Arquivos: 04/02/09 - Transcrição
KÁTIA SARTÓRIO: Na pauta do programa de hoje o reajuste no salário mínimo. O
ministro do Trabalho vai explicar o impacto que o novo salário mínimo de R$
465,00, que entrou em vigor no dia 1º de fevereiro vai causar no mercado interno
este ano, com a injeção de mais de R$ 23 bilhões. O ministro do Trabalho Carlos
Lupi, vai conversar com a gente também sobre o Bolsa Qualificação, programa que
dá direito aos funcionários a entrarem de licença e participarem de treinamento
profissional oferecido na própria empresa. O ministro já está aqui com a gente
no estúdio e começa agora a conversar com âncoras de emissoras de rádio de todo
o país.
ANA MALTA - Rádio CBN/Brasília-DF): Antes da gente entrar
efetivamente nesta questão do salário mínimo eu gostaria que o senhor comentasse
um dado preocupante, que é essa questão da queda na produção industrial, que foi
a maior já registrada nessa série histórica pelo IBGE, desde 1991. Isso é um
prenúncio de novas dispensas para muitos setores. O que está ao alcance efetivo
do governo, para conter essa culpa de desemprego?
MINISTRO: Eu não penso
como você não, eu penso que em dezembro, essa queda, nós já anunciamos com
antecedência porque o CAGED, que é o Cadastro Geral de Empregados e
Desempregados do Brasil, registrou em dezembro o seu mais baixo índice de
emprego,ou seja, maior índice negativo, 650 mil trabalhadores foram demitidos.
Era uma prova do desaquecimento. O que houve na minha opinião, é que nós tivemos
uma retração muito grande na economia em setembro um pouquinho, outubro,
novembro, dezembro mais fortemente. Com isso o que, que houve? O estoque ficou
muito alto, o setor industrial, o setor automotivo principalmente com esse
estoque alto demitiu, retraiu. Parou a produção, por isso também demitiu, porque
parou a produção e recuperou-se agora em janeiro. Nós tivemos no mês de janeiro
só no setor automotivo, por exemplo, uma venda de 198 mil automóveis. Comparando
com 2008 sem crise, nós vendemos cerca de 200 mil. No auge da crise, o setor
automotivo em janeiro teve uma venda de 2 mil carros a menos, o que significa,
que essa fase de dezembro, que nós já anunciamos, já avaliamos, falamos das
dificuldades que teríamos, porque o mês de dezembro é um mês ruim, que termina
muitos contatos temporários, também teve essa retração em alguns setores,
principalmente no setor automotivo, no setor ligado a exportação. Janeiro nós
vamos ter um mês ainda difícil, mas o Brasil começa a se recuperar bem,
principalmente porque esses estoques se venderam e hoje, por exemplo, se você
leu os jornais, você vai reparar, que algumas indústrias automobilísticas já não
tem mais carro para vender, tá faltando já carro. Então nós temos que acreditar
neste país. Nós temos que acreditar que o Brasil está dando certo apesar da
crise mundial, crise não feita pelo Brasil. Nós estamos buscando caminhos para
evitar que isso se torne mais grave no Brasil e nós vamos conseguir.
ANA
MALTA: O senhor já tem uma projeção, uma estimativa talvez dos números do GAGEDE
para janeiro? Há razões para preocupação, deve ser um número bem menor, ou
semelhante ao de janeiro. E mais, os programas de geração de emprego, que o
governo tem planejado, eles devem ser direcionados a quais
áreas?
MINISTRO: Primeiro eu já estou avaliando isso desde setembro do
ano passado. Porque o CAGEDE ele é um dado que percebe os primeiros sintomas
mais fortes da economia que é o emprego. Então eu trabalho acompanhando ele
permanentemente. Então já em outubro, nós vimos a diminuição grande na
contratação. Novembro já houve queda e dezembro maior queda. Nós teremos um
janeiro difícil, um janeiro em que você tem um estoque muito alto de vários
setores esse estoque, por exemplo, a indústria automobilística já começa a
acabar. Com isso não justifica a demissão, porque se está acabando o estoque tem
que contratar. Então não é nem inteligente demitir para esse setor. Significa
dizer que ele vai demitir hoje e tem que contratar amanhã. Eu estou falando isso
a algum tempo, e eu estou repetindo isso agora, pra muitos ouvintes de todo o
Brasil perceberem, acompanharem e verificarem se a minha avaliação é correta ou
não. Então eu repito, nós temos um janeiro ainda difícil, fevereiro ainda
difícil, mas bem longe dos números que tivemos em dezembro, bem longe. O Brasil
está consolidando a sua economia, o governo brasileiro liberou, por exemplo, no
setor automotivo, já teve resposta com a diminuição do IPI. Isso significou
praticamente como já anunciou, estávamos no mesmo nível de venda de automóvel
que tivemos sem crise nenhuma em 2008. Agora nós estamos trabalhando, por
exemplo as linhas de crédito facilitada, para os cargos usados, que com a
diminuição do IPI, a diminuição do carro novo, houve, ai sim um achatamento uma
diminuição grande na venda de carros usados. Os próprios sindicatos patronais de
todo o Brasil me procuraram, propuseram um acordo. Qual o acordo que me
propuseram? Linhas de créditos pelo FAT, Fundo de Amparo ao Trabalhador, através
do agente operador que é o Banco do Brasil em troca da garantia dos postos de
trabalho. Propostas feitas pelo empresariado brasileiro, 27 federações patronal
do Brasil. São 600 mil empregos. Então o que quer dizer isso, o empresariado
brasileiro, na grande maioria, tem consciência de que é preciso garantir um bom
funcionamento da economia, e um bom funcionamento da economia só se garante com
emprego, com as pessoas tendo renda. Porque a renda faz circular, compra mais,
vende mais, mais emprego, maior lucro para as empresas. Então nós estamos agindo
nesse setor. Setor da construção civil nós já liberamos vultosos recursos,
através do FGTS. Novas linhas de crédito. Setor de exportação, o governo está
olhando cada setor para ver que tipo de isenções de incentivos podemos fazer.
Mas esse setor de exportação nós não temos muito controle, porque depende da
demanda internacional. Mas a gente já percebe que hoje no mundo inteiro, há uma
mobilização pra se sair da crise. Crise repito que não foi feita no Brasil,
crise que começou lá pelo sistema mobiliário americano, crise que quebrou bancos
americanos, que são uma espécie de modelos de sistemas financeiros do mundo, e
que não atingiu nenhum banco brasileiro. Ao contrário, os bancos brasileiros,
sistema financeiro brasileiro, se mostrou altamente saudável. Então somos muito
otimistas, eu penso que vamos ter dificuldades, nós temos que ter consciência e
compreensão dessa dificuldade, eu penso que o Brasil precisa estar muito
consolidado para enfrentar. O sistema financeiro brasileiro, tem que responder,
o governo brasileiro está liberando linhas de crédito em todos os setores
possíveis e vai continuar liberando, incentivando a construção civil, buscando
encontrar mecanismos para facilitar a exportação. E nós vamos sair dessa crise
melhor do que muita gente imagina. Porque na crise, é que se mostra a diferença
de quem tem competência para sair da crise.
KÁTIA SARTÓRIO: Ministro tem
alguma previsão para essa linha de crédito, para a venda de carros
usados?
MINISTRO: Nós estamos terminando, ontem eu tive mais uma reunião
com o Banco do Brasil, como o Fundo de Amparo ao Trabalhador pertence, compõe o
Ministério do Trabalho, nós estamos inicialmente, destinamos cerca de R$ 200
milhões com juros subsidiados. Nós já vamos de acordo com o Banco do Brasil
fazer com que o spread bancário seja o mais baixo da praça. Porque a nossa
preocupação, nosso apelo agora, é que o Banco Central o COPOM já está diminuindo
a taxa Selic, mas não basta diminuir a taxa Selic. Os bancos privados, e o banco
público tem que dar exemplo, Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, BNDES tem
que diminuir suas taxas ao consumidor. A quem pega esse dinheiro emprestado,
senão, não adianta o Banco Central baixar a Selic e os bancos privados não
acompanharem. Nós estamos fazendo um grande esforço para que o governo dê o
exemplo. Banco do Brasil vai ter taxas baixíssimas, Caixa Econômica e BNDES,
todas linhas de crédito do FGTS do FAT que são dinheiro do trabalhador, nós
vamos trabalhar nesse sentido e eu espero que semana que vem tenha terminado
essa linha de crédito para as revendedoras dos carros usados.
GILSON
GONÇALVES - (Rádio Correio/Maceió-AL): Alegando a crise na economia mundial,
muitas empresas começaram o ano demitindo. Os números são constantemente
divulgados, mas existe um setor, que para surpresa de muitos vem demitindo muito
além das estatísticas, é o comércio, são lojas e shoppings. Aqui em Maceió
segundo dados da Câmara de dirigentes logistas, o setor permanece demitindo. O
que o governo pode realizar para evitar essas demissões, principalmente essas
que atingem jovens no seu primeiro emprego. Em primeiro lugar eu quero responder
ao Gilson, que o setor de comércio ele teve um resultado altamente positivo
durante todo o ano de 2008 e em dezembro teve um crescimento de 5% real, acima
do melhor dezembro da história que foi o de 2007. Então não há grandes
motivações para demissões, o que acontece no setor do comércio é que ele mantem
uma média de contratos temporários muito alto. Então você tem uma alta
contratação no setor do comércio tanto varejista quanto atacadista em agosto,
setembro, outubro, novembro, dezembro começa a ter uma demissão alta desses
contratos temporários, janeiro e fevereiro também, porque janeiro e fevereiro
são meses de férias escolares são meses que não tem grandes lançamentos são
meses atípicos no decorrer do ano. Em alguns setores do comércio pode ter
algumas demissões principalmente desses contratos temporários, mas eu penso que
isso não demorará, nós em março vamos retomar fortemente o crescimento da
economia brasileira e esse setor é o primeiro que responderam.
RÁDIO
CAPITAL AM/SP - JOSÉ MARIA - Pesquisa CNT Census divulgada ontem ministro,
mostrou que metade da população brasileira apóia a iniciativa das empresas de
reduzir temporariamente a jornada de trabalho e os salários para garantir os
empregos. Para o presidente da Confederação Nacional dos Transportes Clésio
Andrade o dado é surpreendente, o senhor ministro se surpreende também com o
resultado dessa pesquisa? Como se sabe a proposta de redução das horas
trabalhadas e dos salários tem sido duramente combatida pelas centrais
sindicais, o caminho é esse mesmo ministro?
MINISTRO CARLOS LUPI: Amigo
José Maria eu acho que não. Eu penso que é muito fácil numa pesquisa você ter
que saber como foi feito a pergunta. Em que condições foi feito a pergunta, para
saber como é que foi dado a resposta. Se você perguntar qualquer trabalhador
prefere ser demitido ou diminuir o salário é obvio que o trabalhador entre
cortar a cabeça e perder o dedo ele vai fazer a opção que seja menos grave para
ele, é obvio que é isso. Agora não é o melhor caminho, porque isso significa
desaquecer a economia, quando você diminui o salário você está diminuindo a
quantidade de dinheiro que está circulando na economia. É claro que eu entendo
eu não sou um inconseqüente que alguns setores da economia são mais afetados
pela crise principalmente o setor que depende exclusivamente das exportações.
Repito, o setor automotivo está se recuperando e bem, vendeu muito bem em
janeiro, eu falei algum tempo atrás e recebi muitas criticas por isso, dizendo
que eu era radical demais quando eu disse que não deviam demitir porque vão ter
dois trabalhos, ter que demitir e contratar de novo porque vai faltar produto,
já está acontecendo. Hoje não sou só eu que estou falando é a imprensa que está
falando isso. Então nós temos que ter muita capacidade de diálogo, porque eu
pergunto uma coisa, na hora que o lucro foi alto, na hora em que 2008 nós
tivemos empresas ganhando dinheiro como nunca, ninguém chamou ninguém e reuniu
ninguém para dizer, olha, ganhamos tanto dinheiro que queremos distribuir um
pouquinho do que ganhamos, o processo da vida não é assim. Eu acho que essa
minoria de empresários brasileiros que passa por um momento difícil nas vendas
internacionais tudo aquilo que é vinculado ao comércio externo, tem que ter
tranqüilidade, tem que continuar investindo no Brasil tem que ajudar o Brasil a
produzir. Porque a cada demitido que ocorre no Brasil menor quantidades de
produtos vendidos ele vai ter e mais agravamento ele vai ter pro seu lucro e
para sua própria empresa.
PERGUNTA/JOSÉ MARIA: Ministro quem tem emprego
pode comprar. Esse dinheiro entra no comércio que vende mais, e gera empregos
movimenta a indústria, é uma máquina é normal, historicamente falando dá para o
senhor explicar porque quando se fala em crise a primeira coisa que os
empresários fazem é demitir empregados, não é mais fácil lucrar um pouquinho
menos ao invés de promover demissões ministro?
MINISTRO CARLOS LUPI: Eu
concordo inteiramente com você. Penso igual a você, eu penso que no momento que
você tem uma crise que primeiro não foi criada pelo Brasil, nós continuamos com
o aquecimento forte da economia interna, agora tivemos um aumento real do
salário mínimo de R$ 50,00 para cada trabalhador na ativa, aposentado,
pensionista esse aumento impulsiona fortemente o mercado, aumenta o seguro
desemprego aumenta o abono salarial aumenta todos os benefícios previdenciários,
isso significa mais R$ 50,00 na mão de cada trabalhador para comprar mais alguma
coisinha, mas alguma roupa mais algum alimento. Isso significa mais vendas,
significa aquecimento da economia, não é racional não é inteligente, no momento
em que a gente apresenta dificuldade a primeira coisa que se faz é cortar
trabalhador, sempre visando uma margem de lucro maior. Isso ai é um pouco de
egoismo. Graças a Deus eu percebo que a maioria do empresariado brasileiro está
compreendendo isso, os sindicatos estão tendo a sua capacidade de diálogo pra
tentar evitar isso, agora eles não podem ser colocados contra as paredes, ou dá
ou desce. A vida não é assim, nós temos que ter diálogo temos que ter
compreensão que o momento é difícil, mas todas as instituições financeiras do
mundo reconhece que o Brasil é o que tem condições mais sólidas para passar por
essa crise. Isso que os jornais estão divulgando hoje de dezembro, está
atrasado, nós já anunciamos que ia ter queda que teve o maior desemprego do
país, ou teve o maior desemprego porque caiu um temporal? Claro que não. Não há
desemprego porque teve uma retração forte na economia de dezembro. Então estão
requentando notícias para tentar trazer pessimismo a população, não fiquem
pessimistas, o Brasil vai crescer, o salário mínimo está ai com um aumento real
nesses 7 anos do governo Lula de mais de 46% acima da inflação. A população
brasileira está ai, 82% de aprovação de ótimo, bom para o governo Lula. A
população acredita no nosso governo e nós vamos continuar infelizmente pra
incompreensão de alguns vencendo todas as etapas dessa crise.
RÁDIO
EDUCADORA/SÃO LUIZ/MA - EDVALDO OLIVEIRA: Ministro recentemente mais um balanço
sobre a prática do trabalho análogo aos escravos no Brasil foi divulgado, e
ainda é grande o número de casos. Eu gostaria de saber quando o governo vai
estar divulgando o fim dessa prática vergonhosa no país e mais, se há uma ação
especial voltada para os estados que aparece no topo desse levantamento em
especial o estado do Maranhão que infelizmente aparece entre os
primeiros.
MINISTRO CARLOS LUPI: Edvaldo, nós já começamos, infelizmente
nós não conseguimos ter a sua audiência, ou leitura sobre isso, mas ainda no mês
de setembro nós lançamos ai no Maranhão, em Imperatriz, uma grande campanha
chamada "Marco Zero" envolvendo três estados, o estado do Pará, que é o
principal receptor de mão-de-obra análoga ao escravo, estado do Maranhão, estado
do Piauí, e também ao final se inclui o estado do Mato Grosso. Nós começamos
essa campanha, se dependesse de caneta ou de vontade eu terminava isso por
decreto. Infelizmente existe uma parcela razoável principalmente na indústria
suco-alcooleira, do setor de grandes fazendas que não tem essa compreensão,
explora de maneira desonesta de uma maneira profundamente que fere qualquer
direito humano o trabalhador que às vezes pela sua necessidade, pela sua
carência, acaba se submetendo a verdadeiro trabalhos escravocratas que ainda
existem no Brasil. Nós estamos agindo, mas isso não se acaba de um dia para o
outro. Nós libertamos dezenas de milhares nesses últimos seis anos, vamos
continuar libertando, a fiscalização do Ministério do Trabalho tem equipes
móveis principalmente no Maranhão nesses quatro estados agindo permanentemente.
Agora é claro, isso não se resolve de um dia pro outro, isso são problemas de
decênios, séculos que existe no Brasil. Nós estamos trabalhando com firmeza e
pretendemos brevemente continuar libertando mais trabalhadores nesse tipo de
serviço. Agora nosso maior instrumento de trabalho é o esclarecimento, é a
informação é isso que nós estamos tendo a oportunidade ao falar com você, falar
também para todos que estão no Maranhão que queremos acabar com o atravessador,
o grande problema desse tipo de serviço que existe ainda no Brasil se é que pode
ser chamado serviço, é o atravessador. São as pessoas que pegam essa mão-de-
obra lá no interiorsão do Brasil, levam no caminhão para dentro de algum local
pra trabalhar para uma mina de carvão para uma grande fazenda, e ficam
escondidos lá trabalhando as vezes 15, 16 horas sem condições de higiene sem
água potável, sem ambiente que possa ter condições de dormir, sobre o sol e
chuva, realmente um estado escravocrata. Agora a conscientização, a informação,
a ajuda de vocês da mídia e o trabalho permanente que meus auditores fiscais,
junto com a Polícia Federal, com o Ministério Público, com o apoio da Polícia
Civil, de governos estaduais têm feito, está diminuindo muito. Tanto está
diminuindo que esse trabalho nosso hoje é referência e nós estamos hoje servindo
de modelo para vários países do mundo no combate. Infelizmente ainda não temos a
solução definitiva. Mas vamos chegar lá.
EDVALDO OLIVEIRA: O governo tem
divulgado, desde o ano passado, a sua atuação em várias frentes para combater o
desemprego no país. Lamentavelmente o Norte e o Nordeste do Brasil, continua
ainda apresentando aí alto índice de desemprego e de pobreza da população. Que
certamente tem reflexos, principalmente, no aumento da cultura da violência
entre os jovens. O governo federal está anunciando a inserção de quase 1 milhão
de jovens, nos próximos meses, no mercado de trabalho. Eu gostaria de saber
quais critérios estão sendo utilizados pelo governo para distribuição desses
empregos? De que forma será dada a qualificação para essa nova
mão-de-obra?
MINISTRO: Primeiro, os empregos não são distribuídos
diretamente pelo Governo. O que o governo faz são cursos de capacitação,
chamados Pró-jovem. Nós fazemos convênios com prefeituras. Hoje os estados do
Nordeste, Pernambuco, Ceará, Maranhão, Paraíba, Alagoas, Sergipe e Piauí são os
estados que maior número de investimento, maior a quantidade de investimento e
maior número de jovens capacitados, têm, nos últimos dois, três anos de governo
feito.
Agora esse é um processo em que tem que se qualificar o trabalhador.
Tem que se ter uma mediação junto aos empresários, para que eles tenham a
compreensão de contratar essa mão-de-obra depois que ela está formada, está
preparada, está qualificada. Esse é um processo que aos pouquinhos estamos
crescendo. Estamos muita aquém do que a gente gostaria. É verdade. Mas o
critério é de convênios com prefeituras, com estados. É uma critério que só sai
publicado em todos os jornais locais quando se começa abrir os cursos. Você tem
o critério por renda. Sempre há gente querendo atender as famílias de mais baixa
renda, que ganham até metade, um salário-mínimo. Você tem o critério também de
carência, de moradia. A gente busca sempre atingir a base da pirâmide da
sociedade. Quem mais necessita? Quem mais dificuldades têm de acesso a uma
educação de qualidade, a uma qualificação profissional? Podemos ter defeitos e
falhas, porque nós somos humanos. Mas, a direção, o objetivo dos cursos de
capacitação é preparar, principalmente, essa massa de jovens brasileiros que
precisa ter oportunidades. E, para ter oportunidades ele tem que ter
conhecimento. Ele tem que aprender uma profissão. Estamos trabalhando com muito
carinho, com muita dedicação nesse sentido. Ano passado já foram 200 mil jovens
qualificados só nos programas Pró-jovem. Vamos aumentar isso esse ano. E eu
tenho certeza que aos poucos nós vamos colocando, esse rumo da sociedade que
garante o futuro, no caminho do emprego e da dignidade.
FLÁVIO KRUGER-
(Rádio Clube FM/PR): Minha pergunta vai em relação ao salário-mínimo, que agora
passa para R$ 465 neste aumento de 12%. Gostaria de perguntar ao ministro Carlos
Luppi o seguinte ministro: o salário-mínimo, quando foi criado lá atrás, né,
pretendia atender algumas necessidades básicas do trabalhador. Está na
Constituição. Entre elas saúde, transporte, educação, previdência e lazer. A
gente sabe que o salário-mínimo hoje no Brasil não tem o valor ideal. Com R$ 465
o trabalhador não consegue atender as suas necessidades básicas. Qual seria o
salário ideal, considerado pelo ministro, para o trabalhador brasileiro. Bom dia
ministro!
MINISTRO: Bom dia Flávio. O ideal para mim é sempre muito maior
do que a gente consegue conceder. Eu tenho um ditado da minha avó que diz
assim:olha, a gente nunca faz e consegue fazer aquilo que a pessoas gostariam.
Mas, a gente faz o melhor que e gente conseguiria. Ou seja, o que o governo está
colocando hoje com esse salário-mínimo de R$ 465, cerca de US$ 200, é o maior
salário-mínimo dos últimos 30 ou 40 anos. Só no primeiro governo Getúlio, quando
instituíram, o segundo governo Getúlio instituiu o salário-mínimo, é que teve um
poder de compra maior. Nós não temos com esse salário-mínimo, de cerca de US$
200, o poder aquisitivo do trabalhador que atenda as suas necessidades, como diz
a Constituição, é verdade. Nós não podemos, diz o ditado, tapar o sol com a
peneira. Mas estamos avançando. Tanto estamos avançando que em sete anos tivemos
o aumento acima da inflação, de 46%. Ou seja, o decreto do presidente da
República Luiz Inácio Lula da Silva fez, há três anos consecutivos, é de, há
dois anos consecutivos, é de, há dois anos consecutivos, o aumento estar (sic)
vinculado ao crescimento do Produto Interno Bruto, ao crescimento do País - o
PIB, mais a inflação. Então com isso nós vinculamos sempre o salário-mínimo ao
crescimento da economia do Brasil. E ainda recuperamos o que pode ter perdido
com a inflação. Por isso que o aumento é real. Concordo com você que ele não
atinge, ainda, as necessidades previstas na Constituição. Mas, estamos avançando
e eu espero que em breve nós consigamos ter o dia de esse salário-mínimo ser um
salário digno, e que dê para todo trabalhador brasileiro ter as suas
necessidades básicas atendidas.
KRUGER:Em relação, exatamente, a geração
de empregos. Nos números do próprio Ministério do Trabalho, houve um recorde na
geração de emprego nos últimos anos, ou em 2008. E agora com essa problemática
da crise afetando a geração de empregos. Mas eu pergunto ao ministro, porque
aqui na nossa Rádio Clube FM ministro, todos os dias nós temos várias ofertas de
emprego, no finalzinho sempre, do programa que vai ao ar pela manhã. Mas eu
observo que, geralmente as empresas no dia seguinte, mandam novamente as ofertas
de emprego. E a minha pergunta é a seguinte: falta emprego ou falta mão-de-obra
qualificada ministro?
MINISTRO: Hoje no Brasil você pegou o cerne da
questão. Falta qualificação, mais do que falta emprego. Nós tivemos em 2007, no
ano retrasado, mais de 1 milhão de vagas ofertadas no Sistema Nacional de
Empregos. Os Sines que funcionam nos estados, nos municípios, em convênio com o
governo federal, através do Ministério do trabalho. Essas cerca de 1 milhão de
vagas não foram ocupadas sabe por quê? Porque o trabalhador não tinha
qualificação específica para aquela vaga. Continua. Nós ampliamos este número,
apesar da crise de dezembro. Em 2008 foram mais de 1,1 milhão vagas ofertadas
que não foram preenchidas. Tem o problema da crise? Tem. tem o problema que
afetou diretamente a economia em dezembro de uma maneira avassaladora, com a
retração do comércio externo que a crise internacional fez que tivesse um grande
número, principalmente dos contratos temporários demitidos? Teve. Agora, há uma
realidade no Brasil de que vários setores continuam crescendo bem. O setor do
comércio. O setor de serviço, o setor de hotelaria, né. O setor de comércio
atacadista e varejista. Todo setor de produção de alimentos vinculados a
produção interna, ao consumo interno, todos esses setores continuam crescendo.
Óbvio que janeiro e fevereiro são dois meses que não é um crescimento tão grande
quanto os outros meses do ano. Mas a gente repara e constata esse fato que você,
com muita felicidade abordou. Falta qualificação. Por isso o governo federal tem
aumentado, e muito, seus investimentos nessa área. Tem feito convênios. E, o
grande mote, o grande diferencial do trabalhador moderno é ele se educar, se
capacitar, se qualificar para poder disputar o mercado de trabalho. O
diferencial é a educação do trabalhador para o mercado de trabalho.
Qualificação.
EMÍLIA CHACOM - (Rádio Cultura/MS): Ministro, aqui no Mato
Grasso do Sul, mais um frigorífico fechou as portas, só nessa semana, alegando a
crise. O governo está preparando alguma medida a longo prazo frente essa crise
financeira mundial que já demite trabalhadores brasileiros?
MINISTRO:
Emília, nós estamos já, permanentemente conectados com essa realidade. Teve uma
queda de alguns mercados, principalmente o europeu e o americano, na compra de
carne bovina que nós exportávamos. Você sabe que nós somos o maior exportador do
mundo de carne bovina, de carne suína, de carne de frango. Então, essa retração
mundial encolheu um pouco o nosso mercado e isso, naquelas empresas que estão
com o foco direcionado somente ao mercado externo, teve uma queda de venda. Não
no mercado interno. Paradoxo que seja, é que o mercado interno cresceu mais.
Você viu que alguns produtos, algumas carnes de primeira, como o filé mignon,
tiveram preço diminuído. Com isso houve um consumo maior do mercado interno. O
que que está acontecendo agora? Um paradoxo né. Porque tudo na vida é bom e é
ruim ao mesmo tempo, conforme o ângulo da visão de cada um de nós. O aumento do
dólar fez com que tenha diminuído, a quantidade de toneladas exportadas. mas,
não tenha tido perda do valor de ganho das empresas que com o aumento do dólar
passou a ganhar mais dinheiro com a exportação é claro que alguns insumos,
alguns alimentos que se dão que são comprados no exterior também subiram de
preço. Então, alguns alimentos que se dão para o gado bovino, gado leiteiro
também subiram de preço com o aumento do dólar, mas a gente percebe que já está
se recuperando continua muito forte o comércio brasileiro com a China, com a
União Soviética começa se recuperar de compras o mercado americano e europeu,
hoje, agora mesmo os Estados Unidos decretou a queda das barreiras que tinha ao
frango brasileiro, carne suína brasileira, então nós estamos de olho nisso.
Alguns setores mais afetados nós estamos trabalhando pra evitar que essa crise
se agrave e nós estamos principalmente muito otimistas que esse mercado de
consumo de alimentos não serão tão afetados pela crise quanto aqueles produtos
que não são tão de interesse imediato à população, são os que a gente chama de
artigos mais de luxo, como carros e equipamentos. Alimentos poderá ter uma queda
na venda, mas recuperada com a valorização do dólar.
ANA RODRIGUES -
(Rádio Tupi - RJ): Bom dia, ministro Carlos Lupi, o presidente Lula anunciou
ontem, aqui no Rio de Janeiro a construção de 500 mil casas populares no país e
que este projeto pode ajudar na diminuição do impacto do desemprego em
decorrência da crise econômica mundial. O ministro como avalia o anuncio dessas
medidas e em que isso pode vir a beneficiar o trabalhador a curto, médio e até
mesmo ao longo prazo?
MINISTRO: Bom dia, Ana. Esse setor da construção
civil é um setor que mais emprega no Brasil nesses últimos anos são dezenas de
milhares de emprego. A iniciativa do presidente Lula sempre com uma
sensibilidade muito aguçada de gerar emprego é de que esse setor é que mais
imediatamente gera empregos direto, então essas 500 mil casas a serem
construídas ao longo do ano significa alguns milhões de empregos diretos e
indiretos gerados. Então essas linhas de créditos diretas do próprio Tesouro,
linhas de crédito do FGTS é imediatamente o resultado mais rápido que se tem da
geração de emprego, este é um número muito forte, muito grandioso que vai fazer
com que a gente garanta o emprego e o ganha pão de dezenas de milhares de
famílias no Brasil.
ANA RODRIGUES: E além disso essas construções de
casas populares vocês já tem um levantamento de que locais e que setores pelo
menos na Região Sudeste vão ser implantado de que forma isso pode funcionar já
nos próximos meses?
MINISTRO: Bom, Ana o setor de construção civil tem
dois grandes gerenciamento, né quem faz a medição, avaliação, medição de demanda
é o Ministério das Cidades, o agente operador que financia é a Caixa Federal e o
agente que libera os recursos é o Ministério do Trabalho através do FGTS - Fundo
de Garantia de Tempo de Serviço que é o maior investidor o que tem a maior
capacidade de recursos para gerar esse tipo de empreendimento. Nós sabemos por
exemplo, que há uma necessidade, uma demanda reprimida de mais de 10 milhões de
moradias no Brasil. Nós estamos construindo agora esse ano 500 mil pra você ter
uma idéia como estamos ainda aquém da necessidade, então isso vai se medindo com
parcerias com prefeituras, com parcerias com os estados, nas áreas mais
carentes, né, normalmente nós estamos fazendo, principalmente essas habitações
populares onde a gente pode tirar essas pessoas de locais de risco e colocar as
pessoas em locais que tem mais dignidade com saneamento, com escola, com toda
uma infra-estrutura casada com prefeituras e estados, isso está sendo medido
pelo Ministério da Cidade e nós vamos depois que o presidente da República
anunciar o fecho desse projeto à população, nós vamos dizer também quais são as
áreas a serem atendidas.
KÁTIA SARTÓRIO: Ministro gostaria de fazer uma
pergunta para o Senhor, sobre o Bolsa Qualificação que foi anunciado como o
ministério está estudando medidas pra uma proposta de regulamentação desse
programa que é uma verdade é uma modalidade do Seguro-desemprego, não é
isso?
MINISTRO: A Bolsa Qualificação ela já é uma modalidade do
seguro-desemprego. O que que é a Bolsa Qualificação? Ela permite que num acordo
entre empresários e empregados através do seus sindicatos tenham o seu contrato
suspenso por 3 meses. Nessa suspensão a empresa é responsável por garantir
cursos de capacitação e de qualificação profissional para trabalhador e o
governo renumera essa suspensão durante esse período ao salário mínimo ao
trabalhador. Isso é o que existe hoje nós sempre tivemos uma parcela de
sindicatos com empresários que fizeram esse acordo e funcionaram. É claro que
com o advento dessa crise em dezembro o aumento é muito grande do desemprego que
aconteceu em dezembro especificamente, ter uma maior procura. Então não havia
ainda uma regulamentação, por exemplo, como é que são feitos os cursos de
capacitação? Qual é a carga horária? Que tipo de cursos? Senão fica muito assim,
por exemplo, curso de capacitação vai ter uma hora por semana de aula, num curso
de capacitação. Então, nós fizemos umas regras estabelecemos por exemplo,que em
cada Superintendência Regional de Trabalho que homologa esses acordos patronais
com empregados, tem que passar pelos sindicatos, porque é a parte legitimamente
representantes dos trabalhadores e nós verificarmos se tá contratado curso de
capacitação, que tipo de curso que está dando, se é compatível com a necessidade
do trabalhador, pra ter uma harmonia do beneficio para o trabalhador. Ao lado
disso nós estamos estudando, terminando os estudos agora, do que eu chamo
seguro-desemprego eu acho que o seguro-desemprego que vai continuar é um grande
beneficio do trabalhador, mas nós temos que evitar o desemprego porque depois
que está desempregado o problema já foi criado. Então nós estamos fechando,
pretendo na semana que vem já está com isso fechado o presidente da República
que irá anunciar se assim concordar, de ter essa modalidade de seguro que eu
chamo de seguro-desemprego onde o foco principal é a garantia do emprego para o
trabalhador.
KÁTIA SARTÓRIO: Ministro e no Bolsa Qualificação é
importante ressaltar que o funcionário que vai
participar desses cursos ele
continua recebendo todos os direitos que ele tem, não é isso?
MINISTRO:
Tudo ele tem o direito à Previdência, carteira de trabalho dele continua em
tempo contando, isso é uma medida de emergência para algumas empresas que vive
em dificuldade para evitar demissão.
CAMILA LUCCI (Rádio Bandeirantes
AM- SP):Bom dia, Ministro, ontem a General Motors anunciou o sétimo período de
férias coletivas e é o sétimo num período de quatro meses, deste de setembro
passado esses anúncios vem sendo feitos aqui. E além disso nós temos a Embraer
que aos poucos vem demitindo os funcionários daqui. Na semana passada e até
terça-feira que vem cerca de 150 homologações devem ser feitas aqui na região.
Eu gostaria de saber de que forma o governo federal vai cobrar dessas empresas
já que ela deu subsídios à elas para garantia desses empregos?
MINISTRO:
Bom são dois setores distintos, Camila. Primeiro o setor automobilístico eu acho
que as férias temporárias ela é uma medida mais inteligente que a empresa toma
para evitar demissão. Ela dá aquela parada de cinco, dez, quinze dias porque o
estoque é alto espera com as férias e aí o trabalhador não vai ter depois
aquelas férias normais que tem de ano e com isso ele vai liberando o estoque
dele e o trabalhador volta a produzir normalmente. Eu acho que é uma medida
inteligente que a General Motors toma eu acho que esse é o caminho mais coerente
desse momento até porque porque os estoques brevemente já está acontecendo em
alguns setores começam a acabar por que tá vendendo de novo, graças à Deus e aos
incentivos da isenção do IPI. Então nesse setor automotivo tá melhorando e vai
ser resolvido eu acho que isso começa normalizar definitivamente a partir de
março No setor da Embraer que é de aviões é diferente porque esse é um mercado
internacional, esse é um mercado que depende muito dos contratos internacionais,
dos países estrangeiros e nós não temos como controlar a crise dos países
estrangeiros,nós temos que fazer um esforço danado para evitar o agravamento da
crise no Brasil, controlar a crise externa é quase impossível pra nós fazermos.
Não podemos dar incentivo, não podemos ter isenções de impostos, estamos de olho
nessa questão da Embraer, estamos falando permanentemente com eles, vamos tentar
ver se a gente realoca esses profissionais em outros setores, mas está vinculado
exclusivamente, ou praticamente em sua totalidade à exportação e isso não
depende só do Brasil.
CAMILA: Ministro, mais uma questão o sindicato dos
metalúrgicos de São José dos Campos tem entrado em contato com o governo
federal, justamente, para tentar reverter a situação, principalmente dos
funcionários da GM. Mais complicada do que as férias coletivas, são as demissões
que ultrapassaram a 800 aqui na região. De que forma o governo vai responder
para este sindicato.
MINISTRO: Bom, estamos conversando com eles, estamos
conversando com as empresas, e você como boa jornalista sabe que eu já comprei,
publicamente, briga com muita gente poderosa por causa disso, mas eu gosto de
brigar com poderoso, porque eu sou fraco e gosto de brigar com os fracos. Eu
penso que não é uma atitude prudente , inteligente, num setor que está se
quecendo e que está vendendo de novo, a demitir trabalhadores. Agora, eu não
posso obrigá-los a demitir. O que eu posso é tentar com argumento. Começar a ter
critérios que já está começando a adotar, de não emprestar dinheiro público a
quem está demitindo porque o dinheiro é de todos, então, como o governo vai dar
um dinheiro que é de todos para um setor que vai demitir o trabalhador que
também é dono do dinheiro? Essa é uma questão de coerência, até de transparência
e correção para com um dinheiro que é do povo brasileiro. Eu penso que a General
Motors está refletindo sobre isso. Essa questão dela ao invés de demitir nas
férias já é uma medida que mostra que ela está começando a compreender melhor o
seu problema. Nós vamos ter massa, agora, renovação ou não, da isenção de IPI.
Eu penso que esse setor tem que pensar muito antes de demitir porque a isenção
de IPI é feita pelo governo e o governo vai refletir sobre o comportamentos das
empresas na hora de renovar ou não a isenção de IPI.
WASHINGTON
LUÍS:(Rádio 92 FM de João Pessoa- na Paraíba)
Bom dia ao Ministro. Aqui
na Paraíba foi recebido com grande repercussão o aumento do salário mínimo e
inclusive o governo do estado já se propôs, na folha de pagamento, pagar o
salário mínimo. A minha pergunta para o senhor, é a seguinte: qual o incentivo
que a sua parte tem para o estado da Paraíba, para o nordeste já que muitos
governos e prefeitos estão preocupados com esse projeto de crise, e eu concordo
com o senhor. As montadoras para demitir tem que rever essa questão porque
haverá ou não a renovação da isenção do IPI. É uma expectativa que o nordeste
também vive e a Paraíba não pode ser diferente. Gostaria que o senhor pudesse
dizer um pouquinho mais e quais as novidades de sua parte para o nordeste,
especialmente, para a Paraíba.
MINISTRO: Bom dia, Washington! Bom dia a
todos da Paraíba que nos honram neste momento. O nordeste é o setor da economia
que mais cresce em todos os segmentos. Muitas indústrias estão indo para aí.
Setores de fruticultura e setores da fronteira de Pernambuco com a Bahia
crescendo muito, agora, atravessando por causa da crise internacional. Na área
de exportação de frutas um pouco de dificuldades, indústrias automobilísticas,
indústrias de calçados. Agora o governo federal está investindo muito em áreas
de embarcações, de construções, de estaleiros, em Pernambuco, na indústria
petrolífera. Bom, nós temos buscado fazer do nordeste uma espécie de meca do
crescimento da economia e tem crescido acima da média nacional. Nós, agora,
nesta fase, temos que acompanhar permanentemente o comportamento de todos os
setores da economia nesta região.
Como janeiro, dezembro, janeiro e
fevereiro são meses de férias, hoje, é Rio, São Paulo, e nordeste brasileiro, a
maior direção dos turistas. Com o aumento do dólar veio menos turistas
estrangeiros, mas a contrapartida é que o turismo nacional interno cresceu
muito, então nós estamos, praticamente, com toda a rede hoteleira em 85% ocupada
no nordeste . Restaurantes cheios, mais emprego nesse setor, nós estamos
acompanhando, vendo setorialmente que medidas precisamos tomar e onde para
beneficiar essa região e você pode ter certeza. Eu como filho de alagoano, e o
presidente Lula como Pernambucano , nós temos o nordeste no nosso
coração.
WASHINGTON: É muito bom, Ministro, nós que apresentamos o
programa de 6h às 8h da manhã, aqui na capital paraibana. Conte conosco nesta
briga, enquanto brigar com grande melhor ainda, pode contar conosco no que for
preciso para o desenvolvimento do país, e estamos sempre aqui, de portas abertas
para contribuir no que for preciso para podermoa unidos e irmanados dar melhores
dias à população brasileira, especialmente, a população nordestina. Meus
cumprimentos, e quando vier à Paraíba seja bem-vindo, estaremos disponíveis para
conversar com nosso público.
ROSANA AMAZONAS: (Rádio Jangadeiro FM de
Fortaleza/CE)
Bom-dia, Ministro! O Brasil tem milhões de trabalhadores na
informalidade. Como o Ministério do Trabalho age para reverter esse quadro?
Existe algum projeto ou programa de incentivo para que esses trabalhadores se
tornem trabalhadores formais?
MINISTRO: Rosana, esse é o nosso grande
desafio, e você tem toda a razão. Eu acho que também há muita distorção da
informação. Só nesses sete anos do governo do presidente Lula, nós geramos por
contatos formais, celetistas, servidores públicos, concursados, civis e
militares, mais de dez milhões de brasileiros estão no mercado formal. Entre
celetistas, funcionários públicos, civis e militares. Agora, nós temos um grande
contingente ainda informal aqui dentro. Agora, nessa informalidade, nós temos
que saber o que é informal? Que é jogado na informalidade por necessidade, ou
seja, não temos outra opção, o cara tem que estar na informalidade para
sobreviver. Quem está no que chamam de informalidade por opção, por exemplo, eu
fui jornaleiro, e o jornaleiro é considerado informal porque ele não tem
carteira de trabalho assinada porque ele é autônomo, mas eu nunca me considerei
informal. Eu ganhava como jornaleiro um pouquinho mais de quanto eu ganhava como
ministro, olha que absurdo que eu estou falando, mas é verdade. Na minha época,
na zona sul onde eu trabalhava. O que eu estou querendo dizer com isso, você tem
que tirar desse conceito de informalidade, o percentual da população que tem por
autonomia, por opção de ser autônomo. Um motorista de táxi pode ser considerado
informal? Médico que não tem contrato de trabalho, mas trabalha por conta
própria pode ser considerado informal? Engenheiro que faz o serviço por conta
própria, e arquiteto, eletricista, tem um grande contingente e isso nós estamos
estudando numericamente através do Registro Anual de Inscrição Social, da Rais
para dar uma radiografia real. A partir dessa radiografia real é que nós podemos
desenvolver políticas públicas para diminuir essa informalidade de que esses
informáticos estão indo por necessidade. Por exemplo, nós já estamos
trabalhando, comecei ontem. Eu quero criar o chamado Simples Trabalhista,
reforçar essa idéia do Simples Trabalhista para facilitar a pequena, micro e
média empresa contratar. Desburocratizar a papelada que existe. Facilitar a
contratação do trabalhador porque eu percebo e muitos já me reclamaram isso na
rua que é uma burocracia tão grande para contratar que o cara que tem uma
empresa pequenininha, uma pequena empresa que faz as roupas, outra que faz
sapato, ele não quer contratar porque há tanta burocracia, tanta gente em cima
dele que ele prefere ficar e manter o trabalhador na informalidade. Nós estamos
trabalhando para simplificar isso, no sentido do governo já melhorou muito o
Simples, no sentido da área econômica, com isenções fiscais e ampliação de
diminuição do impacto de impostos para as pequenas e médias empresas. O nosso
principal foco para diminuir a informalidade devem ser a pequenaa e a média
empresa que representam, hoje, no Brasil, 60% das carteiras de trabalho
assinadas. Para ser mais exato 56%. Para isso nós precisamos simplificar a
burocracia, diminuir os impostos do pequeno e médio empresário, e ter crédito
barato, mais baixo que este "spread" bancário que é criminoso contra a população
e mais rápido. Se a gente conseguir somar esses quatro fatores, nós vamos ter um
crescimento grande da economia e uma diminuição forte na
informalidade.
ROSANA: Ministro, como está a análise das propostas dos
sindicatos para o aumento do seguro desemprego agora em tempos de
crise?
MINISTRO: O seguro desemprego é um direito do trabalhador. Hoje, a
lei já faculta o conselho enfático, o qual eu sou membro representando o
Ministério do Trabalho, pertence à estrutura do Ministério do Trabalho. Nós
damos de 3 a 5, mas pode, por decisão do Conselho, chegar a 7. Se nós
percebermos que os setores da economia vão gerar um emprego mais forte em mais
tempo do que a gente imagina, o próprio presidente da República pode fazer um
decreto ampliando para até 10 prestações. Mas nós temos que ter muito cuidado,
isso tem que ser examinado setorialmente, por área, porque esse dinheiro é de
todos os trabalhadores e nós temos que ter responsabilidade ao liberar mais
parcelas desses recursos. Nós estamos examinando cada setor, principalmente hoje
o que tá focado à exportação: metal, mecânica, minérios, setores que vendem
muito pro exterior na área agrícola. Nós estamos focados, acompanhando
permanentemente esse setor pra ver que setor terá necessidade de ampliação. No
que for necessário ampliar, nós ampliaremos sem hesitar, porque nosso objetivo é
proteger o trabalhador brasileiro.
ALTAIR TAVARES - (Rádio 730 AM, de
Goiânia, Goiás)
Bom dia pra você, bom dia ministro.
MINISTRO: Bom dia,
Altair.
ALTAIR TAVARES: Eu vi na sua entrevista, o começo dela, uma
expressão voltada para a disseminação do pessimismo. Gostaria de saber do senhor
qual é a fonte desse pessimismo, principalmente aí nos meios de
comunicação?
MINISTRO: Bom, eu penso o seguinte: eu sou um otimista de
natureza, sabe por quê, Altair? Quem como eu, veio do nada, errimo de família
desde jovem, tudo na vida foi difícil conquistar. Eu não sou filho de político,
ninguém na minha família era político. Eu entrei com a cara e a coragem, chega a
ser ministro de Estado como é o meu caso hoje, mostra que otimismo sempre vence,
vale a pena. Por isso eu penso que tem muita gente que não gosta, tem
discriminação ainda contra o governo do presidente Lula, sabia? O Lula, por ter
sido um retirante nordestino, um homem que foi pra grande São Paulo, disputou
quatro eleições pra vencer a que o consagrou como presidente da República. Tem
muita gente que tem inveja, que não aguenta ver o governo do presidente Lula,
que tá acertando, que não suporta o Brasil ser referência para o mundo da
economia estabilizada, do controle da inflação. O que que eu posso fazer? O que
eu faço é o seguinte, eu olho pra essa gente e digo assim "olha, vocês vão ter
que - como diz o Zagallo - engolir", porque nós vamos continuar dando certo, o
governo brasileiro vai continuar acertando, o Brasil vai continuar crescendo. E
a prova disso é 82% de aprovação da população brasileira. Enquanto essa
população acreditar no nosso governo, enquanto essa população souber que nós
estamos preocupados com ela, com o emprego dela, com o que ela possa melhorar de
condições de vida, eu tenho certeza que o otimismo toma conta e faz a gente
acreditar cada vez mais no nosso país.
ALTAIR TAVARES: Ministro, o senhor
pense bem, percebo já a um bom tempo essa sua expressão otimista e no curso do
programa nós ouvimos informações de notícias da economia que são preocupantes.
Esse otimismo, às vezes, não é exagerado?
MINISTRO: Pode ser, pode ser
que eu sou um "carcamano". Você sabe que por parte de pai, eu sou a mistura de
nordestino por parte de mãe com italiano por parte de pai. Então a gente, na
vida, acredita muito naquilo que faz. Mas eu não acho exagerado não, sabe por
quê? Eu tô baseado no mundo real, eu ando, amigo. Não fico só aqui em Brasília.
Semana que vem tô indo pro Ceará, sexta-feira tava em SÃo Paulo. Na outra
semana, tô indo pro Paraná. Eu ando e vejo que o mundo real, essa crise atinge
uma minoria. A crise atinge setores específicos, que é uma minoria. E o governo
tá agindo rapidamente, liberando recursos, dando isenções fiscais, criando
frente de obras, investindo no PAC, aumentando recurso do BNDES. Nós estamos
trabalhando. Nós acreditamos no Brasil. Eu sou um otimista nato e ninguém vai me
tirar esse otimismo porque eu amo o meu Brasil mais do que minha própria
vida.
KÁTIA SARTÓRIO: Ministro, inclusive têm agências que tão...,
entidades da sociedade civil que já estão até com campanhas da 'xô, crise',
vamos ser mais otimistas, não é isso?
MINISTRO: Eu acho que é preciso
isso, sabe? Porque você sabe que a primeira doença que a pessoa tem é a mental.
Quando o cara diz que tá doente, não adianta, fica doente. Como eu digo sempre
que tenho saúde, nunca fico doente.
KÁTIA SARTÓRIO: É, e quando o senhor
falou, por exemplo, na questão dos carros novos, né? A gente sabe que pra
comprar determinados veículos têm lista de espera hoje.
MINISTRO: Então
justifica demitir? Na minha opinião, não. Olha, se tá vendendo, eles vão ter
dois trabalhos: vai ter que demitir agora, daqui a pouco vai ter que contratar
de novo. Porque daqui a pouco vai vender, já tá vendendo. Então nós temos que
acreditar nisso. Não é só ilusório, não é só sentimento. É mundo real. Pega os
números de carros vendidos que vocês vão ver. Então, eu penso assim, eu acredito
nisso e trabalho assim.
KÁTIA SARTÓRIO: Esse é o programa 'Bom Dia
Ministro', eu sou Kátia Sartori, o nosso convidado de hoje, o ministro do
trabalho, Carlos Lupi. Ministro, o senhor teve ontem uma reunião com a OIT e foi
convidado pra uma reunião do G-8, que vai acontecer em março, na Itália. Como
esses organismos estão avaliando as medidas tomadas pelo governo
brasileiro?
MINISTRO: Olha, era bom até perguntar pra eles, porque senão
fica muita vaidade da gente, mas eles acham que o governo brasileiro tá na
vanguarda. Nós estamos investindo em setores estratégicos, nós demos aumento
real do salário mínimo. Nesses últimos sete anos foram 46% de aumento real. Nós
estamos aumentando a capacidade de investir, através do BNDES são mais de R$100
bilhões, através da Petrobrás são mais de R$120 bilhões de investimentos. Nós
estamos trabalhando, criando linhas de crédito, gerando financiamento. O
presidente agora tá anunciando mais 500 mil casas. Estamos trabalhando
permanentemente. Agora, nós queremos garantir que esses investimentos gerem
emprego. Tudo é possível, peço a compreensão, não é radicalismo, gente. Não pode
o dinheiro público ser dado a uma empresa que vai demitir. Então pra quê o
dinheiro público? Então se vira sozinho. Se tá pedindo o dinheiro público, tem
que garantir o emprego do trabalhador, até por inteligência, porque é o emprego
desse trabalhador que vai garantir maior circulação do recurso, mais compra,
mais venda e maior lucro pra própria empresa.
KÁTIA SARTÓRIO: E já tem
essa lista, ministro, das empresas que estão recebendo esse dinheiro mas estão
demitindo?
MINISTRO: Olha, nós estamos acompanhando. Eu, por
obrigatoriedade legal, eu não posso revelar nomes, por causa do sigilo bancário,
mas pode ter certeza que nós estamos acompanhando permanentemente isso e estamos
falando um a um. Você sabe que eu sou meio ousado, eu falo e falo
duro.
KÁTIA SARTÓRIO: Tá de olho, né ministro?
MINISTRO: Tô de
olho.
KÁTIA SARTÓRIO: Tá certo. Ministro, eu gostaria de agradecer mais
uma vez sua participação no programa 'Bom Dia Ministro'.
MINISTRO: Kátia,
eu que agradeço essa oportunidade, eu tô sempre à disposição. Muito obrigada a
todos.
KÁTIA SARTÓRIO: Obrigada, ministro e a todos que participaram
conosco desse programa, desse rede de emissoras o meu muito obrigada e até o
próximo programa.