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Arquivos: 18/05/10 Transcrição

APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Olá amigos em todo o Brasil eu sou Kátia Sartório e começa agora mais uma edição do programa Bom Dia, Ministro. Esse programa tem a coordenação e a produção da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, em parceria com a EBC Serviços. Hoje, aqui no estúdio da EBC Serviços, o ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi. Na pauta do programa de hoje, a geração recorde de empregos formais no Brasil neste ano. O ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi, vai explicar pra gente, que só no mês passado, foram criados mais de 300 mil empregos formais, ou seja, aqueles com carteira de trabalho assinada. Carlos Lupi também conversa com a gente sobre esse bom resultado de abril, que reflete o atual momento da economia brasileira, que saiu rapidamente da crise financeira internacional iniciada em 2008. O ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi, já está aqui no estúdio, pronto para começar a conversar com âncoras de emissoras de rádio de todo o país.

RÁDIO TUPI (RIO DE JANEIRO-RJ)/ANA RODRIGUES: Primeiramente, a gente gostaria de saber, quais os setores que ainda podem crescer mais no setor de geração de emprego, já que nós temos alguns resultados positivos no setor de serviços, indústria da transformação, comércio. Mas quais os setores que ainda estão carentes de números mais positivos?

MINISTRO: Eu penso que o Brasil, está tendo um crescimento homogêneo em todo os setores. Têm alguns setores, que puxam essa geração de emprego, que é o setor de serviço, que o Brasil tem um setor de serviço muito forte, bares, restaurantes, esse setor de serviço, mexe com a cadeia do turismo. A construção está tendo um momento contínuo muito bom, esse programa "Minha Casa, Minha Vida", com mais de 1 milhão de moradias, está puxando muito a construção civil, além de muitas obras de infraestrutura. O que nós estamos vendo de uma necessidade maior de crescimento, ainda é o setor agrícola. Porque o setor agrícola, ainda está na entressafra em algumas regiões, na indústria sucroalcooleira no Nordeste. Voltou agora a safra de Minas e São Paulo do café. Então ainda vai ter um crescimento maior, a partir agora deste mês de maio no setor agrícola brasileiro.

RÁDIO TUPI (RIO DE JANEIRO-RJ)/ANA RODRIGUES: Outra coisa que eu gostaria de destacar, é o fato de que, sediar a Copa do Mundo e Olimpíadas, já mostra sinais de que os empregos podem crescer nos próximos anos. Quais são as perspectivas, considerando-se esses dois grandes eventos que o Brasil vai sediar?

MINISTRO: Essa vinda, não só das Olimpíadas, como da Copa do Mundo, ela é estratégica e fundamental para o Brasil. Primeiro, porque o Brasil tem belezas naturais incomparáveis com qualquer outra parte do mundo. Então todo mundo que vir aqui no Brasil, para assistir a Copa do Mundo, não ficará limitado, apenas a assistir os jogos da Copa do Mundo. Com certeza, vai viajar pelo Brasil, vai querer conhecer as nossas riquezas naturais, e isso permite com que o Brasil, tenha previsto, a gente planeja um crescimento muito grande na geração de emprego e na distribuição de renda. Setor de serviço, volto a afirmar, será o maior beneficiário, porque ai tem junto a cadeia hoteleira, emprego gerado por ela, setor de restaurantes, setor de, serviços gerais de turismo, de viagens. Então, eu penso que o Brasil já está começando a se preparar, pra essa recepção, tanto das Olimpíadas como da Copa do Mundo e esses dois eventos gerarão muito emprego e também trarão maior riqueza para o país.

RÁDIO BOAS NOVAS 580 AM(RECIFE-PE)/HÉLIDA REGIS: Mais uma vez é um prazer a nossa rádio Boas Novas aqui em Pernambuco estar participando com vocês. Dados divulgados pelo Ministério do Trabalho, mostram que foram criados mais de 305 mil novos postos de emprego em todo o país. Apesar desse aumento, muitos brasileiros ainda não conseguem um emprego formal. O que ainda atrapalha o trabalhador brasileiro, na busca por esse emprego?

MINISTRO: A qualificação profissional. Eu respondo muito diretamente, você faz uma pergunta coerente, com verdade, que é a necessidade de ter em alguns locais do Brasil, inclusive em Pernambuco, o governo federal junto com o governo estadual, teve investimentos fortes ai no setor industrial. O aperfeiçoamento da indústria sucroalcooleira, a indústria naval. Então, Pernambuco está num momento muito rico da geração de emprego. E em muitos setores desses, como na área de construção, por exemplo, não se tem trabalhador qualificado. O grande desafio, que temos pra esse ano, e para os próximos anos, que com certeza teremos crescimento bom da economia, e da geração de emprego, é a qualificação profissional. Então nós temos tentado, inclusive com parcerias com o governo do estado, com prefeituras, fazer mais investimentos, nessa área de qualificação profissional. Estamos prevendo para esse ano, mais de 1 milhão de trabalhadores, entre jovens e adultos, mais maduros, qualificados. Mas ainda assim é muito aquém do necessário, precisávamos ter aí uma qualificação pra cerca de 5 milhões de trabalhadores, que ainda estão no mercado de trabalho sem uma qualificação profissional específica. O grande desafio é esse, esse é o grande gargalo que nós temos no mercado de trabalho, e penso que não só o governo, como a iniciativa privada, tem que priorizar a qualificação profissional.

RÁDIO BOAS NOVAS 580 AM(RECIFE-PE)/HÉLIDA REGIS: ministro como o senhor avalia o número de empregos, que deve ser gerados ainda este ano. Vamos poder quebrar mais um recorde?

MINISTRO: Eu tenho muita segurança disto, eu sou um otimista. Vocês sabem, vocês acompanham, as vezes que eu venho aqui no Bom Dia Ministro, eu já no auge da crise, sempre fui otimista, e agora eu estou mais ainda. Eu penso que o Brasil é uma grande locomotiva no trilho certo, está no caminho correto. O Brasil está com um crescimento econômico sem inflação, o Brasil está gerando ganho real para o trabalhador, essa grande transformação que o Brasil está acontecendo. Só o salário mínimo de 2003 da posse do presidente Lula até agora março, teve um aumento real de 74% acima da inflação do salário mínimo. A média de salário de todos os trabalhadores e todos os acordos de categorias, está tendo aumento real. Isso está significado mais investimento, mais dinheiro na economia. Mais gente comprando, mais gente produzindo, mais emprego. Então, eu acredito que nós vamos viver o melhor ano na geração de emprego em 2010. Minha previsão, ontem eu reavaliei, inicialmente eram 2 milhões, muitos acharam absurdo, mas agora reavaliei pra cima. Será 2 milhões e meio de vagas, o que será o recorde da história do Brasil, fazendo com que o governo Lula, nesses 8 anos que se completará em dezembro, chegue próximo de 15 milhões de empregos formais. Aí, gente celetista, mais os empregos públicos concursados, estaduais, municipais e federais, que é o que chamamos de emprego formal. 15 milhões de empregos em 8 anos, para se ter uma ideia, isso significa 50% de todos os empregos gerados da história do Brasil.

APRESENTADORA: Então só repetindo, 2 milhões e meio de vagas em 2010?

MINISTRO: Em 2010, agora pra este ano.

APRESENTADORA: As previsões, que o senhor faz aqui no Bom dia ministro, sempre dão certo hem ministro?

MINISTRO: Dão certo, e eu acho, que aqui também dá sorte.

RÁDIO CATEDRAL (JUIZ DE FORA-MG)/FABIANA FURTADO: A nossa amiga aí de Pernambuco, o senhor até respondeu, a questão sobre a qualificação profissional. Mesmo com o aumento do número de empregos formais, registrado e confirmado periodicamente pelos dados do CAGED, dados do SINE que é o Sistema Nacional de Empregos, particularmente aqui na Zona da Mata Mineira, mostra que ainda é um setor da população, não qualificada para exercer funções que apresentam essa demanda. Então, na opinião do senhor, essa falta de qualificação, ela pode ser considerada como uma vilã da empregabilidade?

MINISTRO: É verdade, eu concordo com você, como já disse anteriormente. Eu penso que esse é o nosso grande desafio. Mais do que isso, no Brasil não se teve até agora, a cultura do curso profissionalizante. Daqueles cursos que conseguem ensinar o trabalhador num curto espaço de tempo a aprender, ou a desenvolver uma aptidão, uma vocação para uma profissão. Nós temos muita cultura do diploma universitário, ou dos cursos profissionalizantes de médio prazo, que duram em média dois anos, dois anos e meio, até três anos. Esses cursos são vitais, são muito importantes. Mas aqueles cursos de aperfeiçoamento de curta duração, de 200 horas aula, de 250 horas aula, esses são os que tem mais necessidade hoje no mercado de trabalho. na áreas de construção civil, por exemplo, não se tem mais de mestre-de-obra, não se tem eletricista, não se tem muitos setores da economia brasileira o profissional já habilitado para exercer essa função. Esse é o nosso desafio. Continuo reafirmando, nós estamos tentando investir mas o governo sozinho não consegue resolver. Isso é uma realidade. Nós temos que apelar ao Sistema "S", ao Sine, ao Senac que tenham mais cursos gratuitos, porque o grande desafio é que parcela dos cursos do Senac, do Senai são gratuitos. Mas, a grande maior parte são pagos. E o desempregado, como vai pagar? Não tem como pagar. Então, o desafio é ter cursos de qualidade e gratuitos para a população. Eu acho que a iniciativa privada tem um grande papel a cumprir nessa área.

RÁDIO CATEDRAL (JUIZ DE FORA-MG)/FABIANA FURTADO: Além de oferecer esses cursos, acho que outra medida também seria estimular os jovens a buscar essa qualificação. Então, nesse sentido, como que o ministério vê esse estímulo aos jovens? Como que o ministério trabalha nesse sentido?

MINISTRO: Olha, nós já temos alguns programas nessa área. Por exemplo, o Pró-Jovem, dentro do Ministério do Trabalho, esse ano vamos chegar próximos de 550, 600 mil jovens, no Brasil todo, qualificados. Nós temos incentivado muito vários programas de aprendizado, de estágio para a juventude. E, estamos tentando aprimorar cursos e incentivar as empresas na contratação desse jovem. Esse é um setor estratégico, nós somos um país jovem, nós somos um país que tem uma potência muito grande dessa juventude querendo produzir, querendo trabalhar. E, nós temos que trabalhar por eles, porque eles são o futuro do nosso país. Estamos tentando, estamos caminhando, estamos nos esforçando nesse sentido. Mas, nós somos conscientes que estamos ainda muito aquém do que a sociedade precisa.

RÁDIO 730 AM/(GOIÂNIA-GO)/ NATÁLIA LIMA: Já foi dito que o crescimento da economia brasileira e os efeitos da crise econômica internacional são os responsáveis por essa geração de emprego recorde. Como é que o senhor avalia a vinda de estrangeiros aqui para o Brasil? Isso pode prejudicar os postos dos brasileiros, ou é um aditivo à economia?

MINISTRO: Depende de que estrangeiro, e para que função. O Ministério do Trabalho é quem dá a autorização para que o estrangeiro venha trabalhar no Brasil. Nós temos um Conselho de Migração, tenho um conselho tripartite, ou seja, tem lá representação do governo, representação das entidades patronais - dos patrões - e representação dos sindicatos dos trabalhadores das confederações. Então, esse Conselho tem uma política muito bem articulada sobre a mão-de- obra que vem para o Brasil, de fora. Naquilo que não tenha uma mão-de-obra capacitada, qualificada,de brasileiro, nós não criamos nenhum impeditivo. Se tem uma especialização, vou dar um exemplo, que acontece no Rio de Janeiro, lá em Itaguaí. Tem uma coqueria, que é um setor de uma plataforma para a produção do aço, onde precisava ter de 200 a 250 trabalhadores, que eram especialistas na montagem dessa coqueria. Essa planta na área do aço. Nós não tínhamos brasileiros que tinham conhecimento técnico para a implantação dessa coqueria, dessa planta de produção de aço. Aí tivemos que autorizar inicialmente eles pediram para 3 mil chineses. Nós combinamos com a empresa, vieram cerca de 250 chineses, para cada chinês desse, que estava trabalhando na coqueria nós botamos 2 brasileiros aprendendo, e hoje só tem brasileiro, porque o brasileiro aprende rápido, o brasileiro é rápido, o brasileiro é criativo. A nossa natureza é da luta. Então, a gente na luta aprende. Esse é um exemplo prático. Não tinha profissional nacional brasileiro que tinha competência para fazer aquela fusão, tivemos que autorizar essa área estrangeira. Tem muito isso também na área da indústria naval, porque muitas embarcações vem trazendo produtos, ou saem daqui levando produtos para serem exportados e tem mão-de-obra também estrangeira por causa de algumas especializações de maquinários. E isso a gente sempre faz com bom senso. Não vejo isso atrapalhar quando é feito com bom senso, e quando não tira emprego de uma mão-de-obra similar, igual aqui no Brasil.

RÁDIO 730 AM / (GOIÂNIA-GO)/ NATÁLIA LIMA: Os saldos recordes ficaram para as regiões Sul e Centro-Oeste. Eu queria que o senhor comentasse os dados da região Centro-Oeste. Mas especificamente aqui no estado de Goiás.

MINISTRO: Olha, ainda estamos, nos estados de Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, aqui mesmo no Distrito Federal, em Tocantins, em uma região que ainda está no período da entressafra. Nós estamos ainda no período onde tem a sazonalidade da colheita de produtos como soja, por exemplo, onde o Centro-Oeste é o maior produtor do Brasil, junto com Rio Grande do Sul e Paraná. Então, essa região recém está começando a produzir. Nós já tivemos resultado positivo, tanto em Goiás como Mato Grosso do Sul e Mato Grosso. Mas ainda vai crescer muito. Nós temos agora, à partir de maio, porque são estados base de produção agrícola e agropecuária, nós temos nessa região, também, o maior número de rebanho de gados no Brasil e agora que se começa também a melhorar a exportação, porque melhorou a economia americana melhorou, a economia japonesa. E, tirando a Grécia e dois ou três países da Europa, o resto está melhorando e comprando mais. E o Brasil vendendo mais melhora a produção de emprego no Centro-Oeste brasileiro.

RÁDIO PEPERÍ(SÃO MIGUEL DO OESTE-SC) / GEO VIEIRA: O governo federal vem instituindo uma política de valorização dos salário-mínimo, o que é bom para setores empresariais pelo aumento da capacidade de consumo da população. Todavia existem setores, como a máquina pública, que correm riscos de endividamento. A Previdência Social, por exemplo, está atrelada ao salário-mínimo em mais de 70% dos benefícios. Nos próximos anos é possível manter essa política de valorização do salário-mínimo sem que a máquina pública entre em colapso?

MINISTRO: Estou indo amanhã, aí para Santa Catarina, e vou passar quinta e sexta em vários programas de qualificação profissional. Sua pergunta é muito pertinente. Eu sou daqueles que pensa diferente de uma outra parcela. Eu acho que, primeiro, o aposentado e o pensionista eles ajudaram, e muito, a construir a grande nação que é o Brasil de hoje. Nós não podemos trabalhar com a cultura de que aposentado e pensionista é peso para a sociedade. Ao contrário, nós temos algumas região do Brasil, algumas das quase seis mil cidades brasileiras, que conseguem sobreviver por causa dos aposentados. Essas pequenas cidades, cidades de porte pequeno e porte médio, são os aposentados a sustentação da economia de muitos municípios. E tem uma discussão que a gente tem que levantar um dia que é, o que é o déficit da Previdência. Primeiro, pouca gente gosta de esclarecer que tem oito milhões de aposentadorias, oito milhões de cidadãos e cidadães, da área do interior, da área agrícola que nunca contribuíram para a Previdência Social, e que por força da Constituinte de 1988, justa, passaram a ter direito à Previdência. Então, na minha opinião esses oito milhões de beneficiários da Previdência Social não são despesas da Previdência, são despesas da Receita do Tesouro Federal. Porque quem nunca contribuiu e teve uma Constituinte que permitiu a eles o direito, é despesa do Tesouro do governo, e não da Previdência. Por quê que eu começo a analisar isso? Para dizer a você, e a muito que estão nos ouvindo nesse momento, que a Previdência não é deficitária, retirado esses oito milhões de aposentadorias e pensões que não são de responsabilidade da Previdência, e sim do Tesouro. E repito, justos, corretas, não da Previdência, do Tesouro. Se a gente tirasse as oito milhões de aposentadorias, já tem o equilíbrio da Previdência Social. Mas, a Previdência Social ela não tem que dar lucro. A Previdência Social não é banco. A Previdência Social, como diz o nome Previdência Social, o papel dela é mais social do que qualquer outro segmento dentro do governo. Então, tem que ter equilíbrio sim, desde que ele também não seja uma injustiça para com dezenas de milhares, de milhões, de trabalhadores brasileiros que ajudaram a construir o Brasil de hoje. Nós não podemos fazer uma contabilidade com o ser humano como fazemos com cabeça de gado. Tem mil cabeças de gado, tem dez mil cabeças de gado. O ser humano, a partir de um, nós temos que ter responsabilidade de dar a dignidade à sua vida.

APRESENTADORA: Ageu, você tem outra pergunta?

RÁDIO PEPERÍ (SÃO MIGUEL DO OESTE-SC)/ AGEU VIEIRA: Sim. Eu estive conversando com o vice-presidente da FIESP, que é um empresário do setor da construção civil em Santa Catarina, e ele me colocava uma situação que eu gostaria de expor ao senhor. Existem alguma distorções nas estatísticas de geração de emprego por conta do salário-desemprego. Em alguns setores, com esse da construção civil é comum que depois de seis meses o trabalhador forçar a demissão para receber o salário-desemprego e partir para a informalidade, isso acaba dando um resultado distorcido na estatística e criando uma falsa ideia de desemprego desses setores? Ou as empresas estão, na verdade, com dificuldades de conseguir mão-de- obra. Existe alguma ideia de moralização ou mudança no salário-desemprego, ministro?

MINISTRO: Ageu, eu sou do princípio que está na Constituição que todo mundo é inocente até que se prove o contrário. Eu não gosto de fazer alguma acusação sem prova, sem base. É claro que nós sabemos que tem esperteza para todo o gosto, não só do empregado, mas de alguns patrões também que combinam com o trabalhador a demissão entre aspas dele, que continuam com ele trabalhando, pagando, às vezes, menos do que ele pagava quando estava com a carteira assinada para burlar o fisco, burlar contribuição social, a contribuição do FGTS, então tem esperteza para tudo quanto é gosto. Mas, nenhuma esperteza dura a vida toda, ela uma hora aparece e numa hora a fiscalização, a própria Receita, os auditores fiscais do trabalho vão agir. Eu penso que a solução para isso, eu estou trabalhando nisso, inclusive o DIEESE está terminando nos próximos dias, e eu vou apresentar o estudo da rotatividade do mercado de trabalho brasileiro. O que é essa rotatividade? O Brasil é um dos países que maior número tem de demissões e admissões durante um ano. Para você ter uma ideia, o ano de 2009, ano da crise, nós tivemos 16,1 milhões admitidos, contratados e 15,1 milhões demitidos. Por isso o saldo de 16,1 milhões menos 15,9 deu 995 mil trabalhadores contratados. Esses 15 milhões é um número astronômico, por que? tem setores que tem muita rotatividade, setor de serviço tem muita rotatividade, área do comércio que tem épocas do ano de contratação e depois épocas de demissão tem muita rotatividade, a área do campo, a área agrícola por causa da safra e da entressafra tem muita rotatividade. Nós vamos fazer uma análise profunda disso aí. Eu defendo para essa área de seguro-desemprego, e nós estamos preparando um projeto de lei sobre isso, do Executivo, que o trabalhador quando esteja recebendo o seguro-desemprego ele esteja ocupado fazendo cursos de capacitação profissional, como é na Itália por exemplo, não estou inventando nada. Fazer qualificação enquanto recebe o seguro-desemprego. Qual o nosso desafio? Nós não temos ainda uma rede nem pública e nem privada que consiga dar curso de capacitação para tantos trabalhadores. Então, estamos vivendo entre a cruz e a espada porque tentamos descobrir uma saída, mas com as dificuldades porque somos um país ainda em construção. Mas vamos vencer essa etapa, estamos trabalhando para isso e eu penso que o seguro-desemprego, o seguro do trabalhador é das políticas sociais mais importantes e justas que o Brasil tem, porque se não tivesse esse seguro agora na crise, esses trabalhadores demitidos, alguns até precipitadamente, alguns até injustamente, não teriam como sobreviver. Então o seguro-desemprego é fundamental para garantir ao trabalhador o mínimo que ele precisa durante o período que varia de três a cinco meses para que ele vá conseguir o próximo emprego. Nós não podemos pela exceção por alguns espertos, destruir um projeto com tanta qualidade e com validade para o trabalhador.

APRESENTADORA: Ministro, esse estudo que o senhor disse que está sendo apresentado nos próximos dias foi o Ministério que encomendou ao DIEESE, é isso?

MINISTRO: Nós temos uma parceria com o DIEESE e o DIEESE está fazendo um estudo de cruzamento de todas as informações, de todas as contratações e demissões por área, por setor, quanto tempo ficou. A pesquisa também vai mostrar o que o trabalhador fez no ano seguinte. São interessantíssimas, e eu já estou com dado preliminar, e eu pedi algum aprofundamento dessa pesquisa e acho que nos próximos quinze dias já posso divulgar.

APRESENTADORA: Ministro, vamos agora ao Paraná, rádio Paiquerê de Londrina, onde está Lino Ramos. Bom dia, Lino.

RÁDIO PAIQUERÊ AM (LONDRINA-PR)/LINO RAMOS: Bom dia Kátia. Bom dia ministro. Ministro, como o senhor já apontou, em muitos casos sobram vagas por falta de qualificação e há uma crítica que o modelo educacional do Brasil privilegia o ensino superior quando falta investimentos na mão-de-obra profissional em nível médio. O senhor concorda com essa crítica?

MINISTRO: Eu concordo. Acho que falta realmente uma política mais forte e desenvolvida para os cursos de qualificação profissional de aperfeiçoamento de profissão de médio e curto prazo. Esse é o problema que estamos vivendo e está todo mundo agora correndo atrás do prejuízo, com fala-se na linguagem popular. Como não se teve esse direcionamento, com não se teve uma política pública forte para essa área, nós temos essa deficiência de não ter as vezes em um setor o trabalhador qualificado para o emprego que está aparecendo hoje no Brasil.

APRESENTADORA: Você tem outa pergunta, Lino?

RÁDIO PAIQUERÊ AM (LONDRINA-PR)/LINO RAMOS: Tenho sim. Ministro, nós estamos também enfrentando ai noticias diárias, principalmente na região de Londrina sobre desvio envolvendo terceirização de mão-de-obra, envolve o chamado Siafi e também há informações de que teria ocorrido o desvio com recursos de verbas do Fundo de Amparo ao Trabalhador. O senhor tem conhecimento dessa situação?

MINISTRO: Olha, em alguns setores nós temos e a Polícia Federal está investigando. Nós não temos e não pactuamos com nenhum tipo de desvio público. Quem fizer ou estiver fazendo estes atos vai ter que estar na cadeia, porque dinheiro público tem que ser respeitado. Agora, que há, há. Nós não vamos aqui ficar fingindo que não estamos vendo que isso pode existir. Nós estamos investigamos, em alguns setores já pedimos ajuda da Polícia Federal. A Polícia Federal já prendeu alguns criminosos que desviam dinheiro público, que é um crime, desviar dinheiro que pode ir para o trabalhador se qualificar, para o jovem se qualificar e botar no bolso, isso é um crime destruidor do conceito da sociedade, é péssimo esse exemplo, que infelizmente temos na sociedade brasileira, mas diga-se de passagem que nós nunca tivemos a Polícia Federal agindo tão forte, investigando tanto e prendendo tanta gente como hoje. E nós vamos continuar agindo. O que tiver de errado, amigo, nós não temos o que temer, nós não temos rabo preso com nada. Errou, cadeia neles.

APRESENTADORA: Ministro, vamos agora à rádio Caicó, em Caicó no Rio Grande do Norte. Suerda Medeiros, bom dia.

RÁDIO CAICÓ (CAICÓ-RN)/SUERDA MEDEIROS: Bom dia. Bom dia ministro. Ministro, nós falamos aqui de Caicó, no Rio Grande do Norte. Existe uma política de geração de emprego para as cidades do interior no Brasil? Porque a gente vê muito falar de geração de emprego e renda. E as pequenas cidades do interior espalhadas por todo o Brasil, qual é a política do governo federal com relação a isso?

MINISTRO: São várias, Suerda. Nós temos ai em Caicó, tenho um grande amigo, meu amigo pessoal Álvaro Dias, um deputado estadual de muitos anos, e por acaso eu conheço Caicó e sei da potência que essa cidade tem para desenvolver. O problema que nós não podemos uma qualificação, uma política de capacitação profissional fazer sem ter a demanda do emprego. Então, o que está acontecendo com esse Brasil hoje? Muitas empresas estão começando a ir para o interior. Muitas indústrias de pequeno e médio porte estão começando a ir para o interior. Aí sim, abre a oportunidade de você ter o emprego. Porque normalmente o que acontece com as cidades do interior? Quando elas não têm uma vocação de ser, por exemplo, uma grande produtora de minério, de ser por exemplo, uma característica da produção de sapato, na produção de tecido, ou até de frutas que podem gerar uma cadeia industrial produtiva, ela vira uma cidade dormitório. Então temos que desenvolver políticas que levem o investimento, que levem a indústria, que levem investimentos a essas cidades para que sim possamos ter o emprego e ai sim ter a qualificação profissional para esse emprego que está surgindo. Isso já está acontecendo. O Brasil hoje, para você ter uma ideia, nos últimos cinco anos, o Nordeste brasileiro teve uma média de crescimento maior do que o Sudeste e o Sul. Por quê? Porque estão começando a descobrir as belezas da natureza que o Nordeste tem e a potência adormecida dessa força de trabalho que existe no Nordeste brasileiro. Ai Caicó tem essa características, como várias cidades do Rio Grande do Norte, e eu tenho certeza de que esse desenvolvimento está chegando e vai chegar com mais força nos próximos anos.

APRESENTADORA: Suerda, você tem mais outra pergunta?

RÁDIO CAICÓ (CAICÓ-RN)/SUERDA MEDEIROS: Muito obrigada pelas informações.

SALVADOR - BAHIA - RÁDIO SOCIEDADE/ARMANDO MARIANI- Bom dia ministro Carlos Lupi do Trabalho. Ministro, nós temos acompanhado o crescimento do número de pessoas com carteiras assinadas. O que que o Governo fez para que esses número aumentasse ou oferecesse alguma facilidade mais segurança para o empregador, foi isso?

MINISTRO: Não, irmão, foi o crescimento da economia. Eu penso que a legislação trabalhista, apensar de algumas pessoas que têm uma visão no meu ponto de vista um pouco elitista criticarem, ela é um instrumento mais forte de proteção do trabalhador.
Nada é mais moderno do que você ter numa economia, numa sociedade, direitos do trabalhador garantidos porque é essa soma de trabalhadores que consegue manter a própria economia em processo de crescimento. Porque é o dinheiro que ele recebe do seu trabalho que vai para a compra, que vai para esse ciclo virtuoso da economia que eu costumo falar.
O que o governo tem feito é buscar incentivar, buscar incentivos fiscais, isenções de impostos, buscar fazer obras de infraestrutura para que essas empresas começam a se expandir, buscar financiamentos para o crescimento dessas empresas, controlar a inflação e fazer o Brasil ser uma espécie de país hoje referência no mundo hoje na área de mercado de trabalho e na área do controle da gestão pública.
O Brasil está bem nesse momento, nós estamos aí com reservas em dólar como nunca tivemos na história, mais de US$ 260 bilhões de reserva. Ou seja, dinheiro guardado dentro do Banco Central para qualquer fatalidade da economia mundial que possa ocorrer. O Brasil esta produzindo muito, inclusive hoje já é o maior produtor e exportador de gado bovino do mundo, o Brasil já é hoje o maior produtor e exportador de frangos do mundo,o Brasil já é hoje o segundo maior exportador de carne de suínos do mundo, o Brasil é o maior produtor de soja, o Brasil é o maior produtor de café, o Brasil é o segundo maior produtor de avião, olha só, estou saindo da agricultura e indo para a aeronave que é tecnologia de ponta. O Brasil é o país hoje que vende mais carros do mundo em plena crise então, tudo isso ajuda é uma conspiração a favor e eu acho que isso tem que continuar. Nós temos que continuar trabalhando para que o Brasil consiga ter mais riqueza, mais geração de renda e mais emprego.

APRESENTADORA: Ministro, vamos agora a rádio Verdes Mares de Fortaleza no Ceará, Nilton Sales, bom dia.

RÁDIO VERDES MARES - FORTALEZA - CEARÁ /ANILTON SALES: Bom dia, senhor ministro. O senhor disse que o Governo está incentivando o curso profissionalizante. Como é que ele vai fazer para chegar nas pequenas cidades do interior do país?

MINISTRO: Convênios que temos feito por exemplo aí no Ceará, eu já fiz vários convênios com o governador Cid Gomes (PSB), você deve ter acompanhado pela imprensa ou pessoalmente para mais de 70 municípios de pequeno e médio porte para levar cursos profissionalizantes. Isso está fazendo pela primeira vez esses cursos chegarem no interior do Brasil.
Como fiz no Ceará, eu estou fazendo praticamente em todo o Brasil. É claro que esse recursos são limitados nós precisávamos ter muito mais, mas pelo menos estamos iniciando esse processo e é através dos convênios com o próprio governo do Estado, com algumas prefeituras que temos feito que nós estamos conseguindo levar esses cursos de qualificação profissional.

APRESENTADORA: Anilton, você tem outra pergunta?


ANILTON: Não, muito obrigado.

APRESENTADORA: Obrigado então pela participação Anilton Sales, da rádio Verdes Mares de Fortaleza no Ceará. Ministro, vamos então a São Paulo, à rádio Bandeirantes de São Paulo, a pergunta é de Leandro Manso. Bom dia Leandro!

RÁDIO BANDEIRANTES (SÃO PAULO)- LEANDRO MANSO: Bom dia ministro, ministro eu queria falar da ligação que há entre a economia, economia propriamente dita com a geração de emprego. A gente vive um momento bom de crescimento elevado por conta do aquecimento da economia o crédito volto a funcionar, a ser liberado e eu queria saber se isso é também um dos fatores de geração de emprego e com essa tendencia que há até o final do ano de uma elevação das taxas de juros também ao problema da crise financeira envolvendo países europeus eu queria saber se isso pode influenciar uma pequena redução no número de empregos ou o crescimento menos veloz da geração de empregos no Brasil?

MINISTRO: Leandro, eu sou daqueles que pensa que o Brasil está no caminho certo. Eu vejo algumas críticas e fico curioso em vê-las por exemplo: têm alguns críticos que agora começam a falar que o Brasil não pode crescer. O Brasil tem que segurar o crescimento e eles não falam o mesmo por exemplo para a China que há anos cresce a dois dígitos, a mais de 10%.
O crescimento não atrapalha em nada a economia, ao contrário, a não ser que esse crescimento não tenha junto com o crescimento da economia, junto com o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) o crescimento do emprego. Porque quando cresce o emprego crescendo a economia, esse é o casamento ideal e duradouro porque crescendo o emprego é sinal que as empresas estão contratando mais para produzir mais. Se as empresas estão produzindo mais a lei de oferta e procura de mercado se equilibra.
Agora, se nós tivéssemos só o crescimento da economia, só o crescimento dos rendimentos do faturamento sem o crescimento do emprego era arriscado porque quer dizer que não estão produzindo mais. Então, eu penso que nós estamos no caminho correto, eu penso que o Brasil está investindo em muito em infraestrutura, algo que precisava há muitos anos eu penso que a iniciativa privada e o mundo, mercado internacional descobriu o Brasil, está investindo no Brasil, está acreditando no Brasil.
Então eu não vejo o risco nenhum para a economia brasileira. É claro que nós temos que ficar cuidadosos, temos a crise internacional de 2009 muitos achavam que ia acabar o mundo e o Brasil gerou 1 milhão de empregos, Leandro, no auge de uma crise no mundo. Por quê? Porque nós estamos no caminho certo, nós vamos continuar nesse caminho controlando a inflação mas fazendo gerar emprego. Porque é o emprego formal, é a carteira de trabalho assinada que é a fórmula, no meu modo de ver que é o instrumento mais eficiente de distribuição de renda.
Porque dá dignidade a pessoa, dá auto estima à pessoa, porque ela está trabalhando, ela tá sentindo dona do próprio destino e distribui renda direta é dinheiro na veia da economia, porque é salário no momento real dando dignidade e auto estima ao trabalhador.

APRESENTADORA: Leandro?

LEANDRO: Ministro, o senhor não acha que a média salarial pode eventualmente com esse ritmo de crescimento também melhorar percentualmente os salários melhorarem em função desse ritmo de crescimento ?

MINISTRO: Eu acho que isso já está acontecendo Leandro. Eu acho que esse é o grande segredo para o Brasil ter saído da crise bem ganho real de salário. Nada é mais importante para a economia de um país para que ela continue crescendo do que crescimento real de salário. Porque é esse crescimento real de salário, para um trabalhador precisa comprar tudo, que a massa do trabalhador brasileiro tá toda ela precisando comprar alguma coisa, desde uma melhor geladeira até seu carro novo, até dar uma puxadinha na sua casa para a filha que casa, pro filho que casa e tem um neto tudo isso é parte de uma sociedade que precisa crescer. Então esse ganho real injeta mais dinheiro na economia, é mais gente comprando, é mais gente vendendo, é mais produção, é mais emprego.
Então, eu sou um defensor de que a cadeia é produtiva, de que o crescimento, desenvolvimento, um projeto que o país tem que ter para os próximos anos é a garantia de um Brasil no caminho certo.

APRESENTADORA: Ministro, vamos agora a Mato Grosso do Sul a rádio Capital FM de Campo Grande, onde está Pierre Adri. Bom dia Pierri!

RÁDIO CAPITAL FM(CAMPO GRANDE-MS) PIERRE ADRI: Bom dia Kátia,é uma satisfação imensa participar mais uma vez do seu programa. E eu perguntaria ao excelentíssimo ministro Carlos Lupi, que em termos estaduais, Mato Grosso do Sul registrou no mês de abril o maior índice de crescimento de emprego. Isso aí é um dado da Caged - Cadastro Geral de Empregados e Desempregados. Eu perguntaria ao ministro, se isso aí é fato em todo o Brasil, dada a evolução da economia brasileira?

MINISTRO: setor da construção civil crescendo muito em Mato Grosso do Sul, setor de serviços, Campo Grande cresce a cada dia. Eu viajo muito. Esse é meu papel como ministro, para ver esse Brasil grande que nós somos, e a gente vê Campo Grande com prédios. Todo dia, começa uma nova construção. Isso é muito emprego que gera. Serviço melhorando, shoppings novos então, Mato Grosso do Sul tem um encontro marcado com o crescimento e com a distribuição de renda que já está acontecendo.

RÁDIO CAPITAL FM(CAMPO GRANDE-MS) PIERRE ADRI:O fomento do emprego na região Centro-Oeste é prioridade do Ministério do Trabalho, ministro?

MINISTRO: Claro que é. É uma região que cresce em índices chineses, índices altos. É uma região que tem uma terra muito rica, maior produtora de grãos de soja do mundo, é essa região: Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Goiás, o Centro-Oeste brasileiro. E ela tem um potencial ainda incomensurável de crescimento. Nós temos como prioridade absoluta porque é mais emprego e mais renda.

RÁDIO NACIONAL AM / BRASÍLIA -DF /WALTER LIMA:Bom dia, Kátia, Bom dia, Ministro. Ministro, a nossa pergunta: Em alguns setores produtivos de algumas cidades, exemplo nosso Distrito Federal, existe a falta de profissionais qualificados para atenderem à demanda, como é o caso da construção civil. Eu pergunto ao senhor: Como está esse processo de requalificação ou qualificação profissional, desenvolvida pelo ministério do Trabalho?

MINISTRO: Olha, é uma pergunta repetitiva, em todos os estados brasileiros. Porque esse programa se repete. Em todas as regiões do Brasil e essa área de construção civil é que gera muito emprego e tem, nesses últimos meses, crescido fortemente. Nós já estamos fazendo vários cursos de capacitação e qualificação profissional para essa área. Só na área de beneficiário do bolsa-família, ou seja, familiares que recebem o bolsa-família, estamos fazendo um curso de capacitação na área de construção civil para mais de 200 mil trabalhadores do Brasil todo. Mas ainda precisamos de muito mais porque como está crescendo em ritmo muito alto, cada dia a gente tem falta de mão-de-obra especializada, desde o mestre-de-obras, passando pelo eletricista. Em todos os setores da construção, você tem razão. É uma área que está precisando mais investimentos, é uma área de capacitação profissional, mas mesmo assim é um belo problema. Antes, nós não víamos placa de 'Precisa-se de trabalhador' em lugar nenhum. Hoje, graças a Deus nós estamos vendo em todos os lugares, 'precisa-se de trabalhador". Temos que investir na qualificação profissional porque é esse o grande desafio para os próximos anos.

APRESENTADORA: O senhor falou, ministro, que o sistema "S" oferece cursos gratuitos, mas nem tantos assim. O ministério também está engajado em fazer mais parcerias com o sistema "S"?

MINISTRO: Nós fazemos muitas parcerias com eles. Só que alguns cursos têm o custo muito alto também, tem que entender isso. E eles cobram. É uma maneira de lei de mercado, tem que manter a sua estrutura. Agora, nós temos feito vários estados brasileiros, inclusiva aqui em Brasília, e tem dado certo. Agora, a rede do sistema "S" é a mais preparada para esses cursos porque ela está espalhada em tudo quanto é canto do Brasil, tem profissionais habilitados e nós temos que avançar para ter cada vez mais cursos gratuitos. Como eu já falei, para o trabalhador desempregado ter como pagar qualquer tipo de curso.

RÁDIO UNIVERSIDADE DE PORTO ALEGRE (URGS)/PORTO ALEGRE - RS/REJANE SALVE: O Rio Grande do Sul, neste levantamento de novos postos de trabalho, esse recorde, de que maneira ele aparece e quais os setores que mais cresceram? E aproveito para perguntar também qual o setor que menos cresceu? O ministério pretende fazer algum levantamento?

MINISTRO: Olha, o Rio Grande do Sul tem apresentado uma característica muito positiva e eu estou aqui com os dados do Rio Grande, que são importantíssimos. Rio Grande do Sul, nesses quatro primeiros meses do ano, gerou 87.278 novos postos de trabalho. Ou seja, um crescimento de mais, em torno de 4% a mais do que existia no estoque de emprego no estado. Isso é muito importante porque a indústria voltou a crescer, inclusive a indústria automotiva, de carros, voltou a contratar. De caminhões, a indústria de maquinário pesado, de tratores, voltou a contratar bem. Voltou a construção civil, comércio e serviço, e a agropecuária e agricultura agora vai começar a contratar. Então, o potencial do Rio Grande do Sul é riquíssimo. Porque o Rio Grande, além de ser um estado que pensa país, pensa Brasil, é um estado que tem um potencial agrícola muito grande, inúmeras atividades agrícolas, que passa pelo trigo, pela uva, pela soja, tem um rebanho de gado imenso. Também tem grandes criações de frango, de suínos, além disso tem um parque industrial muito forte. Tem petróleo. Então, o Rio Grande tem um potencial muito grande de crescimento, regiões belíssimas e de grande potencial. E eu penso que o Rio Grande vai viver agora, nos próximos meses, melhores meses do que viveu até agora, porque começa a entrar a safra agrícola que gera mais emprego e gera mais renda.

RÁDIO 930 AM / ARACAJU - SE / GABRIEL DAMÁZIO:
Ministro, os dados do Caged, que mostraram os dados emitidos interligados de abril e o acumulado do ano, indicam que houve crescimento em todos os estados. Só que os dados relativos a Sergipe, eles aparecem em um ranking relativamente baixo em relação a outros estados, até mesmo do Nordeste. Em abril, foi 0,68% e no acumulado do ano, ficou em 21º colocado. Como o estado pode aproveitar mais dessa onda de crescimento de emprego, dessa geração recorde e o que poderá ser feito para que o estado de Sergipe possa gerar ainda mais e avançar um pouco mais no ranking desses empregos que estão sendo gerados e de que forma isso poderá ser feito? Uma outra pergunta é com relação a questão da reforma trabalhista. As discussões ficaram paradas, tanto junto ao Congresso, junto a setores das entidades sindicais, que brigam há muito tempo por uma reforma trabalhista que há muito tempo já assim, não ontem, não há um certo avanço no que diz respeito à reforma trabalhista de se rever, retirar as entraves, para poder criar mais empregos.

MINISTRO: Bom, primeira questão da geração de emprego em Sergipe. Sergipe teve um bom comportamento mês passado, gerou mais de 1500 novos postos de trabalho, mas Sergipe tem uma característica muito especial. É o menor estado brasileiro, não tem por isso uma área geográfica para grandes produções, tem uma característica turística muito importante, tem belas praias, tem belas cidades, características de cidades inclusive históricas e tem que desenvolver mais o potencial que ele tem nessa área de serviços, na área da construção civil, tem muito o que fazer aí em Sergipe e, principalmente, na área do turismo, como já falei. Eu penso que a característica de Sergipe nos obriga a fazer uma avaliação daquilo que tem como potencial de crescimento. Mesmo assim, Sergipe cresce proporcionalmente às suas dimensões. Não dá para você comparar o crescimento de Sergipe com o da Bahia, com Pernambuco, pelas próprias dimensões geográficas, pelo número de habitantes que tem no estado, mas tem potencial para crescimento, setor de construção já cresce bem, setor de serviços cresce bem, setor de hotelaria, restaurantes, tá crescendo bem e tem potencial para crescer mais. Quanto à segunda pergunta, da reforma trabalhista, eu quero deixar claro para você aquilo que eu sempre deixei. Eu sou contra qualquer tipo de retirada de direitos. Quando se coloca essa palavra "reforma", entre aspas, muitos colocam embutido nessa palavra, retirar direitos. Como você pode imaginar, por exemplo, dividir o décimo terceiro. Acabar com as férias remuneradas, acabar com o fundo de garantia, que é o que o trabalhador tem na hora que ele é demitido, para poder tirar, ou na hora que ele se aposenta, para ter um dinheirinho para comprar sua casa. Eu sou contra. Eu sou claro, eu não escondo o que penso. Eu acho que o grande desafio das empresas brasileiras é melhorar a produtividade. É ter capacidade de produzir mais e melhor, não tirar direitos de trabalhador.

RÁDIO DIFUSORA DE MACEIÓ / (MACEIÓ-AL) /CARLOS MADEIRO: A situação de Alagoas me parece ser muito pior que a de Sergipe. Eu estou aqui com alguns dados, por exemplo, de 2007, até hoje, a gente desconta, porque Alagoas vive em função basicamente da cana-de-açúcar e o desenho do emprego em Alagoas, ele passa muito pela safra das usinas. Só que Alagoas em outros pontos, também, ele não consegue alavancar empregos, por exemplo, 2007 nós registramos menos 505 postos, em 2008 criamos só três mil no saldo geral, em 2009 7,8 mil, e agora estamos aí, num índice de abril, por exemplo, de menos 6 mil. Queria saber se Alagoas nessa situação, por ser ainda o estado que tem a maior participação na monocultura, como no caso da cana-de-açúcar, participação das usinas, o que se pode ser feito na questão do emprego. E essa situação também ela se parece um pouco, claro e muito menor a proporção em Pernambuco, que também tem uma diferença forte, só que Pernambuco conseguiu industrializar. Como Alagoas poderia sair dessa situação, já que a gente sabe que além desses dados de emprego, nós temos os piores índices sociais aqui no nosso estado?

MINISTRO: São características que em cada estado tem sua realidade. Por exemplo, como você já falou, a indústria sucroalcooleira é muito forte em Alagoas e só perde para sucroalcooleira de Pernambuco. E, junto com a indústria sucroalcooleira tem a indústria de produtos alimentícios, porque da cana se aproveita tudo. Até do bagaço se faz energia. Então, por exemplo, se tem janeiro, fevereiro, março e abril, de queda na contratação nessa área, por causa da entressafra, efeito sazonal do período, daqui a pouquinho volta a contratar. Tem mês aí em Alagoas que contrata 20, 25 mil. Chegou a contratar 28 mil em um mês só, por causa desse setor. Agora tem característica diferentes, como você já falou de Pernambuco. Pernambuco conseguiu, por sua vocação, pela região, ter a indústria de produção naval muito forte. Ela exporta inclusive, fabrica, tem uma indústria naval muito forte lá, o que garantiu a Pernambuco esse crescimento maior da economia. Penso eu que Alagoas, como Sergipe, tem características muito fortes para a área turismo, para a área de serviços, para a área de lazer. Tem muitos atrativos, praias lindíssimas. Eu conheço bem Alagoas. Minha mãe é de Palmeiras dos Índios, minha tia ali do lado, de Chão Preto. Então, eu sei o potencial dessa região. Para mim, na minha modesta opinião, o potencial maior tanto de Alagoas, como de Sergipe, é o potencial de turismo, de serviço e de construção civil. É focar essas áreas e fazer crescer.

RÁDIO DIFUSORA DE MACEIÓ / (MACEIÓ-AL) /CARLOS MADEIRO: É importante essa questão da sazonalidade. Alagoas em outubro tem 20 mil e agora perde esses empregos. Só que no saldo, realmente, a gente tem uma situação complicada. E quando eu falo essa questão, Alagoas lidera hoje o setor de construção civil. Eu queria saber, por exemplo, a questão que se cobra muito é qualificação. A questão de chegar junto às empresas, chegar junto aos trabalhadores, as pessoas que estão desempregadas e fazer com que essas pessoas se qualifiquem a concorrer a vagas mais importantes no mercado de trabalho. Como é que o ministério faz para trabalhar, não só em Alagoas. Mas, isso deve ser um drama de todo Norte e Nordeste, que sofre muito na questão da qualificação desses trabalhadores.

MINISTRO: É verdade, nós temos feito muitos. Aliás, mais de 60%, 65% dos investimentos do Ministério do Trabalho na área de qualificação, é para o Nordeste brasileiro. Porque é a área que mais necessita. Alagoas nós temos convênios com várias prefeituras, com a capital Maceió, com o governo do estado. Nós temos aportado recursos que ainda estão aquém dessa necessidade, mas, como nunca foram aplicados anteriormente. Então, estamos investindo, precisamos investir mais para chegar a esse caminho e qualificar o profissional para que ele tenha o tão sonhado emprego, que é o que dá a sua carta de alforria.

RÁDIO BAND NEWS FM / (BRASÍLIA/DF) / MICHELE MATOS: Ministro, ontem tivemos mais um registro recorde do Caged. O senhor aumentou, também ontem, a projeção de criação de empregos para este ano. Estava prevista para dois milhões de postos e agora está para dois milhões e meio de postos. No primeiro semestre a gente teve uma ajuda, até mesmo aos empresários: benefícios, reduções de impostos oferecidas pelo governo. Reduções que agora já não existem mais. Estamos em ano de eleições. O que vai ter no segundo semestre para que alavanque, ainda, a produção de empregos no país?

MINISTRO: Primeiro lugar, o Brasil em 2009 estava em um ritmo de crescimento muito forte, até a chegada da crise internacional. Então, houve algumas precipitações de demissões, e outras demissões necessárias, porque o mercado internacional não fazia mais encomendas. Então, nós temos duas demandas acontecendo em 2010. Primeiro a demanda reprimida de 2009. Ou seja, aquelas demissões que ocorreram estão sendo recontratadas. Aquelas demandas internacionais, compras que não aconteceram em 2009, começaram acontecer fortemente do final de 2009 para 2010. Então está havendo recontratação, está havendo reposição de trabalhador para que se consiga repor estoque. Isso, ao lado disso, paralelo a isso, o crescimento natural do ano. Então, eu continuo muito otimista. Os pessimistas ficam com uma raiva de mim. Mas vão continuar, porque o Brasil está marcado para crescer. Isso não depende só das isenções. As isenções aconteceram pela crise que aconteceu. Essa crise obrigou o governo rapidamente a agir, a diminuir taxa de juros, a fazer isenções para setores estratégicos que tinham a demanda internacional reprimida porque não estavam comprando. Por exemplo, o setor de carro, diminuiu 30% a venda internacional. Então nós precisávamos investir na venda interna. E aconteceu, saímos da crise e geramos um milhões de empregos em 2009. Em 2010 estamos, como falam na Aeronáutica, céu de brigadeiro. É saber pilotar esse avião. Está tudo caminhando bem, o Brasil está com a inflação sob controle. Pode não ser o 4,5% projetados, 5% ou até 5,5%. Mas isso é nada como custo para gerar emprego e renda para o trabalhador brasileiro. O caminho é esse, é gerar emprego, é investir, é infraestrutura, é o governo trabalhar para que isso dê certo, e o empresário acreditar no Brasil.

APRESENTADORA: Ministro, a relatora da ONU sobre trabalho escravo, chegou ontem ao Brasil e vai ficar em uma missão aqui, até o dia 28. Como andam as medidas de combate ao trabalho escravo? Como tem sido o foco do ministério aos estados ou setores? O problema aqui é mais crítico? Onde é que o Brasil tem mais problemas?

MINISTRO: Talvez seja o setor em que o Brasil tem mais avançado. Eu participo e vou agora no Congresso internacional da Organização Internacional do Trabalho (OIT). E, há quatro, cinco, seis anos atrás o Brasil participava daquelas listas de países condenados por não estar agindo contra o trabalho análogo de escravo. Hoje o Brasil é um país referência. Tanto é que estão vindo saber como a gente está fazendo. E o que a gente está fazendo? Simplesmente campanhas fortes. Nós temos o grupo móvel do Ministério do Trabalho, com auditores fiscais que, junto com a Polícia Federal, estão agindo em todo o território nacional. Denunciou nós vamos lá. E isso está inibindo essa ação. Então, nós estamos agindo principalmente nesses grotões, no interior do Brasil, para acabar de vez com o trabalho análogo de escravos. Não é fácil, não é simples, não acontece de um dia para o outro, mas o Brasil já é referência nesse combate.

APRESENTADORA: Ministro Carlos Lupi, mais uma vez muito obrigada pela sua participação no Bom Dia, Ministro.

MINISTRO: Eu que agradeço muito obrigado e é só convidar que eu estou aqui.

APRESENTADORA:Está certo. E a todos que participaram dessa rede o meu muito obrigada.

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