Arquivos: 19/05/2011 - Transcrição
APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Olá, amigos em todo o Brasil, eu sou Kátia Sartório e começa agora mais uma edição do programa Bom Dia, Ministro. O programa tem a coordenação e a produção da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, em parceria com a EBC Serviços. Hoje, aqui, nos estúdios da EBC Serviços, o Ministro da Educação, Fernando Haddad. Bom dia, Ministro, seja bem-vindo.
MINISTRO FERNANDO HADDAD: Bom dia, Kátia. É uma satisfação.
APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: É toda nossa, Ministro. Na pauta do programa de hoje, o PRONATEC, o Plano Nacional do Livro Didático, e o Enem. O Ministro da Educação já está aqui, no estúdio, pronto para conversar com âncoras de emissoras de rádio, neste programa que é multimídia; estamos ao vivo no rádio e na televisão. Ministro Fernando Haddad, já está na linha a Rádio Estadão, de São Paulo. Quem faz a pergunta é Lucas Lagatto. Bom dia, Lucas.
REPÓRTER LUCAS LAGATTO (Rádio Estadão ESPN / São Paulo – SP): Bom dia, Kátia. Bom dia, Ministro.
MINISTRO FERNANDO HADDAD: Bom dia, Lucas.
REPÓRTER LUCAS LAGATTO (Rádio Estadão ESPN / São Paulo – SP): A polêmica sobre a questão da homofobia tem tomado conta dos noticiários nas últimas semanas, e hoje há a informação de que o senhor, o Ministro Fernando Haddad, pode alterar o conteúdo do chamado kit anti-homofobia, que está programado para ser entregue a professores do Ensino Médio de todo o país. Ministro, quais seriam essas modificações? Seriam nos vídeos, nos textos, qual seria a modificação?
MINISTRO FERNANDO HADDAD: Não, não há nada programado nesse sentido, Lucas. O que houve ontem foi o seguinte: anteontem foi feita a entrega do material encomendado. É um material que visa combater a violência contra homossexuais nas escolas públicas do país. Você sabe que a violência contra esse público é muito grande, a quantidade de assassinatos têm, inclusive, aumentado, e a educação é um direito de todos. É um direito de todos os brasileiros, independentemente de cor, crença religiosa, orientação sexual. Todo jovem, toda criança, todo adulto tem direito a se educar. E os estabelecimentos públicos têm que estar preparados para receber essas pessoas, orientá-las, ajudá-las, apoiá-las a se desenvolver afetivamente, cognitivamente, intelectualmente. Esse material, depois de recebido, ele é encaminhado a uma Comissão de Publicação do Ministério da Educação. Então, a Comissão de Publicação, na presença dos secretários estaduais e municipais, faz um balanço do material e, depois, estabelece a estratégia de disseminação. A primeira etapa desse projeto, A Escola Sem Homofobia, é uma etapa que visa formação de professores. Então o primeiro módulo do projeto é um programa de formação de professores, que auxilia os professores a lidar com essa temática quando ela surge na escola e como encaminhá-la da maneira mais adequada. O que nos foi pedido, por alguns parlamentares, é que eles pudessem expressar a sua opinião junto a essa Comissão de Publicação, o que é absolutamente permitido no Ministério da Educação. Todo cidadão pode encaminhar à Comissão de Publicação do MEC a sua opinião. Isso não significa que a Comissão de Publicação do MEC acatará ou deixará de acatar uma opinião. Ela ouve as pessoas, incluindo, necessariamente, os educadores, e toma uma posição sobre a publicação. Essa publicação de formação de professores já recebeu parecer favorável da Unesco, nós recebemos também uma carta de apoio da Sociedade Brasileira de Psicologia, dentre outros organismos importantes e preocupados com a questão da violência na escola, sobretudo aquela violência que tem por base o preconceito, qualquer forma de preconceito. Então, nós continuaremos na nossa política de combate ao preconceito, combate a qualquer forma de preconceito - é bom frisar -, para que as pessoas tenham um ambiente acolhedor na escola pública e que lhes permita aprender, se desenvolver como cidadãos, sem nenhuma distinção de nenhuma natureza.
APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Lucas Lagatto, você tem outra pergunta?
REPÓRTER LUCAS LAGATTO (Rádio Estadão ESPN / São Paulo – SP): Eu tenho, sim, Kátia. Depois do caso do vazamento de informações no Enem do ano passado, fato que levou à transferência de datas das provas, colocou em cheque a credibilidade do exame, quais serão as medidas de segurança que serão adotadas para evitar novos problemas, tanto para o Ministério da Educação, quanto para os estudantes que já se preparam para fazer a prova do Enem, Ministro?
MINISTRO FERNANDO HADDAD: Olha, Lucas, o vazamento, na verdade, não aconteceu no ano passado. Aconteceu no ano retrasado, não é? Nós contratamos a maior gráfica do país para imprimir as provas, não era uma gráfica qualquer, era uma gráfica... O maior parque gráfico do país foi contratado. Essa gráfica atestou a sua capacidade de impressão com segurança; infelizmente, houve o episódio do furto da prova, e a prova, evidentemente, não podia deixar de ser adiada. Quando há um evento dessa natureza, a obrigação do Ministério da Educação é garantir a lisura do exame. Então, tendo havido aquele vazamento, aquele furto, e as pessoas estão sendo processadas, foram indiciadas e podem pegar até 12 anos de cadeia pelo que fizeram, depois daquele episódio, nós contratamos uma outra gráfica, que não apresentou o problema da primeira, ou seja, não houve problema de vazamento o ano passado. Houve, sim, um problema de falha de impressão de um lote de provas, o que nos obrigou a reaplicar quatro mil provas em quatro milhões, um problema que afetou 0,1% dos candidatos, mas a gráfica do ano passado arcou com todos os custos pela sua falha. E esse ano, nós estamos, também, tomando, junto com a Polícia Federal, todos os procedimentos de segurança necessários para a realização de uma boa prova. Não é uma tarefa trivial, nós estamos falando de um exame aplicado em mais de 1.500 municípios, em mais de oito mil locais de prova. Então, a logística de segurança sempre é muito complexa, mas eu penso que os parceiros do setor privado estão se preparando cada vez mais para atender as exigências do INEP, ou seja, nós estamos forçando, os parceiros privados, tanto os aplicadores, quanto a gráfica que imprime a prova, a tomar cada vez mais providências de segurança no sentido de evitar qualquer transtorno para o estudante. Agora, é um aprendizado, não é? O Brasil tem o segundo maior exame do mundo. O primeiro é o da China, o segundo é o brasileiro. Na China, são mais de 11 milhões de candidatos; no Brasil, são mais de quatro milhões. Então é o segundo maior exame do mundo. Não é trivial fazê-lo, mas eu penso que os parceiros estão cada vez mais com consciência das suas responsabilidades, para garantir um dia tranquilo para os estudantes.
APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Esse é o programa Bom Dia, Ministro. Eu sou Kátia Sartório e estamos, hoje, com o Ministro da Educação, Fernando Haddad. Ele conversa com âncoras de emissoras de rádio de todo o país. Lembrando que o áudio dessa entrevista estará disponibilizado ainda hoje, pela manhã, na internet, na página de Secretaria de Imprensa da Presidência da República. Anote o endereço: www.imprensa.planalto.gov.br. Ministro, agora, nós vamos conversar com a Rádio Amazonas FM, lá de Manaus, onde está Patrick Motta. Bom dia, Patrick.
REPÓRTER PATRICK MOTTA (Rádio Amazonas FM / Manaus – AM): Bom dia, Kátia Sartório, senhoras e senhores ouvintes e bom dia, Ministro.
MINISTRO FERNANDO HADDAD: Oi, Patrick.
REPÓRTER PATRICK MOTTA (Rádio Amazonas FM / Manaus – AM): Ministro, o Enem tornou-se o principal meio de acesso ao Ensino Superior no país. Atualmente, 83 instituições participam do exame que já registrou mais de quatro milhões de candidatos, neste ano, para um total de 83 mil vagas. O governo, Ministro, pretende aumentar a quantidade de vagas para, por exemplo, 10% do total de inscritos ou isso ainda está longe de ocorrer?
MINISTRO FERNANDO HADDAD: Patrick, na verdade, nós já estamos quase atingindo essa marca, não pelo Enem, mas pela rede federal. Quando eu assumi o Ministério da Educação, nós tínhamos pouco mais de 100 mil vagas nas universidades federais e nos institutos federais. Hoje, nós passamos de 200 mil vagas. Ou seja, só a rede federal, tanto de universidades, quanto de institutos federais que também oferecem cursos superiores, nós já superamos 200 mil vagas de acesso. Se nós considerarmos as redes estaduais e se nós considerarmos o ProUni, nós vamos verificar, Patrick, que nós praticamente quadruplicamos o acesso gratuito à educação superior, no Brasil, nos últimos oito anos. Ou seja, não foi simples executar o que nós executamos. Hoje, nós estamos em mais de 200 municípios do país com universidades, em mais de 300 municípios do país com institutos. O ProUni está em 700 municípios, porque são instituições particulares que oferecem bolsas de estudo, então a democratização do acesso à educação superior é uma realidade no Brasil. E quando eu falo em democratização, eu não estou falando simplesmente no aumento de matrículas, que saiu de três milhões e meio para seis milhões de matrículas na educação superior. Eu estou falando de que todas as classes sociais: A, B, C, D e E, todas as classes sociais hoje contam com jovens nas universidades. Antigamente, a universidade era privilégio da classe A e da classe B. Hoje, você tem classe C e classe D na universidade, fazendo bons cursos, você tem jovens pobres fazendo Medicina no ProUni, você tem jovens pobres fazendo Direito, você tem jovens pobres se formando professores em boas instituições formadoras, ou seja, você mudou a cara da universidade. Você tem negros, você tem pessoas do interior tendo acesso à educação superior sem precisar migrar para os grandes centros. Enfim, todos os estudos mostram que você teve um forte movimento de democratização, porque a universidade chegou a todas as camadas sociais e praticamente chegou a todas as regiões do país. Ainda estamos em processo de expansão, temos metas a cumprir até 2014, a presidenta Dilma já anunciou a entrega de mais 200 unidades, até 2014, dos institutos federais, 80 serão entregues até o começo do ano que vem e mais 120 até 2014. Então, o nosso empenho é tornar o acesso à educação superior de qualidade uma realidade para todo jovem brasileiro que tenha se esforçado, que tenha feito uma boa prova no Enem, enfim, que tenha se dedicado aos estudos; nós não queremos perder nenhum talento. O talento, graças a Deus, não escolhe região e não escolhe classe social. O talento está na classe pobre, está na classe rica, está no Nordeste, está no Sul, e nós temos que garantir que todo talento tenha a oportunidade de se desenvolver. E é isso que nós estamos garantindo.
APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Patrick Motta, você tem outra pergunta?
REPÓRTER PATRICK MOTTA (Rádio Amazonas FM / Manaus – AM): Tenho, sim, Kátia Sartório. Ministro, a polêmica envolvendo a distribuição de um livro didático, para jovens e adultos, pelo MEC, reacendeu a discussão sobre como registrar as diferenças entre o discurso oral e escrito sem resvalar em preconceito, mas ensinando a norma culta da língua. Então eu pergunto, Ministro: ‘nós pode’ aprender dessa forma, apesar de ‘a gente sabermos’ que está errado, ou dessa forma como ‘os livro’ sugere, ‘nós vai’ aprender ‘mais melhor’, Ministro?
MINISTRO FERNANDO HADDAD: Patrick, se você perguntar para um jovem como ele manda mensagens no seu Twitter, no seu e-mail, no seu Facebook, no seu Orkut, ele vai apresentar para você a linguagem que ele está habituado naquele ambiente. E naquele ambiente, ele faz o uso da linguagem de maneira até lúdica. Ele inventa a língua, ele modifica a língua, ele cria sinais próprios. E ali também tem norma. Para você entender a linguagem da internet, você tem que se familiarizar com determinados padrões que, muitas vezes, são desconhecidos dos adultos. Nem todo adulto consegue ler a linguagem na internet, não é capaz sequer de compreender as mensagens que seus filhos enviam nas redes sociais. Aquele ambiente, ele é adequado para aquela linguagem. Se você migrar daquele ambiente para um ambiente formal, uma entrevista de emprego, uma prova de escola, um trabalho acadêmico, aquela linguagem não vai ser apropriada. O que a professora sugere no livro dela é que a linguagem coloquial, ela é usada, inclusive, de maneira a não respeitar as regras formais da língua. Contudo, aquele livro faz um registro, o que ele procura fazer? Ele procura ensinar o jovem e adulto a traduzir a linguagem coloquial para a norma culta. Se você tiver a paciência de ler o capítulo que gerou tanta polêmica, e se fixar na lista de exercícios, eu fiz esse experimento; a lista de exercícios daquele capítulo que gerou tanta polêmica diz o quê? Parte da maneira como esses jovens e adultos falam e induz o jovem e adulto a traduzir a forma como ele fala, cotidianamente, para a norma culta. Então, é um equívoco o que estão dizendo a respeito do livro, que ele ensina a falar errado. Não, ele parte da maneira como as pessoas falam - e muitos desses jovens e adultos que voltam para a escola falam com erros de concordância - e induz esse jovem e adulto a abraçar a norma culta, e diz que a norma culta tem que ser utilizada em determinadas ocasiões, sob pena da pessoa sofrer preconceito lingüístico, mas que, no cotidiano, no dia-a-dia, você fala de uma determinada maneira. Mas, em determinadas situações de fala, você tem que dominar a norma culta. Então, a acusação que se faz de que o livro ensina o erro, na minha opinião, é um equívoco. O livro parte de uma situação de fala e as pessoas realmente falam sem atender as normas cultas, mas induz o jovem a se apropriar da norma culta, porque, em determinadas situações de fala, não há outra linguagem a utilizar. Você tem que usar a língua culta. Então, me parece, com toda a sinceridade... Você leu o livro?
APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Patrick?
MINISTRO FERNANDO HADDAD: Alô?
APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Patrick? Patrick, nós não estamos te ouvindo.
MINISTRO FERNANDO HADDAD: Alô?
APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Patrick, nós não estamos conseguindo te escutar. Patrick Motta. Alô, Patrick Motta? Patrick? O seu retorno está muito baixo.
REPÓRTER PATRICK MOTTA (Rádio Amazonas FM / Manaus – AM): Agora, sim.
APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Agora, sim, obrigada.
REPÓRTER PATRICK MOTTA (Rádio Amazonas FM / Manaus – AM): Eu queria dizer ao Ministro o seguinte, que a gente leu, sim, principalmente essa parte do livro...
MINISTRO FERNANDO HADDAD: Não, não estou me referindo a essa parte. Eu estou me referindo ao livro, porque o que eu notei, Patrick, é que... Alô?
APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Patrick?
MINISTRO FERNANDO HADDAD: O que eu notei, Patrick, é que os críticos do livro não leram o livro, infelizmente. Fizeram um juízo de valor com base numa frase pinçada e não foram à lista de exercícios, não verificaram a intenção do autor em propiciar a jovens e adultos excluídos da escola a oportunidade de se reapropriar da língua culta, mas sem estimular preconceitos, sem ironizar a maneira como as pessoas se situam em relação à sua língua materna. Então, o que eu notei foi realmente um desejo, um desejo exagerado de estigmatizar uma professora que tem 20 anos de dedicação à educação de jovens e adultos. Não creio que as pessoas tenham sido muito justas com a professora. Eu acho que foram bastante sarcásticas em relação a um trabalho sério, que pode ser criticado, mas que não deve ser feito dessa maneira como o foi. Deveriam ter um pouco mais de cautela em lidar com uma professora que faz parte de uma ONG, que trabalha há muitos anos, há 20 anos, com educação de jovens e adultos, tem um trabalho sério de alfabetização de adultos e, enfim, eu, pessoalmente, acho que todos os critérios estabelecidos para a seleção e avaliação do livro didático foram respeitados. Então, se a universidade, ela entendeu que esse livro poderia compor o catalogo e se 4.000 mil escolas entenderam que esse livro, ele é apropriado para a educação de jovens e adultos, eu penso que não é esse público leigo, que se acha muito especialista no assunto, que deveria ter feito o que fez com o trabalho da Ação Educativa, que você pode verificar. Ação Educativa é uma das instituições mais sérias do país, no que diz respeito à educação de jovens e adultos.
APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Ministro, isso me lembra o Maurício de Souza, que tem um personagem que mora numa fazenda, no interior, na zona rural, e que fala com esse linguajar popular, de acordo com a região onde ele está. E eu vejo a minha filha, por exemplo, que está sendo alfabetizada, ela consegue distinguir. Ela fala: “Mãe, eles conversam desse jeito porque moram lá?”. Eu disse: “Sim, mas você sabe qual é a forma correta, não é, minha filha, que a gente fala?”.
MINISTRO FERNANDO HADDAD: Exatamente.
APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: É a linguagem popular mesmo.
MINISTRO FERNANDO HADDAD: O importante da escola é que a escola tem que ensinar a norma culta, não é? Agora, a abordagem metodológica e pedagógica para ensinar a norma culta pode partir da linguagem popular. Quer dizer, não há nenhum obstáculo a que você, partindo da situação de fala da pessoa, no seu cotidiano, ensine a ela a norma culta a partir da sua realidade de vida. Agora, o que não pode é você não dar ao aluno as condições de distinguir a norma culta da norma popular. Então, o aluno tem que ter condição de distinguir a norma culta da popular, e isso o livro induz. Quer dizer, ao final do capítulo, o aluno é convidado a traduzir a norma popular e a norma culta, justamente para que ele consiga fazer a distinção. Se ele conseguir fazer a distinção, ele vai usar as duas, dependendo da situação de fala. Na internet, nos amigos, numa mesa de bar, ele vai usar a linguagem que nós utilizamos. Na hora que ele for escrever uma carta pedindo um emprego, na hora que ele for escrever uma prova, ele vai usar a norma culta, mas sabendo a distinção entre uma coisa e outra, e não negando a existência da norma popular.
APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Até porque existe, de fato, e ele convive com ela.
MINISTRO FERNANDO HADDAD: Exatamente.
APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Está certo, Ministro. Ministro, vamos, agora, conversar com a Rádio Gazeta 1260 AM, de Maceió, em Alagoas, onde está Rogério Costa. Bom dia, Rogério.
REPÓRTER ROGÉRIO COSTA (Rádio Gazeta 1260 AM / Maceió – AL): Bom dia. Bom dia, Kátia. A todos da rede, a nossa saudação. Bom dia, Ministro Haddad, a nossa saudação, também...
MINISTRO FERNANDO HADDAD: Bom dia, Rogério.
REPÓRTER ROGÉRIO COSTA (Rádio Gazeta 1260 AM / Maceió – AL): Nossa saudação, aqui, de Alagoas, Ministro.
APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Como?
MINISTRO FERNANDO HADDAD: Oi?
REPÓRTER ROGÉRIO COSTA (Rádio Gazeta 1260 AM / Maceió – AL): Ministro, o Estado de Alagoas, com os seus índices já conhecidos pelo Ministério, ele tem recebido um tratamento especial dos senhores. A minha pergunta é bem específica, com relação, aqui, ao nosso estado. Efetivamente, mesmo com os graves problemas que possuímos na educação, o nosso estado tem atingido as expectativas desse investimento que tem sido feito pelo Ministério da Educação? Que avaliação o senhor faz da educação em Alagoas? Estamos, mesmo que lentamente, avançando? Só para que o senhor esteja informado, e o Brasil inteiro: hoje, os professores da rede estadual de ensino, coincidentemente, iniciam uma greve de oito dias, e que pode se tornar por tempo indeterminado. O motivo é a falta de acordo salarial com o governo, que ofereceu, inicialmente, 5%, em duas parcelas, depois elevou o percentual para 7%, também em duas parcelas, propostas não aceitas pela categoria. Como é que o senhor vê a situação da educação em Alagoas, depois de todo o investimento feito pelo Ministério da Educação?
MINISTRO FERNANDO HADDAD: Olha, Rogério, eu penso que nenhum governador do país pode negar o aumento do investimento federal na educação básica, que não é atribuição do governo federal, pela Constituição. Nós aumentamos em R$ 40 bilhões os investimentos do Ministério da Educação em educação básica, sobretudo, para os estados do Nordeste, que tinham um investimento por aluno muito aquém da média nacional. Então, o caso de Alagoas é um caso que se encaixa nesse padrão: um investido baixíssimo, ao longo do século XX inteiro, que nós procuramos, agora, corrigir. O governo Lula, com a aprovação do Fundeb, garantiu que o investimento por aluno de Alagoas não pode ser inferior à média nacional. E, hoje, nós estamos, no Fundeb, com um valor de investimento, por aluno, equivalente ao dos alunos do Paraná. Ou seja, hoje, no Fundeb de Alagoas, nós temos um investimento, por aluno, que temos... Agora, é óbvio que você não vai resolver o problema num ano. Você começou a investir o mesmo esse ano, você vai ter que ter um tempo de amadurecimento. Agora, o Brasil é o único país do mundo que tem metas de qualidade. A maioria dos países tem metas de quantidade, matricular criança na escola. Mas, metas de qualidade, eu só conheço o Brasil. E todos os estados da Federação estão cumprindo as suas metas de qualidade, pactuadas em 2007. Enfim, nós já estamos no quinto ano em que os estados estão cumprindo as suas metas, e isso vale para Alagoas. Alagoas está cumprindo as suas metas de qualidade. Mas, o que aflige é que Alagoas sai de um patamar muito baixo, mas não há como exigir, do dia para a noite, que Alagoas consiga superar um atraso de 100 anos em 5. Ela vai precisar de mais tempo. Então, nós temos que acompanhar as metas do Ideb. O Ideb é um Índice de Desenvolvimento da Educação Básica. Todo cidadão, hoje, pode consultar, no portal do Ministério da Educação, o índice da sua escola, o índice do seu estado, o índice da sua rede. E mais do que consultar o indicador de qualidade, ele pode verificar se a meta está sendo cumprida ou não. Então, há escolas que estão cumprindo metas, há escolas... 80%, praticamente, das escolas estão cumprindo metas, por isso que o Brasil está avançando em qualidade. Mas, ainda, nós temos um longo caminho até 2021, que é o último ano de cumprimento dessas metas; ano em que, se tudo der certo, nós vamos estar numa situação de qualidade equiparável ao mundo desenvolvido. O país vai ser um país de alto desenvolvimento educacional. Hoje, o Brasil é um país de médio desenvolvimento educacional. Então, nós temos tudo para chegar lá, em 2021, com as metas cumpridas. Então, o convite que eu faço a você, Rogério, é disseminar a cultura da avaliação, é convidar as famílias alagoanas a participar da vida escolar, a acompanhar os indicadores de qualidade, a se perguntar o que podem fazer pela escola pública, porque as famílias têm grande responsabilidade no fortalecimento da escola pública, apoiando as crianças, garantindo a frequência, garantindo que o dever de casa vai ser cobrado, garantindo os exercícios que se faz para que a criança se promova, verificando se tem alguma criança de sete anos analfabeta. Com sete anos a criança já tem que estar dominando a língua escrita. Então, se há analfabetismo nessa idade, o que fazer, com aulas de recuperação, com extensão da jornada escolar. A criança não pode completar oito anos, por exemplo, sem saber ler e escrever. Em Alagoas, nós sabemos que ainda há um contingente de crianças que chegam aos oito anos sem o domínio da língua escrita. Então, a mobilização das famílias e das escolas para impedir que isso ocorra e que todo mundo complete oito anos alfabetizado, isso depende muito de cada escola, de cada diretor, de cada secretário municipal, do secretário estadual, mas também das famílias. As famílias precisam se apropriar da escola e se colocar à disposição da escola, para que a escola e a família, juntas, possam promover a educação das crianças. Então, Alagoas está cumprindo metas, mas eu insisto: saindo de um patamar muito baixo, e isso exige mais compromisso social. E da parte do Ministério da Educação, você pode estar certo – o governador Teotônio Vilela Filho sabe –, o MEC, em relação ao Estado de Alagoas, está atento, está à disposição, inclusive tem uma equipe permanente, na Secretaria Estadual de Educação, para dar todo o apoio técnico e financeiro que Alagoas precisar para superar essa situação histórica, mas que, hoje, tem remédio. Quer dizer, nós temos condição de superar as dificuldades, com a parceria entre o governo federal e o estadual.
APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Este é o programa Bom dia, Ministro. Eu sou Kátia Sartório. Estamos, hoje, com o Ministro da Educação, Fernando Haddad, que conversa com âncoras de emissoras de rádio de todo o país. Lembrando que o nosso sinal, o sinal dessa entrevista, no satélite, está no mesmo canal da Voz do Brasil. Ministro, vamos, agora, à Bahia, Salvador, conversar com a Rádio Excelsior. Edson Santarini, bom dia.
REPÓRTER EDSON SANTARINI (Rádio Excelsior / Salvador – BA): Alô, bom dia a todos. Bom dia, Ministro Haddad, é um prazer falar com todos vocês.
MINISTRO FERNANDO HADDAD: Bom dia, Edson.
REPÓRTER EDSON SANTARINI (Rádio Excelsior / Salvador – BA): Ministro, essa nova fase do Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e ao Emprego, o Pronatec, que visa ampliar a oferta de vagas na educação brasileira. Qual seria esse objetivo, qual é o foco, porque aqui, no Nordeste, principalmente, há uma carência muito grande de mão de obra qualificada, e estamos às portas de dois grandes eventos nacionais. Essa nova fase pode contemplar essas futuras mãos de obra para os trabalhos, por exemplo, que serão feitos através do PAC, Ministro?
MINISTRO FERNANDO HADDAD: Edson, você sabe que o Nordeste está vivendo um momento de crescimento exponencial. Há estados do Nordeste crescendo quase 10% ao ano, ou seja, o Nordeste nunca viu tanto investimento e é assim que nós vamos corrigir os desequilíbrios regionais. Você sabe que o fluxo migratório, hoje, é negativo. Aquele contingente de pessoas que saíam do Nordeste, em busca de oportunidades de trabalho, para o Sudeste, esse fluxo terminou. Hoje, você tem mais oportunidades no Nordeste do que em qualquer outra região do país, e é assim que a Federação se equilibra, do ponto de vista socioeconômico. E isso é muito bom. Então, eu vejo investimentos em refinaria, investimentos em siderurgia, investimentos em agroecologia, irrigação... Enfim, está mudando a cara do Nordeste para melhor, felizmente. Chegou tarde, mas chegou o desenvolvimento para a região. Muito bem, nós temos que preparar a juventude para essa nova realidade. E o Pronatec visa a preparar a juventude para essa nova realidade. O que é que o Pronatec vai fazer? Nós temos, hoje, 7,5 milhões de jovens no Ensino Médio. Muitos desses jovens não irão para a universidade. No mundo inteiro, não são 100% dos jovens que vão para a universidade; 50%, 60% vão para a universidade, e uma outra parcela quer se profissionalizar durante o Ensino Médio. Só que essa oportunidade de profissionalização não é oferecida, o que é um erro. O Pronatec visa a corrigir este equívoco. Nós queremos oferecer oportunidades para o jovem no Ensino Médio, num segundo turno. No primeiro turno, ele vai fazer a escola. Vai aprender física, biologia, sociologia, filosofia, matemática, o currículo tradicional. Mas o segundo turno não precisa ser tradicional. O segundo turno, ele pode interagir com o mundo do trabalho, com o mundo da cultura, com o mundo do esporte. Então, nós temos que alargar os horizontes da juventude durante o Ensino Médio, oferecendo um segundo turno, que dialogue com a sua realidade de vida. Então, nós vamos, por exemplo... A título de exemplo, nós estamos mapeando toda a capacidade instalada das escolas técnicas baianas. E o jovem, no Ensino Médio, vai receber um vale, um vale formação, em que ele, depois da escola, vai poder ir para uma escola do Senai, vai poder ir para uma escola do Senac, vai poder ir para uma escola federal de educação profissional e, a partir dessa oportunidade, vai alargar o seu horizonte educacional e profissional. Isso vai garantir maior aderência do jovem à escola, ele vai ver mais sentido na sua permanência até a conclusão da educação básica. Vai ajudar a escola pública, porque o aluno, no segundo turno, ao se matricular numa escola do Senai e do Senac, por exemplo, ele vai fortalecer o currículo tradicional, porque a educação profissional acaba fortalecendo o currículo tradicional. Então, é uma engenharia, um realinhamento do Ensino Médio que vai tornar o Ensino Médio muito mais rico. Então, você pode esperar, a partir da aprovação da lei, já foi para o Congresso em caráter de urgência, nós vamos ter recursos para apoiar o jovem no Ensino Médio. O jovem secundarista vai ver, em poucos anos, a sua realidade se alterar substancialmente.
APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Ministro, agora, vamos à Fortaleza, no Ceará, conversar com a Rádio O Povo CBN, de Fortaleza. Moacir Luís, bom dia.
REPÓRTER MOACIR LUÍS (Rádio O Povo CBN /Fortaleza – CE): Bom dia, Kátia. Bom dia, Ministro Fernando Haddad. Uma parte da pergunta que eu iria fazer para o senhor, o senhor já respondeu agora, a respeito do foco do Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e ao Emprego, o Pronatec. Mas, complementando a pergunta do nosso colega, e esse processo de inscrições, as seleções dos alunos para participar do Pronatec e, também, quando vão acontecer essas inscrições?
MINISTRO FERNANDO HADDAD: Pois não. Moacir, o que é que nós estamos, nesse momento, fazendo enquanto a lei não é aprovada? Nós não vamos aguardar a aprovação da lei para tomar as providências cabíveis para botar o programa em pé. Nós estamos mapeando a oferta de cursos no país, a capacidade instalada. Então, nós estamos pegando todas as escolas técnicas do país e verificando a condição que elas têm, hoje, de absorver novos estudantes. Esse mapeamento vai estar feito até o meio do ano. Até julho, nós vamos ter mapeada a oferta. Aí, nós vamos ter condição de saber quantas vagas nós poderemos oferecer, já no segundo semestre e no primeiro semestre de 2012. Com base nisso, então, vai ter vaga no curso de elétrica, de mecânica, de informática, de enfermagem. Todas as áreas do conhecimento vão estar contempladas. Mapeada a oferta, nós vamos colocar como se fosse o ProUni, nós vamos ter uma... No ProUni, você tem lá todas as vagas oferecidas, o jovem é capaz. Só que, no caso do ProUni, eu tenho o Enem; no caso do Pronatec, eu não tenho o Enem. Então, o que eu vou ter que fazer? Eu vou ter que fazer uma parceria com o governo estadual, para que o governo estadual preencha as vagas do Pronatec. Então, vai ser um processo de seleção diferente do ProUni, até porque nós estamos falando de jovens de 15 a 17 anos, e no ProUni já é curso superior, o jovem tem a possibilidade até de mudar de cidade. No caso do Ensino Médio, não. Então, suponha que haja uma escola do Senai num determinado bairro de Fortaleza. As escolas do entorno, públicas, vão poder selecionar alunos para preencher essas vagas e permitir que o aluno de manhã faça o Ensino Médio, ou à noite, ou à tarde faça o Ensino Médio e, num segundo turno, ele possa frequentar um curso de uma escola profissional. Então, a ideia é, mapeada a oferta, fazer os convênios com as secretária estaduais para estabelecer as regras de preenchimento dessas vagas para alunos do Ensino Médio.
APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Este é o programa Bom dia, Ministro. Eu sou Kátia Sartório. Estamos, hoje, com o Ministro da Educação, Fernando Haddad, que conversa com emissoras de rádio de todo o país. Lembrando que a NBR, a TV do governo federal, transmite a gravação dessa entrevista ainda hoje, à tarde, e também no final de semana, em horários alternativos. Ministro, vamos, agora, à Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, conversar com a Rádio Gaúcha, de Porto Alegre. Leandro Staudt, bom dia.
REPÓRTER LEANDRO STAUDT (Rádio Gaúcha / Porto Alegre – RS): Bom dia. Bom dia, Ministro. Bom dia a todos.
MINISTRO FERNANDO HADDAD: Bom dia.
REPÓRTER LEANDRO STAUDT (Rádio Gaúcha / Porto Alegre – RS): A gente sabe da complexidade que é organizar e realizar uma prova como o Enem. Nos últimos dois anos, quando ele ganhou mais importância, por ser um critério utilizado por muitas universidades públicas no Brasil para ingresso de estudantes, nós tivemos problemas. Agora, o Ministério já divulgou, para o final de outubro, uma prova, e a tendência é que, no ano que vem, ocorram duas provas. Primeiro, como garantir a segurança e evitar novos problemas neste terceiro ano que o processo vem e deve ser melhorado, de ano a ano? E, segundo, por que realizar duas provas? Isso não torna ainda mais complicada a operação ou é ao contrário, Ministro?
MINISTRO FERNANDO HADDAD: A segunda pergunta, por favor?
REPÓRTER LEANDRO STAUDT (Rádio Gaúcha / Porto Alegre – RS): A questão de realizar duas provas num mesmo ano, isso não torna ainda mais complicada a operação, por parte do Ministério da Educação, ou é o contrário?
MINISTRO FERNANDO HADDAD: Olha, Leandro, no ano passado, nós não tivemos problemas de segurança. Eu acho que a segurança foi bem feita. Tivemos um problema de um lote de impressão que afetou 0,1% dos inscritos, e a gráfica responsável pela falha reaplicou as provas, custeando essa reaplicação, ou seja, sem nenhum custo para o Tesouro Nacional. Então, o problema que ocorreu no ano passado não foi da mesma natureza do crime que foi cometido em 2009. Agora, mais de uma prova, na minha opinião, melhora as condições para os estudantes. O grande problema do vestibular... Primeiro é que é um por instituição. O Brasil é o único país do mundo que ainda tem vestibular. Então, desde o tempo que eu era militante estudantil, uma das bandeiras do movimento estudantil era acabar com o vestibular, e eu acho que o Brasil está no caminho de acabar com o vestibular tradicional. O segundo problema é tornar o dia da prova em um dia-chave, que vai definir a tua vida. Quer dizer, você, em um final de semana, definir a tua vida, não me parece uma coisa muito apropriada do ponto de vista pedagógico. Então, se você oferecer mais de uma oportunidade para o aluno ao longo do ano... E nos Estados Unidos, que tem o Enem, que chama SAT, nos Estados Unidos, você oferece até três oportunidades por ano para o jovem fazer a sua prova. Nem sempre você está bem no dia da prova. Então, você limitar a avaliação a um final de semana, você apostar todas as suas fichas de uma vida de estudos em um final de semana, não me parece muito adequado do ponto de vista educacional. Então, nós estamos seguindo o modelo americano. O modelo americano... O sistema americano é o melhor sistema universitário do mundo. Então, nós temos que nos mirar naquilo que dá certo, para verificar como nós podemos criar, no Brasil, um sistema universitário robusto. O Brasil é o 13º produtor de conhecimento no mundo, nós podemos estar entre as dez nações que mais produz ciência no mundo. E, para isso, nós temos que ter um bom processo de seleção e de ingresso. E a maneira correta é não reduzir a vida escolar de 12 anos de escolaridade em um final de semana. Então, na minha opinião, se nós tivermos duas ou três edições, por ano, do Enem, vai ser melhor para o estudante.
APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Você está ouvindo e assistindo o programa Bom Dia, Ministro. Eu sou Kátia Sartório, o nosso convidado de hoje, o Ministro da Educação, Fernando Haddad. Lembrando que este programa é multimídia, estamos, ao vivo, no rádio e na televisão. Ministro, vamos, agora, aqui ao Distrito Federal, à Rádio Clube 890 AM e também à FM 105,5, conversar com o Welliton Lopes. Bom dia, Welliton.
REPÓRTER WELLITON LOPES (Rádio Clube 890 AM e FM 105,5 / Brasília – DF): Bom dia, Kátia. Bom dia, Ministro. A minha pergunta é sobre o Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e ao Emprego, o Pronatec, criado para combater o desemprego e formar mão de obra qualificada. A minha pergunta, Ministro, é sobre as ações voltadas para aquelas pessoas que têm pouco estudo e que já não são mais tão jovens assim, pessoas com 30, 40 anos de idade e que precisam se inserir no mercado de trabalho. O Pronatec prevê alguma ação para esse público especificamente?
MINISTRO FERNANDO HADDAD: Welliton, muito obrigado pela tua pergunta. A resposta é sim. Nós temos dois tipos de bolsas de estudo no Pronatec. Uma bolsa é para o aluno do Ensino Médio. O aluno do Ensino Médio vai ter a oportunidade, durante o Ensino Médio, de uma segunda matrícula em uma escola técnica. Isso vai alargar os horizontes dessa juventude que, muitas vezes, não têm o objetivo de ingressar na universidade. Eu dizia que, no mundo desenvolvido, 50, 60% dos jovens algemam uma vaga na universidade. Mas os demais, que não almejam uma vaga na universidade, querem oportunidades educacionais voltadas para uma profissão. E é isso que o Pronatec visa reparar, oferecer novas alternativas para o jovem do Ensino Médio. Contudo, o mesmo programa, o Pronatec, tem uma bolsa voltada para a qualificação do trabalhador. Então não é só o estudante que será beneficiado pelo Pronatec. O trabalhador brasileiro tem uma bolsa prevista que vai permitir a ele também frequentar uma escola técnica de qualidade e se aperfeiçoar do ponto de vista profissional, sobretudo aquele beneficiário do seguro-desemprego. A pessoa, às vezes, fica seis meses procurando um emprego, recebendo recursos do governo federal e, durante esse período, ele não tendo recursos para investir na sua própria formação, ele acaba procurando um emprego em um período e sem fazer nada em um período seguinte. O que nós queremos oferecer para o beneficiário do seguro-desemprego? Ele continua procurando emprego, mas, enquanto isso, ele se capacita, ele se qualifica. Isso vai encurtar o período em que ele fica desempregado. Hoje, a média de cinco, seis meses, você pode, em dois meses, oferecer um curso profissionalizante e essa pessoa se reinserir no mundo do trabalho muito mais rapidamente e com proveito tanto para o Tesouro Nacional, que vai gastar menos de seguro-desemprego, e mais para o cidadão que não quer o seguro-desemprego, que quer um emprego, na verdade.
APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Esse é o programa Bom Dia, Ministro. Esse programa tem a coordenação e a produção da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, em parceria com a EBC Serviços. O nosso convidado de hoje, o Ministro da Educação, Fernando Haddad. Ministro, vamos, agora, conversar com a Rádio Itatiaia, de Juiz de Fora, Minas Gerais. Cristiane Hubner, bom dia.
REPÓRTER CRISTIANE HUBNER (Rádio Itatiaia / Juiz de Fora – MG): Bom dia, Kátia. Bom dia ao Ministro da Educação. Bom, eu gostaria de perguntar sobre o Enem, o Exame Nacional do Ensino Médio. Alguns problemas, como o vazamento das provas, que aconteceu em 2009, levou ao adiamento do exame. No ano seguinte, em 2010, houve aqueles erros de impressão em 21 mil cadernos, que provocaram certa confusão no dia do teste e levaram a Justiça Federal a suspender o exame, decisão essa que acabou mudada em segunda distância. Eu gostaria de saber do Ministro o seguinte: o que é preciso fazer para evitar falhas no exame, como foi esses dois casos? Quais foram os cuidados tomados para que esse tipo de problema não se repita este ano?
MINISTRO FERNANDO HADDAD: Olha, Cristiane, os maiores problemas que nós temos enfrentado estão localizados nas gráficas. Infelizmente... Nós contratamos as duas melhores gráficas do país para imprimir as provas. Não conheço nenhuma gráfica com a qualidade das que foram contratadas no Brasil. São as duas maiores, são duas multinacionais com grande experiência nesse serviço, inclusive no que diz respeito à segurança. Então, em 2009, foi a maior gráfica do país onde houve a falha de segurança. E, no segundo, ano foi a segunda maior gráfica do país onde houve a falha de impressão de um lote que afetou 0,1% dos estudantes, que tiveram a oportunidade de refazer a prova às custas da gráfica, que assumiu a responsabilidade. Nós temos que continuar perseverando na melhoria da qualidade do processo. Então, nós estamos sempre monitorando com o Inmetro, com o IPT, com empresas de gestão de risco para que os parceiros privados aperfeiçoem o serviço que estão prestando para o setor público. O setor público, a única gráfica que ele tem é a Casa da Moeda, que imprime as notas de real, mas a nossa gráfica não tem capacidade para imprimir dez milhões de provas. Nós temos que contratar o serviço privado. Nós não temos alternativas, a não ser recorrer a essas gráficas que estão instaladas. Até o presidente Lula, em uma ocasião, chegou a cogitar de expandir as instalações da Casa da Moeda, para que nós fizéssemos a impressão internamente, mas isso não é tecnicamente viável. Então, nós temos que contar com essas gráficas. Mas, olha, eu entendo que há um compromisso muito grande do setor privado com essa política pública de enorme importância para a democratização do acesso à educação superior. Há investimentos concretos, nós temos visitado essas gráficas que estão realizando, realmente, investimentos vultosos para garantir um serviço mais adequado para o Inep, que é o órgão federal responsável pela aplicação da prova.
APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Ministro Fernando Haddad, agora vamos a Curitiba, no Paraná, Rádio Difusora 590 AM, de Curitiba. Djalma Malaquias, bom dia.
REPÓRTER DJALMA MALAQUIAS (Rádio Difusora 590 AM / Curitiba – PR): Bom dia, Kátia. Bom dia, ministro Fernando Haddad. A pergunta é a seguinte, Ministro. Aqui no Paraná, nós temos apenas uma universidade técnica, que é a UTFPR, que é considerada, inclusive, referência aqui, nesse tipo de ensino. As empresas ficam de olho, inclusive, nos alunos dessa universidade. O governo federal tem ideia de criar novas escolas técnicas aqui no Paraná, Ministro?
MINISTRO FERNANDO HADDAD: Djalma, você vê como a gente pode ver a realidade de duas formas diferentes. A tua pergunta é: aqui tem uma única universidade técnica. E eu te digo: é a única do Brasil. Aí no Paraná tem a única universidade tecnológica do Brasil que é federal. Mas nós temos, sim, um instituto federal, que nós criamos em 2007, que faz par com a Universidade Tecnológica do Paraná, e lançaremos, agora ainda no primeiro semestre, a terceira fase de expansão das escolas técnicas federais. A presidenta Dilma determinou a construção de mais 200 escolas federais, dos institutos federais, e nós vamos beneficiar o Paraná. Agora, veja também, Djalma, o que nós fizemos no Paraná no caso das universidades. O Paraná não era... O Paraná só tinha uma universidade federal, não é? Nós criamos a Universidade Federal Tecnológica, criamos a Universidade Federal da Fronteira Sul, que atende o oeste do estado, criamos um instituto federal e estamos expandindo a antiga universidade federal para o litoral. Então, foi feito um esforço muito grande de reparar uma dívida que a União tinha, e tem ainda, com o estado do Paraná, que investiu muito em educação superior. Você sabe que o estado de Paraná, se eu não estou enganado, tem seis ou sete universidades estaduais. E os investimentos federais eram muito pobres e nós procuramos, ao longo dos últimos anos, reparar essa dívida com o Paraná, criando todo esse parque universitário no estado, que receberá reforço até 2014.
APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Djalma, você tem outra pergunta?
REPÓRTER DJALMA MALAQUIAS (Rádio Difusora 590 AM / Curitiba – PR): Eu gostaria, Kátia. É sobre a educação especial e o Plano Nacional de Educação.
MINISTRO FERNANDO HADDAD: Sim.
REPÓRTER DJALMA MALAQUIAS (Rádio Difusora 590 AM / Curitiba – PR): A gente recebeu aqui a informação, ministro Fernando Haddad, de que pessoas com deficiência participariam normalmente em escolas comuns. Isso realmente seria o caso, Ministro? Não teria que continuar com as escolas especiais?
MINISTRO FERNANDO HADDAD: Veja bem, não há contradição entre uma coisa e outra. O desejo do Ministério da Educação de oferecer vagas em escolas regulares para pessoas com deficiência é uma determinação constitucional, inclusive de convenções internacionais que o Brasil acatou. Então, há um movimento mundial em defesa do direito da criança com deficiência a uma vaga em uma escola regular. Então nós temos que preparar as escolas com Libras, com Braille, com DOSVOX, que é aquele sistema de informática do livro falado, que ele lê, em voz alta, o livro para o aluno cego. Tem uma série de tecnologias, hoje, que permite que a criança com deficiência tenha uma socialização extremamente rica. E isso, eu quero te assegurar, isso é bom para a criança com deficiência e é bom para a criança sem deficiência. A criança sem deficiência que convive com a diferença é uma criança que se desenvolve muito mais adequadamente do que a criança que não convive com a diferença. Isso já está devidamente registrado. Agora, isso não significa que a escola especial não tenha o seu lugar. Em um segundo turno, é até bom que a criança tenha uma dupla matrícula, que a criança possa frequentar a classe regular em um período e possa frequentar uma escola especializada em um segundo período, de acordo com as suas necessidades. Às vezes, a criança é surda; às vezes, a criança é cega. Às vezes, ela tem outro tipo de deficiência. E nós temos que acolher e promover o seu desenvolvimento integral. Eu sou francamente favorável à dupla matrícula. Eu acho que o melhor modelo de educação especial é a da dupla matrícula, a que oferece educação em tempo integral, um período na classe regular e o segundo período com um atendimento especializado, que garanta os direitos da criança e respeite aquela deficiência, favorecendo o seu desenvolvimento afetivo, cognitivo e intelectual.
APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Este é o programa Bom Dia, Ministro. Eu sou Kátia Sartório. Estamos, hoje, com o Ministro da Educação, Fernando Haddad. Ele conversa com âncoras de emissoras de rádio de todo o país. Ministro, vamos, agora, a Santa Catarina, à Rádio Guarujá, de Florianópolis. Fábio Nocetti, bom dia.
REPÓRTER FÁBIO NOCETTI (Rádio Guarujá / Florianópolis – SC): Bom dia, Ministro. Bom dia a todos os ouvintes do programa. O nosso questionamento, aqui em Santa Catarina, é com relação a esta situação da greve dos professores, que já está no seu segundo dia e que vem reivindicando a aplicação do piso nacional também aqui no estado. Como o governo federal pode ajudar nesta situação, Ministro?
MINISTRO FERNANDO HADDAD: Olha, Fábio, para mim, uma das coisas mais importantes que nós fizemos, sinceramente, foi o piso nacional do magistério. Nós não podíamos continuar impassíveis diante de um quadro de deterioração das condições de trabalho do magistério. Nós universalizamos a matrícula, mas nós não cuidamos do principal, que são as condições de trabalho do professor. Então, nós temos que levar em consideração, Fábio, que, hoje, o professor brasileiro, com nível superior, ele ganha, em média, 60% do que ganham os demais profissionais com o mesmo nível de escolaridade. Então, nós fizemos constar do Plano Nacional da Educação uma meta: professores tem que ganhar, em média, o que ganham os demais profissionais de nível superior. Deveria ganhar até mais, mas ganhando a média do que ganham os demais, você não vai perder talentos do magistério para outras profissões. Hoje, nós estamos em 60%. Não é razoável, isso. Nós temos que entender que se nós queremos qualidade de ensino, nós temos que valorizar o professor. Então nós mudamos a Constituição, colocamos dez bilhões de reais no Fundeb, para que todos os prefeitos e governadores tivessem condição de pagar o piso, defendemos o piso no Supremo Tribunal Federal, porque cinco governadores entraram com uma ação direta de inconstitucionalidade. A nossa Advocacia-Geral da União defendeu o piso, venceu a disputa no Supremo Tribunal Federal. Hoje, o piso é constitucional, portanto é uma lei que tem que ser cumprida. É evidente que a categoria profissional, os professores, estão tendo o bom senso de estabelecer o diálogo, de estabelecer um cronograma, de verificar as condições de o estado honrar o piso imediatamente. Mas eu penso que sentar à mesa e estabelecer um acordo, nenhum professor vai querer cruzar os braços. Agora, se tem uma lei federal, constitucional, que o Supremo já declarou constitucional, que precisa ser observada, não há alternativa a não ser cumprir a lei. Agora, se há dificuldades momentâneas para cumprir a lei, faça um acordo e estabeleça um cronograma. Os professores, certamente, atenderão a esse apelo, desde que seja uma proposta séria e compatível com a realidade orçamentária do estado. Agora, eu tenho grande apreço pela educação de Santa Catarina, eu quero te dizer. O governo do estado vem fazendo um bom trabalho, de longa data. Santa Catarina é um estado que se destaca na educação, inclusive nos exames internacionais. E eu faço votos de que o governo do estado e a categoria encontrem uma solução rápida, para não prejudicar a vida das famílias. É muito ruim escola parada, não é? Isso não é bom para o país. Então, havendo disposição para o diálogo, eu cumprimento tanto a categoria quanto o governo do estado pelos bons indicadores educacionais que o estado, hoje, ostenta.
APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Ministro Fernando Haddad, vamos, agora, a Goiânia, em Goiás, à Rádio Aliança 1090 AM, de Goiânia. Lélia Brito, bom dia.
REPÓRTER LÉLIA BRITO (Rádio Aliança 1090 AM / Goiânia – GO): Bom dia. Bom dia, ministro Haddad. Bom dia ouvintes do programa Bom Dia, Ministro.
MINISTRO FERNANDO HADDAD: Bom dia, Lélia.
REPÓRTER LÉLIA BRITO (Rádio Aliança 1090 AM / Goiânia – GO): Ministro, a minha pergunta é: nós temos acompanhado, através da Rede Globo, essas visitas, por todo o país, para ver a questão dos colégios, como está a situação dos colégios em todo o país. A minha pergunta é: que radiografia, que análise vocês têm feito sobre esse trabalho, do que tem sido feito e mostrado?
MINISTRO FERNANDO HADDAD: Olha, Lélia, eu estou achando essas reportagens muito genéricas. Por quê? Porque nós estamos disseminando, finalmente, a cultura da qualidade, não é? O MEC vem fazendo um esforço enorme, desde 2005, para avaliar todas as escolas públicas pela mesma métrica e divulgar os resultados, para que famílias, professores, diretores, gestores, prefeitos, governadores se apropriem dessas avaliações e modifiquem a realidade da escola pública brasileira. E isso vem acontecendo. As metas de qualidade vêm sendo cumpridas pelos gestores locais. Agora, é preciso... Qual a importância dessas reportagens? Porque ela dissemina, para as famílias, a cultura da avaliação. Isso é muito importante, que as famílias se apropriem dessa cultura de qualidade e interajam com a escola, participem dos conselhos, participem das reuniões de pais e mestres. Isso vai ser muito bom para o país. Então, eu louvo toda a iniciativa que visa disseminar a cultura da qualidade.
APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Ministro, vamos, agora, à Rádio Globo, de Natal, no Rio Grande do Norte, conversar com o Marcílio Dantas. Bom dia, Marcílio.
REPÓRTER MARCÍLIO DANTAS (Rádio Globo / Natal – RN): Bom dia, ministro.
MINISTRO FERNANDO HADDAD: Bom dia, Marcílio.
REPÓRTER MARCÍLIO DANTAS (Rádio Globo / Natal – RN): Ministro, nas novas avaliações das provas do Enem haverá questões regionais? E eu gostaria também de saber o seguinte: quais as matérias mais avaliadas nas questões do novo Enem?
MINISTRO FERNANDO HADDAD: Marcílio, nós temos uma matriz da prova que está no site do Inep. O Inep tem uma matriz divulgada, e ali você pode verificar todos os conteúdos que podem cair nos exames. Então, eu recomendo aos estudantes, aos professores... Primeiro, consultem as provas anteriores, sobretudo a partir de 2009, quando o Enem foi reformulado, mas que também consulte a matriz de conteúdos, que vai dar segurança para o aluno sobre o que ele tem que estudar mais, porque o Enem é uma prova diferente, é uma prova que cobra raciocínio, que não cobra decoreba. E isso estimula mais o aluno a estudar e cobrir o conteúdo do Ensino Médio, se voltando mais para o raciocínio lógico, para a compreensão dos fenômenos naturais e sociais do que, propriamente, para decorar uma fórmula, decorar uma data, decorar uma coisa que ele vai esquecer assim que ele entrar na universidade.
APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Ministro, infelizmente, o nosso tempo acabou, mas eu gostaria muito de agradecer ao senhor a presença no Bom Dia, Ministro.
MINISTRO FERNANDO HADDAD: Eu agradeço e me coloco à disposição para esclarecer os pontos de vista do Ministério da Educação em outras oportunidades.
APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Está convidado, já, então, Ministro.
MINISTRO FERNANDO HADDAD: Obrigado.
APRESENTADORA KÁTIA SARTÓRIO: Obrigada. E a todos que participaram conosco dessa rede, meu muito obrigado e até o próximo programa.