todo mundo tem um pouco, não é? "Ah, porque minha tia tem um remedinho maravilhoso, não porque o médico amigo do meu primo disse". Peça orientação oficial: 0800 61 1997 é o Disk Saúde: 0800 61 1997. Você tem alguma dúvida sobre a doença? Ligue para esse telefone, que você vai ser bem orientado. O site do Ministério da Saúde na Internet é www.saude.gov.br. Se manter bem informado é o primeiro ponto. Segundo: medidas de prevenção. Lavar bem as mãos várias vezes ao dia, não compartilhar objetos de uso pessoal, comida, alimentos, pratos, talheres, copos. Tentar sempre estar em ambientes arejados e ventilados. Se você estiver resfriado, com gripe, com febre acima de 38, tosse, dor no corpo, dor de garganta, dificuldade de respirar, procure um médico, procure um serviço de saúde.

APRESENTADOR LUCIANO SEIXAS: Muito obrigado, ministro José Gomes Temporão.

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