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Arquivos: 25/11/10 Transcrição

APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Olá, amigos em todo o Brasil. Eu sou Kátia Sartório, e começa, agora, mais uma edição do programa Bom Dia, Ministro. O programa tem a coordenação e a produção da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, em parceria com a EBC Serviços. Hoje, aqui, nos estúdios da EBC Serviços, o Ministro da Saúde, José Gomes Temporão. Bom dia, ministro Temporão, seja muito bem-vindo.
MINISTRO JOSÉ GOMES TEMPORÃO: Muito bom dia. Bom dia a todos os ouvintes.
APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Na pauta do programa de hoje, o enfrentamento da dengue no verão 2010/2011. O Ministro da Saúde, José Gomes Temporão, já esta aqui, no estúdio, com a gente, pronto para conversar com emissoras de rádio de todo o país, neste programa que é multimídia. Estamos, ao vivo, no rádio e na televisão. Ministro, já está na linha a Rádio Guaíba, de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. Marjulie Martine, bom dia.
REPÓRTER MARJULIE MARTINE (Rádio Guaíba / Porto Alegre – RS): Bom dia, Kátia. Bom Dia, Ministro. Tudo bem?
MINISTRO JOSÉ GOMES TEMPORÃO: Bom dia. Tudo bem?
REPÓRTER MARJULIE MARTINE (Rádio Guaíba / Porto Alegre – RS): Tudo certo. Bom, primeiro, que a gente... É impossível não fazer uma constatação que é a seguinte: faz aí dez anos, quase, que o Brasil está assombrado com essa epidemia de dengue, que a cada verão traz à população as mesmas preocupações, e não se consegue, de fato, erradicar o mosquito ou fazer com que não haja mais essa transmissão tão grande em todo o país. O mosquito está se tornando mais resistente, Ministro?
MINISTRO JOSÉ GOMES TEMPORÃO: É mais complicado do que o mosquito. É importante essa tua pergunta, Marjulie, porque permite aos nossos ouvintes entenderem um pouco mais as condições que levam para que essa doença se comporte dessa maneira no Brasil. A dengue é uma doença presente em três continentes – na América do Sul, África e Ásia –, são 100 milhões de casos, por ano, em todo o mundo, e ela é fortemente influenciada por alguns fatores. O primeiro é a temperatura e o ritmo das chuvas, ou seja, muito calor e muita chuva, muita umidade facilita a proliferação do vetor. Em altas temperaturas, o ciclo completo de ovo a mosquito adulto, que leva 30 dias, em média, encurta para 12 dias. Segundo, as condições em que a urbanização das cidades brasileiras se deram. É preciso dizer com todas as letras que dengue tem tudo a ver com habitação precária, falta de acesso à água, falta de limpeza e destinamento adequado do lixo urbano, da cidade. Cidade suja é cidade que vai ter surto de dengue. Cidade onde as pessoas não têm acesso à água tratada 24 horas por dia, o que as pessoas fazem? Isso muito comum, principalmente no Nordeste e na região Norte: elas estocam água em tinas, em barricas, recipientes, e ao não vedarem adequadamente, até porque fica difícil vedar adequadamente os recipientes, eles se transformam em criadouros. Cidade suja, onde a prefeitura não limpa adequadamente a cidade ou não dá um destino adequado, através de aterros sanitários, ao lixo, são outros focos. Além, para tornar mais complicada a situação, na região Sudeste e Sul, os principais criadouros estão dentro da casa das pessoas. Então, entra aí todo um componente de educação e informação. E para complicar mais ainda, Marjulie, são quatro sorotipos do vírus, ou seja, como se fossem quatro vírus diferentes, e eles circulam pelo território nacional através de um padrão que a ciência até hoje não conseguiu explicar muito bem por quê. Em alguns momentos, o sorotipo desaparece e ele volta muitos anos depois. E, quando ele volta muitos anos depois, ele encontra um grupo da população, que nasceu a partir do momento que ele sumiu, sem nenhuma proteção natural contra o vírus, e aí surgem os surtos e as epidemias. Então, tudo isso junto, integrado: falta de acesso à água, falta de informação, falta de educação, cidade suja, os quatro sorotipos e o fato de nós não termos uma vacina, até hoje. Eu posso falar sobre isso um pouco depois, tem boas notícias. O brasileiro fala: “Puxa vida! Mas todo o ano tem dengue”. Infelizmente, nós estamos ter dengue todos os anos, enquanto não tivermos uma vacina. Uma vacina eficaz vai acabar com nosso problema, do ponto de vista de saúde pública. Nós vamos demorar alguns anos para ter uma vacina. O que fazer até lá? O dever de casa: ampliar o acesso à água tratada, cobrar das prefeituras limpeza das cidades, conversar com seu vizinho e olhar para dentro da sua casa, não deixar água parada em nenhum tipo de recipiente na sua residência. Só dessa maneira nós vamos conseguir reduzir o impacto dessa doença que, repito, afeta três continentes, é um problema de saúde pública mundial.
APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Marjulie, você tem outra pergunta?
REPÓRTER MARJULIE MARTINE (Rádio Guaíba / Porto Alegre - RS): Eu quero, sim. Quero que o senhor, então, nos diga qual é a boa notícia com relação à vacina.
MINISTRO JOSÉ GOMES TEMPORÃO: É que nós temos, já, uma vacina sendo testada no Espírito Santo, já é uma vacina testada em seres humanos, ou seja, ela já passou por todo aquele processo anterior, de testagem em animais, em laboratório e, agora, nós estamos vendo se ela funciona, se ela é segura, se ela não causa efeitos colaterais indesejáveis e, principalmente, se ela protege contra os quatro sorotipos. Mas nós vamos precisar algum tempo, entre três a quatro anos, aproximadamente, para que todo esse processo esteja pronto e essa a vacina possa estar disponível à população brasileira, através do Programa Nacional de Imunizações. Mas é um grande alento no horizonte: uma vacina para enfrentar um problema que é muito complexo. O mosquito é... Olha, eu vou dizer uma coisa: é muito chato ficar andando atrás desse mosquito pelo Brasil afora. Tem outra característica que eu não falei: o mosquito se adapta a novas situações. Antes, se dizia que só se produzia em água limpa, parada, agora, ele já não precisa que a água seja totalmente limpa, não é? A fêmea do Aedes aegypti tem uma característica única entre as fêmeas dos mosquitos. Nas outras espécies, a fêmea escolhe um local para colocar seus ovos e coloca todos os ovos naquele local, a do Aedes aegypti não, ela gosta de botar um pouquinho dos ovos em cada lugar. Então, ela sai por aí, voando, dá uma paradinha, bota os ovinhos, aí sai, bota os ovinhos em outro lugar, ou seja, ela dissemina os seus ovos num raio de ação muito grande, o que complica ainda mais o combate a esse mosquitinho muito chato.
APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Ministro, e essa vacina está sendo desenvolvida pela Universidade do Espírito Santo? A federal ou não?
MINISTRO JOSÉ GOMES TEMPORÃO: É uma parceria do laboratório francês com universidades e centros de pesquisa brasileiros, e a Universidade do Espírito Santo participa.
APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Está certo. Esse é o programa Bom Dia, Ministro. Eu sou Kátia Sartório. Estamos, hoje, com o Ministro da Saúde, José Gomes Temporão. Ele conversa com âncoras de emissoras de rádio de todo o país. Lembrando às emissoras que o sinal dessa entrevista está no satélite, no mesmo canal da Voz do Brasil. Ministro, vamos, agora, ao Rio de Janeiro, conversar com a Rádio Tupi, do Rio. Tiago Mathias, bom dia.
REPÓRTER TIAGO MATHIAS (Rádio Tupi / Rio de Janeiro - RJ): Bom dia, Kátia. Bom dia, Ministro. Bom dia a todos. Ministro, o Ministério da Saúde disponibilizou R$ 1 bilhão para o combate à dengue, campanhas são realizadas, mas mesmo assim ainda há dificuldade em mudar os hábitos da população. O que o senhor pretende fazer para conscientizar as pessoas, já que elas sabem como eliminar os focos da dengue, mas não tomam as medidas necessárias?
MINISTRO JOSÉ GOMES TEMPORÃO: Esse é um processo de educação, de formação. O que nós estamos fazendo é colocando no ar, agora, está em todo o Brasil, na TV, no rádio, mídia regional, nós temos um hotsite na internet, distribuição de folders, colaboração da imprensa, que é fundamental. Vocês, rádio, TV, é importantíssimo... Também estamos usando as redes sociais exatamente para levar essa visão. Esse ano, nós fizemos uma mudança na estratégia da campanha. Nós fizemos a pesquisa qualitativa entre 25 e 40 anos, em cinco capitais, para que elas avaliassem as campanhas dos anos anteriores e nos dissessem o que precisa mudar. E foi... O interessante é que elas disseram: “Precisa ser mais objetivo em relação a que é uma doença muito grave, que pode matar, e também um chamado à ação coletiva”. Isso é uma coisa interessante: chamar atenção de é que muito importante que a pessoas que têm conhecimento de como combater os focos do mosquito levem essa informação, conversem com a família, conversem com os vizinhos, levem isso para sua igreja, para o seu clube de bairro, não é? Se é um empresário, leve essa informação para os seus funcionários e para os seus empregados. E mais importante que tudo: que cada um na sua casa, no seu local de trabalho faça o que tem que ser feito. Tem que olhar a calha da casa, a laje, se tem lixo no quintal, se tem o pratinho de planta com água e, principalmente, se vir que tem lixo nas ruas, nas praças, entulho, cobrar do poder público, porque é responsabilidade da prefeitura manter a cidade limpa.
APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Até uma casquinha de ovo, como o senhor já falou aqui para a gente.
MINISTRO JOSÉ GOMES TEMPORÃO: Por incrível que pareça, um fragmento de casquinha de ovo largado no meio do quintal, choveu, acumulou água, ali a fêmea, como eu disse, tem aquela vocação incrível de ficar colocando ovo em tudo que é lugar, coloca um pouco de ovo, e ali é um foco de mosquito.
APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Tiago.
REPÓRTER TIAGO MATHIAS (Rádio Tupi / Rio de Janeiro - RJ): Kátia, tenho mais uma pergunta ao Ministro.
APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Pois não.
REPÓRTER TIAGO MATHIAS (Rádio Tupi / Rio de Janeiro - RJ): Estamos chegando ao final do governo Lula, eu gostaria que o senhor fizesse um balanço do seu trabalho no governo, em especial no combate à dengue.
MINISTRO JOSÉ GOMES TEMPORÃO: Olha, nós fizemos um gigantesco esforço, junto com os nossos parceiros, os secretários estaduais e municipais, nós aperfeiçoamos muito a vigilância epidemiológica. O que é isso? Poucas pessoas sabem. Nós temos 66 laboratórios, no Brasil, que monitoram o tempo todo que tipo de sorotipo do vírus circula. Nós temos quatro sorotipos: 1, 2, 3 e 4. O tipo 4, vocês devem lembrar, agora, em agosto, ele foi reintroduzido, depois do 28 anos, no Brasil. Ele veio pela Venezuela, ele circula na Venezuela, é endêmico na Venezuela, entrou em Roraima, e nós fizemos uma verdadeira operação de guerra lá, para tentar conter, impedir que o vírus se dissemine pelo Brasil. Qual é a importância do tipo 4? É simples, como há 28 anos ele não circula no Brasil, ninguém, nenhum brasileiro tem proteção natural contra esse vírus, não tem imunidade. Então, seria uma situação muito complicada ele ser reintroduzido. Nós conseguimos conter a circulação desse vírus e contê-lo lá, em Roraima. Aumentamos os recursos financeiros, esse ano será R$ 1 bilhão para o combate à dengue. Aperfeiçoamos as campanhas de mídia, mas, como eu havia dito, essa é uma doença tão complexa e influenciada por tantos fatores... Por exemplo, ela é influenciada pelas mudanças climáticas, já se detectaram casos de dengue na França e já existem casos de dengue nos Estados Unidos, e descobriram que o Aedes aegypti chegou na Holanda, que é um país frio, mas está lá o Aedes aegypti, mostrando a sua capacidade de adaptação. Então, as mudanças climáticas, com o aumento das temperaturas médias e mudança do ritmo de chuvas, influenciam as doenças infectocontagiosas, e a dengue também. Então, eu diria que do ponto de vista de resultados é muito heterogêneo. Se você pegar uma linha do tempo, de 2000 para cá, nós tivemos anos com surtos muito altos, com número de casos muito altos, anos com resultados muito melhores, mas isso é um desafio permanente para a saúde pública, enquanto nós não tivermos uma vacina.
APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Este é o programa Bom Dia, Ministro. O nosso convidado de hoje, o Ministro da Saúde, José Gomes Temporão, que conversa com emissoras de rádio de todo o país, nessa rede formada pelo Bom Dia, Ministro. Lembrando que a EBC Serviços disponibiliza o sinal dessa entrevista no satélite, no mesmo canal da Voz do Brasil. Ministro, vamos, agora, à Rádio Amazonas FM, em Manaus, no Amazonas, onde está Patrick Motta. Bom dia, Patrick.
REPÓRTER PATRICK MOTTA (Rádio Amazonas FM / Manaus – AM): Bom dia, Kátia Sartório, senhoras e senhores ouvintes, e bom dia, Ministro.
MINISTRO JOSÉ GOMES TEMPORÃO: Muito bom dia.
REPÓRTER PATRICK MOTTA (Rádio Amazonas FM / Manaus – AM): Ministro, dentre os municípios brasileiros com risco de uma epidemia de dengue, dois, Rio Branco, no Acre, e Porto Velho, em Rondônia, são vizinhos, aqui, do Amazonas e de outros estados do Norte. O que o Ministério da Saúde tem feito, além da propaganda de esclarecimento, que é muito importante, para evitar uma epidemia de dengue em outros estados da Amazônia, Ministro?
MINISTRO JOSÉ GOMES TEMPORÃO: Então, nós temos, realmente, entre os municípios, os 16 municípios brasileiros em risco de surto, nós temos Rio Branco, no Acre, nós temos Porto Velho, em Rondônia, e Epitaciolândia, também no Acre, são três cidades na Amazônia. Manaus, por exemplo, está em situação de alerta. No ano passado, o LIRAa, que é aquela pesquisa que nós fazemos todos os anos, que detecta a prevalência, a presença do vetor nas residências, ano passado era de 1.4% dos domicílios analisados e esse ano deu 1.5%, Acima de 1, entre 1 e 3,9, é situação de alerta; acima de 4, risco de surto. Veja, o trabalho de contenção e de que se evite uma epidemia, ele é composto por inúmeras ações. A primeira delas é o trabalho de base. Qual é o trabalho de base? O trabalho dos agentes comunitários de saúde, o trabalho dos agentes de endemias, das equipes de saúde da família e dos profissionais de saúde das secretarias municipais, que devem fazer as visitas domiciliares. Essas visitas às residências das pessoas... Nessas visitas são detectados focos, são colocados larvicidas, os moradores são orientados a como fazer para evitar o surgimento de novos focos. Essa é uma medida básica que está sendo feita em todo o Brasil e tem que ser feita, pelo menos, no mínimo – olha que desafio –, no mínimo, pelo menos três visitas a cada residência brasileira durante o ano. É um desafio gigantesco, porque muitos municípios e estados não têm, não dispõem de gente suficiente, treinada, para isso. Por isso, por exemplo, o Rio de Janeiro tem inovado, mobilizando o Corpo de Bombeiros, mobilizando as Forças Armadas. Nós temos pedido ajuda das Forças Armadas onde é necessário. Essa é a primeira medida, a segunda é levar essa informação. Nós estimulamos fortemente para as escolas... Para as escolas, para os professores, porque a garotada aprende na escola, leva para casa e cobra dos pais, é um fator importante. Além de toda a campanha de mídia, de rádio e TV o trabalho de cada um, o dever de casa dos gestores, também, no sentido de limpar as cidades. E aí nós temos um problema estrutural brasileiro: parte importante das famílias brasileiras não tem acesso à água tratada nas suas residências. Esse é o problema de infraestrutura urbana, um grande desafio, tem que ser enfrentado, porque oferta de água tratada em casa reduz fortemente a presença e a possibilidade de dengue, também.
APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Patrick.
REPÓRTER PATRICK MOTTA (Rádio Amazonas FM / Manaus – AM): Ministro, eu gostaria, com a sua permissão, de abordar um outro assunto, que é a questão da possível volta da CPMF, o imposto do cheque. O senhor, que há um certo tempo é Ministro da Saúde, sentiu a falta dos recursos provenientes da antiga CPMF para a Saúde ou não, Ministro?
MINISTRO JOSÉ GOMES TEMPORÃO: Evidente que sim, foram R$ 40 bilhões que o governo perdeu de receitas. Nós tínhamos lançado, em dezembro de 2007, o Mais Saúde, que era o PAC da saúde, com metas, por exemplo... Eu posso dar alguns exemplos que a população vai entender de maneira muito clara. Pessoas que precisam de hemodiálise, havia uma previsão de ampliação dos centros de tratamento de hemodiálise; pacientes que têm diagnóstico de câncer e precisam fazer radioterapia, havia o planejamento de expansão do tratamento de radioterapia; incorporação de novas drogas mais modernas ao protocolos de tratamento das doenças; ampliação do número de leitos de UTI; construção e modernização de hospitais e unidades; ampliação do Programa de Saúde da Família. Eu poderia dar inúmeros exemplos, muitos deles, metas foram cortadas pela falta de recursos financeiros adequados. Então, me parece que a equação... E eu percebo que a população brasileira está... É o tema da moda, saúde entrou na agenda central dos brasileiros. Isso é muito importante: que a população cobre um sistema de saúde melhor e de melhor qualidade, para que o nosso SUS se fortaleça. Eu acabei de chegar de uma conferência mundial de ministros de Saúde, em Berlim, na Alemanha, é impressionante o respeito que todo mundo tem pelo esforço brasileiro, nos últimos 20 anos, de construir um sistema universal. Eu vou dizer uma coisa, Patrick: em todo o mundo, milhões de famílias ficam arruinadas por não disporem de um sistema de proteção na saúde, famílias que tem que vender os seus poucos bens para pagar despesas médicas e de internações. Nos Estados Unidos, que é o país mais rico do mundo, o presidente Barack Obama fez uma reforma da Saúde exatamente para enfrentar um dos grandes problemas, que era isso. Então, não tem jeito, nós vamos ter que fazer, agora... A presidente Dilma, tenho certeza que ela vai enfrentar isso com muita firmeza. Ao mesmo tempo usar melhor os recursos que nós temos, isso pressupõe uma reforma dos mecanismos de gestão, um aperfeiçoamento da maneira de gastar os recursos da Saúde, que têm que... Isso é um desafio de todo o tempo e de todo mundo. Mas também vamos ter que repensar as questões das fontes de financiamento da Saúde. A questão de um novo imposto é uma discussão do Congresso Nacional e da sociedade brasileira. Há uma grande rejeição, por parte importante da população brasileira, em relação a questões de maior peso, ainda, na carga tributária. Então, eu acho que nós temos que é que enfrentar essa discussão de maneira clara e transparente. Queremos um sistema de saúde de qualidade? O que fazer para que ele seja mais eficiente e como fazer para que ele tenha uma base econômico-financeira que permita atender as demandas de todo o povo.
APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Você está ouvindo e assistindo, neste programa que é multimídia, o Bom Dia, Ministro, o Ministro da Saúde, José Gomes Temporão. Ele conversa com âncoras de emissoras de rádio de todo o país. Lembrando que o áudio dessa entrevista vai estar disponível ainda hoje, pela manhã, na internet, na página da Secretaria de Imprensa da Presidência da República. Anote o endereço: www.imprensa.planalto.gov.br. Ministro Temporão, vamos conversar, agora, com a Rádio Difusora de Mossoró, no Rio Grande do Norte. A pergunta é de Jota Nobre. Bom dia, Jota.
REPÓRTER JOTA NOBRE (Rádio Difusora de Mossoró / Mossoró – RN): Bom dia, Kátia. Bom dia, Ministro da Saúde. Eu ouvi atentamente o senhor falar aí em relação... Que cada residência, no Brasil, tem que ser, no mínimo, três visitas do agente comunitário por ano. A gente sabe que, na prática, apesar do governo tentar, dos governos tentarem, isso não ocorre, até mesmo pela falta de agentes em determinados municípios. A pergunta que eu faço é: já que o governo federal há muito tempo tem a campanha, o Dia de D contra a paralisia infantil, campanha da pólio, que é um sucesso, na realidade, por que, já que tem que ter essas três visitas – de repente, apenas uma sugestão –, o governo não tomou medida com três datas, principalmente para o Nordeste, já que é a região mais afetada, tem 12 cidades, com três datas, no Brasil inteiro, de um verdadeiro mutirão, para que as pessoas possam se conscientizar e as residências sejam visitadas, Ministro?
MINISTRO JOSÉ GOMES TEMPORÃO: Bom dia, Jota Nobre. No Rio Grande do Norte, nós temos quatro municípios em situação complicada de surto, não é? Ceará-Mirim, São Miguel, Mossoró e Caicó. Aí o dever de casa tem que ser feito, porque todas essas cidades, essas quatro cidades, a presença do vetor está acima de 4% dos domicílios visitados. Então, o que significa isso? É que nós temos uma grande concentração do mosquito. Grande concentração do mosquito, circulação do vírus, probabilidade de surto ou de epidemia. Então, todo o trabalho, nessas cidades, tem que ser redobrado. A ideia do dia D foi feita no passado... Já foi feita no passado e não surtiu grandes efeitos. Nós estamos utilizando mais, estimulando mais, são não momentos, assim, focados, de muita intensidade. Isso pode ser interessante para vacinar, com certeza tem um impacto muito grande, nós fazemos todos os anos o Dia Nacional de Proteção contra a Poliomielite, mas para a dengue tem que ser, infelizmente, todo dia. O que nós estamos estimulando é que os prefeitos, principalmente... Isso tem sido feito em alguns estados. O ano passado, o Piauí fez um trabalho um muito interessante; a Bahia, um trabalho muito interessante. Em muitos estados, o próprio Rio de Janeiro, que é estimular as prefeituras a fazerem mobilizações periódicas e permanentes durante esse período que vai de agora até março, abril, um pouco mais à frente, nas suas cidades. Isso pode ser feito por bairro, isso pode ser feito juntando vários bairros, dependendo do porte do município, o município inteiro. Aí você junta a escolas, as igrejas, os empresários, a mídia, a prefeitura. E chamar atenção, porque dengue não é um problema do secretário de Saúde, isso é um erro. Na realidade, o secretário de Saúde, ele pega o pepino das outras áreas que não fizeram o dever de casa. O secretário de Saúde vai ter que organizar a rede de Saúde para atender os doentes. O trabalho de prevenção é da Saúde, mas não é só da Saúde. Então, o prefeito tem que sentar, o secretário de Obras, o secretário de Comunicação, o secretário de Educação, toda a parte de infraestrutura, de limpeza das cidades, de acesso à água, de fornecimento de água têm que ser mobilizadas. Então, a nossa orientação, desde o ano passado, são mobilizações permanentes dentro de cada realidade local. E, por isso, eu tenho visitado, pessoalmente... Estive no Ceará, à semana passada, e estive em cinco estados do Nordeste, à semana passada, e, agora, no começo de dezembro, irei a mais cinco, para me reunir com governador, com prefeitos, com secretários, com a imprensa, com lideranças comunitárias para manter essa mobilização permanente. Nada impede, por exemplo, que um governador queira fazer um Dia D, ou dois dias D, ou mais dias D, não há nenhum problema. A orientação é: diretrizes nacionais, mas organização da maneira de enfrentar o problema com autonomia local.
REPÓRTER KÁTIA SARTÓRIO: Jota, você tem outra pergunta?
REPÓRTER JOTA NOBRE (Rádio Difusora de Mossoró / Mossoró – RN): Em relação, agora, à meningite. Já tem algum tipo de vacina? Alguns postos das unidades de saúde já vacinam com relação a um determinado tipo de meningite. Eu pergunto: há uma perspectiva de receita, para o futuro, do governo federal, se conseguir colocar nos postos de saúde uma vacina para mais de um tipo de meningite, Ministro?
MINISTRO JOSÉ GOMES TEMPORÃO: A única vacina disponível para combater a meningite é a vacina conjugada, que é muito moderna e caríssima, contra a meningite A, do tipo A e C. E essa vacina já está incorporada ao PNI, e já está em todos os postos de saúde do Brasil. Tem um outro tipo de meningite grave, que é a meningite do tipo B, e nós não temos uma vacina eficaz, ainda, contra essa doença. Existiu uma vacina cubana, no ano passado, mas ela não mostrou proteção adequada e necessária.
REPÓRTER KÁTIA SARTÓRIO: Este é o programa Bom Dia, Ministro. Estamos, hoje, com o Ministro da Saúde, José Gomes Temporão. Lembrando que a NBR, a TV do governo federal, transmite a gravação dessa entrevista ainda hoje, à tarde, com horários alternativos, também, de reprise no sábado e no domingo. Ministro, vamos, agora, a Santo Antônio de Jesus, na Bahia, à Rádio Recôncavo FM. Joselito Froes, bom dia. Joselito? Daqui a pouco a gente tenta um contato com a Rádio Recôncavo FM, de Antônio de Jesus, na Bahia. Vamos, então, a Belo Horizonte, Minas Gerais, à Rádio Itatiaia, de Belo Horizonte. Alessandra Mendes, bom dia.
REPÓRTER ALESSANDRA MENDES (Rádio Itatiaia / Belo Horizonte – MG): Bom dia. Bom dia, Ministro.
MINISTRO JOSÉ GOMES TEMPORÃO: Bom dia.
REPÓRTER ALESSANDRA MENDES (Rádio Itatiaia / Belo Horizonte – MG): O governo federal já pensa em criar ações permanentes contra a dengue e não só ações de combate nos períodos mais críticos do ano? Aqui, em BH, por exemplo, militares do Exército foram chamados a participar da campanha, agora, no fim do ano, por causa do período chuvoso. Não é mais fácil, Ministro, se o trabalho fosse intenso durante todo o ano?
MINISTRO JOSÉ GOMES TEMPORÃO: Mas o trabalho é feito durante todo o ano. Na realidade, o que nós estamos vendo, agora, é uma etapa de um trabalho que mobiliza milhares de pessoas, profissionais que preparam e analisam a realidade. Veja, há um ciclo de desenvolvimento do vetor e um há ciclo de desenvolvimento da doença. Quando você faz uma linha do tempo em relação aos 12 meses do ano, você vê que há um período de elevação do número de casos e há um período que o número de casos cai muito. Isso tem a ver com a mudança climática, com a mudança das temperaturas e uma série de outras coisas. O trabalho, o cronograma que nós utilizamos, na realidade, todo esse trabalho é desenvolvido durante todo o ano. Por quê? Na região Sudeste o ritmo das chuvas e das temperaturas é diferente do que na região Norte ou do que na região Nordeste, então, todo o combate ao vetor é organizado de maneira regionalizada. É claro que esse período, agora, ele é um período onde, na maior parte do país, as temperaturas aumentam e chove mais, por isso nós intensificamos as ações que vêm sendo feitas de maneira regular durante todo o ano. É importante que a população perceba isso. Porque as pessoas podem ficar com a seguinte ideia: “Não, ninguém fez nada o ano inteiro, agora vem lá os agentes comunitários...”. Não é verdade. Durante todo o ano, esse trabalho foi feito. Tem um trabalho de campo complicadíssimo, a gente treina e capacita milhares de profissionais de saúde; licitamos e compramos medicamentos, larvicidas, inseticidas, compramos máquinas para fazer o fumacê, que podem ser veículos ou equipamentos costais, estamos desenvolvendo pesquisas. É um gigantesco esforço de todo ano que, agora, tem um período de concentração.
APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Ministro, agora, vamos conversar com a Rádio Globo Linhares, lá em Linhares, no Espírito Santo. Tiago Félix, bom dia.
 REPÓRTER TIAGO FÉLIX (Rádio Globo Linhares / Linhares - ES): Bom dia. Bom dia, ministro. É um prazer falar com o senhor, aqui, em nome de todos da Rádio Globo. Ministro, o capixaba, assim como grande parte dos brasileiros, tem o hábito de fazer a automedicação: deu uma dor de cabeça, toma um remedinho. Caso a pessoa esteja com essa doença, a dengue, e fizer o automedicamento, a situação pode se agravar. Por exemplo, de uma dengue simples, pode se tornar uma dengue hemorrágica. Existe alguma campanha de conscientização para alertar os riscos que as pessoas podem sofrer caso façam a automedicação?
MINISTRO JOSÉ GOMES TEMPORÃO: Você falou em um ponto importante. A automedicação é um problema crônico, no Brasil, para tudo. Tem uma questão cultural. Por exemplo, é muito comum que o brasileiro, está se sentindo meio mal e tal, ele joga logo a culpa no fígado. O fígado não tem culpa nenhuma da maior parte das doenças que as pessoas têm e nem dos sintomas que as pessoas têm. Aí vai logo em uma farmácia comprar um remédio que dizem que protege o fígado. Também não existe remédio nenhum que proteja o fígado, tudo isso é fraude. Então, essa cultura do autoconsumo, como a gente vem combatendo? A sua pergunta é muito importante. Primeiro, o governo foi muito criticado, porque, recentemente, a gente propôs que todo o medicamento ficasse na farmácia atrás do balcão do farmacêutico, saísse das mãos dos consumidores. Muita gente criticou, dizendo que isso era um absurdo, que estava se impedindo o direito do consumidor. Ora, o medicamento não é um produto qualquer, a gente não está vendendo panela de pressão, chinelo nem pente. Remédio é uma droga que pode salvar ou pode matar. As pessoas podem desenvolver efeitos colaterais a qualquer tipo de medicamento. Então nós estamos melhorando o controle de acesso a medicamentos dentro das farmácias. Uma medida recente muito importante, a partir de agora, em todo o Brasil, só será comprado antibiótico com receita médica retida. Porque, até agora, qualquer cidadão chegava em qualquer lugar: “Eu quero o antibiótico tal”, comprava e começava a tomar. O que acontecia? Não tomava adequadamente, interrompia precocemente ou tomava uma dose insuficiente, criando resistência bacteriana. No caso da dengue, por exemplo, medicamentos para febre e para dor a base de ácido acetilsalicílico são contraindicados. Então, essa orientação, toda a rede pública de saúde, todos os agentes comunitários, a rede básica tem essa orientação, passa para os pacientes. É preciso que todos fiquem muito atentos: nunca tomar medicamento por conta própria e sempre procurar o serviço de saúde em caso de sintomas.
APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Ministro Temporão, agora, sim, vamos conseguir conversar com a Rádio Recôncavo FM, de Santo Antônio de Jesus, na Bahia. Joselito Froes, bom dia.
REPÓRTER JOSELITO FROES (Rádio Recôncavo FM / Santo Antônio de Jesus - BA): Bom dia, Kátia. Bom dia, ministro. Ministro, a gente sempre ouve, no noticiário, invenções artesanais, armadilhas para se combater a dengue. A pergunta é: por que o Ministério não absorve essa ideia e incentiva essas invenções?
MINISTRO JOSÉ GOMES TEMPORÃO: Uma boa pergunta. Para os ouvintes entenderem o que são as armadilhas, é um instrumento, um equipamento pequeno que pode ser colocado no campo, pode ser colocado em vários pontos da cidade, desenvolvido pela Universidade Federal de Minas Gerais. Dentro dessa armadilha, é colocada uma substância que atrai a fêmea do mosquito, é hormônio, o feromônio, o hormônio sexual. A fêmea, atraída por essa substância, entra na armadilha e ali fica presa. A ideia... Qual é a ideia? É que se você distribuir essas armadilhas por pontos estratégicos dos bairros, analisando, ao final do dia, a quantidade de fêmeas que você tem dentro da armadilha, você pode ter uma ideia da presença do vetor e, portanto, você organizar melhor o ataque, o combate à doença, no bairro A, no bairro B, no C ou no D. O Ministério da Saúde, nos últimos anos, vem testando essa tecnologia. E os resultados que nós temos, preliminares, são que isso não resolve o problema da doença. Porque senão seria fácil: eu compraria milhares de armadilhas, distribuiria pelo território nacional e acabou o problema. Não acontece assim. A armadilha pode ser usada como um instrumento adicional para melhorar a organização do combate à doença, mas ela não resolve o problema do controle do vetor.
APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Ministro, vamos, agora, a Goiânia, em Goiás, à Rádio Jornal 820 AM, de Goiânia. Kitia Oliveira, bom dia.
REPÓRTER KITIA OLIVEIRA (Rádio Jornal 820 AM / Goiânia - GO): Bom dia, Kátia. Bom dia, ministro.
MINISTRO JOSÉ GOMES TEMPORÃO: Bom dia.
REPÓRTER KITIA OLIVEIRA (Rádio Jornal 820 AM / Goiânia - GO): Ministro, eu gostaria de saber a nossa situação aqui em Goiás. Goiás, hoje, vive a maior epidemia dos últimos anos, com milhares de casos e algumas dezenas de mortes. O último resultado, foram 69 mortes. Mesmo com os investimentos no combate à doença, notamos que os municípios não conseguem se estruturar para combater a mesma. Falta investimentos ou saber administrar melhor o dinheiro enviado pelo governo federal através do Ministério? O que está acontecendo, Ministro?
MINISTRO JOSÉ GOMES TEMPORÃO: Kitia, tudo bem? Olha só, em Goiás, os municípios de Goiás, nenhum deles está em situação de risco de surto para este ano de 2010/2011, e a capital Goiânia, a situação do LIRA melhorou de 2009 para 2010. Em 2009, Goiânia estava em situação de risco, com 2,5% dos domicílios com presença do vetor, e melhorou, caiu para 1.6. Ainda está em situação de risco, porque todas as cidades que estão entre 1 e 3,9% dos domicílios com a presença do mosquito estão em situação de risco, portanto em situação de alerta. Então, desse ponto de vista, a previsão é de um ano melhor no estado de Goiás no ano que vem, mas, para isso, o trabalho tem que ser feito de maneira continuada. Muitas vezes... Olha só o que está acontecendo. Nós tivemos eleições há um ano e meio atrás, dois anos atrás, para prefeito, não é? O que aconteceu? Uma coisa que eu alertei e, infelizmente, aconteceu em muitos lugares do Brasil: o gestor que saiu, demitiu agentes comunitários, não deu continuidade ao trabalho, não implementou as medidas necessárias. Toma posse o novo prefeito. Até esse novo prefeito tomar posse, organizar o seu gabinete, mudar o secretário e ele mudar os assessores e começar a entender o que está acontecendo, o mosquito já tomou conta de tudo, acabou. Aí, esse ano é um ano perdido. Então é um problema da cultura brasileira e da política brasileira, que é a falta de continuidade de políticas. As mudanças políticas não podem fazer com que as políticas públicas que são permanentes sejam comprometidas. Da mesma maneira, agora vai haver mudança de governadores em vários estados, e eu estou alertando que as equipes que estão saindo deixem os seus planos de contingência, o seu planejamento, as ações e atividades, os recursos financeiros absolutamente organizados, para que o novo governador, quando entrar, possa dar continuidade imediatamente, sob o risco de que, interrompendo as ações por um curto período, isso pode comprometer o trabalho de todo um ano.
APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Ministro, o senhor disse que são três visitas dos agentes comunitários por ano, e faltam agentes. A minha pergunta é a seguinte: quem é que contrata e treina esses agentes comunitários? É um trabalho do Ministério da Saúde ou é uma parceria com as prefeituras, com o governo estadual?
MINISTRO JOSÉ GOMES TEMPORÃO: É uma parceria. Nós temos, hoje, um exército com 260 mil agentes comunitários de saúde em todo o Brasil, cobrindo cerca de 110 a 120 milhões de brasileiros. Então, esse outro lado da saúde... A saúde é sempre aquela coisa... Eu estou olhando um copo de água, aqui... O meu está aqui. A saúde é sempre um copo de água meio cheio e meio vazio. A gente sempre olha a parte vazia do copo. A parte vazia do copo são os problemas da saúde, mas a parte cheia do copo é o que funciona. Mas, na saúde, o que funciona não interessa a ninguém. Então, por exemplo, se nesse momento, agora, no Brasil, eu disser que estão sendo feitos tantos transplantes de órgãos, tantas cirurgias cardíacas, nasceram tantos bebês, milhares de pessoas estão sendo internadas e cuidadas, outras milhares estão sendo atendidas, bem atendidas pelos médicos, isso não é novidade nenhuma, está todo mundo cumprindo o seu dever. Mas isso é fundamental, porque se isso não acontecesse, o copo ficaria totalmente vazio e nós ficaríamos em uma situação de caos. Então, o trabalho dos agentes comunitários é um trabalho preciosíssimo, mas, veja, nem toda a população brasileira está coberta, ainda, por esse trabalho. Isso exigiria mais recursos financeiros dos quais nós não dispomos. Agora, o trabalho dos agentes é muito precioso. Foi através dele que nós reduzimos drasticamente a mortalidade infantil, que nós estamos ampliando o pré-natal, que nós estamos reduzindo a mortalidade, a internação por outras doenças, que nós cortamos pela metade o número de caso de malária na Amazônia Legal. São indicadores, informações muito importantes. Em relação à dengue, a gente participa da capacitação dando o material, produzindo documentos, fazendo parcerias com universidades, mas a responsabilidade pelo treinamento e capacitação - e, mais, o monitoramento do funcionamento dos agentes - é dos estados e das prefeituras.
APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Se eles estão indo mesmo nas casas?
MINISTRO JOSÉ GOMES TEMPORÃO: Exatamente. O vínculo... Na saúde da família, o fundamental é que a equipe - o médico, os enfermeiros e os agentes comunitários - estabelece um vínculo com a família. Isso faz toda a diferença, porque senão... Eu penso assim: “Quem cuida da minha saúde?”. Isso é um problema, hoje, no Brasil, para muitos brasileiros. Muitos brasileiros falam: “Eu não sei quem cuida da minha saúde. Quando eu fico doente, eu vou no pronto-socorro”. Nós queremos é acabar com isso, para que cada um diga: “Eu sei, sim, é a equipe do doutor fulano de tal, e o agente comunitário, todo mês, vem aqui em casa ver se a criança está se alimentando bem, se tomou vacina, se o idoso está fazendo o tratamento da hipertensão e do diabetes”. Esse é o desafio que o Brasil está enfrentando e está conseguindo avançar.
APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Ministro, vamos, agora, a Rio Branco, no Acre, à Rádio Difusora Acreana, de Rio Branco. Leonidas Badaró, bom dia.
REPÓRTER LEONIDAS BADARÓ (Rádio Difusora Acreana / Rio Branco - AC): Bom dia. Bom dia, ministro. É um prazer participar, mais uma vez, do programa. Ministro Temporão, o problema da dengue é um problema muito sério no Acre, em quase todos os municípios, mas principalmente em Rio Branco, onde--
APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Leonidas, nós não estamos conseguindo ouvi-lo. Leonidas, por favor. Leonidas Badaró, nós não estamos conseguindo ouvir a sua pergunta. Você pode aumentar o seu retorno? Leonidas?
REPÓRTER LEONIDAS BADARÓ (Rádio Difusora Acreana / Rio Branco - AC): Melhorou, agora?
APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Sim. Pois não.
REPÓRTER LEONIDAS BADARÓ (Rádio Difusora Acreana / Rio Branco - AC): Bom dia. Bom dia, Ministro. Bom, como eu falava anteriormente, o problema da dengue no Acre é um problema muito sério, principalmente na capital, Rio Branco, onde está concentrada metade da população acreana, e no município de Epitaciolândia, no interior. Agora começa o período chuvoso, o inverno amazônico na nossa região, e os casos estão já aumentando e se tornando uma preocupação constante para a população. A história do combate à dengue no Acre tem mostrado que, apesar dos esforços, apesar dos investimentos feitos, apenas os efeitos de combate à doença não são suficientes. Como o Ministério está pensando na questão da educação da população? A gente sabe que, se não houver um grande trabalho de conscientização e de educação da população, o problema só tende a se agravar. Como o Ministério está trabalhando isso em parceria com o estado e com os municípios?
MINISTRO JOSÉ GOMES TEMPORÃO: Leonidas, essa pergunta é fundamental. Algumas pesquisas que o Ministério da Saúde fez mostrou um dado muito interessante: o grau de conhecimento da população sobre a dengue, como ela é transmitida, onde a fêmea do Aedes aegypti coloca seus ovos e se reproduz é bastante razoável, mas quando você tenta analisar qual é o grau de ação dessa pessoa, de mobilização, o que ela faz para ajudar nesse combate é muito pequeno. É um pouco assim: o problema é sempre do vizinho, não é meu. Então, quebrar esse imobilismo e conseguir criar uma mobilização nacional onde todos, permanentemente, estejam ligados, não é simples. As pessoas têm os seus problemas diários, trabalham, têm os filhos, têm a dinâmica da casa, têm problemas, estão mais alegres em um dia, mais tristes no outro, e aí chega o governo e diz: “Bom, o governo não dá conta dessa tarefa sozinho, o povo tem que ajudar”. Aliás, eu tenho escutado, às vezes, umas críticas injustas e que demonstram uma profunda ignorância, inclusive de alguns comunicadores, dizendo: “Lá vem o governo com esse lero-lero, de novo, de que o problema da dengue é o povo que tem que ajudar. Esse é um governo que é isso e é aquilo”. Isso demonstra uma ignorância abissal de que doença é essa, imaginar que o estado poderia estar, onipresentemente, em todas as residências brasileiras o tempo todo, dizendo para as pessoas o que fazer. Isso não existe em nenhum lugar do mundo. Então, por isso, a ampliação dessa consciência e a educação da população. Uma estratégia que eu estimulo muito e que está acontecendo em muitos lugares é usar as escolas, usar os alunos, a garotada. Porque a garotada vai para casa e fala para o pai: “Pai, hoje, você olhou o quintal, se está tudo...? A minha professora falou que esse mosquito é assim, assim, assim e tem que fazer isso, isso e isso”. Isso funciona. Envolver mais as escolas, envolver mais a comunidade, levar essa discussão não apenas usando... A mídia é fundamental; rádio, então, no interior, preciosíssimo. Rádio comunitária... Usar todos os tipos de mídia para que as pessoas possam, primeiro, ter clareza de que sem a ação de cada um - evidentemente, integrada com as ações do poder público - vai ser difícil controlar a doença.
APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Ministro José Gomes Temporão, vamos, agora, à Rádio Jangadeiro FM, de Fortaleza, no Ceará. Alex Mineiro, bom dia.
REPÓRTER ALEX MINEIRO (Rádio Jangadeiro FM / Fortaleza - CE): Bom dia, Kátia. Bom dia, ministro. Ministro, temos o dado que aponta que o número de mortes provocadas pela dengue, no país, aumentou quase 90% neste ano. Então sabemos que, no Brasil, existe um baixo nível de saneamento básico e milhões de domicílios não têm coleta regular de lixo. Recentemente, o Ministério lançou uma nova campanha de combate à dengue, onde irá distribuir folhetos e terá propagandas em emissoras de rádio e televisão. Então, como o senhor encara o fato de saber que o combate à dengue vai, realmente, muito mais além de panfletos e campanhas no rádio e na TV? E se é necessário mexer em assuntos tão mais abrangentes, que envolve saneamento básico de qualidade, coleta de lixo, que poderiam demonstrar maior resultado no combate à dengue, até porque se cobra a colaboração da população, que é muito importante, com certeza. Mas será que os principais agentes que deveriam, realmente, vestir a camisa do combate à dengue nos municípios estão interessados nessa luta? Existe um acompanhamento mais rigoroso do Ministério com cada município para saber que ações diferenciadas vêm sendo tomadas em relação ao combate à dengue?
MINISTRO JOSÉ GOMES TEMPORÃO: Com certeza. Por exemplo, nós estamos repassando R$ 1 bilhão para todos os estados e municípios brasileiros. Nós acompanhamos, mensalmente, o saldo, em cada município, da conta dos recursos de vigilância. Muitas vezes, para a nossa surpresa, a gente percebe que o dinheiro não é gasto adequadamente. Muitas vezes falta capacidade institucional, capacidade organizacional, em muitas prefeituras, para que os recursos sejam gastos adequadamente, para que as ações se desenvolvam adequadamente. Eu vou dar um exemplo. Nós construímos o que nós chamamos das Diretrizes Nacionais de Combate à Dengue. O que é isso? É o estado da arte e da ciência transformado em ações e medidas práticas, à disposição de todos os secretários municipais, todos os secretários estaduais. Está ali tudo que tem a ver com a doença: combate ao vetor, tratamento da doença, organização da rede, vigilância epidemiológica, diagnóstico laboratorial, mobilização da população e informação. Nós chamamos isso de um... É a nossa bíblia, é o trabalho do dia a dia. Isso está distribuído em todo o território nacional e todo mundo pode e deve usar. Nem sempre usam. Você colocou outra dimensão que é estrutural, e essa só se resolve com uma política nacional ousada de universalização do acesso à água e ao saneamento básico em todo o Brasil. Você tem toda a razão. Se você me perguntar: há uma relação direta entre acesso ao saneamento básico, ou seja, limpeza do lixo, acesso à água tratada, e dengue? Total. Essa relação é direta: quanto mais água tratada nós levarmos às casas dos brasileiros, nós vamos ter redução da dengue.
APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Ministro, vamos, agora, a Palmas, em Tocantins, à Rádio 96 FM, de Palmas, onde está Rubens Gonçalves. Bom dia, Rubens.
REPÓRTER RUBENS GONÇALVES (Rádio 96 FM / Palmas - TO): Bom dia, Kátia. Bom dia, ministro. Ministro, eu gostaria de saber, do senhor. Nós temos, aqui... Vivemos uma crise, aqui, desse momento de transição. Nós tivemos mudança de governo, o ano passado, com a cassação do governador anterior, enfim... Hoje, nós vivemos uma crise na saúde, na segurança pública e daí a dificuldade, talvez, de combater a dengue este ano, que, na verdade, dados já mostram que aumentaram em relação ao ano passado. E, portanto, eu gostaria de saber o seguinte. Sempre os gestores alegam a falta de recurso, eu gostaria de saber qual é a parceria do Ministério com o estado com relação ao combate à dengue para o repasse de recursos, se existe parceria, se existem, já, valores definidos?
MINISTRO JOSÉ GOMES TEMPORÃO: Bom dia. Deixa eu ver, aqui, quanto nós estamos repassando para o Tocantins. O Tocantins está recebendo 10 milhões e 667 mil reais para o combate à dengue no teto financeiro de vigilância e saúde. Esses recursos são repassados através de critérios que são definidos pelos próprios secretários municipais entre as prefeituras do estado. Eu quero chamar a atenção que esse é só o recurso federal. A esse recurso, tem que se somar os recursos do orçamento do estado e os recursos dos orçamentos das prefeituras. Como nós sabemos, a lei exige que 12% das receitas dos estados e 15% das receitas dos municípios sejam utilizadas na saúde, em saúde pública. Para todas as ações, não apenas para o combate à dengue, evidentemente. Então, o que é feito? Para que a população entenda, o Ministério da Saúde senta junto com os secretários estaduais de saúde, senta com os secretários municipais de saúde e nós discutimos critérios de redistribuição do dinheiro, ou seja, que critério nós vamos usar. Um critério pode ser: alguns estados, nesse ano, têm um risco maior de surtos e epidemias; pode ser um critério. Alguns estados e municípios têm maiores deficiências na organização da vigilância e da rede, pode ser outro critério. Esse critério é pactuado, é acordado entre nós, a decisão é tomada, e esse recurso que vai, portanto, não é decidido pelo ministro, é decidido pelo ministro, pelos secretários estaduais e pelos secretários municipais juntos. Eles é que definem a distribuição desse R$ 1 bilhão que está indo para o combate à dengue.
APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: E esse dinheiro, Ministro, inclusive paga os agentes comunitários também?
MINISTRO JOSÉ GOMES TEMPORÃO: Não.
APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Não? Isso é outra coisa?
MINISTRO JOSÉ GOMES TEMPORÃO: Exatamente. O salário dos agentes comunitários sai de outra rubrica. Parte, o Ministério da Saúde passa através do PAB fixo, do Piso de Atenção Básica fixo, do subsídio às equipes de saúde da família e do orçamento de pessoal dos municípios e dos estados. Então, esse dinheiro aqui é para treinamento, capacitação, compra de insumos, vigilância, educação, informação, medicamentos. E, além disso, também não está nesse R$ 1 bilhão tudo o que os estados e municípios gastam no atendimento às pessoas doentes. Eu estou com dengue, vou no posto de saúde; eu peguei uma forma mais grave, tem que ser internado. É um recurso adicional. Esse gasto, a gente nem tem cálculo, mas é um valor muito importante também.
APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Ministro, aqui em Brasília, a BandNews FM, onde está Michelle Mattos, é que faz a pergunta agora. Bom dia, Michele.
REPÓRTER MICHELLE MATTOS (Rádio BandNews FM / Brasília - DF):  Muito bom dia a todos. Bom dia, ministro. Nessa semana, a Receita Federal, ministro, divulgou dados que mostraram que o governo bateu um novo recorde de arrecadação. Pelos números divulgados pela Receita, a diferença bruta entre o que o governo arrecadou de janeiro a outubro do ano passado com o que arrecadou nesse ano daria para financiar duas vezes a perda que o governo teve de enfrentar com o imposto do cheque, que chegava a R$ 45 bilhões por ano. O senhor acha que mesmo com esse recorde na arrecadação a Contribuição Social para a Saúde ainda é necessária?
MINISTRO JOSÉ GOMES TEMPORÃO: Olha, essa pergunta é para o Ministro da Fazenda ou do Planejamento, porque eu estou do lado de cá tentando resolver o problema da saúde. Eu acho que o governo cuida das finanças e ainda existem outros compromissos que o governo tem em relação a esses recursos. O fato é que quando você compara o crescimento dos gastos em saúde do governo federal, nos últimos anos... Por exemplo, quando a gente compara, em relação ao PIB ou em relação à arrecadação, as receitas correntes, não cresceu de maneira significativa. Foi um crescimento muito discreto. Na realidade, hoje, o grande ônus de financiamento está caindo sobre os estados e municípios. Então, a discussão da regulamentação da Emenda 29, que é a grande questão, vai ter que enfrentar essa questão da disponibilidade de recursos financeiros para a saúde. De onde vão sair esses recursos, se eles virão das receitas correntes, do Orçamento Geral da União ou de outras fontes, a meu ver, caberá ao novo Congresso discutir essa questão.
APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Este é o programa Bom Dia, Ministro. Eu sou Kátia Sartório, e estamos, hoje, com o Ministro da Saúde, José Gomes Temporão, nesse programa que é multimídia, o Bom Dia, Ministro. Ele é coordenado e produzido pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, em parceria com a EBC Serviços. Ministro, vamos a Porto Velho, em Rondônia, Rádio Boas Novas 660 AM, de Porto Velho. Jonathas Trajano, bom dia.
REPÓRTER JONATHAS TRAJANO (Rádio Boas Novas 669 AM / Porto Velho – RO): Bom dia, Ministro. Ministro, sabemos que o combate a dengue é um conjunto... Conjunto de ações que envolve os governos federal, estadual e municipal. A nossa região, pelas suas popularidades, as chuvas, muitas áreas alagadas, é muito favorável à proliferação da doença do mosquito. E nos 16 municípios com risco de surto de dengue, o [inaudível – 0:49:23] que é Porto Velho, em Rondônia, Rio Branco, no Acre, apesar de todo esforço das autoridades de saúde dos estados e dos municípios, eles não estão dando investimento a essas ações. Conforme dados da Agevisa, de outubro de 2009 a abril de 2010 agora, período mais crítico, que é o chuvoso, foram registrados mais de 38 mil casos, e com uma grande incidência aqui em Porto Velho. E o pior, Ministro, é que o mosquito parece que evoluiu e se adaptou a água suja, e nessa região pode ser que eles encontraram o paraíso. A pergunta que eu faço é o seguinte, Ministro: o governo federal... O que o governo federal tem feito, através do Ministério da Saúde, para apoiar os estados e os municípios, com esse risco de epidemia, na liberação de recursos e outros apoios logísticos, Ministro?
MINISTRO JOSÉ GOMES TEMPORÃO: Bom dia, Jonathas. A sua rádio é Boas Novas, mas eu não tenho boas novas para Rondônia, não. Porque Porto Velho está numa situação de grande probabilidade de ter uma epidemia de dengue durante esse período, agora, de 2010/2011, porque a presença do mosquito nas residências aí está acima, está em torno de 4,3% dos domicílios, ou seja, acima de quatro é risco de surto. O trabalho que vem sendo desenvolvido é um trabalho extremamente complexo, ele vai desde, por exemplo, treinamento de médicos e enfermeiros, e profissionais de saúde, em relação ao diagnóstico e ao tratamento da doença; capacitação de laboratórios para detectar e monitorar a circulação dos sorotipos. Por que é importante isso? Eu já havia dito. Quando o sorotipo desaparece e deixa de circular durante um período - é o que está acontecendo agora no Brasil - o sorotipo 1, que circulou no final dos anos 90, ele sumiu, agora ele está voltando, e quando ele volta, ele encontra uma população sem proteção e aí surgem casos mais graves, surtos e epidemias. Nós compramos e distribuímos inseticidas e larvicidas, são toneladas para todo o Brasil, estamos fazendo campanhas de mídia, repassamos recursos financeiros - deixa eu ver aqui quanto é que o estado de Rondônia está recebendo - são R$ 11, 12 milhões, aproximadamente, só para a vigilância epidemiológica dessa doença. Então, esse esforço, essa parceria que vem sendo feita é a única estratégia que nós temos, hoje, junto com a mobilização da população e a cobrança de que os gestores e os prefeitos assumam a questão do combate a essa doença como, de fato, uma prioridade do seu governo não apenas do secretário de Saúde, mas de todo o governo.
APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Ministro Temporão, vamos agora a Serra Talhada, em Pernambuco, Líder Do Vale FM, Francys Maya, bom dia.
REPÓRTER FRANCYS MAYA (Rádio Líder do Vale FM/ Serra Talhada – PE): Bom dia, Ministro, é um prazer falar com senhor. Ministro, o seu Ministério está investindo pesado no combate a dengue, mesmo assim diversos municípios, entre eles o nosso, Serra Talhada, estão em situação de alerta. E pelo o que tenho conhecimento, o governo liberou recursos extras para o combate consistente ao mosquito para apenas dois meses. O senhor não acha que esse trabalho deveria ser permanente? E outra, aqui, em nosso município, a Secretaria de Saúde acabou de realizar um trabalho para identificar as áreas mais afetadas, inclusive acabei de receber um kit chamado “Mosquiteiro”, com camiseta, boné e panfleto, ensinando como combater o mosquito. Fica aqui sugestão minha, Ministro: Porque o seu Ministério não utiliza mais meios de comunicação, que estão tão próximos à população, e nos envia esse material em grande quantidade para a gente fazer promoção e também distribuir para o povo em forma de sorteio, Ministro?
MINISTRO JOSÉ GOMES TEMPORÃO: É o que nós estamos fazendo agora, nesse momento, levando informação para a população em todo o Brasil. E esse trabalho é feito permanentemente, inclusive o Ministério tem um trabalho - não só o Ministério da Saúde, o governo federal, o governo do presidente Lula mudou radicalmente o padrão de destinação dos recursos financeiros para publicidade institucional. Antes, uma parte dos recursos eram concentrados nas grandes mídias e nas grandes redes. Agora não, as parcerias chegam a todos os municípios, inclusive às rádios comunitárias, usamos rádio-poste, usamos internet - muita internet agora, estamos entrando pesado nas redes sociais. O Ministério da Saúde está inovando muito na informação e na comunicação, e estamos distribuindo material. Eu vou te dar um bom exemplo: o site, na internet, do Ministério da Saúde, tem todo um conjunto de textos, panfletos de apositivos que podem ser livremente copiados por qualquer prefeitura, por qualquer entidade pública ou privada, e reproduzidos, distribuídos largamente.
APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Inclusive, as emissoras também, porque os senhores têm spots de rádio justamente para...
MINISTRO JOSÉ GOMES TEMPORÃO: Exatamente. Nós temos a Rádio Saúde, basta você entrar no site do Ministério da Saúde: www.saude.gov.br, tem uma rádio lá com toda a informação de educação, de informação, o que fazer, como fazer, pode pegar aquilo tudo, usar livremente, não precisa pagar nada, não precisa pagar copyright, de uso livre, e é isso que estamos fazendo em todo o Brasil.
APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Ministro, e aproveitando esse gancho, já que nós estamos em Pernambuco, foi o último estado que o senhor visitou na caravana nessa primeira leva, a “Caravana contra a dengue”, e agora existe a previsão de dar continuidade em mais cinco estados, é isso?
MINISTRO JOSÉ GOMES TEMPORÃO: Exatamente, nós vamos ao Rio de Janeiro, vamos ao Maranhão, vamos ao Amazonas, ao Pará - e está faltando um - e o Amapá.
APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: E a Paraíba.
MINISTRO JOSÉ GOMES TEMPORÃO: É isso aí. E a Paraíba. Então, Amazonas, Amapá, Maranhão, Paraíba e Rio de Janeiro, são os cinco estados que ainda estão faltando. Eu estou voando mais do que o mosquito da dengue, a gente pegou aí uma grande parceria com a FAB, porque para dar conta dessa agenda, de fazer, às vezes, dois, três, estados em um único dia, só mesmo com o apoio da FAB. Então, a gente chega, mobiliza, reúne governador, os prefeitos, os secretários, a população, a mídia, os empresários, enfim, todo mundo, para levar essa mensagem e chamar atenção de que essa é uma doença, que pela sua complexidade, ela precisa da mobilização de todos. Então, entre o dia 1º de dezembro, dia 10, aproximadamente, eu estarei indo a esses estados para fazer a caravana.
APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: E por que o senhor, agora, vai pessoalmente? É uma iniciativa nova ou o senhor já participava?
MINISTRO JOSÉ GOMES TEMPORÃO: Não, não. Desde 2008 que eu estou fazendo essas visitas, só que agora o nome é que mudou, porque eu brincava com minha equipe: “Isso aqui está parecendo uma caravana, e tal”. Aí virou a caravana da dengue, e nós estamos fazendo isso desde 2008, o ano passado eu também fui a dez estados, que era os dez estados mais importantes; esse ano, eu estou repetindo.
APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Ministro, eu gostaria de fazer uma pergunta para o senhor, saindo desse assunto dengue e indo para o assunto Aids. Parece que tem uma boa notícia, uma nova medicação para a Aids que está sendo lançada, está sendo testada e que vai facilitar a vida das pessoas que tem o vírus. É isso, Ministro?
MINISTRO JOSÉ GOMES TEMPORÃO: É verdade. Nós temos uma coisa que... O Brasil avançou muito, nos últimos anos, foi os investimentos em pesquisa em saúde, e o estabelecimento de parcerias entre laboratórios públicos e privados e o Brasil faz parte de uma rede mundial que tenta desenvolver novas tecnologias no combate à Aids. Sabe que no Brasil, o Brasil é a experiência de sucesso no mundo em relação ao combate a Aids, o nosso programa é copiado pelo mundo inteiro. Aliás, eu tive, agora, há duas semanas atrás, com o presidente Lula, em Moçambique, numa iniciativa inédita, nós estamos construindo uma fábrica para produzir genéricos contra Aids, em Moçambique. E, ao contrário do que sempre se fez, os países ricos sempre fizeram o que em relação aos países pobres africanos? Doavam medicamentos. O Brasil não vai mais doar medicamentos, o Brasil vai ensinar a fazer medicamentos na África; tecnologia de Farmanguinhos da Fiocruz. E, agora, essa nova notícia boa: tem um medicamento, chamado Ritonavir, que ele faz parte do coquetel da Aids. A pessoa que tem Aids, ela, normalmente, precisa tomar três drogas combinadas, porque esse vírus ele é muito mutagênico, ele muda muito, então para evitar que ele sofra mutações se usa três drogas combinadas. Essa droga tem que ser mantida, a droga tradicional, em refrigeração...
APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Essa que já é distribuída.
MINISTRO JOSÉ GOMES TEMPORÃO: As que já existem - porque senão ela perde as características dela. E essa nova tecnologia que o Brasil está desenvolvendo, em parceria com outros laboratórios e países, vai permitir produzir o medicamento termoestável, ele não vai precisar ser mantido em refrigeração. Isso é um gigantesco avanço não só do ponto de vista de custo, de manutenção, que cai, mas também de praticidade no uso, não é? Então, isso vai reduzir custos e vai ampliar o acesso.
APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Previsão de que isso chegue...?
MINISTRO JOSÉ GOMES TEMPORÃO: É um medicamento que está sendo testado ainda, ele está sendo testado, mas já foi desenvolvido, não temos uma previsão ainda, mas é estimulante.
APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Em 2011 é a previsão, é isso?
MINISTRO JOSÉ GOMES TEMPORÃO: Dois aninhos, vamos dizer dois anos, para estar tudo pronto. Mas é uma boa notícia.
APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Está certo. Infelizmente, acabou o nosso tempo, eu queria agradecer, mais uma vez, a presença do senhor, Ministro, aqui no programa.
MINISTRO JOSÉ GOMES TEMPORÃO: Eu que agradeço a oportunidade, possivelmente é o meu último programa aqui, eu já estive aqui várias vezes, no Bom Dia, Ministro, é importante, eu quero dar os parabéns a vocês por terem organizado esse evento aonde os ministros vem aqui poder trocar ideias, responder as perguntas, levar informação para esse Brasil, esse país gigantesco tão heterogêneo, tão desigual ainda, mas que está se transformando, isso que é importante, não é? O Brasil está se transformando, está melhorando, o clima está positivo, vem a Dilma agora aí que vai dar continuidade às políticas do presidente Lula. E eu quero agradecer o carinho e a atenção que vocês sempre me deram quando eu tive aqui presente participando.
APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Obrigada, Ministro. E a todos que participaram conosco dessa rede, meu muito obrigada e até a próxima edição.

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